Carta                                                     de]                                                             ...
CartadeConjuntura FEE
3Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09                                A situação do crédito imobiliário no Brasil     A conce...
4Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09    Tabela 1                                                                           ...
5Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09   Gráfico 3                                                                           ...
6Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09          Desempenho da indústria de transformação do RS no 1º semestre de 2012     De ...
7Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09                                 As mudanças na estrutura do comércio internacional mun...
8Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09                    Os polos regionais sul-rio-grandenses: 1999-2009     Uma economia o...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Carta de Conjuntura FEE - (ISSN 1517-7245) - Ano 21 nº 09

432 visualizações

Publicada em

Publicada em: Notícias e política
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
432
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
8
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Carta de Conjuntura FEE - (ISSN 1517-7245) - Ano 21 nº 09

  1. 1. Carta de] GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA Siegfried Emanuel Heuser ANO 21 Nº 09 Setembro de 2012 Conjuntura FEE A atratividade do Setor Primário gaúcho Diversos trabalhos mostram que a trajetória da tam diretamente a variação da produtividade e nem aseconomia gaúcha tem vinculação direta com o desempenho particularidades das diferentes culturas agrícolas e dasde suas atividades primárias. Nesse sentido, compreender atividades pecuárias, que são consideravelmente hetero-como a atratividade econômica desse setor vem evoluindo é gêneas.estratégico para os tomadores de decisão. Ocorre que essa é Apesar dessas limitações, outros indicadores reforçam auma tarefa difícil, na qual nem sempre é possível vislumbrar existência de uma melhora na atratividade da agropecuáriaa direção correta, dada a complexidade dos fatores gaúcha. Por exemplo, o preço real médio do arrendamentoenvolvidos. Se, por um lado, o aumento do crédito (para de terras no RS, calculado pela FGV, aumentou cerca decusteio e investimento) e a introdução de novas tecnologias 50% entre dezembro de 1999 e junho de 2010 — últimotendem a favorecer o setor, por outro lado, o aumento das dado disponível. Já o preço de venda da terra subiu aindarestrições ambientais, dos custos de insumos e mesmo a mais, com ganhos reais acima de 120% para terras deincidência de eventos climáticos extremos (enchentes ou pastagens e de 140% para áreas de lavoura. A elevação doestiagens) reduzem e, não raro, tornam negativa a sua preço do arrendamento é indicativo do crescimento da rendarentabilidade. Tem-se, ainda, a desvalorização cambial, com operacional propiciada pela atividade. Já a alta do preço deresultado mais ambíguo, aumentando os preços tanto dos venda da terra reflete também a expectativa de valorizaçãoprodutos como dos insumos utilizados. da mesma. Sabendo-se que a conjugação de todos esses fatores não A principal questão que se apresenta é se essaé unívoca e com o objetivo de lançar luz sobre o assunto, o tendência positiva de preços tende a continuar. Fatoresgráfico abaixo apresenta a evolução das relações de troca da como preços internacionais em ascensão, aumento daagropecuária gaúcha de janeiro de 2000 a abril de 2012. demanda por carnes, soja e biocombustíveis, crescimento doPara tanto, divide-se o índice de preços recebidos (IPR) pelo crédito rural, desvalorização cambial, e, recentemente, aíndice de preços pagos (IPP) pelos produtores, calculados estiagem nos EUA, dentre outros, são sinais indicativos depela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Sua interpretação é continuidade dessa tendência, pelo menos no futurodireta, mostrando