CAOS  Terrorismo Po´tico e               eOutros Crimes Exemplares       Hakim Bey
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Sum´rio   a1 Caos: Os Panfletos do Anarquismo Ontol´gico          o                                                        ...
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Cap´   ıtulo 1Caos: Os Panfletos do AnarquismoOntol´gico     o1.1       Caos    O Caos nunca morreu. Bloco intacto e primor...
6           CAP´                                              ´               ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ON...
1.3. AMOR LOUCO (AL)                                                                        7previamente eleitos ou escolh...
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1.4. CRIANCAS SELVAGENS          ¸                                                                                9um proc...
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1.6. ARTE-SABOTAGEM (AS)                                                                          11azul-acinzentado de Ka...
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1.8. PIROTECNIA                                                                            13os port˜es do jardim est˜o ca...
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1.9. MITOS DO CAOS                                                                  15     O que era a ´gua, profunda, ins...
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1.10. PORNOGRAFIA                                                                                   17    No Oriente, `s v...
18       CAP´                                              ´            ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGI...
1.12. FEITICARIA           ¸                                                                                   19torne p´ ...
20      CAP´                                              ´           ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO...
1.13. PUBLICIDADE                                21  — Nova York, 1o de maio a 4 de julho de 1984
22   CAP´                                              ´        ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO
Cap´   ıtulo 2Comunicados da AAO2.1      Comunicado #1 (Primavera de 1986)I. Slogans e Motes para Pichar no Metrˆ e para O...
24                                               CAP´                                                    ITULO 2. COMUNICA...
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BEY, Hakim (2003) - Caos terrorismo poético e outros crimes exemplares

  1. 1. CAOS Terrorismo Po´tico e eOutros Crimes Exemplares Hakim Bey
  2. 2. 2
  3. 3. Sum´rio a1 Caos: Os Panfletos do Anarquismo Ontol´gico o 5 1.1 Caos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1.2 Terrorismo Po´tico (TP) . . . . . . . . . . . . . e . . . . . . . . . . . . . . . 6 1.3 Amor Louco (AL) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 1.4 Crian¸as Selvagens . . . . . . . . . . . . . . . . c . . . . . . . . . . . . . . . 8 1.5 Paganismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 1.6 Arte-Sabotagem (AS) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 1.7 Os Assassinos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 1.8 Pirotecnia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 1.9 Mitos do Caos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 1.10 Pornografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 1.11 Crime . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 1.12 Feiti¸aria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c . . . . . . . . . . . . . . . 19 1.13 Publicidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 Comunicados da AAO 23 2.1 Comunicado #1 (Primavera de 1986) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 2.2 Comunicado #2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 2.3 Comunicado #3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 2.4 Comunicado #4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 2.5 Comunicado #5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 2.6 Comunicado #6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 2.7 Comunicado #7 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 2.8 Comunicado #8 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 2.9 Comunicado #9 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 2.10 Comunicado #10 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 2.11 Comunicado #11 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 2.12 Comunicado Especial do Dia das Bruxas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 2.13 Comunicado Especial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 2.14 Anarquia do P´s-Anarquismo . . . . . . o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 3
  4. 4. 4 ´ SUMARIO 2.15 Coroa Negra e Rosa Negra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 2.16 Instru¸˜es para Kali Yuga . . . . . . . . . . . . . . . . . . co . . . . . . . . . 52 2.17 Contra a Reprodu¸˜o da Morte . . . . . . . . . . . . . . . ca . . . . . . . . . 54 2.18 Sonora Den´ncia do Surrealismo . . . . . . . . . . . . . . . u . . . . . . . . . 57 2.19 Por um Congresso de Religi˜es Estranhas . . . . . . . . . . o . . . . . . . . . 58 2.20 Terra Oca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 2.21 Nietzsche e os Dervixes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 2.22 Resolu¸˜o para os anos 1990: Boicote ` Cultura Policial!!! ca a . . . . . . . . . 64 Este livro foi lan¸ado pela Conrad Editora do Brasil – 2003. c Tradu¸˜o de Patricia Decia & Renato Resende ca www.conradeditora.com.br Vers˜o digital baseada em uma c´pia do livro publicada pelo CMI: a o http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/12/296700.shtml Esta vers˜o foi revisada de acordo com o original em inglˆs dispon´vel em: a e ı http://www.hermetic.com/bey/taz cont.html Setembro de 2007. http://catarse.co.nr/hakimbey/ (Dedicado a Ustad Mahmud Ali Abd al-Khabir)
  5. 5. Cap´ ıtulo 1Caos: Os Panfletos do AnarquismoOntol´gico o1.1 Caos O Caos nunca morreu. Bloco intacto e primordial, unico monstro digno de adora¸˜o, ´ cainerte e espontˆneo, mais ultravioleta do que qualquer mitologia (como as sombras ` a aBabilˆnia), a original e indiferenciada unidade-do-ser ainda resplandece, imperturb´vel o acomo as flˆmulas negras fren´tica e perpetuamente embriagada dos Assassinos1 . a e O caos ´ anterior a todos os princ´ e ıpios de ordem e entropia, n˜o ´ nem um deus nem a euma larva, seu desejos primais englobam e definem todas coreografia poss´ ıvel, todos ´teres ee flog´ ısticos sem sentido algum: suas m´scaras, como nuvens, s˜o cristaliza¸˜es da sua a a copr´pria ausˆncia de rosto. o e Tudo na natureza, inclusive a consciˆncia, ´ perfeitamente real: n˜o h´ absolutamente e e a anada com o que se preocupar. As correntes da Lei n˜o foram apenas quebradas, elas anunca existiram. Demˆnios nunca vigiaram as estrales, o Imp´rio nunca come¸ou, Eros o e cnunca deixou a barba crescer. N˜o. Ou¸a, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe id´ias de bem e mal, a c einfundiram-lhe a desconfian¸a de seu pr´prio corpo e a vergonha pela sua condi¸˜o de c o caprofeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor molecular, hipnotizaram-no com a falta de aten¸˜o, entediaram-no com a civiliza¸˜o e todas as suas emo¸˜es ca ca comesquinhas. N˜o h´ transforma¸˜o, revolu¸˜o, luta, caminho. Vocˆ j´ ´ o monarca de sua pr´pria a a ca ca e ae opele – sua liberdade inviol´vel espera ser completa apenas pelo amor de outros monarcas: auma pol´ ıtica se sonho, urgente como o azul do c´u. e Para lograr abrir m˜o de todos os acentos e hesita¸˜es ilus´ria da hist´ria, ´ preciso a co o o eevocar a economia de uma Idade da Pedra lend´ria – xamˆs e n˜o padres, bardos e n˜o a a a asenhores, ca¸adores e n˜o policiais, coletores paleoliticamente pregui¸osos, gentis como c a csangue, que ficam nus para simbolizar algo ou se pintam como p´ssaros, equilibrados a 1 O autor refere-se aos Hassasin ou Hassisin (“consumidores de haxixe”), membros de uma seita islˆmica asecreta que durante as Cruzadas emboscavam l´ ıderes crist˜os. Eles agiam supostamente sob a influˆncia a ede haxixe, da´ seu nome. Ver p´gina 12 (N.T) ı a 5
