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Crise Econômico-Política Atual
Fundação de Economia e Estatístia
13 de julho de 2015
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O Plano Real (1)
• O Plano Real foi a mair revolução “tecnopolítica”
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O Plano Real (2)
• A hiperinflação é a resolução perversa do conflito
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O Plano Real (3) – A questão de sua
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O Plano Real (4)
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O Plano Real “Petista”
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• O mais louco de tudo é que esta relação semi-
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desenvolvimentismo Pós-Moderno
• Até porque os sinais da desindustrialização foram se
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Voltando à inflação
• Com os preços dos bens industrias (de consumo, insumos
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1994 18,57% 18,57% 13,47% ...
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Período IPCAs Acumulados
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• Qual a alternativa a esquerda oferece a este quadro?
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Carlos Águedo Paiva - Economista da FEE

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O Real enquanto Pacto Social e a Crise Econômico-Política Atual

  1. 1. O Real enquanto Pacto Social e a Crise Econômico-Política Atual Fundação de Economia e Estatístia 13 de julho de 2015 Carlos Águedo Paiva
  2. 2. O Plano Real (1) • O Plano Real foi a mair revolução “tecnopolítica” no Brasil desde e o PAEG-Ditadura Militar. Ele é o Pacto Social que permite a superação da crise institucional associada à crise da ditadura expressa na estagnohiperinflação de 1984-1993 • Os determinantes políticos do Plano Real encontram-se no estrondoso (e, para a burguesia, inesperado) crescimento e integração das forças políticas da esquerda, nucleadas em torno do PT, que aparece como a principal força de oposição às forças conservadoras desde a primeira eleição direta, em 1989.
  3. 3. O Plano Real (2) • A hiperinflação é a resolução perversa do conflito distributivo escancarado na crise da ditadura. Os trabalhadores logo aprenderam que eles perderam na guerra aberta (em parte) por eles mesmos. • O Plano Real “concede” o fim da inflação e, com isto, “compra” o apoio e mais duas gestões “não petistas”. Duas gestões que se mostraram fundamentais para o desaparalhamento do Estado. • O Estado só poderia ser entregue à esquerda devidamente “desidratado”. Após a privatização e a LRF. E após a consolidação do Real, que conta com outro componente de fato: a independência do Banco Central para controlar juros e CÂMBIO.
  4. 4. O Plano Real (3) – A questão de sua eficácia no controle inflacionário • Aqui cabe um parêntese teórico: como interpretamos a eficácia do Plano Real? • Ele tem duas pernas: a monetário-cambial e a fiscal- salarial. • A primeira é a mais usada e a mais eficaz. Quando a inflação sobe, o Bacen reage elevando o juro, atraindo dólares (ou outras divisas), valorizando o Real e tornando os importados (e exportados) mais baratos. • Se não há espaço para isto (porque os mercados externos de divisas estão ilíquidos), o governo puxa o freio fiscal, deprime os gastos, o emprego e a demanda global, atingindo o salário nominal. A consequência é a depressão dos custos diretos das empresas (em especial as intensisvas em trabalho) e a depressão da demanda dos setores de preços flexíveis (em especial, alimentos) .
  5. 5. O Plano Real (4) • O controle de preços via ancoragem monetário-cambial (que se tornou a perna principal do Real) só foi possível com ajuda da China (grande importadora de commodites brasileiras) e da eleição de Clinton (que flexibilizou a política do FED). Mas ele envolveu uma decisão interna que foi ainda mais importante: rifar uma parte da burguesia: a parcela que não podia mais viver sem inflação. • Esta foi a grande contribuição de FHC. Eu acredito piamente que ele nunca solicitou que esquecessem o que ele escreveu. Não é necessário. Ele fez exatamente o que ele escreveu. Ele é o pai do Real. • Ele promoveu, com o Real, o fim dos bancos e de todas as instituições que dependiam da inflação para viver. Promoveu a quebra da pequena indústria que não tinha condições de competir com a exposição externa. Promoveu a concentração interna e a multinacionalização do grande capital nacional. • Este sempre foi o seu sonho de capitalismo “nacional”.
  6. 6. O Plano Real “Petista” • Em 2002 Lula se deu conta de que não conseguiria ganhar lutando contra o Real. E fechou algum acordo (não sei em que nível de formalidade) com a Febraban de que daria autonomia “efetiva” ao Bacen para controlar o juro ao longo de sua gestão. • Isto implica abrir mão de fazer política industrial. A não ser como política compensatória. Isto implica ser “meio governo”. • É claro que niguém declara isto em alto e bom som. Mas é isto que é.