que, quando o índice é superior a 100, os próximo. Desse modo, o momento parece propício para queprodutores estão beneficiando-se nas suas trocas, e, quando os investimentos (públicos e privados) sejam direcionadosé menor, ocorre o contrário. para a atenuação dos riscos climáticos (estiagens e Um primeiro ponto que se observa é que, com pequenas enchentes), mitigando as oscilações negativas da produção,oscilações, a evolução positiva se mantém até o final de para que a melhoria de renda se torne uma realidade para os2004. Destaques desse período, que favoreceram os preços produtores rurais, beneficiando toda a economia gaúcha.recebidos, foram a desvalorização cambial de 2002 e oaumento das exportações, sobretudo de soja para a China. Índice de termos de troca da agropecuária do RS — jan./00-abr./12Do início de 2005 até o final de 2007, o indicador mostrou--se negativo aos produtores rurais. Esse resultado é ainda 155mais nefasto, se relembrarmos que, em 2005, uma forteestiagem atingiu o RS. Assim, não bastasse a importante 135quebra de safra — que, para os grãos de verão (soja, milho, 115feijão e arroz), foi de mais de um terço —, os produtoresviram seus custos subirem mais que suas receitas. Não é de 95se estranhar que, em 2005, a economia gaúcha tenhadecrescido 2,8%. 75 Jan./00 Mar./01 Out./01 Maio/02 Dez./02 Jul./03 Fev./04 Nov./05 Jun./06 Jan./07 Mar./08 Out./08 Maio/09 Dez./09 Jul./10 Fev./11 05/2002 Set./04 Set./11 Ago./00 Abr./05 Ago./07 Abr./12 A partir de 2008 até meados de 2011, houve umarelativa estabilização dos termos de troca. A tendência dealta que então se apresenta é sustentada por aumento dospreços recebidos e pela estagnação dos preços pagos. FONTE: FGVDADOS. O indicador mostra, portanto, sinais de melhora na NOTA: Os índices têm como base jan./2000 = 100.atratividade do segmento agropecuário estadual, sobretudono período mais atual. Deve-se ressaltar, porém, que esses Vanclei Zaninresultados devem ser analisados com cuidado, pois não cap- Mestre em Economia, Pesquisador da FEE
  2. 2. CartadeConjuntura FEE
  3. 3. 3Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09 A situação do crédito imobiliário no Brasil A concessão de crédito imobiliário no Brasil tem dois principais fundings dessa modalidade: o Fundo demostrado forte evolução desde 2004. Nesse ano, a relação Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a caderneta decrédito imobiliário/PIB era de 1,3% e, em fevereiro de poupança. Esse montante é superior em 9,6% ao do2012, passou para 5,1%, segundo dados da Associação primeiro trimestre de 2011.Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança Outra modalidade de crédito que vem crescendo é o(ABECIP). Considerando, especificamente, a evolução do consórcio. Em abril de 2012, somava 643.000 participantes,total de crédito no segmento habitacional, verifica-se que o número 8,6% maior do que no mesmo mês de 2011.mesmo cresceu, em média, no período 2009-11, a taxas de Também é importante, nesse momento de mudanças39% ao ano, contra 9,6% no período 2004-08. nas economias externa e interna, avaliar fontes de recursos Hoje, o grande desafio do setor é manter os níveis de alternativas do mercado imobiliário, que podem até mesmocrescimento elevados, em meio a um cenário de novas ser interessantes como investimentos.regras para a remuneração da caderneta de poupança — que Hoje, há produtos financeiros lastreados em ativosse mantém como a principal fonte de financiamento — e à desse setor, como, por exemplo, os Certificados denecessidade de se criar novos instrumentos financeiros para Recebíveis Imobiliário (CRIs), os Fundos de Investimentoo fornecimento de crédito. Imobiliário (FII) e as Cédulas de Crédito Imobiliário (CCI). O volume de financiamento habitacional precisa crescer Pelos números de emissões e estoque, o mercado dessespara se aproximar de outros países, como México e Chile, títulos mostra-se aquecido. De 2010 para 2011, porna América Latina, que apresentam relação entre crédito exemplo, o volume de emissões de CRIs apresentou umahabitacional e PIB de, respectivamente, 