1DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO INSTRUMENTO PARA APAZ 1Fernando Alcoforado2RESUMOEste artigo tem por objetivo demonstrar...
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14setor descobriam mais petróleo por ano do que eram capazes de extrair, o que nãoacontece mais hoje em dia. Está havendo ...
15habitantes a mais. Somado à migração de áreas rurais para as áreas urbanas, essecrescimento fará com que 6,3 bilhões de ...
16A Figura 6 apresenta a população urbana no mundo por continente em percentagem noano 2000. Percebe-se que à exceção da Á...
17etc., são aspectos comuns nas cidades. A poluição das águas é causada principalmentepelo lançamento de efluentes industr...
18ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos,ao trabalho e ao lazer, para a a...
19ambientes degradados. As áreas de risco indevidamente ocupadas pelas populações debaixa renda devem ser reurbanizadas ou...
20Os gases estufa (que impedem a dispersão do calor gerado pela superfície do Planeta,após este receber a radiação solar) ...
21não seria possível na Terra. Os gases responsáveis pelo aquecimento global derivadosda atividade humana são produzidos p...
22 O excesso de gás carbônico na atmosfera está tornando os oceanos mais ácidos. Issoenfraquece os corais, viveiros do ma...
23Nessas circunstâncias, todos os países do mundo teriam suas soberanias compartilhadasentre si através do parlamento e go...
24vi. Ajustar o crescimento da população aos recursos disponíveis no planeta, reduzindosuas taxas de natalidade, sobretudo...
25legando-os às gerações futuras. Significa dizer que o modelo de desenvolvimentosustentável deve ser adotado objetivando ...
26A Responsabilidade Socioambiental e/ou sustentabilidade social corporativa significa ocomprometimento voluntário das org...
27desenvolvimento econômico e social e os projetos de reciclagem na produção com aadoção da logística reversa, de saneamen...
28BLOG DO PEDLOWSKI. Mundo poderá viver em 2013 “tempestade global” pior que2008, afirma Roubini postado no website <http:...
29WWF BRASIL. O que é desenvolvimento sustentável?. Disponível no website<http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questo...
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Desenvolvimento sustentável como instrumento para a paz

  1. 1. 1DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO INSTRUMENTO PARA APAZ 1Fernando Alcoforado2RESUMOEste artigo tem por objetivo demonstrar que o desenvolvimento sustentável é umaexigência para a própria sobrevivência da humanidade que se defronta com duasgrandes ameaças. Uma delas, de natureza econômica, é representada pela crise geral dosistema capitalista mundial que tende a conduzir a economia mundial à depressão. Outraameaça, de natureza ambiental, é representada pelo aumento da população, pelaexaustão dos recursos naturais do planeta, pela escassez da água, pelo crescimentodesordenado das cidades e pela catastrófica mudança climática global durante o séculoXXI. Todas essas ameaças podem gerar conflitos internos em cada país e conflitosinternacionais. Para evitar a ocorrência desssas ameaças, é preciso viabilizar aimplantação de uma sociedade sustentável em cada país e em escala mundial que éaquela que satisfaz as necessidades da geração atual sem diminuir as possibilidades dasgerações futuras de satisfazer as delas e, desta forma, contribuir para a construção dapaz em cada país e no plano mundial.ABSTRACTThis article aims to demonstrate that sustainable development is a requirement for thesurvival of humanity that is faced with two major threats. One of them, of an economicnature, is represented by the general crisis of the world capitalist system that tends todrive the world economy to depression. Another threat, environmental, is representedby the increase of population, the depletion of the planets natural resources, the scarcityof water, the overcrowded cities and the catastrophic global climate change during thetwenty-first century. All these threats can generate internal conflicts in each country andinternational conflicts. To prevent these threats, it´s necessary to enable theimplementation of a sustainable society in each country and worldwide that is one thatmeets the needs of the present generation without diminishing the chances of future1Conferência proferida na Conferência Distrital 2013 do Rotary Internacional - D4550 no dia 31 de maiona Casa do Comercio em Salvador, Bahia, Brasil.2Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e DesenvolvimentoRegional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamentoestratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, éautor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova(Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, SãoPaulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado.Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização eDesenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XXe Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions ofthe Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. MüllerAktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e CatástrofePlanetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) eOs Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entreoutros.S
  2. 2. 2generations to meet them and thus contribute to building peace in each country and atthe global level.Palavras chaves: O desenvolvimento sustentável. Ameaças à sobrevivência dahumanidade. A ameaça da crise econômica mundial. A ameaça ambiental do aumentoda população mundial, da exaustão dos recursos naturais do planeta, da escassez daágua no mundo, do crescimento desordenado das cidades e da mudança climáticaglobal. A responsabilidade socioambiental dos governos, das empresas e dos indivíduos.A construção da paz em cada país e no mundo.Keywords: Sustainable development. Threats to the survival of humanity. The threat ofglobal economic crisis. The environmental threat of increase in global population, thedepletion of the planets natural resources, the shortage of water in the world, theovercrowded cities and global climate change. The environmental responsibility ofgovernments, companies and individuals. The construction of peace in each country andworldwide.1. IntroduçãoO desenvolvimento sustentável é uma exigência para a própria sobrevivência dahumanidade porque na era em que vivemos, a humanidade se defronta com duasgrandes ameaças. Uma delas, de natureza econômica, é representada pela crise geral dosistema capitalista mundial que tende a conduzir a economia mundial à depressão com afalência dos governos, a quebradeira de empresas, o desemprego em massa e até mesmouma nova conflagração mundial como já ocorreu no século XX com a 1ª e a 2ª GuerraMundial. Outra ameaça, de natureza ambiental, é representada pelo aumentodesmesurado da população planetária, pela exaustão dos recursos naturais do planeta,pela escassez da água, pelo crescimento desordenado das cidades e pela catastróficamudança climática global durante o século XXI que tende a produzir gravesrepercussões sobre as atividades econômicas e o agravamento dos problemas sociais dahumanidade.Todas essas ameaças podem gerar conflitos internos em cada país e, também, conflitosinternacionais. Para evitar a ocorrência dessas ameaças, é preciso é preciso viabilizar aimplantação de uma sociedade sustentável em escala mundial que é aquela que satisfazas necessidades da geração atual sem diminuir as possibilidades das gerações futuras desatisfazer as delas e, desta forma, contribuir para a construção da paz mundial. Paraalcançar este objetivo, é preciso viabilizar o desenvolvimento sustentável em escalaglobal com a atuação responsável dos governos, das empresas e dos indivíduos,decisivas para a construção da paz mundial.2. A ameaça da crise econômica mundialEric Hobsbawn (grande historiador britânico falecido em 2012) afirma que outra vez,estamos diante de uma crise fundamental do capitalismo como ocorreu em 1873 e em1929. Os economistas de ideologia neoliberal acreditavam que o livre mercado teria umcrescimento econômico máximo, como também proporcionaria um bem-estar máximopara o conjunto da população e que sempre resolveria racionalmente os problemas quecria. Parece inacreditável, hoje, mas é fato que os economistas neoliberais acreditaram
  3. 3. 3nisso durante mais de 30 anos (HOBSBAWN, Eric. En la tercera crisis. Entrevista aEric J. Hobsbawn. Revista “El Viejo Topo” disponível no website<www.elviejotopo.com>, 2009).Com a eclosão da crise em 2008, os governos dos países capitalistas centrais tiveramque intervir como na década de 1930 do século XX, que na época não tiveram êxitoimediato, mas não sabem como salvar o sistema da débâcle econômica generalizada queestá em curso. Segundo Hobsbawn, para haver uma mudança no sentido de uma novaeconomia mundial, será preciso muito tempo. Macabramente, na década de 1930 doséculo XX, já havia um programa para a solução da crise: a preparação da guerra. Acrise econômica mundial que se instalou em 1929 só terminou com a eclosão da 2ªGuerra Mundial. Na atualidade, a humanidade terá que enfrentar uma novaconflagração mundial para salvar o sistema capitalista mundial? Esta conflagraçãopoderá começar no Oriente Médio com a intervenção militar das potências ocidentais naSíria ou no Irã?Nouriel Roubini afirma que o crescimento mundial está em risco após 2013. Uma“tempestade perfeita” de aflições orçamentárias nos Estados Unidos, abrandamentoeconômico na China, reestruturação da dívida europeia e estagnação no Japão podemcombinar-se para afetar a economia mundial a partir de 2013. Quanto à China, Roubiniconsidera que o país pode enfrentar uma “aterrissagem difícil”, dentro de dois anosporque o investimento chinês já representa quase 50 por cento do produto interno brutoe sessenta anos de dados mostram que panoramas de sobreinvestimento têm conduzidosempre a aterrissagens bruscas da economia, como sucedeu na ex-União Soviética nasdécadas de 1960 e 1970 e no leste asiático na década de 1990 (BLOG DOPEDLOWSKI. Mundo poderá viver em 2013 “tempestade global” pior que 2008,afirma Roubini postado no website <http://pedlowski.blogspot.com.br/2012/07/nouriel-roubini-o-unico-que-previu.html>).A Figura 1 apresentada a seguir mostra que as principais economias do mundoevidenciam declínio no PIB de 1980 a 2010 tendendo para a estagnação. À exceção daChina, o PIB dos demais países apresenta declínio ou estagnação econômica. Aeconomia mundial caminha celeremente para a depressão porque os Estados Unidos,União Europeia e China apresentam na atualidade desempenho econômico que põe emxeque a recuperação da economia mundial. Além da crise profunda que atinge a UniãoEuropeia, os Estados Unidos não apresentam sinais de recuperação com a alta dodesemprego que lá está ocorrendo e a China mostra sinais evidentes de desaceleração.A crise atual é pior do que a de 1929-1933, porque é absolutamente global. O sistemafinanceiro internacional já não funciona mais. Um fato indiscutível é que o Consenso deWashington morreu e haverá depressão que durará por muitos anos. Não há volta atráspara o mercado absoluto que regeu a economia mundial nos últimos 40 anos, desde adécada de 1970, segundo Hobsbawn. A crise global que começou em 2008 é, para aeconomia de mercado, equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim em 1989.Além disso, esta depressão pode levar, segundo Hobsbawn, a um novo sistema mundial.Há que se redesenhar tudo em direção ao futuro.