  6. 6. 6 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICOsobre a onda da presen¸a expl´ c ıcita, o agora-sempre atemporal. Agentes do caos lan¸am olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar cser testemunha de sua condi¸˜o, sua febre por lux et voluptas. Estou desperto apenas cano que amo e at´ o limite do terror – todo o resto ´ apenas mob´ coberta, anestesia e e ıliadi´ria, merda para c´rebros, t´dio sub-r´ptil de regimes totalit´rios, censura banal e dor a e e e adesnecess´ria. a Avatares do caos agem com espi˜es, sabotadores, criminosos do amor louco, nem ge- onerosos nem generosos nem ego´ ıstas, acess´ ıveis como crian¸as, semelhantes a b´rbaros, c aperseguidos por obsess˜es, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terr´ o ıveis, espe-lhos para a contempla¸˜o, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos e sentidos. ca Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entres as paredes da Igreja, do Estado, daEscola e da Empresa, todos os monolitos paran´icos. Arrancados da tribo pela nostalgia oselvagem, escavamos em busca de mundos perdidos, bombas imagin´rias. a A ultima proeza poss´ ´ aquela que define a pr´pria percep¸˜o, um invis´ cord˜o ´ ıvel e o ca ıvel ade ouro que nos conecta: dan¸a ilegal pelos corredores do tribunal. Seu eu fosse beijar vocˆ c eaqui, chamariam isso de um ato de terrorismo – ent˜o vamos levar nossos rev´lveres para a oa cama e acordar a cidade ` meia-noite como bandidos bˆbados celebrando a mensagem a edo sabor do caos com um tiroteio.1.2 Terrorismo Po´tico (TP) e Dan¸ar de forma bizarra durante a noite inteira nos caixas eletrˆnicos dos banco. c o 2Apresenta¸˜es pirot´cnicas n˜o autorizadas. Land-art , pe¸as de argila que sugerem es- co e a ctranhos artefatos alien´ ıgenas espalhados em parques estaduais. Arrombe apartamentos,mas, em vez de roubar, deixe objetos Po´tico-Terroristas. Seq¨estre algu´m e o fa¸a feliz. e u e c Escolha algu´m ao acaso e o conven¸a de que ´ herdeiro de uma enorme, in´til e e c e uimpressionante fortuna – digamos, 5 mil quilˆmetros quadrados na Ant´rtica, um velho o aelefante de circo, um orfanato em Bombaim ou uma cole¸˜o de manuscritos de alquimia. caMais tarde, essa pessoa perceber´ que por alguns momentos acreditou em algo extraor- adin´rio e talvez se sinta motivada a procurar um modo mais interessante de existˆncia. a e Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares (p´blicos ou privados) onde vocˆ u eteve uma revela¸˜o ou viveu uma experiˆncia sexual particularmente inesquec´ etc. ca e ıvel Fique nu para simbolizar algo. Organize uma greve em sua escola ou trabalho em protesto por eles n˜o satisfazerem aa sua necessidade de indolˆncia e beleza espiritual. e A arte do grafite emprestou alguma gra¸a aos horr´ c ıveis vag˜es do metrˆ e s´brios o o omonumentos p´blicos – a arte-TP tamb´m pode ser criada para lugares p´blicos: poemas u e urabiscados nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restau-rantes, arte-xerox sob o limpador de p´ra-brisas de carros estacionados, slogans escritos acom letras gigantes nas paredes de playgrunds, cartas anˆnimas enviadas a destinat´rios o a 2 Corrente que pretende utilizar os espa¸os naturais de cria¸˜o art´ c ca ıstica. Para isso, fazem coisas comoempilhar pedras, tra¸ar imensas linhas de gesso em desertos, cavar tumbas etc. (N.E.) c
  7. 7. 1.3. AMOR LOUCO (AL) 7previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal), transmiss˜es de r´dio piratas. o aCimento fresco... A rea¸˜o do p´blico ou choque-est´tico produzido pelo TP tem de ser uma emo¸˜o ca u e camenos t˜o forte quanto o terror – profunda repugnˆncia, tes˜o sexual, temor supersticioso, a a as´bitas revela¸˜es intuitivas, ang´stia dad´ – n˜o importa se o TP ´ dirigido a apenas u co u ısta a euma ou v´rias pessoas, se ´ “assinado” ou anˆnimo: se n˜o mudar a vida de algu´m (al´m a e o a e eda do artista), ele falhou. TP ´ um ato num Teatro da Crueldade sem palco, sem fileiras de poltronas, sem eingressos ou paredes. Pare que funcione, o TP deve afastar-se de forma categ´rica de otodas as estruturas tradicionais para o consumo de arte (galerias, publica¸˜es, m´ co ıdia).Mesmo as t´ticas da guerrilha Situacionista do teatro de rua talvez j´ tenham se tornado a aconhecidas e previs´ ıveis demais. Uma primorosa sedu¸˜o praticada n˜o apenas em busca da satisfa¸˜o m´tua, mas ca a ca utamb´m como um ato consciente de uma vida deliberadamente bela – talvez isso seja o TP eem seu alto grau. Os Terroristas-Po´ticos comportam-se como um trapaceiro totalmente econfiante cujo objetivo n˜o ´ dinheiro, mas transforma¸˜o. a e ca N˜o fa¸a TP Para outros artistas, fa¸a-o para aquelas pessoas que n˜o perceber˜o a c c a a(pelo menos n˜o imediatamente) que aquilo que vocˆ fez ´ arte. Evite categorias art´ a e e ısticasreconhec´ ıveis, evite politicagem, n˜o argumente, n˜o seja sentimental. Seja brutal, assuma a ariscos, vandalize apenas o que deve ser destru´ fa¸a algo de que as crian¸as se lembrar˜o ıdo, c c apor toda a vida – mas n˜o seja espontˆneo a menos que a musa do TP tenha se apossado a ade vocˆ.e Vista-se de forma intencional. Deixe um nome falso. Torne-se uma lenda. O melhorTP ´ contra a lei, mas n˜o seja pego. Arte como crime; crime como arte. e a1.3 Amor Louco (AL) O amor louco n˜o ´ uma social-democracia, n˜o ´ um parlamentarismo a dois. As a e a eatas de suas reuni˜es secretas lidam com significados amplos, mas precisos demais para a oprosa. Nem isso, nem aquilo – seu Livro de Emblemas treme em suas m˜os.a Naturalmente, ele caga para os professores e para a pol´ıcia. Mas tamb´m despreza eos liberais e os ide´logos – n˜o ´ um quarto limpo e bem iluminado. Um top´grafo o a e oembusteiro projetou seus corredores e e seus parques abandonados, criou sua decora¸˜o cade emboscada feita de tons pretos lustrosos e vermelhos man´ıacos membranosos. Cada um de n´s possui metade do mapa – como dois potentados renascentistas, defi- onimos uma nova cultura com a nossa excomungada uni˜o de corpos, fus˜o de l´ a a ıquidos –as fronteiras imagin´rias da nossa cidade-Estado se borram com o nosso suor. a O anarquismo antol´gico nunca retornou de sua ultima viagem de pecas. Conquanto o ´ningu´m nos denuncie para o FBI, o Caos n˜o se importa nem um pouco com o futuro da e aciviliza¸˜o. O amor louco procria apenas por acidente – seu objetivo principal ´ engolir a ca eGal´xia. Uma conspira¸˜o de transmuta¸˜o. a ca ca Seu unico interesse pela Fam´ est´ na possibilidade de incesto (“Amplie o seu ´ ılia aEu”, “Toda pessoas ´ um Fara´”) – O, e o ´ mais sincero dos leitores, semelhante meu, meu