  7. 7. O Plano Real “Petista” e “neo desenvolmentismo pós-moderno • O mais louco de tudo é que esta relação semi- esquizofrênica em que se é e não se é governo não foi percebida pela base de um partido que foi construiído ao fim da ditadura e que tomou o “poder” em poucos anos de eleições diretas. Ninguém queria, de fato, perceber isto. Ninguém queria ouvir os resmungos dos “getulistas saudosistas” (como o Prof. Pedro Fonseca) que afirmam que os governos petistas não são desenvolvimentistas. Mas eles têm sua razão. É preciso reconhecer.
  8. 8. O Plano Real Petista e o neo- desenvolvimentismo Pós-Moderno • Até porque os sinais da desindustrialização foram se tornando cada vez mais evidentes, assim como a fragilidade de uma política industrial compensatória que (como não podia deixar de ser) concentrava (e ampliava o grau de monopólio e o mark-up) da indústria interna. • Por que ninguém via isto? Por que se processava ao lado de uma magnífica distribuição da renda e criação de microempreendimentos NO SETOR DE SERVIÇOS. • Isto tudo era e e é a emancipação de uma parcela da população. Sem deixar de ser a perda de um projeto de autonomia de um povo. Pois a Indústria e os demais tradables (agricultura e exrativa) é a forma como nos relacionamos com o exterior. Estamos nos primarizando
  9. 9. Voltando à inflação • Com os preços dos bens industrias (de consumo, insumos intermediários, de capital, etc) sob controle via âncora cambial, os governos petistas conseguiram distribuir a renda via salários nominais e transferências governamentais sem déficits públicos, pois a tributação crescia assentada numa renda em elevação puxada pelos setores não tradables • Mas a farra não poderia durar sempre. O problema não era que ela se assentava no consumo. Mas que ela se baseava numa política “desindustrializante no longo prazo”. E não há política industrial compensatória que compense um câmbio completamente irreal. • Como mudar isto? Só se mudar os fundamentos do Real. Voltaremos a isto logo adiante. Mas, primeiro, vejamos um pouco os dados.
  10. 10. Variável IPCA-Tot IPCA-Tra IPCA-N-Tra IPCA-Mon Data Anual Acum Anual Acum Anual Acum Anual Acum 1994 18,57% 18,57% 13,47% 13,47% 32,75% 32,75% 2,82% 2,82% 1995 22,41% 45,14% 10,55% 25,45% 35,52% 79,90% 28,17% 31,79% 1996 9,56% 59,02% 2,24% 28,25% 13,81% 104,75% 20,24% 58,46% 1997 5,22% 67,32% 1,50% 30,18% 4,39% 113,73% 18,33% 87,49% 1998 1,66% 70,10% 1,19% 31,73% 1,48% 116,89% 3,23% 93,55% 1999 8,94% 85,30% 11,27% 46,57% 1,63% 120,42% 20,89% 134,00% 2000 5,97% 96,37% 3,64% 51,90% 3,72% 128,63% 12,90% 164,19% 2001 7,67% 111,44% 7,30% 62,98% 5,72% 141,70% 10,78% 192,68% 2002 12,53% 137,93% 14,86% 87,21% 7,48% 159,78% 15,32% 237,51% 2003 9,30% 160,06% 8,69% 103,48% 6,65% 177,05% 13,20% 282,08% 2004 7,60% 179,83% 6,28% 116,27% 6,85% 196,04% 10,20% 321,05% 2005 5,69% 195,75% 2,74% 122,18% 6,36% 214,86% 8,98% 358,84% 2006 3,14% 205,04% 1,31% 125,10% 4,01% 227,47% 4,28% 378,47% 2007 4,46% 218,64% 4,73% 135,76% 6,68% 249,34% 1,65% 386,37% 2008 5,90% 237,45% 6,97% 152,20% 7,10% 274,13% 3,28% 402,31% 2009 4,31% 252,00% 2,63% 158,82% 5,53% 294,82% 4,74% 426,11% 2010 5,91% 272,80% 6,87% 176,61% 7,28% 323,56% 3,13% 442,58% 2011 6,50% 297,04% 4,41% 188,82% 8,59% 359,95% 6,20% 476,22% 2012 5,84% 320,22% 4,47% 201,72% 8,46% 398,84% 3,65% 497,24% 2013 5,91% 345,06% 6,01% 219,87% 8,43% 440,87% 1,54% 506,42% 2014 6,41% 373,58% 5,95% 238,91% 7,43% 481,05% 5,32% 538,70%