11,2% e 18,5%, e alta superior a 70,0%, segundo dados da Comissão dede emergentes, como Índia e China, de 6,0% e 10,9%, na Valores Mobiliários (CVM).ordem. Nos Estados Unidos da América, a relação é de Na realidade, o setor habitacional, no período pós 2008,81,0%. tem sustentado o crescimento do crédito no Brasil. Essa Em março de 2012, a carteira de crédito habitacional expansão é fruto de uma demanda reprimida e de políticassomava R$ 216,9 bilhões. Esse montante é 10,5% de todo o anticíclicas do Governo.crédito concedido pelo sistema financeiro. Após apresentarum crescimento de 67,0% em 2010 e de 34% em 2011, o Edison Marques Moreirasetor originou R$ 26 bilhões em financiamento imobiliário, Economista, Pesquisador da FEEno primeiro trimestre de 2012, volume este que considera os A retomada da importância dos EUA para as exportações do RS Os Estados Unidos foram, nos últimos 10 anos, o tações de fumo, armas e químicos produzidos no RS. Comprincipal país consumidor das exportações gaúchas. Entre as barreiras protecionistas argentinas e com a quebra de2003 e junho de 2012, o Rio Grande do Sul exportou, a safra da soja prejudicando as exportações para a China, ospreços correntes, US$ 16,2 bilhões para os EUA, seguido EUA devem recuperar, pelo menos, neste ano, parte dapor China, com US$ 15,6 bilhões, e Argentina, com importância perdida na última década. Em suma, apesar daUS$ 13,3 bilhões. Em 2003, os Estados Unidos represen- recuperação lenta dos Estados Unidos, o crescimento dastavam 22,25% das exportações do RS. Desde então, entre exportações para esse país deve compensar, ainda que2003 e 2011, os EUA perderam relevância de forma parcialmente, a queda das exportações para a China e para apersistente, devido a alguns fatores que serão explorados no Argentina.que segue. A retomada do crescimento argentino, pós-crisede 2001, aumentou a participação das exportações para esse Exportações do RS para os Estados Unidos — 2003/12país, de 7,57% em 2003 para 13,96% em 2009. Acompetição chinesa reduziu as exportações gaúchas de PARTICIPAÇÃO POSIÇÃO VALORcalçados para os EUA, então principal destino das PERÍODOS (US$ milhões % NAS ENTRE OSexportações da indústria calçadista. Além disso, a China EXPORTAÇÕES PAÍSES DE FOB) DO RS DESTINOsurgiu como um importante destino das exportações de sojagaúcha a partir de 2001, quando a sua participação nas 2003 1.785,89 22,25 1aexportações do Estado era de apenas 3,2%. A partir de 2004 1.935,36 19,54 1aentão, a elevação do volume produzido de soja aumentou a 2005 1.910,86 18,24 1aparticipação chinesa, tornando-se, a partir de 2009, oprincipal destino das exportações do RS. Por fim, a crise 2006 1.796,77 14,96 1afinanceira afetou o desempenho econômico dos EUA, 2007 1.772,53 11,80 1areduzindo, a partir de 2009, as exportações gaúchas para 2008 2.454,10 13,35 1aesse país. Assim, em 2011, os Estados Unidos represen-taram somente 7,1% do valor exportado gaúcho, atrás de 2009 1.245,75 8,18 3aChina e Argentina. 2010 1.224,23 7,96 3a Já em 2012, as exportações totais do RS caíram, em 2011 1.378,61 7,10 3avalor, 8,1%, mas, para os EUA, cresceram 10,8% e Jun./12 712,80 8,37 3aalcançaram US$ 712,7 milhões. Com isso, a participaçãodos EUA, após nove anos em queda, voltou a subir e FONTE DOS DADOS BRUTOS: Aliceweb.alcançou 8,37% entre janeiro e junho de 2012, ante 6,95%no mesmo período de 2011. Esse desempenho decorre da Bruno Breyer Caldasleve melhora econômica nos EUA, que aumentou as impor- Economista, Pesquisador da FEE