  8. 8. 8 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICOirm˜o/irm˜ – e na masturba¸˜o de uma crian¸a ele encontra, oculta (como uma caixa- a a ca csurpresa japonesa com flores de papel), a imagem do esfarelamento do Estado. As palavras pertencem `queles que as usam apenas at´ algu´m as roube de volta. a e eOs surrealistas se desgra¸aram ao vender o amor louco para a m´quina de sombras do c aAbstracionismo – a unica coisa que procuraram em sua inconsciˆncia foi o poder sobre os ´ eoutros, e nisso foram seguidores de Sade (que queria “liberdade” apenas para que homensbrancos e adultos pudessem estripar mulheres e crian¸as). c O amor louco ´ saturado de sua pr´pria est´tica, enche-se at´ as bordas com a trajet´ria e o e e ode seus pr´prios gestos, vive pelo rel´gio dos anjos, n˜o ´ um destino adequado para o o a ecomiss´rios ou lojistas. Seu ego evapora-se com a mutabilidade do desejo, seu esp´ a ıritocomunal murcha em contato com o ego´ ısmo da obsess˜o. a O amor louco pede uma sexualidade incomum. O mundo anglo-sax˜o p´s-protestante a ocanaliza toda sua sensualidade reprimida para a publicidade e divide-se entre multid˜es oconflitantes: caretas hist´ricos versus clones prom´ e ıscuos e ex-ex-solterios. O AL n˜o quer ase alistar no ex´rcito de ningu´m, n˜o toma partido na Guerra dos Sexos, entedia-se e e acom os argumentos a favor de iguais oportunidades de trabalho (na verdade, recusa-sea trabalhar para ganhar a vida), n˜o reclama, n˜o explica, nunca vota e nunca paga a aimpostos. O AL gostaria de ver todo bastardo (“filho natural”) chagar ao fim de sua gest˜o e anascer – o AL vive de aparelhos antientr´picos – o AL adora ser molestado por crian¸as o c 3– o AL ´ melhor que sensimilla – o AL leva para onde for sua pr´prias palmeiras e sua e opr´pria lua. O AL admira o tropicalismo, a sabotagem, a break dance, Layla e Majnun4 , oo cheiro de p´lvora e de esperma. o O AL ´ sempre ilegal, n˜o importa se disfar¸ado de casamento ou de um grupo de e a cescoteiros – sempre embriagados do vinho de suas pr´prias secre¸˜es ou do fumo de suas o covirtudes polimorfas. N˜o ´ a deteriora¸˜o dos sentidos, mas sim sua apoteose – n˜o ´ o a e ca a eresultados da liberdade, mas seu pr´-requisito. Lux et voluptas. e1.4 Crian¸as Selvagens c O insond´vel rastro de luz da lua cheia – meados de maio, meia-noite em algum Estado aamericano que come¸as com “I”, t˜o bidimensional que mal se pode dizer que possui uma c ageografia – o luar ´ t˜o urgente e tang´ que ´ preciso fechar as cortinas para se poder e a ıvel epensar em palavras. Nem pense em escrever para as Crian¸as Selvagens. Elas pensam em imagens – para celas a prosa ´ um c´digo ainda n˜o inteiramente digerido e sedimentado, assim como, para e o an´s, ela nunca ser´ totalmente confi´vel. o a a Vocˆ pode escrever sobre elas, para que outros, que tenham perdido o cord˜o de prata, e a ´possam nos compreender. Ou escrever para elas, fazendo das HISTORIA e do EMBLEMA 3 Tipo de maconha feita a partir dos brotos e das flores da cannabis e que apresenta 7,5% de THC,seu componente psicoativo. (N.E) 4 Lend´rios amantes do mundo ´rabe. Ver o livro de Nizami Laila & Majnun – A Cl´ssica Hist´ria de a a a oAmor da Literatura Persa, Jorge Zahar Editor. (N.E)
  9. 9. 1.4. CRIANCAS SELVAGENS ¸ 9um processo de sedu¸˜o de suas pr´prias mem´rias paleol´ ca o o ıticas, uma b´rbara tenta¸˜o a capara a liberdade (o caos na compreens˜o do pr´prio CAOS). a o Para essa esp´cie do outro mundo, ou “terceiro sexo”, les enfants sauvages, ilus˜o e e aImagina¸˜o ainda s˜o indissoci´veis. JOGO licencioso: de uma s´ vez e ao mesmo tempo ca a a oa fonte de nossa Arte e de todo o mais precioso erotismo da ra¸a. c Abra¸ar a desordem como fonte de estilo e como armaz´m de vol´pia, um fundamento c e ude nossa civiliza¸˜o alien´ ca ıgena e oculta, nossa est´tica conspirat´ria, nossa espionagem e olun´tica – essa ´ a a¸˜o (reconhe¸amos) de um certo tipo de artista ou de uma crian¸a de a e ca c c10 ou 13 anos. As crian¸as, denunciadas por seus pr´prios sentidos purificados, pela brilhante feiti¸aria c o cde uma prazer belo, espelham algo de fatal e obsceno na pr´pria natureza da realidade: oanarquistas ontol´gicos naturais, anjos do caos – seus gestos e cheiros emanam para oseu entorno uma selva de presen¸a, uma floresta de press´gios repleta de cobras, armas c aninja, tartarugas, xamanismo futur´ ıstico, confus˜o incr´ a ıvel, urina, fantasmas, luz do sol,ejacula¸˜es, ninhos e ovos de p´ssaros – agress˜o cheia de alegria contra os crescentes co a agemidos daquelas Regi˜es Inferiores incapazes de englobar tanto epifanias destruidoras oquanto a cria¸˜o, como farsa fr´gil, mas afiadas o bastante para contar o luar. ca a No entanto, os habitantes dessas insignificantes prov´ ıncias inferiores acreditam querealmente controlam os destinos das Crian¸as Selvagens – e aqui embaixo, tais cren¸as c cviciadas moldam, de fato, a maior parte da substˆncia da casualidade. a Os unicos que realmente desejam compartilhar o destino travesso dos fugitivos selva- ´gens ou crian¸as guerrilheiras (em vez de tentar control´-lo), os unicos, artistas, anarquis- c a ´tas, pervertidos, her´ticos, um bando ` parte (distantes um do outro e do mundo), ou e acapazes de se encontrar apenas como as crian¸as selvagens se encontram, trocando olhares csecretos ` mesa de jantar enquanto os adultos tagarelam por detr´s de suas m´scaras. a a a Jovens demais para helic´pteros de guerra – fracassados na escola, dan¸arinos de o cbreak, poetas p´beres de vilarejos ` beira da estrada – um milh˜o de centelhas caindo u a aem cascata dos roj˜es de Rimbaud e Mogli – fr´geis terroristas cujas bombas espalha- o afatosas s˜o amor polimorfo e preciosos fragmentos compactados de cultura popular – afranco-atiradores punks sonhando em furar as orelhas, ciclistas animistas deslizando nocrep´sculo cor de estanho pelas ruas com flores acidentais nos bairros mais miser´veis – u amergulhadores ciganos nus fora de temporada, ladr˜es sorridentes, de olhar enviesado, de ototens poderosos, troco pequeno e navalhas de pantera – est˜o em todos os lugares, n´s os a ovemos – publicamos esta oferta para trocar a corrup¸˜o do nosso pr´prio lux et gaudium ca opor sua perfeita e gentil imund´ıcie. Compreenda: nossa realiza¸˜o, nossa liberta¸˜o depende da deles – n˜o porque imi- ca ca atamos a Fam´ ılia, estes “avaros do amor” que mantˆm ref´ns para um futuro banal, ou e eEstado, que nos ensina a afundar num horizonte de eventos de enfadonha “utilidade” –n˜o – mas porque n´s e eles, os selvagens, somos o espelho um do outro, unidos e limitados a opor aquele cord˜o de prata que define as fronteiras entre a sensualidade, a transgress˜o e a aa revela¸˜o. ca N´s temos os mesmos inimigos e nossos meios para o escapa triunfal tamb´m s˜o os o e amesmos: um jogo delirante e obsessivo, energizado pelo brilho espectral dos lobos e seusfilhotes.
  10. 10. 10 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO1.5 Paganismo Constela¸˜es por onde dirigir o barco da alma. co “Se o mu¸ulmano entendesse o Isl˜, ele se tornaria um adorador de ´ c a ıdolos.” – MahmudShabestari. Elegu´5 , o porteiro horroroso com um gancho na cabe¸a e conchas nos lugar dos olhos, a ccharutos negros de macumba e copo de rum – como Ganesh6 , o deus dos In´ ıcios, garotogordo com cabe¸a de elefante montando num rato. c O ´rg˜o que compreende as atrofias numinosas com os sentidos. Aqueles que n˜o o a apodem sentir o baraka7 n˜o conhecem as car´ a ıcias do mundo. Hermes Poimandres8 ensinou a anima¸˜o de ´ ca ıdolos, a permanˆncia m´gica dos esp´ e a ıritosnos ´ıcones – mas aqueles que n˜o podem realizar esse ritual em si mesmo e em todo o atecido palp´vel do ser material v˜o herdar apenas melancolia, dejetos, decadˆncia. a a e O corpo pag˜o torna-se como Corte de Anjos que experimenta este lugar – este arvo- aredo – como o para´ (“Se existe um para´ com certeza ´ aqui !” – inscri¸˜o no p´rtico ıso ıso, e ca ode um jardim mongol9 ). Mas o anarquismo ontol´gico ´ paleol´ o e ıtico demais para a escatologia – as coisas s˜o areais, feiti¸aria funciona, os esp´ c ıritos dos arbustos s˜o unos com a Imagina¸˜o, a morte ´ a ca eum vago desconforto – o enredo das Metamorfoses de Ov´ – um ´pico de mutabilidade. ıdio eO cen´rio mitol´gico pessoal. a o O paganismo ainda n˜o inventou leis – apenas virtudes. Nenhum maneirismo de apadres, nenhuma teologia, ou metaf´ ısica, ou moral – apenas um xamanismo universal noqual ningu´m obt´m real humanidade sem uma revela¸˜o. e e ca Comida dinheiro sexo sono sol areia e sensimilla – amor verdade paz liberdade e justi¸a. cBeleza. Dion´ısio, o garoto bˆbado numa pantera – ran¸oso suor adolescente – P˜, meio e c ahomem, meio cabra, avan¸a pesadamente na terra s´lida at´ a cintura como se fosse o c o emar, com a pele suja de musgo e l´ıquen – Eros se multiplica em uma d´zia de pastorais urapazes nus de uma fazenda do Iowa, com p´s sujos de barro e musgo dos lagos em sua ecoxas. Raven, o trapaceiro do potlatch10 , `s vezes um garoto, `s vezes uma velha, um p´ssaro a a aque roubou a lua, agulhas de pinho flutuando num lago, totens com cabe¸as da Fa´ c ısca eFuma¸a, coral de corvos com olhos prateados dan¸ando sobre uma pilha de lenha – como c cSemar, o corcunda albino e hermafrodita, fantoche-sombra patrono da revolu¸˜o javanesa. ca Iemanj´, estrela azul deusa-do-mar e padroeira dos homossexuais – como Tara, aspecto a 5 Nome que em Cuba se d´ a Exu, um dos quatro orix´s guerreiros da religi˜o iorub´. (N.T) a a a a 6 Um dos deuses mais cultuados do pante˜o hindu´ a ısta, invocado no in´ de qualquer atividade como ıcioaquele que retira obst´culos. (N.T) a 7 Conceito sufista, que significa ben¸˜o, gra¸a, a for¸a vital de toda cria¸˜o. (N.T) ca c c ca 8 Ou H. Trismegisto, mitol´gico fundador do hermetismo, doutrina ligada ao gnosticismo, no Egito, no os´culo I. (N.T) e 9 Imp´rio mu¸ulmano na ´ e c India (1526-1857), fortemente influenciado pela est´tica persa. O mais co- enhecido imperador mongol foi Akbar (1542-1605). (N.T) 10 Festival de inverno celebrado pelos ´ındios da costa noroeste dos EUA, com distribui¸˜o e troca de capresentes, e eventual dissipa¸˜o dos bens do anfitri˜o. (N.T) ca a
  11. 11. 1.6. ARTE-SABOTAGEM (AS) 11azul-acinzentado de Kali11 , colar de crˆnios, dan¸ando no lingam12 enrijecido de Shiva13 , a clambendo nuvens de mon¸˜es com sua l´ co ıngua comprid´ıssima – como Loro Kidul, deusa-do-mar verde-jade javanesa que confere o poder da invulnerabilidade aos sult˜os por meio ade intercurso tˆntrico em torres e cavernas m´gicas. a a Sob um ponto de vista, o anarquismo ontol´gico ´ extremamente nu, despido de todas o eas qualidades e possess˜es, podre como o pr´prio CAOS – mas, sob outro ponto de vista, o oele pulula de barroquismos como os templos de foda de Katmandu ou um livro de s´ ımbolos 14alqu´ımicos – ele se derrama de seu div˜ comendo loukoum e divertidas id´ias her´ticas, a e euma m˜o perdida dentro de suas cal¸as largas. a c O casco de seus navios piratas ´ laqueado de preto, as velas triangulares s˜o vermelhas, e aas flˆmulas s˜o negras, ostentando o emblema de um ampulheta alada. a a Um mar do sul da China dentro da mente, pr´ximo a um litoral selvagem coberto por opalmeiras, ru´ınas de templos de ouro constru´ ıdos para deuses desconhecidos e bestiais,ilha ap´s ilha, a brisa como uma seda amarela e umida sobre a pela nua, navega¸˜o por o ´ caestrelas pante´ıstas, hierologia sobre hierologia, luz sobre luz contra a escurid˜o reluzente ae ca´tica. o1.6 Arte-Sabotagem (AS) A arte-sabotagem aspira ser perfeitamente exemplar, mas, ao mesmo tempo, ret´m eum elemento de opacidade – n˜o propaganda, mas choque est´tico – aterradoramente a edireta, mas ainda assim sutilmente transversal – a¸˜o-como-met´fora. ca a A Arte-Sabotagem ´ o lado negro do Terrorismo Po´tico – cria¸˜o-atrav´s-da-destrui¸˜o e e ca e ca–, mas n˜o pode servir a nenhum partido ou niilismo, nem mesmo ` pr´pria arte. Assim a a ocomo a destrui¸˜o da ilus˜o eleva a consciˆncia, a demoli¸˜o da praga est´tica ado¸a o ar ca a e ca e cno mundo do discurso, do Outro. A Arte-Sabotagem serve apenas ` percep¸˜o, aten¸˜o, a ca caconsciˆncia. e A AS vai al´m da paran´ia, al´m de desconstru¸˜o – a cr´ e o e ca ıtica definitiva – ataque f´ ısicoa` arte ofensiva – cruzada est´tica. O menor ind´ de um egotismo mesquinho ou mesmo e ıciode um gosto pessoal estraga sua pureza e vicia sua for¸a. A AS n˜o pode nunca procurar c ao poder – apenas renunciar a ele. Obras de arte individuais (mesmo as piores) s˜o amplamente irrelevantes – a AS aprocura causar danos `s institui¸˜es que usam a arte para diminuir a consciˆncia e lucrar a co ecom a ilus˜o. Este ou aquele poeta ou pintor pode ser condenado por falta de vis˜o – mas a aId´ias malignas podem ser atacadas atrav´s dos artefatos que eles criam. O MUZAK15 e efoi feito para hipnotizar e controlar – seu mecanismo pode ser destru´ ıdo. Queima p´blica de livros – porque caipiras reacion´rios e funcion´rios das alfˆndegas u a a a 11 No hindu´ısmo, a forma da M˜e Divina em seu aspecto dissoluto e destruidor. (N.T) a 12 O mais importante dos s´ ımbolos de Shiva, que tem a forma de um falo, e representa o aspectoimpessoal de Deus. (N.T) 13 Nome da Realidade Suprema para o shaivismo da Caxemira; ou, no hindu´ ısmo, um dos trˆs deuses eprincipais (ao lado de Vishnu e Brahma), representando Deus em sua forma destruidora. (N.T) 14 Doce turco. (N.T) 15 Sistema de distribui¸˜o de m´sica ambiente. (N.T) ca u
  12. 12. 12 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICOdevem monopolizar essa arma? Livros sobre crian¸as possu´ c ıdas pelo demˆnio; a lista ode best sellers do The New York Times; tratados feministas contra a pornografia; livrosescolares (especialmente de estudos Sociais, Educa¸˜o Moral e C´ ca ıvica e Sa´de); pilhas udo New York Post, Village Voice e outros jornais de supermercado; uma compila¸˜o de caeditoras crist˜s; alguns romances populares – uma atmosfera festiva, garrafas de vinho e abaseados numa tarde clara de outono. Jogar dinheiro para o alto no meio da bolsa de valores seria um Terrorismo Po´tico ebastante razo´vel – mas destruir o dinheiro seria uma excelente Arte-Sabotagem. Inter- aferir numa transmiss˜o de TV e colocar no ar alguns minutos de arte incendi´ria ca´tica a a oseria uma grande feito de TP – mas simplesmente explodir a torre de transmiss˜o seria auma ato de Arte-Sabotagem perfeitamente adequado. Se certas galerias e museus merecem, de vez em quando, receber uma tijolada pelaJanela – n˜o a destrui¸˜o, mas sim uma sacudida na sua complacˆncia –, ent˜o o que dizer a ca e ados BANCOS? Galerias transformam beleza em mercadoria, mas bancos transmutam aImagina¸˜o em vezes e d´ ca ıvida. O mundo n˜o ganharia um pouco mais de beleza com cada abanco que tremesse... ou ca´ ısse? Mas como? A Arte-Sabotagem provavelmente deve ficarlonge da pol´ ıtica (´ t˜o chata!) – mas n˜o dos bancos. e a a N˜o fa¸a piquetes – vandalize. N˜o proteste – desfigure. Quando fei´ra, design podre a c a ue desperd´ıcios est´pidos estiverem sendo impostos a vocˆ, transforme-se num luddita16 , u ejogue o sapato no mecanismo, retalie. Esmague os s´ ımbolos do Imp´rio, mas n˜o o fa¸a e a cem nome de nada que n˜o seja a busca do cora¸˜o pela gra¸a. a ca c1.7 Os Assassinos Atravessando o brilho do deserto e ganhando as montanhas policromadas, nuas e ocre,violeta pardo e terracota, no alto de um vale dissecado azul, os viajantes encontram umo´sis artificial, um castelo fortificado em estilo sarraceno, guardando um jardim escondido. a Como convidados de Hassan-i Sabbah, o Velho da Montanha, eles sobem os degrauscortados na pedra que levam at´ o castelo. Aqui, o Dia da Ressurrei¸˜o veio e passou – e caos do lado de dentro vivem fora do Tempo profano, que ´ mantido a distˆncia com lan¸as e a ce veneno. Por tr´s de torres crenuladas e de longas janelas talhadas, estudiosos e fedains velam aem estreitas celas monol´ ıticas. Mapas do c´u, astrol´bios, destiladores e retortas, pilhas e ade livros abertos sob a luz da manh˜ – uma cimitarra descoberta. a Cada um dos que entram no reino do Im˜-de-seu-pr´prio-ser transforma-se num sult˜o a o ade revela¸˜o inversa, num monarca da anula¸˜o e da apostasia. Num aposento central, ca caentrecortado pela luz e adornado com uma tape¸aria de arabescos, eles se recostam em calmofadas e fumam longos narguil´s de haxixe perfumado com ´pio e ˆmbar. e o a Para eles, a hierarquia do ser compactou-se num ponto adimensional do real – ascorrentes da Lei foram quebradas – eles terminam seu jejum com vinho. Para eles, o ex-terior de todas as coisas ´ o interior delas, sua face verdadeira revela-se diretamente. Mas e 16 Membro dos grupos de trabalhadores ingleses que, no in´ıcio da revolu¸˜o industrial, revoltaram-se cacontra o desemprego causado pelo novo maquin´rio tˆxtil, procurando destru´ a e ı-lo. (N.T)
