Adoção da TI Verde na Administração das Redes de Computadores - Projeto de Pesquisa

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Projeto de Pesquisa do Curso Técnico de Redes de Computadores, da Escola Técnica Estadual Aderico Alves de Vasconcelos, município de Goiana (Pernambuco).

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Adoção da TI Verde na Administração das Redes de Computadores - Projeto de Pesquisa

  1. 1. ADOÇÃO DA TI VERDE NA ADMINISTRAÇÃO DAS REDES DE COMPUTADORES
  2. 2. ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL ADERICO ALVES DE VASCONCELOS TÉCNICO EM REDES DE COMPUTADORES ADOÇÃO DA TI VERDE NA ADMINISTRAÇÃO DAS REDES DE COMPUTADORES Fagner Silva de Lima Goiana / 2013
  3. 3. Fagner Silva de Lima ADOÇÃO DA TI VERDE NA ADMINISTRAÇÃO DAS REDES DE COMPUTADORES Projeto apresentado na disciplina de Projeto Estruturado de Redes como requisito para a apresentação do Trabalho de Conclusão da disciplina. Orientador: Luiz Carlos Mendes. Goiana / 2013
  4. 4. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................5 2. JUSTIFICATIVA ......................................................................................................7 3. OBJETIVOS ............................................................................................................8 4. METODOLOGIA DE PESQUISA ............................................................................9 5. TI VERDE (GREEN TI)..........................................................................................10 5.1. A Revolução Industrial e o Sistema Capitalista ..............................................10 5.2. Meio Ambiente................................................................................................11 5.3. Tecnologia da Informação ..............................................................................13 5.4. Impactos da Tecnologia no Meio Ambiente....................................................14 5.5. Consumo de Energia ......................................................................................15 5.6. Lixo Eletrônico (e-Trash).................................................................................19 5.7. Sustentabilidade .............................................................................................22 5.8. Tecnologia Sustentável...................................................................................24 5.8.1. Estratégias ...............................................................................................24 5.8.2. Benefícios ................................................................................................29 5.8.3. Conscientização.......................................................................................30 6. TI VERDE NAS REDES DE COMPUTADORES...................................................31 6.1. Virtualização ...................................................................................................33 6.1.1. Tipos de Virtualização..............................................................................35 6.1.2. Benefícios ................................................................................................35 6.2. Cloud Computing............................................................................................38 6.2.1. Infrastructure as a Service (IaaS).............................................................39 6.2.2. Gestão de Energia e a Computação em Nuvem......................................39 6.3. Grid Computing...............................................................................................40 6.4. Data Centers...................................................................................................41 6.5. Software..........................................................................................................42 7. ISO 14401 .............................................................................................................44 7.1. Política Ambiental........................................................................................45 7.2. Aspectos Ambientais...................................................................................45 7.3. Requisitos Legais e Outros Requisitos........................................................45 7.4. Objetivos e Metas........................................................................................46 7.5. Programas de Gestão Ambiental ................................................................46
  5. 5. 7.6. Estrutura e Responsabilidade .....................................................................47 7.7. Treinamento, Consciência e Competência..................................................47 7.8. Comunicação (Divulgação) .........................................................................47 7.9. Documentação da Gestão Ambiental..........................................................48 7.10. Controle Operacional ................................................................................48 7.11 Preparação para Casos Emergenciais e Resposta....................................49 7.12 Monitoramento e Medição..........................................................................50 7.13 Não-Conformidade e Ação Corretiva e Preventiva ....................................50 7.14 Registros....................................................................................................51 7.15. Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental...............................................51 8. EMPRESAS TECNO(ECO)LÓGICAS...................................................................52 8.1. Wipro ..............................................................................................................52 8.2. HP...................................................................................................................53 8.3. Nokia...............................................................................................................53 8.4. Acer ................................................................................................................54 8.5. Dell..................................................................................................................54 9. CRONOGRAMA....................................................................................................55 10. CONCLUSÃO......................................................................................................56 REFERÊNCIAS.........................................................................................................57
  6. 6. 5 1. INTRODUÇÃO Atualmente o mundo encontra-se preocupado com um dos temas mais abordados nos últimos anos: sustentabilidade. Tal conceito nos remete ao ato de “manter algo em seu devido estado”, ou seja, sustenta-lo perante a uma realidade que vai de encontro ao ideal de preservação. A ideia de sustentabilidade ganhou cada vez mais destaque pelo fato de que o meio ambiente, nas últimas décadas, vem sofrendo rápidas e consideráveis mudanças em seu estado natural. E a maior parte disso se dá por causa do próprio ser humano, que acaba acelerando este processo ao exercer certas práticas, como geração de um alto nível de poluição e o uso irracional de recursos naturais, que degradam de forma não natural o meio em que vivemos. Não estão sendo discutidos apenas os impactos causados por tais acontecimentos, mas também formas de lidar com toda essa situação. A conscientização das pessoas é a ideia central para que o quadro atual seja positivamente alterado, porém a total explanação desse ideal ainda está longe de ser uma realidade, pois boa parte das pessoas acaba não se importando com os malefícios que está cometendo com suas práticas contra o meio ambiente. No âmbito da Tecnologia da Informação a visão de contribuir para a preservação do ambiente também está presente com a chamada “TI Verde”, onde TI significa Tecnologia da Informação, e o termo Verde faz alusão à sustentabilidade. Eitel (2008) diz que TI Verde é “O uso consciente da tecnologia.” Segundo Pablo Hess (2009), “TI Verde é um conjunto de práticas para tornar mais sustentável e menos prejudicial o nosso uso da computação”. O principal expoente de discussão da sustentabilidade na tecnologia é justamente a questão do consumo eficiente de energia. Porém, não há apenas esta preocupação, já que o meio ambiente também sofre com outras situações, como por exemplo, o descarte acelerado e indevido de aparelhos eletrônicos. Murugesan (2008) descreve que: “O setor de tecnologia vem buscando formas e iniciativas para controlar o uso desenfreado de matérias-primas, conter o gasto de energia e conservar o meio ambiente, diminuindo a emissão de poluentes, seja no solo, na água ou no ar.”
  7. 7. 6 As Redes de Computadores trazem consigo um importante referencial na TI Verde, pois onde há tecnologia há conexões diversas (redes). É válido conhecer desde o impacto da tecnologia no ambiente até as formas que podem ser adotadas para reduzir este impacto. As Redes possuem cada vez mais técnicas que auxiliam o Administrador de Rede a proporcionar um “ambiente verde” ao seu ambiente. A metodologia verde para as Redes de Computadores pode ser considerada a principal inserção deste pensamento na computação, pois partindo do princípio do consumo excessivo de energia, as redes devem ser a prioridade do “pensamento verde”, já que compõem a principal estrutura de comunicação entre dispositivos eletrônicos. A maioria das Redes de Computadores é implantada com a ideia de que seu funcionamento não pode ser interrompido (salvo certas exceções), ou seja, com o princípio de disponibilidade contínua. Também é válido ressaltar que os ganhos da TI Verde não dizem respeito apenas à preservação do ambiente, mesmo que esse fator por si só seja extremamente importante. Há ainda um pensamento de que a adoção da ideia verde custa caro, porém isso não é uma realidade. As empresas que aderem a esta metodologia de sustentabilidade conquistam muito mais, pois passam a economizar principalmente em energia, e também ganham como benefício a imagem de uma empresa sustentável, angariando um maior interesse de investidores do mercado financeiro.
  8. 8. 7 2. JUSTIFICATIVA É inegável que o planeta necessita de uma resposta de nossa parte, pois apenas dessa forma o quadro atual poderá ser mudado. A tecnologia trouxe e vem trazendo benefícios extraordinários a toda sociedade, mas também vem trazendo muitos malefícios ao meio ambiente. Felizmente essa realidade pode ser trabalhada, tendo como visão a sustentabilidade, que traria benefícios para todos os lados. Não é algo mágico, que acontece da noite para o dia, mas é algo que se bem elaborado proporciona bons frutos de forma gradativa. O mais importante é levar em consideração a ideia de que preservar o ambiente é algo que agrega muito aos valores de uma empresa/pessoa. Não há um “jeito certo” para que se façam as coisas, pois a TI Verde proporciona não apenas um “passo a passo” de como as coisas devem ser feitas, mas também a possibilidade de criatividade por parte de seus manipuladores. Sendo assim a TI Verde trata-se de uma metodologia, que deverá antes de tudo ser compreendida por aqueles que necessitam de sua utilização. É imprescindível que se criem formas de conscientização, que sejam divulgadas tanto quanto são as novas tecnologias. A contribuição desse tipo de medida é essencial, tendo em vista que esse tema é desconhecido pela maioria das pessoas que usam a tecnologia diariamente. Ensinar é preciso, mas mostrar os benefícios dessa ideia é ainda mais importante. De acordo com o Greenpeace Brasil (2006): Quando o aquecimento global foi detectado, alguns cientistas ainda acreditavam que o fenômeno poderia ser causado por eventos naturais, como a erupção de vulcões, aumento ou diminuição da atividade solar e movimento dos continentes. Porém, com o avanço da ciência, ficou provado que as atividades humanas são as principais responsáveis pelas mudanças climáticas que já vêm deixando vítimas por todo o planeta. Como em qualquer âmbito da vida, se o ambiente não estiver organizado e harmonioso, os seus integrantes terão problemas. É assim também que funciona o meio ambiente, pois é a partir dele que nós retiramos tudo o que precisamos para vivermos da melhor forma possível, e a tecnologia deve ser usada para cumprir seu papel em ajudar a tornar as coisas melhores, preservando nosso grande patrimônio.
  9. 9. 8 3. OBJETIVOS 3.1 GERAL Identificar e analisar as características e as práticas da TI Verde diretamente relacionada com as Redes de Computadores e apontar metodologias que visem a conscientização dos usuários de tecnologia para a sustentabilidade. 3.2 ESPECÍFICOS • Analisar o cenário atual do planeta e como a utilização indevida da tecnologia o afeta. • Identificar as vantagens e possíveis desvantagens da aplicabilidade da TI Verde nas áreas de tecnologia. • Detalhar as principais aplicações da TI Verde no âmbito específico das Redes de Computadores. • Referenciar o papel do Administrador de Rede com a sustentabilidade. • Expor formas de conscientização para que os usuários de tecnologia conheçam melhor a ideologia da TI Verde.
  10. 10. 9 4. METODOLOGIA DE PESQUISA As formas adotadas para a elaboração e desenvolvimento deste projeto englobam tanto experiências do cotidiano quanto a análise de outras diversas situações. A pesquisa feita teve como visão a prática de metodologias que objetivam a sustentabilidade no ramo de tecnologia. Para se entender o termo TI Verde, e tudo o que ele engloba, deve-se primeiramente ter uma base quanto ao conceito de sustentabilidade de uma forma geral, e os danos causados pela degradação da natureza. Por este fato também é feita uma explanação sobre a preservação não diretamente ligada à tecnologia. Entretanto, o foco principal desta pesquisa é a aplicabilidade da TI Verde no âmbito das Redes de Computadores, e com isso teremos um foco especial neste sentido. Ideologias, práticas, experiências, normas, e tudo o que possa ser acrescentado ao tema foi abordado ao longo da coleta de informações. O principal meio de pesquisa adotado foi a Internet, porém houve importantes análises para constatar o valor das informações coletadas. No decorrer da pesquisa foi dada preferências a artigos acadêmicos desenvolvidos com o tema de sustentabilidade na tecnologia, principalmente no âmbito das Redes de Computadores, pois eles oferecem uma visão mais dinâmica da realidade, além de trazer por vezes experiências práticas envolvendo o tema.
