Sobre o GT em Formação Política da FEAB.

3.069 visualizações

Publicada em

  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sobre o GT em Formação Política da FEAB.

  1. 1. Sauda ções Companheiros e Companheiras! “Quando o ser humano compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções”Sobre o Grupo de Trabalho em Formação Política da Federação dos Estudantes deAgronomia do Brasil Esse material visa iniciar o debate em torno da constituição do grupo de trabalhode formação política de nossa federação, caracterizando-o, colocando suas demandas,potencialidades e perspectivas. Não se propõe aqui se aprofundar em questões maiscomplexas e específicas e sim fornecer elementos para que isso seja feitoposteriormente. Ou seja, é um texto que visa iniciar o debate, não findá-lo.1. Problematização: a formação política dentro da FEAB É conhecido que vivemos um momento de quase completa alienação da baseestudantil, fruto principalmente da dominação dos meios de comunicação e do sistemaeducacional como um todo, incluindo aí a universidade. Nesse cenário observamos que onível de consciência de nossa base, do estudante comum de agronomia, é muito baixo. AFEAB historicamente cumpriu e cumpre um fundamental trabalho que é o de se inserir noconjunto de seus estudantes carregando as nossas bandeiras e luta e desafiando osenso-comum dominante na universidade. Portanto nos últimos anos experimentamos uma grande diminuição do nível deconsciência em geral, tanto na base quanto na militância. Foi parcialmente abandonado oPlano Nacional de Formação – PNF, pela federação, entendendo que esse plano já nãocumpria com os desafios conjunturais e estruturais da federação. Ainda assim não houveuma clara proposta da FEAB, seja das suas direções como dela como um todo, quesuplantasse o vácuo que deixou o PNF. A Coordenação Nacional de MontesClaros/UFMG iniciou em conjunto com os companheiros da então Nacional da ABEEF,Lavras/UFLA, um processo assessoria da companheira Roberta Transpadini, habitualcolaboradora na formação política do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra –MST. O debate continuou após a posse de Aracaju/UFS enquanto coordenação nacional eteve como principal fruto o Curso Nacional de Formação Política realizado na EscolaNacional Florestan Fernandes – ENFF, em maio de 2009. Esta assessoria auxiliou os então grupos de coordenação nacional a visualizar oconjunto das executivas e entender a complexidade que é trabalhar a formação política nomovimento estudantil: – Houve no passado uma realidade onde muitos dos estudantes da federação estavam organizados dentro de um instrumento partidário, que fornecia a eles a formação político-teórico. Atualmente vivemos um momento de baixa inserção
  2. 2. dos estudantes em partidos, o que ao mesmo tempo que dificulta a construção política, sobrecarrega a demanda da FEAB por formação. – Fomos então buscar nos companheiros que contribuem com a formação política dos movimentos sociais da Via Campesina auxílio na construção de nossas próprias ferramentas. O problema disso é que nossa dinâmica de movimento é muito diferente da do movimento social: as gestões de coordenação nacional, responsáveis por pensar a formação política e a executiva como um todo, duram apenas um ano, enquanto nos m.s. ficam por muito mais tempo. Nossa militância é transitória, ou seja é difícil que nossas lideranças se mantenham por mais de dois, três anos dentro da federação, enquanto nos movimentos sociais se mantêm por até mesmo décadas. Isso dificulta a construção de um processo consolidado de formação política. – Enquanto nos partidos e nos movimentos sociais se pensa a formação à longo prazo, equacionando nisso pontos táticos e estratégicos, visando os objetivos do instrumento político, como realizar essa formação dentro da diversidade da FEAB é uma pergunta essencial. Isso considera também nossos objetivos, ou seja, onde estamos hoje e onde queremos chegar enquanto organização, sendo que o militante formado politicamente, consolidado e com o entendimento da federação permanece pouco mais de um ou dois anos até se formar. Considerando essa problemática, é de se imaginar que uma CoordenaçãoNacional, durante um ano, está extremamente aleijada para pensar um programa deformação política. Pode ter sucesso em elaborar um curso pontual, algum espaçoreflexivo, porém terá grandes dificuldades em construir um processo contínuo e pensadode formação política. Essa fragilidade se demonstra no fato de que todo esforço emconjunto com a companheira Roberta Transpadini resultou em um curso de formação quecontrariamente as expectativas de seus organizadores, foi um fim nele mesmo. Essafragilidade também se demonstra no fato de que estamos desfalcados da companheiraque nos assessorou no passado por problemas pessoais da mesma. O ideal então seria que tivéssemos uma direção com uma gestão de dois anos oumais, que pudesse pensar a organização com calma, com espaços de diálogos, etc. Issona nossa realidade é virtualmente impossível. Qual a alternativa então, de não se perder odebate acumulado pelas antigas coordenações nacionais em torno da formação política?Como fazer com que as futuras coordenações nacionais tenham consigo todo oentendimento das anteriores, possível apenas com a dinâmica de pensar constantementea federação e suas demandas? Essas de fato são perguntas nada simples, mas quetemos que encarar como questão objetiva e necessária dentro da federação.2. O Grupo de Trabalho2.1 Proposta A Coordenação Nacional de Curitiba, refletindo em torno disso trouxe para a FEABem sua plenária de superintendências de Lavras em setembro de 2009, a proposta daconstituição de um Grupo de Trabalho que se debruçasse em cima da questão daformação política. Não se eximindo da responsabilidade de tocar esse processo enquantodireção, os companheiros nos trouxeram que este grupo de trabalho poderia abrirperspectivas interessantes, como aumentar a construção conjunta e participativa daformação política, incluir as antigas coordenações nacionais com o seu acúmulo, ampliaro debate para além da coordenação nacional, enriquecendo o mesmo. Também suprimoso desafio da transitoriedade do movimento estudantil, já que esse Grupo de Trabalho irácontinuar a trabalhar ao longo dos anos, de acordo com o interesse da FEAB, com a
