Inovação e empreendedorismo na gestão governamental

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Existe uma visão generalizada de que o ato de empreender se circunscreve apenas ao setor privado. Trata-se de um ledo engano desconsiderar a possibilidade de empreender também no setor público. No Brasil e no mundo, há vários exemplos de empreendedorismo no setor público, como é o caso da construção de Brasília pelo presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950, a construção de São Petersburgo na Rússia pelo czar Pedro I, o Grande, em 1703 e a reforma urbana de Paris pelo barão Haussmann entre 1852 e 1870.

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Inovação e empreendedorismo na gestão governamental

  1. 1. INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO NA GESTÃO GOVERNAMENTAL Engo. e Prof. FERNANDO ALCOFORADO
  2. 2. PONTOS A ABORDAR 1. INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 2. A INOVAÇÃO PÚBLICA 3. A INOVAÇÃO DO SETOR PÚBLICO NO BRASIL
  3. 3. INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO • O CONCEITO DE INOVAÇÃO • Inovação significa novidade. • Inovação se refere a uma idéia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. • Inovação é invenção que chega no mercado. • Inovação pode ser também definida como fazer mais com menos recursos, por permitir ganhos de eficiência em processos, quer produtivos quer administrativos ou financeiros, quer na prestação de serviços. • A inovação quando cria aumentos de competitividade pode ser considerada um fator fundamental no crescimento econômico de uma sociedade.
  4. 4. INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO • COMPETITIVIDADE E INOVAÇÃO • No capitalismo, uma empresa para ter sucesso deve ser competitiva. • A competitividade e a inovação estão estreitamente ligadas, pelo que então é de todo interesse de uma empresa ser inovadora para aumentar seu poder de competitividade. • O ambiente empresarial deixa nos dias de hoje de ser local para ser global com a integração do mercado mundial, e só os mais fortes sobrevivem. • A gestão empresarial deve ter a capacidade de criar vantagens competitivas, não só única, mas também de difícil replicação pelos concorrentes. • A inovação por força da competitividade ou estratégia cria um novo mundo de oportunidades, que leva as empresas a serem sustentáveis a longo prazo. • A inovação é fundamental, pois através dela as organizações tornam-se capazes de gerar riqueza contínua e, assim manterem-se ou tornarem-se competitivas nos seus mercados. • Em jogo, está a compreensão de que a inovação não é utilizada ocasionalmente para melhorar um posicionamento de uma empresa no mercado. Para essas empresas, inovação é fruto de um processo permanente para aumentar e sustentar sua competitividade e garantir sua sobrevivência no mercado.
  5. 5. INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO • As cinco diferentes formas de inovação : 1. Introdução de um novo produto ou mudança qualitativa em um produto ou serviço existente; 2. Desenvolvimento de um novo processo não necessariamente envolvendo um conhecimento inédito; 3. Mudança organizacional, ou seja, novas formas de fazer as mesmas coisas internamente, ou criação de novas rotinas ou cultura de trabalho; 4. Abertura de um nicho de mercado novo no qual uma área específica do setor ainda não havia penetrado; 5. Criação de novas fontes de provisão para matérias- primas, ou outras contribuições que estimulem a sustentabilidade.
  6. 6. TIPOS DE INOVAÇÃO • Inovação do produto: introdução no mercado de novos ou melhoria de produtos ou serviços. Inclui alterações significativas nas suas especificações técnicas, componentes, materiais, software incorporado, interface com o utilizador ou outras características funcionais; • Inovação do processo: implementação de novos ou melhoria de processos de produção ou logística de bens ou serviços. Inclui alterações significativas de técnicas, equipamentos ou software; • Inovação organizacional: implementação de novos métodos organizacionais na prática do negócio, organização do trabalho e/ou relações externas; e, • Inovação de marketing: implementação de novos métodos de marketing, envolvendo melhorias significativas no design do produto ou embalagem, preço, distribuição e promoção.
