O brasil rumo à depressão econômica e à mudança politica e social

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O brasil rumo à depressão econômica e à mudança politica e social

  1. 1. 1O BRASIL RUMO À DEPRESSÃO ECONÔMICA E À MUDANÇAPOLÍTICA E SOCIAL?Fernando Alcoforado*Pode-se afirmar que o Brasil já vive uma estagflação que se caracteriza por baixocrescimento econômico e alta inflação. Em 2012 o crescimento econômico do Brasil foipífio (menos de 1%). Para gerar crescimento econômico, o governo federal temestimulado o consumo reduzindo impostos e juros com a intenção de fazer as famíliasconsumirem. O Brasil com esta política faz o que se denomina voo de galinha porquenão há incremento no investimento. E a inflação oficial do governo, mesmo com todamaquiagem que ele vem fazendo para forçá-la para baixo, superou o teto da meta de6,5% ao ano. O centro desta meta que é de 4,50% ao ano já foi esquecido faz tempo.Sobre a inflação, é importante observar que se trata de um conceito econômico querepresenta o aumento de preços dos produtos num determinado país ou região, duranteum período. Num processo inflacionário o poder de compra da moeda cai. Quemgeralmente perde mais são os trabalhadores mais pobres que não conseguem investir odinheiro em aplicações que lhe garantam a correção inflacionária. Pode-se citar comocausas da inflação a emissão exagerada e descontrolada de dinheiro por parte dogoverno, a demanda por produtos (aumento no consumo) maior do que a capacidade deprodução do país e o aumento nos custos de produção (máquinas, matéria-prima, mãode obra) dos produtos. No momento atual, as causas da inflação no Brasil resultam,sobretudo, da incapacidade da produção para fazer frente à demanda e ao aumento doscustos de produção, especialmente da elevação do valor das máquinas, matérias-primase insumos importados resultante do aumento do dólar em relação ao real.Para incentivar o consumo e combater a inflação, o governo brasileiro vem adotando apolítica de desoneração de preços de determinados produtos. Ressalte-se que na históriaeconômica mundial não há registro de sucesso nesta tentativa de conter processosinflacionários atacando diretamente os preços. Não é difícil concluir que mais um fiascose avizinha. A desoneração de preços não produzirá efeitos significativos na redução dainflação porque representa uma redução pontual de um conjunto de preços, enquanto ainflação é, por definição, o aumento persistente do nível geral de preços. Na prática,portanto, os efeitos da desoneração se manifestarão por um período muito curto, emalterar os fundamentos do processo inflacionário. São medidas que atacam os sintomas(preços) , sem considerar os fatores que impulsionam o aumento dos preços.Mesmo que a redução do custo com tributos seja repassada para o consumidor com apolítica de desoneração de preços em vigor, o máximo que se obtém é um alíviotemporário no ritmo do aumento de preços. Se o desequilíbrio que está por trás doprocesso inflacionário não for corrigido, a inflação retomará seu curso anterior. Comessa medida o governo perde receitas fiscais em uma empreitada condenada ao fracassototal porque gera distorção na alocação de recursos. Seria melhor política reduzir deforma horizontal a carga tributária e investir na melhoria da educação, saúde einfraestrutura do País.A estagflação que atinge a economia brasileira reúne dois problemas simultaneamente:recessão e inflação. Considera-se que uma recessão se instala quando é registrada umaqueda no Produto Interno Bruto (PIB) durante dois trimestres consecutivos indicando
  2. 2. 2que a demanda decresceu no mercado ou mercados e a existência de capacidade ociosageneralizada. É preciso comparar o crescimento do PIB com o crescimento dacapacidade produtiva das empresas. Existem diversos fatores capazes de provocar umarecessão. De modo geral, é possível dizer que a recessão acontece quando a maioria dossetores da economia entra em declínio. Ao lado disso, acontece a perda de confiança dosagentes econômicos que leva a um adiamento de decisões, tanto de investimento, porparte das empresas, como da compra de bens duráveis, por parte das famílias. Com isso,entra-se num ciclo em que as pessoas deixam de gastar e as companhias deixam deproduzir. Pode-se afirmar que, no Brasil, a estagflação já se instalou porque a maioriados setores econômicos está estagnada ou em declínio e há perda de confiança nosagentes econômicos como demonstram as perdas no valor das ações do BOVESPA em2013 (15%).A etapa seguinte à estagflação, a depressão da economia brasileira, deverá acontecer sefor mantida a política econômica atual do governo brasileiro. Ressalte-se que umadepressão econômica é caracterizada por um estado agravado de recessão, ou seja, umlongo período de desemprego em massa, falência de empresas, baixos níveis deprodução e