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  1. 1. EAD Aparelho Locomotor 2 Objetivos1. Conhecer os componentes do sistema esquelético.• Identificar as funções dos ossos.• Analisar as funções dos principais componentes do sistema articular.• Classificar os ossos e as principais articulações do corpo humano.• Compreender a importância do sistema esquelético e articular para a locomoção hu-• mana. Conteúdos2. Sistema esquelético: componentes e funções.• Principais ossos do corpo humano.• Sistema articular: componentes e funções.• Principais articulações do corpo humano.• Orientações para o estudo da unidade3. Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a se- guir: Na unidade anterior, discutimos os termos introdutórios de Anatomia humana e, ago-1) ra, dando continuidade aos nossos estudos, analisaremos o aparelho locomotor, com-
  2. 2. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 46 posto pelos sistemas esquelético, articular e muscular. Devido à sua complexidade, o sistema muscular será estudado na Unidade 3. Pesquise em livros e na internet o assunto tratado nesta unidade; se encontrar algo2) interessante, disponibilize-o na Lista ou no Fórum para seus colegas. É muito importante que você tenha apreendido o conteúdo da Unidade 1, para que3) possamos, então, passar a estudar as próximas unidades. Caso você ainda tenha dúvi- das, leia o conteúdo novamente e peça ajuda a seu tutor e aos seus colegas. No decorrer desta unidade, você conhecerá os processos de ossificação. Caso ainda4) tenha dúvidas ao final deste estudo, faça uma revisão desse conteúdo na disciplina de Biologia Humana. Não deixe de analisar as figuras e de identificar, especialmente, os tipos de esqueletos5) que serão ilustrados nesta unidade, pois essas figuras servem de complemento, auxi- liando a explicação do texto. É importante que você tenha entendido a definição de planos e eixos e dos tipos de6) movimentos realizados pelas articulações sinoviais, que foram estudados na Unidade 1. Caso haja dúvidas sobre esse assunto, leia novamente a unidade e sane-as com seu tutor. Responda às questões avaliativas presentes ao final de cada unidade para fixar os con-7) teúdos e detectar as suas dúvidas. Faça anotações de todas as suas dúvidas e procure solucioná-las por meio da Lista, do8) Fórum, ou fale diretamente com o seu tutor. Introdução à unidade4. Na primeira unidade, você teve a oportunidade de conhecer um pouco sobre a história da Anatomia, assim como seus principais pesquisadores e sua evolução ao longo dos séculos. Além disso, foi feita uma explanação dos principais termos utilizados em Anatomia, cuja função é pa- dronizar o seu estudo. Dentre os termos estudados, destacamos a posição anatômica, os planos de delimitação e secção e os eixos do corpo humano. Voltamos a salientar a importância desses termos, pois, caso você tenha ficado com dúvida, deverá estudar novamente a unidade anterior, ler a bibliografia e conversar com seu tutor antes de prosseguir seus estudos. Dando continuidade ao nosso estudo sobre o corpo humano, vamos, agora, conhecer o aparelho locomotor, formado pelo sistema esquelético e articular, cuja função é permitir os mo- vimentos corporais, incluindo a locomoção (marcha). Inicialmente, será feito um estudo sobre os ossos, denominado Osteologia, analisando a sua composição, as suas funções, as suas classificações e os nomes dos principais ossos do corpo humano. Em seguida, estudaremos o sistema articular, denominado Artrologia, no qual vere- mos sua composição, suas funções e seus tipos articulares (sobretudo o tipo sinovial), assim como a classificação das principais articulações do corpo humano. De modo geral, podemos dizer que o aparelho locomotor é o responsável pela locomoção e, também, pela proteção do indivíduo contra agressores externos, de forma que seu conheci- mento é importante na prática de atividades físicas seguras. Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de reconhecer as principais carac- terísticas do aparelho locomotor, sobretudo os nomes dos principais ossos e articulações do cor- po humano, favorecendo sua compreensão dos movimentos corporais e, consequentemente, as aplicações desse conhecimento à sua prática profissional. Desejamos a você êxito nos estudos!