  7. 7. TIPOS DE INOVAÇÃO
  8. 8. CLASSIFICAÇÃO DAS INOVAÇÕES 1. Inovação Radical ou de Ruptura • Este tipo de Inovação caracteriza-se pela incessante busca, por parte da organização que a leva a cabo, de ruptura e quebra de paradigmas. 2. Inovação Incremental ou Inovação por Processo de Melhoria Contínua • Caracteriza-se por uma busca de aperfeiçoamento constante e gradual. Por norma as empresas bem geridas são excelentes no desenvolvimento das tecnologias incrementais.
  9. 9. PROCESSO DE INOVAÇÃO DISRUPTIVA
  10. 10. PROCESSO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
  11. 11. SISTEMA DE INOVAÇÃO Fonte:https://www.google.com.br/search?q=sistema+de+inova%C3%A7%C3%A3o&newwindow=1&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=DWqAVPCNC4yeNpWtg- AC&ved=0CAgQ_AUoAQ&biw=1052&bih=607
  12. 12. DISPÊNDIO EM P&D NO BRASIL
  13. 13. INVESTIMENTOS EM P&D NO BRASIL
  14. 14. ORÇAMENTO DE C&T NO BRASIL
  15. 15. INVESTIMENTOS COM P&D NO MUNDO
  16. 16. INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
  17. 17. EXPORTAÇÃO MUNDIAL DE ALTA TECNOLOGIA
  18. 18. ÍNDICE DE INOVAÇÃO GLOBAL (BRICS)
  19. 19. COMPETITIVIDADE DA ECONOMIA BRASILEIRA
  20. 20. A INOVAÇÃO NECESSÁRIA AO SETOR PÚBLICO • Transformação necessária: reforma do Estado deve ser basicamente gerencial. • É preciso transformar a qualidade gerencial dos governos federal, estadual e municipal. • Trocar o paradigma gerencial que existe hoje pelo modelo que vai permitir à organização avançar e desempenhar os papéis que lhe competem. • Mudar o enfoque das organizações governamentais voltadas para o processo para o resultado. • Fazer as organizações públicas atenderem as demandas do cidadão. • Não foi olhando para o cidadão que se estruturou a máquina administrativa do setor público, nem se refletiu sobre a organização da equipe que deveria implementá-la, tampouco se a ação poderia ser exclusivamente do setor público ou em parceria com o setor privado.
  21. 21. ADMINISTRAÇÃO, GERENCIAMENTO, GESTÃO DO SETOR PÚBLICO • A primeira mudança consiste em deslocar o foco da preocupação de obedecer regras em compartimentos estanques - ministério, secretarias, departamentos e respectivos programas - e estabelecer o processo inverso. • Em primeiro lugar, é preciso identificar objetivamente o que precisa ser feito e, depois, subordinar a organização, a estruturação, a normatização, o conhecimento, a qualificação e o arranjo de pessoas em equipes à busca do resultado. Este é um ponto importante de mudança da qualidade gerencial. • Empreender significa obter resultados. Pressupõe agilidade, dinamismo, flexibilidade. • Gestão empreendedora significa gestão voltada para resultados.
  22. 22. PARCERIAS INTERNAS E EXTERNAS DO SETOR PÚBLICO • A parceria interna e externa deve ser estimulada, especialmente, na concepção e formulação, etapa em que é recomendável reunir o máximo possível de informações para discutir determinado problema, ampliando o conhecimento dele. • A parceria pode implicar hierarquia, com coordenação formal e parceiros de diferentes níveis. • Vinculado à parceria está o trabalho em rede. O trabalho em rede pressupõe igualdade. A rede funciona com pessoas que têm interesses comuns e se articulam livremente, sem relação de poder. Estimular esse tipo de trabalho é também mudar a forma de proceder. • O trabalho em rede deve ser incentivado, sobretudo no esboço das políticas e na formulação dos programas, aproveitando o conhecimento máximo acumulado dentro do governo, entre o governo e a sociedade civil, entre o governo e o terceiro setor, entre o governo e a empresa privada e assim por diante. O trabalho em rede pressupõe igualdade.