  13. 13. 1.8. PIROTECNIA 13os port˜es do jardim est˜o camuflados com terrorismo, espelhos, rumores de assassinos, o atrompe l’oeil, lendas. Ram˜s, v´rios tipos de amoras, caquis, a melancolia er´tica dos ciprestes, rosas de a a oShiraz de delicadas p´talas cor-de-rosa, jardineiras com alo´ e benjoim de Meca, os caules e er´ ıgidos das tulipas otomanas, tapetes abertos como jardins artificiais sobre gramadosverdadeiros – um pavilh˜o inteiro decorado com um mosaico de caligramas – um salgueiro, aum riacho repleto de agri˜es do brejo – uma fonte sob cristais geom´tricos – o escˆndalo o e ametaf´ısico que s˜o as odaliscas banhando-se os criados negros brincando de esconde- aesconde, molhados, por entre a folhagem – “´gua, verdura, belos rostos”. a Ao cair da noite, Hassan-i Sabbah, como um lobo civilizado de turbante, debru¸a-se cno parapeito sobre o jardim e contempla o c´u, estudando pequenos asterismos de heresia e ´no ar fresco e sem rumo do deserto. E verdade que nesse mito alguns disc´ ıpulos aspirantespodem receber o comando de arremessarem-se do alto das muralhas para a escurid˜o – amas tamb´m ´ verdade que alguns deles v˜o aprender a voar como feiticeiros. e e a O emblema de Alamut persiste em nossas mentes, uma mandala ou circulo m´gico per- adido na hist´ria, mas entalhado ou impresso na consciˆncia. O Velho passa rapidamente, o ecomo um fantasma, por dentro das tendas dos reis e dos aposentos dos te´logos, atravessa otodas as trancas e passa por todas as sentinelas que usam t´cnicas ninja/mu¸ulmanas j´ e c aesquecidas, deixando pesadelos, estiletes sobre os travesseiros, subornos poderosos. O perfume de sua propaganda embebe-se nos sonhos criminosos do anarquismo on-tol´gico, a her´ldica de nossas obsess˜es exibe as lustrosas bandeiras negras dos Assas- o a osinos... todos pretendentes ao trono de um Egito Imagin´rio, um cont´ a ınuo espa¸o/luz coculto consumido por liberdades ainda n˜o imaginadas. a1.8 Pirotecnia Inventadas pelos chineses, mas nunca desenvolvida para a guerra – um bom exemplo deTerrorismo Po´tico – uma arma usada para disparar choques est´ticos em vez de matar e e– os chineses odiavam a guerra e costumavam entrar em luto quando os ex´rcitos se elevantavam – a p´lvora era mais util para espantar demˆnios malignos, deleitar crian¸as, o ´ o csaturar o ar com uma bruma de bravura e com o cheiro de perigo. Roj˜es de terceira categoria da prov´ o ıncia de Kwantung, foguetes, borboletas, M-80’s,girass´is, “Uma Floresta na Primavera” – clima de revolu¸˜o – acenda seu cigarro com o caa espoleta chamuscada de um roj˜o negro – imagine o ar repleto de lˆmures e ´ a e ıncubos,esp´ıritos opressores, policiais fantasmas. Chame um garoto com um bast˜o em brasa ou um f´sforo aceso – ap´stolo-xam˜ de a o o aenredos de ver˜o de p´lvora – estilhace a noite escura com pitadas e cascatas de estrelas a oinfladas, arsˆnico e antimˆnio, s´dio e calomelano, um corisco de magn´sio e um silvo e o o eestridente de picrato de potassa. Mande brasa (negro-de-fumo e salitre) a ferro e fogo – ataque o banco ou a horr´ ıveligreja de seu bairro com velas romanas e foguetes p´rpura-dourados, de sopet˜o e anoni- u amamente (talvez lan¸ados da carroceria de uma picape em movimento). c Construa estruturas entrela¸adas com vigas de metal nos tetos dos edif´ c ıcios de com-panhias de seguro ou escola – serpente cundalini ou drag˜o do Caos verde-b´rio enrolado a a
  14. 14. 14 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICOcontra um fundo de amarelo-s´dio – N˜o Pise em Mim – ou monstros copulando e arre- o amessando bolas de fogo na casa de velhos batistas. Escultura de nuvens, escultura de fuma¸a e bandeiras = Arte do Ar. Obras de Terra. c ´Fontes = Arte da Agua. E fogos de artif´ ıcio. N˜o se apresente patrocinando pelos aRockefeller e com a autoriza¸˜o da pol´ para uma audiˆncia de amantes da cultura. ca ıcia eEvanescentes bombas-mentais incendi´rias, mandalas assustadoras inflamando-se em es- afuma¸adas noites suburbanas, alien´ c ıgenas nuvens verdades da peste emocional detonadaspor raios vajra17 azuis de orgˆnio18 , feux d’artifice a laser. o Cometas que explodem com odor de haxixe e carv˜o radioativo – demˆnios do pˆntano a o ae fogos-f´tuos assombrando os parques p´blicos – falso fogo-de-santelmo piscando sobre a ua arquitetura da burguesia – correntes de pequenos fogos de artif´ caindo no ch˜o da ıcio a 19Assembl´ia Legislativa – salamandras-elementais atacando conhecidos reformados de emoral. Goma-laca flamejante, a¸ucar do leite, estrˆncio, piche, ´gua viscosa, fogo chinˆs – c´ o a epor alguns momentos o ar ´ puro ozˆnio – uma nuvem opala de pungente fuma¸a de e o cdrag˜o/fˆnix se espalhando. Por um instante, o Imp´rio cai, seus pr´ a e e ıncipes e governadoresfogem para sua podrid˜o satˆnica e nebulosa, penachos de enxofre dos elfos atiradores de a achamas queimando suas bundas chamuscadas, enquanto eles recuam. O Assassino-crian¸a, cpsique de fogo, mant´m o poder por uma breve noite escaldante da estrela S´ e ırio.1.9 Mitos do Caos Caos invis´ (po-te-kitea) ıvel Indom´vel, intranspon´ a ıvel Caos da escurid˜o absoluta a Intocado e intoc´vel a — canto Maori O Caos empoleira-se numa montanha de c´u: um p´ssaro gigantesco, como uma asa- e adelta amarela ou uma bola de fogo vermelha, com seis p´s e quatro asas – ele n˜o tem e arosto, mas dan¸a e canta. c Ou o Caos ´ um c˜o negro de pˆlos compridos, cego e surdo, sem as cinco v´ e a e ısceras.Caos, o Abismo, ´ anterior a tudo, depois vem a Terra/Gaia, e ent˜o o Desejo/Eros. e a ´ ´Desses trˆs surgiram dois pares – Erebo e Noite ancestral, Eter e Luz diurna. e Nem Ser, nem N˜o-ser a Nem ar, nem terra, nem espa¸o: c o que estava escondido? onde? sob a prote¸˜o de quem? ca 17 No budismo e no hindu´ ısmo, um raio ou arma m´ ıtica, geralmente controlado pelo deus Indra (N.E) 18 Na teoria desenvolvida por William Reich, orgˆnio ´ a energia vital, a energia a que ´ a fonte da vida. o e e(N.E) 19 Desde a Antig¨idade, a salamandra tem sido reconhecida como a personifica¸˜o do fogo, um animal u caque sobreviveria ileso no fogo. (N.E)
