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Brasil rumo ao colapso econômico, político e social análise sob a ótica da teoria do caos

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O caos e a complexidade do ambiente de negócios no Brasil fazem com que os governos, as empresas e as pessoas sintam a sensação de estarem sendo arrastadas por um furacão que permeia toda a vida política, econômica e social. Isto quer dizer que, para compreender e gerir um sistema econômico e social complexo devemos pensar de forma complexa e agir utilizando conceitos e práticas, no mínimo, comparáveis à complexidade desse sistema. Esta não é a prática dos gestores da economia brasileira que ainda utiliza métodos obsoletos de administração do sistema econômico. As ciências econômicas clássicas que, no passado, nos ofereceram uma série de métodos para entender a realidade e construir modelos econômicos e organizacionais já não atendem as necessidades da era contemporânea. Não devemos continuar adotando modelos econômicos e organizacionais em que tudo a eles relacionados seja tratado de forma isolada e desconectada do todo.

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Brasil rumo ao colapso econômico, político e social análise sob a ótica da teoria do caos

  1. 1. 1 BRASIL RUMO AO COLAPSO ECONÔMICO, POLÍTICO E SOCIAL (ANÁLISE SOB A ÓTICA DA TEORIA DO CAOS) Fernando Alcoforado* As turbulências que veem ocorrendo em vários países do mundo ao longo da história demonstram que eles são constituídos por sistemas políticos, econômicos e sociais caóticos, imprevisíveis e sensíveis às condições iniciais se caracterizando pela incapacidade de prever seus estágios futuros porque uma pequena mudança nas condições iniciais do sistema pode ocasionar grandes implicações em seu comportamento futuro. Pode-se afirmar que cada país e o sistema-mundo operam de acordo com a Teoria do Caos que é uma das leis mais importantes do Universo presente na essência de quase tudo o que nos cerca. Segundo a Teoria do Caos ou a Ciência da Complexidade, o caos é uma "mistura" de desordem e ordem que nascem de novas estruturas, chamadas estruturas "dissipativas". A Teoria do Caos sugere que o Universo tem um ciclo de ordem, desordem, ordem, e assim sucessivamente. De modo que uma leva a outra e assim por diante, talvez indefinidamente. Uma das principais implicações da Teoria do Caos tem a ver com o “feedback” (retorno) gerado em situações caóticas. Enquanto sistemas fechados têm um “feedback” negativo, sistemas abertos evoluem caoticamente pelo feedback positivo. O “feedback” negativo tende a corrigir um desvio, levando o sistema ao seu estado original. Tais processos se opõem à mudança, uma vez que sempre olham para trás para voltar a um estado anterior. Por outro lado, o “feedback” positivo promove a mudança, a formação de novas estruturas, mais sofisticadas, mais adaptáveis, mais sutis, inovadoras. Na medida em que implica a criação de uma nova estrutura, os processos são irreversíveis, ao contrário do “feedback” negativo, que tendendo para o estado original, é reversível. No “feedback” negativo procuramos corrigir os desvios para retornar ao caminho original. No “feedback” positivo, pequenas mudanças podem induzir a grandes mudanças que levam a novas metas desconhecidas, talvez melhor, embora não possamos prever exatamente onde é que chegaremos. Enquanto a ciência clássica centrada na estabilidade, no determinismo, enfatiza o processo de “feedback” negativo que tende a reduzir a mudança, retornando o sistema à sua posição de equilíbrio, o “feedback” positivo promove a mudança e a instabilidade. Exemplo: a inovação tecnológica cria um novo negócio e a presença deste, por sua vez, estimula a geração de mais inovações. Os fatos da vida demonstram que a evolução requer instabilidade para que pequenos eventos sejam ampliados que só é possível em uma situação de não equilíbrio. A evolução requer a instabilidade, a irreversibilidade e a possibilidade de dar sentido a pequenos eventos para que uma mudança estrutural ocorra. Uma vez que o processo resulta na criação de uma estrutura complexa, a estrutura de dissipação, um novo ciclo de desequilíbrio ocorre e o caos recomeça onde ocorrem novas instabilidades ou flutuações (Figura 1). Para Prigogine (químico russo, Nobel de Química de 1977 pelos seus estudos em termodinâmica de processos irreversíveis com a formulação da teoria das estruturas dissipativas), todos os sistemas contêm subsistemas constantemente flutuantes. Às vezes, uma única variação em um deles pode ser tão poderosa como resultado de um “feedback” positivo, que quebra toda a organização existente. Nesse momento, chamado momento singular ou ponto de bifurcação, é inerentemente