  23. 23. PARCERIAS INTERNAS E EXTERNAS DO SETOR PÚBLICO • Outros três aspectos importantes a incorporar, tendo em vista a mudança de qualidade gerencial, são: a questão da transparência, o controle social (diálogo público) e a gestão da informação e avaliação. • O mais importante é que o Estado esteja voltado para o cidadão – não do ponto de vista teórico-conceitual, mas do ponto de vista operacional. O Estado deve desenhar políticas e programas olhando para o cidadão e seus problemas reais, com todas as implicações decorrentes. • A implantação da cultura gerencial somente será bem-sucedida se estiver subordinada aos princípios da transparência e do estímulo ao diálogo público – conceito mais rico do que controle social, apesar de ser este mais usado. • É preciso informar e informar-se, saber o que está acontecendo, verificar se o resultado está sendo atingido, se determinado padrão de qualidade está sendo observado, se está havendo eficiência, eficácia etc.
  24. 24. INFORMAÇÃO E AVALIAÇÃO • Não há mudança de padrão gerencial, nem transparência e melhoria do diálogo público sem boas informações. • É preciso prestar contas do que está acontecendo. • Saber o que está acontecendo pressupõe atuar sobre os fatos e, com muita agilidade, fazer ajustes de percurso. • Dispor da informação relaciona-se a saber avaliar. • A ação pública tem que estar submetida à avaliação permanente. • Quem implanta o programa é o primeiro responsável por avaliá-lo. Cabe-lhe verificar se o caminho traçado está sendo seguido e se o resultado da ação concreta está sendo alcançado. • Entende-se a avaliação como um sistema em espiral. • Todo governo, em geral, traça programas por meio dos quais materializa sua política. • O programa tem objetivo, meta física, orçamento, equipe e assim por diante. Essa dinâmica precisa ser avaliada, a ação concreta também. O caminho está adequado? A estrutura organizacional e o processo operacional estão adequados? Estas são perguntas que o gestor deve fazer, diariamente.
  25. 25. INFORMAÇÃO E AVALIAÇÃO • Se o modelo operacional elaborado, o conjunto de metas, o volume de recursos e a dinâmica são internamente incompatíveis, isso precisa ser avaliado para que se tome a melhor decisão. • Ou se aceita o modelo existente, de implementação mais lenta, ou se altera a mecânica para ganhar mais rapidez. • Sem a avaliação, mantém-se uma expectativa, enquanto a realidade leva para outro caminho. • Também deve ser avaliado o plano de governo, do qual o programa é uma parte. Cada programa e esse agregado de programas precisam ser avaliados. • Demandam avaliação, igualmente, as políticas que sustentam os planos e os programas. Estes não surgem do nada; baseiam-se em opções políticas que precisam ser avaliadas, para que se saiba se estão acontecendo na prática e se as ações são condizentes ou não com a opção estratégica. • Políticas têm que ser avaliadas em sentido amplo e no seu impacto específico, mas também na sua conexão com outras políticas e com as diretrizes maiores que sustentam o governo. • Área muito nova e importante fonte de avaliação é o diálogo público – ou controle social. • A qualidade dos programas só aumenta quando o diálogo público é intensificado e de fato acontece. • É o cidadão que avalia se a ação que o governo programou corresponde à expectativa do que deveria ser realizado. • A construção dos próprios padrões de qualidade por meio do diálogo público também conforma um grande sistema de avaliação que ainda não existe entre nós.
