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PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA
EQUIPE PEDAGÓGICA RN
3º ENCONTRO (32h)
CRONOGRAMA DE APRECIAÇÃO DAS LEITURAS DELEITE
TERÇA-FEIRA - 29/07 - TURNO MATUTINO:
• LEITURA DELEITE: “Cartas de amor – Rubem Alves”
Disponível em: http://www.rubemalves.com.br/site/10mais_02.php, em 25 de julho de 2014.
• CONHECENDO O AUTOR:
Alves, Rubem (1933 - 2014)
BIOGRAFIA:
Rubem Azevedo Alves (Boa Esperança MG 1933 - Campinas SP 2014). Contista, cronista,
ensaísta, poeta, pedagogo, filósofo, teólogo e psicanalista. Filho de Herodiano Alves do Espírito
Santo e Carmen Sílvia de Azevedo Alves, ambos de orientação protestante. Em 1945, muda-se
com a família para o Rio de Janeiro. Aos 20 anos, ingressa no Seminário Presbiteriano de
Campinas, no interior de São Paulo, onde, por intermédio do teólogo Richard Shaull (1929 -
1999), se aproxima da Teologia da Libertação. Formado em teologia em 1957, vai morar em
Lavras, Minas Gerais, e trabalha como professor de teologia no Instituto Gammon, escola de
diretriz protestante. Em 1963, muda-se para Nova York, inicia o mestrado no Union Theological
Seminary, e no mesmo período colabora no jornal Brasil Presbiteriano. No ano de 1964, no Brasil, perseguido pelo regime militar e denunciado pela
Igreja Presbiteriana, vai novamente para os Estados Unidos, e, em 1968, conclui o doutorado na United Presbyterian Church, em Nova Jersey,
defendendo a tese Toward a Theology of Libertation, marco teórico da Teologia da Libertação. Regressa ao Brasil em 1969 e começa a ministrar aulas
de filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, São Paulo. Um ano mais tarde, afirma a opção pela Teologia da Libertação e
anuncia seu rompimento com a Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB. Integra, em 1973, o corpo docente da Universidade Estadual de Campinas -
Unicamp, e dá aulas na Faculdade de Educação e no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Conclui o curso de psicanálise na Associação Brasileira
de Psicanálise de São Paulo, em 1980, e passa a colaborar na revista Tempo e Tendência. Publica duas obras no campo da pedagogia: Conversas com
Quem Gosta de Ensinar, em 1982, e Estórias de Quem Gosta de Ensinar, em 1984. Desde 1982, assina artigos semanais para o jornal Folha de S.Paulo.
Recebe o título de professor emérito do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp em 1995. Em 19 de julho de 2014, aos 80
anos, falece, em Campinas – SP, por falência múltipla de órgãos, provocada após um quadro de pneumonia.
Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=4951, em 25 de
julho de 2014.
TEXTO PARA APRECIAÇÃO:
CARTAS DE AMOR
(Rubem Alves)
Leio e releio o poema de Álvaro de Campos. Oscilo. Não sei se devo acreditar ou duvidar. Se acredito, duvido. Duvido porque acredito. Pois
foi ele mesmo quem disse – ou melhor, o seu outro, o Fernando Pessoa – que ele era um fingidor. "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam
cartas de amor se não fossem ridículas..." Tenho, no meu escritório, a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço, Mulher lendo uma
carta, de Johannes Vermeer (1632-1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz da janela. Seus olhos lêem o que está
escrito naquela folha de papel que suas mãos seguram... a boca, ligeiramente entreaberta, quase num sorriso. De tão absorta, ela nem se dá conta da
cadeira, ao seu lado. Lê de pé. Penso ser capaz de reconstituir os momentos que antecedem este que o pintor fixou. Pancadas na porta interromperam as
rotinas domésticas que a ocupavam. Ela vai abrir e lá estava o carteiro, com uma carta na mão. Pela simples leitura do seu nome, no envelope, ela
identifica o remetente. Ela toma a carta e, com este gesto, toca uma mão muito distante. Para isto se escrevem as cartas de amor. Não para dar notícias,
não para contar nada, não para repetir as coisas por demais sabidas, mas para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel.
Barthes cita estas palavras de Goethe: Por que me vejo novamente compelido a escrever? Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente, porque,
na verdade, nada tenho para te dizer. Entretanto tuas mãos queridas receberão este papel...
Volto ao Álvaro de Campos. Será esta a razão do ridículo das cartas de amor – o descompasso entre o que elas dizem e aquilo que elas
realmente querem fazer? Pois o propósito explícito de uma carta é dar notícias, e é por isto que elas são feitas de palavras. Mas o que elas realmente
desejam realizar está sempre antes e depois da palavra escrita: elas querem realizar aquilo que a separação proíbe: o abraço. Quem quer que tente
entender uma carta de amor pela análise da escritura estará sempre fora de lugar, pois o que ela contém é o que não está ali, o que está ausente.
Qualquer carta de amor, não importa o que se encontre nela escrito, só fala do desejo, a dor da ausência, a nostalgia pelo reencontro.
Aquela carta fez tudo parar. A mulher fecha a porta e caminha pela casa sem nada ver, buscando uma coisa apenas, a luz, o lugar onde as palavras
ficarão luminosas. Que lhe importa a cadeira? Esqueceu-se de que está grávida. Seus olhos caminham pelas palavras que saíram das mesmas mãos que
a abraçaram. Seu corpo está suspenso naquele momento mágico de carinho impossível que aquele pequeno pedaço de papel abriu no tempo do seu
cotidiano.
Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões. A mulher está só. Se há outras pessoas na casa, ela as deixou. Bem pode ser que as
coisas que estão nela escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas, para que a carta seja de amor, ela tem de ser lida em
solidão. Como se o amante estivesse dizendo: "Escrevo para que você fique sozinha...". É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade.
Pois foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é o objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono.
Olho para o céu. Vejo a Alfa Centauro. Os astrônomos me dizem que a estrela que agora vejo é a estrela que foi, há dois anos. Pois foi este o tempo
que sua luz levou para chegar até os meus olhos. O que eu vejo é o que não mais existe. E será inútil que eu me pergunte: "Como será ela agora?
Existirá ainda?". Respostas a estas perguntas eu só vou conseguir daqui a dois anos, quando a sua luz chegar até mim. A sua luz está sempre atrasada.
Vejo sempre aquilo que já foi... Nisto as cartas se parecem com as estrelas. A carta que a mulher tem nas mãos, que marca o seu momento de solidão,
pertence a um momento que não existe mais. Ela nada diz sobre o presente do amante distante. Daí a sua dor. O amante que escreve alonga os seus
braços para um momento que ainda não existe. A amante que lê alonga os seus braços para um momento que não mais existe. A carta de amor é um
abraçar do vazio...
“Ainda bem que o telefone existe", retrucarão os namorados modernos, que não mais têm de viver o amor no espaço das ausências. Engano.
Um telefonema não é uma carta falada. Pois lhe falta o essencial: o silêncio da solidão, a calma da caneta pousada sobre a mesa que espera e escolhe
pensamentos e palavras. O telefone põe a solidão a perder. Num telefonema a gente nunca diz aquilo que se diria numa carta. Por exemplo: "Eu ia
andando pela rua quando, de repente, vi um ipê-rosa florido que me fez lembrar aquela vez...". Ou: "Relendo os poemas de Neruda encontrei este que,
imagino, você gostará de ler...".
A diferença entre a carta e o telefone é simples. O telefone é impositivo. A conversa tem de acontecer naquele momento. Falta-lhe o
ingrediente essencial da palavra que é dita sem esperar resposta. E, uma vez terminado, os dois amantes estão de mãos vazias.
Mas a mulher tem nas mãos uma carta. A carta é um objeto. Se não tivesse podido recolher-se à sua solidão, ela poderia tê-la guardado no bolso, na
deliciosa espera do momento oportuno. O telefonema não pode esperar. A carta é paciente. Guarda as suas palavras. E, depois de lida, poderá ser
relida. Ou simplesmente acariciada. Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é mais que uma mensagem. Mesmo antes de
ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento: presença sensível de uma felicidade invisível...
Estes pensamentos me vieram depois de ler as cartas de um jovem cientista, Albert Einstein, à sua amada, Mileva Maric'. Foram elas que me
fizeram ir ao poema do Álvaro de Campos: ridículas. Todas as cartas de amor são ridículas. Acho que os editores pensaram o mesmo. E como desculpa
para o seu gesto indiscreto de tornar público o ridículo que era segredo de dois amantes, escreveram uma longa e erudita introdução que transformou as
ridículas cartas de amor em documentos da história da ciência. Valem porque, misturadas ao ridículo de que os amantes se alimentam, se encontram
pistas que dão aos historiadores as chaves para a compreensão das "fontes do desenvolvimento emocional e intelectual dos correspondentes". Não
sabendo o que fazer com o amor (ridículo), colocaram-nas na arqueologia da ciência.
Foi então que o quadro de Vermeer me fez ver a cena que as cartas escondem. E a mulher com a carta na mão e uma criança na barriga? Ela
bem que poderia ser Mileva, grávida de uma filha ilegítima, que foi dada para adoção, e sobre quem nada se sabe. A criança foi dada. Mas as cartas
foram guardadas. E que razões poderia ter uma pessoa para guardar cartas ridículas? O seu rosto absorto e os lábios entreabertos nos dão a resposta:
para aqueles que amam as ridículas cartas de amor são sempre sublimes. Volto ao poema do Álvaro de Campos e encontro lá o que faltava para fechar
a cena: "Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor são ridículas".
http://www.rubemalves.com.br/site/10mais_02.php, em 25 de julho de 2014.
TERÇA-FEIRA - 29/07 - TURNO VESPERTINO:
• LEITURA DELEITE: “As Meninas” – Cecília Meireles
• REFERÊNCIA: MEIRELES, Cecília. Ou isto ou aquilo. Organização Walmir Ayala; ilustrações Odilon
Moraes. 7ed. São Paulo: Global, 2012.
