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As fragilidades econômicas da bahia e suas causas

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As fragilidades econômicas do Estado da Bahia se manifestam na queda do crescimento do PIB acompanhando o declínio no crescimento do PIB do Brasil, na insuficiência na poupança interna para investimento que torna a Bahia fortemente dependente de capitais externos, no risco de depressão econômica da Bahia com o agravamento da crise brasileira e da queda progressiva do PIB da Bahia. Estas fragilidades resultam de problemas do Brasil e, também, estruturais existentes na Bahia, além da crise de gestão do governo da Bahia que se traduz em: 1) Crise de planejamento; e, 2) Crise da estratégia de desenvolvimento.

Publicada em: Economia e finanças
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As fragilidades econômicas da bahia e suas causas

  1. 1. 1 AS FRAGILIDADES ECONÔMICAS DA BAHIA E SUAS CAUSAS Fernando Alcoforado* A recessão enfrentada pelo País nos últimos dois anos causou a redução de 8,9% no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia. O dado é do estudo feito pela Tendências Consultoria Integrada, que identificou queda em todos os estados brasileiros. Com isso, a economia do País retornou ao patamar de 2010. Ou seja, o PIB do Brasil está menor do que era em 2010. No ranking dos estados do Brasil, a Bahia é o sétimo estado que mais queda sofreu, com 8,9%, superando a média nacional, que apresentou queda de 7,2% em dois anos. Em 2016, as perdas na economia baiana foram maiores do que em 2015. O quadro econômico foi agravado pela quebra da safra agrícola. A queda do PIB nacional, em 2016, foi de 3,5% e na Bahia, de 6,4%. Em 2015, a economia baiana decresceu 2,7% e a nacional, 3,5%. O resultado do PIB do Brasil está fundamentalmente ligado à gigantesca recessão econômica no País decorrente da falência do modelo neoliberal e de uma prolongada má gestão econômica do governo que está levando a economia brasileira ao colapso. Na Bahia, a principal razão da queda do PIB ocorreu pela quebra da safra agrícola em 2016 que marcou encolhimento de 15,2% do PIB agropecuário devido à rigorosa seca enfrentada na Bahia. A produção da indústria da Bahia caiu 4,3% em janeiro de 2017 em relação a dezembro de 2016 e teve queda de 15,5% na comparação com janeiro do ano passado, segundo dados do IBGE. Na comparação janeiro de 2017/ janeiro de 2016, o setor industrial da Bahia registrou queda em oito das doze atividades pesquisadas. As influências negativas mais importantes vieram dos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-21,9%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (-38,0%) e de metalurgia (-32,4%). O ano de 2016 como um todo foi péssimo para a Bahia. A queda do PIB chegou a - 4,9%, taxa maior, portanto, que a queda registrada no PIB brasileiro (- 3,6%). A queda bem superior da economia baiana quando comparada com a brasileira é explicada pela grande retração do setor agropecuário, que foi bem maior na Bahia (- 20,6%) do que no Brasil (-6,6%). Isso foi um reflexo da forte seca no Nordeste. Nos serviços, que respondem por 71% da economia baiana, a contração foi de – 2,5%, com as maiores quedas ocorrendo nos segmentos de comércio (-8,1%) e de transportes (- 7,3%). Já na indústria, a variação negativa foi de 7,7%, com destaque para a grande retração na extração mineral, que foi de 18,5%. Isso por causa do encerramento das atividades em alguns poços de petróleo que gerou uma redução na produção de petróleo e gás. Outro segmento industrial que experimentou uma significativa queda foi o setor de produção e distribuição de energia elétrica (7,4%). Aqui, a recessão econômica brasileira impactou negativamente e pesou também a redução na vazão do lago de Sobradinho em consequência da seca. Já os segmentos de construção civil (- 8,7%) e a indústria de transformação (- 1,7%), onde ocorre a produção de veículos e a metalurgia, tiveram desempenhos negativos em razão da crise brasileira. Ou seja, a queda da atividade industrial baiana na maioria dos segmentos pesquisados vem sendo uma constante ao longo de 2016 e continua nesse primeiro mês de 2017, sendo afetada por fatores nacionais e locais.
  2. 2. 2 A Bahia está se desindustrializando. Isto está também no Brasil. A participação dos serviços no PIB brasileiro atingiu, segundo o IBGE, 73,3% em 2016, quase dez pontos percentuais a mais que os 64,7% de 2004. Esse aumento se deu em grande medida à custa da indústria de transformação, cuja participação no mesmo período caiu de 17,8% para 11,7%. Na atual crise brasileira, a indústria de transformação, como um reflexo da perda de competitividade, tem sofrido mais do que os serviços. A produção industrial caiu 4,7% em 2014, 10,4% em 2015 e 5,25% em 2016, enquanto que os serviços cresceram 1% em 2014 e tiveram variações negativas de 2,7% em 2015 e 2016. O setor industrial vem perdendo participação na formação do PIB em quase todos os estados brasileiros, mas a Bahia liderou a queda e sua indústria “encolheu" de 27,1% do total do PIB, em 2010, para pouco mais de 20% em 2016. E aí está registrada a redução exponencial verificada no setor da Construção Civil, cujos lançamentos de novas unidades variavam entre 10 e 14 mil no início da década e atualmente são da ordem de 3 mil por ano. Como se não bastasse, o