  4. 4. 4Figura 1- Evolução do PIB das principais economias do mundoFonte:FMI3. A ameaça da crise ambientalA ameaça da crise ambiental é representada pelo aumento desmesurado da populaçãoplanetária, pela exaustão dos recursos naturais do planeta, pela escassez da água, pelocrescimento desordenado das cidades e pela catastrófica mudança climática globaldurante o século XXI.3.1- O aumento desmesurado da população mundialApós 200 anos de crescimento e desenvolvimento econômico, propiciado pelaRevolução Industrial, a população mundial aumentou significativamente com a reduçãodas taxas de mortalidade e o crescimento da esperança de vida. Hoje, na média, aspessoas vivem mais e melhor. Entre 1800 e 2010 a população mundial cresceu,aproximadamente, sete vezes (de 1 bilhão para 7 bilhões de habitantes- Figura 2).
  5. 5. 5Figura 2- Evolução da população mundialFonte: ONUEntre 1750 e 2010 a economia mundial (PIB) aumentou cerca de 112 vezes (Figura 3).Figura 3- Crescimento do PIB mundial
  6. 6. 6O consumo médio da humanidade disparou, mas o crescimento da riqueza se deu àcusta do esgotamento dos recursos naturais do planeta. Uma boa forma de dimensionaro impacto do ser humano no planeta Terra é a pegada ecológica que é uma metodologiautilizada para medir as quantidades de terra e água (em termos de hectares globais -gha) que seriam necessárias para sustentar o consumo da população. A pegadaecológica é um cálculo do que cada pessoa, cada país e, por fim, a população mundialconsome em recursos naturais. A medição é feita em hectares, e seis categorias sãoavaliadas: terras para cultivo, campos de pastagem, florestas, áreas para pesca,demandas de carbono e terrenos para a construção de prédios.Considerando cinco tipos de superfície (áreas cultivadas, pastagens, florestas, áreas depesca e áreas edificadas), o planeta Terra possui aproximadamente 13,4 bilhões dehectares globais (gha) de terra e água biologicamente produtivas segundo dados de 2010da Global Footprint Network e a pegada ecológica da humanidade atingiu a marca de2,7 hectares globais (gha) por pessoa, em 2007, para uma população mundial de 6,7bilhões de habitantes na mesma data (segundo a ONU) (Ver o artigo A terra no limitede José Eustáquio Diniz Alves disponível no website<http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/terra-limite-humanidade-recursos-naturais-planeta-situacao-sustentavel-637804.shtml.>).Com a pegada ecológica da humanidade de 2,7 hectares globais (gha) por pessoasignifica dizer que para sustentar a população na Terra de 6,7 bilhões de habitantesseriam necessários 18,1 bilhões de gha (2,7 gha x 6,7 bilhões de habitantes) que ésuperior a 13,4 bilhões de hectares globais (gha) de terra e água biologicamenteprodutivas da Terra, fato este que indica que já ultrapassamos a capacidade deregeneração do planeta no nível médio de consumo mundial atual. Hoje, por conta doatual ritmo de consumo, a demanda por recursos naturais excede em 50% a capacidadede reposição da Terra.Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030, com uma populaçãoplanetária estimada em 8,3 bilhões de pessoas, serão necessárias duas Terras parasatisfazê-la. Qual é a perspectiva para o futuro próximo? De acordo com dados daDivisão de População da ONU, em 2050 a população mundial deverá atingir 8 bilhõesde pessoas, na projeção baixa, 9 bilhões, na projeção média, e 10 bilhões, na projeçãoalta. O mais provável é que a Terra tenha mais 2 bilhões de habitantes nos próximostrinta e sete anos tornando inviável manter os padrões de produção e consumo atuais dapopulação mundial.Uma das questões chaves que se deve levantar é a de quantas pessoas a Terra poderiasuportar. Relacionada com esta questão surge outra sobre qual seria exatamente o limitede crescimento da população humana? Será a escassez de água, a escassez de alimentos,os níveis de poluição ou outro fator que limitará o crescimento da população mundial?Após considerar todas as possíveis restrições, pode-se concluir que o suprimento dealimentos determinará o crescimento da população mundial.
  7. 7. 7Na publicação Nosso Futuro Comum da Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente eDesenvolvimento da ONU (Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991), algunspesquisadores estabeleceram o potencial “teórico” da produção planetária de alimentos.Para eles, a área destinada ao cultivo de alimentos poderia ser de cerca de 1,5 bilhão dehectares (nível próximo do atual) e a produtividade média poderia chegar a cincotoneladas de grãos equivalentes por hectare, isto é, duas vezes e meia em relação àprodutividade atual.Levando-se em conta a produção das áreas destinadas às pastagens e dos mananciaismarinhos, o “potencial” total situa-se em oito toneladas de equivalentes em grãos. Amédia global atual do consumo de energia vegetal em alimentos, sementes e raçãoanimal é de cerca de 6 mil calorias ao dia, variando entre o mínimo de 3 mil e o máximode 15 mil entre os países, dependendo dos níveis de consumo de carne. Tomando amédia de consumo por base, a produção potencial de alimentos do mundo poderiasustentar pouco mais de 11 bilhões de pessoas.Ressalte-se que, a partir de 2050, a população mundial poderá ultrapassar 10 bilhões dehabitantes. Com uma população superior a 10 bilhões de habitantes, o planeta Terrapoderá não resistir a tamanha demanda por recursos naturais. Se o consumo médio dealimentos aumentar para, por exemplo, 9 mil calorias ao dia, só será possível atenderuma população da Terra correspondente a 7,5 bilhões de habitantes. Muitos cientistasacreditam que a Terra tem uma capacidade de carga de 9 a 10 bilhões de pessoas.Mesmo no caso de máxima eficiência, em que todos os grãos cultivados fossemdedicados aos seres humanos para alimentação (em vez de gado, que é uma maneiraineficiente de converter a energia vegetal em energia alimentar), ainda há um limite. “Setodo mundo concordar em se tornar vegetariano, deixando pouco ou nada para o gado,os 1,5 bilhões de hectares de terras aráveis suportariam cerca de 10 bilhões de pessoas”(Ver o artigo Quantas pessoas o planeta aguenta? Disponível no website<http://hypescience.com/quantas-pessoas-o-planeta-aguenta/>).A Universidade de Cornell dos Estados Unidos desenvolveu estudos sobre a capacidadede produção de alimentos do planeta. Um desses estudos constata que a Terra só temcondições de alimentar 2 bilhões de habitantes com o mesmo padrão de vida dos paísescapitalistas desenvolvidos. Isto significa dizer que quanto mais elevado é o nível de vidada população da Terra, isto é, quanto maior seja o nível do seu consumo alimentar,maior é a exigência para que sua população seja menor.Dadas as conclusões dos diversos estudos sobre o impacto do crescimento populacionalsobre o desenvolvimento, é evidente que algo precisa ser feito desde já para evitar umacatástrofe que se avizinha nos próximos 37 anos. É imperativo que os governos em todoo mundo adotem políticas que contribuam para o equilíbrio entre tamanho da populaçãoe recursos disponíveis no planeta Terra, de um lado, e taxa de aumento da população ecapacidade da economia de atender suas necessidades básicas não apenas no presente,mas também, de outro lado, por gerações no futuro.