• CONHECENDO O AUTOR:
Meireles, Cecília (1901 - 1964)
BIOGRAFIA:
Cecília Meireles (1901-1964) foi poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Foi a primeira voz
feminina, de grande expressão na Literatura Brasileira, com mais de 50 obras publicadas. Com 18 anos,
estreia na Literatura com o livro "Espectros". Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico,
conservador e anti modernista. Dessa vinculação, herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência.
A maioria de suas obras expressa estados de ânimo, predominando os sentimentos de perda amorosa e solidão. Uma das marcas do lirismo de Cecília
Meireles é a musicalidade de seus versos. Alguns poemas como "Canteiros" e "Motivo" foram musicados pelo cantor Fagner. Em 1939 publicou
"Viagem" livro que lhe deu o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras.
Cecília Meireles (1901-1964) nasceu, no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, aos três anos de idade, passa a ser criada pela
avó materna, Jacinta Garcia Benevides. Fez o curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu das mãos de Olavo Bilac a medalha do ouro por ter
feito o curso com louvor e distinção. Formou-se professora pelo Instituto de Educação em 1917. Passa a exercer o magistério em escolas oficiais do
Rio de Janeiro. Estreia na Literatura com o livro "Espectros" em 1919, com 17 sonetos de temas históricos.
Em 1922 casa-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas. Viúva, casa-se pela segunda vez com o engenheiro
Heitor Vinícius da Silva Grilo, falecido em 1972. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo
sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca
infantil no Rio de Janeiro.
Cecília Meireles lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em 1940. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre
Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do
Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre
Literatura Educação e Folclore.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles morre, no Rio de Janeiro, no dia 9 de novembro de 1964. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e
Cultura. Cecília Meireles é homenageada pelo Banco Central, em 1989, com sua efígie na cédula de cem cruzados novos.
Obras de Cecília Meireles:
Espectros, poesia, 1919
Nunca Mais... e Poema dos Poemas, 1923
Baladas Para El-Rei, poesia, 1925
Viagem, poesia 1939
Vaga Música, poesia, 1942
Mar Absoluto, poesia, 1945
Evocação Lírica de Lisboa, prosa, 1948
Retrato Natural, poesia, 1949
Amor em Leonoreta, poesia, 1952
Doze Noturnos de Holanda e o Aeronauta, poesia, 1952
Romanceiro da Inconfidência, poesia, 1953
Pequeno Oratório de Santa Clara, poesia, 1955
Pístóia, Cemitério Militar Brasileiro, poesia, 1955
Canção, poesia, 1956
Romance de Santa Cecília, poesia, 1957
A Rosa, poesia, 1957
Eternidade em Israel, prosa, 1959
Metal Rosicler, poesia, 1960
Antologia Poética, poesia, 1963
Ou Isto Ou Aquilo, poesia, 1965
Escolha o Seu Sonho, crônica, 1964
Crônica Trovoada da Cidade de San Sebastiam, poesia, 1965
Inéditos, crônica, 1968
Disponível em: http://www.e-biografias.net/cecilia_meireles/, em 25 de julho de 2014.
,
TEXTO PARA APRECIAÇÃO: (LIVROS A SEREM DISPONIBILIZADOS POR FÁTIMA – NEI)
AS MENINAS
(Cecília Meireles)
Arabela
abria a janela.
Carolina
erguia a cortina.
E Maria
olhava e sorria:
"Bom dia!"
Arabela
foi sempre a mais bela.
Carolina
a mais sábia menina.
E Maria
Apenas sorria:
"Bom dia!"
Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.
Mas a nossa profunda saudade
é Maria, Maria, Maria,
que dizia com voz de amizade:
"Bom dia!”
MEIRELES, Cecília. Ou isto ou aquilo. Organização Walmir Ayala; ilustrações Odilon Moraes. 7ed. São Paulo: Global, 2012.
QUARTA-FEIRA - 30/07 - TURNO MATUTINO:
• LEITURA DELEITE: “A aprendizagem significativa: O segredo de Beethoven”
Disponível em: http://geniosmundiais.blogspot.com.br/2006/01/biografia-de-ludwig-van-beethoven.html, em 25 de julho de 2014.
• CONHECENDO O AUTOR:
Beethoven, Ludwig van (1770 - 1827)
BIOGRAFIA:
Ludwig van Beethoven nasceu em 16 de dezembro de 1770, em Bonn, Alemanha. Mas sua ascendência era holandesa: o nome de sua família é
derivado do nome de uma aldeia na Holanda, Bettenhoven (canteiro de rabanetes), e tem a partícula van, muito comum em nomes holandeses. O avô
do compositor, também Ludwig van Beethoven, contudo, era originário da Bélgica, e a família estava há poucas décadas na Alemanha.
Vovô van Beethoven era músico. Trabalhava como Kappelmeister (diretor de música da corte) do
eleitor de Colônia e era um artista respeitado. Seu filho, Johann, que viria a ser o pai de Ludwig,
menos talentoso, o seguiu na carreira, mas sem igual êxito. Depois da morte do pai, entregou-se ao
alcoolismo, o que traria muitos problemas emocionais ao filho famoso.
Johann percebeu que o pequeno Ludwig (que fora batizado assim em homenagem ao avô) tinha
talento incomum para música e tratou de encaminhá-lo à carreira de músico do eleitor. Mas o fez de
forma desastrosa. Obrigava o filho a estudar música horas e horas por dia, e não raro o batia. A
educação musical de Beethoven tinha aspectos de verdadeira tortura.
Desde os treze anos Ludwig ajudou no sustento da casa, já que o pai afundava-se cada vez mais na
bebida. Trabalhava como organista, cravista ensaiador do teatro, músico de orquestra e professor, e
assim precocemente assumiu a chefia da família. Era um adolescente introspectivo, tímido e
melancólico, freqüentemente imerso em devaneios e "distrações", como seus amigos
testemunharam.
Em 1784, Beethoven conheceu um jovem conde, de nome Waldstein, e tornou-se amigo dele. O
conde notou o talento do compositor e o enviou para Viena, para que se tornasse aluno de Mozart. Mas tudo leva a crer que Mozart não lhe deu muita
atenção, embora reconhecendo seu gênio, e a tentativa de Waldstein não logrou êxito - Beethoven voltou em duas semanas para Bonn.
Em Bonn, começou a fazer cursos de literatura - até para compensar sua falta de estudo geral, já que saíra da escola com apenas 11 anos - e lá teve seus
primeiros contatos com as fervilhantes ideias da Revolução Francesa, que ocorria, com “Iluminismo” e com a “Tempestade e Ímpeto”, correntes não
menos fervilhantes da literatura alemã, de Goethe e Schiller. Esses ideais tornariam fundamentais na arte de Beethoven.
Apenas em 1792 que Beethoven haveria de partir definitivamente para Viena. Novamente por intermédio do conde Waldstein, dessa vez Ludwig havia
sido aceito como aluno de Haydn - ou melhor, "papai Haydn", como o novo pupilo o chamava. A aprendizagem com o velho mestre não foi tão
frutífera quanto se esperava. Haydn era afetuoso, mas um tanto descuidado, e Beethoven logo tratou de arranjar aulas com outros professores, para
complementar seu estudo.
Seus primeiros anos vienenses foram tranqüilos, com a publicação de seu opus 1, uma coleção de três trios, e a convivência com a sociedade vienense,
que lhe fora facilitada pela recomendação de Waldstein. Era um pianista virtuoso, de sucesso nos meios aristocráticos, e soube cultivar admiradores.
Apesar disso, ainda acreditava nos ideais revolucionários franceses.
Então surgiram os primeiros sintomas da grande tragédia beethoveniana - a surdez. Em 1796, na volta de uma turnê, começou a queixar-se, e foi
diagnosticada uma congestão dos centros auditivos internos. Tratou-se com médicos e melhorou sua higiene, a fim de recuperar a boa audição que
sempre teve, e escondeu o problema de todos o máximo que pôde. Só dez anos depois, em 1806, que revelou o problema, em uma frase anotada nos
esboços do Quarteto no. 9: "Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!".
Antes disso, em 1802, Beethoven escreveu o que seria o seu documento mais famoso: o Testamento de Heiligenstadt. Trata-se de uma carta,
originalmente destinada aos dois irmãos, mas que nunca foi enviada, na qual reflete, desesperado, sobre a tragédia da surdez e sua arte. Ele estava, por
recomendação médica, descansando na aldeia de Heiligenstadt, perto de Viena, e teve sua crise mais profunda, quando cogitou seriamente o suicídio.
Era um pensamento forte e recorrente. O que o fez mudar de ideia? "Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo
antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim!", escreveu na carta.
O resultado é o nascimento do nosso Beethoven, o músico que doou toda sua obra à humanidade. "Divindade, tu vês do alto o fundo de mim mesmo,
sabes que o amor pela humanidade e o desejo de fazer o bem habitam-me", continua o Testamento. Para Beethoven, sua música era uma verdadeira
missão. A Sinfonia no. 3, Eroica, sua primeira obra monumental, surge em seguida à crise.
No terreno sentimental, outra carta surge como importante documento histórico: a Carta à Bem-Amada Imortal. Beethoven nunca se casou, e sua vida
amorosa foi uma coleção de insucessos e de sentimentos não-correspondidos. Apenas um amor correspondido foi realizado intensamente, e sabemos
disso exatamente através dessa carta, escrita em 1812. Nela, o compositor se derrama em apaixonadíssimos sentimentos a uma certa "Bem-Amada
Imortal":"Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser! Podes mudar o fato de que és inteiramente minha e eu inteiramente teu? Fica calma, que só
contemplando nossa existência com olhos atentos e tranqüilos podemos atingir nosso objetivo de viver juntos. Continua a me amar, não duvida nunca
do fidelíssimo coração de teu amado L., eternamente teu, eternamente minha, eternamente nossos".
A identidade da "Bem-Amada Imortal" nunca ficou muito clara e suscitou grande enigma entre os biógrafos de Beethoven. Maynard Solomon, em
1977, após inúmeros estudos, concluiu que ela seria Antonie von Birckenstock, casada com um banqueiro de Frankfurt - seria, portanto, um amor
realizado, mas ao mesmo tempo impossível, bem beethoveniano. Ludwig permaneceria solteiro.