  11. 11. 10 5. TI VERDE (GREEN TI) TI Verde (em inglês: Green TI), também chamada de “Computação Verde”, é a metodologia que visa a utilização de modelos sustentáveis para utilização mais eficiente dos recursos, estando presente tanto na criação, fabricação uso e descarte. Diferente do que a maioria pensa, a TI Verde não tenta apenas minimizar o impacto do aquecimento global, mas sim aplicar métodos que proporcionem um melhor aproveitamento dos equipamentos (no caso, hardware), para que possam ser reutilizados mais facilmente no futuro, fato que por si só já mostra quão benéfica pode ser a adoção da “metodologia verde” na tecnologia. 5.1. A Revolução Industrial e o Sistema Capitalista A preocupação com a situação do meio ambiente nos dias atuais é clara e evidente, mas vale ressaltar que este quadro não se desenhou da noite para o dia. Ao longo dos tempos foi-se provocando tudo isso, e vários acontecimentos colaboraram para que isso se tornasse uma realidade. A Revolução Industrial é apontada por muitos como sendo o pontapé inicial para esta situação, pois marcou o surgimento de uma nova era onde houve a substituição da mão-de-obra artesanal pela utilização de novas máquinas criadas pelo homem, desde a utilização de teares manuais até as máquinas a vapor. Como apresentado no site SO História: A Revolução Industrial foi um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas. Até o final do século XVIII a maioria da população europeia vivia no campo e produzia o que consumia. De maneira artesanal o produtor dominava todo o processo produtivo. (http://www.brasilescola.com/historiag/revolucao- industrial.htm) Não há muitas dificuldades em perceber o quanto essa transição afetou a relação entre homem e ambiente, pois a adoção das novas máquinas trazia o início de um significativo momento de degradação ambiental. Passou-se, por exemplo, a haver uma maior liberação de CO (entre outros gases nocivos) na atmosfera, consequência da queima de combustíveis fósseis. A mudança de práticas foi bastante drástica, pois não existia uma afronta tão significativa ao meio ambiente. Pereira (2002) diz que:
  12. 12. 11 As primeiras indústrias surgiram numa época em que os problemas ambientais eram de pequena expressão, principalmente pelas reduzidas escalas de produção. As exigências ambientais eram pequenas e a fumaça liberada pelas chaminés das fábricas era vista como um sinal de progresso e desenvolvimento, tornando inevitável o aparecimento de problemas ambientais amplamente difundidos. A Revolução Industrial não foi o único fator preponderante para o aumento da degradação ao ambiente. Outro ponto importante foi a consolidação do sistema capitalista em nível global. Com isso, houve um grande incentivo à urbanização, já que a principal atividade econômica do capitalista é justamente a indústria. Em consequência do aumento da população nas cidades e do aumento da produção industrial, veio o aumento do nível de poluição como um todo, ou seja, ar, solo, água, etc., como comentado por Souza, no site Brasil Escola. 5.2. Meio Ambiente De acordo com a Lei 6.938, de 31/08/1981, “entende-se por meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Encontra-se na ISO 14001:2004 a seguinte definição sobre meio ambiente: “circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo-se ar, água, solo, recursos naturais, flora fauna, seres humanos e suas inter-relações.”. O meio ambiente agrega tudo aquilo que é natural ao nosso redor, tudo o que nos remete à natureza, ecologia, fauna, flora. Porém, toda essa naturalidade vem sendo modificada/destruída ao longo dos anos, e nosso maior desafio é justamente discutir e implantar meios que possibilitem a preservação da natureza. Conforme a Lei 9.795, de 27/04/1999, “entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.”. Ainda na Lei 9.795, de 27/04/1999, “a educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal.”. Infelizmente as consequências causadas pelo descaso com o meio ambiente estão se tornando cada vez mais catastróficas. A ocorrência de violentos fenômenos
  13. 13. 12 naturais como tsunamis, furações, erupções vulcânicas, entre outros, estão aumentando cada vez mais. Além disso, as ondas de calor estão ainda mais constantes e acentuadas. Atualmente um dos principais pontos discutidos entre as nações é sobre a adoção de métodos para combater a atual situação. Trabalha-se constantemente na criação de soluções que visem diminuir os danos causados ao meio ambiente, pois é inegável que se houver continuidade na atual situação, os riscos tornam-se cada vez mais assustadores. A proteção ambiental é hoje prioridade na agenda política de qualquer país, o que tem deixado empresas industriais e até agências de governo na defensiva, diante da grande atratividade política de bandeiras de proteção ao meio ambiente. (WANDERLEY; FERRAZ; RUSH, 1994, p. 37). A seguir, alguns pontos que destacam a degradação que vem acontecendo no meio ambiente, segundo Adriano A. Barros. • A Terra ficou 0,7°C mais quente nos últimos 100 anos; • Se as emissões de gases fossem congeladas até o ano 2200 a temperatura aumentaria entre 0,4 e 0,8°C; • Projeção de aumento de 5,4°C na temperatura mundial até o final do século; • Algumas espécies de animais definidas como “criticamente ameaçadas” serão extintas nas próximas décadas e “as ameaçadas ou vulneráveis” se tornarão muito raras. • A massa de gelo que vem derretendo ao longo dos últimos anos vai aumentar o nível do mar entre 30 cm e 80 cm nos próximos 50 a 80 anos; • Em 12 anos foram perdidos 14 mil Km²; • Com o ritmo atual de desmatamento e emissões, 6 milhões de Km² de floresta podem se transformar em Savanas nos próximos 100 anos; • O Brasil é o 4° emissor de gases causadores do efeito estufa; • O aquecimento global vai aumentar as temperaturas na Amazônia entre 2°C e 3°C, e pode deixar o clima mais seco e com redução de chuva entre 10% a 20%; • Um cerrado mais pobre em biodiversidade vai avançar sobre a floresta. Esta savanização é acelerada pelos desmatamentos e queimadas;
  14. 14. 13 • A vazão das Cataratas do Iguaçu chegou a 225 m³ por segundo um volume 13% do normal em Julho de 2006 o pior índice dos últimos 18 anos; • Grandes Cidades nas regiões metropolitanas ficarão ainda mais quentes, com mais inundações, enchentes e desmoronamentos em áreas de risco, principalmente nas encostas de morro. • Nosso planeta reflete 30% e absorve 70% da radiação solar; • Gases do Efeito Estufa (GEE) absorvem mais calor que a média da atmosfera; • CO₂ e vapor de água (produtos de combustão e uso de água) estão nessa categoria; • Há outros GEE como metano, óxido nitroso, fluorcarbonetos (FCs e CFCs); • “Tonelada de CO₂” é usada como unidade de medida de aquecimento global; • Produzir energia gera CO₂ e vapor. Mais pela queima de combustíveis fósseis, menos se a fonte for hídrica, solar ou nuclear; 5.3. Tecnologia da Informação Alecrim (2011) diz que: A Tecnologia da Informação (TI) pode ser definida como o conjunto de todas as atividades e soluções providas por recursos computacionais que visam permitir a obtenção, o armazenamento, o acesso, o gerenciamento e o uso das informações. Na verdade, as aplicações para TI são tantas - estão ligadas às mais diversas áreas - que há várias definições para a expressão e nenhuma delas consegue determiná-la por completo. O conceito de Tecnologia da Informação é muito amplo, e não se pode apontar uma descrição exata de seu significado. Reis (2003, p. 2) diz que: O conceito de Tecnologia da Informação é mais abrangente do que os de processamento de dados, sistemas de informação, engenharia de software, informática ou o conjunto de hardware e software, pois também envolve aspectos humanos, administrativos e organizacionais. A Tecnologia da Informação, como sendo uma criação humana, surgiu com o intuito de auxiliar o homem, contribuindo para o seu desempenho nas mais diversas funções. Suas aplicabilidades são muitas, e nos últimos anos essa diversidade vem se tornando ainda maior, pois a tecnologia como um todo avança de forma muito rápida, fazendo com que inúmeras inovações sejam desenvolvidas constantemente.