  4. 4. 4Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09 Tabela 1 Taxas de variação do IPCA e do IGP-M no Brasil — fev.-jul./12 (%) IPCA IGP-M MESES Acumulada em 12 Acumulada em 12 No Mês No Ano No Mês No Ano Meses Meses Fev./12 0,45 1,01 5,85 -0,06 0,19 3,44 Mar./12 0,21 1,22 5,24 0,43 0,62 3,24 Abr./12 0,64 1,87 5,10 0,85 1,48 3,65 Maio/12 0,36 2,24 4,99 1,02 2,51 4,26 Jun./12 0,08 2,32 4,92 0,66 3,19 5,14 Jul./12 0,43 2,76 5,20 1,34 4,57 6,68 FONTE: IBGE. FONTE: Fundação Getúlio Vargas. Gráfico 1 Gráfico 2 Produção física industrial no Brasil e no Volume de vendas do comércio varejista no Brasil Rio Grande do Sul — jan./09-jun./12 e no Rio Grande do Sul — jan./09-jun./12 Índice Índice 140 200 130 180 120 160 110 140 100 120 90 100 80 80 Jan./09 Abr./09 Out./09 Jan./10 Abr./10 Out./10 Jan./11 Abr./11 Out./11 Jan./12 Abr./12 Jan./09 Out./09 Out./10 Jan./11 Out./11 Jul./09 Jul./10 Jul./11 Abr./09 Jul./09 Jan./10 Abr./10 Jul./10 Abr./11 Jul./11 Jan./12 Abr./12 Legenda: Brasil RS Legenda: Brasil RS FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física. FONTE: IBGE. Pesquisa Mensal de Comércio. NOTA: 1. Média móvel trimestral do índice de base fixa mensal com NOTA: 1. Média móvel trimestral do índice de base fixa mensal com ajuste sazonal. ajuste sazonal. 2. Os índices têm como base a média de 2002 = 100. 2. Os índices têm como base a média de 2002 = 100. Tabela 2 Indicadores selecionados da economia brasileira — fev.-jul./12 NO MÊS EM 12 INDICADORES SELECIONADOS NO ANO (1) Fev./12 Mar./12 Abr./12 Maio/12 Jun./12 Jul./12 MESES (1) Taxa de câmbio (US$) (2) .................. 1,72 1,80 1,85 1,99 2,05 2,03 1,89 1,83 Taxa de câmbio efetiva real (3) .......... 72,1 75,6 77,5 81,2 82,5 81,7 77,8 76,3 Taxa básica de juros (% a.a.) (4) ....... 10,50 9,75 9,00 8,50 8,50 8,00 9,25 10,26 Superávit primário (% do PIB) ............ -2,8 -2,9 -4,0 -0,7 -0,7 - -3,1 -2,7 Balança comercial (US$ milhões) ...... 1.709 2.020 881 2.952 806 2.877 9.946 23.655 Exportações (US$ milhões) ........... 18.028 20.911 19.566 23.215 19.353 21.003 138.217 253.701 Importações (US$ milhões) ........... -16.318 -18.890 -18.685 -20.263 -18.547 -18.126 -128.271 -230.047 Transações correntes (US$ milhões) -1.726 -3.296 -5.397 -3.462 -4.419 -3.766 -29.108 -51.995 FONTE: Banco Central do Brasil. (1) Valores médios da taxa de câmbio, do índice da taxa de câmbio efetiva real e da taxa básica de juros; resultado acumulado para os demais. (2) Taxa de câmbio livre do dólar norte-americano (compra e venda) média do período (R$/US$). (3) Índice da taxa de câmbio efetiva real (IPCA), jun./94 = 100. (4) Taxa vigente no último dia útil do mês.
  5. 5. 5Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09 Gráfico 3 Gráfico 4 Taxa de desemprego total no Brasil e no Taxa de variação da arrecadação do ICMS Rio Grande do Sul — fev.-jul./12 no Rio Grande do Sul — jan./10-jul./12 (%) (%) 12,0 10,8 10,8 10,6 10,7 10,7 20 10,1 10,0 7,6 7,8 15 7,0 7,3 7,2 7,0 8,0 6,0 10 4,0 5 2,0 0,0 0 Fev./12 Mar./12 Abr./12 Maio/12 Jun./12 Jul./12 Jan./10 Mar./10 Set./10 Nov./10 Maio/10 Jan./11 Mar./11 Maio/11 Set./11 Nov./11 Jan./12 Mar./12 Maio/12 Jul./10 Jul./11 Jul./12 Legenda: Brasil RS FONTE: PED-RMPA - Convênio FEE, FGTAS, SEADE, DIEESE e FONTE: Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul. apoio MTE/FAT. NOTA: Variação acumulada em 12 meses. NOTA: 1. Brasil corresponde ao total das Regiões Metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo e o Distrito Federal. 2. Rio Grande do Sul corresponde apenas à Região Metropolitana de Porto Alegre. Tabela 3 Exportações do Brasil e do Rio Grande do Sul — fev.-jul./12 EXPORTAÇÕES VARIAÇÃO ACUMULADA NO ANO (%) ACUMULADAS NO ANO PARTICIPAÇÃO MESES (US$ FOB milhões) Valor Volume Preço RS/BR (%) RS Brasil RS Brasil RS Brasil RS Brasil Fev./12 2.401 34.169 7,0 4,9 7,0 7,2 5,2 -2,1 1,8 Mar./12 3.805 55.080 6,9 0,1 7,5 0,2 5,5 0,0 1,9 Abr./12 5.106 74.646 6,8 -2,9 4,5 -2,4 3,5 -0,5 1,1 Maio/12 6.787 97.861 6,9 -6,9 3,4 -5,9 3,1 -0,8 0,5 Jun./12 8.515 117.214 7,3 -8,1 -0,9 -7,3 0,2 -0,6 -0,8 Jul./12 10.285 138.217 7,4 -6,9 -1,7 -6,2 0,5 -0,6 -1,8 FONTE DOS DADOS BRUTOS: MDIC/Sistema Alice. Gráfico 5 Gráfico 6 Taxa de variação acumulada em quatro trimestres do PIB no Brasil Estimativa de crescimento da lavoura e de suas principais culturas e no Rio Grande do Sul — 4º trim./07-1º trim./12 no Rio Grande do Sul — jul./12 (%)12,0 7,5 7,8 8,0 6,1 6,5 5,7 5,2 4,0 2,7 2,7 0,0 -0,3 -0,4-4,0 4º trim./07 4º trim./08 4º trim./09 4º trim./10 4º trim./11 Legenda: Brasil RS PIB trim. (BR) PIB trim. (RS) FONTE: IBGE. Contas Nacionais Trimestrais. FONTE: Levantamento Sistemático da Produção Agrícola. FEE/CIE/NIS. FONTE: FEE/CIE/NIS.