  8. 8. 83.2- A escassez da água no século XXIMundialmente, há uma visão generalizada de que a água é um recurso inesgotável.Trata-se, entretanto, de ledo engano porque os recursos hídricos, embora renováveis,são limitados. É importante destacar que, da água que compõe o planeta Terra, apenas2,5% é doce. Destes 2,5%, cerca de 24 milhões km3 (ou 70%) estão sob a forma de gelo(zonas montanhosas, Antártida e Ártico), 30% estão armazenados no subsolo (lençóisfreáticos, solos gélidos e outros) representando 97% de toda a água doce disponível parauso humano (Ver o artigo A escassez de água agrava os riscos de guerras no mundo,dizem os especialistas que participam do Fórum Mundial da Água, em Marselha, naFrança disponível no website <http://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>).De toda a água doce disponível, apenas 0,4% estão em lagos, rios, ou seja, disponíveispara as pessoas usarem. 70% da água doce é utilizada na irrigação, 22% na indústria eapenas 8% no uso doméstico. A OCDE (Organização para a Cooperação eDesenvolvimento Econômico) afirma que a demanda mundial aumentará 55% até 2050.A previsão é que nesse ano, 2,3 bilhões de pessoas suplementares – mais de 40% dapopulação mundial – não terá acesso à água se medidas adequadas não forem tomadas.No artigo acima citado, é informado que 800 milhões de pessoas não têm acesso à águapotável em todo o mundo, 2,5 bilhões não têm saneamento básico, entre 3 bilhões e 4bilhões de pessoas, que corresponde à metade da população mundial, não têm acesso àágua de maneira permanente utilizando, todos os dias, uma água de qualidade duvidosa,11% da população mundial ainda compartilham água com animais em leitos de rios e,de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), sete pessoas morrem porminuto no mundo por beber água podre e mais de 1 bilhão de pessoas ainda defecam aoar livre.A água doce aparece no liminar do século XXI com uma nova conotação de grandeestratégia geopolítica nas relações internacionais, nacionais, regionais e locais como:um recurso natural limitado e fundamental para sobrevivência da humanidade. Oproblema da seca em numerosas e extensas regiões da Terra tem se tornado tão graveque os países começam a reavaliar o verdadeiro valor da água e sua importânciaestratégica para o desenvolvimento econômico e para a sobrevivência da humanidade.A escassez de água poderá ser uma das principais fontes de conflitos do século XXI.Sua escassez em um grande número de países, principalmente na África e no OrienteMédio, poderá ser a principal causa de conflitos econômicos e até militares.Provavelmente a água potável será o recurso natural mais disputado do planeta noséculo XXI. A ONU define o problema da escassez como uma “crise silenciosa”, sendouma crise no momento ofuscada pela escassez de outro líquido, o petróleo. A Figura 4abaixo demonstra as regiões que mais sofrem com o stress hídrico, ou seja, a escassezde água doce no planeta.
  9. 9. 9Figura 4- A escassez de água doce no planeta (Recursos utilizados/Recursosdisponíveis)Fonte: http://elistas.egrupos.net/lista/encuentrohumboldt/archivo/indice/2171/msg/2237/Dados do Ministério das Cidades e do Sistema Nacional de Informações sobreSaneamento Básico mostram que, até 2010, 81% da população brasileira tinha acesso àágua tratada e apenas 46% dos brasileiros contavam com coleta de esgotos. Do total deesgoto gerado no país, apenas 38% recebiam tratamento no período. A ONU(Organização das Nações Unidas) estima que até 2050 mais de 45% da populaçãomundial não terá acesso à água potável. E, na falta de um sistema de abastecimento queatenda a todos de maneira igualitária, os pobres são os que sofrerão mais, especialmenteos que vivem em assentamentos urbanos precários.A Unicef informa que a cada 15 segundos, uma criança morre de doenças relacionadas àfalta de água potável, de saneamento e de condições de higiene no mundo. Todos osanos, 3,5 milhões de pessoas morrem no mundo por problemas relacionados aofornecimento inadequado da água, à falta de saneamento e à ausência de políticas dehigiene, segundo representantes de outros 28 organismos das Nações Unidas, queintegram a ONU-Água (Ver o artigo Falta de água de qualidade mata uma criança acada 15 segundos no mundo, revela Unicef disponível no website<http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-22/falta-de-agua-de-qualidade-mata-uma-crianca-cada-15-segundos-no-mundo-revela-unicef>).No Relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, documento que a ONU-Água divulga a cada três anos, os pesquisadores destacam que quase 10% das doençasregistradas ao redor do mundo poderiam ser evitadas se os governos investissem maisem acesso à água, medidas de higiene e saneamento básico. As doenças diarreicaspoderiam ser praticamente eliminadas se houvesse esse esforço, principalmente nos
  10. 10. 10países em desenvolvimento. Esse tipo de doença, geralmente relacionada à ingestão deágua contaminada, mata 1,5 milhão de pessoas anualmente. Vários fatores influenciamna ocorrência das diarreias, como a disponibilidade de água potável, intoxicaçãoalimentar, higiene inadequada e limpeza de caixas dágua.Apesar da quantidade de água disponível ser constante, a demanda, entretanto, écrescente, devido ao aumento da população e da produção agrícola, gerando um climade incertezas e a possibilidade de ocorrência de conflitos internos em cada nação e entreos países. A OCDE afirma que os conflitos normalmente ocorrem dentro de um mesmopaís, já que a população tem necessidades diferentes em relação à utilização da água(para a agricultura ou o consumo, por exemplo) e isso gera disputas (Ver o artigo Aescassez de água agrava os riscos de guerras no mundo, dizem os especialistas queparticipam do Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França disponível no website<http://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>).A CPT (Comissão Pastoral da Terra), que desde 1985 registra os conflitos pela terra noBrasil, há quatro anos passou também a registrar os conflitos pela água, particularmenteno meio rural que se estende por todo território brasileiro. Vinte e três unidades dafederação registram conflitos pela água, portanto, muito além da ideia de que oproblema da água situa-se apenas no Nordeste brasileiro. As causas são múltiplas, masuma predomina que é a que tem como causa a construção de açudes ou barragens. Aapropriação privada da água, o mau uso e a má preservação dos mananciais são outrasfontes importantes de conflitos pela água no Brasil.Em 2003 a Unesco publicou um relatório identificando as bacias hidrográficas commaior potencial de gerar conflitos internacionais. Entre os locais citados pela Unescoestão a bacia do Prata, que pode gerar disputas entre Bolívia, Argentina, Uruguai,Paraguai e Brasil, a construção de usinas hidrelétricas no rio Madeira pelo Brasil que écontestada pelo governo boliviano alegando impactos ambientais, a bacia do Rio Niloem que nove países da África (Egito, Sudão, Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quênia,República Democrática do Congo, Burundi e Etiópia) discutem o aproveitamento desuas águas, as Colinas de Golã que colocam em confronto Israel e Síria na disputa pelasnascentes do Rio Jordão, fundamental para o abastecimento de água do Oriente Médio,os dois aquíferos que abastecem Israel e os territórios palestinos os quais têm diminuídoe colocam em confronto o Estado de Israel e a Autoridade Palestina e as águas dos riosque cortam a Turquia, Síria, Iraque, Líbano e Jordânia que apresentam diminuição dovolume de água podendo gerar conflitos entre estes países pelo controle dos recursoshídricos (Ver o artigo Escassez de água pode levar a conflitos disponível no website<http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/1343/escassez-de-gua-pode-levar-a-conflitos.html>).Todas as formas de vida existentes na Terra dependem da água. A água doce é umrecurso vital para a sobrevivência humana, sendo de suma importância o uso racional dorecurso. Faz-se necessário à busca de alternativas para evitar o desperdício do preciosolíquido. Para tanto, procura-se apresentar uma visão realista, sucinta, da silenciosa crise
  11. 11. 11da água. O grande desafio deste Terceiro Milênio é garantir a uma crescente população,o acesso à água de boa qualidade, um recurso que além de escasso é mal distribuídogeograficamente.Há evidências crescentes de que o aquecimento global e seus efeitos no clima do planetaTerra poderão reduzir os recursos hídricos, interromper com maior frequência osserviços de abastecimento, além de aumentar o custo de água e serviços de águasresiduais. A escassez de água tende a fazer com que se multipliquem os conflitos tantointernos quanto entre países no século XXI tornando mais sombrio ainda o futuro dahumanidade.3.3- A exaustão dos recursos naturais do planetaOs recursos naturais incluem tudo o que ajuda a manter a vida, como o solo, a radiaçãosolar, a água, o ar, os combustíveis e os minerais, as plantas e os animais. Os recursosnaturais não são inesgotáveis, no entanto, se fizermos uma gestão cuidadosa dessesrecursos, poderemos continuar a tirar partido deles sem comprometer a nossa qualidadede vida e a das gerações futuras. Frequentemente são classificados como recursosrenováveis e não renováveis, quando se tem em conta o tempo necessário para que se dêa sua reposição.Os recursos não renováveis incluem substâncias que não podem ser recuperadas numcurto período de tempo, como por exemplo, o petróleo e minérios em geral (como, porexemplo, o carvão, o ferro ou o ouro). Os recursos renováveis são aqueles que se podemrenovar ou serem recuperados, com ou sem interferência humana, como as florestas, aluz solar, o vento e a água. Os animais podem também ser considerados como recursosnaturais.Os recursos não renováveis e renováveis também podem ser classificados em: Recursos energéticos- são aqueles que têm capacidade para produzir energia, comoo carvão e o petróleo. A água poderá ser considerada um recurso energético,quando é utilizada para produzir energia (nas barragens, por exemplo). Recursos não energéticos- a maioria dos metais não serve para produzir energia,com exceção do volfrâmio, do urânio e do plutônio, que, por serem substânciasradioativas, são usadas para a geração de energia.Um fato indiscutível é o de que a humanidade já consome mais recursos naturais do queo planeta é capaz de repor. O ritmo atual de consumo é uma ameaça para a prosperidadefutura da humanidade. Nos últimos 45 anos, a demanda pelos recursos naturais doplaneta dobrou, devido à elevação do padrão de vida nos países ricos e emergentes e aoaumento da população mundial. Hoje a humanidade utiliza 50% da água doce doplaneta. Em 40 anos utilizará 80%. A distribuição geográfica da água doce é desigual.Atualmente 1/3 da população mundial vive em regiões onde ela é escassa. O uso daágua imprópria para o consumo é responsável por 60% dos doentes do planeta. Metade