  15. 15. 14 Um dos bens mais preciosos de uma empresa/organização é a informação, e sendo assim torna-se necessária a utilização dos meios de TI para geri-la de forma apropriada. Com o auxilio de sistemas, equipamentos e outros meios, a informação deve ser transformada num diferencial competitivo. É verdade que ainda existe certa “estranheza” em relação à TI por parte de muitas pessoas, que geralmente fazem uso de suas tradições ao invés da modernidade. Porém, é inegável que a presença de tal tecnologia vem crescendo de forma muito acelerada, e se torna uma obrigação para toda e qualquer empresa fazer uso da TI por uma questão simples de visão estratégica. 5.4. Impactos da Tecnologia no Meio Ambiente Infelizmente nem tudo o que é feito para o bem gera 100% de benefícios. A TI, juntamente com todas as suas vantagens, vem trazendo alguns pontos negativos. A tecnologia tem tirado o emprego de muitas pessoas, pois como foi observado no surgimento da Revolução Industrial, as máquinas passaram a substituir diversos trabalhos que antes eram feitos de forma manual. As inovações tecnológicas também são apontadas como responsáveis pelo aumento do sedentarismo. Além disso, há sempre a questão da criminalidade virtual, fato que não se diferencia muito da “criminalidade real” presente no cotidiano. O meio ambiente também é prejudicado pelo mau uso da tecnologia. A TI gera inúmeros fatores que ajudam a degradar a natureza, como por exemplo, o alto consumo de energia, o aumento no consumo de papel (por incrível que pareça), o descarte incorreto de equipamentos, etc. A situação parece se agravar a cada dia, e com isso o espaço natural se modifica de uma forma bastante preocupante, tanto que se discute o pensamento de ser possível ou não parar todo esse processo, já que se chegou a um ponto em que o descontrole parece ser total. Assunto geral hoje é o meio ambiente e sua preservação, nada de poluir, de sujar, de estragar, de queimar. Nada disso! É preciso tomar a consciência de que dependemos do meio ambiente para viver. Esse tem sido o apelo da mídia para as pessoas, mas de forma geral não tem sido ouvido por uma única razão: tecnologia. Tudo o que o homem quer é se expandir em tecnologia e criar cada vez mais coisas que sejam para facilitar a vida em geral. Então consomem energia em excesso, exploram o que a natureza oferece se esquecendo de que tudo um dia acaba, principalmente por mau uso. (http://www.guiadasdicas.com/2010/05/impacto-da-tecnologia-no-meio- ambiente.html)
  16. 16. 15 A indústria da Informática é uma das que mais colaboram com a degradação do meio ambiente. Na fabricação de um computador, por exemplo, são gastos utilizados, em média, 1800 kg de materiais. Segundo Rosa (2007), “são, por exemplo, 240 quilos de combustíveis fósseis, 22 quilos de produtos químicos e - talvez o dado mais impressionante - 1500 quilos de água”. Para a obtenção da pureza necessária na produção de pasta de silício (usado na fabricação de circuitos e placas de computadores), o material deve ser banhado em grande quantidade de água pura. Além disso, pode-se considerar também o material utilizado nas embalagens, que muitas vezes são grandes para os equipamentos aos quais se destinam. “Os equipamentos de TI já são responsáveis por 2% das emissões de CO2 em todo o mundo, correspondendo à quantidade emitida por todos os aviões que existem no mundo.” (LUCAS). 5.5. Consumo de Energia Em entrevista à UnB Agência, o cientista alemão Reiner Hartenstein (um dos pais da computação reconfigurável) revelou que somente os servidores da Google consomem 2% de toda a energia usada no planeta. “A reconfiguração dos computadores traria resultados maiores do que todas as demais propostas relacionadas à mudança climática.”. Ainda na entrevista, Hartenstein é perguntado sobre como a computação verde poderia reduzir o consumo de energia: Desde 15 anos atrás, os cientistas passaram a pesquisar os ganhos de produtividade com FPGA (dispositivo que pode ser programado pelo usuário, diferentemente da grande maioria dos chips encontrados no dia a dia, que já vêm pré-programados, isto é, com as suas funcionalidades definidas na fabricação). Há muitas publicações mostrando que o desempenho é espetacular em algumas tarefas. No caso da quebra de códigos criptografados, os ganhos são de 28 mil por cento. E gastando 3 mil vezes menos energia para a mesma tarefa. Com resultados assim, pode-se dispensar até o uso de ar condicionado nas máquinas. É evidente que um dos maiores danos ao ambiente causado pela tecnologia seja o consumo elevado de energia. Todos os equipamentos eletrônicos utilizados pela pessoa consomem energia de diversas formas, desde celulares, notebooks, tablets, até os grandes servidores espalhados pelo mundo. Uns consomem menos, outros mais, mas se considerarmos o que todos eles consomem juntos, o resultado
  17. 17. 16 é impressionante. E ainda há de se ressaltar que o número de dispositivos eletrônicos cresce a cada instante, fazendo com que tal consumo seja ainda maior. A Redução do consumo de energia é, sem dúvida, uma ação prioritária do movimento da TI Verde. Algumas soluções para a redução de consumo de energia são a virtualização de servidores, configurações de economia de energia nos dispositivos, aquisições de equipamentos com certificados, etc. A verdade é que os servidores e Data Centers são os grandes consumistas de energia. O fato de que estes grandes computadores necessitam de um alto poder de processamento explica isso, e sendo assim, o nível e refrigeração de suas localizações precisa ser extremamente alto e eficiente, o que torna o consumo de energia bastante elevado. A solução encontrada (pelo menos por hora) é a redução do consumo por parte dos clientes (estações de trabalho individuais), pois estes não necessitam de potência em suas máquinas para trabalhar, e podem usufruir de computadores de baixo custo, com monitores que consumam pouca energia e sejam menos espaçosos. As áreas de TI, em geral, nas empresas costumam utilizar cerca de 10% da energia total. Scott, da Living Green, diz que a melhor opção é que a TI ajuda a empresa a cuidar dos outros 90%. Para isso, a área de TI precisa criar uma parceria íntima com a equipe de gestão de produção, para implementação de sensores e softwares de gerenciamento de produção automática que podem ir desde o monitoramento e controle de todas as luzes até o controle remoto do ar condicionado. A Universidade Ave Maria, na Florida, tem feito exatamente isso. A escola com mais de 600 alunos usa hardware e software de prateleira da Johnson Controls e Eaton para monitorar e gerenciar água, energia, luzes e ar condicionado por todo o campus. Cada sistema no campus é acessível via Web browser, assim as equipes podem monitorar esses sistemas e controlar remotamente as áreas que podem render mais gasto. Os gerentes de TI, como Brian Mehaffey, VP de sistemas de tecnologia e engenharia da Universidade, podem fazer coisas como desligar a ventilação da igreja do campus se for ineficiente. Por exemplo, Mehaffey percebeu que as contas de energia elétrica só da igreja chegavam a U$ 22 mil por mês, então ele usou o sistema para rever a ventilação, a qualidade, a temperatura, a umidade e o uso de energia. Ele descobriu que o ar condicionado estava funcionando na capacidade máxima mesmo que a
  18. 18. 17 igreja estivesse vazia a maior parte do tempo. Durante os períodos sem atividade da igreja, Mehaffey e sua equipe desligaram todos os sistemas, um por um, observando em tempo real as mudanças na temperatura, umidade, qualidade do ar e uso de energia a cada novo ajuste a desligando o próximo sistema caso o ambiente estivesse em confortável equilíbrio. Agora a igreja gasta aproximadamente U$ 5 mil por mês em energia, e ainda é um lugar confortável. “Estamos falando em uma economia de U$ 150.000 por ano só em energia elétrica.” (MEHAFFEY, 2009). Em algumas áreas dos Estados Unidos, as empresas podem escolher energia alternativa. Em Maryland, os clientes da Baltimore Gás & Eletric, por exemplo, podem escolher ter a energia gerada por fontes “verdes” se pagarem um pouquinho a mais. A Monsanto participa de uma parceria com sua distribuidora de energia, Ameren U E, chamada Pure Power que leva a Monsanto 10% de sua energia de fontes renováveis. Os líderes de TI acham que o impacto das iniciativas de TI verde será um número difícil de definir com precisão. “Uma das coisas mais difíceis é chegar ao ponto que mostra que esses esforços valem a pena”, disse Buckholtz, da Sony Pictures. Existem diversas ferramentas que podem ajudar empresas como a Johnson Controls a medir o uso de energia por circuito ou por dispositivo, assim como por airflow. A Bryant usa o Tivoli Monitoring Power Management, da IBM, para avaliar fatores como o consumo individual de um servidor, para que durante os períodos de pouca utilização, a energia que alimenta o sistema seja cortada, desligando estrategicamente CPUs individuais. Muitos computadores ficam ligados por muito tempo, mesmo sem estarem sendo utilizados. Este é um problema que a área de TI pode resolver tanto com mudanças na tecnologia, quanto com campanhas de conscientização. Independentemente da abordagem, este é o momento certo para promover esforços que ultrapassem a área de TI, já que os funcionários estão mais receptivos a tais mudanças. “Existe um fator interessante nisto tudo, e queremos tirar vantagem”, disse David Buckholtz, vice- presidente de arquitetura e planejamento coorporativo da Sony Pictures Entertainment, que tem planejado uma estratégia de TI verde. As empresas que optam por software como serviço, normalmente, o fazem para economizar. Mas esse também pode ser visto como um investimento verde. Microsoft e
  19. 19. 18 Google vêm gastando bilhões de dólares na construção de novos data centers, geralmente perto de suas fontes de energia, e ao mesmo tempo investindo pesado em novas tecnologias e processos que os façam mais eficientes em termos de energia. O Data Center da Microsoft em San Antonio (EUA) tem sensores que medem quase todo o consumo de energia, usa um software de gerenciamento de energia desenvolvido internamente, chamado Scry, tem virtualização em escala de massa e recicla a água usada no sistema de refrigeração. “Software como serviço é uma atitude mais verde que as pessoas podem ter”, disse Dave Ohara, consultor e fundador da GreenM3. A utilização otimizada dos equipamentos físicos fornece a manutenção da ocupação física na empresa somada à expansão do desempenho, reduzindo assim as "pegadas ecológicas" que poderiam ser causadas pela aquisição de novos equipamentos como o aumento do espaço necessário e a energia correspondente para a sua refrigeração. Em termos de descarte de equipamentos, a virtualização auxilia na redução da contaminação ambiental ao substituir os equipamentos físicos com máquinas lógicas. (CARDOSO, 2009) Analisar quando se pode desligar ou quando se pode colocar o computador num estado que ele economize energia é uma tarefa para os administradores de infraestrutura de TI que normalmente são auxiliados pelos softwares de gestão e gerenciamento de energia. Existem softwares que analisam o estado do PC e o coloca no modo de menor consumo de energia diminuindo a potência do processador, colocando o computador em modo de espera, modo de hibernação ou até mesmo programando um desligamento. Isso também ocorre com os monitores e outros periféricos como as impressoras. Esses softwares obtêm as informações de medidas de grandezas como tensão e corrente, através do software de gerenciamento da placa mãe do PC. Os softwares de energia apresentam relatórios do consumo de cada equipamento, fornecendo assim aos administradores, informações valiosas que servem de base para tomadas de decisão e procedimentos para reduzir o consumo de energia. Dentre elas destacam-se: • Função Dormir (Espera): O Environmental Protection Agency (EPA) estimou que os computadores com essas funções habilitadas, utilizam de 60 a 70% da energia de um computador em funcionamento. Muitas pessoas acreditam de maneira equivocada que o desligamento total do computador possa diminuir o tempo de vida do equipamento. Com as novas tecnologias, a vida de um equipamento eletrônico depende do seu tempo acumulado de funcionamento
  20. 20. 19 e sua temperatura e desligando-o estes dois fatores são eliminados. Os picos de tensão e corrente que podem ocorrer ao ligar/desligar o equipamento são amenizados pelos fabricantes através de novos modelos de projetos. Para resolver isso as áreas de TI podem implantar os recursos já existentes no sistema operacional do computador, como também campanhas de conscientização fazendo com que isso se expanda fora dos limites da instituição. • Protetores de Tela (Screensavers): O objetivo principal de um protetor de tela quando foi concebido, era de evitar que o monitor fosse danificado. Os modelos CRT, principalmente os mais antigos, possuíam um grave problema chamado de burn-in, que consistia na perda de imagem do monitor depois de certo tempo. Os monitores LCD trabalham de maneira diferente, não possuindo, portanto, os problemas dos antigos monitores CRT. Nesses modelos, o uso de screensavers pode não ser necessário caso seja habilitada a função de ―desligar o monitorǁ após certo tempo de inatividade. O uso do screensaver pode se tornar um problema se o usuário aplicar um tipo com imagens e fotos que mudam de maneira dinâmica, isso faz até que se aumente o consumo de energia em relação ao trabalho convencional. • Modo de Hibernação: Para reduzir o consumo de energia são empregadas técnicas de hibernação de recursos, isso pode ser aplicado para computadores, monitores, impressoras, equipamentos de rede, entre muitos. A hibernação “desliga” o dispositivo em períodos ociosos e essa ociosidade, é baseada em regras estabelecidas pelo sistema de gerenciamento de hibernação. O “desligamento” é temporário, e ao ser “acordado”, o equipamento volta a seu estado de funcionamento como estava ao ser hibernado, e essa é a vantagem em relação ao desligamento total. Eletricamente falando, a hibernação é semelhante ao desligamento, inibindo a passagem de corrente pelo circuito do dispositivo. Esta técnica pode ser uma excelente solução em laboratórios com vários computadores que de tempos em tempos ficam ociosos. 5.6. Lixo Eletrônico (e-Trash) As consequências oriundas da disposição incorreta do lixo eletrônica são muitas, e bastante preocupantes. Algumas delas são:
  21. 21. 20 • Aumento da geração de lixo; • Criação do mercado informal de reciclagem; • Riscos à saúde devido à reciclagem inadequada; • Riscos à saúde devido à contaminação do ambiente (solo, água, etc.); • Poluição do ar. Uma das principais preocupações da TI Verde é o descarte dos equipamentos. Sua metodologia defende a prática do “descarte inteligente”, que visa à maneira correta de se desfazer de equipamentos, para que não sejam simplesmente lançados em aterros sanitários, por exemplo, onde, em consequência de suas substâncias químicas, ocorra a contaminação do meio. O ideal é que sejam encaminhados para reciclagem (correta) ou doados assim que sua vida útil esteja encerrada. Computadores se tornam obsoletos dentro da lógica comercial a cada dois anos, máquinas são substituídas, celulares, equipamentos de impressão, cabeamento, infraestrutura de redes, entre outros materiais, são descartados constantemente. Um exemplo de grande desperdício é na questão de celulares. No mundo, a cada ano 1,5 bilhão de celulares são substituídos, o que resulta num aumento de 50 milhões de toneladas na montanha de lixo eletrônico. Os subprodutos gerados por esses equipamentos poderiam ser implementados novamente no ciclo produtivo, reduzindo assim custos e tempo de produção, proporcionando benefício econômico e ambiental. Fleischmann (2001) diz que: A reciclagem térmica ou material dos eletroeletrônicos reduz a necessidade global pela extração de materiais virgens, como ferro, alumínio, combustíveis ou metais preciosos (ouro ou prata, por exemplo), assim como a busca por ingredientes tóxicos (cádmio, mercúrio, chumbo, bismuto, etc.), indispensáveis para a produção da maioria dos componentes elétricos presentes nesses produtos. Além da reciclagem, o reuso e a remanufatura de produtos ou componentes podem ser uma opção ecológica e econômica ainda melhor, desde que a oferta e a demanda estejam em equilíbrio. Eletroeletrônicos como computadores, telefones celulares, cartuchos de toner ou câmeras fotográficas descartáveis já estão sendo remanufaturados com sucesso. Sobre os danos causados pelo lixo eletrônico, Moreira (2004) afirma: São muitos os efeitos gerados pelo contato direto ou indireto com os metais pesados, que podem causar danos a toda e qualquer atividade biológica.
