SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 8
Baixar para ler offline
]
Conexões entre a agricultura brasileira
e a indústria gaúcha
Em se tratando da análise do desempenho recente da
economia do RS, talvez o mantra mais repetido entre os eco-
nomistas seja o de que “quando a agropecuária gaúcha vai
bem, a economia gaúcha vai bem (e vice-versa)”. Mais espe-
cificamente, enfatiza-se que a ampliação da participação do
RS na renda nacional está condicionada ao avanço do produ-
to da agropecuária local. Essa máxima vigorou em 12 dos
últimos 13 anos e promete repetir-se em 2014.
As razões dessa interdependência são bastante conheci-
das. Apesar de participar com menos de 10% do Produto
Interno Bruto (PIB) gaúcho, o campo origina significativa
parcela das matérias-primas utilizadas pela indústria de
transformação do Estado (alimentos, fumo, biocombustí-
veis). Além do mais, a agropecuária constitui-se em impor-
tante atividade demandante de bens industriais (insumos,
máquinas, armazéns) e serviços de distribuição e transporte
que são produzidos localmente. Por tudo isso, estima-se que
o agronegócio responda por cerca de um terço da renda do
Estado.
Porém os recorrentes altos e baixos do PIB gaúcho, as-
sociados às variações do produto da agropecuária em mo-
mentos de recuperação e quebra da safra, revelam apenas
parte da dependência do Estado em relação ao agronegócio.
Por sua importância para a produção de grãos, até a década
de 80 do século XX o RS foi conhecido como celeiro do
País. Desde então, a fronteira agrícola avançou mais em
outras regiões, principalmente nas áreas do Cerrado, e o
Estado perdeu protagonismo.
Essa mudança não foi tão impactante para a economia
local, em parte, porque a indústria gaúcha de máquinas e
equipamentos para o agronegócio, nascida para atender ao
mercado regional, aproveitou o estímulo gerado pela expan-
são da produção agrícola nacional. Nos últimos 10 anos, o
Valor Bruto da Produção agrícola do Brasil aumentou 140%,
em um cenário marcado pela alta dos preços internacionais
das commodities agrícolas, pelo avanço da área plantada e
por substanciais ganhos de produtividade. A resultante capi-
talização do produtor rural, aliada à melhoria das condições
de crédito ofertadas para a compra de máquinas e equipa-
mentos, gerou transbordamentos para a indústria gaúcha.
No Estado, estão presentes três Aglomerações Produti-
vas (AP) industriais, especializadas no fornecimento de pro-
dutos para distintas etapas das atividades agropecuárias e
agroindustriais regionais e nacionais. A região dos Coredes
Alto Jacuí e Produção destaca-se pela oferta de produtos
voltados à preparação do solo, à plantação e ao cultivo agrí-
cola (AP Pré-Colheita). Na Fronteira Noroeste, encontra-se a
tradicional indústria de colheitadeiras (AP Colheita), e, com-
pletando o mix industrial, no Noroeste Colonial, está concen-
trada a produção de equipamentos de armazenagem, seca-
gem, limpeza, movimentação e controle de cereais (AP Pós-
-Colheita). Para se ter ideia da importância dessas atividades,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o peso das mesmas na indústria de máquinas e equi-
pamentos do RS é superior a 50%.
Em 2013, a produção nacional de máquinas agrícolas
atingiu a marca histórica de 100.000 unidades, tendo o Esta-
do participado com 43,7% desse total. Esse crescimento da
demanda nacional por bens de capital destinados a agricultu-
ra contribuiu decisivamente para o avanço de 62,2% na in-
dústria gaúcha de máquinas e equipamentos entre 2003 e
2013. No mesmo período, a indústria de transformação do
RS cresceu apenas 12,8%.
Assim, se é inegável que a economia gaúcha depende da
agropecuária local, também se fortalece a percepção de que o
avanço da indústria gaúcha está cada vez mais atrelado ao
desempenho da agricultura nacional. No médio prazo, a
expansão da renda agrícola brasileira deve manter-se, geran-
do oportunidades de crescimento para a indústria. Ainda que
os recordes de 2013 não se devam repetir nesse ano, a reto-
mada do Programa Moderfrota (BNDES), anunciada no final
de maio, e a implementação do Plano Nacional de Armaze-
nagem, são medidas que podem dar fôlego adicional para o
setor no RS.
Índices do Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola e da produção de
máquinas e equipamentos no Brasil e índice da produção de
máquinas agrícolas no RS — 2003-13
60
90
120
150
180
210
240
270
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
Máquinas e equipamentos - RS
VBP agrícola - Brasil
Máquinas agrícolas - Brasil
Legenda:
FONTE: ANFAVEA, IBGE (PIM-PF) e MAPA.
NOTA: Os índices têm como base 2003 = 100.
Rodrigo D. Feix
Economista, Pesquisador da FEE
GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã
FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA
Siegfried Emanuel Heuser
ANO 23 Nº 6
Junho de 2014
Carta
de
Conjuntura FEE
Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6
2
Tenha acesso a esta e a outras
publicações em
www.fee.rs.gov.br
Emprego formal: sinais de desaceleração
Os efeitos da desaceleração da atividade econômica so-
bre o mercado de trabalho formal já começam a se tornar
visíveis neste primeiro quartel do ano. Embora se mantenha
a trajetória ascendente do emprego, o ritmo de expansão
diminuiu sensivelmente. A frágil geração de postos no Brasil
evidencia-se nos resultados dos meses de março e abril de
2014, que foram os piores para esses meses desde 1999. Em
março, o saldo entre admissões e desligamentos (sem ajus-
tes) foi de apenas 13.117, enquanto, no mesmo mês de 2013,
havia sido de 112.450. Em abril, o saldo foi de 105.384 pos-
tos frente a 196.913 em abril do ano anterior. No quadrimes-
tre (janeiro a abril de 2014), na série com ajustes, verificou-
-se um aumento de 458.145 pessoas no estoque de emprega-
dos, um crescimento inferior ao registrado no primeiro qua-
drimestre de 2013 (549.064). É o setor de serviços que tem
assegurado a geração de emprego com carteira, respondendo
por um pouco mais da metade do contingente acrescido nos
primeiros quatro meses de 2014, seguido, à distância, pela
indústria de transformação e pela construção civil. A dinâmi-
ca da geração de vagas liderada pelo setor serviços — que,
tradicionalmente, tem baixa produtividade, trabalhadores
com menor escolaridade e salários inferiores aos de boa parte
dos demais setores — está refletindo a atual conjuntura ma-
croeconômica de escasso crescimento e rendimentos em
desaceleração.
Em que pese o resultado positivo da indústria no qua-
drimestre, no mês de abril só esse setor perdeu empregados
(-3.427 contra 40.603 em abril 2013), configurando uma
situação inédita para o mesmo que, desde 2001, pelo menos,
não suprimia postos em abril. Um comportamento totalmente
fora do padrão sazonal que pode ser interpretado como um
processo de ajustes das empresas a um contínuo baixo cres-
cimento do PIB. Possivelmente, os empresários que estavam
evitando demitir, esperando a recuperação econômica no
curto prazo, não estejam mais dispostos a “segurar” o em-
prego.
No ranking da geração de empregos, o Rio Grande do
Sul destacou-se no mês de março de 2014 (saldo de 13.708),
ocupando o segundo lugar, atrás de São Paulo. Já em abril,
passou para a sexta posição (8.589), com São Paulo, Minas
Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás à frente. No Rio
Grande do Sul, como acontece no Brasil, os saldos líquidos
do emprego no presente ano são menores do que os encon-
trados em 2013. Diferentemente do agregado nacional, no
Estado é a indústria de transformação a responsável por
quase a metade das vagas acrescidas no período de janeiro a
abril de 2014, seguida pelo setor serviços e pela construção
civil. No mês de abril, ao contrário do observado no País, o
emprego na indústria de transformação gaúcha ainda teve
fôlego para crescer (2.100 vagas), graças à indústria da bor-
racha, fumo, couros e peles, responsável por grande parte
dos postos criados (2.135).
Um fenômeno interessante a ser observado é o compor-
tamento recente do emprego formal no conjunto das nove
áreas metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador,
Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto
Alegre), que mostrou um resultado aquém ao do interior dos
estados desses aglomerados urbanos. Os dados de março e
abril de 2014 são ilustrativos: enquanto, nas áreas metropoli-
tanas, o emprego ficou praticamente estável em março e
cresceu 0,16% em abril; no interior, expandiu-se 0,19%
(março) e 0,43% (abril). O mesmo movimento pode ser
detectado no ano de 2013, em que o interior do Brasil ultra-
passou as áreas metropolitanas e criou mais empregos com
carteira assinada. Um dos fatores apontados por alguns ana-
listas para explicar essa situação é a política de reajuste real
do salário mínimo, uma vez que as cidades menores costu-
mam depender mais do mínimo para manter a economia
local aquecida.
Pode-se esperar que o mercado de trabalho persiga uma
trajetória de acomodação até, pelo menos, o final do primeiro
semestre de 2014, com baixo nível de desemprego e desace-
leração moderada na criação de vagas formais. As sensíveis
quedas observadas na População Economicamente Ativa
(PEA), nos primeiros meses de 2014, indicam ser pouco
provável que ela volte a crescer e a pressionar a taxa de de-
socupação ao longo do ano.
Saldo entre admitidos e desligados no primeiro quadrimestre do ano, por setores de atividade selecionados, no Brasil e no Rio Grande do Sul — 2013 e 2014
INDÚSTRIA DE
TRANSFORMAÇÃO
CONSTRUÇÃO
CIVIL
COMÉRCIO SERVIÇOS
ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
AGROPECUÁRIA TOTALESTADO
E PAÍS
2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014
Brasil ..... 153.975 98.576 121.013 75.725 -41.811 -60.587 265.278 295.932 25.157 21.763 15.889 20.859 549.064 458.145
RS ......... 38.427 27.843 7.700 7.723 4.035 2.123 23.533 19.300 814 356 2.243 1.642 77.122 59.686
FONTE: MTE/Caged, Lei 4.923/65.
NOTA: Série com ajustes; inclui as informações enviadas fora do prazo.
Maria Isabel Herz da Jornada
Socióloga, Pesquisadora da FEE
Carta
de
Conjuntura FEE
3
Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 .
Redução do spread bancário: sim, mas por quanto tempo?
O mês de setembro de 2011 marcou o início de um ciclo
de redução da taxa básica de juros por parte do Banco Cen-
tral (Bacen). Naquele momento, a instituição percebeu sinais
de que a crise internacional não seria superada rapidamente,
e os impactos sobre a economia brasileira poderiam ser ame-
nizados com a redução da taxa de juros. Tal processo levou a
Selic a 7,25% a.a. em outubro de 2012, trazendo a taxa de
juros real ao menor nível da história. No entanto, o Bacen
não foi capaz de sustentar a redução. As pressões inflacioná-
ria e política convergiram para o início de um ciclo de au-
mento em abril de 2013, encerrado apenas no último mês.
Nesse ínterim, o ciclo de redução da Selic foi acompa-
nhado por um movimento de redução do spread bancário. É
válido relembrar que tal dinâmica foi iniciada pelas institui-
ções públicas de crédito em março de 2012. Após o ciclo de
aumento da Selic, questiona-se: até que ponto a redução do
spread pode ser considerada uma conquista mais duradoura?
Tendo como base os níveis de agosto de 2011, o gráfico
mostra que, enquanto a taxa básica de juros esteve 12% me-
nor que a de antes do início do ciclo de redução, o spread
médio foi 17% menor. Ou seja, as taxas de juros cobradas no
mercado ainda não teriam repassado todo o aumento da Se-
lic, mantendo o spread menor.
Contudo é interessante diferenciar o spread conforme o
tipo de empréstimo. Nesse caso, percebe-se que o spread
médio do crédito com recursos direcionados manteve um
patamar 28% inferior ao nível de agosto de 2011. Por outro
lado, o derivado de recursos livres apresentou maior resis-
tência à queda e recompôs-se rapidamente, resultando em um
nível 8% menor do que aquele ao início do período.
Considerando-se o maior peso das instituições públicas
no crédito direcionado, fica evidente que a redução do
spread médio ainda depende da ação governamental para
manter-se. A Selic cedeu. Resta saber por quanto tempo os
bancos públicos irão sustentar esses níveis de spread.
Taxa Selic e spread médio total, com recursos livres e com recursos
direcionados, no Brasil — ago./2011-abr./2014
50,00
60,00
70,00
80,00
90,00
100,00
110,00
Ago./11
Out./11
Dez./11
Fev./12
Abr./12
Jun./12
Ago./12
Out./12
Dez./12
Fev./13
Abr./13
Jun./13
Ago./13
Out./13
Dez./13
Fev./14
Abr./14
Selic ao fim do período
Spread - recursos livres
Spread - total do crédito
Spread - recursos direcionados
Legenda:
FONTE: Bacen.
NOTA: Os índices têm como base ago./2011 = 100.
Bruno Paim
Economista, Pesquisador da FEE
Evolução da arrecadação de ICMS em 2014
A arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Merca-
dorias e Serviços (ICMS), de janeiro a abril de 2014, che-