  12. 12. 12dos rios do mundo está contaminada por esgoto, agrotóxicos e lixo industrial(VEJA.COM. Cai do Céu, mas pode faltar. Disponível no website<http://veja.abril.com.br/300108/p_086.shtml>).Apenas 12% das terras do planeta são cultiváveis. Nos últimos 30 anos dobrou o totalde terras cultiváveis atingidas por secas severas devido ao aquecimento global. NaChina a cada 2 anos uma área equivalente ao estado de Sergipe se transforma emdeserto. Das 200 espécies de peixe com maior interesse comercial, 120 são exploradasalém do nível sustentável. Neste ritmo, o volume de pescado disponível terá diminuídoem mais de 90% até 2050. Estima-se que 40% da área dos oceanos esteja gravementedegradada pela ação do homem. Nos últimos 50 anos o número de zonas mortas cresceude 10 vezes (ABREU LIMA, Roberta e VIEIRA, Vanessa. O WWF alerta para oesgotamento dos recursos naturais. Disponível no website<http://arquivoetc.blogspot.com.br/2008/11/o-wwf-alerta-para-o-esgotamento-dos.html>).Desde 1961, a quantidade de gases poluentes despejada pelo homem na atmosferacresceu 10 vezes. Essa descarga acelera o aquecimento do planeta provocando secas,inundações, extinção de espécies e a possibilidade de elevação do nível dos mares de até7 metros se ocorrer o degelo dos polos, da Groenlândia e das cordilheiras do Himalaia,dos Alpes e dos Andes da qual resultaria o desaparecimento de muitas ilhas e cidadeslitorâneas. A redução desde 1970 até hoje de espécimes terrestres é de 33%, espécimesmarinhos corresponde a 14%; e de espécimes de água doce é de 35%. A populaçãomundial cresce aproximadamente 80 milhões por ano agravando a demanda por água eseus serviços (WWF BRASIL. Planeta Vivo 2008. Disponível no website<http://assets.wwf.org.br/downloads/sumario_imprensa_relatorio_planeta_vivo_2008_28_10_08.pdf>).Relatório da ONU sobre o uso da água confirma que, sem medidas contra o desperdícioe a favor do consumo sustentável, o acesso à água potável e ao saneamento serão aindamais reduzidos (SOS RIOS DO BRASIL. Bilhões sofrerão com falta de água esaneamento, diz relatório da ONU. Disponível no website<http://sosriosdobrasil.blogspot.com.br/2009/03/bilhoes-sofrerao-com-falta-de-agua-e.html>). Este Relatório da ONU estima que 5 bilhões de pessoas sofrerão com a faltade saneamento básico em 2030. No mundo existe 1,197 bilhão de pessoas sem acesso àágua potável e 2,742 bilhões sem saneamento básico (dados do Relatório deDesenvolvimento Humano de 2004) e, no Brasil, existe mais de 45 milhões dehabitantes sem acesso à água potável e mais de 90 milhões sem acesso à rede de esgoto(dados do IBGE em 2004). De acordo com a ONU, 41% da superfície atual do planetasão formadas por áreas secas, como o semiárido brasileiro, e 2 bilhões de pessoas vivemnessas áreas. Todas essas pessoas, de regiões secas ou úmidas, não têm acesso à águapara beber (TAGUCHI, Clarissa. Ver para crer: uma guerra pela água pode estarprestes a ser travada. Disponível no website
  13. 13. 13<http://panoramaecologia.blogspot.com.br/2006/03/ver-para-crer-uma-guerra-pela-gua-pode.html>).A água está se convertendo em uma fonte geradora de guerras devido à competiçãointernacional pelos recursos hídricos. Muitos países constroem grandes represasdesviando a água dos sistemas naturais de drenagem dos rios em prejuízo de outros. Osprincipais conflitos pela água no mundo atual envolvem Israel, Jordânia e Palestina peloRio Jordão, Turquia e Síria pelo Rio Eufrates, China e Índia pelo Rio Brahmaputra,Botswana, Angola e Namíbia pelo Rio Okavango, Etiópia, Uganda, Sudão e Egito peloRio Nilo e Bangladesh e Índia pelo Rio Ganges. No continente americano, o conflitoentre Estados Unidos e México pela água do Rio Colorado se intensificou em anosrecentes (SHIVA, Vandana. As guerras pelos recursos naturais. Disponível no website<http://www.tierramerica.net/portugues/2006/0617/pgrandesplumas.shtml>).Se os países capitalistas periféricos copiarem os padrões dos países capitalistasdesenvolvidos, a quantidade de combustíveis fósseis consumida atualmente aumentaria10 vezes e a de recursos minerais, 200 vezes (WWF BRASIL. O que é desenvolvimentosustentável?. Disponível no website<http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/>). Quanto aos recursos minerais, o ferro, alumínio e possivelmente o titânio sãoabundantes na crosta terrestre cujas reservas podem ser consideradas ilimitadas. Noentanto, os demais minerais não renováveis formados por processos geológicos emmilhões de anos apresentam reservas que se reduzem continuamente sendo tão escassose preciosos quanto os combustíveis fósseis (MEADOWS, Donella et alli. Beyond thelimits. Vermont: Chelsea Green Publishing Company, 1992).Nos últimos dois séculos a extração dos recursos minerais tornou-se mais intensa,retirando volumes cada vez maiores da natureza. A preocupação é que a maioria dessesrecursos não é renovável, ou seja, não são repostos pela natureza. Se o ritmo de extraçãocontinuar como está, a humanidade certamente verá alguns minérios extinguir-se. Combase em reservas existentes hoje, determinados recursos minerais já possuem umapossível data para se esgotar, dentre eles podemos citar o ouro, o estanho e o níquel. Asreservas de ouro e estanho devem se esgotar por volta do ano de 2020. A data previstapara o fim das reservas de níquel no planeta é em torno de 2050. Muitos cientistasafirmam que o petróleo se esgotará por volta de 2070 (BRASIL ESCOLA. Oesgotamento de alguns minérios. Disponível no website<http://www.brasilescola.com/geografia/o-esgotamento-alguns-minerios.htm>).A competição por recursos como o petróleo é, atualmente, a maior fonte potencial deconflitos mundiais. O crescimento da demanda por petróleo vai superar a oferta globalem 2020 ou 2025, apontando que o mundo vive "o crepúsculo do petróleo", isto é, ummomento de transição entre a abundância e a escassez. A disputa pelo petróleo queainda resta levará a um estado de guerra permanente, caracterizado pela presença degrandes potências em suas regiões produtoras. No passado, as grandes empresas do
  14. 14. 14setor descobriam mais petróleo por ano do que eram capazes de extrair, o que nãoacontece mais hoje em dia. Está havendo na atualidade mais extração de petróleo do quea capacidade de repor com novas descobertas (BRAFMAN, Luciana. Disputa porpetróleo leva a estado de guerra permanente. Disponível no web site<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1710200520.htm>).Tudo leva a crer que as guerras do Século XXI terão como fulcro a batalha por recursosnaturais que tendem a não suprir as necessidades humanas. Nosso modelo dedesenvolvimento está atingindo seus limites. Com a falta de recursos naturaisnecessários para sua sobrevivência e a ausência de um governo mundial que seja capazde mediar os conflitos, a humanidade tende a uma regressão à barbárie e aocomportamento cruel. Para evitar este cenário catastrófico, é preciso que todos osgovernos de todos os países do mundo celebrem um contrato social planetário quepossibilite o desenvolvimento econômico e social sustentável e o uso racional dosrecursos da natureza em benefício de toda a humanidade.3.4- O crescimento desordenado das cidadesA cidade tornou-se o principal habitat da humanidade. Pela primeira vez na história dahumanidade, mais da metade da população está vivendo em cidades. Esse número, 3,3bilhões de pessoas, deve ultrapassar a marca dos 5 bilhões em 2030. No começo doséculo XX a população urbana não ultrapassava 220 milhões de pessoas. O acesso aemprego, serviços, equipamentos públicos e a um maior bem-estar econômico e social éo seu maior atrativo para todos os que para ela se dirigem. Grande parte dos problemasambientais globais tem origem nas cidades o que faz com que dificilmente se possaatingir a sustentabilidade ao nível global sem torná-las sustentáveis (BEAUJEU-GARNIER. J. Geografia Urbana. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1980).A criação das cidades e a crescente ampliação das áreas urbanas têm contribuído para ocrescimento de impactos ambientais negativos. No ambiente urbano, determinadosaspectos culturais como o consumo de produtos industrializados e a necessidade daágua como recurso natural vital à vida, influenciam o modo como se apresenta oambiente. Os costumes e hábitos no uso da água e a produção de resíduos peloexacerbado consumo de bens materiais são responsáveis por parte das alterações eimpactos ambientais. A maior parte das cidades em todo o mundo cresce de formadesordenada, caótica.Especialistas em meio ambiente reunidos em Londres para a conferência Planet UnderPressure afirmam que as cidades se expandirão em 1,5 milhão de quilômetros quadradosnos próximos 20 anos. A área estimada é equivalente aos territórios da França, daEspanha e da Alemanha juntos. A China tem um dos maiores índices de migração dapopulação rural para as áreas urbanas. De acordo com a Organização das Nações Unidas(ONU), a população mundial passará de 7 bilhões para 9 bilhões em 2050, o quesignifica que, durante os próximos 38 anos, a cada semana, o mundo terá um milhão de