Em 1815, seu irmão Karl morreria, deixando um filho de oito anos para ele e a mãe cuidarem. Porém Beethoven nunca aprovou a conduta da mãe
dessa criança - também Karl - e lutou na justiça para ser seu único tutor. Foram meses de um desgastante processo judicial que acabou com o ganho de
causa dado ao compositor. Agora Beethoven teria que cuidar de uma criança, ele que sempre fora desajeitado com a vida doméstica.
Nos anos seguintes, Beethoven entraria em grande depressão, da qual só sairia em 1819, e de forma exultante. A década seguinte seria um período de
supremas obras-primas: as últimas sonatas para piano, as Variações Diabelli, a Missa Solene, a Nona Sinfonia e, principalmente, os últimos quartetos
de cordas.Foi nessa atividade, cheio de planos para o futuro (uma décima sinfonia) que ficou gravemente doente - pneumonia, além de cirrose e
infecção intestinal. No dia 26 de março de 1827, morreria Ludwig van Beethoven - segundo a lenda, levantando o punho em um último combate contra
o destino.
Sua obra:
Beethoven é reconhecido como o grande elemento de transição entre o Classicismo e o Romantismo. De fato, ele foi um dos primeiros compositores a
dar papel fundamental ao elemento subjetivo na música. "Saída do coração, que chegue ao coração", disse a respeito de uma de suas obras. Toda obra
beethoveniana é fruto de sua personalidade sonhadora e melancólica, um tanto épica, verdadeiramente romântica.
Disponível em: http://geniosmundiais.blogspot.com.br/2006/01/biografia-de-ludwig-van-beethoven.html, em 25 de julho de 2014.
VÍDEO PARA APRECIAÇÃO: (O ARQUIVO FOI ENVIADO POR E-MAIL).
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=PGoau28tSWU, em 25 de julho de 2014.
QUARTA-FEIRA - 30/07 - TURNO VESPERTINO:
• LEITURA DELEITE: “Bicho solto” – Sérgio Capparelli
REFERÊNCIA: CAPPARELLI, Sérgio. 111 poemas para crianças. Ilustrações de Ana Gruszynski. 18 ed. Porto Alegre: L&PM, 2012.
• CONHECENDO O AUTOR:
Capparelli, Sérgio
BIOGRAFIA:
Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1970) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Université de Paris II
(1980). Pós-doutorado pela Université de Grenoble (1987-1988) e pela Université de Paris VI (2001-2002). Professor aposentado do Programa de Pós-
graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde 2005. Escritor, com mais de 30 livros publicados, especialmente
para o público infantil e juvenil. Ganhou quatro vezes o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, três vezes de literatura e uma vez de ensaio em
Ciências Humanas – Televisão. Desde 2005 trabalha em Beijing, China, numa agência de notícias. Tem ensaios publicados no Brasil e no exterior, na
área de Comunicação e de Literatura. Nos últimos dois anos, publicou as seguintes livros: TV, Família e Identidade: Porto Alegre fim de século, em
co-autoria com Nilda Jacks, Editora PUCRS, Porto Alegre, 2006; O Congo vem aí, Ed. Global, São Paulo, 2006; e traduziu do chinês, junto com
Márcia Schmaltz, 50 Fábulas da China Fabulosa, LPM, Porto Alegre, 2007.
http://www.capparelli.com.br/, em 25 de julho de 2014
TEXTO PARA A APRECIAÇÃO: (LIVROS A SEREM DISPONIBILIZADOS POR FÁTIMA – NEI)
BICHO SOLTO
Sou bicho solto
Dentro de mim.
De meu nome
Nem eu sei
Marcas de dentes
De lutas recentes
E tenho motivos
Sou bicho solto
Na jaula de mim.
CAPPARELLI, Sérgio. 111 poemas para crianças. Ilustrações de Ana Gruszynski. 18 ed. Porto Alegre: L&PM, 2012.
QUINTA-FEIRA - 31/07 - TURNO MATUTINO:
• LEITURA DELEITE: Música “Como dizia o poeta” – Toquinho e Vinícius de Moraes
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=T1Gu1yS2_QU, em 26 de julho de 2014.
• CONHECENDO OS AUTORES:
“Toquinho” – Antonio Pecci Filho (1946)
BIOGRAFIA:
Antonio Pecci Filho nasceu em 6 julho de 1946, na cidade de São Paulo. Apelidado de
“Toquinho” pela mãe, ganhou um apelido que o acompanharia durante toda sua vida
artística. Interessado pelo violão, começou a tomar aulas desde os primeiros anos de sua
adolescência. Aprendiz do violonista Paulinho Nogueira, acumulou conhecimento para o
solo e acompanhamento, depois de buscar outras influências como de Oscar Castro
Neves, Isaias Sávio e Léo Peracchi.
Consolidando admirável experiência técnica, começou a se apresentar em colégios,
faculdades e clubes. No período em que deu os primeiros passos de sua carreira
profissional, não sabia que conviveria com uma safra de grandes cantores, instrumentistas e intérpretes. Entre seus colegas de profissão estavam Elis
Regina, Marcos Valle, Zimbo Trio, Tayguara e Chico Buarque. Em uma época de grande efervescência cultural, Toquinho participou de diversos
espetáculos e peças musicais.
No ano de 1969, fez uma turnê pela Itália em parceria com Chico Buarque. O sucesso de suas apresentações lhe propiciou a gravação do disco “La
Vita, Amico, É L'Arte Dell'Incontro”. Nesta obra revisitou as obras do poeta Vinicius de Moraes, que teve seus poemas musicados e gravados por
artistas italianos como Giuseppe Ungaretti e Sergio Endrigo. A homenagem atraiu a atenção do próprio Vinicius de Moraes, que o convidou para uma
temporada de shows na Argentina ao lado da cantora Maria Creuza.
A partir de então, o dueto Toquinho e Vinicius empreendeu uma extensa parceria que marcou a trajetória da música brasileira. A parceria rendeu discos
e temporadas de shows memoráveis entre os especialistas e críticos de arte da época. No ano de 1979, o show “Dez anos de Toquinho e Vinicius”
celebrou a amizade e intercâmbio musical desses artistas. Ao longo da década de 1980, alcançou notório prestígio musical, tendo sua arte reconhecida
internacionalmente. Nessa mesma década participou do afamado Festival de Montreux.
No ano de 1983, Toquinho passou a explorar uma nova vertente em sua trajetória musical. O disco “Casa dos Brinquedos” inovou esteticamente por
tratar única e exclusivamente do universo infantil. Três anos mais tarde, produziu um disco de 10 faixas que tematizou a Declaração Universal dos
Direitos da Criança. Desde então, as crianças ganharam grande prestígio em seu trabalho musical. Nos últimos anos, Toquinho conseguiu consolidar
uma carreira estável, marcada por diversos projetos de prestígio. Ainda hoje, ele é referência para novos intérpretes e instrumentistas que iniciam sua
carreira musical.
Disponível em: http://www.brasilescola.com/biografia/toquinho.htm, em 26 de julho de 2014.
Moraes, Vinícius de (1913 - 1880)
BIOGRAFIA:
Nasce no dia 19 de outubro de 1913, no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Com o nome de
batismo Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes (apenas aos nove anos registra o Vinicius de
Moraes), é filho da pianista Lydia Cruz de Moraes e de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário
público.Foi um poeta e compositor brasileiro. Uma de suas canções - "Garota de Ipanema", feita em
parceria com Antonio Carlos Jobim, tornou-se um hino da música popular brasileira. Foi também
diplomata e dramaturgo. Desde cedo, já mostrava interesse por poesia. Ingressou no colégio jesuíta,
Santo Inácio, onde fez os estudos secundários. Entrou para o coral da igreja, onde desenvolveu suas
habilidades musicais. Em 1929, iniciou o curso de Direito da Faculdade Nacional do Rio de Janeiro.
Em 1933, ano de sua formatura, publica "O Caminho para a Distância". Não exerceu a advocacia. Trabalhou como censor cinematográfico, até 1938,
quando recebeu uma bolsa de estudos e foi para Londres. Estudou inglês e literatura na Universidade de Oxford. Trabalhou na BBC londrina até 1939.
Várias experiência conjugais marcaram a vida de Vinicius. Casou-se nove vezes e teve cinco filhos. Suas esposas foram, Beatriz Azevedo, Regina
Pederneira, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nellita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues e a última Gilda Matoso.
Em 1943 é aprovado no concurso para Diplomata. Vai para os Estados Unidos, onde assume o posto de vice-cônsul em Los Angeles. Escreve o livro
"Cinco Elegias". Serviu sucessivamente em Paris, em 1953, em Montevidéu, e novamente em Paris, em 1963. Volta para o Brasil em 1964. É
aposentado compulsoriamente em 1968, pelo Ato Institucional Número Cinco.
De volta ao Brasil, dedica-se à poesia e à música popular brasileira. Fez parcerias musicais com Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto,
Francis Hime, Carlos Lyra e Chico Buarque. Entre suas músicas destacam-se: "Garota de Ipanema", "Gente Humilde", "Aquarela", "A Casa",
"Arrastão", "A Rosa de Hiroshima", "Berimbau", "A Tonga da Mironga do Kaburetê", "Canto de Ossanha", "Insensatez", "Eu Sei Que Vou Te Amar"
e "Chega de Saudade".
Compôs a trilha sonora do filme Orfeu Negro, que foi premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e o Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro. Em 1961, compõe Rancho das Flores, baseado no tema Jesus, Alegria dos Homens, de Johann Sebastian Bach. Com Edu Lobo, ganha o
Primeiro Festival Nacional de Música Popular Brasileira, com a música "Arrastão".
A parceria com o músico Toquinho foi considerada a mais produtiva. Rendeu músicas importantes como "Aquarela", "A Casa", "As Cores de Abril",
"Testamento", "Maria Vai com as Outras", "Morena Flor", "A Rosa Desfolhada", "Para Viver Um Grande Amor" e "Regra Três".