  11. 11. Var Rendimento Médio da População Ocupada Variação IPCA Variação do Rendimento Médio da PO Nominal Real Período Nominal Real Ano Acum Ano Ant Acum Ano Ant Acum 2002 859,41 825,01 12,53% 12,53% 3,72% 3,72% -3,86% -3,86% 2003 898,93 747,60 9,30% 23,00% 4,60% 8,49% -9,38% -12,88% 2004 951,12 740,56 7,60% 32,34% 5,81% 14,79% -0,94% -13,70% 2005 1.016,10 742,41 5,69% 39,87% 6,83% 22,63% 0,25% -13,49% 2006 1072,85 753,96 3,14% 44,27% 5,58% 29,48% 1,56% -12,14% 2007 1128,51 764,48 4,46% 50,70% 5,19% 36,20% 1,39% -10,91% 2008 1221,02 777,63 5,90% 59,59% 8,20% 47,36% 1,72% -9,38% 2009 1292,71 787,84 4,31% 66,48% 5,87% 56,02% 1,31% -8,19% 2010 1437,87 837,76 5,91% 76,31% 11,23% 73,54% 6,34% -2,37% 2011 1629,68 888,46 6,50% 87,78% 13,34% 96,69% 6,05% 3,53% 2012 1794,64 930,04 5,84% 98,74% 10,12% 116,60% 4,68% 8,38% 2013 1930,78 941,55 5,91% 110,49% 7,59% 133,02% 1,24% 9,72% 2014 2109,55 965,93 6,41% 123,98% 9,26% 154,60% 2,59% 12,56%
  12. 12. Período IPCAs Acumulados X IPCA-Tot IPCA-Tra IPCA-N- Tra IPCA- Mon FHC1e2 IPCAs Acum no período 100,68% 64,98% 95,69% 228,26% Relações IPCAs Acum no Período c/ IPCA-Tot 1,00 0,65 0,95 2,27 c/ IPCA-Tra 1,55 1,00 1,47 3,51 c/ IPCA-N-Tra 1,05 0,68 1,00 2,39 IPCA-Mon 0,44 0,28 0,42 1,00 Lula1 IPCAs Acum no período 28,20% 20,24% 26,06% 41,76% Relações IPCAs Acum no Período c/ IPCA-Tot 1,00 0,72 0,92 1,48 c/ IPCA-Tra 1,39 1,00 1,29 2,06 c/ IPCA-N-Tra 1,08 0,78 1,00 1,60 IPCA-Mon 0,68 0,48 0,62 1,00 Lula2Dilma IPCAs Acum no período 45,90% 42,10% 65,17% 26,74% Relações IPCAs Acum no Período c/ IPCA-Tot 1,00 0,92 1,42 0,58 c/ IPCA-Tra 1,09 1,00 1,55 0,64 c/ IPCA-N-Tra 0,70 0,65 1,00 0,41 IPCA-Mon 1,72 1,57 2,44 1,00
  13. 13. O que fazer? • Qual a alternativa a esquerda oferece a este quadro? • Infelizmente, não conseguimos identificar nenhum projeto alternativo claro. Pelo contrário. • Tal como procuramos denunciar no início da exposição, a esquerda vem se auto-enredando em um debate falso centrado: 1) no realismo ou irrealismo das hipóteses subjacentes às políticas monetária e fiscal ortodoxas; 2) nas alternativas ao reequilíbrio das finanças que minimizariam os cortes nos dispêndios (p. ex.: aumento dos impostos sobre os mais ricos). • Esta estratégia equivale a tomar o discurso ideológico (articulado apenas para ser o que é: uma máscara farsesca encobridora dos verdadeiros fins) como um discurso passível de (porquanto aberto à) crítica. • Do nosso ponto de vista, é preciso uma rotação de perspectiva que parte do reconhecimento: 1) dos fundamentos reais do Real nas âncoras cambial e fiscal-salarial; 2) da exaustão do Plano Real em função do peso que vem impondo à competitividade da indústria. •

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