  15. 15. 15habitantes a mais. Somado à migração de áreas rurais para as áreas urbanas, essecrescimento fará com que 6,3 bilhões de pessoas vivam em cidades em 2050,comparado aos 3,5 bilhões atuais (Ver População urbana vai quase dobrar até 2050disponível no website <http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,populacao-urbana-vai-quase-dobrar-ate-2050,853960,0.htm>).Neste texto, Michail Fragkias, da Universidade do Arizona afirma que "a questão não ése devemos urbanizar, e sim como devemos fazer isso. As cidades densas, desenhadaspara serem eficientes, oferecem um dos caminhos mais promissores no que diz respeitoà sustentabilidade". Fragkias lembrou que, há um século, eram apenas 20 as cidadescom mais de um milhão de habitantes no mundo. Atualmente, esse número saltou para450 cidades, que ocupam aproximadamente 5% da superfície terrestre. Na conferênciaPlanet Under Pressure, foi informado que cerca de 70% do dióxido de carbono expelidona atmosfera é proveniente das concentrações urbanas, e por isso a discussão sobremodelos de cidades sustentáveis é um dos temas centrais para combater as mudançasclimáticas. Em 2010, a atividade urbana foi responsável pela emissão de 25 bilhões detoneladas métricas de CO2 na atmosfera, comparado a 15 bilhões em 1990. Se nãohouver alterações nesses padrões, esse índice será de 36,5 bilhões em 2030.A Figura 5 apresenta a evolução da população urbana no mundo de 1950 a 2010 e suaprojeção até 2030.Figura 5- População urbana no mundoFonte: https://www.google.com.br/search?hl=pt-
  16. 16. 16A Figura 6 apresenta a população urbana no mundo por continente em percentagem noano 2000. Percebe-se que à exceção da África e da Ásia, os demais continentesapresentam populações urbanas que superam 70% da população total.Figura 6- População urbana no mundo por continenteO crescimento descontrolado das cidades no Brasil e no mundo ressalta, muitas vezes, afalta de planejamento urbano gerando impactos irreversíveis nesses territórios, que serefletem na sua qualidade ambiental. O processo de urbanização ocorreu de formasignificativa primeiramente nos países do continente europeu, com o surgimento edesenvolvimento das indústrias durante o século XVIII. A partir de 1950, esse processotomou grandes proporções em escala global. O processo de industrialização se expandiupor vários países, atraindo cada vez mais pessoas para as cidades. Porém, a urbanizaçãosem um devido planejamento tem como consequência vários problemas de ordemambiental e social. O inchaço das cidades, provocado pelo acúmulo de pessoas, e a faltade uma infraestrutura adequada gera transtornos para a população urbana.Alterações ambientais físicas e biológicas ao longo do tempo modificam a paisagem ecomprometem ecossistemas. As alterações ambientais ocorrem por inumeráveis causas,muitas denominadas naturais e outras oriundas de intervenções antrópicas, consideradasnão naturais. É fato que o desenvolvimento tecnológico contemporâneo e as culturas dascomunidades têm contribuído para que essas alterações no e do ambiente seintensifiquem, especialmente no ambiente urbano. Atualmente a maior parte das pessoashabita ambientes urbanos.Impactos significativos no ambiente ocorrem em razão dos modos de produção econsumo nos espaços urbanizados. Poluições, engarrafamentos, violência, desemprego,
  17. 17. 17etc., são aspectos comuns nas cidades. A poluição das águas é causada principalmentepelo lançamento de efluentes industriais e domésticos sem o devido tratamento. Apoluição atmosférica é um grande problema detectado nas cidades que ocorre devido aolançamento de gases tóxicos na atmosfera. O intenso fluxo de automóveis e asindústrias são os principais responsáveis por esse tipo de poluição.Outros problemas ambientais decorrentes da urbanização são: impermeabilização dosolo, poluição visual, poluição sonora, alterações climáticas, chuva ácida, ausência desaneamento ambiental, falta de adequada destinação e tratamento dos resíduos sólidos,efeito estufa, entre outros. A falta de um planejamento urbano eficaz compromete aqualidade de vida da população urbana. O crescimento desordenado das cidades gera aocupação de locais inadequados para moradia pelas populações de baixa renda, comoáreas de elevada declividade, fundos de vale, entre outras.A acelerada urbanização e crescimento das cidades, especialmente a partir de meadosdo século XX promoveram mudanças fisionômicas no Planeta, mais do que qualqueroutra atividade humana. A população do Brasil apresenta a mesma tendência mundialde ocupação ambiental, ou seja, opta pelo ecossistema urbano como lar. Atransformação do Brasil de país rural para urbano ocorreu na década de 1960 segundoum processo predatório em essência, com acentuada exclusão social de classes dapopulação menos privilegiada que por não terem condições de aquisição de terrenos emáreas urbanas estruturadas ocupam em sua maioria, terrenos que deveriam serprotegidos para preservação das águas, encostas, fundos de vale entre outros.No Brasil, dados apresentados em 2004 pelo Instituto Brasileiro de Geografia eEstatística (IBGE) indicam que mais de 80% das pessoas são moradores urbanosdevendo atingir 85% nos próximos vinte anos. Esse crescimento dos centros urbanostem levado a uma acentuada queda da qualidade de vida e a um crescimento dosproblemas sociais e dos desequilíbrios ambientais, agravados pelas mudançasestruturais recentes na dinâmica capitalista. Este fato torna uma exigência trabalhar comos princípios da sustentabilidade incorporados à gestão urbana, focalizando questõescomo a redução dos níveis de pobreza; criação de postos de trabalho; implantação desistemas de saneamento, educação e saúde; adequação do uso do solo urbano; controleda poluição; recuperação ambiental; utilização de fontes de energia limpa; combate àviolência urbana; proteção do patrimônio histórico e ambiental, entre outros.É nas cidades que as dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimentosustentável convergem mais intensamente, fazendo com que se torne necessário quesejam pensadas, geridas e planejadas de acordo com o modelo de desenvolvimentosustentável que tem por objetivo atender as necessidades atuais da população da Terrasem comprometer seus recursos naturais, legando-os às gerações futuras. Significa dizerque o modelo de desenvolvimento sustentável nas cidades deve ser adotado objetivandoa compatibilização dos fatores econômico e social com o meio ambiente. O quecaracteriza uma cidade sustentável? É o direito da população à terra urbana, à moradia,
  18. 18. 18ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos,ao trabalho e ao lazer, para a atual e futuras gerações.Cidades sustentáveis são cidades que possuem uma política de desenvolvimentoeconômico e social compatibilizado com o meio ambiente natural. Cidades sustentáveistêm como diretriz o ordenamento e controle do uso do solo, de forma a evitar adegradação dos recursos naturais. Uma cidade sustentável deve ter políticas claras eabrangentes de saneamento, coleta e tratamento de lixo; gestão das águas, com coleta,tratamento, economia e reuso; sistemas de transporte que privilegiem o transporte demassas com qualidade e segurança; ações que preservem e ampliem áreas verdes e usode energias limpas e renováveis; e, sobretudo, administração pública transparente ecompartilhada com a sociedade civil organizada.A busca por uma sociedade economicamente viável, socialmente justa eambientalmente saudável conduz ao esforço de compreensão das novas dinâmicas queregem o espaço urbano, que possibilitem a construção de políticas articuladas cujoobjetivo seja a qualidade de vida, a produtividade, a preservação do meio ambiente e ainclusão social. O grande desafio é pensar em todas as partes relacionadas à construçãode uma cidade de forma sistêmica, englobando aspectos econômicos, sociais eambientais. O desenvolvimento sustentável só será alcançado nas cidades se houver acooperação entre cada um dos seus habitantes, as organizações públicas e privadas dosetor produtivo, as organizações da Sociedade Civil e os governos em todos os seusníveis com base em políticas de responsabilidade socioambiental delineadas por eles.Na época atual em que os problemas do aquecimento global podem levar à catástrofeplanetária, toda cidade tem que ter um plano de adaptação às mudanças climáticas,principalmente aquelas sujeitas a eventos extremos. Cidades costeiras, por exemplo,devem ter planejamento contra a elevação previsível do nível dos oceanos e devem sepreocupar com deslizamentos em encostas, enchentes, etc. resultantes da inclemênciadas chuvas. Enfim, devem ter flexibilidade e adaptabilidade às novas exigênciasclimáticas. É preciso redesenhar o crescimento urbano das cidades de forma a integrá-locom o ambiente natural, recuperar suas praias e seus rios hoje bastante comprometidoscom o lançamento de esgotos, para que as cidades não recebam uma resposta hostil doambiente natural.Os planos diretores de desenvolvimento urbano das cidades devem revitalizar seu centroantigo com a recuperação dos imóveis em estado de arruinamento e de seus logradourospara que se tornem espaços de convivência pacífica e confortável para seus habitantes,dotar todos os locais de boa infraestrutura urbana compatível com as necessidades desua população e promover a formação e manutenção de bairros autossuficientes paraevitar a expansão urbana desordenada de seu território.Os planos diretores de desenvolvimento urbano devem dar prioridade ao adensamento edesenvolvimento urbano no interior dos espaços construídos e à recuperação dos