gou a R$ 8,2 bilhões, com uma taxa de crescimento real de
4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Houve
uma melhora na maioria dos setores da economia gaúcha,
com destaque para a arrecadação do ICMS da indústria de
transformação, que cresceu 2,6% de janeiro a abril de 2014
em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse setor,
que concentra quase a metade do total do ICMS arrecadado
no Estado, originou um montante de cerca de R$ 4 bilhões
de ICMS no quadrimestre. Tal desempenho pode ser identi-
ficado também com os dados do índice de base fixa da pro-
dução industrial mensal do Rio Grande do Sul, calculada
pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística, que, no
acumulado dos três primeiros meses de 2014, teve um au-
mento de 3,2% em relação ao ano anterior. Outro setor que
merece destaque é o comércio atacadista, que registrou um
aumento de 11,6% na arrecadação no quadrimestre, quando
comparado com o mesmo período do ano anterior.
Apenas dois setores apresentaram queda. O primeiro foi
a indústria de beneficiamento, que arrecadou R$ 256 milhões
de janeiro a abril de 2014, um desempenho 1,7% abaixo do
observado no ano anterior. O segundo foi o de serviços e
outros, com uma arrecadação de R$ 774 milhões, também
1,7% menor do que a registrada no mesmo período de 2013.
Entretanto, o montante arrecadado por esses dois setores
(indústria de beneficiamento e serviços e outros) é de R$ 1
bilhão, o que representa somente 25% do total obtido pela
indústria. Estima-se que o desempenho da arrecadação do
ICMS continue com essa tendência positiva ao longo dos
demais meses de 2014, sendo reforçado pelo esperado cres-
cimento da economia gaúcha. Isso acontecendo, há a possibi-
lidade de reduzir-se o déficit orçamentário do Rio Grande do
Sul, que, em 2013, chegou a R$ 1,4 bilhão.
Arrecadação do ICMS, por setores, no Rio Grande do Sul —
jan.-abr./2013 e jan.-abr./2014
SETORES DA ECONOMIA
JAN-ABR/13
(R$ 1.000)
JAN-ABR/14
(R$ 1.000)
VARIAÇÃO
%
Indústria de transformação 3.899 3.998 2,6
Indústria de beneficiamento 260 256 -1,7
Comércio atacadista ........... 1.910 2.132 11,6
Comércio varejista .............. 752 776 3,2
Serviços e outros ................ 788 774 -1,7
Outros setores (1) ................ 201 240 19,9
Total ..................................... 7.810 8.177 4,7
FONTE: Estado do Rio Grande do Sul. Fundação de Economia e Estatística.
FONTE: Arrecadação do ICMS por setores. Disponível em:
FONTE: <http://www.fee.tche.br>. Acesso em: 22.05.2014.
NOTA: Os valores do ICMS estão a preços de 1º de maio de 2014 e foram
deflacionados pelo IGP-DI.
(1) Abrangem produção animal e extração vegetal, indústria extrativa mineral,
indústria de montagem e indústria de acondicionamento e recondicionamento.
Alfredo Meneghetti Neto
Economista, Pesquisador da FEE
Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6
4
Tabela 1
Taxas de variação do IPCA e do IGP-M no Brasil — nov./13-abr./14
(%)
IPCA IGP-M
MESES
No Mês No Ano
Acumulada em 12
Meses
No Mês No Ano
Acumulada em 12
Meses
Nov./13 0,54 4,95 5,77 0,29 4,90 5,61
Dez./13 0,92 5,91 5,91 0,60 5,53 5,53
Jan./14 0,55 0,55 5,59 0,48 0,48 5,67
Fev./14 0,69 1,24 5,68 0,38 0,86 5,77
Mar./14 0,92 2,18 6,15 1,67 2,55 7,31
Abr./14 0,67 2,86 6,28 0,78 3,35 7,98
FONTE: IBGE.
FONTE: Fundação Getúlio Vargas.
Gráfico 1
Produção física industrial no Brasil e no
Rio Grande do Sul — jan./09-fev./14
Gráfico 2
Volume de vendas do comércio varejista no Brasil
e no Rio Grande do Sul — jan./09-mar./14
80
90
100
110
120
130
140
Jan./09
Abr./09
Jul./09
Out./09
Jan./10
Abr./10
Jul./10
Out./10
Jan./11
Abr./11
Jul./11
Out./11
Jan./12
Abr./12
Jul./12
Out./12
Jan./13
Abr./13
Jul./13
Out./13
Jan./14
Índice
Brasil RSLegenda:
80
100
120
140
160
180
200
220
Jan./09
Abr./09
Jul./09
Out./09
Jan./10
Abr./10
Jul./10
Out./10
Jan./11
Abr./11
Jul./11
Out./11
Jan./12
Abr./12
Jul./12
Out./12
Jan./13
Abr./13
Jul./13
Out./13
Jan./14
Índice
Brasil RS
Legenda:
FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física.
NOTA: 1. Média móvel trimestral do índice de base fixa mensal com
ajuste sazonal.
2. Os índices têm como base a média de 2002 = 100.
FONTE: IBGE. Pesquisa Mensal de Comércio.
NOTA: 1. Média móvel trimestral do índice de base fixa mensal com
ajuste sazonal.
2. Os índices têm como base a média de 2002 = 100.
Tabela 2
Indicadores selecionados da economia brasileira — nov./13-abr./14
NO MÊS
INDICADORES SELECIONADOS
Nov./13 Dez./13 Jan./14 Fev./14 Mar./14 Abr./14
NO ANO (1)
EM 12
MESES (1)
Taxa de câmbio (US$) (2) .................. 2,30 2,35 2,38 2,38 2,33 2,23 2,33 2,27
Taxa de câmbio efetiva real (3) .......... 94,8 96,3 97,1 96,6 92,9 88,7 93,8 93,3
Taxa básica de juros (% a.a.) (4) ....... 10,00 10,00 10,50 10,75 10,75 11,00 10,75 9,58
Superávit primário (% do PIB) ............ -6,8 -2,5 -4,9 -0,5 -0,9 -4,0 -2,6 -1,9
Balança comercial (US$ milhões) ...... 1.739 2.652 -4.059 -2.125 112 506 -5.566 3.131
Exportações (US$ milhões) ........... 20.861 20.846 16.026 15.934 17.628 19.724 69.312 240.023
Importações (US$ milhões) ........... -19.123 -18.194 -20.085 -18.059 -17.516 -19.218 -74.878 -236.892
Transações correntes (US$ milhões) -5.104 -8.636 -11.539 -7.398 -6.247 -8.291 -33.476 -81.611
FONTE: Banco Central do Brasil.
(1) Valores médios da taxa de câmbio, do índice da taxa de câmbio efetiva real e da taxa básica de juros; resultado acumulado para os demais. (2) Taxa de
câmbio livre do dólar norte-americano (compra e venda) média do período (R$/US$). (3) Índice da taxa de câmbio efetiva real (IPCA), jun./94 = 100. (4) Taxa
vigente no último dia útil do mês.
5
Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 .
Gráfico 3
Taxa de desemprego total no Brasil e no
Rio Grande do Sul — nov./13-abr./14
Gráfico 4
Taxa de variação da arrecadação do ICMS
no Rio Grande do Sul — jan./10-abr./14
9,5 9,3 9,5
10,3
11,0 11,1
6,2 6,1 5,7 5,6 6,0 6,1
0,0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
12,0
Nov./13 Dez./13 Jan./14 Fev./14 Mar./14 Abr./14
Brasil RSLegenda:
(%)
0
5
10
15
20
Jan./10
Abr./10
Jul./10
Out./10
Jan./11
Abr./11
Jul./11
Out./11
Jan./12
Abr./12
Jul./12
Out./12
Jan./13
Abr./13
Jul./13
Out./13
Jan./14
Abr./14
(%)
FONTE: PED-RMPA - Convênio FEE, FGTAS, SEADE, DIEESE e a-
poio MTE/FAT.
NOTA: 1. Brasil corresponde ao total das Regiões Metropolitanas de
Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e
São Paulo e o Distrito Federal.
2. Rio Grande do Sul corresponde apenas à Região Metropoli-
tana de Porto Alegre.
FONTE: Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul.
NOTA: Variação acumulada em 12 meses.
Tabela 3
Exportações do Brasil e do Rio Grande do Sul — nov.-abr./14
VARIAÇÃO ACUMULADA NO ANO (%)EXPORTAÇÕES ACU-
MULADAS NO ANO
(US$ FOB milhões) Valor Volume PreçoMESES
RS Brasil
PARTICIPAÇÃO
RS/BR (%)
RS Brasil RS Brasil RS Brasil
Nov./13 23.933 221.333 10,8 46,9 -0,7 17,7 3,5 24,5 -4,0
Dez./13 25.094 242.179 10,4 44,3 -0,2 16,8 4,1 22,6 -4,1
Jan./14 1.077 16.026 6,7 4,0 0,4 -14,6 3,6 21,8 -3,2
Fev./14 2.096 31.960 6,6 -1,0 1,4 -14,9 7,1 16,3 -5,3
Mar./14 3.249 49.588 6,6 -8,0 -2,5 -20,6 2,9 16,0 -5,2
Abr./14 4.905 69.312 7,1 -6,8 -3,0 -20,1 3,6 16,5 -6,3
FONTE DOS DADOS BRUTOS: MDIC/Sistema Alice.
Gráfico 5
Taxa de variação do PIB, acumulada em quatro trimestres, no Brasil
e no Rio Grande do Sul — 1º trim./09-1º trim./14
Gráfico 6
Estimativa de crescimento da lavoura e de suas principais cultu-
ras no Rio Grande do Sul — abr./14
-0,3
7,5
2,7
1,0
2,5
-0,4
6,7
5,1
-1,4
6,3
-4,0
0,0
4,0
8,0
12,0
1ºtrim.
2ºtrim.
3ºtrim.
4ºtrim.
1ºtrim.
2ºtrim.
3ºtrim.
4ºtrim.
1ºtrim.
2ºtrim.
3ºtrim.
4ºtrim.
1ºtrim.
2ºtrim.
3ºtrim.
4ºtrim.
1ºtrim.
2ºtrim.
3ºtrim.
4ºtrim.
1ºtrim.
2009 2010 2011 2012 2013 14
PIB do Brasil PIB do RS
PIB trimestral (Brasil) PIB trimestral (RS)
(%)
:Legenda
-24,3
2,8
1,0
-5,0
6,5
4,7
0,8
-25,0 -5,0 15,0
(%)Trigo
Mandioca
Milho
Fumo
Arroz
Soja
Total da lavoura
FONTE: Levantamento Sistemático da
FONTE: Produção Agrícola.
FONTE: FEE/CIE/NIS.
FONTE: IBGE. Contas Nacionais Trimestrais.
FONTE: FEE/CIE/NIS.
Legenda:
Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6
6
Os rumos do Programa Bolsa Família
O Programa Bolsa Família (PBF), desde que foi criado,
em outubro de 2003, vem registrando avanços significativos.
Quando o Governo Federal lançou o Plano Brasil Sem Misé-
ria (BSM), em julho de 2011, com o intuito de superar a
condição de extrema pobreza, incluiu como um dos seus
eixos o de garantia de renda, inserindo o PBF como um pro-
grama fundamental para atingir esse objetivo.
O PBF sofreu alterações importantes nos últimos anos.
Em 2011, houve a ampliação do número de beneficiários e
dos valores transferidos. Em mar./11, ocorreram reajustes
diferenciados para cada tipo de benefício (o maior reajuste,
de 45%, foi para o benefício variável para crianças e adoles-
centes de zero a 15 anos). Além disso, ampliou-se o limite
dos benefícios variáveis de três para cinco, por família.
Também foram criados dois novos benefícios, o Benefício
Variável à Nutriz (BVN) e o Benefício Variável à Gestante
(BVG).
Ampliando os benefícios do PBF, o Governo Federal
lançou o Programa Brasil Carinhoso em maio de 2012, foca-
lizado nas famílias extremamente pobres com crianças de até
seis anos, que passaram a receber um reforço monetário, de
valor variável de acordo com cada família, para completar
R$ 70 mensais per capita. Em novembro de 2012, o Progra-
ma foi estendido para as famílias com crianças de sete a 15
anos e, no mês de fevereiro de 2013, passou a incluir todas
as pessoas beneficiárias do PBF.
A complementação de renda também foi realizada pelos
estados. No Rio Grande do Sul, no ano de 2011, foi criado o
Programa Estadual de Erradicação da Pobreza Extrema —
“RS Mais Igual”, com o objetivo de reduzir os índices de
vulnerabilidade econômica e social e incluir a população em
situação de pobreza extrema na rede de políticas públicas.
Esse programa iniciou repassando R$ 50 às famílias benefi-
ciárias do PBF cuja renda per capita mensal fosse inferior a
R$ 70. Em abril de 2013, ocorreu uma repactuação da com-
plementação, que ampliou esse limite e garantiu uma renda
mensal de R$ 100 per capita para os beneficiários do PBF
com crianças de até seis anos de idade. Até março de 2014, o
Programa já beneficiou 70.000 famílias no Estado.
O PBF repassa quatro tipos de benefícios, os quais so-
frerão reajustes de 10% a partir de junho de 2014. O Benefí-
cio Básico, pago para famílias com renda per capita igual ou
inferior a R$ 70, passará para R$ 77. O Benefício Variável,
pago por criança ou adolescente de zero a 15 anos, gestantes
e/ou nutrizes, limitado a cinco benefícios por família, subirá
de R$ 32 para R$ 35, até o limite de R$ 175 mensais por
família. O Benefício Variável vinculado ao adolescente até
17 anos passará de R$ 38 para R$ 42 mensais, até o limite de
R$ 84 mensais por família. Considerando-se estes últimos
reajustes, o benefício médio do conjunto dos beneficiários do
PBF, que alcançou R$ 150 mensais no mês de abril de 2014,
deverá atingir R$ 167 a partir de junho desse ano.
O montante de recursos transferidos pelo PBF represen-
tou o equivalente a 0,5 % do PIB em 2013, o que é um per-
centual pequeno, dado o elevado número de beneficiários (14
milhões de famílias).
O PBF está atrelado a condicionalidades — os com-
promissos assumidos pelas famílias beneficiárias na área de
saúde, educação e assistência social —, que devem ser cum-
pridas para que continuem a receber o benefício. A despeito
de críticas iniciais à utilização de condicionalidades, o con-
trole sobre as mesmas vem-se expandindo e sendo aperfei-
çoado, devendo gerar efeitos positivos no médio e no longo
prazo.
Em 2006, do total de nove milhões de famílias benefi-
ciárias com perfil saúde (que abrange crianças de até sete
anos e mulheres de 14 a 44 anos), 36% foram acompanha-
das. No segundo semestre de 2013, as famílias beneficiárias
já somavam 11,8 milhões e foram acompanhadas 8,7 mi-
lhões (73%). No Rio Grande do Sul, o número de famílias
com perfil saúde subiu de 265.000 (35% acompanhadas)
para 369.000 (64% acompanhadas) nesse mesmo período,
situando-se abaixo do percentual atingido no País. Das crian-
ças beneficiárias com perfil saúde, cinco milhões (73% do
total) foram acompanhadas no País, no segundo semestre de
2013. Dessas, quase a totalidade (99%) estava com o calen-
dário de vacinação em dia, e a maioria (86%) teve dados
nutricionais coletados. No Rio Grande do Sul, o percentual
de crianças monitoradas com a vacinação em dia foi igual ao
do País (99%) no período, e os dados nutricionais foram
coletados para 91% das crianças. Quanto às gestantes, no
último semestre de 2013, praticamente todas foram acompa-
nhadas (99% do total). Tanto no País quanto no Estado,
cumpriu-se o compromisso de realização em dia do pré-
-natal.
A condicionalidade da educação registrou a frequência