É preciso destacar também sua participação em shows e gravações com cantores e compositores importantes como Chico Buarque de Holanda, Elis
Regina, Dorival Caymmi, Maria Creuza, Miúcha e Maria Bethânia. O Álbum Arca de Noé foi lançado em 1980 e teve vários intérpretes, cantando
músicas de cunho infantil. Esse Álbum originou um especial para a televisão.
Suas obras se inclinaram para o romantismo e para os grandes temas sociais do seu tempo. O carro chefe é "A Rosa de Hiroshima". A parábola "O
Operário em Construção" alinha-se entre os maiores poemas de denúncia da literatura nacional: Pensem na crianças/Mudas telepáticas/Pensem nas
mulheres/Rotas alteradas/Pensem nas feridas /Como rosas cálidas.
Marcus Vinícius de Mello Moraes morreu no Rio de Janeiro, no dia 09 de julho de 1980, devido a problemas decorrentes de isquemia cerebral.
Obra de Vinícius de Moraes:
O Caminho Para a Distância, poesia, 1933
Forma e Exegese poesia, 1936
Novos Poemas, poesia, 1938
Poemas, Sonetos e Baladas, poesia, 1946
Pátria Minha, poesia, 1949
Orfeu da Conceição, teatro, em versos, 1954
Livro de Sonetos, poesia, 1956
Pobre Menina Rica, teatro, comédia musicada, 1962
O Mergulhador, poesia, 1965
Cordélia e O Peregrino, tearo, em versos, 1965
A Arca de Noé, poesia, 1970
Chacina de Barros Filho, teatro, drama
O Dever e o Haver
Para Uma Menina com uma Flor, poesia
Para Viver um Grande Amor, poesia
Ariana, a Mulher, poesia
Antologia Poética
Novos Poemas II
Disponível em: http://www.e-biografias.net/vinicius_de_moraes, em 26 de julho de 2014.
(ARQUIVO DA MÚSICA ENVIADO POR E-MAIL)
LETRA PARA A APRECIAÇÃO:
Como Dizia O Poeta
Compositor: Vinicius de Moraes / Toquinho
Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não
Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão
Disponível em: http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/49266/, em 26 de julho de 2014.
QUINTA-FEIRA - 31/07 - TURNO VESPERTINO:
• LEITURA DELEITE: Conto africano “A encantadora canção do pássaro mágico” – Seleção - Nelson Mandela
REFERÊNCIA: MANDELA, Nelson. Meus contos africanos. Tradução Luciana Garcia. São Paulo: Martins Fontes, 2009
• CONHECENDO O AUTOR:
Mandela, Nelson (1918 – 2013)
BIOGRAFIA:
Nelson Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Seu
nome verdadeiro é Rolihlahla Madiba Mandela. Principal representante do movimento antiapartheid,
foi considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade. Era tido pelo governo sul-africano como
um terrorista e passou quase três décadas na cadeia.
De etnia Xhosa, Mandela nasceu num pequeno vilarejo na região do Transkei. Aos sete anos, tornou-se o
primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Seu pai
morreu logo depois e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente.
Em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort. Lá, começou o curso para se tornar bacharel em direito
na Universidade de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa amizade.
Como jovem estudante de direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava
aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos
políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo,
entre outros, a Liga Jovem do CNA.
Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em
março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.
Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso, após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar
ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964, foi condenado à prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para
ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo
associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países.
Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois se
casou com Winnie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu
80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.
Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Em 2003,
Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à
campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.
Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra
a AIDS.
A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a presença de
artistas e celebridades engajadas nessa luta. Nelson Mandela faleceu em 2013, aos 95 anos, em sua casa na África do Sul.
Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/nelson-mandela.jhtm, em 26 de julho de 2014.
O TEXTO NÃO ESTÁ DISPONÍVEL NA INTERNET NA ÍNTEGRA. A LEITURA SERÁ FEITA A PARTIR DOS LIVROS, QUE SERÃO DISPONIBILZADOS POR
NEYSE E FÁTIMA – NEI. NA SEGUNDA, DIGITALIZO O TEXTO PARA APRECIAREM ANTECIPADAMENTE, POIS PRECISEI EMPRESTAR O LIVRO A UMA
CRIANÇA DA SALA.
A encantadora canção do pássaro mágico
(Conto selecionado por Nelson Mandela)
SEXTA-FEIRA - 01/08 - TURNO MATUTINO:
• LEITURA DELEITE:
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/folhas-secas-634210.shtml, em 26 de julho de 2014.
• CONHECENDO O AUTOR:
Marques, Francisco
BIOGRAFIA:
Francisco Marques, o Chico dos Bonecos, como é conhecido, é poeta, contista, educador de arte e
trabalha há mais de vinte anos com a cultura popular. Formado em Letras pela UFMG, o autor viaja
pelo Brasil, contando histórias, lendas, brincadeiras e fábulas enraizadas na nossa tradição. Em seus
livros, encanta leitores de todas as idades com as brincadeiras feitas por meio da versatilidade das
palavras. "A minha origem é a poesia. “O que eu sou, mesmo, é poeta! Mas a poesia é muito
exigente, muito crítica, autocrítica, detalhista, muito concisa, muito essencial. Para tomar novos
ares, escrevo também contos -- mas o poeta está sempre ali, ó, de butuca, vigiando. Por isso, para
mim, a maneira de escrever a história é sempre mais importante do que o desenrolar dos
acontecimentos. É claro que a tecelagem da história tem a obrigação de ser, no mínimo, interessante
-- mas o que interessa mesmo é a tecelagem das palavras", conta Chico. E em outra declaração:
"Desenrolar o enredo e enredar as palavras são as duas páginas da mesma folha. O ouvinte não se
envolve apenas com o rumo dos acontecimentos, mas também com o rumor das palavras", acredita.
Obras do autor:
A biblioteca dos bichos;
A história das coisas;
Ilê aiê – um diário imaginário.
Disponível em: http://www.editorasaraiva.com.br/autor/chico-dos-bonecos/, em 26 de julho de 2014.
TEXTO PARA A APRECIAÇÃO: FOLHAS SECAS
(Autor: Francisco Marques – “Chico dos Bonecos”, ilustrado por Ivan Zigg)
Eu estava dando uma aula de Matemática e todos os alunos acompanhavam atentamente. Todos? Quase. Carolina equilibrava o apontador na ponta da régua, Lucas
recolhia as borrachas dos vizinhos e construía um prédio, Renata conferia as canetas e os lápis do seu estojo vermelhíssimo e Hélder olhava para o pátio.O pátio? O
que acontecia no pátio?Após o recreio, dona Natália varria calmamente as folhas secas e amontoava e guardava tudo dentro de um enorme saco plástico azul.
Terminando o varre-varre, dona Natália amarrou a boca do saco plástico e estacionou aquele
bafuá de folhas secas perto do portão. Hélder observava atentamente. E eu observava a
observação de Hélder - sem descuidar da minha aula de Matemática. De repente, Hélder foi
arregalando os olhos e franzindo a testa.
Qual o motivo do espanto? Hélder percebeu alguma coisa no meio das folhas movendo-se
deseperadamente, com aflição, sufoco, falta de ar. Hélder buscava interpretações para a
cena, analisava possibilidades, mas o perfil do passarinho já se delineava na transparência
azul do plástico.
Um pássaro novo caiu do ninho e foi confundido com as folhas secas e foi varrido e agora lutava pela liberdade.
- Ele tá preso!
O grito de Hélder interrompeu o final da multiplicação de 15 por 127. Todos os alunos olharam para o pátio. E todos nós concordamos, sem palavras: o bico do
passarinho tentava romper aquela estranha pele azul. Hélder saiu da sala e nós fomos atrás. E antes
que eu pudesse pronunciar a primeira sílaba da palavra "calma", o saco plástico simplesmente explodiu, as folhas voaram e as crianças pularam de alegria.
Alguns alunos dizem que havia dois passarinhos presos. Outros viram três passarinhos voando felizes e agradecidos. Lucas diz que era um beija-flor. Renata insiste
que era uma cigarra. Eu, sinceramente, só vi folhas secas voando.
Para concluir esta inesquecível aula de Matemática, pegamos vassouras, pás e sacos plásticos e fomos varrer novamente o pátio.
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/folhas-secas-634210.shtml, em 26 de julho de 2014.
SEXTA-FEIRA - 01/08 - TURNO VESPERTINO:
• LEITURA DELEITE: Vídeo: “A menina que odiava livros” (Baseado no livro de Manjusha Pawagi, publicado na Austrália e França).
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=geQl2cZxR7Q, em 26 de julho de 2014.
• CONHECENDO A AUTORA:
Manjusha Pawagi
BIOGRAFIA:
Manjusha Pawagi, natural da India, cresceu em Toronto, no Canadá. Quando
criança, cumpria a meta de ler, pelo menos, um livro por dia: tarefa fácil, já que
morava em uma casa cheia de livros, com os seus pais que amavam a leitura.
Baseada em sua trajetória, escreveu o livro “A menina que odiava livros”,
selecionado pela Canadian Children’s Book Centre, publicado na França e na
Austrália, traduzido para 11 línguas, e inspirador do filme de desenhos animados,
criado pela "National Film Board", do Canadá.
"Eu nunca esperava que o livro tivesse tanto sucesso, fosse vendido em todo o
mundo e impresso em tantas línguas", diz a autora, advogada de 34 anos, da
Sociedade para Ajuda a Crianças de Toronto. “Passei quatro meses para escrever,
testando e aperfeiçoando o texto.
Falando sobre o seu trabalho como advogada, eu trabalho para proteger as crianças
e garantir que elas estejam em um ambiente seguro".
Após a obtenção de um diploma de bacharel em Inglês pela Universidade de
Western Ontario, a aspirante escritora, realizou um mestrado em jornalismo pela
Universidade de Stanford. Atualmente, reside em Toronto, onde dedica-se a um
programa de rádio chamado Talking Books, expressando opiniões sobre livros infantis.
Disponível em: http://altoeira.blogspot.com.br/2008/11/manjusha-pawagi-autora-do-livro-menina.html, em 26 de julho de 2014.