  19. 19. 19ambientes degradados. As áreas de risco indevidamente ocupadas pelas populações debaixa renda devem ser reurbanizadas ou, quando não for possível, promover a relocaçãode seus habitantes com a construção de novas unidades habitacionais. São todos grandesprojetos que exigem vultosos recursos que criam atividades geradoras de emprego,renda e bem-estar para a população.O planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial de suapopulação e das atividades econômicas do Município e do território sob sua influênciadeve evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobreo meio ambiente. Em toda cidade deve ser adotado um planejamento estratégico delongo prazo com base no desenvolvimento sustentável.3.5- A mudança climática globalA mudança climática global deverá acontecer em consequência do aquecimento globalque resulta do efeito estufa provocado pela retenção de calor na baixa atmosfera daTerra causada pela concentração de gases de diversos tipos. A Terra recebe radiaçãoemitida pelo Sol que é absorvida pela superfície terrestre aquecendo-a. Grande partedesta radiação é devolvida para o espaço e a outra parte é absorvida pela camada degases que envolve a atmosfera provocando o efeito estufa (Figura 7). É em função destefenômeno natural, o efeito estufa, que temos uma temperatura média da Terra na faixade 15ºC. Sem este fenômeno, a temperatura média do Planeta seria de -18ºC(ALCOFORADO, Fernando. Aquecimento global e catástrofe planetária. Santa Cruzdo Rio Pardo: Viena Gráfica e Editora, 2010).Figura 7- Efeito estufaFonte: Larara, Dakir. Aquecimento Global e Mudanças Climáticas. Curso de Geografia ULBRA –Canoas, http://www.educacional.com.br.
  20. 20. 20Os gases estufa (que impedem a dispersão do calor gerado pela superfície do Planeta,após este receber a radiação solar) de maior concentração na Terra são o dióxido decarbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), compostos declorofluorcarbono (CFC) e o vapor de água (H2O). A maioria deles é proveniente daqueima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e derivados), florestas e agricultura.Os gases responsáveis pelo efeito estufa absorvem parte da radiação infravermelhaemitida pela superfície da Terra e irradiam por sua vez a energia absorvida de volta paraa superfície. Como resultado, a superfície da Terra recebe quase o dobro de energia daatmosfera do que a que recebe do Sol e a superfície fica cerca de 30ºC mais quente doque estaria sem a presença dos gases de estufa.Para se manter em equilíbrio climático, o planeta Terra precisa receber a mesmaquantidade de energia que envia de volta para o espaço. Se ocorrer desequilíbrio poralgum motivo, o globo terrestre esquenta ou esfria até a temperatura atingir, mais umavez, a medida exata para a troca correta de calor. O equilíbrio climático natural foirompido pela Revolução Industrial. Desde o século XIX, as concentrações de dióxidode carbono no ar aumentaram 30%, as de metano dobraram e as de óxido nitrososubiram 15%.Se nada for feito até 2030 para reverter o aquecimento global, a temperatura média doplaneta Terra deverá evoluir de 15º C para 19º C conforme está indicada na Figura 8, aseguir:Figura 8- Temperatura média global e projeçõesFonte:.Revista Veja On-line, Aquecimento Global.O aquecimento global é produzido pela atividade humana (antropogênico) no planeta etambém por processos naturais, como a decomposição da matéria orgânica e aserupções vulcânicas, que produzem dez vezes mais gases do que o homem. Por eras, osprocessos naturais garantiram sozinhos a manutenção do efeito estufa, sem o qual a vida
  21. 21. 21não seria possível na Terra. Os gases responsáveis pelo aquecimento global derivadosda atividade humana são produzidos pelos combustíveis fósseis usados nos carros, nasindústrias e nas termelétricas, pela produção agropecuária e pelas queimadas nasflorestas.Tomando-se por base as conclusões de inúmeros estudos relacionados com oaquecimento global, se nada for feito até 2030 para reverter suas tendências atuais, suasconsequências são as seguintes: 2 a 4,5 °C é a faixa de elevação que deve sofrer a temperatura média global até ofinal deste século de acordo com estimativas feitas pelo IPCC- PainelIntergovernamental de Mudança Climática da ONU. A calota polar irá desaparecer por completo dentro de 100 anos, de acordo comestudos publicados pela National Sachetimes de Nova Iorque em julho de 2005. Issoirá provocar o fim das correntes marítimas no Oceano Atlântico, o que fará que oclima fique mais frio gerando a grande contradição de que aquecendo tambémesfria. Até 2100, o nível do mar pode aumentar de 1 a 7 metros se, no caso extremo,houver o degelo dos polos, das cordilheiras e da Groenlândia 40% das árvores da Amazônia podem desaparecer antes do final do século, caso atemperatura suba de 2 a 3 graus. As florestas tropicais serão substituídas por savanas nas regiões onde houverredução dos lençóis freáticos. O clima ficará mais frio apenas no hemisfério norte. Quanto ao resto do mundo atemperatura média subirá e os padrões de secas e chuvas serão alterados em todo oplaneta. De 9 a 58% das espécies em terra e no mar vão ser extintas nas próximas décadas,segundo diferentes hipóteses. Cerca de 20% a 30% de todas as espécies enfrentarão um "alto risco de extinção"caso a temperatura média global aumente mais 1,5 a 2,5 graus Celsius em relaçãoaos níveis de 1990. Isto poderá acontecer até 2050. O efeito estufa contribuirá para diminuir a precipitação atmosférica em algumasáreas do planeta fazendo com que nelas ocorram temperaturas mais elevadas e maiorevaporação Chuvas devem aumentar em cerca de 20% nas maiores latitudes Várias áreas do globo terrestre poderão ficar alagadas por causa da superabundânciade precipitações, resultando em extensas inundações 2.000 quilômetros quadrados se transformarão em deserto devido à falta de chuvas O fluxo dos rios poderá diminuir em 50% ou mais podendo alguns deles secaremcompletamente Importantes lençóis freáticos poderão ficar seriamente reduzidos, fazendo com queos poços de irrigação sequem
  22. 22. 22 O excesso de gás carbônico na atmosfera está tornando os oceanos mais ácidos. Issoenfraquece os corais, viveiros do mar, e os plânctons, base da cadeia alimentarsubaquática. Os recifes de corais provavelmente sofrerão fortes declínios Os mangues salgados e florestas pantaneiras poderão desaparecer com o aumento donível dos mares. O Ártico, devido ao maior aquecimento relativo, as pequenas ilhas Estados noPacífico com o aumento do nível dos mares, a zona ao sul do Saara da África devidoà seca e os deltas de rios densamente povoados na Ásia por causa de cheias sofrerãobastante com a mudança climática4. O imperativo do desenvolvimento sustentávelAs duas ameaças, econômica e ambiental, tendem a produzir uma verdadeira crise dehumanidade que faz com que se torne um imperativo a construção em todo o planeta deuma nova sociedade diferente da atual em que todos os países atuem de formainterdependente e racional com objetivos comuns em escala planetária sem a qualpoderá ser colocado em xeque a sobrevivência dos seres humanos e da vida na Terra.Com o modelo atual de desenvolvimento não há como superar a crise econômicamundial que tende a levar o mundo à depressão com a falência dos governos, aquebradeira de empresas, o desemprego em massa e até mesmo uma nova conflagraçãomundial, bem como evitar a degradação do meio ambiente do planeta com o aumento dapopulação mundial, a exaustão dos recursos naturais do planeta, a escassez da água nomundo, o crescimento desordenado das cidades e a mudança climática global. Parasuperar este problema, não temos outra escolha senão a de adotar um novo modelo queconcilie as exigências do desenvolvimento com as do meio ambiente.É por tudo isto que se torna um imperativo a implantação de uma sociedade sustentávelem cada país e em escala mundial que é aquela que satisfaz as necessidades da geraçãoatual sem diminuir as possibilidades das gerações futuras de satisfazer as delas e, destaforma, contribuir para a construção da paz mundial. Como construir uma sociedadesustentável global? A nova Sociedade Sustentável Global poderá nascer com base napressão da comunidade internacional de sua imperiosa necessidade ou, então, virá apóscatástrofes que possam vir a ocorrer nos ambientes econômico, social e ecológicomundial e com as guerras em cascata que poderão crescer no futuro, se nada for feito.A nova Sociedade Sustentável Global deve ser capaz de regular a economia mundial eas relações internacionais baseadas em um Contrato Social Planetário visando promovera prosperidade econômica global com base no modelo de desenvolvimento sustentávelem benefício de todos os seres humanos. Este Contrato Social Planetário deveriaresultar da vontade da Assembleia geral da ONU que se constituiria no novo ParlamentoMundial que elegeria um Governo Mundial representativo da vontade de todos os povosdo mundo. Com um Governo Mundial, será possível combater a guerra e acabar com obanho de sangue que tem caracterizado a história da humanidade ao longo da história.