  6. 6. 6Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09 Desempenho da indústria de transformação do RS no 1º semestre de 2012 De acordo com os dados provenientes da Pesquisa pequena variação no preço médio ao consumidor dosIndustrial Mensal (PIM) do IBGE, percebe-se que a combustíveis no período. Além disso, outro fator a seprodução física da indústria de transformação gaúcha considerar é a queda no custo médio do barril do petróleodecresceu 2,1% no acumulado de janeiro a junho de 2012, no semestre.comparado ao mesmo período do ano anterior. A queda foiainda maior para o Brasil (-4,1%). Crescimentos da indústria de transformação, por atividades Os principais ramos industriais responsáveis por esse selecionadas, do RS e do Brasil — jan.-jun./12decréscimo na produção física do RS foram metalurgia (%)básica (-22,1%), fumo (-17,0%) e veículos automotores 30,0% 30(-14,4%). Contudo alguns setores contribuíram para que a 20,0% 20queda não fosse ainda mais significativa, casos de máquinas 10,0% 10e equipamentos (22,5%), mobiliário (11,0%) e refino de 0,0%0petróleo e álcool (10,5%). -10,0% -10 A fraca performance do setor metalúrgico é explicada -20 -20,0%pela redução na produção de insumos e matérias-primas, -30 -30,0%que são utilizados por outros setores produtivos. A demanda Fumo Total Mobiliário Metalurgia equipamentos automotores Máquinas e básicapor bens desse setor encontra-se contraída no cenário Veículoseconômico atual. Já para a indústria fumageira, o resultadodecorreu da colheita ruim de fumo no RS, o qual é oprincipal produtor nacional. No ramo de veículosautomotores, a queda deve-se, em alto grau, à forte redução Legenda: RS BRna demanda por esses bens. A produção da atividade máquinas e equipamentos FONTE DOS DADOS BRUTOS: IBGE/PIM-PF.cresceu significativamente, uma vez que houve um incre- NOTA: Variação percentual acumulada no 1º semestre de 2012, tendo por base o mesmomento sensível na produção de alguns bens, especialmente período do ano anterior.colheitadeiras e equipamentos de ar-condicionado. Já oramo mobiliário obteve alta considerável, ocorridaprincipalmente devido à redução do IPI para o setor. Vinícius Dias Fantinel O elevado crescimento na produção da atividade de Economista, Pesquisador da FEErefino de petróleo e álcool pode ser explicado através doaumento na demanda interna, influenciado, fortemente, pela O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a agricultura familiar do RS O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foi fornecedor de alimentos ao Programa. Essa destacadacriado em 2003, no contexto do Programa Fome Zero. Ele posição relativa é atribuída ao elevado grau de organizaçãofaz parte do conjunto das políticas de apoio à agricultura e produção dos agricultores familiares gaúchos.familiar e atua em dois sentidos: comprando alimentos dos Mas, apesar de o Estado estar entre os maioresagricultores familiares e disponibilizando-os às pessoas em abastecedores do PAA, o número de agricultores familiaresmaior vulnerabilidade alimentar e nutricional. gaúchos beneficiados ainda é muito reduzido. Segundo as O Governo Federal, através da Companhia Nacional de informações disponibilizadas pela Conab, no período deAbastecimento (Conab), estabelece parcerias com os 2006 a 2011, o RS atingiu a média anual de 18.190governos estaduais e municipais para adquirir os produtos fornecedores de alimentos ao PAA, em um universo dealimentares dos agricultores familiares, sem licitação, sem 378.546 unidades de produção familiar existentes nointermediadores e a preços que compensem os custos de Estado, conforme levantamento do IBGE para o ano deprodução. Essa ação tem a característica de promover o 2006. Em termos percentuais, a média alcançada no períododesenvolvimento rural, pois cria oportunidades de trabalho e corresponde a 4,8% do número de agricultores familiares dode apropriação de renda no setor. Além disso, incentiva o RS, clientela ainda insuficiente para que o potencialprodutor a diversificar sua produção e a organizar-se, para