  2. 2. 2 impossível saber para onde vai evoluir o sistema (estado de improbabilidade): desintegrar-se em caos ou saltar para um novo nível de organização superior e diferenciado ie , uma nova estrutura dissipativa. Figura 1- Sistemas dinâmicos Fonte: Ervin Laszlo. O Ponto do Caos. São Paulo: Editora Cultrix, 200. A Figura 1 mostra que um sistema dinâmico como o sistema econômico do Brasil quando está sujeito a “flutuações” é levado a um ponto de bifurcação a partir do qual o sistema alcança uma nova estabilidade dinâmica (avanço revolucionário ou para outro patamar mais avançado) ou entra em colapso, segundo Ervin Laszlo (O Ponto do Caos. São Paulo: Editora Cultrix, 200). No ponto bifurcação o sistema tem que ser reestruturado ou entrará em colapso. Esta é a situação vivida pela economia do Brasil, que enfrenta uma crise profunda. Para enfrentar a crise, o governo Dilma Rousseff adota um “feedback” negativo procurando corrigir os desvios para retornar ao caminho original quando deveria adotar o “feedback” positivo com a promoção de mudanças, a formação de novas estruturas, mais sofisticadas, mais adaptáveis, mais sutis e inovadoras para superar a crise atual e retomar o desenvolvimento do País em novas bases. A Teoria do Caos ou a Ciência da Complexidade apresenta uma perspectiva interessante do ponto de vista de sua aplicação à economia principalmente na explicação de fenômenos que parecem ter um comportamento disruptivo. Por trás da aparente desordem na economia, há uma dinâmica que pode ser explicada através de técnicas matemáticas e estatísticas apropriadas, típicas desta teoria. Em sistemas dinâmicos, como a economia, que mudam constantemente ao longo do tempo, pequenas alterações em um determinado momento, pode ser a causa de grandes mudanças no futuro. A crise mundial que eclodiu em 2008 nos Estados Unidos produziu várias consequências que se manifestam até hoje. Considerando que a economia capitalista é um sistema dinâmico, não linear e complexo, a dificuldade de planejar e antecipar problemas, exige a consideração das perspectivas de desenvolvimento de longo prazo. Significa que é preciso planejar a economia reconhecendo que o caos e a complexidade estão presentes e que deve lidar com este cenário da melhor maneira possível. Uma das grandes
  3. 3. 3 dificuldades de o Brasil superar a crise que devasta o País reside no fato de adotar o modelo neoliberal que rejeita o planejamento governamental. O Brasil, como organização econômica, social e política, está em desintegração. Os sinais de desintegração são evidentes em todas as partes do País. O modelo econômico neoliberal em vigor mostra claros sinais de esgotamento porque apresenta declínio no crescimento econômico com tendência à estagflação, aumento das taxas de inflação, elevadíssima carga tributária, endividamento crescente, precariedade da infraestrutura de transporte e energia, falência dos serviços públicos de educação e saúde, desindustrialização, gargalo logístico e queda vertiginosa na balança comercial. Além disso, todo o sistema político e administrativo do País está contaminado pela corrupção e a máquina administrativa do Estado é ineficiente e ineficaz. Todos estes sinais tendem a aprofundar a crise econômica brasileira alimentando a emergência de colapso do sistema econômico, político e social nacional. O caos e a complexidade do ambiente de negócios no Brasil fazem com que os governos, as empresas e as pessoas sintam a sensação de estarem sendo arrastadas por um furacão que permeia toda a vida política, econômica e social. Isto quer dizer que, para compreender e gerir um sistema econômico e social complexo devemos pensar de forma complexa e agir utilizando conceitos e práticas, no mínimo, comparáveis à complexidade desse sistema. Esta não é a prática dos gestores da economia brasileira que ainda utiliza métodos obsoletos de administração do sistema econômico. As ciências econômicas clássicas que, no passado, nos ofereceram uma série de métodos para entender a realidade e construir modelos econômicos e organizacionais já não atendem as necessidades da era contemporânea. Não devemos continuar adotando modelos econômicos e organizacionais em que tudo a eles relacionados seja tratado de forma isolada e desconectada do todo. * Fernando Alcoforado, 75, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros.

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