escolar de 15 milhões de crianças e adolescentes beneficiá-
rias do PBF no último bimestre de 2013. Desse total, 96,8%
cumpriram a frequência regular mínima (85%). No Rio
Grande do Sul, as crianças e os adolescentes acompanhados
somaram 459.000, e, desses, 93% tiveram a frequência mí-
nima exigida. Esse monitoramento contribuiu para a redução
do abandono e da evasão escolar. A taxa de permanência das
crianças beneficiárias do PBF na escola é maior em todos os
períodos escolares. Assim, há evidências de que o Programa
contribui para elevar a frequência à escola e para diminuir a
repetência dos alunos beneficiários.
Aliadas à transferência de renda, outras ações visam me-
lhorar a qualidade de vida da população mais vulnerável.
Dentre elas, destacam-se as políticas sociais de valorização
do salário mínimo, de acesso ao crédito e de geração de
emprego e renda. Um exemplo de inclusão da população
mais pobre no mundo do trabalho é o Programa Nacional de
Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec-BSM), que
visa qualificar pessoas de baixa renda, através de cursos
gratuitos, ministrados por Institutos Federais e instituições
do Sistema S. Até março de 2014, já haviam sido realizadas
um milhão de matrículas no País. Portanto, é necessário um
amplo conjunto de medidas para combater a pobreza de
maneira duradoura.
Isabel Rückert
Economista, Pesquisadora da FEE
7
Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 .
A saúde no Rio Grande do Sul segundo o novo Idese
No mês de abril de 2014, a Fundação de Economia e Es-
tatística divulgou os resultados do novo Índice de Desenvol-
vimento Socioeconômico (Idese) para o período 2007-10. O
Índice passou por importante revisão metodológica e abarca
em sua versão atual três blocos de indicadores: Educação,
Renda e Saúde. As mudanças realizadas no Índice tornam-no
uma ferramenta mais confiável e precisa para subsidiar deci-
sões sobre a formulação de políticas públicas no Estado.
O Bloco Saúde do novo Idese é composto por três sub-
-blocos: saúde materno-infantil, condições gerais de saúde e
longevidade. A saúde materno-infantil é avaliada a partir da
taxa de mortalidade das crianças menores de cinco anos de
idade e da proporção de nascidos vivos cujas mães realiza-
ram sete ou mais consultas pré-natal. As condições gerais de
saúde são medidas pelo desempenho da taxa de mortalidade
por causas evitáveis e pela proporção de óbitos por causas
mal definidas. Por fim, a longevidade é aferida a partir da
taxa bruta de mortalidade padronizada.
Para o ano de 2010, o Idese apresentou um resultado 4%
superior ao obtido em 2007, passando de 0,699 para 0,727. O
Bloco Saúde contribuiu positivamente para o resultado do
Índice, tendo apresentado a melhor nota entre os três blocos
componentes do indicador em 2010. De fato, enquanto os
índices de Educação e Renda foram, para o ano citado, de
0,654 e 0,724, respectivamente, o Bloco Saúde obteve índice
de 0,803. No entanto, esse bloco foi o que apresentou menor
variação positiva: enquanto Educação e Renda melhoraram,
respectivamente, 4,2% e 6,1% entre 2007 e 2010, o desem-
penho do Bloco Saúde variou apenas 2,0% no mesmo perío-
do.
O resultado positivo do Bloco Saúde é devido, em gran-
de parcela, aos números bastante favoráveis para a longevi-
dade no Estado. O resultado do sub-bloco longevidade foi de
0,842. O sub-bloco saúde materno-infantil também apresen-
tou resultado positivo, com nota de 0,818. Dos três sub-
-blocos utilizados na avaliação da saúde no Estado, a pior
nota relacionou-se às condições gerais de saúde. Esse sub-
-bloco, que engloba indicadores de óbitos por causas mal
definidas e por causas evitáveis, registrou resultado de 0,749
para o ano de 2010. É importante salientar que o fato de o
Bloco Saúde ter apresentado números — de modo agrega-
do — positivos não significa que os serviços de saúde do
Estado gozem de excelência e que os gestores públicos po-
dem deixar de priorizar essa área. Ao contrário, o que se
observa é que a questão da qualidade do atendimento em
saúde ainda é bastante problemática no Estado, apesar da
escassez de indicadores confiáveis e abrangentes.
Um ponto que merece destaque na análise dos resultados
diz respeito a uma imagem distorcida que o leitor poderia
formar a partir do resultado agregado para o Estado. A afir-
mação de que o resultado do Bloco Saúde foi de 0,803 não
deixa transparecer as desigualdades existentes dentro do
Estado. Essas desigualdades são claramente visíveis dentro
da histórica divisão entre as Metades Sul e Norte do Rio
Grande do Sul. O mapa ao lado mostra a diferença entre
essas duas porções do Estado, no que diz respeito ao resulta-
do do Bloco Saúde para o ano de 2010. Percebe-se que os
municípios com as melhores notas estão concentrados, de
modo geral, na porção norte do Estado. Além disso, na re-
gião setentrional, estão localizados todos os municípios com
resultado superior a 0,900.
A tradicional divisão do Estado, em termos de desenvol-
vimento, entre Norte e Sul é também visível quando se divi-
de o Estado em mesorregiões. Em 2010, as mesorregiões que
apresentaram melhor desempenho foram a Nordeste (0,854)
e a Noroeste (0,826). Na outra ponta, os piores desempenhos
foram registrados nas regiões Sudoeste (0,766) e Sudeste
(0,774). Esse fenômeno não é exclusivo aos indicadores de
Saúde, repetindo-se também nos Blocos Renda e Educação.
Reiteradamente, a Metade Sul apresenta indicadores inferio-
res aos da Metade Norte. No período entre 2007 e 2010, as
regiões Sudeste e Sudoeste registraram melhoras no Bloco
Saúde superiores às alcançadas pelo Estado (2,1% e 2,4%
respectivamente, ante uma melhora de 2,0% nos números
agregados para todo o Estado). No entanto, esse desempenho
foi insuficiente para retirar ambas as regiões das piores posi-
ções no ranking estadual do Bloco Saúde.
O município que apresentou o melhor resultado para o
ano de 2010 está localizado na região do Alto Jacuí e trata-se
de um município pequeno: Lagoa dos Três Cantos. Sua nota
no Bloco Saúde foi 0,924. Os Municípios Santo Expedito do
Sul e Nova Bassano apresentaram números igualmente posi-
tivos, de 0,923 e 0,921 respectivamente. Esses são os três
municípios com melhores resultados no bloco. Por outro
lado, Lavras do Sul (0,666), Uruguaiana (0,694) e Itaqui
(0,711) foram os municípios que apresentaram as piores
notas no mesmo quesito. Quando consideramos apenas os
municípios com população superior a 100.000 habitantes, o
município que apresenta o melhor resultado é Bento Gonçal-
ves (0,893). Os Municípios de Caxias do Sul (0,853) e Santa
Cruz do Sul (0,845) vêm logo atrás, seguidos por Porto Ale-
gre (0,809). Por outro lado, Uruguaiana desponta com o pior
resultado em Saúde entre os municípios mais populosos
(0,694).
Idese, do Bloco Saúde, por municípios, no
Rio Grande do Sul — 2010
FONTE: FEE.
Thiago Felker Andreis*
Economista, Pesquisador da FEE
*
O autor agradece à Mariana Pessoa pela confecção do mapa.
Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6
8
Desenvolvimento regional do RS no contexto brasileiro
Recentemente, a Fundação de Economia e Estatística
revisou o dado preliminar do crescimento do Estado em
2013, que atingiu expressivos 6,3%, número bastante supe-
rior ao resultado para o Brasil como um todo, cujo cresci-
mento chegou a 2,3% no mesmo ano. A divulgação desse
número é acompanhada pela tão requisitada participação do
RS na produção total do Brasil, no ano passado, que teria
ficado em torno de 6,4%, recuperando o patamar de 2011. É
interessante a grande obsessão da sociedade e da mídia pelo
tamanho da fatia gaúcha no bolo brasileiro. Embora boa
parte do crescimento seja decorrente de uma “base fraca”,
resultado do retrocesso da economia gaúcha em 2012, pre-
tende-se demonstrar aqui que o desempenho de longo prazo
do Rio Grande do Sul, em comparação com o de outras uni-
dades da Federação, está longe de ser ruim, particularmente
quando se consideram as peculiaridades demográficas do
Estado e o papel do Rio Grande do Sul em uma nação ainda
muito desigual em seu território.
Com a atual participação no Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro, o Rio Grande do Sul é a quarta principal
economia do País, depois de São Paulo, Rio de Janeiro e
Minas Gerais, sendo seguido de perto por Paraná, na quinta
colocação, e Santa Catarina, um pouco mais distante, em
sexto lugar. No entanto, mais importante do que seu tamanho
absoluto, ao longo do período analisado, o Rio Grande do
Sul manteve um PIB per capita em um nível bastante supe-
rior à média brasileira, ao redor dos 16% após a estiagem de
2005, fenômeno que também impactou o Estado em 2012,
como indica o gráfico ao lado. Minas Gerais, por sua vez,
tem um PIB por habitante cerca de 10% inferior à média
brasileira, tendo chegado a ser 19% inferior em 2002. En-
quanto isso, São Paulo, que, em 2007, chegou a um PIBpc
56,7% superior à média nacional, e Rio de Janeiro, com um
máximo de 38,3% de superioridade sobre o país em 2006,
também apresentaram uma leve convergência em direção à
média brasileira, registrando, em 2011, uma superioridade de
50,8% e 33,4% respectivamente.
Portanto, cabe ressaltar que o Rio Grande do Sul per-
tence ao seleto grupo dos oito, dentre 27 unidades da Federa-
ção, que, em 2011, possuíam renda gerada per capita supe-
rior à média nacional, incluindo o Distrito Federal, que está
no topo da lista. A importância disso fica evidente frente ao
tamanho da desigualdade territorial brasileira, em que 13
unidades da Federação, naquele ano, apresentavam uma pro-
dução anual por habitante mais de 40% inferior à média do
País. Isso mostra como o Rio Grande do Sul já se encontra,
há muitos anos, entre os estados brasileiros com maior pro-
dutividade média, o que também se reflete nos seus indica-
dores de desenvolvimento e qualidade de vida, em geral.
Estando o RS em uma condição relativamente mais
avançada, supõe-se que o crescimento puxado pelos ganhos
de produtividade é mais lento do que nos estados mais po-
bres, e a expansão do PIB regional passa a depender mais da
velocidade com que aumentam os fatores produtivos, como é
o caso da mão de obra. Nesse quesito, no entanto, o cresci-
mento gaúcho é muito inferior ao do resto do País. Entre
2002 e 2011, a população do Rio Grande do Sul apresentou
uma taxa de crescimento de cerca de um terço da verificada
na população brasileira e de quase a metade do crescimento
demográfico dos demais estados apresentados no gráfico
(com exceção de Santa Catarina, cuja população cresceu
ainda mais do que a brasileira).
Na corrida pelo desenvolvimento, é desejável que aque-
las regiões do território nacional que possuem um nível infe-
rior de produtividade média logrem alcançar aqueles estados
que hoje se encontram na frente, desde que estes não estejam
ficando mais pobres. É com esse enfoque que uma série de
programas do Governo Federal vem atuando nos últimos 15
anos, em particular no âmbito do Plano Nacional de Desen-
volvimento Regional. Esses programas atuam buscando
“reduzir as desigualdades regionais e ativar os potenciais de
desenvolvimento das regiões no País”. Se a fatia relativa dos
mais ricos diminui e sua renda por habitante está mais pró-
xima da média brasileira, isso é sinal de sucesso e não o
contrário. No entanto, essa conclusão vale apenas quando
olhamos o Brasil como uma nação, e não como um emara-
nhado de unidades federadas que competem entre si, como
de praxe.
Diferença entre o Produto Interno Bruto per capita de estados
selecionados e a média do Brasil — 2002 a 2011
SP
PR
RJ
SC
RS
MG
-20,00%
-10,00%
0,00%
10,00%
20,00%
30,00%
40,00%
50,00%
60,00%
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
FONTE DOS DADOS BRUTOS: IBGE-Contas Regionais.
NOTA: Os dados do Rio Grande do Sul para 2012 e 2013 são
baseados em estimativas preliminares, que serão revistas pa-
ra a compatibilização com os demais Estados.
Tomás Pinheiro Fiori
Economista, Pesquisador da FEE
CARTA DE CONJUNTURA FEE (elaborada com informações até 05.06.14).
ISSN 1517-7262
A Carta de Conjuntura FEE é uma publicação mensal de responsabilidade dos editorialistas. As opiniões não exprimem um posicionamento oficial da
FEE ou da Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã.
Presidente: Adalmir Antonio Marquetti
Diretor Técnico: André Luis Forti Scherer
Diretor Administrativo: Roberto Pereira da Rocha
Conselho Editorial: André Luis Forti Scherer, Ce-
cília Rutkoski Hoff, Fernando Maccari Lara, Renato
Antônio Dal Maso, Míriam De Toni e Martinho Ro-
berto Lazzari.
Núcleo de Dados: Renan Xavier Cortes.
Editoração: Susana Kerschner (revisão) e Jadir
Vieira Espinosa (diagramação).
Fundação de Economia e Estatística
Siegfried Emanuel Heuser
Rua Duque de Caxias, 1691 - Porto Alegre
CEP 90010-283
E-mail: carta@fee.tche.br
Twitter: @cartafee
www.fee.rs.gov.br