  15. 15. 1.9. MITOS DO CAOS 15 O que era a ´gua, profunda, insond´vel? a a Nem morte, nem imortalidade, dia ou noite... mas o UNO soprado por si mesmo, sem vento. Nada mais. Escurid˜o envolvendo escurid˜o, a a a ´gua n˜o-manifesta. a O UNO, escondido pelo vazio, sentiu a gera¸˜o do calor, tornou-se ser ca na forma de Desejo, primeira semente da Mente... O que estava por cima e o que, por baixo? Existiam semeadores, existiam poderes: energia embaixo, impulso em cima. Mas quem pode ter certeza? — Rig Veda Tiamar, o Oceano de Caos, expele lentamente de seu ventre Lama e Saliva, os Hori-zontes, o C´u e Sabedoria l´ e ıquida. Esses rebentos crescem barulhentos e pretensiosos –ela pensa em destru´ ı-los. Mas Marduk, o deus da guerra babilˆnico, levanta-se em rebeli˜o contra a Velha Bruxa o ae seus Monstros do Caos, totens infernais – o Verme, a Ogre Fˆmea, o Grande Le˜o, o e aCachorro Louco, o Homem Escorpi˜o, a Tempestade Trovejante – drag˜es vestindo suas a ogl´rias como deuses – e a pr´pria Tiamat ´ uma serpente marinha gigante. o o e Marduk a acusa de fazer os filhos se rebelarem contra os pais – ela ama Neblina eNuvens, princ´ ıpios da desordem. Marduk ser´ o primeiro a reinar, a inventar o governo. aDurante a batalha, ele trucida Tiamat e com o seu corpo encomenda o universo material.Inaugura o imp´rio da Babilˆnia – e ent˜o, com os mi´dos e as tripas sangrentas do filho e o a uincestuoso de Tiamat, ele cria a ra¸a humana para servir aos deuses para sempre e aos caltos sacerdotes e reis sacramentados. Zeus Pai e os deuses do Olimpo travam guerra contra M˜e Gaia e os Tit˜s, esses a apartid´rios do Caos, da velhas formas de ca¸a e coleta, das longas andan¸as sem destino, a c cda androginia e da licenciosidade das bestas. Amon-Ra (Ser) senta-se sozinho no Oceano do Caos primordial da MADRE masturbando-se e criando todo os outros deuses – mas o Caos tamb´m se manifesta como o drag˜o e aApophis a quem Ra deve destruir (juntamente com seu estado de gl´ria, sua sombra e osua m´gica) para que o fara´ possa governar com seguran¸a – um ritual de vit´ria recri- a o c oado diariamente nos templos Imperiais para confundir os inimigos do Estado, da Ordemc´smica. o Caos ´ Hun Tun, Imperador do Centro. Um dia, o Mar do Sul, Imperador Shu, e eo Mar do Norte, Imperador Hu (shu hu – relˆmpago), visitaram Hun Tun, que sempre aos recebeu bem. Desejando retribuir sua gentileza, eles disseram: “Todos os seres tˆm esete orif´ ıcios para ver, ouvir, comer, cagar etc. – mas o pobre velho Hun Tun n˜o tem a
  16. 16. 16 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICOnenhuma! Vamos perfurar alguns nele!” E assim fizeram – um orif´ por dia – at´ que, ıcio eno s´timo dia, o Caos morreu. e Mas... o Caos tamb´m ´ um enorme ovo de galinha. Dentro dele, P’an-ku nasce e e ecresce por 18 mil anos – finalmente o ovo se abre, divide-se entre c´u e terra, yin e yang. eEnt˜o P’an-ku transforma-se na coluna que sustenta o universo – ou talvez se torna o auniverso (respira¸˜o –> vento, olhos –> sol e lua, sangue e flu´ ca ıdos –> rios e mares, cabeloe c´ ılios –> estrelas e planetas, esperma –> p´rolas, medula –> jade, suas pulgas –> seres ehumanos etc.). Ou, ainda, transforma-se no homem/monstro, Imperador Amarelo. Ou transforma-seem Lao-ts´, profeta do Tao. Na verdade, o pobre velho Hun Tun ´ o pr´prio Tao. e e o “A m´sica da natureza n˜o existe al´m das coisas. As v´rias aberturas, gaitas, flautas, u a e atodos os seres vivos, juntos, formam a natureza. O ‘EU’ n˜o pode produzir coisas e as acoisas n˜o podem produzir o ‘EU’, que existe por si mesmo. As coisas s˜o o que s˜o a a aespontaneamente, n˜o por causa de alguma outra coisa. Tudo ´ natural sem saber por a eque o ´. As 10 mil coisas tem 1o mil estados diferentes, todos em movimento como se eexistisse um Senhor Verdadeiro para movˆ-las – mas, se procuramos por evidˆncias desse e eSenhor, n˜o conseguimos encontr´-las.” (Kuo Hsiang). a a Cada consciˆncia iluminada ´ um “imperador”, cuja unica forma de reinado ´ n˜o e e ´ e afazer nada para n˜o atrapalhar a espontaneidade da natureza, o Tao. O “s´bio” n˜o ´ o a a a epr´prio Caos, mas um dos seus servidores leais – uma das pulgas de P’an-ku, um peda¸o o cde carne do filho monstruoso de Tiamat. “C´u ´ Terra”, diz Chunag-ts´, “nasceram no e e emesmo momento em que eu nasci, e eu e as 10 mil coisas formamos um ser unico”. ´ O Anarquismo Ontol´gico tende a discordar apenas da total quietude do tao´ o ısmo. Emnosso mundo, o aos tem sido destitu´ por jovens deuses, moralistas, falocratas, padres- ıdobanqueiros, senhores adequados para escravos. Se a rebeli˜o provar-se imposs´ a ıvel, pelomenos algum tipo de guerra santa clandestina deve ser iniciada. Que ela siga as bandeirasda guerra do drag˜o negro anarquistas, Tiamat, Hun Tun. a O Caos nunca morreu.1.10 Pornografia Na P´rsia eu vi que a poesia ´ feita para ser musicada e cantada – por uma raz˜o e e asimples – porque funciona. Uma combina¸˜o perfeita de imagem e melodia coloca o p´blico num hal (algo entre ca uum estado de esp´ ırito emocional/est´tico e um transe de supraconsciˆncia), explos˜es de e e ochoro, impulsos de dan¸a – uma mensur´vel resposta f´ c a ısica ` arte. Para n´s, a liga¸˜o a o caentre poesia e corpo morreu junto com a ´poca dos bardos – lemos sob influˆncia de um e eg´s anestesiante cartesiano. a No norte de ´ India, mesmo a recita¸˜o n˜o-musical provoca barulho e movimento, ca atodo bom verso ´ aplaudido, “Bravo!” com elegantes movimentos de m˜os, e r´pias s˜o e a u alan¸adas – enquanto n´s ouvimos poesia como um daqueles c´rebros de fic¸˜o cient´ c o e ca ıficaem um vidro – na melhor das hip´teses, um sorriso amarelo ou uma careta, vest´ o ıgios dosrituais s´ ımios – o resto do corpo longe, em algum outro planeta.
  17. 17. 1.10. PORNOGRAFIA 17 No Oriente, `s vezes os poetas s˜o presos – uma esp´cie de elogio, j´ que sugere que o a a e aautor fez algo t˜o real quanto um roubo, em estupro ou uma revolu¸˜o. Aqui, os poetas a capodem publicar qualquer coisa que quiserem – o que em si mesmo ´ uma esp´cie de e epuni¸˜o, uma pris˜o em paredes, sem eco, sem existˆncia palp´vel – reino de sombras do ca a e amundo impresso, ou do pensamento abstrato – um mundo sem risco ou eros. A poesia est´ morta novamente – e mesmo que a m´mia do seu cad´ver possua ainda a u aalgumas de suas propriedades medicinais, a auto-ressurei¸˜o n˜o ´ uma delas. ca a e Se os legisladores se recusam a considerar poemas como crimes, ent˜o algu´m precisa a ecometer os crimes que funcionem como poesia, ou textos que possuam a ressonˆncia ado terrorismo. Reconectar a poesia ao corpo a qualquer pre¸o. N˜o crimes contra o c acorpo, mas contra Id´ias (e Id´ias-dentro-das-coisas) que sejam letais e asfixiantes. N˜o e e alibertinagem est´pida, mas crimes exemplares, est´ticos, crimes por amor. u e Na Inglaterra, alguns livros pornogr´ficos ainda est˜o banidos. A pornogr´fica produz a a aum efeito f´ ısico mensur´vel em seus leitores. Como propaganda, ela `s vezes muda vidas a apor revelar desejos secretos. Nossa cultura gera a maior parte de sua pornografia motivada pelo ´dio ao corpo – omas, como em certas obras orientais, a arte er´tica em si mesma cria um ve´ o ıculo elevadopara o aprimoramento do ser/consciˆncia/gl´ria. Um esp´cie de pornˆ tˆntrico ocidental e o e o apoderia ajudar a galvanizar os cad´veres, fazˆ-los brilhar com uma pitada de glamour do a ecrime. Os Estados Unidos oferecem liberdade de express˜o porque todas as palavras s˜o a aconsideradas igualmente ins´ ıpidas. Apenas as imagens contam – os censores amam cenasde morte e mutila¸˜o, mas horrorizam-se diante de uma crian¸a se masturbando – para ca celes, aparentemente, isso ´ uma invas˜o de seu fundamento existencial, sua identifica¸˜o e a cacom o Imp´rio e seus gestos mais sutis. e Sem d´vida, nem mesmo o pornˆ mais po´tico faria o cad´ver sem rosto reviver, u o e adan¸ar e cantar (como o p´ssaro do Caos chinˆs) – mas... imagine o roteiro de uma filme c a ede trˆs minutos ambientados numa ilha m´ e ıtica povoada por crian¸as fugitivas que moram cnas ru´ ınas de antigos castelos ou em cabanas-totens e ninhos constru´ ıdos com detritos– uma mistura de anima¸˜o, efeitos especiais, computa¸˜o gr´fica e v´ ca ca a ıdeo – editado deforma compacta, como um comercial de fast-food... ... mas ins´lito e nu, penas e ossos, tendas abotoadas com cristais, cachorros negros, osangue de pombos – vislumbres de membros cor de ˆmbar enrolados em len¸´is – ros- a cotos, cobertos por m´scaras cheias de estrelas, beijando dobras macias de pele – piratas aandr´ginos, faces abandonadas de colombinas dormindo em altas flores brancas – piadas osujas de se mijar de tanto rir, lagartos de estima¸˜o lambendo leite derramado – pessoas canuas dan¸ando break – banheiras vitorianas com patos de borracha e pintos cor-de-rosa c– Alice viajando no p´... o ... punk reggae atonal para gamel˜o, sintetizadores, saxofones e baterias – boogies ael´tricos cantados por um et´reo coro de crian¸as – antol´gicas can¸˜es anarquistas, um e e c o comisto de Hafiz20 & Pancho Villa, Li Po21 e Bakunin, Kabir22 e Tzara – chame-o de 20 At´ hoje, um dos mais queridos e lidos poetas m´ e ısticos da P´rsia (1320-1389) (N.T) e 21 Ou Li Pai, poeta chinˆs (701-762 a.C.) (N.T) e 22 Poeta santo cultuado tanto por mu¸ulmanos quanto por hindu´ c ıstas, viveu em Benares (1440-1518).(N.T)