  22. 22. 21 Algumas respostas são predominantes, às vezes agudas, outras crônicas. Muitas vezes as respostas são tardias, o que dificulta o diagnóstico da patogênese por perder a relação direta. O lixo eletrônico é composto por vários metais pesados, e abaixo estão listados todos aqueles que são encontrados em computadores (também encontrados em outros produtos eletroeletrônicos, em diferentes proporções). Metal Pesado Parte do Computador % no Computador % Reciclável Alumínio Estrutura, conexões 14,1723% 80% Bário Válvula eletrônica 0,0315% 0% Berílio Condutivo térmico, conectores 0,0157% 0% Cádmio Bateria, chip, semicondutor, estabilizadores 0,0094% 0% Chumbo Circuito integrado, soldas, bateria 6,2988% 5% Cobalto Estrutura 0,0157% 85% Cobre Condutivo 6,9287% 90% Cromo Decoração, proteção contra corrosão 0,0063% 0% Estanho Circuito integrado 1,0078% 70% Ferro Estruturas, encaixe 20,4712% 80% Gálio Semicondutor 0,0013% 0% Germânio Semicondutor 0,0016% 60% Índio Transistor, retificador 0,0016% 60% Manganês Estrutura, encaixes 0,0315% 0% Mercúrio Bateria, ligamentos, termostatos, sensores 0,0022% 0% Níquel Estrutura, encaixes 0,8503% 80% Ouro Conexão, condutivo 0,0016% 99% Prata Condutivo 0,0189% 98% Sílica Vidro 24,8803% 0% Tântalo Condensador 0,0157% 0% Titânio Pigmentos 0,0157% 0% Vanádio Emissor de fósforo vermelho 0,0002% 0% Zinco Bateria 2,2046% 60% Fonte: MCC (Microelectronics and Computer Technology Corporation), 2007. A seguir, estão listados alguns dos principais danos causados à saúde humana por conta do descarte incorreto dos equipamentos eletrônicos. Metal Pesado Principais danos causados à saúde do homem Alumínio Solos ricos em alumínio são ácidos e as plantas adaptadas nestes solos armazenam certa quantidade deste metal, como no Ecossistema do Cerrado; algumas plantas podem ter suas funções vitais afetadas (absorção pela raiz).
  23. 23. 22 Alguns autores sugerem existir relação da contaminação crônica do alumínio como um dos fatores ambientais da ocorrência de Mal de Alzheimer. Arsênio Pode ser acumulado no fígado, rins, trato gastrointestinal, baço, pulmões, ossos, unhas; dentre os efeitos crônicos: câncer de pele e dos pulmões, anormalidades cromossômicas e efeitos teratogênicos. Cádmio Acumula-se nos rins, fígado, pulmões, pâncreas, testículos e coração; possui meia-vida de 30 anos nos rins; em intoxicação crônica pode gerar descalcificação óssea, lesão renal, enfisema pulmonar, além de efeitos teratogênicos (deformação fetal) e carcinogênicos (câncer). Bário Não possui efeito cumulativo, provoca efeitos no coração, constrição dos vasos sanguíneos, elevação da pressão arterial e efeitos no sistema nervoso central. Cobre Intoxicações como lesões no fígado. Chumbo É o mais tóxico dos elementos; acumula-se nos ossos, cabelos, unhas, cérebro, fígado e rins, em baixas concentrações causa dores de cabeça e anemia. Exerce ação tóxica na biossíntese do sangue, no sistema nervoso, no sistema renal e no fígado. constitui-se veneno cumulativo de intoxicações crônicas que provocam alterações gastrintestinais, neuromusculares, hematológicas podendo levar à morte. Mercúrio Atravessa facilmente as membranas celulares, sendo prontamente absorvido pelos pulmões, possui propriedades de precipitação de proteínas (modifica as configurações das proteínas) sendo grave suficiente para causar um colapso circulatório no paciente, levando à morte. É altamente tóxico ao homem, sendo que doses de 3g a 30g são fatais, apresentando efeito acumulativo e provocando lesões cerebrais, além de efeitos de envenenamento no sistema nervoso central e teratogênicos. Cromo Armazena-se nos pulmões, pele, músculos e tecido adiposo, pode provocar anemia, alterações hepáticas e renais, além de câncer do pulmão. Níquel Carcinogênico (atua diretamente na mutação genética). Zinco Efeito mais tóxico é sobre os peixes e algas (conhecido); experiências com outros organismos são escassas. Prata 10g como Nitrato de Prata é letal ao homem. Fontes: Ambiente Brasil, 2007, Greenpeace, 2007. 5.7. Sustentabilidade O Relatório de Brundtland (1987) define desenvolvimento sustentável como: "(...) desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações vindouras satisfazerem as suas próprias necessidades". Em outras palavras, sustentabilidade é a prática que visa à preservação dos bens naturais de hoje, para que as futuras gerações tenham as mesmas possibilidades em relação ao meio ambiente. Segundo o Dicionário Aurélio: Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade
  24. 24. 23 e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró- eficiência na manutenção indefinida desses ideais. O tema sustentabilidade ganha cada vez mais destaque à medida que o retrato do planeta revela uma situação nada animadora, já que a natureza está perdendo cada vez mais espaço por intervenções humanas. A discussão quanto ao que se pode fazer em relação a isso vem perdurando há algum tempo, só que os resultados ainda estão muito longe daquilo que se deseja. A busca pelo desenvolvimento sustentável é global, ou seja, todas as nações buscam isso, e podemos verificar tal realidade através dos objetivos da ONU (Organização das Nações Unidas), que tem como um de seus objetivos gerais (o 7º de oito) “garantir a sustentabilidade ambiental”. A sustentabilidade ambiental foi apontada pelo Grupo de Trabalho da ONU como uma das principais dimensões que devem influenciar as políticas de desenvolvimento pós-2015 (em conjunto com o desenvolvimento social, economia inclusiva, paz e segurança). Uma das medidas recentes (2013) adotadas pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) foi o debate virtual “Sustentabilidade Ambiental para o Mundo que Queremos”, que tem o propósito de consultar a população mundial visando melhorias que possam ser adotadas para auxiliar o desenvolvimento nos próximos anos. O objetivo da consulta é facilitar um diálogo aberto que reúne uma multidão de vozes para estimular o pensamento criativo e começar a gerar consenso em torno de qual a melhor forma para refletir a sustentabilidade ambiental na agenda pós-2015. É também uma oportunidade para fazer um balanço dos avanços e deficiências do ODM 7, sobre Sustentabilidade Ambiental e avaliando as oportunidades de caminhos alternativos de desenvolvimento. Todos são convidados a participar neste processo aberto, transparente em que reunir as partes interessadas da sociedade civil, universidades, meios de comunicação, nacionais e organizações internacionais não governamentais (ONGs), o setor privado, os governos, o sistema das Nações Unidas, etc. (Consulta Global sobre Sustentabilidade - http://www.worldwewant2015.org/node/280726)
  25. 25. 24 5.8. Tecnologia Sustentável A TI Verde visa à prática sustentável no campo da Tecnologia da Informação. Em outras palavras, é o conjunto de práticas que torna mais sustentável e menos prejudicial o uso da computação, estando relacionada aos processos de fabricação dos componentes, administração, utilização dos equipamentos e descarte do lixo eletrônico. Assim como o termo sustentabilidade, o conceito de TI Verde é extremamente amplo, e vários pensamentos sobre isso podem ser considerados. Segundo Murugesan (2008), “TI Verde é a soma da economia de energia com gestão de recursos desde as cadeias produtivas, e todo o ciclo que vai da extração de matéria prima até o fim da vida útil do equipamento, incluindo o seu descarte.”. O setor de tecnologia vem buscando formas e iniciativas para o controle do uso desenfreado de matérias-primas, diminuir o gasto de energia e a emissão de poluentes (no solo, na água ou no ar), para a conservação do meio ambiente. Portugal (1993) afirma que: A vasta gama de tipos de agressões ao meio ambiente nas atividades industriais obriga a necessidade de especializações diversificadas para seus controles, pois, até dentro de um mesmo tipo, os controles dos poluentes se diferenciarão pela espécie, pela quantidade e até mesmo, pela periodicidade da agressão. Cazella (2009) explica: A computação verde seria mais uma expressão aplicada a uma preocupação das empresas referente ao meio ambiente e à sustentabilidade da própria empresa, tendo um caráter mais econômico. Computação verde não é só aquela ideia que alguns têm de tentar minimizar somente o impacto do aquecimento global. Esse conceito tem uma conotação de como trabalhar o que produzimos na computação em questão de dispositivos, hardwares, de modo que eles consigam ser reaproveitados, remanejados e reciclados facilmente. É uma preocupação bem ampla com esse tipo de material para que, dentro do possível, seja o menos tóxico quanto ao material utilizado para a construção de dispositivos, como o hardware. 5.8.1. Estratégias As estratégias para a aplicação da metodologia verde na tecnologia são diversas, e assim como as inovações tecnológicas surgem a todo o momento, as ideias para o desenvolvimento sustentável também aparecem graças à tecnologia. Muito já se faz, só que é fato que muito mais poderia e pode ser feito.