  3. 3. 47© Aparelho Locomotor Sistema esquelético5. Como definimos anteriormente, Osteologia é a parte da Anatomia que estuda todas as características dos ossos, como suas estruturas e funções. A união desses ossos forma o esque- leto, que, no caso dos seres humanos, é interno, sendo denominado endoesqueleto. Os ossos são constituídos pelo tecido ósseo, um tipo de tecido conjuntivo especializado, formado por células (células osteoprogenitoras, osteócitos, osteoblastos e osteoclastos), fibras colágenas e uma matriz extracelular calcificada. As fibras colágenas (parte orgânica da matriz) con- ferem sua resistência e elasticidade, enquanto os íons cálcio e fosfato são responsáveis pela rigidez característica dos ossos. Portanto, são considerados os elementos mais rígidos e resistentes do corpo humano; por esse motivo, são atribuídas aos ossos importantes algumas funções, como: Proteção de órgãos vitais, como coração, pulmão e sistema nervoso central (encéfalo1) e medula espinhal). Armazenamento de íons e minerais (cálcio e fosfato).2) Sustentação do corpo humano (apoio).3) Conformação do corpo humano.4) Base mecânica dos movimentos corporais, servindo de suporte para tecidos moles5) (músculos e ligamentos), ampliando a força das contrações musculares. Produção de certas células sanguíneas, continuamente (hematopoiese).6) Você estudou na disciplina Biologia Humana que os ossos podem ser formados por dois tipos de processos de ossificação: a ossificação intramembranosa e a endocondral. Os ossos do crânio são formados pela ossificação intramembranosa, e o restante, pela ossificação endocondral. A ossifica- ção endocondral ocorre através de um molde de cartilagem hialina e depende de uma ossificação intramembranosa prévia (Figura 1). Esses ossos formados são revestidos por uma membrana de tecido conjuntivo denomi- nada periósteo, que reveste as superfícies interna e externa dos ossos e possui dois folhetos, um superficial, fibroso e resistente, e outro profundo, em íntimo contato com tecido ósseo, denominado endósteo (Figura 2). Somente as superfícies articulares não são revestidas pelo periósteo, mas, sim, pela cartilagem articular, cuja função é proteger as superfícies ósseas que se articulam. As importantes funções do periósteo e do endósteo são a de nutrição óssea e a de servir de fonte de osteoblasto. O endósteo também possui células osteoprogenitoras, importantes para a manutenção e o reparo ósseo. Portanto, o periósteo e o endósteo são fundamentais para o cresci- mento ósseo durante o desenvolvimento do corpo humano e para o reparo ósseo após fraturas. Fonte: Sobotta (1995, p. 7). Figura 1 Desenho esquemático da ossificação endocondral, a partir de um molde cartilaginoso.
  4. 4. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 48 Embora o tecido ósseo seja composto pelos mesmos componentes, a maneira como as lâminas ósseas são dispostas e o tamanho dos espaços entre elas determinam dois tipos de substância óssea: a substância óssea compacta e a substância óssea esponjosa. Todas elas po- dem ser observadas macroscopicamente. Na substância óssea compacta, as lâminas do tecido ósseo estão bem unidas, sem espaços entre elas; por isso, são mais rígidas e densas e, portanto, suportam mais peso. Já na substância óssea esponjosa, as lâminas ósseas são mais irregulares em sua forma e tamanho e apresentam muitos espaços entre si ou lacunas, assemelhando-se às esponjosas. Devido às suas características mecânicas, a substância óssea compacta é encontrada no corpo dos ossos longos, enquanto a substância óssea esponjosa é encontrada nas extremidades e ao redor do canal medular (medula óssea). Observe, na Figura 2, as características dos dois tipos de substâncias ósseas. Figura 2 Desenho esquemático representando a substância óssea compacta, a substância óssea esponjosa e o periósteo. Divisão do esqueleto6. O esqueleto humano é formado por 206 ossos, divididos em duas partes: o esqueleto axial e o esqueleto apendicular (Figura 3). Veja cada um deles mais detalhadamente, a seguir: Esqueleto axial• : forma o eixo do corpo humano, isto é, a sua porção mediana, e é com- posto pelos ossos do crânio, da cavidade torácica e da coluna vertebral, os quais serão estudados mais adiante nesta unidade. Esqueleto apendicular• : é a parte livre, apensa, formada pelos ossos dos membros su- periores e dos membros inferiores. Está unido ao esqueleto axial pela cintura escapu- lar, que une o membro superior ao tronco, e pela cintura pélvica, que une o membro inferior à pelve. A cintura escapular é formada pela escápula e clavícula, e a cintura pélvica pelos ossos dos quadris e sacro.
