O PERFIL DOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOSFernando Alcoforado*As eleições presidenciais norte-americanas sem...
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O perfil dos candidatos à presidência dos estados unidos

  1. 1. O PERFIL DOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOSFernando Alcoforado*As eleições presidenciais norte-americanas sempre mereceram a atenção da opiniãopública mundial devido à importância dos Estados Unidos na arena internacional, sejado ponto de vista econômico como geopolítico. O jornal francês Le MondeDiplomatique em sua edição de outubro deste ano apresentou artigos que mostram operfil dos candidatos Barack Obama, do Partido Democrata, e Mitt Romney, do PartidoRepublicano. O artigo Le President Obama, Du prix Nobel aux drones foi escrito porChase Madar, enquanto Mitt Romney, La diplomatie à La pointe du fusil foi escrito porJohan Hari.No artigo Le President Obama, Du prix Nobel aux drones, Chase Madar afirma que, em2008, o candidato Obama prometia fechar a prisão de Guantánamo, revogar a lei de2001 sobre a segurança interna (Patriot Act) e proteger contra todas as formas derepresália os militares ou membros dos serviços de informação que divulgassem osabusos de sua administração. Obama se dizia forte para dominar o aparelho desegurança do estado que depois do atentado de 11 de setembro estava em processo demudança com uma burocracia hipertrofiada e geralmente incontrolável.Quatro anos mais tarde, a prisão de Guantánamo continua em operação, seus tribunaismilitares retomaram suas atividades e o Patriot Act foi reconduzido. O ministério daJustiça do governo Obama adotou seis medidas para fazer frente à violação da lei sobreespionagem que corresponde a duas vezes mais do que a totalidade dos governosanteriores. Além disso, a lista de passageiros impedidos de sobrevoar o território norte-americano, estabelecida em função de critérios frequentemente arbitrários esistematicamente obscuros, tem mais do que dobrado entre 2011 e 2012. Esta lista éconstituída de 21 mil nomes.No final de 2011, o governo Obama promulgou a lei de autorização de defesa nacional(National Defense Authorization Act, NDAA) que permite ao governo federal prendersem julgamento e por duração indeterminada todo cidadão americano suspeito deterrorismo em menosprezo aos princípios do habeas corpus e da separação dos poderes.A administração Obama autorizou também a eliminação física, fora da fronteira dosEstados Unidos, de pessoas classificadas como terroristas mesmo quando nãoparticipem diretamente de operações armadas, além de intensificar programa secreto deexecuções sumárias de estrangeiros que é comprovado com o uso sempre frequente deaviões sem piloto operados por controle remoto no Paquistão, Iêmen e Somália.No reforço à segurança interna sob o governo Obama, estão empregadas atualmentetrinta mil pessoas para escutar as conversações telefônicas dos americanos. Oministério da segurança interna criada em 2002 se tornou em dez anos o terceiro maisforte do país depois do Pentágono e do ministério dos antigos combatentes. Durante osdois mandatos de George W. Bush o aumento da segurança nacional era percebidacomo uma ameaça para numerosos americanos. A expansão da segurança nacional nãoé um fenômeno novo na história dos Estados Unidos.O artigo Le President Obama, Du prix Nobel aux drones deixa evidenciado que opresidente Obama ultrapassou bastante neste domínio o ex-presidente Harry Truman(1945-1953), também do Partido Democrata, que movido pelo anticomunismo em vogaapós a Segunda Guerra Mundial aumentou consideravelmente o arsenal de segurança e 1
  2. 2. a repressão interna. Apesar de, notoriamente, os norte-americanos execrarem toda formade ingerência do Estado na sua vida privada, eles se acomodam às disposições desegurança. A expansão da burocracia de segurança dos Estados Unidos se faz no mesmoritmo das intervenções militares norte-americanas no exterior.Artigo do The New York Times de 25/10/2012, sob o título Obama e Romneyconcordaram em quase tudo no último debate, informa que o governo Obama abordou asegurança nacional durante seu primeiro mandato como uma continuação das políticasimplantadas durante o segundo mandato de George W. Bush. Tudo o que acaba de serrelatado mostra que houve equívoco do Comitê Nobel norueguês ao atribuir o prêmioNobel da Paz para o presidente Obama em 2009, porque ele não é amante da paz e simda guerra como ficou evidenciado em sua atuação na segurança interna do país, bemcomo nas ações intervencionistas dos Estados Unidos no Paquistão, no Iêmen, naSomália, na Líbia e em outras partes do mundo.No artigo La diplomatie à La pointe du fusil, Johan Hari traça o perfil do candidatorepublicano Mitt Romney afirmando que, longe da tentação