  26. 26. 25 Em uma entrevista, indagado sobre que tipo de mudança é necessário para que a computação fique mais verde, Cazella (2009) afirma: As mudanças já estão ocorrendo, tanto com a conscientização de quem produz como de quem consome e até da legislação. Existem movimentos já tentando fazer com que a empresa que produz um produto que consuma mais energia, responsabilize-se pela coleta desse produto, quando ele já não tiver mais em uso. Do próprio lado do consumidor, hoje, até por movimentos de mídia, observa-se uma preocupação no mesmo sentido. Tentam procurar empresas que tenham uma preocupação maior com esta questão da computação verde, produzir coisas com material menos tóxico, dizer que têm um processo de reciclagem e assim por diante. Já há um movimento muito forte neste sentido. Para a própria empresa que produz a questão de retomar esse material que produz quando não tem mais uso junto ao cliente, é também algo interessante. Ela pode fazer um outro uso desse material, uma reciclagem com um custo mínimo para produzir algo ou complementar sua produção. Para se adotar uma estratégia de TI verde, devem ser definidos os objetivos, as metas, os planos de ação e os cronogramas. É necessário também que se adote um indivíduo ou grupo responsável de sustentabilidade ambiental, para implementar políticas e para monitorar o progresso dessas realizações. (STHEPEN, 2009). As táticas de abordagem sugeridas para a adoção da TI Verde são: a) Abordagem Incremental: Preserva a infraestrutura atual de TI, incorporando políticas e medidas simples, para atingir objetivos pequenos. Essas medidas geralmente são de fácil implantação e sem muito custo. O retorno é quase imediato e pode ser observado, analisando a redução no consumo de energia elétrica. b) Abordagem Estratégica: É realizada uma auditoria na infraestrutura de TI. Todos os equipamentos são analisados de maneira individual ou em grupos que podem ser formados por tipo de equipamentos ou divididos por aplicação. Comparam-se as tecnologias atuais com novas tecnologias, assim servindo como base para se optar por remanejamento de recursos, reutilização através de upgrades, descarte desses equipamentos ou até a substituição por novas tecnologias. Observa-se que embora o motivo principal ainda seja a relação custo-benefício, a diminuição de geração de CO2 é considerada como um benefício de marketing. c) Abordagem Radical Verde: Essa abordagem agrega as medidas da abordagem estratégica, como a implementação de uma política de compensação de carbono por neutralizar a emissão de gases que geram o
  27. 27. 26 efeito estufa, incluindo o plantio de árvores, a compra de créditos de carbono, geração de energia limpa, reutilização de recursos naturais como água das chuvas por meio de cisternas, e criação de programas de incentivo para que os funcionários, alunos e comunidade comprem essas ideias e as torne parte do seu dia a dia na medida do possível. Um exemplo efetivo de práticas de TI Verde Estratégica foi implementado pelo Banco Real no Projeto Blade PC, aplicado em 2007. O Banco substituiu 180 computadores convencionais por 160 Blade PCs, equipamentos que possibilitam ficar na mesa do usuário apenas o teclado, o mouse, o monitor e uma pequena caixa responsável pela conexão destes periféricos com o Blade PC. Como resultado, houve redução estimada de 62% da energia elétrica consumida pelos computadores e 50% da energia consumida pelo ar condicionado utilizado na Mesa de Operações; a economia estimada foi de US$ 355 mil em 4 anos pela redução do número de micros; a manutenção mais barata dos mesmos, o gerenciamento centralizado e a facilidade de mudança de layout representam uma estimativa de economia de US$ 300 mil em 4 anos. Jack Lesley Jr. (2009) cita 10 etapas chaves para a TI Verde: 1. Proclamar seu Green TI Intentions: Para as empresas que ainda estão confusas quanto ao local para iniciar a aplicação de TI verde, é sempre melhor começar por comunicar a intenção de adotar um ambiente de infraestrutura de TI. O impulso para a eficiência energética deve ser em cascata para baixo, para todos os membros de sua equipe, preparando o cenário para a colaboração entre os vários departamentos. Quando eles aprendem sobre as suas iniciativas, eles vão saber que todos precisam estar envolvidos. 2. Nomear um grupo de trabalho para garantir o cumprimento de Green TI: Depois que as intenções estiverem definidas, é necessário haver uma comissão que irá acompanhar e garantir que os planos da empresa são cumpridos por todos os membros da organização. A este respeito, será muito vantajoso fazer desta equipe uma parte do conselho executivo, para dar musculatura ao realizar seu trabalho. Uma das tarefas mais importantes que a sua equipe de TI verde deve focar é a aquisição de energia eficiente da
  28. 28. 27 infraestrutura de TI. Essa equipe deve se certificar de que o seu terreno de TI satisfaz todos os critérios que estão definidos para a proteção do ambiente. 3. Medir a corrente de carbono produzida pelos componentes: É preciso saber onde está a empresa em termos de emissão de carbono provocada por seus serviços de Tecnologia da Informação. Estabelecer rapidamente um ponto de referência. Verificar o uso de energia em seu centro de TI e compará-lo com os padrões de eficiência de energia existentes e métricas para sua indústria. 4. Plano mais centralizado de operações de TI: Pode ser relativamente fácil para uma organização centralizar o seu sistema de tecnologia da informação, isso porque a virtualização tornou-se amplamente disponível. Com a virtualização de servidores, a emissão de carbono pode ser significativamente reduzida. 5. Uso de aplicações mais eficientes no computador: O software utilizado pode afetar significativamente as iniciativas de computação verde. Por exemplo, um empregado precisa gerar um relatório que abrange cinco anos fiscais. Horas podem ser desperdiçadas apenas concluir este relatório simples. No entanto, usando o software de banco de dados que permite que o usuário efetivamente personalize os parâmetros do relatório e remova qualquer detalhe sem importância, seus funcionários podem terminar qualquer relatório em meros minutos. 6. Uso de energia mais eficiente em sistemas de arrefecimento: Os centros de dados e departamentos de TI são conhecidos por serem grandes consumidores de energia em sistemas de condicionamento de ar. Servidores precisam ser mantidos em níveis de temperatura baixa em todos os momentos. Para reduzir o consumo de energia para computação verde, pode- se investir em sistemas de refrigeração suplementar que podem ser colocados entre as linhas de servidores do Data Center. Tais sistemas de refrigeração podem diretamente evitar um aquecimento excessivo em linhas específicas de servidores. Assim, podem minimizar o número de vezes em um dia que as maiores unidades de arrefecimento são obrigadas a trabalhar na potência máxima. Aplicar dados de um novo centro de tecnologia que minimiza zonas quentes. 7. Pesar cuidadosamente o ciclo de vida de dispositivos e acessórios: Agora que o mundo inteiro está clamando por produtos mais ecológicos, é fácil para qualquer empresa para encontrar dispositivos e acessórios que são
  29. 29. 28 adequados para a computação verde. Mas antes de saltar e investir no mais recente dos produtos de TI verde, primeiro deve-se levar em consideração o ciclo de vida projetado do hardware de TI existente. 8. Certificar-se de que as políticas de Green TI melhorem o desempenho dos negócios: Através da implementação de iniciativas de computação verde, você vai se tornar um contribuinte para o maior objetivo de salvar o planeta. Mas também se devem considerar as necessidades de seu negócio ao colocar iniciativas ambientalmente amigáveis em ação. Certificar-se de que a unidade de TI verde se encaixa na operação global de negócios. Melhor ainda, assegurar que o ambiente amigável de TI e seus objetivos de negócio sejam complementares entre si. Ao fazer isso, você será capaz de atingir tanto as políticas verdes quanto seus objetivos de fundo. 9. Trabalho com todos os envolvidos no processo de vida útil de TI: Agora que você já tomou as medidas para garantir que sua empresa usa a TI verde, você precisa para todos os envolvidos na sua iniciativa. Para seus funcionários, certifique-se que todos eles sejam obrigados a responder por sua aderência às políticas de computação verde. Seu departamento de recursos humanos pode apoiar as suas iniciativas, postando regularmente comunicados e avisos onde se toque no assunto de meio ambiente da computação. Que todos saibam sobre seus objetivos e os passos que precisavam ser tomados para garantir que sua organização mantenha maneiras verdes de utilização de sistemas informatizados. 10.Monitorar os resultados e continuar otimizando a TI: Por fim, você deve sempre verificar os resultados de suas iniciativas de TI verde. Comparar estes dados com os indicadores e métricas que você definiu para sua empresa. Um bom exemplo é verificar o seu consumo total de energia para cada mês. Se ele baixou consideravelmente, então você pode dizer que tenha efetivamente reduzido pegada de carbono de sua organização. Se você ver que você tem alcançado seus objetivos, verificar o seu sistema de TI para encontrar áreas onde mais você pode melhorar a sustentabilidade ambiental. Nunca descansar em seus louros, continuar a aperfeiçoar seus sistemas de TI. “No final, lembre-se sempre que o caminho para uma computação mais eficiente e verde não tem de implicar elevados custos de investimento de sua parte.
  30. 30. 29 Muitas medidas do ambiente são fáceis de implementar e que nem sequer têm que esperar por anos para colher os benefícios.” (LESLEY, 2009). 5.8.2. Benefícios A aplicação da TI Verde é capaz de proporcionar inúmeras vantagens, não se limitando apenas à questão de preservação do meio ambiente. Na verdade não existe um modelo onde se aponte todos os benefícios que qualquer empresa/pessoa poderá ter, pois essa questão dependerá muito de como a metodologia verde está sendo trabalhada na situação. Um dos pontos mais discutidos em relação à adoção do desenvolvimento sustentável na Tecnologia da Informação ainda é o custo para a mudança de paradigma. Muitas pessoas ainda têm a mentalidade de que esta migração custa caro, e que não vale a pena colaborar desta forma. Mesmo com este pensamento ainda presente, ele não passa de um equívoco por parte dos que acreditam, pois o custo desta metodologia é uma de suas grandes vantagens. Geralmente não se paga caro quanto a isso, só que, mesmo quando o custo inicial parece ser superior, deve-se levar em consideração o desenvolvimento posterior daquele projeto. O custo de “ciclo de vida” em um projeto “comum” quando comparado a um projeto “verde”, é muito maior por conta de vários aspectos. Além disso, a TI Verde ajuda qualquer empresa a criar uma boa imagem no mercado, pois hoje empresas/pessoas estão buscando instituições que valorizem o meio ambiente, que tenham o pensamento de preservação do mesmo. Como a sustentabilidade é um dos grandes desafios mundiais do momento, se valoriza muitos aqueles que contribuem para este processo. A seguir, alguns dos principais benefícios da TI Verde: • Capacidade de gerenciamento e mobilidade; • Economia de dinheiro por conta da redução dos custos de energia; • Cumprimento de regulamentações governamentais; • Apelo aos consumidores e parceiros que desejam ter sua imagem associada a uma empresa verde (responsabilidade social); • Reaproveitamento de equipamentos (ou partes deles), ocasionando ganho em tempo e dinheiro.