  5. 5. 49© Aparelho Locomotor Figura 3 Representação do esqueleto axial (em azul), esqueleto apendicular (em bege) e as cinturas escapular e pélvica, em vista anterior (a) e posterior (b). Classificação dos ossos7. Os ossos podem ser classificados, de acordo com sua topografia (localização), em ossos axiais (componentes do esqueleto axial) e apendiculares (componentes do esqueleto apendicu- lar); porém, a classificação mais utilizada em Anatomia é feita segundo sua forma, levando em consideração suas dimensões (comprimento, largura e espessura). Assim, temos: Osso longo1) : é aquele cujo comprimento predomina sobre a largura e a espessura. Ele apresenta duas extremidades, chamadas de epífises, e um corpo, chamado de diáfise. Os ossos dos membros superiores e inferiores são os exemplos mais típicos de ossos longos, como: úmero, rádio, ulna, fêmur, tíbia, fíbula e falanges (Figura 4).
  6. 6. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 50 Fonte: Sobotta (1995, p. 274, v. 2). Figura 4 Desenho esquemático da ossificação endocondral, a partir de um molde cartilaginoso. Osso curto2) : é aquele cujas três dimensões são equivalentes, assemelhando-se a um cubo. Seus exemplos são os ossos do carpo (mão) e do tarso (pé) (Figura 5). Ossos do carpo Fonte: Sobotta (1995, p. 175, v. 1). Figura 5 Exemplo de ossos curtos: ossos do carpo. Osso laminar (plano)3) : é o que apresenta comprimento e largura equivalentes e maio- res que a espessura. São exemplos de ossos laminares a escápula, o esterno e osso do quadril (Figura 6).
  7. 7. 51© Aparelho Locomotor Fonte: Sobotta (1995, p. 265, v. 2). Figura 6 Exemplo de osso laminar: osso do quadril. Osso irregular4) : é aquele cuja forma não se encaixa em nenhuma das descrições ante- riores, apresentando uma estrutura complexa sem forma definida. As vértebras (Figu- ra 7) e o osso temporal (crânio) são seus exemplos típicos. Fonte: Sobotta (1995, p. 8, v. 2). Figura 7 Exemplos de osso irregular: vértebra. Existem ossos que trazem algumas características peculiares e, por isso, apresentam uma classificação especial, como: Ossos pneumáticos5) : são aqueles que apresentam cavidades no seu corpo contendo ar e revestidas de mucosa; são denominados seios ou sinos. Os sinos ou seios paranasais estão sujeitos à inflamação de sua parede mucosa; a essa inflamação dá-se o nome de sinusite. Os ossos do crânio que circundam a cavidade nasal, como a maxila, o et- moide, o esfenoide e o frontal (Figura 8). Esses seios ou sinos seios paranasais serão estudados na Unidade 4.
  8. 8. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 52 Fonte: Sobotta (1995, p. 53, v. 1). Figura 8 Exemplos de ossos pneumáticos. Osso sesamoide6) : é um osso que se desenvolve no interior de tendões, ligamentos ou cápsulas articulares, sendo a patela seu exemplo típico (Figura 9). Fonte: Sobotta (1995, p. 284, v. 2). Figura 9 Exemplos de osso sesamoide: patela. O esqueleto humano: Principais ossos8. Como já foi estudado, o esqueleto humano é constituído por 206 ossos, que podem ser classificados de acordo com sua localização (axial e apendicular), sua forma (longo, curto, irre- gular e laminar) ou outra característica própria (pneumáticos e sesamoides). Veremos, a seguir, alguns dos principais ossos do corpo humano, cujo conhecimento é fundamental para a prática do profissional da Educação Física. Vamos começar estudando os ossos do esqueleto axial. Crânio O crânio é composto por 22 ossos que se articulam entre si por tipos de junturas que não permitem movimentos (suturas). As funções dos ossos do crânio são a de proteger o encéfalo, a de permitir a passagem de ar e de alimentos, a de sustentar os dentes e a de permitir a mastigação. O crânio é dividido em duas partes: crânio neural e crânio visceral ou face:
  9. 9. 53© Aparelho Locomotor O• crânio neural é composto por oito ossos que formam a cavidade craniana, que abriga e protege o encéfalo. Os ossos são: frontal (1), parietal (2), temporal (2), occipital (1), esfenoide (1) e etmoide (1) (Figura 10). O• crânio visceral é composto por 14 ossos que formam o esqueleto da face e estão relacionados com o sistema digestório (cavidade bucal) e sistema respiratório (cavida- de nasal). Os ossos são: mandíbula (1), maxila (2), zigomático (2), nasal (2), vômer (1), lacrimal (2), concha nasal inferior (2) e palatino (2) (Figura 10). Fonte: Schunke et al. (2007, p. 3-5). