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Na atualidade, a educação brasileira atravessa uma crise sem precedentes. Várias são as causas que provocam essa crise determinantes da baixa qualidade do ensino sendo uma delas a relacionada com a deficiência do professor. Frequentemente são divulgadas pesquisas de diferentes órgãos que emitem informações acerca da atuação do professor brasileiro afirmando que a maioria dos professores não desempenha de forma eficiente o seu trabalho. Esta situação lamentável em que se encontra o professor no Brasil está a exigir uma mudança radical na forma como vem sendo planejada e gerido o sistema de educação no Brasil. Temos que nos inspirar nas experiências bem sucedidas no mundo, como as do Japão, da Finlândia e da Coreia do Sul. A continuidade do descalabro atual da educação no Brasil é refletida no tratamento que é dado a nossos mestres. Precisamos entender que sem educação de qualidade o futuro do Brasil e de seu povo estará comprometido. Valorizar e capacitar ainda mais o professor brasileiro são fatores determinantes para o avanço da educação no Brasil.

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Em defesa do professor e da educação no brasil

  1. 1. EM DEFESA DO PROFESSOR E DA EDUCAÇÃO NO BRASIL Fernando Alcoforado* Ontem, 15 de outubro, foi comemorado o Dia do Professor. Até hoje, eu me lembro de todos os meus professores, desde a pré-escola até meu doutorado. Lembro-me do nome de cada um deles, pois fizeram parte da minha vida, e hoje agradeço a todos eles que contribuíram para eu ser o que eu sou e porque meus professores me ensinaram como trilhar os caminhos da vida. O mérito é deles! Na atualidade, a educação brasileira atravessa uma crise sem precedentes. Várias são as causas que provocam essa crise determinantes da baixa qualidade do ensino sendo uma delas a relacionada com a deficiência do professor. Frequentemente são divulgadas pesquisas de diferentes órgãos que emitem informações acerca da atuação do professor brasileiro afirmando que a maioria dos professores não desempenha de forma eficiente o seu trabalho. No entanto, essas pesquisas não informam sobre os fatores que afetam a qualidade do trabalho do professor na era contemporânea no Brasil. O professor brasileiro tem que lidar com um arsenal de burocracias, como diários, planos de aula, fichas avaliativas, formulários, entre outros, incluindo ainda a imensa quantidade de trabalho que o professor leva para casa, tais como plano de aula, elaboração de atividades, provas, trabalhos, correções, testes, projetos etc. Esses não são os únicos agravantes haja vista que o professor tem que enfrentar o problema da indisciplina escolar na sala de aula difundida na maioria das escolas brasileiras, como excesso de conversa, bagunça, uso indevido de aparelhos eletrônicos, tudo isso, aliado ao baixíssimo salário. Somado a tudo o que foi citado acima, o professor ainda se submete aos vários tipos de violências ocorridas na sala de aula. Além disso, há pressões exercidas por parte da direção das instituições educacionais por melhorias indevidas de notas dos alunos, perseguições, fiscalização semelhante à vigilância nas salas. Enfim, esses são alguns dos motivos que levam o professor brasileiro se encontrar numa situação lamentável. Todas essas situações exercem grande influência na qualidade de vida e no trabalho do professor. Comumente, milhares de professores entram em depressão ou sofrem de doenças ligadas ao estresse. Enfim, toda esta deficiência do professor brasileiro existe fundamentalmente graças ao descompromisso dos governantes do Brasil para com a educação que não é colocada como prioridade para o desenvolvimento nacional. Deveríamos nos inspirar nas políticas educacionais praticadas no Japão, Finlândia e Coreia do Sul que são países dos mais avançados em educação no mundo. Professor no Japão é uma profissão muito respeitada, e para os japoneses o professor é chamado de “sensei”, ou mestre em português, pois é considerado o sábio, o centrado e orientador das crianças. O Japão tem a exata noção de que o futuro do país depende das crianças, por isso a educação é muito valorizada, rigorosa, disciplinada. E para que tudo isso dê certo na prática, são necessários professores competentes, que passaram por rigorosas seleções, que possuem um alto grau de conhecimento e em compensação são 1