  31. 31. 30 5.8.3. Conscientização Infelizmente a prática verde de sustentabilidade ainda está longe do número ideal de adesões. Muitas empresas/pessoas não tem a noção do quanto ajudariam se adotassem medidas sustentáveis. É verdade que muitas ideias já foram desenvolvidas para colaborar com a preservação do meio ambiente, porém não basta apenas ter as ideias e nem saber como implantar essas ideias. Também é preciso que a população saiba de tudo isso, entenda o porquê de tudo isso. E neste ponto que entra uma das grandes dificuldades da sustentabilidade em geral, que é a conscientização das pessoas. “De certa forma, é um desafio carregado de políticas.” (SIEDZIK, 2008). Quando uma empresa resolve aderir à metodologia verde, ela deve prover treinamento aos funcionários da empresa, com atribuições na área ambiental, para que estes estejam conscientes da importância do cumprimento das políticas e objetivos do meio ambiente, das exigências legais e de outras exigências definidas pela empresa. O treinamento também deve levar em consideração os impactos ambientais ou potenciais associados às suas atividades de trabalho.
  32. 32. 31 6. TI VERDE NAS REDES DE COMPUTADORES As Redes de Computadores são as responsáveis por conectar os dispositivos uns aos outros, através da Internet ou de redes locais. Consequentemente são constituídas de, no mínimo, dois equipamentos para que seja tratada como rede. Com o passar dos anos, as redes foram se multiplicando por todos os lugares, e não apenas em quantidade, mas principalmente em capacidade. Na medida em que novos computadores, notebooks, e até mesmo dispositivos móveis foram sendo lançados, todos com novas tecnologias de conexão, as redes também foram sendo modernizadas. O estudo Cisco Visual Networking Index afirma que em 2017, metade das pessoas do mundo estará “conectada”. É dito também que o Brasil estará acima da média mundial, com 52% de pessoas conectadas à Internet no mesmo ano. E tráfego IP global deve triplicar em relação ao ano de 2012. Mais alguns detalhes sobre o Cisco Visual Networking Index: • Em 2017 haverá cerca de 3,6 bilhões de usuários de Internet - mais de 48% da projeção demográfica mundial (estimativa de 7,6 bilhões). Em 2012 havia 2,3 bilhões de usuários de Internet - cerca de 32% da população mundial (7,2 bilhões). • Em 2017, haverá mais de 19 bilhões de conexões de rede (dispositivos fixos, móveis, etc.), em comparação com os 12 bilhões registrados em 2012. • Espera-se que a média global de velocidade de banda larga fixa aumente cerca de 3,5 vezes entre 2012 e 2017, passando de 11,3 Mbps para 39 Mbps. A média global de velocidade de banda larga fixa aumentou 30% entre 2011 e 2012, de 8,7 Mbps para 11,3 Mbps; • Usuários globais da rede irão gerar 3 trilhões de minutos de vídeo de Internet por mês, ou seja, 6 milhões de anos de vídeo por mês, ou 1,2 milhão de minutos de vídeo a cada segundo, o que equivale a dois anos de vídeo por segundo. Até 2017, haverá quase 2 bilhões de usuários de vídeo pela Internet no mundo (excluindo os exclusivamente móveis), comparado a 1 bilhão de usuários de vídeo da Internet em 2012; • O tráfego IP corporativo global, que inclui Internet, backup, VoIP, etc., quase triplicará entre 2012 e 2017. Em 2012 representava 20% do tráfego IP global total mensal, e em 2017 representará 18%.
  33. 33. 32 • O tráfego de conexões fixas Wi-Fi vai crescer três vezes entre 2012 e 2017, alcançando 1.7 Exabytes por mês em 2017; • No Brasil, haverá 611 milhões de dispositivos de rede em 2017, um aumento em relação aos 412 milhões em 2012. Serão 2,9 dispositivos em rede por habitante em 2017, um aumento em relação á taxa de 2 por pessoa em 2012. Os PCs representaram 90% do tráfego IP no Brasil em 2012 e serão 80% do tráfego IP em 2017. Já os dispositivos portáteis (smartphones, tablets, etc.) representaram 1% do tráfego IP em 2012, com projeção de aumento para 10% em 2017. Os dados apresentados são realmente impressionantes, e comprovam que a tecnologia realmente avança numa velocidade espantosa, e que as pessoas têm acesso a ela cada vez mais depressa. Mas como nem tudo é positivo vem à tona a questão da degradação ao meio ambiente. Atualmente, os danos ao meio ambiente são muito grandes, e se considerarmos que o “número de tecnologia é pequeno”, o que podemos pensar num futuro onde toda essa tecnologia irá crescer tão rapidamente? Paralelamente a isso, existe a preocupação clara e evidente de que não se pode descuidar das metas de sustentabilidade. As Redes de Computadores (considerando os mais diversos dispositivos) são realmente o foco central da TI Verde, pois caracterizam a infraestrutura da tecnologia. A base da TI é a informação, e sendo assim o compartilhamento das informações é possibilitado pela conexão dos equipamentos em rede. Se o número de equipamentos aumenta, consequentemente os danos à natureza irão aumentar. Por essa razão devem ser considerados métodos que ao mesmo tempo em que possibilitem a escalabilidade das redes, proporcionem uma tecnologia mais sustentável. Também é válido ressaltar que o principal agente degradador do meio ambiente nas Redes de Computadores são os servidores. Essas máquinas robustas localizadas na “nuvem” (Internet) são dotadas de um alto poder de processamento para que possam responder as solicitações de um número extremamente elevado de “clientes” (dispositivos que se conectam ao servidor pela Internet) em tempo hábil. Estas poderosas máquinas ficam em locais especiais, chamados de Data Center (ou CPD - Centro de Processamento de Dados). Como eles processam muito
  34. 34. 33 dados a todo o momento, é necessário que se aplique um sistema eficaz de resfriamento, além de um sistema que garanta sua disponibilidade em qualquer situação. Por essa razão, características como um elevado consumo de energia são detectadas facilmente. Várias ideias são elaboradas, muitas já colocadas em prática e que realmente apresentam melhorias sustentáveis. Porém, os resultados ainda estão longe daquilo que se deseja. Vamos acompanhar alguns detalhes sobre algumas técnicas adotadas por empresas para a sustentabilidade nas Redes de Computadores. 6.1. Virtualização A virtualização não se trata de uma novidade, é uma maneira inteligente e diferenciada de aplicar o conceito que existe há mais de 40 anos, que consistia na recriação de ambiente de usuário final em um único mainframe. (COMPUTERWORLD, 2008). A virtualização foi praticamente abandonada nos anos 80 e no começo dos anos 90 devido a dois fatores: o hardware - com o surgimento do PC x86 a aquisição se tornou de menor custo; e o software - o surgimento e a ampla adoção dos sistemas operacionais Windows e Linux fez com que servidores e desktops x86 se tornassem “amigáveis”, facilitando a utilização do PC, e levando a computação ao sistema distribuído que temos atualmente. Em 1999, a virtualização passou a ser possível em plataformas x86, trabalhando com processadores Intel e AMD graças a um software, desenvolvido pela VMWare, que permitiu desvincular o sistema operacional e os aplicativos dos recursos físicos. Essa evolução, de acordo com a IDC, foi a esteira para toda a movimentação atual em torno da tecnologia de virtualização (VMWARE, 2009). A utilização de ferramentas e técnicas de virtualização para a consolidação de cargas ociosas de trabalho dos servidores tem sido bastante requisitada por empresas e profissionais de TI para solucionar problemas que demandam esforços e redução de custos. Alguns destes problemas são: aquisições de hardware, consumo de energia e administração da infraestrutura. Os servidores normalmente são configurados para atender muito acima da sua capacidade, e isso gera uma subutilização de recursos, causando perda de energia. Um servidor x86 padrão, consome de 30% a 40% de potência máxima,
  35. 35. 34 mesmo estando ocioso. Esse mesmo servidor virtualizado melhora em 60% esse desempenho. A virtualização pode ser compreendida com a seguinte analogia: Imaginemos um edifício (que seria o servidor) e seus apartamentos (que seriam as VMs - Virtual Machines). A família presente no apartamento seria o sistema operacional convidado com seus aplicativos, e o síndico seria o VMM (Virtual Machine Manager). Ideia de Virtualização Pensando agora nos sistemas computacionais, é adicionada uma camada de abstração acima da camada de hardware, o que esta fina camada de software irá nos permitir reduzir o complexo gerenciamento dos elementos tais como: a construção de novos ambientes virtuais e programar novos sistemas e aplicações. Funcionamento da Máquina Virtual
  36. 36. 35 6.1.1. Tipos de Virtualização Podem-se destacar como principais tipos: a) Virtualização de Rede: Reúne os recursos de computação de rede e divide a largura de banda disponível em canais independentes, que podem ser designados para um servidor ou dispositivo em tempo real. Um exemplo desta tecnologia são as VPNs. b) Virtualização de Servidores: A mais popular, oculta a natureza física dos recursos de servidores, incluindo processadores, sistemas operacionais e o software que estão neles. c) Virtualização de Aplicativos: Isola os programas do hardware e do sistema operacional, encapsulando-os como objetos móveis independentes que podem ser deslocados sem afetar os outros sistemas. As tecnologias de virtualização de aplicativos reduzem as alterações relacionadas a aplicativos no sistema operacional, fazendo com que a administração seja em muito simplificada. Essa modalidade pode ser implantada, por exemplo, em Call Centers e em laboratórios de Informática, onde os softwares que os usuários utilizam já estão predefinidos e o comportamento pode ser alterado a qualquer momento pelos administradores, de forma que essas alterações sejam propagadas imediatamente para os usuários. Outra vantagem da virtualização de aplicativos é a possibilidade de se montar uma infraestrutura para os usuários com terminais do tipo Thin Client. Esses terminais são compostos por uma arquitetura semelhante à de um computador padrão, mas sua principal característica é de não ter o disco rígido e de não necessitar de tecnologias de processamento e memória avançadas, pois essa função é executada pelo servidor. Em média, um Thin Client consome apenas 20% da energia de um PC, e consequentemente gera menos calor, têm um ciclo de vida mais longo e não necessita de upgrade, proporcionando uma redução de custos e menor impacto ambiental. 6.1.2. Benefícios A eliminação de apenas um servidor apresenta uma redução aproximada de 200 a 400 watts, dependendo da tecnologia. A demanda por virtualização é explicada de forma simples pelo seu baixo custo e pelo ROI (Return on Investment - Retorno sobre o Investimento) que as
  37. 37. 36 empresas tanto buscam. Os benefícios proporcionados ao adotar a virtualização em Data Centers irão da “simples” consolidação de cargas ociosas de trabalho dos servidores ao corte substancial do consumo de energia elétrica do setor tecnológico das organizações, garantindo um bom retorno para qualquer corporação. Existem muitos Data Centers operando de forma obsoleta, e andam sobrecarregados, superaquecidos e superlotados, onde qualquer pane pode comprometer os dados e as aplicações, complicando seu avanço com segurança e maturidade. (CAPPUCCIO, 2008). A redução do consumo de energia é uma das principais práticas da TI Verde, assim como a redução de resfriamento artificial e a diminuição de dissipação de calor causado pelas máquinas, que possuem um nível de processamento muito maior atualmente. Uma das grandes preocupações está associada à redução do consumo de energia elétrica na manutenção dos servidores, pois em pouco tempo não haverá energia suficiente para suportar o grande número de equipamentos de alta densidade que hospedam. (CAPPUCCIO, 2008). A prática de virtualização e consolidação de servidores é uma forte aliada para o sucesso e sustentabilidade da organização, e a TI Verde acaba sendo uma consequência da adoção de virtualização no ambiente computacional. Os benefícios com a utilização da virtualização e consolidação de servidores são tanto diretos quanto indiretos. Consolidar o número de servidores físicos também reduz o hardware necessário para operar um serviço ou conjunto de aplicações. Este, por sua vez, reduz os custos operacionais da manutenção deste equipamento, que pode contribuir para melhorar a qualidade global do serviço. A organização como um todo se beneficia na padronização dos sistemas operacionais, melhor utilização dos sistemas e recursos, uma redução no espaço físico necessário para conter os servidores, gerenciamento mais fácil, e um aumento na segurança. O resultado é um ambiente mais proativo, e mais tempo disponível para se concentrar no fornecimento de valor para o negócio. (MULLER, AL & MULLER, AL (EDT), WILSON, SEBURN, HAPPE, DON, HUMP, 2005). 6.1.2.1. Rapidez na Recuperação de Desastres Desastres em TI podem ser tanto de natureza física quanto lógica. E para recuperar desastres em sistemas virtualizados, basta em média 15 a 45 minutos, enquanto que no modo tradicional, levariam em média 45 minutos a 2 horas, dependendo da gravidade do desastre para ambos os casos, como por exemplo,
  38. 38. 37 ataques externos, arquivos e serviços danificados do sistema, defeito físico de hardware, falta de alimentação do equipamento, entre outros. 6.1.2.2. Consolidação de Servidores A consolidação dos servidores traz flexibilidade, permitindo operar múltiplos sistemas operativos em um mesmo hardware físico e o isolamento de aplicações e melhor uso dos recursos de hardware, isolamento de sistemas legados (sistemas antigos, porém essenciais a uma organização; geralmente utilizando bancos de dados obsoletos), aproveitamento otimizado da CPU. Para cada funcionalidade ou serviço no ambiente de TI, precisa-se de um servidor dedicado para a tarefa específica. A consolidação de servidores ajuda a otimizar o ambiente. 6.1.2.3. Uso Eficiente de Recursos Energéticos Com a consolidação de servidores, pode-se ter alguns servidores rodando dentro de um servidor virtualizado, tendo menor consumo de energia elétrica, menos servidores físicos, menor dissipação de calor, menor demanda no condicionamento por parte dos equipamentos de ar-condicionado. 6.1.2.4. Redução de Custos com Espaço Físico Com a técnica de virtualização e consolidação de servidores, reduz-se o espaço físico alocado aos servidores, fazendo o mesmo trabalho, ajudando o meio ambiente no reaproveitamento do espaço. 6.1.2.5. Flexibilidade no Gerenciamento Traz um melhor planejamento para a equipe de TI, tendo mais tempo para as atividades que precisam ser feitas e planejadas com menos tempo para ficar “apagando incêndios”. Proporciona um ambiente para testes, proporcionando possibilidades para realização de testes em ambiente idêntico ao original do qual terá que fazer, por exemplo, uma atualização ou troca de hardware, livrando qualquer erro inesperado e possível causa do sistema principal ficar inoperante por questões de incompatibilidade ou vírus de computador.