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Folder ABIGRAF's Regionais
Folder ABIGRAF's RegionaisFolder ABIGRAF's Regionais
Folder ABIGRAF's RegionaisABIGRAF
 
Boletim abril2010
Boletim abril2010Boletim abril2010
Boletim abril2010idesp
 
Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14
Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14
Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14Fellippe Antonelle
 
A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...
A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...
A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...Luiz Valeriano
 
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018Luiz Valeriano
 
Florindo News - mês de janeiro 2016
Florindo News - mês de janeiro 2016Florindo News - mês de janeiro 2016
Florindo News - mês de janeiro 2016Bruno Ribeiro
 
Mercado trabalhojulho2011
Mercado trabalhojulho2011Mercado trabalhojulho2011
Mercado trabalhojulho2011idesp
 
Relatório de Atividades 2020
Relatório de Atividades 2020Relatório de Atividades 2020
Relatório de Atividades 2020FETAEP
 
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019Luiz Valeriano
 
Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...
Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...
Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...Zeax Love Hotels
 

Mais procurados (20)

Ped metr op.
Ped metr op.Ped metr op.
Ped metr op.
 
Folder ABIGRAF's Regionais
Folder ABIGRAF's RegionaisFolder ABIGRAF's Regionais
Folder ABIGRAF's Regionais
 
Boletim abril2010
Boletim abril2010Boletim abril2010
Boletim abril2010
 
Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14
Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14
Pub 20140530170956 mapeamento_quantificacao_safra2013-14
 
Clipping cnc 04092014 versao de impressao
Clipping cnc 04092014   versao de impressaoClipping cnc 04092014   versao de impressao
Clipping cnc 04092014 versao de impressao
 
A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...
A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...
A Cultura do Café: análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos...
 
Clipping cnc 07082015 versão de impressão
Clipping cnc 07082015   versão de impressãoClipping cnc 07082015   versão de impressão
Clipping cnc 07082015 versão de impressão
 
Jornal digital 12 03-18
Jornal digital 12 03-18Jornal digital 12 03-18
Jornal digital 12 03-18
 
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 3º Levantamento - Setembro 2018
 
Conjuntura brasil
Conjuntura brasilConjuntura brasil
Conjuntura brasil
 
Florindo News - mês de janeiro 2016
Florindo News - mês de janeiro 2016Florindo News - mês de janeiro 2016
Florindo News - mês de janeiro 2016
 
Jornal dos Comerciários - Nº 175
Jornal dos Comerciários - Nº 175Jornal dos Comerciários - Nº 175
Jornal dos Comerciários - Nº 175
 
Mercado trabalhojulho2011
Mercado trabalhojulho2011Mercado trabalhojulho2011
Mercado trabalhojulho2011
 
Clipping cnc 22012018 versão de impressão
Clipping cnc 22012018   versão de impressãoClipping cnc 22012018   versão de impressão
Clipping cnc 22012018 versão de impressão
 
Relatório de Atividades 2020
Relatório de Atividades 2020Relatório de Atividades 2020
Relatório de Atividades 2020
 
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019
Acompanhamento da Safra Brasileira de Café - 2º Levantamento - Maio 2019
 
Pib Trimestral do RS - 4 trimestre de 2016
Pib Trimestral do RS - 4 trimestre de 2016Pib Trimestral do RS - 4 trimestre de 2016
Pib Trimestral do RS - 4 trimestre de 2016
 
O ABC pós-industrial
O ABC pós-industrialO ABC pós-industrial
O ABC pós-industrial
 
Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...
Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...
Índice Zeax 2013 - O primeiro e mais completo levantamento sobre o crescimen...
 