  18. 18. 18 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO“CHAOS – The Rock Video!” N˜o... provavelmente ´ s´ um sonho. Muito caro para produzir e, al´m disso, quem o a e o eassistiria? N˜o as crian¸as a quem ele gostaria de seduzir. A TV pirata ´ uma fan- a c etasia f´til; o rock, outra mera mercadoria – esque¸a o gesamtkunstwerk23 malandro, u cent˜o. Inunde um playground com obscenos folhetos inflamat´rios – propaganda pornˆ, a o oexcˆntricos manuscritos clandestinos para libertar o Desejo dos seus grilh˜es. e o1.11 Crime A justi¸a n˜o pode ser obtida sob nenhuma Lei que seja – uma a¸˜o que est´ de com c a ca aa natureza espontˆnea, uma a¸˜o justa, n˜o pode ser definida por dogmas. Os crimes a ca adefendidos nestes panfletos n˜o podem ser cometidos contra o “si mesmo” ou o “outro”, amas apenas contra a mordaz cristaliza¸˜o de Id´ias em estruturas de Tronos e Domina¸˜es ca e covenenosas. Ou seja, n˜o crimes contra a natureza ou contra a humanidade, mas contra a ordem alegal. Mais cedo ou mais tarde, o descobrimento e a revela¸˜o de ser/natureza transfor- camam uma pessoa num bandoleiro – como se ela visitasse outros mundos e, ao retornar,descobrisse que foi declarada traidora, herege, um ser exilado. A Lei espera at´ que vocˆ tropece num modo de ser, uma alma diferente do padr˜o de e e a“carne apropriada para consumo” aprovado pelo Sistema de Inspe¸˜o Federal – e, assim caque vocˆ come¸a a agir de acordo com a natureza, a Lei o garroteia e o estrangula – e cportanto, n˜o dˆ uma de m´rtir aben¸oado e liberal da classe m´dia – aceite o fato de a e a c eque vocˆ ´ um criminoso e esteja preparado para agir como tal. ee Paradoxo: adotar o Caos n˜o ´ escorregar para a entropia, mas emergir para uma a eenergia semelhante ` das estrelas, um esp´cime de gra¸a instantˆnea – uma organiza¸˜o a e c a caorgˆnica espontˆnea completamente diferente das pirˆmides sociais putrefatas dos sult˜o, a a a amuftis, c´dis e carrascos. a Depois do Caos, vem o Eros – o princ´ ıpio da ordem impl´ ıcito no vazio do Uno inqua-lific´vel. O amor ´ estrutura, sistema, o unico c´digo n˜o contaminado pela escravid˜o a e ´ o a ae pelo sono drogado. Precisamos nos tornar vigaristas e persuasivos para proteger suabeleza espiritual num bisel de clandestinidade, num secreto jardim de espionagem. N˜o apenas sobreviva, enquanto espera que a revolu¸˜o de algu´m ilumine as suas a ca eid´ias, n˜o se aliste no ex´rcito da anorexia ou bulimia – aja como se j´ fosse livre, e a e acalcule as probabilidades, pule fora, lembre-se das regras de duelo – Fume Maconha/ComaGalinha/Tome Ch´. Todo homem tem sua pr´pria vinha e sua figueira (Circle Seven a o 24Koran, Noble Drew Ali ) – carregue seu passaporte mouro com orgulho, n˜o fique parado ano meio do fogo cruzado, proteja-se – mas arrisque-se, dance antes que fique calcificado. O modelo social natural para o anarquismo ontol´gico ´ uma gangue de crian¸as o e cou um bando de ladr˜es de banco. O dinheiro ´ uma mentira – esta aventura deve o eser poss´ıvel sem ele – o resultado das pilhagens e saques deve ser gasto antes que se 23 Termo alem˜o contemporˆneo que, grosso modo, implica diferentes formas simultˆneas de se apreciar a a aalgo, especialmente um obras de arte computacional ou uma instala¸˜o. (N.T) ca 24 L´ ıder religioso norte–americano, fundador do Templo da Ciˆncia Islˆmica em 1913, em Chicago. e a(N.T)
  19. 19. 1.12. FEITICARIA ¸ 19torne p´ novamente. Hoje ´ o Dia da Ressurrei¸˜o – o dinheiro gasto com a beleza o e caser´ alquimicamente transformado num elixir. Como o meu tio Melvin dizia, melancias aroubadas s˜o mais doces. a O mundo j´ foi recriado segundo o desejo do cora¸˜o – mas a civiliza¸˜o ´ dona de a ca ca etodas as loca¸˜es e da maioria das armas. Nossos anjos ferozes exigem que invadamos a copropriedade alheia, porque se manifestam apenas em solo proibido. O Ladr˜o de Estrada. aA ioga da clandestinidade, o assalto relˆmpago, o desfrute do tesouro. a1.12 Feiti¸aria c O universo quer brincar. Aqueles que por ganˆncia espiritual se recusam a jogar ae escolhem a pura contempla¸˜o negligenciam sua humanidade – aqueles que evitam caa brincadeira por causa de uma ang´stia tola, aqueles que hesitam, desperdi¸am sua u coportunidade de divindade – aqueles que fabricam para si m´scaras cegas de Id´ias e a evagam por a´ ` procura de uma prova para sua pr´pria solidez acabam vendo o mundo ıa oatrav´s dos olhos de um morto. e Feiti¸aria: o cultivo sistem´tico de uma consciˆncia aprimorada ou de uma percep¸˜o c a e caincomum e sua aplica¸˜o no mundo das a¸˜es e objetos a fim de se conseguir os resultados ca codesejados. O aumento da amplitude da percep¸˜o gradualmente bane os falsos eus, nossos fantas- camas cacofˆnicos – a “magia negra” da inveja e da vingan¸a volta-se contra o autor porque o co Desejo n˜o pode ser for¸ado. Quando o nosso conhecimento da beleza harmoniza-se a ccom o ludus naturae, a feiti¸aria come¸a. c c N˜o, n˜o se trata de entortar colheres ou fazer hor´scopos, n˜o ´ a “Aurora Dourada” a a o a enem um xamanismo de brincadeira, proje¸˜o astral ou uma Missa Satˆnica – se vocˆ quer ca a emistifica¸˜o, procure as coisas reais, bancos, pol´ ca ıtica, ciˆncia social – n˜o esta baboseira e abarata da Madame Blavatsky. A feiti¸aria funciona criando ao redor de si um espa¸o f´ c c ısico/ps´ ıquico ou aberturaspara um espa¸o de express˜o sem barreiras – a metamorfose do lugar cotidiano numa c aesfera angelical. Isso envolve a manipula¸˜o de s´ ca ımbolos (que tamb´m s˜o coisas) e de e apessoas (que tamb´m s˜o simb´licas) – os arqu´tipos fornecem um vocabul´rio para esse e a o e aprocesso e portanto, s˜o tratados ao mesmo tempo como reais e irreais, como as palavras. aIoga da Imagem. O feiticeiro ´ um Autˆntico Realista: o mundo ´ real – mas a consciˆncia tamb´m o e e e e edeve ser, j´ que seus efeitos s˜o t˜o tang´ a a a ıveis. Um obtuso acha que at´ mesmo o vinho en˜o tem gosto, mas o feiticeiro pode se embriagar simplesmente olhando para a ´gua. A a aqualidade da percep¸˜o define o mundo do inebriamento – mas, sustent´-lo e expandi-lo, ca apara incluir os outros, exige um certo tipo de atividade – feiti¸aria. c A feiti¸aria n˜o infringe nenhuma lei da natureza porque n˜o existe nenhuma Lei c a aNatural, apenas a espontaneidade da natura naturans, o Tao. A feiti¸aria viola as leis cque procuram deter se fluxo – padres, reais, hierofantes, m´ ısticos, cientistas e vendedoresconsideram a feiti¸aria uma inimiga porque ela representa uma amea¸a ao poder de suas c ccharadas e ` resistˆncia de sua teia ilus´ria. a e o Um poema pode agir como um feiti¸o e vice-versa – mas a feiti¸aria recusa-se a ser c c