  23. 23. 23Nessas circunstâncias, todos os países do mundo teriam suas soberanias compartilhadasentre si através do parlamento e governo mundial.A construção de uma sociedade sustentável global é uma tarefa que diz respeito aosgovernos, aos empresários e aos indivíduos de todos os países. Aos governos competemadotar políticas de desenvolvimento que compatibilize os fatores econômicos, sociais eambientais no território nacional e buscar a celebração de um contrato social planetáriocentrado no desenvolvimento sustentável em escala mundial. Aos empresárioscompetem adotar políticas corporativas de responsabilidade socioambiental nasatividades produtivas. Aos indivíduos competem atuar conscientemente na defesa domeio ambiente exigindo dos governos e das empresas a execução das políticas dedesenvolvimento sustentável e colaborar com os serviços públicos e os empresários noslocais de trabalho na execução das políticas de responsabilidade socioambientalcorporativa.Os governos, empresários e indivíduos devem atuar visando a consecução dos objetivosde desenvolvimento sustentável descritos a seguir:i. Reduzir as emissões globais de carbono com a promoção de mudanças na atualmatriz energética mundial baseada fundamentalmente em combustíveis fósseis(carvão e petróleo), por outro estruturado com base nos recursos energéticosrenováveis, na hidroeletricidade, na biomassa e nas fontes de energia solar e eólicapara evitar ou minimizar o aquecimento global e, consequentemente, a ocorrência demudanças catastróficas no clima da Terra.ii. Aperfeiçoar a eficiência energética desenvolvendo ações que levem à obtenção deeconomias de energia na cidade e no campo, nas edificações, na agricultura, nasindústrias e nos meios de transporte em geral contribuindo, dessa forma, para aredução das emissões globais de carbono e, consequentemente, do efeito estufa.iii. Aperfeiçoar a eficiência energética fazendo com que os veículos automotores eequipamentos de usos domésticos, agrícolas e industriais tenham maior rendimento,as edificações sejam projetadas objetivando o máximo de economia de iluminação,refrigeração e calefação, a agricultura e a indústria sejam modeladas no sentido derequererem o mínimo de recursos energéticos e matérias-primas, contemplandotambém a autoprodução de energia com o uso de resíduos de seus processos deprodução com base na logística reversa e, finalmente, a utilização de novasalternativas de transporte desde a bicicleta até aqueles de alta capacidade baseadasem ferrovias, dentre outras iniciativas.iv. Reciclar os materiais atualmente utilizados e descartados. Nessa perspectiva, osmateriais essenciais só devem ser utilizados nos processos produtivos e em outrasaplicações apenas em último caso. Quando usados nas diversas aplicações, devem,em primeiro lugar, ser reutilizados inúmeras vezes; em segundo lugar, devem serreciclados para formarem um novo produto; em terceiro lugar, devem ser queimadosde modo a extrair toda a energia que contenham e, apenas em última instância,devem ser removidos para um aterro sanitário.v. Combater a poluição da terra, do ar e da água.
  24. 24. 24vi. Ajustar o crescimento da população aos recursos disponíveis no planeta, reduzindosuas taxas de natalidade, sobretudo nos países e regiões com elevadas taxas decrescimento populacional.vii. Reduzir as desigualdades sociais, contemplando a adoção de medidas quecontribuam para o atendimento das necessidades básicas da população mundial, taiscomo alimentos, vestuário, habitação, serviços de saúde, emprego e uma melhorqualidade de vida. Para que haja desenvolvimento sustentável, é preciso, portanto,que todos os seres humanos tenham atendidas suas necessidades básicas e lhessejam proporcionadas oportunidades de concretizar suas aspirações a uma vidamelhor.viii. Fazer com que o crescimento econômico e a riqueza dele resultante sejamcompartilhados por todos, os serviços de educação possibilitem ampliar os níveis dequalificação para o trabalho e a cultura da população, os serviços de saúde sejameficazes no combate à mortalidade infantil e contribuam para o aumento daexpectativa de vida da população, todos os homens e mulheres tenham umahabitação decente e que haja investimentos públicos e privados no nível necessárioque contribuam para a redução do desemprego em massa em decorrência da crisegeral do sistema capitalista mundial que se registra na atualidade e que tende a seagravar no futuro.Pode-se afirmar que a introdução do conceito de desenvolvimento sustentávelrepresenta um grande desafio para a humanidade, porquanto afetará múltiplos interessesde natureza econômica, além de implicar em profundas mudanças no estilo dedesenvolvimento da sociedade, a fim de que o crescimento econômico seja menosintensivo no consumo de matérias-primas e energia e mais equitativo na distribuiçãodos seus resultados para a população. É preciso, acima de tudo, que se realize umaverdadeira revolução cultural em todo o planeta, a fim de que o paradigma dodesenvolvimento atual seja substituído pelo paradigma do desenvolvimento sustentável.5. A responsabilidade socioambiental dos governos, das empresas e dosindivíduos na construção do desenvolvimento sustentávelPara evitar o futuro catastrófico que se prenuncia para a humanidade resultante da criseeconômica mundial que aponta para a depressão e da degradação ambiental com oaumento da população mundial, a exaustão dos recursos naturais do planeta, a escassezda água no mundo, o crescimento desordenado das cidades e a mudança climáticaglobal, é imprescindível que haja o comprometimento dos indivíduos, do setorprodutivo público e privado e dos governos com o modelo de desenvolvimentosustentável.Cada indivíduo, cada organização pública e privada do setor produtivo, os governos e aSociedade Civil devem atuar responsavelmente no sentido de contribuírem para osucesso do modelo de desenvolvimento sustentável que tem por objetivo atender asnecessidades atuais da população da Terra sem comprometer seus recursos naturais,
  25. 25. 25legando-os às gerações futuras. Significa dizer que o modelo de desenvolvimentosustentável deve ser adotado objetivando a compatibilização do meio ambiente com osfatores econômico e social.A fim de minimizar os problemas ambientais que se agravam continuamente em todo oplaneta, foram desenvolvidos projetos mundiais como o Relatório Brundtland (NossoFuturo Comum - 1987), Rio-92 (1992), Agenda 21 (1992), Protocolo de Kyoto (1999),Carta da Terra (2000), MDM – Metas do Desenvolvimento do Milênio (2000), PactoGlobal (2000) e Rio + 20 (2012) que estão contribuindo para que os indivíduos, asempresas e os governos se mobilizem no sentido de compatibilizar o desenvolvimentoeconômico e social com o meio ambiente.Em muitos países, os governos já incorporam a variável ambiental em suas políticas dedesenvolvimento e há grande esforço de educação ambiental no sentido de mobilizarsuas populações na defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável.Sustentabilidade começa a ser vista como algo presente no dia a dia das pessoas, dasempresas públicas e privadas e dos governos.A Responsabilidade Socioambiental dos indivíduos se materializa na prática com suaefetiva participação nas organizações da Sociedade Civil visando estabelecer exigênciaspara que os governos em todos os seus níveis e as empresas públicas e privadaspossuam metas de desenvolvimento sustentável e fiscalizar seu cumprimento. AResponsabilidade Socioambiental dos indivíduos significa que as pessoas devem seempenhar em suas residências, em seus bairros, em suas cidades e em seus países nosentido de que o desenvolvimento sustentável seja levado à prática.Quanto às empresas, a Responsabilidade Socioambiental e/ou sustentabilidade socialcorporativa significa o comprometimento voluntário das organizações públicas eprivadas com o desenvolvimento da sociedade e a preservação do meio ambiente.Produzir e distribuir seus produtos sem gerar danos e riscos ao meio ambiente e à suaestratégia de mercado é uma das missões da Responsabilidade Socioambiental dasempresas. Entre as principais ações das empresas, podem ser citados os projetos dereciclagem com a adoção da logística reversa, de saneamento (incluindo o tratamento doesgoto industrial), de reflorestamento, de educação ambiental e coleta de lixo.O conceito de sustentabilidade está orientando muitas empresas à prática de uma gestãoresponsável, considerando a relação ética e transparente com todos os atores – clientes,fornecedores, acionistas, empregados e sociedade – que se relacionam com a empresapara o desenvolvimento sustentável do seu negócio e com a preservação do meioambiente proporcionando benefícios para todos os atores envolvidos. No caso dascorporações, além das atividades produtivas, sustentabilidade envolve o tratamentodado ao meio ambiente e sua influência e relacionamento com fornecedores, públicointerno e externo e com a sociedade, práticas de governança corporativa e transparênciano relacionamento interno e externo.