agronegócio, que durante todos esses anos vem liderando o crescimento do PIB, sofre agora com a maior seca dos últimos 100 anos. Enquanto a indústria brasileira está sujeita à concorrência internacional devido à abertura da economia brasileira, muitos segmentos do setor de serviços não sofrem a concorrência dos importados. Assim sendo, diante do avanço competitivo dos concorrentes internacionais e das conhecidas fragilidades competitivas que assolam a indústria nacional (juros altos, câmbio valorizado, educação deficiente, infraestrutura precária, sistema tributário caótico etc.), a desindustrialização tem avançado com força. No caso específico da Bahia, as dificuldades que vem passando a petroquímica, o principal segmento da indústria de transformação do estado, reforçam esse quadro. O PIB da Bahia, que era o sexto maior do país, perdeu participação no ranking nacional, sendo superado por Santa Catarina caindo para a 7a posição. As exportações baianas, que representaram 4,6% do total das exportações brasileiras em 2012, representaram apenas 3,6% do total em 2016 e a Bahia, que ocupava a 8o posição no ranking dos maiores estados exportadores, foi superada por Santa Catarina. A Bahia também perdeu posição no turismo, uma das principais atividades da base produtiva estadual. Salvador perdeu a liderança no turismo de negócios no Nordeste para Fortaleza, houve redução no número de desembarques nacionais e internacionais no aeroporto de Salvador em proporção bem maior que em outras localidades como Recife ou Fortaleza e houve redução da taxa média de ocupação dos hotéis de 70% para cerca de 50%. O agronegócio, que durante todos esses anos vem liderando o crescimento do PIB, sofre agora com a maior seca dos últimos cem anos. Percebe-se que o problema não é conjuntural e sim estrutural caracterizando uma forte tendência de perda de competitividade da economia da Bahia como um todo. Constata-se, pelo exposto, que as fragilidades econômicas do Estado da Bahia se manifestam na queda do crescimento do PIB acompanhando o declínio no crescimento do PIB do Brasil, na insuficiência na poupança interna para investimento que torna a Bahia fortemente dependente de capitais externos, no risco de depressão econômica da Bahia com o agravamento da crise brasileira e da queda progressiva do PIB da Bahia. Estas fragilidades resultam de problemas do Brasil e, também, estruturais existentes na Bahia, além da crise de gestão do governo da Bahia que se traduz em: 1) Crise de planejamento; e, 2) Crise da estratégia de desenvolvimento. A crise de planejamento do Estado da Bahia se caracteriza pela inexistência de um plano de desenvolvimento
  3. 3. 3 regional sistêmico e estratégico que abranja toda a Bahia e pela falta de iniciativa do governo da Bahia e dos setores produtivos de se articularem para reverter a estagnação econômica da Bahia. A crise da estratégia de desenvolvimento resulta do fato de o governo do Estado da Bahia não possuir uma estratégia eficaz de desenvolvimento que assegure o desenvolvimento de cada município, de cada região e do Estado da Bahia como um todo e ser ineficiente e ineficaz como organização. Um fato é evidente: as estruturas organizacionais do governo da Bahia em todos os seus níveis estão superadas. É inadmissível que na Bahia os governos federal, estadual e municipal superponham esforços, como ainda ocorre hoje em muitos setores, exaurindo os parcos recursos colocados à sua disposição e não passe a atuar com base em estruturas regionais nas quais estejam presentes todos os órgãos federais, estaduais e municipais interessados em seu desenvolvimento. Para solucionar esse problema, seria necessário fazer com que os governos federal e estadual assumissem funções normativas e de planejamento global, regional e setorial em bases integradas, enquanto as prefeituras municipais, órgãos de desenvolvimento regional e empresas públicas fariam a parte executiva também de forma articulada. Esse modelo de gestão integrada do setor público no Brasil se contraporia ao que prevalece na atualidade, no qual os governos federal, estadual e municipal são autônomos nas suas deliberações e ações, e politicamente reativos à ideia de integração. Para fazer com que as estruturas governamentais da Bahia atuem de forma integrada é preciso constituir o denominado Estado em rede. O Estado em Rede pressupõe a implantação de Estrutura em Rede, ou Organização em Rede, que é um tipo de macroestrutura organizacional que funcionaria segundo uma lógica de organograma circular ou em forma de estrela, no centro da qual está a organização principal, isto é, o governo federal no plano nacional e o governo do Estado no plano estadual. Os objetivos e os planos operacionais dos componentes da estrutura em rede devem ser estabelecidos em conjunto por todos os seus integrantes. O funcionamento deste tipo de organização se apoiaria em modernos sistemas informáticos e de telecomunicações que permitiriam a gestão e o controle de todos os processos. A estrutura em rede possibilitará reduzir os custos de operação do Estado e, consequentemente, minimizar a carga tributária sobre os contribuintes. *Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação e da Academia Brasileira Rotária de Letras – Seção da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

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