VÍDEO PARA A APRECIAÇÃO:
O VÍDEO FOI ENVIADO VIA E-MAIL.
A MENINA QUE ODIAVA LIVROS
(Baseado no livro de Manjusha Pawagi)

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Cronograma, biografias e referências das leituras deleite

  • 1. PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA EQUIPE PEDAGÓGICA RN 3º ENCONTRO (32h) CRONOGRAMA DE APRECIAÇÃO DAS LEITURAS DELEITE TERÇA-FEIRA - 29/07 - TURNO MATUTINO: • LEITURA DELEITE: “Cartas de amor – Rubem Alves” Disponível em: http://www.rubemalves.com.br/site/10mais_02.php, em 25 de julho de 2014. • CONHECENDO O AUTOR: Alves, Rubem (1933 - 2014) BIOGRAFIA: Rubem Azevedo Alves (Boa Esperança MG 1933 - Campinas SP 2014). Contista, cronista, ensaísta, poeta, pedagogo, filósofo, teólogo e psicanalista. Filho de Herodiano Alves do Espírito Santo e Carmen Sílvia de Azevedo Alves, ambos de orientação protestante. Em 1945, muda-se com a família para o Rio de Janeiro. Aos 20 anos, ingressa no Seminário Presbiteriano de Campinas, no interior de São Paulo, onde, por intermédio do teólogo Richard Shaull (1929 - 1999), se aproxima da Teologia da Libertação. Formado em teologia em 1957, vai morar em Lavras, Minas Gerais, e trabalha como professor de teologia no Instituto Gammon, escola de diretriz protestante. Em 1963, muda-se para Nova York, inicia o mestrado no Union Theological Seminary, e no mesmo período colabora no jornal Brasil Presbiteriano. No ano de 1964, no Brasil, perseguido pelo regime militar e denunciado pela Igreja Presbiteriana, vai novamente para os Estados Unidos, e, em 1968, conclui o doutorado na United Presbyterian Church, em Nova Jersey, defendendo a tese Toward a Theology of Libertation, marco teórico da Teologia da Libertação. Regressa ao Brasil em 1969 e começa a ministrar aulas de filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, São Paulo. Um ano mais tarde, afirma a opção pela Teologia da Libertação e anuncia seu rompimento com a Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB. Integra, em 1973, o corpo docente da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, e dá aulas na Faculdade de Educação e no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Conclui o curso de psicanálise na Associação Brasileira
  • 2. de Psicanálise de São Paulo, em 1980, e passa a colaborar na revista Tempo e Tendência. Publica duas obras no campo da pedagogia: Conversas com Quem Gosta de Ensinar, em 1982, e Estórias de Quem Gosta de Ensinar, em 1984. Desde 1982, assina artigos semanais para o jornal Folha de S.Paulo. Recebe o título de professor emérito do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp em 1995. Em 19 de julho de 2014, aos 80 anos, falece, em Campinas – SP, por falência múltipla de órgãos, provocada após um quadro de pneumonia. Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=4951, em 25 de julho de 2014. TEXTO PARA APRECIAÇÃO: CARTAS DE AMOR (Rubem Alves) Leio e releio o poema de Álvaro de Campos. Oscilo. Não sei se devo acreditar ou duvidar. Se acredito, duvido. Duvido porque acredito. Pois foi ele mesmo quem disse – ou melhor, o seu outro, o Fernando Pessoa – que ele era um fingidor. "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas..." Tenho, no meu escritório, a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço, Mulher lendo uma carta, de Johannes Vermeer (1632-1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz da janela. Seus olhos lêem o que está escrito naquela folha de papel que suas mãos seguram... a boca, ligeiramente entreaberta, quase num sorriso. De tão absorta, ela nem se dá conta da cadeira, ao seu lado. Lê de pé. Penso ser capaz de reconstituir os momentos que antecedem este que o pintor fixou. Pancadas na porta interromperam as rotinas domésticas que a ocupavam. Ela vai abrir e lá estava o carteiro, com uma carta na mão. Pela simples leitura do seu nome, no envelope, ela identifica o remetente. Ela toma a carta e, com este gesto, toca uma mão muito distante. Para isto se escrevem as cartas de amor. Não para dar notícias, não para contar nada, não para repetir as coisas por demais sabidas, mas para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel. Barthes cita estas palavras de Goethe: Por que me vejo novamente compelido a escrever? Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente, porque, na verdade, nada tenho para te dizer. Entretanto tuas mãos queridas receberão este papel... Volto ao Álvaro de Campos. Será esta a razão do ridículo das cartas de amor – o descompasso entre o que elas dizem e aquilo que elas realmente querem fazer? Pois o propósito explícito de uma carta é dar notícias, e é por isto que elas são feitas de palavras. Mas o que elas realmente desejam realizar está sempre antes e depois da palavra escrita: elas querem realizar aquilo que a separação proíbe: o abraço. Quem quer que tente entender uma carta de amor pela análise da escritura estará sempre fora de lugar, pois o que ela contém é o que não está ali, o que está ausente. Qualquer carta de amor, não importa o que se encontre nela escrito, só fala do desejo, a dor da ausência, a nostalgia pelo reencontro. Aquela carta fez tudo parar. A mulher fecha a porta e caminha pela casa sem nada ver, buscando uma coisa apenas, a luz, o lugar onde as palavras
  • 3. ficarão luminosas. Que lhe importa a cadeira? Esqueceu-se de que está grávida. Seus olhos caminham pelas palavras que saíram das mesmas mãos que a abraçaram. Seu corpo está suspenso naquele momento mágico de carinho impossível que aquele pequeno pedaço de papel abriu no tempo do seu cotidiano. Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões. A mulher está só. Se há outras pessoas na casa, ela as deixou. Bem pode ser que as coisas que estão nela escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas, para que a carta seja de amor, ela tem de ser lida em solidão. Como se o amante estivesse dizendo: "Escrevo para que você fique sozinha...". É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade. Pois foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é o objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono. Olho para o céu. Vejo a Alfa Centauro. Os astrônomos me dizem que a estrela que agora vejo é a estrela que foi, há dois anos. Pois foi este o tempo que sua luz levou para chegar até os meus olhos. O que eu vejo é o que não mais existe. E será inútil que eu me pergunte: "Como será ela agora? Existirá ainda?". Respostas a estas perguntas eu só vou conseguir daqui a dois anos, quando a sua luz chegar até mim. A sua luz está sempre atrasada. Vejo sempre aquilo que já foi... Nisto as cartas se parecem com as estrelas. A carta que a mulher tem nas mãos, que marca o seu momento de solidão, pertence a um momento que não existe mais. Ela nada diz sobre o presente do amante distante. Daí a sua dor. O amante que escreve alonga os seus braços para um momento que ainda não existe. A amante que lê alonga os seus braços para um momento que não mais existe. A carta de amor é um abraçar do vazio... “Ainda bem que o telefone existe", retrucarão os namorados modernos, que não mais têm de viver o amor no espaço das ausências. Engano. Um telefonema não é uma carta falada. Pois lhe falta o essencial: o silêncio da solidão, a calma da caneta pousada sobre a mesa que espera e escolhe pensamentos e palavras. O telefone põe a solidão a perder. Num telefonema a gente nunca diz aquilo que se diria numa carta. Por exemplo: "Eu ia andando pela rua quando, de repente, vi um ipê-rosa florido que me fez lembrar aquela vez...". Ou: "Relendo os poemas de Neruda encontrei este que, imagino, você gostará de ler...". A diferença entre a carta e o telefone é simples. O telefone é impositivo. A conversa tem de acontecer naquele momento. Falta-lhe o ingrediente essencial da palavra que é dita sem esperar resposta. E, uma vez terminado, os dois amantes estão de mãos vazias. Mas a mulher tem nas mãos uma carta. A carta é um objeto. Se não tivesse podido recolher-se à sua solidão, ela poderia tê-la guardado no bolso, na deliciosa espera do momento oportuno. O telefonema não pode esperar. A carta é paciente. Guarda as suas palavras. E, depois de lida, poderá ser relida. Ou simplesmente acariciada. Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é mais que uma mensagem. Mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento: presença sensível de uma felicidade invisível... Estes pensamentos me vieram depois de ler as cartas de um jovem cientista, Albert Einstein, à sua amada, Mileva Maric'. Foram elas que me fizeram ir ao poema do Álvaro de Campos: ridículas. Todas as cartas de amor são ridículas. Acho que os editores pensaram o mesmo. E como desculpa para o seu gesto indiscreto de tornar público o ridículo que era segredo de dois amantes, escreveram uma longa e erudita introdução que transformou as ridículas cartas de amor em documentos da história da ciência. Valem porque, misturadas ao ridículo de que os amantes se alimentam, se encontram
  • 4. pistas que dão aos historiadores as chaves para a compreensão das "fontes do desenvolvimento emocional e intelectual dos correspondentes". Não sabendo o que fazer com o amor (ridículo), colocaram-nas na arqueologia da ciência. Foi então que o quadro de Vermeer me fez ver a cena que as cartas escondem. E a mulher com a carta na mão e uma criança na barriga? Ela bem que poderia ser Mileva, grávida de uma filha ilegítima, que foi dada para adoção, e sobre quem nada se sabe. A criança foi dada. Mas as cartas foram guardadas. E que razões poderia ter uma pessoa para guardar cartas ridículas? O seu rosto absorto e os lábios entreabertos nos dão a resposta: para aqueles que amam as ridículas cartas de amor são sempre sublimes. Volto ao poema do Álvaro de Campos e encontro lá o que faltava para fechar a cena: "Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor são ridículas". http://www.rubemalves.com.br/site/10mais_02.php, em 25 de julho de 2014. TERÇA-FEIRA - 29/07 - TURNO VESPERTINO: • LEITURA DELEITE: “As Meninas” – Cecília Meireles • REFERÊNCIA: MEIRELES, Cecília. Ou isto ou aquilo. Organização Walmir Ayala; ilustrações Odilon Moraes. 7ed. São Paulo: Global, 2012. • CONHECENDO O AUTOR: Meireles, Cecília (1901 - 1964) BIOGRAFIA: Cecília Meireles (1901-1964) foi poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Foi a primeira voz feminina, de grande expressão na Literatura Brasileira, com mais de 50 obras publicadas. Com 18 anos, estreia na Literatura com o livro "Espectros". Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico,
  • 5. conservador e anti modernista. Dessa vinculação, herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência. A maioria de suas obras expressa estados de ânimo, predominando os sentimentos de perda amorosa e solidão. Uma das marcas do lirismo de Cecília Meireles é a musicalidade de seus versos. Alguns poemas como "Canteiros" e "Motivo" foram musicados pelo cantor Fagner. Em 1939 publicou "Viagem" livro que lhe deu o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras. Cecília Meireles (1901-1964) nasceu, no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, aos três anos de idade, passa a ser criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides. Fez o curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu das mãos de Olavo Bilac a medalha do ouro por ter feito o curso com louvor e distinção. Formou-se professora pelo Instituto de Educação em 1917. Passa a exercer o magistério em escolas oficiais do Rio de Janeiro. Estreia na Literatura com o livro "Espectros" em 1919, com 17 sonetos de temas históricos. Em 1922 casa-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas. Viúva, casa-se pela segunda vez com o engenheiro Heitor Vinícius da Silva Grilo, falecido em 1972. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro. Cecília Meireles lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em 1940. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura Educação e Folclore. Cecília Benevides de Carvalho Meireles morre, no Rio de Janeiro, no dia 9 de novembro de 1964. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Cecília Meireles é homenageada pelo Banco Central, em 1989, com sua efígie na cédula de cem cruzados novos. Obras de Cecília Meireles:
  • 6. Espectros, poesia, 1919 Nunca Mais... e Poema dos Poemas, 1923 Baladas Para El-Rei, poesia, 1925 Viagem, poesia 1939 Vaga Música, poesia, 1942 Mar Absoluto, poesia, 1945 Evocação Lírica de Lisboa, prosa, 1948 Retrato Natural, poesia, 1949 Amor em Leonoreta, poesia, 1952 Doze Noturnos de Holanda e o Aeronauta, poesia, 1952 Romanceiro da Inconfidência, poesia, 1953 Pequeno Oratório de Santa Clara, poesia, 1955 Pístóia, Cemitério Militar Brasileiro, poesia, 1955 Canção, poesia, 1956 Romance de Santa Cecília, poesia, 1957 A Rosa, poesia, 1957 Eternidade em Israel, prosa, 1959 Metal Rosicler, poesia, 1960 Antologia Poética, poesia, 1963 Ou Isto Ou Aquilo, poesia, 1965 Escolha o Seu Sonho, crônica, 1964 Crônica Trovoada da Cidade de San Sebastiam, poesia, 1965 Inéditos, crônica, 1968 Disponível em: http://www.e-biografias.net/cecilia_meireles/, em 25 de julho de 2014.
