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A EXAUSTÃO DOS RECURSOS NATURAIS DO PLANETA TERRA
Fernando Alcoforado*
Um fato indiscutível é o de que a humanidade já c...
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têm acesso à água para beber (Ver o artigo de Clarissa Taguchi Ver para crer: uma
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A exaustão dos recursos naturais do planeta terra

  1. 1. 1 A EXAUSTÃO DOS RECURSOS NATURAIS DO PLANETA TERRA Fernando Alcoforado* Um fato indiscutível é o de que a humanidade já consome mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. O ritmo atual de consumo é uma ameaça para a prosperidade futura da humanidade. Nos últimos 45 anos, a demanda pelos recursos naturais do planeta dobrou, devido à elevação do padrão de vida nos países ricos e emergentes e ao aumento da população mundial. Hoje a humanidade utiliza 50% da água doce do planeta. Em 40 anos utilizará 80%. A distribuição geográfica da água doce é desigual. Atualmente 1/3 da população mundial vive em regiões onde ela é escassa. O uso da água imprópria para o consumo é responsável por 60% dos doentes do planeta. Metade dos rios do mundo está contaminada por esgoto, agrotóxicos e lixo industrial (Ver o artigo Cai do Céu, mas pode faltar disponível no website <http://veja.abril.com.br/300108/p_086.shtml>). Apenas 12% das terras do planeta são cultiváveis. Nos últimos 30 anos dobrou o total de terras cultiváveis atingidas por secas severas devido ao aquecimento global. Na China a cada 2 anos uma área equivalente ao estado de Sergipe se transforma em deserto. Das 200 espécies de peixe com maior interesse comercial, 120 são exploradas além do nível sustentável. Neste ritmo, o volume de pescado disponível terá diminuído em mais de 90% até 2050. Estima-se que 40% da área dos oceanos esteja gravemente degradada pela ação do homem. Nos últimos 50 anos o número de zonas mortas cresceu de 10 vezes (Ver o artigo O WWF alerta para o esgotamento dos recursos naturais disponível no website <http://arquivoetc.blogspot.com.br/2008/11/o-wwf-alerta-para-o- esgotamento-dos.html>). Desde 1961, a quantidade de gases poluentes despejada pelo homem na atmosfera cresceu 10 vezes. Essa descarga acelera o aquecimento do planeta provocando secas, inundações, extinção de espécies e a possibilidade de elevação do nível dos mares de até 7 metros se ocorrer o degelo dos polos, da Groenlândia e das cordilheiras do Himalaia, dos Alpes e dos Andes da qual resultaria o desaparecimento de muitas ilhas e cidades litorâneas. A redução desde 1970 até hoje de espécimes terrestres é de 33%, espécimes marinhos corresponde a 14%; e de espécimes de água doce é de 35%. A população mundial cresce aproximadamente 80 milhões por ano agravando a demanda por água e seus serviços (Ver Relatório Planeta Vivo 2008 no website <http://assets.wwf.org.br/downloads/sumario_imprensa_relatorio_planeta_vivo_2008_2 8_10_08.pdf>). Relatório da ONU sobre o uso da água confirma que, sem medidas contra o desperdício e a favor do consumo sustentável, o acesso à água potável e ao saneamento serão ainda mais reduzidos (Ver o artigo Bilhões sofrerão com falta de água e saneamento, diz relatório da ONU no website <http://sosriosdobrasil.blogspot.com.br/2009/03/bilhoes- sofrerao-com-falta-de-agua-e.html>. Este Relatório da ONU estima que 5 bilhões de pessoas sofrerão com a falta de saneamento básico em 2030. No mundo existe 1,197 bilhão de pessoas sem acesso à água potável e 2,742 bilhões sem saneamento básico (dados do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2004) e, no Brasil, existe mais de 45 milhões de habitantes sem acesso à água potável e mais de 90 milhões sem acesso à rede de esgoto (dados do IBGE em 2004). De acordo com a ONU, 41% da superfície atual do planeta são formadas por áreas secas, como o semiárido brasileiro, e 2 bilhões de pessoas vivem nessas áreas. Todas essas pessoas, de regiões secas ou úmidas, não
  2. 2. 2 têm acesso à água para beber (Ver o artigo de Clarissa Taguchi Ver para crer: uma guerra pela água pode estar prestes a ser travada no website <http://panoramaecologia.blogspot.com.br/2006/03/ver-para-crer-uma-guerra-pela-gua- pode.html>). A água está se convertendo em uma fonte geradora de guerras devido à competição internacional pelos recursos hídricos. Muitos países constroem grandes represas desviando a água dos sistemas naturais de drenagem dos rios em prejuízo de outros. Os principais conflitos pela água no mundo atual envolvem Israel, Jordânia e Palestina pelo Rio Jordão, Turquia e Síria pelo Rio Eufrates, China e Índia pelo Rio Brahmaputra, Botswana, Angola e Namíbia pelo Rio Okavango, Etiópia, Uganda, Sudão e Egito pelo Rio Nilo e Bangladesh e Índia pelo Rio Ganges. Caso os países capitalistas periféricos copiassem os padrões dos países capitalistas desenvolvidos, a quantidade de combustíveis fósseis consumida atualmente aumentaria 10 vezes e a de recursos minerais, 200 vezes (Ver o artigo O que é desenvolvimento sustentável? disponível no website <http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sust entavel/>. Quanto aos recursos minerais, o ferro, alumínio e possivelmente o titânio são abundantes na crosta terrestre cujas reservas podem ser consideradas ilimitadas. No entanto, os demais minerais não renováveis formados por processos geológicos em milhões de anos apresentam reservas que se reduzem continuamente sendo tão escassos e preciosos quanto os combustíveis fósseis (Meadows, Donella, Meadows et alli. Beyond the limits. Vermont: Chelsea Green Publishing Company, 1992). Nos últimos dois séculos a extração dos recursos minerais tornou-se mais intensa, retirando volumes cada vez maiores da natureza. A preocupação é que a maioria desses recursos não é renovável, ou seja, não são repostos pela natureza. Se o ritmo de extração continuar como está, a humanidade certamente verá alguns minérios extinguir-se. Com base em reservas existentes hoje, determinados recursos minerais já possuem uma possível data para se esgotar, dentre eles podemos citar o ouro, o estanho e o níquel. As reservas de ouro devem findar-se por volta do ano de 2020. O estanho deve se esgotar por volta do ano de 2020. A data prevista para o fim das reservas de níquel no planeta é em torno de 2050. Muitos cientistas afirmam que o petróleo se esgotará por volta de 2070 (Ver o artigo O esgotamento de alguns minérios disponível no website <http://www.brasilescola.com/geografia/o-esgotamento-alguns-minerios.htm>). A competição por recursos como o petróleo é, atualmente, a maior fonte potencial de conflitos mundiais. O crescimento da demanda por petróleo vai superar a oferta global em 2020 ou 2025, apontando que o mundo vive "o crepúsculo do petróleo", isto é, um momento de transição entre a abundância e a escassez. A disputa pelo petróleo que ainda resta levará a um estado de guerra permanente, caracterizado pela presença de grandes potências em suas regiões produtoras. No passado, as grandes empresas do setor descobriam mais petróleo por ano do que eram capazes de extrair, o que não acontece mais hoje em dia. Está havendo na atualidade mais extração de petróleo do que a capacidade de repor com novas descobertas (Ver o artigo de Luciana Brafman Disputa por petróleo leva a estado de guerra permanente disponível no web site <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1710200520.htm>. Tudo leva a crer que as guerras do Século XXI terão como fulcro a batalha por recursos naturais que tendem a não suprir as necessidades humanas. Nosso modelo de
  3. 3. 3 desenvolvimento está atingindo seus limites. Com a falta de recursos naturais necessários para sua sobrevivência e a ausência de um governo mundial que seja capaz de mediar os conflitos, a humanidade tende a uma regressão à barbárie e ao comportamento cruel. Para evitar este cenário catastrófico, é preciso que todos os governos de todos os países do mundo celebrem um contrato social planetário que possibilite o desenvolvimento econômico e social sustentável e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade. *Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros.STORIA

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