Jornal dos Comerciários - N° 164
Jornal dos Comerciários - N° 164Jornal dos Comerciários - N° 164
Jornal dos Comerciários - N° 164
 

Destaque

Miitospdffinal
MiitospdffinalMiitospdffinal
Miitospdffinal8jueves4
 
Climate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final Lr
Climate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final LrClimate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final Lr
Climate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final Lrsbrumber
 
The Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland Trust
The Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland TrustThe Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland Trust
The Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland TrustAmerican Farmland Trust
 
Global Ice Melt Pbl
Global Ice Melt PblGlobal Ice Melt Pbl
Global Ice Melt Pblsbrumber
 
Turn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoided
Turn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoidedTurn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoided
Turn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoidedOK Carbon Consulting
 

Destaque (8)

Biobio
BiobioBiobio
Biobio
 
Miitospdffinal
MiitospdffinalMiitospdffinal
Miitospdffinal
 
Pull Flow Management
Pull Flow ManagementPull Flow Management
Pull Flow Management
 
Climate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final Lr
Climate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final LrClimate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final Lr
Climate Literacy Poster 8 5x11 March09 Final Lr
 
Disasters: Introduction and State of the Art
Disasters: Introduction and State of the ArtDisasters: Introduction and State of the Art
Disasters: Introduction and State of the Art
 
The Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland Trust
The Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland TrustThe Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland Trust
The Green Leap American Farmland Fall 09 | American Farmland Trust
 
Global Ice Melt Pbl
Global Ice Melt PblGlobal Ice Melt Pbl
Global Ice Melt Pbl
 
Turn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoided
Turn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoidedTurn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoided
Turn down the heat: Why a 4 degree celsius warmer world must be avoided
 

Mais de Fundação de Economia e Estatística

Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15
Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15
Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15Fundação de Economia e Estatística
 
Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017
Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017
Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017Fundação de Economia e Estatística
 
Desempenho do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre e...
Desempenho do mercado de trabalho  da Região Metropolitana de  Porto Alegre e...Desempenho do mercado de trabalho  da Região Metropolitana de  Porto Alegre e...
Desempenho do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre e...Fundação de Economia e Estatística
 
A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...
A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...
A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...Fundação de Economia e Estatística
 
O Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília Hoff
O Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília HoffO Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília Hoff
O Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília HoffFundação de Economia e Estatística
 

Mais de Fundação de Economia e Estatística (20)

Idese 2015
Idese 2015Idese 2015
Idese 2015
 
O significado da retomada do crescimento em 2017
O significado da retomada do crescimento em 2017O significado da retomada do crescimento em 2017
O significado da retomada do crescimento em 2017
 
Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15
Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15
Evolução estrutural da indústria de transformação do RS — 2007-15
 
Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017
Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017
Condições do mercado de trabalho foram mais severas para as mulheres em 2017
 
Desempenho do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre e...
Desempenho do mercado de trabalho  da Região Metropolitana de  Porto Alegre e...Desempenho do mercado de trabalho  da Região Metropolitana de  Porto Alegre e...
Desempenho do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre e...
 
Expectativas inflacionárias e política monetária
Expectativas inflacionárias e política monetáriaExpectativas inflacionárias e política monetária
Expectativas inflacionárias e política monetária
 
Taxa de desistência no ensino superior gaúcho atinge 64,1%
Taxa de desistência no ensino superior gaúcho atinge 64,1%Taxa de desistência no ensino superior gaúcho atinge 64,1%
Taxa de desistência no ensino superior gaúcho atinge 64,1%
 
Estimativas para a população flutuante do Litoral Norte do RS
Estimativas para a população flutuante do Litoral Norte do RSEstimativas para a população flutuante do Litoral Norte do RS
Estimativas para a população flutuante do Litoral Norte do RS
 
Desaceleração cíclica ou estrutural no comércio mundial?
Desaceleração cíclica ou estrutural no comércio mundial?Desaceleração cíclica ou estrutural no comércio mundial?
Desaceleração cíclica ou estrutural no comércio mundial?
 
PIB dos municípios do RS em 2015
PIB dos municípios do RS em 2015PIB dos municípios do RS em 2015
PIB dos municípios do RS em 2015
 
PIB TRIMESTRAL DO RS 3.° trim./2017
PIB TRIMESTRAL DO RS 3.° trim./2017PIB TRIMESTRAL DO RS 3.° trim./2017
PIB TRIMESTRAL DO RS 3.° trim./2017
 
Informe PED-RMPA (Novembro/2017)
Informe PED-RMPA (Novembro/2017)Informe PED-RMPA (Novembro/2017)
Informe PED-RMPA (Novembro/2017)
 
Mercado formal de trabalho do RS estagna após forte retração
Mercado formal de trabalho do RS estagna após forte retraçãoMercado formal de trabalho do RS estagna após forte retração
Mercado formal de trabalho do RS estagna após forte retração
 
PIB Trimestral do RS 2º trimestre 2017
PIB Trimestral do RS 2º trimestre 2017PIB Trimestral do RS 2º trimestre 2017
PIB Trimestral do RS 2º trimestre 2017
 
Elevação do nível ocupacional reduz a taxa de desemprego
Elevação do nível ocupacional reduz a taxa de desempregoElevação do nível ocupacional reduz a taxa de desemprego
Elevação do nível ocupacional reduz a taxa de desemprego
 
FEDERALISMO E A QUESTÃO REGIONAL DO RS - Tomás Fiori
FEDERALISMO E A QUESTÃO  REGIONAL DO RS - Tomás FioriFEDERALISMO E A QUESTÃO  REGIONAL DO RS - Tomás Fiori
FEDERALISMO E A QUESTÃO REGIONAL DO RS - Tomás Fiori
 
A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...
A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...
A economia do RS no atual ciclo recessivo: já chegamos ao fundo do poço? - Je...
 
O Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília Hoff
O Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília HoffO Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília Hoff
O Rio Grande do Sul no cenário nacional: há perda de dinamismo? - Cecília Hoff
 
Principais atividades no Valor Adicionado dos municípios do RS
Principais atividades no Valor Adicionado dos municípios do RSPrincipais atividades no Valor Adicionado dos municípios do RS
Principais atividades no Valor Adicionado dos municípios do RS
 
As barreiras e os novos desafios para inovar
As barreiras e os novos desafios para inovarAs barreiras e os novos desafios para inovar
As barreiras e os novos desafios para inovar
 