  • 7. , TEXTO PARA APRECIAÇÃO: (LIVROS A SEREM DISPONIBILIZADOS POR FÁTIMA – NEI) AS MENINAS (Cecília Meireles) Arabela abria a janela. Carolina erguia a cortina. E Maria olhava e sorria: "Bom dia!" Arabela foi sempre a mais bela. Carolina a mais sábia menina. E Maria Apenas sorria: "Bom dia!"
  • 8. Pensaremos em cada menina que vivia naquela janela; uma que se chamava Arabela, outra que se chamou Carolina. Mas a nossa profunda saudade é Maria, Maria, Maria, que dizia com voz de amizade: "Bom dia!” MEIRELES, Cecília. Ou isto ou aquilo. Organização Walmir Ayala; ilustrações Odilon Moraes. 7ed. São Paulo: Global, 2012. QUARTA-FEIRA - 30/07 - TURNO MATUTINO: • LEITURA DELEITE: “A aprendizagem significativa: O segredo de Beethoven” Disponível em: http://geniosmundiais.blogspot.com.br/2006/01/biografia-de-ludwig-van-beethoven.html, em 25 de julho de 2014. • CONHECENDO O AUTOR: Beethoven, Ludwig van (1770 - 1827) BIOGRAFIA: Ludwig van Beethoven nasceu em 16 de dezembro de 1770, em Bonn, Alemanha. Mas sua ascendência era holandesa: o nome de sua família é derivado do nome de uma aldeia na Holanda, Bettenhoven (canteiro de rabanetes), e tem a partícula van, muito comum em nomes holandeses. O avô do compositor, também Ludwig van Beethoven, contudo, era originário da Bélgica, e a família estava há poucas décadas na Alemanha.
  • 9. Vovô van Beethoven era músico. Trabalhava como Kappelmeister (diretor de música da corte) do eleitor de Colônia e era um artista respeitado. Seu filho, Johann, que viria a ser o pai de Ludwig, menos talentoso, o seguiu na carreira, mas sem igual êxito. Depois da morte do pai, entregou-se ao alcoolismo, o que traria muitos problemas emocionais ao filho famoso. Johann percebeu que o pequeno Ludwig (que fora batizado assim em homenagem ao avô) tinha talento incomum para música e tratou de encaminhá-lo à carreira de músico do eleitor. Mas o fez de forma desastrosa. Obrigava o filho a estudar música horas e horas por dia, e não raro o batia. A educação musical de Beethoven tinha aspectos de verdadeira tortura. Desde os treze anos Ludwig ajudou no sustento da casa, já que o pai afundava-se cada vez mais na bebida. Trabalhava como organista, cravista ensaiador do teatro, músico de orquestra e professor, e assim precocemente assumiu a chefia da família. Era um adolescente introspectivo, tímido e melancólico, freqüentemente imerso em devaneios e "distrações", como seus amigos testemunharam. Em 1784, Beethoven conheceu um jovem conde, de nome Waldstein, e tornou-se amigo dele. O conde notou o talento do compositor e o enviou para Viena, para que se tornasse aluno de Mozart. Mas tudo leva a crer que Mozart não lhe deu muita atenção, embora reconhecendo seu gênio, e a tentativa de Waldstein não logrou êxito - Beethoven voltou em duas semanas para Bonn. Em Bonn, começou a fazer cursos de literatura - até para compensar sua falta de estudo geral, já que saíra da escola com apenas 11 anos - e lá teve seus primeiros contatos com as fervilhantes ideias da Revolução Francesa, que ocorria, com “Iluminismo” e com a “Tempestade e Ímpeto”, correntes não menos fervilhantes da literatura alemã, de Goethe e Schiller. Esses ideais tornariam fundamentais na arte de Beethoven. Apenas em 1792 que Beethoven haveria de partir definitivamente para Viena. Novamente por intermédio do conde Waldstein, dessa vez Ludwig havia sido aceito como aluno de Haydn - ou melhor, "papai Haydn", como o novo pupilo o chamava. A aprendizagem com o velho mestre não foi tão frutífera quanto se esperava. Haydn era afetuoso, mas um tanto descuidado, e Beethoven logo tratou de arranjar aulas com outros professores, para complementar seu estudo. Seus primeiros anos vienenses foram tranqüilos, com a publicação de seu opus 1, uma coleção de três trios, e a convivência com a sociedade vienense, que lhe fora facilitada pela recomendação de Waldstein. Era um pianista virtuoso, de sucesso nos meios aristocráticos, e soube cultivar admiradores. Apesar disso, ainda acreditava nos ideais revolucionários franceses.