transformador dessa política governamental seja efetivo naofertar seu produto guiado por normas de acondi- mudança da realidade do meio rural gaúcho.cionamento, saúde e higiene. É uma ação transformadora do De um modo geral, são amplamente reconhecidos osmeio rural. méritos e os efeitos benéficos do PAA para o setor rural, De 2003 a 2011, os recursos repassados pelo Ministério observando-se um processo de aperfeiçoamento constantedo Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e na sua condução e incrementos anuais nos recursos para suapelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para a operacionalização. Porém, considerando-se a realidade daConab, com vistas à operacionalização do PAA, atingiram agricultura familiar, seu alcance é ainda muito restrito,R$ 2,197 bilhões, cabendo ao Rio Grande do Sul o mesmo que se leve em conta a implementação relativamentemontante de R$ 468, 4 milhões. Em nove anos de vigência recente do Programa.do Programa, o RS recebeu, em média, 21,3% do volumeanual total dos recursos aplicados na aquisição de Marinês Z. Grandoalimentos, permitindo ao Estado posicionar-se, a cada ano, à Economista, Pesquisadora da FEEfrente dos demais estados brasileiros, como o maior
  7. 7. 7Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09 As mudanças na estrutura do comércio internacional mundial Nos primeiros anos deste século, a economia mundial atualmente. A China mantém superávits com praticamente opassou por uma profunda transformação em sua estrutura, mundo inteiro, mas apresenta déficit com seus parceirospodendo-se elencar dois pontos como fundamentais: os asiáticos, contribuindo para a demanda e o crescimento depreços relativos das commodities valorizaram-se com toda a região, incluindo os países desenvolvidos erelação aos manufaturados, e os países subdesenvolvidos subdesenvolvidos do continente.passaram a crescer relativamente mais do que os A Europa, continente mais afetado pela crise de 2007 edesenvolvidos. A atualização da série histórica da envolta em um cenário econômico de pessimismo eOrganização Mundial de Comércio — iniciada em 1990 — incerteza, perdeu mercados em diversas nações importantes.mostra a participação dos países no total de exportações e Como exemplo, Reino Unido e França têm hoje déficitsimportações mundiais e ajuda a ilustrar, a partir das comerciais e viram suas participações nas exportaçõesmudanças na estrutura do comércio mundial, tais caírem pela metade desde 1990, movimento resultante,transformações. principalmente, da desindustrialização verificada nas Um possível declínio dos EUA, combinado com a últimas décadas, da concorrência global imposta pela Ásia,ascensão da China ao posto de segunda maior economia bem como da utilização de um modelo de crescimentomundial, podendo esta vir, no futuro, a desafiar o poderio baseado em consumo, oposto ao praticado por seus vizinhoshegemônico norte-americano, é a principal discussão do norte europeu. Tais países, que têm como principaisinternacional neste novo século. No campo do comércio expoentes a Alemanha e os Países Baixos, utilizam-se deinternacional, por outro lado, o domínio mundial de modelos exportadores com forte uso de deflaçãoexportações deixou de ser norte-americano há quase uma competitiva, ampliando seus saldos comerciais e adécada. Os EUA foram os maiores exportadores do mundo participação nas exportações mundiais. A Alemanha,de 1991 a 2003, quando perderam liderança para a inclusive, foi líder em exportações de 2002 a 2008. OsAlemanha, e, em 2007, caíram para o terceiro lugar no ano Países Baixos, hoje o quinto maior exportador do mundo,em que a China assumiu a liderança. Porém, nos últimos que detêm uma pauta de exportação variada, englobando dedois anos, mais devido ao enfraquecimento nas vendas produtos agroindustriais a manufaturados, apresentaramalemãs, muito dependentes de seus vizinhos europeus, do uma progressiva elevação na participação. Porém, comoque por uma recuperação consistente de suas vendas quase toda a Europa se encontra