carta de conjuntura fee ano 23 n.6. jun.-2014

  • 1. ] Conexões entre a agricultura brasileira e a indústria gaúcha Em se tratando da análise do desempenho recente da economia do RS, talvez o mantra mais repetido entre os eco- nomistas seja o de que “quando a agropecuária gaúcha vai bem, a economia gaúcha vai bem (e vice-versa)”. Mais espe- cificamente, enfatiza-se que a ampliação da participação do RS na renda nacional está condicionada ao avanço do produ- to da agropecuária local. Essa máxima vigorou em 12 dos últimos 13 anos e promete repetir-se em 2014. As razões dessa interdependência são bastante conheci- das. Apesar de participar com menos de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, o campo origina significativa parcela das matérias-primas utilizadas pela indústria de transformação do Estado (alimentos, fumo, biocombustí- veis). Além do mais, a agropecuária constitui-se em impor- tante atividade demandante de bens industriais (insumos, máquinas, armazéns) e serviços de distribuição e transporte que são produzidos localmente. Por tudo isso, estima-se que o agronegócio responda por cerca de um terço da renda do Estado. Porém os recorrentes altos e baixos do PIB gaúcho, as- sociados às variações do produto da agropecuária em mo- mentos de recuperação e quebra da safra, revelam apenas parte da dependência do Estado em relação ao agronegócio. Por sua importância para a produção de grãos, até a década de 80 do século XX o RS foi conhecido como celeiro do País. Desde então, a fronteira agrícola avançou mais em outras regiões, principalmente nas áreas do Cerrado, e o Estado perdeu protagonismo. Essa mudança não foi tão impactante para a economia local, em parte, porque a indústria gaúcha de máquinas e equipamentos para o agronegócio, nascida para atender ao mercado regional, aproveitou o estímulo gerado pela expan- são da produção agrícola nacional. Nos últimos 10 anos, o Valor Bruto da Produção agrícola do Brasil aumentou 140%, em um cenário marcado pela alta dos preços internacionais das commodities agrícolas, pelo avanço da área plantada e por substanciais ganhos de produtividade. A resultante capi- talização do produtor rural, aliada à melhoria das condições de crédito ofertadas para a compra de máquinas e equipa- mentos, gerou transbordamentos para a indústria gaúcha. No Estado, estão presentes três Aglomerações Produti- vas (AP) industriais, especializadas no fornecimento de pro- dutos para distintas etapas das atividades agropecuárias e agroindustriais regionais e nacionais. A região dos Coredes Alto Jacuí e Produção destaca-se pela oferta de produtos voltados à preparação do solo, à plantação e ao cultivo agrí- cola (AP Pré-Colheita). Na Fronteira Noroeste, encontra-se a tradicional indústria de colheitadeiras (AP Colheita), e, com- pletando o mix industrial, no Noroeste Colonial, está concen- trada a produção de equipamentos de armazenagem, seca- gem, limpeza, movimentação e controle de cereais (AP Pós- -Colheita). Para se ter ideia da importância dessas atividades, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o peso das mesmas na indústria de máquinas e equi- pamentos do RS é superior a 50%. Em 2013, a produção nacional de máquinas agrícolas atingiu a marca histórica de 100.000 unidades, tendo o Esta- do participado com 43,7% desse total. Esse crescimento da demanda nacional por bens de capital destinados a agricultu- ra contribuiu decisivamente para o avanço de 62,2% na in- dústria gaúcha de máquinas e equipamentos entre 2003 e 2013. No mesmo período, a indústria de transformação do RS cresceu apenas 12,8%. Assim, se é inegável que a economia gaúcha depende da agropecuária local, também se fortalece a percepção de que o avanço da indústria gaúcha está cada vez mais atrelado ao desempenho da agricultura nacional. No médio prazo, a expansão da renda agrícola brasileira deve manter-se, geran- do oportunidades de crescimento para a indústria. Ainda que os recordes de 2013 não se devam repetir nesse ano, a reto- mada do Programa Moderfrota (BNDES), anunciada no final de maio, e a implementação do Plano Nacional de Armaze- nagem, são medidas que podem dar fôlego adicional para o setor no RS. Índices do Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola e da produção de máquinas e equipamentos no Brasil e índice da produção de máquinas agrícolas no RS — 2003-13 60 90 120 150 180 210 240 270 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Máquinas e equipamentos - RS VBP agrícola - Brasil Máquinas agrícolas - Brasil Legenda: FONTE: ANFAVEA, IBGE (PIM-PF) e MAPA. NOTA: Os índices têm como base 2003 = 100. Rodrigo D. Feix Economista, Pesquisador da FEE GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA Siegfried Emanuel Heuser ANO 23 Nº 6 Junho de 2014 Carta de Conjuntura FEE
  • 2. Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 2 Tenha acesso a esta e a outras publicações em www.fee.rs.gov.br Emprego formal: sinais de desaceleração Os efeitos da desaceleração da atividade econômica so- bre o mercado de trabalho formal já começam a se tornar visíveis neste primeiro quartel do ano. Embora se mantenha a trajetória ascendente do emprego, o ritmo de expansão diminuiu sensivelmente. A frágil geração de postos no Brasil evidencia-se nos resultados dos meses de março e abril de 2014, que foram os piores para esses meses desde 1999. Em março, o saldo entre admissões e desligamentos (sem ajus- tes) foi de apenas 13.117, enquanto, no mesmo mês de 2013, havia sido de 112.450. Em abril, o saldo foi de 105.384 pos- tos frente a 196.913 em abril do ano anterior. No quadrimes- tre (janeiro a abril de 2014), na série com ajustes, verificou- -se um aumento de 458.145 pessoas no estoque de emprega- dos, um crescimento inferior ao registrado no primeiro qua- drimestre de 2013 (549.064). É o setor de serviços que tem assegurado a geração de emprego com carteira, respondendo por um pouco mais da metade do contingente acrescido nos primeiros quatro meses de 2014, seguido, à distância, pela indústria de transformação e pela construção civil. A dinâmi- ca da geração de vagas liderada pelo setor serviços — que, tradicionalmente, tem baixa produtividade, trabalhadores com menor escolaridade e salários inferiores aos de boa parte dos demais setores — está refletindo a atual conjuntura ma- croeconômica de escasso crescimento e rendimentos em desaceleração. Em que pese o resultado positivo da indústria no qua- drimestre, no mês de abril só esse setor perdeu empregados (-3.427 contra 40.603 em abril 2013), configurando uma situação inédita para o mesmo que, desde 2001, pelo menos, não suprimia postos em abril. Um comportamento totalmente fora do padrão sazonal que pode ser interpretado como um processo de ajustes das empresas a um contínuo baixo cres- cimento do PIB. Possivelmente, os empresários que estavam evitando demitir, esperando a recuperação econômica no curto prazo, não estejam mais dispostos a “segurar” o em- prego. No ranking da geração de empregos, o Rio Grande do Sul destacou-se no mês de março de 2014 (saldo de 13.708), ocupando o segundo lugar, atrás de São Paulo. Já em abril, passou para a sexta posição (8.589), com São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás à frente. No Rio Grande do Sul, como acontece no Brasil, os saldos líquidos do emprego no presente ano são menores do que os encon- trados em 2013. Diferentemente do agregado nacional, no Estado é a indústria de transformação a responsável por quase a metade das vagas acrescidas no período de janeiro a abril de 2014, seguida pelo setor serviços e pela construção civil. No mês de abril, ao contrário do observado no País, o emprego na indústria de transformação gaúcha ainda teve fôlego para crescer (2.100 vagas), graças à indústria da bor- racha, fumo, couros e peles, responsável por grande parte dos postos criados (2.135). Um fenômeno interessante a ser observado é o compor- tamento recente do emprego formal no conjunto das nove áreas metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre), que mostrou um resultado aquém ao do interior dos estados desses aglomerados urbanos. Os dados de março e abril de 2014 são ilustrativos: enquanto, nas áreas metropoli- tanas, o emprego ficou praticamente estável em março e cresceu 0,16% em abril; no interior, expandiu-se 0,19% (março) e 0,43% (abril). O mesmo movimento pode ser detectado no ano de 2013, em que o interior do Brasil ultra- passou as áreas metropolitanas e criou mais empregos com carteira assinada. Um dos fatores apontados por alguns ana- listas para explicar essa situação é a política de reajuste real do salário mínimo, uma vez que as cidades menores costu- mam depender mais do mínimo para manter a economia local aquecida. Pode-se esperar que o mercado de trabalho persiga uma trajetória de acomodação até, pelo menos, o final do primeiro semestre de 2014, com baixo nível de desemprego e desace- leração moderada na criação de vagas formais. As sensíveis quedas observadas na População Economicamente Ativa (PEA), nos primeiros meses de 2014, indicam ser pouco provável que ela volte a crescer e a pressionar a taxa de de- socupação ao longo do ano. Saldo entre admitidos e desligados no primeiro quadrimestre do ano, por setores de atividade selecionados, no Brasil e no Rio Grande do Sul — 2013 e 2014 INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO CONSTRUÇÃO CIVIL COMÉRCIO SERVIÇOS ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA AGROPECUÁRIA TOTALESTADO E PAÍS 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 2013 2014 Brasil ..... 153.975 98.576 121.013 75.725 -41.811 -60.587 265.278 295.932 25.157 21.763 15.889 20.859 549.064 458.145 RS ......... 38.427 27.843 7.700 7.723 4.035 2.123 23.533 19.300 814 356 2.243 1.642 77.122 59.686 FONTE: MTE/Caged, Lei 4.923/65. NOTA: Série com ajustes; inclui as informações enviadas fora do prazo. Maria Isabel Herz da Jornada Socióloga, Pesquisadora da FEE Carta de Conjuntura FEE
  • 3. 3 Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 . Redução do spread bancário: sim, mas por quanto tempo? O mês de setembro de 2011 marcou o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros por parte do Banco Cen- tral (Bacen). Naquele momento, a instituição percebeu sinais de que a crise internacional não seria superada rapidamente, e os impactos sobre a economia brasileira poderiam ser ame- nizados com a redução da taxa de juros. Tal processo levou a Selic a 7,25% a.a. em outubro de 2012, trazendo a taxa de juros real ao menor nível da história. No entanto, o Bacen não foi capaz de sustentar a redução. As pressões inflacioná- ria e política convergiram para o início de um ciclo de au- mento em abril de 2013, encerrado apenas no último mês. Nesse ínterim, o ciclo de redução da Selic foi acompa- nhado por um movimento de redução do spread bancário. É válido relembrar que tal dinâmica foi iniciada pelas institui- ções públicas de crédito em março de 2012. Após o ciclo de aumento da Selic, questiona-se: até que ponto a redução do spread pode ser considerada uma conquista mais duradoura? Tendo como base os níveis de agosto de 2011, o gráfico mostra que, enquanto a taxa básica de juros esteve 12% me- nor que a de antes do início do ciclo de redução, o spread médio foi 17% menor. Ou seja, as taxas de juros cobradas no mercado ainda não teriam repassado todo o aumento da Se- lic, mantendo o spread menor. Contudo é interessante diferenciar o spread conforme o tipo de empréstimo. Nesse caso, percebe-se que o spread médio do crédito com recursos direcionados manteve um patamar 28% inferior ao nível de agosto de 2011. Por outro lado, o derivado de recursos livres apresentou maior resis- tência à queda e recompôs-se rapidamente, resultando em um nível 8% menor do que aquele ao início do período. Considerando-se o maior peso das instituições públicas no crédito direcionado, fica evidente que a redução do spread médio ainda depende da ação governamental para manter-se. A Selic cedeu. Resta saber por quanto tempo os bancos públicos irão sustentar esses níveis de spread. Taxa Selic e spread médio total, com recursos livres e com recursos direcionados, no Brasil — ago./2011-abr./2014 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 100,00 110,00 Ago./11 Out./11 Dez./11 Fev./12 Abr./12 Jun./12 Ago./12 Out./12 Dez./12 Fev./13 Abr./13 Jun./13 Ago./13 Out./13 Dez./13 Fev./14 Abr./14 Selic ao fim do período Spread - recursos livres Spread - total do crédito Spread - recursos direcionados Legenda: FONTE: Bacen. NOTA: Os índices têm como base ago./2011 = 100. Bruno Paim Economista, Pesquisador da FEE Evolução da arrecadação de ICMS em 2014 A arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Merca- dorias e Serviços (ICMS), de janeiro a abril de 2014, che- gou a R$ 8,2 bilhões, com uma taxa de crescimento real de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Houve uma melhora na maioria dos setores da economia gaúcha, com destaque para a arrecadação do ICMS da indústria de transformação, que cresceu 2,6% de janeiro a abril de 2014 em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse setor, que concentra quase a metade do total do ICMS arrecadado no Estado, originou um montante de cerca de R$ 4 bilhões de ICMS no quadrimestre. Tal desempenho pode ser identi- ficado também com os dados do índice de base fixa da pro- dução industrial mensal do Rio Grande do Sul, calculada pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística, que, no acumulado dos três primeiros meses de 2014, teve um au- mento de 3,2% em relação ao ano anterior. Outro setor que merece destaque é o comércio atacadista, que registrou um aumento de 11,6% na arrecadação no quadrimestre, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. Apenas dois setores apresentaram queda. O primeiro foi a indústria de beneficiamento, que arrecadou R$ 256 milhões de janeiro a abril de 2014, um desempenho 1,7% abaixo do observado no ano anterior. O segundo foi o de serviços e outros, com uma arrecadação de R$ 774 milhões, também 1,7% menor do que a registrada no mesmo período de 2013. Entretanto, o montante arrecadado por esses dois setores (indústria de beneficiamento e serviços e outros) é de R$ 1 bilhão, o que representa somente 25% do total obtido pela indústria. Estima-se que o desempenho da arrecadação do ICMS continue com essa tendência positiva ao longo dos demais meses de 2014, sendo reforçado pelo esperado cres- cimento da economia gaúcha. Isso acontecendo, há a possibi- lidade de reduzir-se o déficit orçamentário do Rio Grande do Sul, que, em 2013, chegou a R$ 1,4 bilhão. Arrecadação do ICMS, por setores, no Rio Grande do Sul — jan.