  26. 26. AUTONOMIA E RESPONSABILIZAÇÃO • A gestão empreendedora, focada em resultados e com avaliação baseada em um bom sistema de informações, pressupõe a autonomia de decisão e a responsabilização. • Como se tem uma maneira de trabalhar toda regulamentada, isto é, tudo o que se pode e não se pode fazer está previamente determinado por escrito, na realidade, ninguém gerencia nada. Ou quase nada. Além disso, tomam-se pouquíssimas decisões. • Tudo o que pode ser feito está na lei, no decreto, na portaria, na instrução normativa, na orientação do ministro, do secretário, nas normas internas da organização ou na regulamentação do governo. E aí, como o privilégio é da burocracia, o primeiro procedimento de qualquer área é normatizar seu trabalho. • Essa é a cultura reinante: só se faz o que está normatizado. E tudo o que não se pode fazer também está normatizado. • A cultura anglo-saxônica, menos afeita à burocracia e ao formalismo de normas e regras, incorporou ao serviço público o conceito de accountability (responsabilização), que traz embutida a ideia de responsabilidade com autonomia. É um conceito que se dissemina entre os especialistas brasileiros em gestão pública empreendedora. • Antes de adotá-lo amplamente, contudo, será preciso submeter a administração pública a um processo de desnormatização, transformar a própria cultura do servidor e habituá-lo a trabalhar em um ambiente com mais liberdade de ação, onde predominem a inventividade, a criatividade e a capacidade de iniciativa. • Nesse ambiente, é imperativo que as diretrizes sejam mais fluidas e os propósitos, muito claros. É preciso construir um espaço flexível para a tomada de decisão, de modo a que não se frustre a responsabilização sobre a ação.
  27. 27. SIMPLIFICANDO PROCEDIMENTOS • Buscar resultados, manter a transparência, decidir em cima da informação, avaliar e poder ajustar percursos - pontos-chave da transformação que se deseja - impõem simplificar os procedimentos de modo a se ter autonomia e responsabilização. • Os princípios mais importantes da gestão empreendedora são: enfoque no resultado; autonomia e responsabilização; construção de boas parcerias; trabalho em rede; gestão da informação; transparência, diálogo público e avaliação. Todos esses princípios estão muito interligados.
  28. 28. A INOVAÇÃO DO SETOR PÚBLICO NO BRASIL • Um dos grandes desafios do Brasil é a realização da reforma do Estado nos respectivos níveis, federal, estadual e municipal para que ele realize com eficiência e eficácia suas atribuições constitucionais e reduza os seus custos de operação para minimizar a carga tributária sobre os contribuintes. • A recuperação da capacidade do Estado brasileiro de regular o sistema econômico, de investir na expansão da economia e de implementar programas na área social depende, em grande medida, da reestruturação que seja nele processada. • Grande parte da ineficiência e ineficácia atribuídas ao Estado no Brasil é devida à falta de integração dos governos federal, estadual e municipal na promoção do desenvolvimento nacional. • Existência de estruturas organizacionais inadequadas em cada um dos níveis federal, estadual e municipal que inviabilizam o esforço integrativo nessas instâncias de governo.
  29. 29. A INOVAÇÃO DO SETOR PÚBLICO NO BRASIL • Competiria às prefeituras municipais, aos organismos de desenvolvimento regional e às empresas estatais a grande responsabilidade de colocar em prática todos os planos de desenvolvimento global, regional, estadual, municipal e setorial elaborados em conjunto pelas diversas instâncias de governo • Para realizar uma verdadeira revolução nos processos de trabalho, torna-se imprescindível, entretanto, reciclar todo o funcionalismo público, mudar toda a cultura hoje dominante no aparelho de Estado e adotar uma política de remuneração do trabalho compatível com suas novas responsabilidades. • Quanto às empresas estatais, é preciso que a relação entre seus dirigentes e os órgãos aos quais se reportam seja baseada em contratos de gestão. Através desses contratos, as empresas estatais obteriam autonomia relativa em relação ao governo e assumiriam o compromisso de perseguir metas preestabelecidas de eficiência e eficácia.

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