em recessão, os últimosexternas, os EUA voltaram ao segundo posto. Com o alto dois anos foram de queda nas exportações para todo onível de endividamento de seu setor privado doméstico, o continente, e mesmo o sucesso das nações exportadorasconsumo interno se mostra combalido, sendo essencial uma estará em xeque, caso não se altere o cenário europeu.recuperação consistente de seu setor externo para que os Quanto ao nosso país, apresenta resultados bastanteEUA cresçam de forma a cair seu desemprego. A modestos para o tamanho de sua economia, mas, mesmomanutenção como maior importador mundial durante toda a assim, garante a liderança regional. O Brasil aumentou suasérie ilustra o poder de sua economia, pois, mesmo após fatia no comércio internacional, na última década,uma crise sem precedentes, ainda são o maior destino de beneficiando-se do salto no valor das commodities. Porémbens produzidos pelo resto do mundo. Porém diminuíram as importações vêm crescendo em ritmo mais elevado queprogressivamente sua participação nesse quesito. as exportações, o que é acentuado por uma provável A China apresentou uma impressionante ascensão ao desindustrialização, e, embora isso ainda não torne o saldoposto de nação mais exportadora do mundo. Em 1990, comercial negativo, poderá vir a trazer problemas. Torna-sedetinha 1,83% das participações mundiais, muito distante imperativo uma recuperação da indústria nacional. Esta, pordos 11,59% obtidos pela economia dos EUA naquele sua vez, esbarra em diversos entraves, os quais saem domesmo ano. Em 2011, atingiu 10,68%, contra 8,33% dos foco deste texto. O certo é que, com essa pequenaEUA. A guinada chinesa rumo ao status de potência participação no comércio internacional, ainda muitomundial foi o principal fator que tornou a Ásia a região dependente de commodities, o Brasil terá dificuldades paraeconômica mais dinâmica e que mais cresce no mundo superar sua condição periférica em nível global. Participação percentual de países selecionados no total das exportações e importações mundiais — 1990-2011 EXPORTAÇÕES IMPORTAÇÕES PAÍSES 1990 1997 2002 2007 2011 1990 1997 2002 2007 2011 China .................... 1,8 3,4 5,2 8,9 10,7 1,5 2,5 4,4 6,7 9,5 Estados Unidos .... 11,6 12,7 11,0 8,4 8,3 14,6 15,7 17,8 14,1 12,3 Alemanha ............. 12,4 9,5 9,8 9,7 8,3 10,0 7,8 7,3 7,4 6,8 Japão .................... 8,5 7,8 6,6 5,2 4,6 6,6 5,9 5,0 4,3 4,6 Países Baixos ....... 3,9 3,8 3,9 4,0 3,7 3,6 3,3 3,3 3,4 3,2 França ................... 6,4 5,6 5,3 4,1 3,4 6,6 5,0 4,9 4,4 3,9 Reino Unido ......... 5,5 5,2 4,4 3,2 2,7 6,3 5,4 5,4 4,4 3,5 Brasil .................... 0,9 1,0 1,0 1,2 1,4 0,6 1,1 0,7 0,9 1,3 FONTE: OMC. Augusto Pinho de Bem Economista, Pesquisador da FEE
  8. 8. 8Carta de Conjuntura - Ano 21 nº 09 Os polos regionais sul-rio-grandenses: 1999-2009 Uma economia obtém ganhos com a concentração da centros não tenha sido tão decisivo. A indústria, entretanto,atividade em alguns locais no espaço, através de polos que continua tendo sua dinâmica ditada pelo desempenho dasse destacam como centros urbanos industriais e de serviços, principais centralidades. Na soma de indústria e serviços,exercendo forte impacto sobre seu entorno. Busca-se aqui todos os polos, com exceção de SL-NH, cresceram em tornotraçar um panorama das principais centralidades do Rio da média do resto do Estado (25,5%), com destaque paraGrande do Sul entre 1999 e 2009. Porto Alegre, Caxias do Sul e Santa Maria. No livro Três Décadas de Economia Gaúcha: o A disponibilidade de empregos, os melhores salários eAmbiente Regional (2010), publicado pela FEE, Paiva, serviços urbanos fazem dos polos locais de atração. E aAlonso e Tartaruga identificam os principais polos população sul-rio-grandense segue concentrando-seeconômicos estaduais. O polo de primeira ordem é o de naqueles da região nordeste, inclusive em SL-NH, cujoPorto Alegre, que, além da Capital, envolve 11 municípios desempenho econômico foi fraco. PF-Mar aumenta suade seu entorno. São polos de segunda ordem o de São