isolacionista que nesteperíodo de déficit orçamentário domina seu partido, ele propõe reforçar o engajamentomilitar norte-americano no exterior. Johan Hari faz referência ao livro de campanha deRomney No apology (Sem desculpas) em que o candidato republicano detalha sua visãopara a América. O livro concentra grande parte da sua atenção em uma apresentaçãosubstantiva de seus pontos de vista sobre questões econômicas e geopolíticas. Ogoverno é visto como tendo algum papel valioso, tais como fomentar a inovação eampliar a cobertura de seguro de saúde para todos. O livro em geral, evita a discussãode questões sociais (Ver o texto No Apology: The Case for American Greatnesspublicado no website<http://en.wikipedia.org/wiki/No_Apology:_The_Case_for_American_Greatness>).Romney afirma em seu livro que há necessidade de estimular a economia, e não ogoverno. No entanto, ele defende os esforços da administração Bush através doPrograma de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), que ele acredita que evitou ocolapso sistêmico do sistema financeiro nacional. Em termos de regulação financeira ereforma tributária, ele afirma que os impostos pessoais sobre dividendos, juros e ganhosde capital para todas as famílias de renda média devem ser completamente eliminados.Romney enfatiza a necessidade de expandir programas militares americanos e seufinanciamento. Ele recomenda a adição de um mínimo de 100 mil soldados para aMarinha e do Exército, especificamente, a atualização do arsenal nuclear dos EstadosUnidos, a construção de um sistema de defesa antimísseis e o incremento da pesquisaem cyber-guerra.As eleições norte-americanas apresentam, portanto, de um lado, um candidato doPartido Democrata, Barack Obama, que demonstrou incapacidade para liderar arecuperação da economia dos Estados Unidos após a eclosão da crise mundial de 2008como comprovam a elevação da dívida pública interna, a queda vertical no crescimentoeconômico e o aumento desmesurado do desemprego no país ao se dobrar aos interessesdo sistema financeiro, além de, não cumprir as promessas de campanha quandocandidato e se dobrar aos ditames do complexo industrial militar e de segurança internado país. De outro lado, o candidato Mitt Romney não apresenta proposta consistente desuperação da crise econômica e financeira e propõe o reforço do poder militar dosEstados Unidos. 2
  3. 3. Percebe-se pelo exposto que não há grande diferença entre os dois candidatos. Nenhumdeles apresenta solução para a grave crise econômica e financeira que atingiu os EstadosUnidos em 2008 que, se tudo continuar como está o país será levado inevitavelmente àdepressão, além de convergirem no que concerne à segurança interna e à ação militarnorte-americana no exterior. Com os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos,tudo leva a crer que recrudescerão as intervenções militares dos Estados Unidos, diretaou indiretamente, no mundo. A Síria e o Irã são os alvos mais imediatos. Pode-seafirmar que ambos os candidatos são iguais tanto no plano interno quanto no planointernacional. Esta é a razão pela qual as pesquisas eleitorais apontam empate técnicoentre Obama e Romney. Obama tem 48 por cento das intenções de voto e Romney 47por cento. Este resultado demonstra que o eleitorado dos Estados Unidos demonstra nãoidentificar diferenças entre eles.Nunca em eleições nos Estados Unidos houve a apresentação de candidatos tãoparecidos. Historicamente o Partido Democrata sempre se apresentou como umaorganização de centro-esquerda, com a proposta de equilibrar o capitalismo comprogramas sociais, além de defender o direito das minorias, ao aborto e à educaçãopública. O Partido Republicano, por sua vez, sempre defendeu o capitalismo, o cortenos impostos e a ação intervencionista militar no exterior, além de pugnar por políticasconservadoras em geral. Na prática, ambos os partidos são convergentes na economia ena política externa na conjuntura atual.*Fernando Alcoforado, 72, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regionalpela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico,planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor doslivros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordemMundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000),Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade deBarcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e ObjetivosEstratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of theEconomic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. MüllerAktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e CatástrofePlanetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) eOs Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entreoutros. 3

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