investimentos, etc. como vem acontecendo nos Estados Unidos, UniãoEuropeia e Japão. As maiores depressões econômicas da história foram as de 1815,1873, 1929 e, a mais recente, de 2008 com a eclosão da crise econômica mundial queestá afetando os Estados Unidos e o resto do mundo. Entre elas, a mais grave, semdúvida, foi a depressão de 1929. Se não houver uma mudança de rumo da economiabrasileira, a recessão se aprofundará com a queda vertiginosa da demanda, um quadroincontrolável de desemprego em massa, a falência generalizada de empresas (emespecial da indústria), baixos níveis de produção e de investimentos. Nessascircunstâncias, a depressão se instalará no Brasil que passará a enfrentar os mesmosproblemas dos Estados Unidos, União Europeia e Japão.Um fato que é importante destacar é o de que o comércio exterior, sobretudo com aChina, é que vem compensando a falta de dinamismo do mercado interno brasileiro. Noentanto, a situação brasileira no comércio exterior começou a se agravar a partir de2013. A balança comercial de março registrou superávit de US$ 164 milhões, o piorresultado para o mês nos últimos 12 anos e 92% a menos do que em março de 2012. Noacumulado de 2013 o déficit já chega a US$ 5,2 bilhões, um recorde histórico,considerando a série iniciada em 1993. As exportações tiveram leve alta de 1,6% emcomparação com março de 2012, chegando a US$ 19,3 bilhões, mas as importaçõestiveram alta de 12%, chegando a US$ 19,2 bilhões . Na projeção do Banco Central, asexportações brasileiras crescerão 9% em 2013 para US$ 265 bilhões e as importaçõesterão alta de 12%, chegando a US$ 249 bilhões. O resultado será um superávit de US$15 bilhões. Mas o maior problema é a balança de serviços e rendas, que inclui a remessade lucros e dividendos que se tornou fortemente deficitária no Brasil.O Brasil vem batendo recordes negativos em transações correntes desde 2008. Em2012, o saldo ficou negativo em US$ 54,3 bilhões. Em fevereiro foram remetidos para oexterior, US$ 2,7 bilhões, o triplo do verificado em fevereiro de 2012. A conta deserviços ficou negativa em US$ 3,2 bilhões e a balança comercial registrou déficit deUS$ 1,3 bilhão . Portanto a projeção de superávit comercial para 2013 está estimandoreversão do resultado negativo até fevereiro. Os brasileiros gastaram US$ 1,9 bilhão noexterior em fevereiro, a marca mais alta já registrada para o mês, indicando que osbrasileiros estão gastando como nunca no exterior. No acumulado de 2013, o saldo
  3. 3. 3negativo já está em US$ 18 bilhões. Para março, a projeção do Banco Central é dedéficit de US$ 6,3 bilhões. A situação é extremamente preocupante. O Brasil temreservas internacionais atualmente de US$ 377 bilhões, o que permite tranquilidade paraa economia no curto prazo, mas a situação persistindo por muito tempo pode ficarinsustentável a médio e longo prazo.Além de o Brasil vivenciar a crise final do modelo neoliberal implantado desde ogoverno FHC, a incompetência administrativa do governo federal é patente em todos osseus atos praticados. O que se constata hoje, na prática, é o governo federal atuandocomo bombeiro tentando apagar incêndios que se disseminam continuamente naeconomia e que tende a se espraiar para ao âmbito social. O agravamento da criseeconômica no Brasil terá forte rebatimento no plano social com o incremento dosmovimentos de massa, muitos deles espontâneos, como os que acontecem no momentoem São Paulo e outras cidades do País contra o aumento das passagens nos sistemas detransporte. Na medida em que o governo federal mantenha sua política econômicarestritiva ao crescimento econômico e demonstra ser incapaz de combater a inflação, odesemprego que tende a crescer continuamente e a perda do poder aquisitivo dapopulação resultante da inflação atuarão como combustível para a expansão dosmovimentos sociais. O Brasil vive provavelmente o início de uma nova etapa de lutados movimentos sociais que poderão mudar o status quo e contribuir para a construçãode novos rumos para a política e economia brasileira.*Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regionalpela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico,planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor doslivros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordemMundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000),Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade deBarcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e ObjetivosEstratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of theEconomic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. MüllerAktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e CatástrofePlanetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) eOs Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entreoutros.S

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