  • 10. Então surgiram os primeiros sintomas da grande tragédia beethoveniana - a surdez. Em 1796, na volta de uma turnê, começou a queixar-se, e foi diagnosticada uma congestão dos centros auditivos internos. Tratou-se com médicos e melhorou sua higiene, a fim de recuperar a boa audição que sempre teve, e escondeu o problema de todos o máximo que pôde. Só dez anos depois, em 1806, que revelou o problema, em uma frase anotada nos esboços do Quarteto no. 9: "Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!". Antes disso, em 1802, Beethoven escreveu o que seria o seu documento mais famoso: o Testamento de Heiligenstadt. Trata-se de uma carta, originalmente destinada aos dois irmãos, mas que nunca foi enviada, na qual reflete, desesperado, sobre a tragédia da surdez e sua arte. Ele estava, por recomendação médica, descansando na aldeia de Heiligenstadt, perto de Viena, e teve sua crise mais profunda, quando cogitou seriamente o suicídio. Era um pensamento forte e recorrente. O que o fez mudar de ideia? "Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim!", escreveu na carta. O resultado é o nascimento do nosso Beethoven, o músico que doou toda sua obra à humanidade. "Divindade, tu vês do alto o fundo de mim mesmo, sabes que o amor pela humanidade e o desejo de fazer o bem habitam-me", continua o Testamento. Para Beethoven, sua música era uma verdadeira missão. A Sinfonia no. 3, Eroica, sua primeira obra monumental, surge em seguida à crise. No terreno sentimental, outra carta surge como importante documento histórico: a Carta à Bem-Amada Imortal. Beethoven nunca se casou, e sua vida amorosa foi uma coleção de insucessos e de sentimentos não-correspondidos. Apenas um amor correspondido foi realizado intensamente, e sabemos disso exatamente através dessa carta, escrita em 1812. Nela, o compositor se derrama em apaixonadíssimos sentimentos a uma certa "Bem-Amada Imortal":"Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser! Podes mudar o fato de que és inteiramente minha e eu inteiramente teu? Fica calma, que só contemplando nossa existência com olhos atentos e tranqüilos podemos atingir nosso objetivo de viver juntos. Continua a me amar, não duvida nunca do fidelíssimo coração de teu amado L., eternamente teu, eternamente minha, eternamente nossos". A identidade da "Bem-Amada Imortal" nunca ficou muito clara e suscitou grande enigma entre os biógrafos de Beethoven. Maynard Solomon, em 1977, após inúmeros estudos, concluiu que ela seria Antonie von Birckenstock, casada com um banqueiro de Frankfurt - seria, portanto, um amor realizado, mas ao mesmo tempo impossível, bem beethoveniano. Ludwig permaneceria solteiro. Em 1815, seu irmão Karl morreria, deixando um filho de oito anos para ele e a mãe cuidarem. Porém Beethoven nunca aprovou a conduta da mãe dessa criança - também Karl - e lutou na justiça para ser seu único tutor. Foram meses de um desgastante processo judicial que acabou com o ganho de causa dado ao compositor. Agora Beethoven teria que cuidar de uma criança, ele que sempre fora desajeitado com a vida doméstica. Nos anos seguintes, Beethoven entraria em grande depressão, da qual só sairia em 1819, e de forma exultante. A década seguinte seria um período de supremas obras-primas: as últimas sonatas para piano, as Variações Diabelli, a Missa Solene, a Nona Sinfonia e, principalmente, os últimos quartetos de cordas.Foi nessa atividade, cheio de planos para o futuro (uma décima sinfonia) que ficou gravemente doente - pneumonia, além de cirrose e
  • 11. infecção intestinal. No dia 26 de março de 1827, morreria Ludwig van Beethoven - segundo a lenda, levantando o punho em um último combate contra o destino. Sua obra: Beethoven é reconhecido como o grande elemento de transição entre o Classicismo e o Romantismo. De fato, ele foi um dos primeiros compositores a dar papel fundamental ao elemento subjetivo na música. "Saída do coração, que chegue ao coração", disse a respeito de uma de suas obras. Toda obra beethoveniana é fruto de sua personalidade sonhadora e melancólica, um tanto épica, verdadeiramente romântica. Disponível em: http://geniosmundiais.blogspot.com.br/2006/01/biografia-de-ludwig-van-beethoven.html, em 25 de julho de 2014. VÍDEO PARA APRECIAÇÃO: (O ARQUIVO FOI ENVIADO POR E-MAIL). Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=PGoau28tSWU, em 25 de julho de 2014. QUARTA-FEIRA - 30/07 - TURNO VESPERTINO: • LEITURA DELEITE: “Bicho solto” – Sérgio Capparelli REFERÊNCIA: CAPPARELLI, Sérgio. 111 poemas para crianças. Ilustrações de Ana Gruszynski. 18 ed. Porto Alegre: L&PM, 2012. • CONHECENDO O AUTOR: Capparelli, Sérgio
  • 12. BIOGRAFIA: Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1970) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Université de Paris II (1980). Pós-doutorado pela Université de Grenoble (1987-1988) e pela Université de Paris VI (2001-2002). Professor aposentado do Programa de Pós- graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde 2005. Escritor, com mais de 30 livros publicados, especialmente para o público infantil e juvenil. Ganhou quatro vezes o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, três vezes de literatura e uma vez de ensaio em Ciências Humanas – Televisão. Desde 2005 trabalha em Beijing, China, numa agência de notícias. Tem ensaios publicados no Brasil e no exterior, na área de Comunicação e de Literatura. Nos últimos dois anos, publicou as seguintes livros: TV, Família e Identidade: Porto Alegre fim de século, em co-autoria com Nilda Jacks, Editora PUCRS, Porto Alegre, 2006; O Congo vem aí, Ed. Global, São Paulo, 2006; e traduziu do chinês, junto com Márcia Schmaltz, 50 Fábulas da China Fabulosa, LPM, Porto Alegre, 2007. http://www.capparelli.com.br/, em 25 de julho de 2014 TEXTO PARA A APRECIAÇÃO: (LIVROS A SEREM DISPONIBILIZADOS POR FÁTIMA – NEI) BICHO SOLTO Sou bicho solto Dentro de mim. De meu nome Nem eu sei Marcas de dentes De lutas recentes
  • 13. E tenho motivos Sou bicho solto Na jaula de mim. CAPPARELLI, Sérgio. 111 poemas para crianças. Ilustrações de Ana Gruszynski. 18 ed. Porto Alegre: L&PM, 2012. QUINTA-FEIRA - 31/07 - TURNO MATUTINO: • LEITURA DELEITE: Música “Como dizia o poeta” – Toquinho e Vinícius de Moraes Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=T1Gu1yS2_QU, em 26 de julho de 2014. • CONHECENDO OS AUTORES: “Toquinho” – Antonio Pecci Filho (1946) BIOGRAFIA: Antonio Pecci Filho nasceu em 6 julho de 1946, na cidade de São Paulo. Apelidado de “Toquinho” pela mãe, ganhou um apelido que o acompanharia durante toda sua vida artística. Interessado pelo violão, começou a tomar aulas desde os primeiros anos de sua adolescência. Aprendiz do violonista Paulinho Nogueira, acumulou conhecimento para o solo e acompanhamento, depois de buscar outras influências como de Oscar Castro Neves, Isaias Sávio e Léo Peracchi. Consolidando admirável experiência técnica, começou a se apresentar em colégios, faculdades e clubes. No período em que deu os primeiros passos de sua carreira
  • 14. profissional, não sabia que conviveria com uma safra de grandes cantores, instrumentistas e intérpretes. Entre seus colegas de profissão estavam Elis Regina, Marcos Valle, Zimbo Trio, Tayguara e Chico Buarque. Em uma época de grande efervescência cultural, Toquinho participou de diversos espetáculos e peças musicais. No ano de 1969, fez uma turnê pela Itália em parceria com Chico Buarque. O sucesso de suas apresentações lhe propiciou a gravação do disco “La Vita, Amico, É L'Arte Dell'Incontro”. Nesta obra revisitou as obras do poeta Vinicius de Moraes, que teve seus poemas musicados e gravados por artistas italianos como Giuseppe Ungaretti e Sergio Endrigo. A homenagem atraiu a atenção do próprio Vinicius de Moraes, que o convidou para uma temporada de shows na Argentina ao lado da cantora Maria Creuza. A partir de então, o dueto Toquinho e Vinicius empreendeu uma extensa parceria que marcou a trajetória da música brasileira. A parceria rendeu discos e temporadas de shows memoráveis entre os especialistas e críticos de arte da época. No ano de 1979, o show “Dez anos de Toquinho e Vinicius” celebrou a amizade e intercâmbio musical desses artistas. Ao longo da década de 1980, alcançou notório prestígio musical, tendo sua arte reconhecida internacionalmente. Nessa mesma década participou do afamado Festival de Montreux. No ano de 1983, Toquinho passou a explorar uma nova vertente em sua trajetória musical. O disco “Casa dos Brinquedos” inovou esteticamente por tratar única e exclusivamente do universo infantil. Três anos mais tarde, produziu um disco de 10 faixas que tematizou a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Desde então, as crianças ganharam grande prestígio em seu trabalho musical. Nos últimos anos, Toquinho conseguiu consolidar uma carreira estável, marcada por diversos projetos de prestígio. Ainda hoje, ele é referência para novos intérpretes e instrumentistas que iniciam sua carreira musical. Disponível em: http://www.brasilescola.com/biografia/toquinho.htm, em 26 de julho de 2014. Moraes, Vinícius de (1913 - 1880) BIOGRAFIA: Nasce no dia 19 de outubro de 1913, no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Com o nome de batismo Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes (apenas aos nove anos registra o Vinicius de Moraes), é filho da pianista Lydia Cruz de Moraes e de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário público.Foi um poeta e compositor brasileiro. Uma de suas canções - "Garota de Ipanema", feita em parceria com Antonio Carlos Jobim, tornou-se um hino da música popular brasileira. Foi também diplomata e dramaturgo. Desde cedo, já mostrava interesse por poesia. Ingressou no colégio jesuíta, Santo Inácio, onde fez os estudos secundários. Entrou para o coral da igreja, onde desenvolveu suas habilidades musicais. Em 1929, iniciou o curso de Direito da Faculdade Nacional do Rio de Janeiro.