  39. 39. 38 Compreender os benefícios que a virtualização traz para a TI é muito importante, pois sua utilização proporciona diversos tipos de melhoramento nos processos e corte de custos diretos e indiretos, além e melhorar o gerenciamento das atividades. A flexibilidade alcançada com a virtualização também é muito destacada, pois se pode criar/manipular serviços específicos de um modo bastante rápido, contando ainda com ganhos significativos em questões importantes como disponibilidade, integridade e segurança. Sem dúvida alguma a virtualização é uma técnica que acrescenta e muito “valores verdes” a qualquer organização. 6.2. Cloud Computing A computação em nuvem é um novo paradigma, uma nova maneira de pensar a programação, ou seja, não se tem uma visão de onde estão sendo processados os dados, como dizemos, é computação das nuvens. Mas, no caso, a preocupação da computação verde continua porque temos da outra ponta, seja onde estiverem sendo processados esses dados, existe a preocupação de como essas máquinas consomem energia, com que material essas máquinas foram produzidas, como elas estão dispostas para a questão de diminuição desse consumo de energia, e assim por diante. A preocupação é a mesma: como estas máquinas estão localizadas e como o ambiente onde elas estão processando está construído, na questão de refrigeração, do próprio tipo de processamento das máquinas, de como elas usam a energia. Isso não se enxerga, não se sabem como estão colocadas as máquinas da Google para lidar com a questão da computação verde. Só se sabe que eles trabalham com a ideia de computação em nuvens, usando o ambiente Google Docs, onde você coloca seu material e ele está em algum lugar, só não se sabe exatamente onde. (CAZELLA, 2009). A Computação em Nuvem (Cloud Computing) é uma das grandes tendências mundiais na área de TI. A ideia onde os recursos estarão disponíveis a qualquer momento e em qualquer lugar, com alta disponibilidade, agrada a todos, desde ambientes corporativos até usuários comuns. Uma ideia precipitada a respeito da Computação em Nuvem é a disponibilidade de recursos infinitos, eliminando a necessidade de adquirir produtos de forma antecipada e oferecendo elasticidade, permitindo a expansão ou escalabilidade gradativa, por demanda. São estabelecidos alguns conceitos que formam a base da utilização da computação em nuvem, apresentados a seguir.
  40. 40. 39 6.2.1. Infrastructure as a Service (IaaS) A Infraestrutura como um Serviço é uma nova ideia que está se espalhando rapidamente, principalmente em pequenas e médias empresas. Pode ser entendida da seguinte maneira: Uma empresa precisa alocar um banco de dados de um sistema de intranet, mas, para não adquirir um hardware novo somente para este fim, a empresa contrata, por um valor mensal, um servidor de outra empresa para alocar o seu banco de dados enquanto o contrato estiver em vigor. O sistema de manutenção de hardware fica a cargo da prestadora de serviço. Se forem necessárias outras modificações do ambiente, como por exemplo, upgrade de hardware, haverá uma alteração de contrato e o serviço continua funcionando normalmente. Do lado do fornecedor, o servidor físico que mantém o sistema cliente funciona em uma máquina virtual (conceito de Virtualização), dividindo o hardware com outras máquinas virtuais de outros clientes. Da mesma forma funcionam os outros serviços em nuvem. 6.2.2. Gestão de Energia e a Computação em Nuvem A Computação em Nuvem, sem dúvida alguma, ajuda a TI a se tornar mais verde e sua implantação pode ser gradativa de acordo com a disponibilidade de grandes empresas no oferecimento dos serviços. Atualmente, podem ser destacados alguns serviços famosos de disco virtual, fornecidos por grandes empresas de tecnologia: a) Google Drive, da Google; b) SkyDrive, da Microsoft; c) Dropbox; d) Box; e) Ubuntu One, da Canonical (desenvolvedora do Ubuntu); f) iCloud, da Apple; g) SugarSync. Tais serviços oferecem diversas possibilidades de armazenamento, até mesmo com planos gratuitos. É claro que pagando uma taxa (variável) pelo serviço, o espaço de armazenamento aumenta consideravelmente, além de outras opções de funcionalidades que podem vir a ser úteis.
  41. 41. 40 Desta forma é possível a alocação de recursos na internet, os quais muitas vezes ficam subutilizados e provocam grande desperdício de energia e de espaço no ambiente do cliente. A ideia da Computação em Nuvem é que daqui a alguns anos, além de arquivos, também tenhamos via web softwares disponíveis, de forma a prover a utilização total dos recursos via rede, maximizando os recursos energéticos. 6.3. Grid Computing “Computação em Grade usa computadores interconectados distribuídos e recursos coletivos para atingir alto desempenho de computação compartilhando recursos.” (WILKINSON, 2008). A Computação em Grade (Grid Computing) vem obtendo destaque há alguns anos, porém, sua implementação ainda é um impasse devido a sua complexidade. Existem poucos meios de informação para esclarecer dúvidas sobre o assunto. Muitos dizem que a Computação em Grade poderá ser o futuro das Redes de Computadores. O Grid Computing é um novo conceito que explora as potencialidades das redes de computadores, com o objetivos específico de disponibilizar camadas virtuais que permitem a um usuário ter acesso a aplicações altamente exigentes, bem como aderir a comunidades virtuais de grande escala, com uma grande diversidade de recursos de computação e de repositórios de informações. (PITANGA) Seu conceito surgiu em meados nos anos 90, junto com o crescimento acelerado das Redes de Computadores e principalmente da Internet. Surgiu a necessidade de distribuição dos sistemas computacionais para que os mesmos estivessem prontamente interconectados. O que era justamente a ideia da Computação em Grade: compartilhamento de recursos para prover a solução de problemas de estrutura e de desempenho de forma colaborativa.
  42. 42. 41 Funcionamento da Computação em Grade A computação distribuída é a base do conceito de Grid. No momento em que existe uma infraestrutura física e uma infraestrutura lógica que permita coordenar os trabalhos que serão processados e garantir a sua qualidade de serviço, temos a Computação em Grade. A Grid Computing é um caso particular da computação distribuída, uma vez que os Grids são orientados essencialmente para aplicações que precisam de uma grande capacidade de cálculos, ou enormes quantidades de dados transmitidos de um lado para o outro, ou as duas. Possui um nome baseado nas malhas de interligação dos sistemas de energia elétrica, em que um usuário utiliza a eletricidade sem ao menos saber em que local ela foi gerada, sendo totalmente transparente aos seus usuários. 6.4. Data Centers Os equipamentos que mais consomem energia em um Data Center (ou CPD) são os servidores. Atualmente em um Data Center com 24 servidores o consumo dos mesmos chega a 12403,24 KW/h por mês e isso acaba sendo um gasto muito grande, além de que o espaço que os servidores ocupam no Data Center é mais da metade de sua área total, já que o tamanho do local é equivalente a uma sala comercial. A TI Verde proporciona as empresas uma ampla quantidade de equipamentos para que elas possam se adequar às políticas verdes. Equipamentos com melhores desempenhos e que também proporcionam uma melhor capacidade de gestão, além de contribuição com a preservação do meio ambiente.