  3. 3. dinâmica de companheiros saindo e outros entrando, mas o debate sempre avançando ese mantendo vivo.2.2 Objetivo Mais importante que a aprovação consensual dessa proposta é a consolidação damesma. Para isso deve-se pensar uma dinâmica de funcionamento para o grupo detrabalho para que o mesmo tenha sucesso em sua empreitada. Porém ainda nãoesclarecemos qual é essa empreitada, ou seja, qual é o objetivo do grupo de trabalho deformação política? O grupo não pode se limitar em ser apenas um fórum que discuta a federação esuas demandas, apesar dessa reflexão ser importante. Não pode ser apenas uma reuniãode militantes sem um norte definido. Então coloquemos aqui quais são os objetivos dessanova ferramenta ainda em gestação: a) Discutir a conjuntura da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil;quais são nossos objetivos imediatos, táticos e estratégicos; quais são nossas debilidadese potencialidades a ser exploradas; entender a federação como um todo; b) Construir um Programa de Formação Política para a FEAB; analisar as últimasexperiências de formação política; quais os sucessos e quais os fracassos; correlacionara formação política aos nossos objetivos táticos e estratégicos; c) Propor espaços de formação políticas para a FEAB; mesmo durante aconstrução do Programa de formação, propor espaços que supram nossas necessidadesimediatas e constantes de formação política; dar subsídio a iniciativas locais e regionaisde formação; d) Fornecer elaboração teórica sobre formação política e outros temascorrelacionados para a FEAB, na forma de cadernos de textos, de documentos isolados,entre outros. Claramente podemos ver que são objetivos de grande importância e difícilconcretização. Não podemos então cair em ilusões do tipo que o Grupo de Trabalho irásuprir todas as nossas debilidades e angústias em torno da formação política e da FEABcomo um todo. Importante lembrar que o que determinará o tamanho do sucesso dogrupo de trabalho será o próprio grupo de trabalho. É uma ousadia com a qual devemoster o cuidado de não avaliar prematuramente nem condená-la com expectativasdemasiadas. Portanto, devemos procurar alcançar cada um dos pontos apresentados,sem euforia que atropele o processo, nem fatalismos que nos impeçam de avançar.2.3 Composição Exposto os objetivos do nosso GT de Formação Política, passemos então paracomo iremos conduzir os trabalhos do mesmo. Esse grupo deve ser centralizado pelaCoordenação Nacional, que coordenará e conduzirá as atividades do mesmo, envolvendoo planejamento e a dinâmica de funcionamento. Isso se deve pois o grupo deCoordenação Nacional está em constante contato com as bases da federação,acompanhando sempre os espaços nacionais e regionais, além de estar presente nosfóruns mais amplos que permitem analisar a conjuntura, como espaços da Via Campesinae do Fórum de Executivas, por exemplo. A Coordenação Nacional irá dividir, de acordocom as demandas e possibilidades essas tarefas com outros militantes. Deverão compor o grupo, necessariamente um representante de cada CN anterior,a ser indicado pelo próprio grupo de escola ou sugerido pela Coordenação Nacional. Issoé de grande valor para que se enriqueçam as avaliações e se socializem experiências ebalanços de períodos anteriores. Somando-se as antigas coordenações nacionais,deverão também outros grupos ou indivíduos que possam enriquecer o grupo de trabalho,seja porque possui maturidade política, ou porque sente que deve contribuir com o grupo.
  4. 4. A inserção desses outros indivíduos fica sob responsabilidade da Coordenação Nacional.2.4 Funcionamento. Sabendo o que queremos e como iremos construir esse grupo de trabalho, temosque agora pensar o seu funcionamento, dentro de todas as dificuldades que enfrentamosdentro de nossa realidade de movimento estudantil, como nosso calendário, queimpossibilita por exemplo, encontros periódicos desse grupo. Incluindo nessa conta adistância em que estamos nas mais diferentes escolas de agronomia espalhadas pelopaís fica difícil imaginar que esse grupo se reunirá com constância. Ou seja, devemos pensar uma dinâmica de funcionamento para que o grupofuncione mesmo com essas dificuldades. Temos que centrar nossa discussão nos meiosde comunicação disponíveis, como correio eletrônico, telefone, conversação via internet,entre outros. Porém não se pode eximir na necessidade de se ter espaços onde nossamilitância se encontre fisicamente e discutir com maior propriedade e fluidez. A princípio,aproveitar os espaços nacionais da FEAB já existentes é um possibilidade real. O primeirode fato irá acontecer no seminário de construção do CONEA em Santa Maria/UFSM. A continuidade e frequência, além do envolvimento e apropriação das escolas, irádeterminar como será o funcionamento de fato, caso contrário, a formação política estaráfadada em se centralizar na coordenação nacional, de maneira descontínua eprecarizada. “Só crescemos na ousadia”

×