  • 15. Em 1933, ano de sua formatura, publica "O Caminho para a Distância". Não exerceu a advocacia. Trabalhou como censor cinematográfico, até 1938, quando recebeu uma bolsa de estudos e foi para Londres. Estudou inglês e literatura na Universidade de Oxford. Trabalhou na BBC londrina até 1939. Várias experiência conjugais marcaram a vida de Vinicius. Casou-se nove vezes e teve cinco filhos. Suas esposas foram, Beatriz Azevedo, Regina Pederneira, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nellita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues e a última Gilda Matoso. Em 1943 é aprovado no concurso para Diplomata. Vai para os Estados Unidos, onde assume o posto de vice-cônsul em Los Angeles. Escreve o livro "Cinco Elegias". Serviu sucessivamente em Paris, em 1953, em Montevidéu, e novamente em Paris, em 1963. Volta para o Brasil em 1964. É aposentado compulsoriamente em 1968, pelo Ato Institucional Número Cinco. De volta ao Brasil, dedica-se à poesia e à música popular brasileira. Fez parcerias musicais com Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto, Francis Hime, Carlos Lyra e Chico Buarque. Entre suas músicas destacam-se: "Garota de Ipanema", "Gente Humilde", "Aquarela", "A Casa", "Arrastão", "A Rosa de Hiroshima", "Berimbau", "A Tonga da Mironga do Kaburetê", "Canto de Ossanha", "Insensatez", "Eu Sei Que Vou Te Amar" e "Chega de Saudade". Compôs a trilha sonora do filme Orfeu Negro, que foi premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 1961, compõe Rancho das Flores, baseado no tema Jesus, Alegria dos Homens, de Johann Sebastian Bach. Com Edu Lobo, ganha o Primeiro Festival Nacional de Música Popular Brasileira, com a música "Arrastão". A parceria com o músico Toquinho foi considerada a mais produtiva. Rendeu músicas importantes como "Aquarela", "A Casa", "As Cores de Abril", "Testamento", "Maria Vai com as Outras", "Morena Flor", "A Rosa Desfolhada", "Para Viver Um Grande Amor" e "Regra Três". É preciso destacar também sua participação em shows e gravações com cantores e compositores importantes como Chico Buarque de Holanda, Elis Regina, Dorival Caymmi, Maria Creuza, Miúcha e Maria Bethânia. O Álbum Arca de Noé foi lançado em 1980 e teve vários intérpretes, cantando músicas de cunho infantil. Esse Álbum originou um especial para a televisão. Suas obras se inclinaram para o romantismo e para os grandes temas sociais do seu tempo. O carro chefe é "A Rosa de Hiroshima". A parábola "O Operário em Construção" alinha-se entre os maiores poemas de denúncia da literatura nacional: Pensem na crianças/Mudas telepáticas/Pensem nas mulheres/Rotas alteradas/Pensem nas feridas /Como rosas cálidas. Marcus Vinícius de Mello Moraes morreu no Rio de Janeiro, no dia 09 de julho de 1980, devido a problemas decorrentes de isquemia cerebral. Obra de Vinícius de Moraes:
  • 16. O Caminho Para a Distância, poesia, 1933 Forma e Exegese poesia, 1936 Novos Poemas, poesia, 1938 Poemas, Sonetos e Baladas, poesia, 1946 Pátria Minha, poesia, 1949 Orfeu da Conceição, teatro, em versos, 1954 Livro de Sonetos, poesia, 1956 Pobre Menina Rica, teatro, comédia musicada, 1962 O Mergulhador, poesia, 1965 Cordélia e O Peregrino, tearo, em versos, 1965 A Arca de Noé, poesia, 1970 Chacina de Barros Filho, teatro, drama O Dever e o Haver Para Uma Menina com uma Flor, poesia Para Viver um Grande Amor, poesia Ariana, a Mulher, poesia Antologia Poética Novos Poemas II Disponível em: http://www.e-biografias.net/vinicius_de_moraes, em 26 de julho de 2014. (ARQUIVO DA MÚSICA ENVIADO POR E-MAIL) LETRA PARA A APRECIAÇÃO:
  • 17. Como Dizia O Poeta Compositor: Vinicius de Moraes / Toquinho Quem já passou Por esta vida e não viveu Pode ser mais, mas sabe menos do que eu Porque a vida só se dá Pra quem se deu Pra quem amou, pra quem chorou Pra quem sofreu, ai Quem nunca curtiu uma paixão Nunca vai ter nada, não Não há mal pior Do que a descrença Mesmo o amor que não compensa É melhor que a solidão Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair Pra que somar se a gente pode dividir? Eu francamente já não quero nem saber De quem não vai porque tem medo de sofrer Ai de quem não rasga o coração Esse não vai ter perdão
  • 18. Disponível em: http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/49266/, em 26 de julho de 2014. QUINTA-FEIRA - 31/07 - TURNO VESPERTINO: • LEITURA DELEITE: Conto africano “A encantadora canção do pássaro mágico” – Seleção - Nelson Mandela REFERÊNCIA: MANDELA, Nelson. Meus contos africanos. Tradução Luciana Garcia. São Paulo: Martins Fontes, 2009 • CONHECENDO O AUTOR: Mandela, Nelson (1918 – 2013) BIOGRAFIA: Nelson Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Seu nome verdadeiro é Rolihlahla Madiba Mandela. Principal representante do movimento antiapartheid, foi considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade. Era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia. De etnia Xhosa, Mandela nasceu num pequeno vilarejo na região do Transkei. Aos sete anos, tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Seu pai morreu logo depois e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort. Lá, começou o curso para se tornar bacharel em direito na Universidade de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa amizade. Como jovem estudante de direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos
  • 19. políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA. Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180. Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso, após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964, foi condenado à prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países. Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois se casou com Winnie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano. Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão. Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a AIDS. A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a presença de artistas e celebridades engajadas nessa luta. Nelson Mandela faleceu em 2013, aos 95 anos, em sua casa na África do Sul. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/nelson-mandela.jhtm, em 26 de julho de 2014.
  • 20. O TEXTO NÃO ESTÁ DISPONÍVEL NA INTERNET NA ÍNTEGRA. A LEITURA SERÁ FEITA A PARTIR DOS LIVROS, QUE SERÃO DISPONIBILZADOS POR NEYSE E FÁTIMA – NEI. NA SEGUNDA, DIGITALIZO O TEXTO PARA APRECIAREM ANTECIPADAMENTE, POIS PRECISEI EMPRESTAR O LIVRO A UMA CRIANÇA DA SALA. A encantadora canção do pássaro mágico (Conto selecionado por Nelson Mandela) SEXTA-FEIRA - 01/08 - TURNO MATUTINO: • LEITURA DELEITE: Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/folhas-secas-634210.shtml, em 26 de julho de 2014. • CONHECENDO O AUTOR:
  • 21. Marques, Francisco BIOGRAFIA: Francisco Marques, o Chico dos Bonecos, como é conhecido, é poeta, contista, educador de arte e trabalha há mais de vinte anos com a cultura popular. Formado em Letras pela UFMG, o autor viaja pelo Brasil, contando histórias, lendas, brincadeiras e fábulas enraizadas na nossa tradição. Em seus livros, encanta leitores de todas as idades com as brincadeiras feitas por meio da versatilidade das palavras. "A minha origem é a poesia. “O que eu sou, mesmo, é poeta! Mas a poesia é muito exigente, muito crítica, autocrítica, detalhista, muito concisa, muito essencial. Para tomar novos ares, escrevo também contos -- mas o poeta está sempre ali, ó, de butuca, vigiando. Por isso, para mim, a maneira de escrever a história é sempre mais importante do que o desenrolar dos acontecimentos. É claro que a tecelagem da história tem a obrigação de ser, no mínimo, interessante -- mas o que interessa mesmo é a tecelagem das palavras", conta Chico. E em outra declaração: "Desenrolar o enredo e enredar as palavras são as duas páginas da mesma folha. O ouvinte não se envolve apenas com o rumo dos acontecimentos, mas também com o rumor das palavras", acredita. Obras do autor: A biblioteca dos bichos; A história das coisas; Ilê aiê – um diário imaginário. Disponível em: http://www.editorasaraiva.com.br/autor/chico-dos-bonecos/, em 26 de julho de 2014. TEXTO PARA A APRECIAÇÃO: FOLHAS SECAS (Autor: Francisco Marques – “Chico dos Bonecos”, ilustrado por Ivan Zigg) Eu estava dando uma aula de Matemática e todos os alunos acompanhavam atentamente. Todos? Quase. Carolina equilibrava o apontador na ponta da régua, Lucas recolhia as borrachas dos vizinhos e construía um prédio, Renata conferia as canetas e os lápis do seu estojo vermelhíssimo e Hélder olhava para o pátio.O pátio? O que acontecia no pátio?Após o recreio, dona Natália varria calmamente as folhas secas e amontoava e guardava tudo dentro de um enorme saco plástico azul.
  • 22. Terminando o varre-varre, dona Natália amarrou a boca do saco plástico e estacionou aquele bafuá de folhas secas perto do portão. Hélder observava atentamente. E eu observava a observação de Hélder - sem descuidar da minha aula de Matemática. De repente, Hélder foi arregalando os olhos e franzindo a testa. Qual o motivo do espanto? Hélder percebeu alguma coisa no meio das folhas movendo-se deseperadamente, com aflição, sufoco, falta de ar. Hélder buscava interpretações para a cena, analisava possibilidades, mas o perfil do passarinho já se delineava na transparência azul do plástico. Um pássaro novo caiu do ninho e foi confundido com as folhas secas e foi varrido e agora lutava pela liberdade. - Ele tá preso! O grito de Hélder interrompeu o final da multiplicação de 15 por 127. Todos os alunos olharam para o pátio. E todos nós concordamos, sem palavras: o bico do passarinho tentava romper aquela estranha pele azul. Hélder saiu da sala e nós fomos atrás. E antes que eu pudesse pronunciar a primeira sílaba da palavra "calma", o saco plástico simplesmente explodiu, as folhas voaram e as crianças pularam de alegria. Alguns alunos dizem que havia dois passarinhos presos. Outros viram três passarinhos voando felizes e agradecidos. Lucas diz que era um beija-flor. Renata insiste que era uma cigarra. Eu, sinceramente, só vi folhas secas voando. Para concluir esta inesquecível aula de Matemática, pegamos vassouras, pás e sacos plásticos e fomos varrer novamente o pátio. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/folhas-secas-634210.shtml, em 26 de julho de 2014. SEXTA-FEIRA - 01/08 - TURNO VESPERTINO: • LEITURA DELEITE: Vídeo: “A menina que odiava livros” (Baseado no livro de Manjusha Pawagi, publicado na Austrália e França). Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=geQl2cZxR7Q, em 26 de julho de 2014.
  • 23. • CONHECENDO A AUTORA: Manjusha Pawagi BIOGRAFIA: Manjusha Pawagi, natural da India, cresceu em Toronto, no Canadá. Quando criança, cumpria a meta de ler, pelo menos, um livro por dia: tarefa fácil, já que morava em uma casa cheia de livros, com os seus pais que amavam a leitura. Baseada em sua trajetória, escreveu o livro “A menina que odiava livros”, selecionado pela Canadian Children’s Book Centre, publicado na França e na Austrália, traduzido para 11 línguas, e inspirador do filme de desenhos animados, criado pela "National Film Board", do Canadá. "Eu nunca esperava que o livro tivesse tanto sucesso, fosse vendido em todo o mundo e impresso em tantas línguas", diz a autora, advogada de 34 anos, da Sociedade para Ajuda a Crianças de Toronto. “Passei quatro meses para escrever, testando e aperfeiçoando o texto. Falando sobre o seu trabalho como advogada, eu trabalho para proteger as crianças e garantir que elas estejam em um ambiente seguro". Após a obtenção de um diploma de bacharel em Inglês pela Universidade de Western Ontario, a aspirante escritora, realizou um mestrado em jornalismo pela Universidade de Stanford. Atualmente, reside em Toronto, onde dedica-se a um programa de rádio chamado Talking Books, expressando opiniões sobre livros infantis. Disponível em: http://altoeira.blogspot.com.br/2008/11/manjusha-pawagi-autora-do-livro-menina.html, em 26 de julho de 2014. VÍDEO PARA A APRECIAÇÃO: O VÍDEO FOI ENVIADO VIA E-MAIL. A MENINA QUE ODIAVA LIVROS
  • 24. (Baseado no livro de Manjusha Pawagi)