  43. 43. 42 Em um Data Center que utiliza servidores de Rack, por exemplo, os mesmos poderiam ser trocados por servidores Blade, que se ajustam a um único chassi, como livros em prateleiras. Cada Blade é um servidor independente, com processadores próprios, memória, armazenamento, controladores de rede, sistema operacional e aplicativos. Servidores Blade Com refrigeração própria, os Blades não tem necessidade de muitos ar- condicionado, sendo necessário apenas um direcionado para cada Blade. Com isso, a energia consumida irá diminuir bastante. Segundo a HP, com a troca de servidores em Racks por Blades, haverá um consumo de energia até 40% menor. Se os 24 servidores em Rack no Data Center fossem substituídos por 24 Blades, haveria um consumo de 7441,971 KW/h. O custo de 24 servidores em Rack é de aproximadamente R$ 306.000,00, já a aquisição dos Blades custaria cerca de R$ 698.000,00. Considerando a redução do consumo de energia elétrica, o ROI (Return on Investment - Retorno sobre o Investimento) será de 5 anos, ou seja, nesse tempo a empresa irá recuperar tudo aquilo que foi investido. Além do retorno, é sempre bom lembrar que a preservação do meio ambiente proporciona uma imagem positiva da empresa junto ao mercado, o que poderá fazer com que o ROI seja ainda mais rápido. 6.5. Software O software também é considerado um ponto crucial a ser analisado para que ocorra um desenvolvimento mais sustentável. Aplicações que executem tarefas com a utilização do menor número possível de instruções são valorizadas quanto a isso,
  44. 44. 43 ou seja, o código dos programas deve ser otimizado sempre que possível, atentando sempre para as boas técnicas de programação. Outro ponto a ser considerado é o software livre. Ele pode ser utilizado, copiado, estudado, modificado e distribuído livremente, sem qualquer restrição. A forma usual de um software ser distribuído livremente é sendo acompanhado por uma licença de software livre (como a GPL ou a BSD), e com a disponibilização do seu código-fonte. O maior benefício do software livre é sem dúvida alguma o custo zero. Uma combinação muito interessante é o Software Livre e a TI Verde. O custo- benefício é dificilmente combatido por outros projetos. É só pensar um pouco: um projeto sem software livre e sem políticas verdes acarreta num elevado custo com licenças e com energia, além de prejudicar a imagem da empresas frente ao mercado e aos clientes, que acabam deixando de apreciar e comprar seus produtos. Os benefícios desta junção são diversos, mas é inegável que o principal deles é o custo. A redução deste fator é exorbitante, e essa é a primeira razão para as empresas aderirem a projetos verdes e software livre. Junto com a imagem da empresa, o custo é o principal fator desta aderência.
  45. 45. 44 7. ISO 14401 A ISO 14001 é uma das normas internacionais de caráter voluntário, desenvolvida para auxiliar a gestão das organizações a equilibrar seus interesses econômico-financeiros com os impactos gerados por suas atividades, sejam impactos ao meio ambiente ou consequências diretas para a segurança e a saúde de seus colaboradores (Cerqueira, 2005). A ISO (International Standardization Organization) fornece o certificado ISO 14401 para as empresas que implantam processos que seguem as suas normas. Como a ISO é renomada mundialmente, este certificado comprova que a organização possui responsabilidade ambiental, valorizando assim a sua marca. A certificação ISO 14401 permite à organização: • Demonstrar, para reguladores e governo, um comprometimento em obter conformidade legal e regulatória; • Demonstrar seu comprometimento ambiental para as partes interessadas; • Demonstrar uma abordagem inovadora e voltada para o futuro para clientes e futuros colaboradores; • Aumentar seu acesso a novos clientes e parceiros de negócios; • Gerenciar melhor seus riscos ambientais, agora e no futuro; • Reduzir potencialmente seus custos de seguros por responsabilidade pública; • Melhorar a sua reputação. Ela especifica requisitos para que um sistema de gestão ambiental capacite uma organização a desenvolver e implementar política e objetivos que levem em consideração requisitos legais e informações sobre aspectos ambientais significativos. Pode ser aplicada a todos os tipos e portes de organizações, adequando-se a diferentes condições geográficas, culturais e sociais. A finalidade geral da norma é equilibrar a proteção ambiental e a prevenção de poluição com as necessidades socioeconômicas. (ABNT, 2004). Impactos ambientais estão se tornando um tema cada vez mais importante no mundo, com pressão de todos os lados para minimizar esse impacto. As pressões sociais também aumentam em função da crescente gama de partes interessadas (consumidores, organizações ambientais, ONGs, universidades, etc.). Por essa razão, a ISO 14401 é relevante para toda e qualquer organização. Em geral, o certificado é válido por três anos, e um auditor selecionado pela equipe de planejamento especializada irá fazer visitas regularmente para assegurar
  46. 46. 45 que o sistema de gestão permanece em conformidade com os requisitos da norma de referência e que demonstra melhoria contínua. Para a obtenção do certificado ISO 14401, é necessário que se atenda aos seguintes requisitos. 7.1. Política Ambiental A política ambiental de uma empresa deve ser clara e única a ponto de identificar a organização, sua localização e as questões ambientais relacionadas às suas atividades, produtos e/ou serviços. O conteúdo deverá refletir seus aspectos ambientais e conduzir a organização de forma natural aos seus objetivos e metas. Deverá ser tratada tanto como uma estratégia quanto como uma ferramenta de comunicação, e como tal a mesma deverá ser divulgada dentro da organização e estar disponível ao público externo. 7.2. Aspectos Ambientais A organização deverá definir tanto o processo que vem sendo usado como aquele que será usado no futuro para identificar os aspectos ambientais que possam vir a afetar o meio ambiente de maneira significativa. Os aspectos ambientais serão relacionados a suas atividades, produtos ou serviços sobre os quais estes possuam controle direto e onde possam indiretamente influenciá-los. O procedimento deve incluir de que maneira os aspectos serão avaliados e os critérios utilizados para que se possa definir se são suficientemente significativos e, por esta razão, se necessitam de controle operacional. 7.3. Requisitos Legais e Outros Requisitos Os requisitos legais e outros requisitos estão relacionados (novamente) aos aspectos ambientais. Como isso faz parte do planejamento, faz-se necessário que a organização defina como ela irá estabelecer os requisitos legais e outros requisitos relacionados às suas atividades, aos seus produtos ou serviços. É válido ressaltar que os requisitos legais e outros relacionados ao produto necessitam de identificação, incluindo armazenagem, embalagem, transporte, uso e disposição final.
  47. 47. 46 Internamente, a organização poderá querer estabelecer normas de desempenho que vão além da conformidade legal ou ser submetida a requisitos de uma iniciativa ambiental pertencente a uma corporação maior. 7.4. Objetivos e Metas Os objetivos estabelecidos podem ser globais (que atendem ao compromisso de prevenção de poluição e conformidade legal) ou específicos. A organização deve reconhecer tantos os impulsionadores quando as restrições que influenciam suas decisões. Como suporte para os objetivos documentados, a organização deverá estabelecer metas em um nível e função relevantes, sendo novamente uma questão de planejamento para que se possa estabelecer o que, quem e até quando as mesmas devem ser atingidas, sendo também fundamental documentar e divulgar. 7.5. Programas de Gestão Ambiental Nesta cláusula, a atividade de planejamento está centrada em gerenciar o cumprimento dos objetivos e metas e, ao mesmo tempo, lembrar as organizações de que as questões ambientais devem fazer parte de todas as suas atividades comerciais. Os programas criados devem ser passíveis de rastreamento para que suas conquistas possam ser gerenciadas, por isso a existência do requisito para designar responsabilidade e os meios pelos quais eles serão alcançados. A inclusão de escalas de tempo não serve somente para definir o início e o fim do programa, mas também para que seja possível revisar pontos do mesmo. O não cumprimento das escalas de tempo deve desencadear ações corretivas e revisões para que os programas sejam realizados a tempo ou para retificá-los em resposta a restrições ou mudanças de direcionamento. O último parágrafo desta cláusula tem por objetivo promover a inclusão de considerações ambientais em todos os ramos de negócios. Para tanto não são necessários procedimentos em separado, apenas a inclusão/retificação dos que já existem, podendo ser incluídos procedimentos de projeto, licenças para trabalho e serviços contratados.
  48. 48. 47 7.6. Estrutura e Responsabilidade Esta cláusula enfatiza que para se atingir uma gestão efetiva, as funções, responsabilidades e autoridades devem ser definidas, documentadas e comunicadas. Será de responsabilidade da organização a decisão de quais funções e indivíduos devem ser definidos. A exceção seriam os representantes de gestão, pois estes possuem um papel e responsabilidade específicos, sendo o mais importante disso seu relato de desempenho para a alta gerência. 7.7. Treinamento, Consciência e Competência Esta cláusula possui três elementos que apresentam uma leve diferença de intenção. O mais importante quando se trata de gestão é ter indivíduos capacitado, e para que isso seja possível é necessário que eles tenham experiência, boa formação ou treinamento. A organização deve determinar qual a capacitação necessária na forma de treinamento para aqueles que possuam um trabalho que possa gerar um impacto significativo. Esses são os indivíduos que devem estar capacitados a realizar atividades de controle operacional. Indivíduos engajados na operação de caldeiras, no tratamento de água ou controle de emissão de ar são candidatos típicos. Deve-se fornecer treinamento àqueles que não estiverem devidamente capacitados para a realização de tais atividades. Uma grande parte da cláusula diz respeito à consciência (conhecimento/percepção), que pretende garantir que indivíduos saibam exatamente o que está sendo exigido deles, o porquê de estarem realizando tais tarefas e as consequências para o caso de não serem seguidas as instruções dadas. É importante salientar que há um requisito na cláusula que exige que os indivíduos tenham uma maior consciência dos impactos ambientais de suas atividades de trabalho, não sendo suficiente que apenas conheçam os aspectos. 7.8. Comunicação (Divulgação) A mensagem desta cláusula é de que as comunicações devem ser gerenciadas. O requisito nesta cláusula relacionado à comunicação interna é bastante simples e o Sistema de Gestão Ambiental deve definir como será o
  49. 49. 48 procedimento adotado. Isto inclui comunicação verbal, escrita e eletrônica e a utilização de ferramentas como quadros de avisos, boletins informativos e televisão. Com relação à comunicação externa, a organização deve ser reativa e proativa. Ela deve responder a comunicações de partes externas interessadas através de um procedimento que, primeiramente, deve ser para receber e documentar tais contatos. Isso implica na revisão da comunicação e quer dizer que as decisões tomadas com relação às respostas mais adequadas a cada caso devem ser registradas. As comunicações referidas na cláusula não devem ficar restritas a reclamações, mas devem sim, abranger uma variedade de assuntos e questões de exigência para informações e comunicação de exigências de clientes e outras partes interessadas. Isso pode significar que o requisito desta cláusula está distribuído por toda a organização embora tais comunicações devessem ser revisadas centralmente para serem usadas no estabelecimento dos objetivos. A parte final desta cláusula faz com que as organizações passem a reconhecer o poder da comunicação na hora de se influenciar os outros e também na hora de aliviar suas preocupações. Isso faz com que a organização pense mais sobre o que ela quer comunicar, o que ela espera alcançar com isso e a melhor forma de fazê-lo. Não há uma fórmula específica para que uma empresa se comunique de maneira proativa, mas, se essa for sua intenção, elas devem gerenciar sua comunicação. Para este fim, a norma exige que elas registrem suas decisões no que diz respeito aos métodos que as mesmas utilizarão, não interessando se as comunicarão ou não. 7.9. Documentação da Gestão Ambiental Os requisitos destas cláusulas são basicamente de gestão de qualidade. Muitas organizações podem achar que os requisitos da norma estão sendo alcançados dentro de outros sistemas de gestão e a ISO 14001 não incentiva a duplicação e a integração de suportes. Por isso a referência à provisão de direção, ambas dentro da documentação da SGA, mas também para outros sistemas. 7.10. Controle Operacional É nesta cláusula que o compromisso para com a prevenção da poluição e o cumprimento dos requisitos legais são gerenciados. Os meios pelos quais esses

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