  26. 26. 26A Responsabilidade Socioambiental e/ou sustentabilidade social corporativa significa ocomprometimento voluntário das organizações públicas e privadas com odesenvolvimento da sociedade e a preservação do meio ambiente, consciente de queestará contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa. Assim, se admiteque as organizações gerem receitas e se desenvolvam, mas que também contribuam paraque a sociedade se desenvolva consciente de que todos os recursos naturais são finitos edevem ser utilizados de maneira responsável.A gestão empresarial deve expressar o compromisso efetivo de todos os graushierárquicos das organizações permanentemente e o compromisso de seuscolaboradores com o desenvolvimento sustentável. Essa integração somente causaráefeitos positivos se os envolvidos diretos aderirem ao desenvolvimento sustentável.Afinal, a empresa exerce imprescindível papel em toda a comunidade, principalmenteno local onde a mesma está inserida e suas ações podem mudar a realidade dessacomunidade, quer sofra ou se beneficie com os impactos desse empreendimento.Responsabilidade Social Corporativa é a forma de gestão que se define pela relaçãoética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona epelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimentosustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as geraçõesfuturas, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. AResponsabilidade socioambiental pode ser adotada por empresas públicas e privadascom o objetivo de conciliar seus interesses econômicos com inclusão social econservação do meio ambiente. A Responsabilidade Socioambiental corresponde a umcompromisso das empresas em atender às exigências da sociedade.A Responsabilidade Social Corporativa diz respeito à necessidade de revisar os modosde produção e padrões de consumo vigentes de tal forma que o sucesso empresarial nãoseja alcançado a qualquer preço, mas ponderando-se os impactos sociais e ambientaisconsequentes da atuação da empresa. As organizações devem gerar receitas e sedesenvolver contribuindo também para que a sociedade se desenvolva consciente de quetodos os recursos naturais são finitos e devem ser utilizados de maneira responsável.Esta missão impõe que as corporações devem administrar seus resultados, com foco nosdados econômicos, sociais e ambientais.Por sua vez, a Responsabilidade Socioambiental dos governos deve se traduzir, noplano internacional, na busca da celebração de um contrato social planetário que leve àpaz internacional e a uma relação harmoniosa dos seres humanos com a natureza e, noplano interno, na adoção de políticas públicas que contribuam para conciliar os modosde produção e padrões de consumo vigentes com o meio ambiente. No plano interno,deve se traduzir na adoção de políticas públicas que contribuam para conciliar os modosde produção e padrões de consumo vigentes com o meio ambiente.A Responsabilidade Socioambiental dos governos corresponde ao compromisso deatender às exigências da sociedade conciliando inclusão social e conservação do meioambiente. Dentre as principais ações dos governos podem ser citados as políticas de
  27. 27. 27desenvolvimento econômico e social e os projetos de reciclagem na produção com aadoção da logística reversa, de saneamento básico (incluindo o tratamento do esgoto),de reflorestamento, de educação ambiental, de coleta, disposição final e tratamento dolixo e de infraestrutura econômica e social em geral.6. A construção da paz mundialPelo exposto, estamos diante de um momento crítico na história da Terra e dahumanidade, numa época em que esta deve escolher o rumo a ser dado a seu futuro. Àmedida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, a humanidadeenfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas em relação a seufuturo. Devemos reconhecer que, no meio da magnífica diversidade de culturas e formasde vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destinocomum.Devemos somar forças para evitar o futuro catastrófico que se prenuncia para ahumanidade resultante da crise econômica mundial que aponta para a depressão e adegradação ambiental com o aumento da população mundial, a exaustão dos recursosnaturais do planeta, a escassez da água no mundo, o crescimento desordenado dascidades e a mudança climática global construindo uma sociedade sustentável globalbaseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiçaeconômica e numa cultura da paz para evitar a barbárie que resultaria com amanutenção do modelo econômico atual. Para chegar a este propósito, é imperativo quetodos nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade, uns para com osoutros, com a continuidade da vida no planeta e com as futuras gerações.BIBLIOGRAFIAABREU LIMA, Roberta e VIEIRA, Vanessa. O WWF alerta para o esgotamento dosrecursos naturais. Disponível no website <http://arquivoetc.blogspot.com.br/2008/11/o-wwf-alerta-para-o-esgotamento-dos.html>.AGÊNCIA BRASIL. Falta de água de qualidade mata uma criança a cada 15segundos no mundo, revela Unicef. Disponível no websitehttp://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-22/falta-de-agua-de-qualidade-mata-uma-crianca-cada-15-segundos-no-mundo-revela-unicef.ALCOFORADO, Fernando. Aquecimento global e catástrofe planetária. Santa Cruz doRio Pardo: Viena Gráfica e Editora, 2010.ALVES, José Eustáquio Diniz. A terra no limite. Disponível no website<http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/terra-limite-humanidade-recursos-naturais-planeta-situacao-sustentavel-637804.shtml.>BEAUJEU-GARNIER. J. Geografia Urbana. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,1980.
  28. 28. 28BLOG DO PEDLOWSKI. Mundo poderá viver em 2013 “tempestade global” pior que2008, afirma Roubini postado no website <http://pedlowski.blogspot.com.br/2012/07/nouriel-roubini-o-unico-que-previu.html>.BRAFMAN, Luciana. Disputa por petróleo leva a estado de guerra permanente.Disponível no web site <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1710200520.htm>.BRASIL ESCOLA. O esgotamento de alguns minérios. Disponível no website<http://www.brasilescola.com/geografia/o-esgotamento-alguns-minerios.htm>.COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO DAONU. Nosso Futuro Comum. Rio: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991.ESTADÃO.COM.BR. População urbana vai quase dobrar até 2050. Disponível nowebsite <http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,populacao-urbana-vai-quase-dobrar-ate-2050,853960,0.htm>.HYPESCIENCE. Quantas pessoas o planeta aguenta? Disponível no website<http://hypescience.com/quantas-pessoas-o-planeta-aguenta/>).HOBSBAWN, Eric. En la tercera crisis. Entrevista a Eric J. Hobsbawn. Revista “ElViejo Topo” disponível no website <www.elviejotopo.com>, 2009.LARARA, Dakir. Aquecimento Global e Mudanças Climáticas. Curso de GeografiaULBRA – Canoas, http://www.educacional.com.br.MEADOWS, Donella et alli. Beyond the limits. Vermont: Chelsea Green PublishingCompany, 1992.SHIVA, Vandana. As guerras pelos recursos naturais. Disponível no websitehttp://www.tierramerica.net/portugues/2006/0617/pgrandesplumas.shtml.SOS RIOS DO BRASIL. Bilhões sofrerão com falta de água e saneamento, dizrelatório da ONU. Disponível no website<http://sosriosdobrasil.blogspot.com.br/2009/03/bilhoes-sofrerao-com-falta-de-agua-e.html>).TAGUCHI, Clarissa. Ver para crer: uma guerra pela água pode estar prestes a sertravada. Disponível no website <http://panoramaecologia.blogspot.com.br/2006/03/ver-para-crer-uma-guerra-pela-gua-pode.html>.VEJA.COM. Cai do Céu, mas pode faltar. Disponível no website<http://veja.abril.com.br/300108/p_086.shtml>.VOCÊSABIA? A escassez de água agrava os riscos de guerras no mundo, dizem osespecialistas que participam do Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França.Disponível no website <http://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>.WWF BRASIL. Planeta Vivo 2008. Disponível no website<http://assets.wwf.org.br/downloads/sumario_imprensa_relatorio_planeta_vivo_2008_28_10_08.pdf>.
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