-abr./2013 e jan.-abr./2014 SETORES DA ECONOMIA JAN-ABR/13 (R$ 1.000) JAN-ABR/14 (R$ 1.000) VARIAÇÃO % Indústria de transformação 3.899 3.998 2,6 Indústria de beneficiamento 260 256 -1,7 Comércio atacadista ........... 1.910 2.132 11,6 Comércio varejista .............. 752 776 3,2 Serviços e outros ................ 788 774 -1,7 Outros setores (1) ................ 201 240 19,9 Total ..................................... 7.810 8.177 4,7 FONTE: Estado do Rio Grande do Sul. Fundação de Economia e Estatística. FONTE: Arrecadação do ICMS por setores. Disponível em: FONTE: <http://www.fee.tche.br>. Acesso em: 22.05.2014. NOTA: Os valores do ICMS estão a preços de 1º de maio de 2014 e foram deflacionados pelo IGP-DI. (1) Abrangem produção animal e extração vegetal, indústria extrativa mineral, indústria de montagem e indústria de acondicionamento e recondicionamento. Alfredo Meneghetti Neto Economista, Pesquisador da FEE
  • 4. Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 4 Tabela 1 Taxas de variação do IPCA e do IGP-M no Brasil — nov./13-abr./14 (%) IPCA IGP-M MESES No Mês No Ano Acumulada em 12 Meses No Mês No Ano Acumulada em 12 Meses Nov./13 0,54 4,95 5,77 0,29 4,90 5,61 Dez./13 0,92 5,91 5,91 0,60 5,53 5,53 Jan./14 0,55 0,55 5,59 0,48 0,48 5,67 Fev./14 0,69 1,24 5,68 0,38 0,86 5,77 Mar./14 0,92 2,18 6,15 1,67 2,55 7,31 Abr./14 0,67 2,86 6,28 0,78 3,35 7,98 FONTE: IBGE. FONTE: Fundação Getúlio Vargas. Gráfico 1 Produção física industrial no Brasil e no Rio Grande do Sul — jan./09-fev./14 Gráfico 2 Volume de vendas do comércio varejista no Brasil e no Rio Grande do Sul — jan./09-mar./14 80 90 100 110 120 130 140 Jan./09 Abr./09 Jul./09 Out./09 Jan./10 Abr./10 Jul./10 Out./10 Jan./11 Abr./11 Jul./11 Out./11 Jan./12 Abr./12 Jul./12 Out./12 Jan./13 Abr./13 Jul./13 Out./13 Jan./14 Índice Brasil RSLegenda: 80 100 120 140 160 180 200 220 Jan./09 Abr./09 Jul./09 Out./09 Jan./10 Abr./10 Jul./10 Out./10 Jan./11 Abr./11 Jul./11 Out./11 Jan./12 Abr./12 Jul./12 Out./12 Jan./13 Abr./13 Jul./13 Out./13 Jan./14 Índice Brasil RS Legenda: FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física. NOTA: 1. Média móvel trimestral do índice de base fixa mensal com ajuste sazonal. 2. Os índices têm como base a média de 2002 = 100. FONTE: IBGE. Pesquisa Mensal de Comércio. NOTA: 1. Média móvel trimestral do índice de base fixa mensal com ajuste sazonal. 2. Os índices têm como base a média de 2002 = 100. Tabela 2 Indicadores selecionados da economia brasileira — nov./13-abr./14 NO MÊS INDICADORES SELECIONADOS Nov./13 Dez./13 Jan./14 Fev./14 Mar./14 Abr./14 NO ANO (1) EM 12 MESES (1) Taxa de câmbio (US$) (2) .................. 2,30 2,35 2,38 2,38 2,33 2,23 2,33 2,27 Taxa de câmbio efetiva real (3) .......... 94,8 96,3 97,1 96,6 92,9 88,7 93,8 93,3 Taxa básica de juros (% a.a.) (4) ....... 10,00 10,00 10,50 10,75 10,75 11,00 10,75 9,58 Superávit primário (% do PIB) ............ -6,8 -2,5 -4,9 -0,5 -0,9 -4,0 -2,6 -1,9 Balança comercial (US$ milhões) ...... 1.739 2.652 -4.059 -2.125 112 506 -5.566 3.131 Exportações (US$ milhões) ........... 20.861 20.846 16.026 15.934 17.628 19.724 69.312 240.023 Importações (US$ milhões) ........... -19.123 -18.194 -20.085 -18.059 -17.516 -19.218 -74.878 -236.892 Transações correntes (US$ milhões) -5.104 -8.636 -11.539 -7.398 -6.247 -8.291 -33.476 -81.611 FONTE: Banco Central do Brasil. (1) Valores médios da taxa de câmbio, do índice da taxa de câmbio efetiva real e da taxa básica de juros; resultado acumulado para os demais. (2) Taxa de câmbio livre do dólar norte-americano (compra e venda) média do período (R$/US$). (3) Índice da taxa de câmbio efetiva real (IPCA), jun./94 = 100. (4) Taxa vigente no último dia útil do mês.
  • 5. 5 Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 . Gráfico 3 Taxa de desemprego total no Brasil e no Rio Grande do Sul — nov./13-abr./14 Gráfico 4 Taxa de variação da arrecadação do ICMS no Rio Grande do Sul — jan./10-abr./14 9,5 9,3 9,5 10,3 11,0 11,1 6,2 6,1 5,7 5,6 6,0 6,1 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 Nov./13 Dez./13 Jan./14 Fev./14 Mar./14 Abr./14 Brasil RSLegenda: (%) 0 5 10 15 20 Jan./10 Abr./10 Jul./10 Out./10 Jan./11 Abr./11 Jul./11 Out./11 Jan./12 Abr./12 Jul./12 Out./12 Jan./13 Abr./13 Jul./13 Out./13 Jan./14 Abr./14 (%) FONTE: PED-RMPA - Convênio FEE, FGTAS, SEADE, DIEESE e a- poio MTE/FAT. NOTA: 1. Brasil corresponde ao total das Regiões Metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo e o Distrito Federal. 2. Rio Grande do Sul corresponde apenas à Região Metropoli- tana de Porto Alegre. FONTE: Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul. NOTA: Variação acumulada em 12 meses. Tabela 3 Exportações do Brasil e do Rio Grande do Sul — nov.-abr./14 VARIAÇÃO ACUMULADA NO ANO (%)EXPORTAÇÕES ACU- MULADAS NO ANO (US$ FOB milhões) Valor Volume PreçoMESES RS Brasil PARTICIPAÇÃO RS/BR (%) RS Brasil RS Brasil RS Brasil Nov./13 23.933 221.333 10,8 46,9 -0,7 17,7 3,5 24,5 -4,0 Dez./13 25.094 242.179 10,4 44,3 -0,2 16,8 4,1 22,6 -4,1 Jan./14 1.077 16.026 6,7 4,0 0,4 -14,6 3,6 21,8 -3,2 Fev./14 2.096 31.960 6,6 -1,0 1,4 -14,9 7,1 16,3 -5,3 Mar./14 3.249 49.588 6,6 -8,0 -2,5 -20,6 2,9 16,0 -5,2 Abr./14 4.905 69.312 7,1 -6,8 -3,0 -20,1 3,6 16,5 -6,3 FONTE DOS DADOS BRUTOS: MDIC/Sistema Alice. Gráfico 5 Taxa de variação do PIB, acumulada em quatro trimestres, no Brasil e no Rio Grande do Sul — 1º trim./09-1º trim./14 Gráfico 6 Estimativa de crescimento da lavoura e de suas principais cultu- ras no Rio Grande do Sul — abr./14 -0,3 7,5 2,7 1,0 2,5 -0,4 6,7 5,1 -1,4 6,3 -4,0 0,0 4,0 8,0 12,0 1ºtrim. 2ºtrim. 3ºtrim. 4ºtrim. 1ºtrim. 2ºtrim. 3ºtrim. 4ºtrim. 1ºtrim. 2ºtrim. 3ºtrim. 4ºtrim. 1ºtrim. 2ºtrim. 3ºtrim. 4ºtrim. 1ºtrim. 2ºtrim. 3ºtrim. 4ºtrim. 1ºtrim. 2009 2010 2011 2012 2013 14 PIB do Brasil PIB do RS PIB trimestral (Brasil) PIB trimestral (RS) (%) :Legenda -24,3 2,8 1,0 -5,0 6,5 4,7 0,8 -25,0 -5,0 15,0 (%)Trigo Mandioca Milho Fumo Arroz Soja Total da lavoura FONTE: Levantamento Sistemático da FONTE: Produção Agrícola. FONTE: FEE/CIE/NIS. FONTE: IBGE. Contas Nacionais Trimestrais. FONTE: FEE/CIE/NIS. Legenda:
  • 6. Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 6 Os rumos do Programa Bolsa Família O Programa Bolsa Família (PBF), desde que foi criado, em outubro de 2003, vem registrando avanços significativos. Quando o Governo Federal lançou o Plano Brasil Sem Misé- ria (BSM), em julho de 2011, com o intuito de superar a condição de extrema pobreza, incluiu como um dos seus eixos o de garantia de renda, inserindo o PBF como um pro- grama fundamental para atingir esse objetivo. O PBF sofreu alterações importantes nos últimos anos. Em 2011, houve a ampliação do número de beneficiários e dos valores transferidos. Em mar./11, ocorreram reajustes diferenciados para cada tipo de benefício (o maior reajuste, de 45%, foi para o benefício variável para crianças e adoles- centes de zero a 15 anos). Além disso, ampliou-se o limite dos benefícios variáveis de três para cinco, por família. Também foram criados dois novos benefícios, o Benefício Variável à Nutriz (BVN) e o Benefício Variável à Gestante (BVG). Ampliando os benefícios do PBF, o Governo Federal lançou o Programa Brasil Carinhoso em maio de 2012, foca- lizado nas famílias extremamente pobres com crianças de até seis anos, que passaram a receber um reforço monetário, de valor variável de acordo com cada família, para completar R$ 70 mensais per capita. Em novembro de 2012, o Progra- ma foi estendido para as famílias com crianças de sete a 15 anos e, no mês de fevereiro de 2013, passou a incluir todas as pessoas beneficiárias do PBF. A complementação de renda também foi realizada pelos estados. No Rio Grande do Sul, no ano de 2011, foi criado o Programa Estadual de Erradicação da Pobreza Extrema — “RS Mais Igual”, com o objetivo de reduzir os índices de vulnerabilidade econômica e social e incluir a população em situação de pobreza extrema na rede de políticas públicas. Esse programa iniciou repassando R$ 50 às famílias benefi- ciárias do PBF cuja renda per capita mensal fosse inferior a R$ 70. Em abril de 2013, ocorreu uma repactuação da com- plementação, que ampliou esse limite e garantiu uma renda mensal de R$ 100 per capita para os beneficiários do PBF com crianças de até seis anos de idade. Até março de 2014, o Programa já beneficiou 70.000 famílias no Estado. O PBF repassa quatro tipos de benefícios, os quais so- frerão reajustes de 10% a partir de junho de 2014. O Benefí- cio Básico, pago para famílias com renda per capita igual ou inferior a R$ 70, passará para R$ 77. O Benefício Variável, pago por criança ou adolescente de zero a 15 anos, gestantes e/ou nutrizes, limitado a cinco benefícios por família, subirá de R$ 32 para R$ 35, até o limite de R$ 175 mensais por família. O Benefício Variável vinculado ao adolescente até 17 anos passará de R$ 38 para R$ 42 mensais, até o limite de R$ 84 mensais por família. Considerando-se estes últimos reajustes, o benefício médio do conjunto dos beneficiários do PBF, que alcançou R$ 150 mensais no mês de abril de 2014, deverá atingir R$ 167 a partir de junho desse ano. O montante de recursos transferidos pelo PBF represen- tou o equivalente a 0,5 % do PIB em 2013, o que é um per- centual pequeno, dado o elevado número de beneficiários (14 milhões de famílias). O PBF está atrelado a condicionalidades — os com- promissos assumidos pelas famílias beneficiárias na área de saúde, educação e assistência social —, que devem ser cum- pridas para que continuem a receber o benefício. A despeito de críticas iniciais à utilização de condicionalidades, o con- trole sobre as mesmas vem-se expandindo e sendo aperfei- çoado, devendo gerar efeitos positivos no médio e no longo prazo. Em 2006, do total de nove milhões de famílias benefi- ciárias com perfil saúde (que abrange crianças de até sete anos e mulheres de 14 a 44 anos), 36% foram acompanha- das. No segundo semestre de 2013, as famílias beneficiárias já somavam 11,8 milhões e foram acompanhadas 8,7 mi- lhões (73%). No Rio Grande do Sul, o número de famílias com perfil saúde subiu de 265.000 (35% acompanhadas) para 369.000 (64% acompanhadas) nesse mesmo período, situando-se abaixo do percentual atingido no País. Das crian- ças beneficiárias com perfil saúde, cinco milhões (73% do total) foram acompanhadas no País, no segundo semestre de 2013. Dessas, quase a totalidade (99%) estava com o calen- dário de vacinação em dia, e a maioria (86%) teve dados nutricionais coletados. No Rio Grande do Sul, o percentual de crianças monitoradas com a vacinação em dia foi igual ao do País (99%) no período, e os dados nutricionais foram coletados para 91% das crianças. Quanto às gestantes, no último semestre de 2013, praticamente todas foram acompa- nhadas (99% do total). Tanto no País quanto no Estado, cumpriu-se o compromisso de realização em dia do pré- -natal. A condicionalidade da educação registrou a frequência escolar de 15 milhões de crianças e adolescentes beneficiá- rias do PBF no último bimestre de 2013. Desse total, 96,8% cumpriram a frequência regular mínima (85%). No Rio Grande do Sul, as crianças e os adolescentes acompanhados somaram 459.000, e, desses, 93% tiveram a frequência mí- nima exigida. Esse monitoramento contribuiu para a redução do abandono e da evasão escolar. A taxa de permanência das crianças beneficiárias do PBF na escola é maior em todos os períodos escolares. Assim, há evidências de que o Programa contribui para elevar a frequência à escola e para diminuir a repetência dos alunos beneficiários. Aliadas à transferência de renda, outras ações visam me- lhorar a qualidade de vida da população mais vulnerável. Dentre elas, destacam-se as políticas sociais de valorização do salário mínimo, de acesso ao crédito e de geração de emprego e renda. Um exemplo de inclusão da população mais pobre no mundo do trabalho é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec-BSM), que visa qualificar pessoas de baixa renda, através de cursos gratuitos, ministrados por Institutos Federais e instituições do Sistema S. Até março de 2014, já haviam sido realizadas um milhão de matrículas no País. Portanto, é necessário um amplo conjunto de medidas para combater a pobreza de maneira duradoura. Isabel Rückert Economista, Pesquisadora da FEE