parcela na população estadual, enquanto Pel-RG perde, eLeopoldo-Novo Hamburgo (SL-NH, 11 municípios) e o de Santa Maria mantém participação. As regiões noroeste eCaxias do Sul (cinco municípios). Na terceira ordem, Passo sudoeste não apresentam centralidades de grandeFundo-Marau (PF-Mar), Pelotas-Rio Grande (Pel-RG) e importância e registraram perdas relativas (a participaçãoSanta Maria. As centralidades de ordem um e dois estão na somada dessas duas mesorregiões na população estadualregião nordeste do Estado, e as de terceiro nível, nas regiões recuou de 26,8% para 24,9% no período).norte, sul e central. Juntos, os seis centros (33 municípios) A estagnação ou perda relativa de população em locaisrespondem por 50,4% da população e 63,4% do VAB de natureza polarizadora, nas regiões menos desenvolvidas,estadual não agropecuário em 2009. deve preocupar: a concentração populacional nos centros Entre 1999 e 2009, a indústria sul-rio-grandense mais ricos faz convergir a renda per capita entre regiões,cresceu 12,6%, os serviços, 28,9%, e a agropecuária, 49%, mas seu efeito dinâmico diminui o potencial de crescimentosendo os setores ligados às centralidades aqueles de pior produtivo da centralidade que perde população, e,desempenho. Porém os polos regionais apresentaram consequentemente, da sua área de influência.crescimento industrial positivo, com exceção de SL-NH, Em período de grande crescimento agropecuário, cujaatingido pela crise do setor coureiro-calçadista, que perdeu tendência é dispersiva, os centros regionais do Estado33,1% da produção industrial. Desconsiderando SL-NH, a perderam espaço no setor de serviços, mas mantiveram aindústria nos outros polos somados cresceu 22,8%, e, no dianteira da indústria sul-rio-grandense. Mesmo com umresto do Estado, 12,9%; apenas PF-Mar cresceu menos, deles em forte crise, continuam sendo aqueles da região7,3%. Os serviços tiveram maior crescimento fora dos nordeste os que mais crescem em população e produto,grandes centros, 32,1% contra 28,3%. indicando a necessidade de fortalecimento dos polos das A expansão agropecuária gera uma demanda dispersa outras regiões, caso se pretenda desconcentrar a produçãopor serviços, fazendo com que o papel dos principais em benefício de locais menos desenvolvidos. Indicadores selecionados dos polos regionais do Rio Grande do Sul — 1999-2009 PARTICIPAÇÃO % NO TOTAL DO RS CRESCIMENTO (%) POLOS População VAB (indústria + serviços) VAB (indústria PIB 1999 2009 1999 2009 mais serviços) Porto Alegre .................................. 27,3 27,4 37,9 39,0 26,7 26,4 São Leopoldo-Novo Hamburgo ..... 7,0 7,3 8,9 6,7 -7,2 -2,4 Caxias do Sul ................................ 5,5 6,2 8,6 8,8 26,4 31,5 Pelotas-Rio Grande ...................... 5,0 4,9 4,6 4,7 25,2 33,5 Passo Fundo-Marau ..................... 1,9 2,1 2,4 2,5 24,6 24,8 Santa Maria .................................. 2,4 2,4 1,7 1,8 26,8 20,9 TOTAL ......................................... 49,1 50,4 64,2 63,4 21,8 23,6 FONTE DOS DADOS BRUTOS: FEEDADOS. Jaime Carrion Fialkow Economista, Pesquisador da FEE CARTA DE CONJUNTURA FEE (elaborada com informações até 29.08.12). ISSN 1517-7262 A Carta de Conjuntura FEE é uma publicação mensal de responsabilidade dos editorialistas. As opiniões não exprimem um posicionamento oficial da FEE ou da Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã. Tiragem: 250 exemplares. Conselho Editorial: André Luis Forti Scherer, Fundação de Economia e Estatística Cecília Rutkoski Hoff, Fernando Maccari Lara, Siegfried Emanuel Heuser Renato Antônio Dal Maso e Roberto da Silva Rua Duque de Caxias, 1691 - Porto Wiltgen. Alegre Núcleo de Dados: Rafael Bernardini Santos CEP 90010-283 (coordenação) e Ana Maria de Oliveira Feijó. E-mail: carta@fee.tche.br Presidente: Adalmir Antonio Marquetti Diretor Técnico: André Luis Forti Scherer Editoração: Breno Camargo Serafini e Susana Twitter: @cartafee Diretor Administrativo: Roberto Pereira da Rocha Kerschner (revisão) e Jadir Vieira Espinosa www.fee.rs.gov.br (diagramação).

×