  2. 2. bem remunerados. No Japão, professores são admirados. Quando alguém diz que é professor, ganha a admiração de todos no ato. Na Finlândia, O pilar que sustenta a educação diz respeito à seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento profissional e boas condições de trabalho. Em cada escola finlandesa, os professores estão permanentemente atentos ao aproveitamento dos alunos. Na Finlândia, a profissão de professor tem status semelhante ao do médico. O que faz o magistério competir em igualdade com outras carreiras de ponta é o reconhecimento social, a autonomia e as boas condições de infraestrutura. O governo da Finlândia estabelece definições gerais do currículo, mas cada professor pode adaptá-lo às características locais. Isso cria um ambiente de profissionais altamente motivados. Ser professor na Coreia do Sul é digno de orgulho e de admiração. Tanto quanto na Finlândia, há uma rigorosa seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento profissional e boas condições de trabalho. A carreira docente na Coreia do Sul está entre as mais disputadas, graças aos bons salários (um professor sul-coreano do Ensino Fundamental chega a ganhar seis vezes mais do que um brasileiro e está entre os 10 mais bem pagos do mundo, com um mínimo de 4 mil dólares por mês) e às boas perspectivas de futuros (o prestígio e o salário só aumentam). Após quatro anos árduos de graduação, todos os futuros docentes têm de cursar um mestrado - o nível mínimo de formação para se dar aulas. Além disso, não sobram professores sem lugar no mercado: como os que conseguem terminar a formação são extremamente bem preparados, todos são absorvidos pelas escolas. O descaso dos governantes do Brasil pela educação está contribuindo para a queda de matrículas em licenciatura no país gerando temor de apagão na formação de professores (Ver o artigo Queda de matrículas em licenciatura no país gera temor de apagão na formação de professores publicado no website <http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/queda-de-matriculas-em-licenciatura-no-pais- gera-temor-de-apagao-na-formacao-de-professores-13897981>. Os dados do Censo de Educação Superior de 2013 divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmaram uma tendência sombria para o futuro do país: o “apagão de professores” nas escolas que ocorre pelo quarto ano seguido sendo cada vez menor a quantidade de estudantes que procuram cursos de licenciatura. Consequentemente, o Brasil tem formado menos docentes. Em Português, por exemplo, em 2010, o Brasil tinha mais de 90 mil alunos matriculados no curso. Em 2013, eram 78 mil com uma redução de quase 13%. O cenário é o mesmo para Matemática. Em 2010, eram 82.792 estudantes na área, número que caiu para 80.891, ou 2,3% menos. Esta tendência iniciada há quatro anos, se dá por conta da pouca atratividade do magistério. A queda no total de matrículas em licenciaturas desde 2010 é ainda verificada em carreiras como Física (-2,9%) e Biologia (-11%). Isto explica também o fato de, hoje em dia, haver muitas escolas sem docentes com formação adequada. De acordo com dados do Censo Escolar de 2013, chega a 67,2% o percentual de professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil que não têm licenciatura na disciplina que ensinam. No ensino médio, a parcela de docentes sem a formação adequada é de 51,7%. 2
  3. 3. Esta situação lamentável em que se encontra o professor no Brasil está a exigir uma mudança radical na forma como vem sendo planejada e gerido o sistema de educação no Brasil. Temos que nos inspirar nas experiências bem sucedidas no mundo, como as do Japão, da Finlândia e da Coreia do Sul. A continuidade do descalabro atual da educação no Brasil é refletida no tratamento que é dado a nossos mestres. Precisamos entender que sem educação de qualidade o futuro do Brasil e de seu povo estará comprometido. Valorizar e capacitar ainda mais o professor brasileiro são fatores determinantes para o avanço da educação no Brasil. Viva o professor. Fernando Alcoforado, 74, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros. 3

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