  • 7. 7 Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 . A saúde no Rio Grande do Sul segundo o novo Idese No mês de abril de 2014, a Fundação de Economia e Es- tatística divulgou os resultados do novo Índice de Desenvol- vimento Socioeconômico (Idese) para o período 2007-10. O Índice passou por importante revisão metodológica e abarca em sua versão atual três blocos de indicadores: Educação, Renda e Saúde. As mudanças realizadas no Índice tornam-no uma ferramenta mais confiável e precisa para subsidiar deci- sões sobre a formulação de políticas públicas no Estado. O Bloco Saúde do novo Idese é composto por três sub- -blocos: saúde materno-infantil, condições gerais de saúde e longevidade. A saúde materno-infantil é avaliada a partir da taxa de mortalidade das crianças menores de cinco anos de idade e da proporção de nascidos vivos cujas mães realiza- ram sete ou mais consultas pré-natal. As condições gerais de saúde são medidas pelo desempenho da taxa de mortalidade por causas evitáveis e pela proporção de óbitos por causas mal definidas. Por fim, a longevidade é aferida a partir da taxa bruta de mortalidade padronizada. Para o ano de 2010, o Idese apresentou um resultado 4% superior ao obtido em 2007, passando de 0,699 para 0,727. O Bloco Saúde contribuiu positivamente para o resultado do Índice, tendo apresentado a melhor nota entre os três blocos componentes do indicador em 2010. De fato, enquanto os índices de Educação e Renda foram, para o ano citado, de 0,654 e 0,724, respectivamente, o Bloco Saúde obteve índice de 0,803. No entanto, esse bloco foi o que apresentou menor variação positiva: enquanto Educação e Renda melhoraram, respectivamente, 4,2% e 6,1% entre 2007 e 2010, o desem- penho do Bloco Saúde variou apenas 2,0% no mesmo perío- do. O resultado positivo do Bloco Saúde é devido, em gran- de parcela, aos números bastante favoráveis para a longevi- dade no Estado. O resultado do sub-bloco longevidade foi de 0,842. O sub-bloco saúde materno-infantil também apresen- tou resultado positivo, com nota de 0,818. Dos três sub- -blocos utilizados na avaliação da saúde no Estado, a pior nota relacionou-se às condições gerais de saúde. Esse sub- -bloco, que engloba indicadores de óbitos por causas mal definidas e por causas evitáveis, registrou resultado de 0,749 para o ano de 2010. É importante salientar que o fato de o Bloco Saúde ter apresentado números — de modo agrega- do — positivos não significa que os serviços de saúde do Estado gozem de excelência e que os gestores públicos po- dem deixar de priorizar essa área. Ao contrário, o que se observa é que a questão da qualidade do atendimento em saúde ainda é bastante problemática no Estado, apesar da escassez de indicadores confiáveis e abrangentes. Um ponto que merece destaque na análise dos resultados diz respeito a uma imagem distorcida que o leitor poderia formar a partir do resultado agregado para o Estado. A afir- mação de que o resultado do Bloco Saúde foi de 0,803 não deixa transparecer as desigualdades existentes dentro do Estado. Essas desigualdades são claramente visíveis dentro da histórica divisão entre as Metades Sul e Norte do Rio Grande do Sul. O mapa ao lado mostra a diferença entre essas duas porções do Estado, no que diz respeito ao resulta- do do Bloco Saúde para o ano de 2010. Percebe-se que os municípios com as melhores notas estão concentrados, de modo geral, na porção norte do Estado. Além disso, na re- gião setentrional, estão localizados todos os municípios com resultado superior a 0,900. A tradicional divisão do Estado, em termos de desenvol- vimento, entre Norte e Sul é também visível quando se divi- de o Estado em mesorregiões. Em 2010, as mesorregiões que apresentaram melhor desempenho foram a Nordeste (0,854) e a Noroeste (0,826). Na outra ponta, os piores desempenhos foram registrados nas regiões Sudoeste (0,766) e Sudeste (0,774). Esse fenômeno não é exclusivo aos indicadores de Saúde, repetindo-se também nos Blocos Renda e Educação. Reiteradamente, a Metade Sul apresenta indicadores inferio- res aos da Metade Norte. No período entre 2007 e 2010, as regiões Sudeste e Sudoeste registraram melhoras no Bloco Saúde superiores às alcançadas pelo Estado (2,1% e 2,4% respectivamente, ante uma melhora de 2,0% nos números agregados para todo o Estado). No entanto, esse desempenho foi insuficiente para retirar ambas as regiões das piores posi- ções no ranking estadual do Bloco Saúde. O município que apresentou o melhor resultado para o ano de 2010 está localizado na região do Alto Jacuí e trata-se de um município pequeno: Lagoa dos Três Cantos. Sua nota no Bloco Saúde foi 0,924. Os Municípios Santo Expedito do Sul e Nova Bassano apresentaram números igualmente posi- tivos, de 0,923 e 0,921 respectivamente. Esses são os três municípios com melhores resultados no bloco. Por outro lado, Lavras do Sul (0,666), Uruguaiana (0,694) e Itaqui (0,711) foram os municípios que apresentaram as piores notas no mesmo quesito. Quando consideramos apenas os municípios com população superior a 100.000 habitantes, o município que apresenta o melhor resultado é Bento Gonçal- ves (0,893). Os Municípios de Caxias do Sul (0,853) e Santa Cruz do Sul (0,845) vêm logo atrás, seguidos por Porto Ale- gre (0,809). Por outro lado, Uruguaiana desponta com o pior resultado em Saúde entre os municípios mais populosos (0,694). Idese, do Bloco Saúde, por municípios, no Rio Grande do Sul — 2010 FONTE: FEE. Thiago Felker Andreis* Economista, Pesquisador da FEE * O autor agradece à Mariana Pessoa pela confecção do mapa.
  • 8. Carta de Conjuntura - Ano 23 nº 6 8 Desenvolvimento regional do RS no contexto brasileiro Recentemente, a Fundação de Economia e Estatística revisou o dado preliminar do crescimento do Estado em 2013, que atingiu expressivos 6,3%, número bastante supe- rior ao resultado para o Brasil como um todo, cujo cresci- mento chegou a 2,3% no mesmo ano. A divulgação desse número é acompanhada pela tão requisitada participação do RS na produção total do Brasil, no ano passado, que teria ficado em torno de 6,4%, recuperando o patamar de 2011. É interessante a grande obsessão da sociedade e da mídia pelo tamanho da fatia gaúcha no bolo brasileiro. Embora boa parte do crescimento seja decorrente de uma “base fraca”, resultado do retrocesso da economia gaúcha em 2012, pre- tende-se demonstrar aqui que o desempenho de longo prazo do Rio Grande do Sul, em comparação com o de outras uni- dades da Federação, está longe de ser ruim, particularmente quando se consideram as peculiaridades demográficas do Estado e o papel do Rio Grande do Sul em uma nação ainda muito desigual em seu território. Com a atual participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o Rio Grande do Sul é a quarta principal economia do País, depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo seguido de perto por Paraná, na quinta colocação, e Santa Catarina, um pouco mais distante, em sexto lugar. No entanto, mais importante do que seu tamanho absoluto, ao longo do período analisado, o Rio Grande do Sul manteve um PIB per capita em um nível bastante supe- rior à média brasileira, ao redor dos 16% após a estiagem de 2005, fenômeno que também impactou o Estado em 2012, como indica o gráfico ao lado. Minas Gerais, por sua vez, tem um PIB por habitante cerca de 10% inferior à média brasileira, tendo chegado a ser 19% inferior em 2002. En- quanto isso, São Paulo, que, em 2007, chegou a um PIBpc 56,7% superior à média nacional, e Rio de Janeiro, com um máximo de 38,3% de superioridade sobre o país em 2006, também apresentaram uma leve convergência em direção à média brasileira, registrando, em 2011, uma superioridade de 50,8% e 33,4% respectivamente. Portanto, cabe ressaltar que o Rio Grande do Sul per- tence ao seleto grupo dos oito, dentre 27 unidades da Federa- ção, que, em 2011, possuíam renda gerada per capita supe- rior à média nacional, incluindo o Distrito Federal, que está no topo da lista. A importância disso fica evidente frente ao tamanho da desigualdade territorial brasileira, em que 13 unidades da Federação, naquele ano, apresentavam uma pro- dução anual por habitante mais de 40% inferior à média do País. Isso mostra como o Rio Grande do Sul já se encontra, há muitos anos, entre os estados brasileiros com maior pro- dutividade média, o que também se reflete nos seus indica- dores de desenvolvimento e qualidade de vida, em geral. Estando o RS em uma condição relativamente mais avançada, supõe-se que o crescimento puxado pelos ganhos de produtividade é mais lento do que nos estados mais po- bres, e a expansão do PIB regional passa a depender mais da velocidade com que aumentam os fatores produtivos, como é o caso da mão de obra. Nesse quesito, no entanto, o cresci- mento gaúcho é muito inferior ao do resto do País. Entre 2002 e 2011, a população do Rio Grande do Sul apresentou uma taxa de crescimento de cerca de um terço da verificada na população brasileira e de quase a metade do crescimento demográfico dos demais estados apresentados no gráfico (com exceção de Santa Catarina, cuja população cresceu ainda mais do que a brasileira). Na corrida pelo desenvolvimento, é desejável que aque- las regiões do território nacional que possuem um nível infe- rior de produtividade média logrem alcançar aqueles estados que hoje se encontram na frente, desde que estes não estejam ficando mais pobres. É com esse enfoque que uma série de programas do Governo Federal vem atuando nos últimos 15 anos, em particular no âmbito do Plano Nacional de Desen- volvimento Regional. Esses programas atuam buscando “reduzir as desigualdades regionais e ativar os potenciais de desenvolvimento das regiões no País”. Se a fatia relativa dos mais ricos diminui e sua renda por habitante está mais pró- xima da média brasileira, isso é sinal de sucesso e não o contrário. No entanto, essa conclusão vale apenas quando olhamos o Brasil como uma nação, e não como um emara- nhado de unidades federadas que competem entre si, como de praxe. Diferença entre o Produto Interno Bruto per capita de estados selecionados e a média do Brasil — 2002 a 2011 SP PR RJ SC RS MG -20,00% -10,00% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 FONTE DOS DADOS BRUTOS: IBGE-Contas Regionais. NOTA: Os dados do Rio Grande do Sul para 2012 e 2013 são baseados em estimativas preliminares, que serão revistas pa- ra a compatibilização com os demais Estados. Tomás Pinheiro Fiori Economista, Pesquisador da FEE CARTA DE CONJUNTURA FEE (elaborada com informações até 05.06.14). ISSN 1517-7262 A Carta de Conjuntura FEE é uma publicação mensal de responsabilidade dos editorialistas. As opiniões não exprimem um posicionamento oficial da FEE ou da Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã. Presidente: Adalmir Antonio Marquetti Diretor Técnico: André Luis Forti Scherer Diretor Administrativo: Roberto Pereira da Rocha Conselho Editorial: André Luis Forti Scherer, Ce- cília Rutkoski Hoff, Fernando Maccari Lara, Renato Antônio Dal Maso, Míriam De Toni e Martinho Ro- berto Lazzari. Núcleo de Dados: Renan Xavier Cortes. Editoração: Susana Kerschner (revisão) e Jadir Vieira Espinosa (diagramação). Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser Rua Duque de Caxias, 1691 - Porto Alegre CEP 90010-283 E-mail: carta@fee.tche.br Twitter: @cartafee www.fee.rs.gov.br