  20. 20. 20 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICOuma met´fora para uma mera literatura – ela insiste que os s´ a ımbolos devem provocarincidentes assim como epifanias particulares. N˜o ´ uma cr´ a e ıtica, mas um refazer. Elarejeita toda escatologia e metaf´ ısica da remo¸˜o, tudo que ´ apenas nostalgia turva e ca efuturismo estridente, em favor de um paroxismo ou captura da presen¸a. c Incenso e cristal, adaga e espada, certo, t´nicas, rum, charutos, velas, ervas como usonhos secos – o garoto virgem com olhar fixo num pote de tinta – vinho e haxixe, carne,iantras e rituais de prazer, o jardim de huris e sag¨is – o feiticeiro escala essas serpentes e uescadas at´ o momento totalmente saturado por sua pr´pria cor, em que montanhas s˜o e o amontanhas e ´rvores s˜o ´rvores, em que o corpo torna-se eternidade e o amado torna-se a a avastid˜o. a As t´ticas do anarquismo ontol´gico est˜o enraizadas nesta Arte secreta – os objetivos a o aao anarquismo ontol´gico aparecem no seu florescimento. O Caos enfeiti¸a seus inimigos o ce recompensa seus devotos... este estranho panfleto amarelado, pseudon´ ımico e manchadode p´, revela tudo... passe-o adiante por um segundo de eternidade. o1.13 Publicidade O que isso diz a vocˆ n˜o ´ prosa. Pode ser pendurado no quadro de avisos, mas ainda e a eest´ vivo e retorcendo-se. N˜o pretende seduzi-lo, a n˜o ser que vocˆ seja de extrema a a a ejuventude e beleza (anexe uma foto recente). Hakim Bey mora num decadente hotel chinˆs onde os propriet´rios balan¸am a cabe¸a e a c cde um lado para o outro enquanto lˆem os jornais e escutam transmiss˜es estridentes da e o´Opera de Pequim. O ventilador de teto gira como um dervixe indolente – suor pinga sobrea p´gina – o cafet˜ do poeta est´ encardido, seus cinzeiros derramam cinzas no tapete – a a aseus mon´logos parecem desconexos e levemente sinistros – por tr´s das janelas fechadas, o ao gueto desaparece entre palmeiras, o ingˆnuo oceano azul, a filosofia do tropicalismo. e Numa estrada em algum lugar a leste de Baltimore, vocˆ passa por um trailer Airs- etream, e enxerga uma grande placa plantada na grama: LEITURAS ESPIRITUAIS, coma imagem de uma rude m˜o negra sobre um fundo vermelho. L´ dentro, vocˆ encontra a a elivros sobre sonhos e numerologia, panfletos sobre vodu e macumba, revistas de nudismovelhas e empoeiradas, um pilha de Boy’s Life, tratados sobre briga de galos... e este livro,Caos. Como palavras ditas num sonho, portentosas, evanescentes, transformando-se emperfumes, p´ssaros, cores, m´sica esquecida. a u Este livro se mant´m a distˆncia por uma certa impassibilidade em sua superf´ e a ıcie,quase que vis´ atrav´s de um vidro. Ele n˜o abana o rabo e n˜o grunhe, mas morde e ıvel e a aestraga a mob´ ılia. Ele n˜o tem um n´mero ISBN e n˜o o quer como disc´ a u a ıpulo, mas podeseq¨estrar seus filhos. u Este livro ´ nervoso como o caf´ ou a mal´ria – ele cria, entre si e seus leitores, uma e e arede de desertores e outsiders – mas ´ t˜o cara-de-pau eliteral que praticamente se codifica e a– fuma a si pr´prio em estupor. o Uma m´scara, uma automitologia, um mapa sem nome de lugar algum – hirto como auma pintura eg´ ıpcia que, no entanto, logra acariciar o rosto de algu´m e, de repente, eencontra-se na rua, num corpo, envolvido em luz, andando, acordado, quase satisfeito.
  21. 21. 1.13. PUBLICIDADE 21 — Nova York, 1o de maio a 4 de julho de 1984
  22. 22. 22 CAP´ ´ ITULO 1. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO
  23. 23. Cap´ ıtulo 2Comunicados da AAO2.1 Comunicado #1 (Primavera de 1986)I. Slogans e Motes para Pichar no Metrˆ e para Outros Prop´sitos o o COSMOPOLITISMO DESENRAIZADO ´ TERRORISMO POETICO (para rabiscar ou carimbar em outdoors publicit´rios:) a ´ ESTE E O SEU VERDADEIRO DESEJO MARXISMO-STIRNERISMO ˆ ENTRE EM GREVE PELA INDOLENCIA e BELEZA ESPIRITUAL ˆ ´ CRIANCINHAS TEM PES LINDOS AS CORRENTES DA LEI FORAM QUEBRADAS ˆ PORNOGRAFIA TANTRICA ARISTOCRATISMO RADICAL ¸˜ GUERRILHA URBANA PARA A LIBERTACAO DAS CRIANCAS ¸ ´ ´ XIITAS FANATICOS IMAGINARIOS BOLO’BOLO1 SIONISMO GAY (SODOMA PARA OS SODOMITAS) UTOPIAS PIRATAS O CAOS NUNCA MORREU Alguns desses slogans da Associa¸˜o para a Anarquia Ontol´gica (AAO) s˜o “sinceros” ca o a– outros tˆm como objetivo despertar temores e apreens˜o p´blica – mas n˜o sabemos e a u abem qual ´ qual. Nossos agradecimentos a Stalin, Anon, Bob Black, Pir Hassan (ao seu e 1 Espa¸o de convivˆncia libert´ria descrito na obra de mesmo nome publicada no Brasil nos anos 1990 c e apela Editora Correcotia. (N.E) 23
  24. 24. 24 CAP´ ITULO 2. COMUNICADOS DA AAOnome ser mencionado, que reine em paz), F. Nietzsche, Hank Purcell Jr., “P.M.” e irm˜os aAbu Jehad al-Salah do Templo Islˆmico de Dagon. aII. Algumas Id´ias Po´tico-Terroristas que ainda Continuam em e eTriste Languidez no Reino da “Arte Conceitual” 1. Entre na ´rea dos caixas eletrˆnicos do Citibank ou do Chembank numa hora de a o muito movimento, cague no ch˜o e v´ embora. a a 2. Chicago, Maio de 1886: organize uma prociss˜o “religiosa” para os “m´rtires” do a a 2 Haymarket – grandes faixas com retratos sentimentais coroados com flores e trans- bordando de fitas e lantejoulas, carregadas por penitentes vestidos em trajes com capuzes negros no estilo KKKat´lico – escandalosos e efeminados ac´litos de TV bor- o o rifam a multid˜o com ´gua benta e incenso – anarquistas com rostos emplastrados a a de cinzas flagelam-se com pequenos relhos e chicotes – um “Papa” de t´nica negra u aben¸oa min´sculos caix˜es simb´licos carregados reverentemente para o cemit´rio c u o o e por punks chorosos. Um espet´culo desse tipo deve ofender quase todo mundo. a 3. Cole em lugares p´blicos um cartaz xerocado com a foto de um lindo garoto de 12 u anos, nu e se masturbando, com o t´ ıtulo bem ` vista: A FACE DE DEUS. a 4. Envie elaboradas e requintadas “bˆn¸˜os” m´gicas pelo correio, anonimamente, para e ca a pessoas ou os grupos que vocˆ admira, por exemplo, por sua capacidade pol´ e ıtica ou espiritual, por sua beleza f´ ısica ou por seu sucesso no mundo do crime etc. Siga o mesmo procedimento descrito no item 5 a seguir, mas utilize uma est´tica de bons e votos, amor ou felicidade, o que for mais apropriado. 5. Rogue uma praga horr´ contra uma institui¸˜o maligna, tal como o New York ıvel ca Post ou a empresa MUZAK. Aqui, uma t´cnica adaptada dos feiticeiros da Mal´sia: e a envie para a empresa um pacote com uma garrafa tampada e selada com cera negra. E dentro dela: insetos mortos, escorpi˜es, lagartos e coisas do tipo; um saco com o terra de cemit´rio (“gris-gris” na terminologia vodu), junto com outras substˆncias e a nocivas; um ovo perfurado por pregos e alfinetes de ferro; um pergaminho onde est´ a desenhado um emblema (veja p´gina 78). a (Esse iantra ou veve invoca o Djim3 Negro, a sombra do Eu. Detalhes completospodem ser obtidos na AAO.) Um bilhete explica que a bruxaria ´ contra a institui¸˜o e e can˜o contra os indiv´ a ıduos – mas, a menos que a institui¸˜o deixe de ser maligna, a praga ca(como um espelho) come¸ar´ a infectar as dependˆncias com um destino terr´ c a e ıvel, ummiasma de negatividade. Prepare um “comunicado” explicando a maldi¸˜o e atribuindo caa sua autoridade ` Sociedade Po´tica Americana. Envie c´pias para todos os empregados a e o 2 Pra¸a em Chicago onde ocorreu o grande confronto descrito no livro A Bomba, de Frank Harris c(Conrad Livros, 2003), entre pol´ e oper´rios que faziam uma demonstra¸˜o pela jornada de trabalho ıcia a ca ´de oito horas, em maio de 1886. E o evento que deu origem ao 1o de Maio como Dia dos Trabalhadores.(N.E) 3 Ser lend´rio mu¸ulmano que pode tomar qualquer forma humana ou animal e influir na vida das a cpessoas. (N.T)

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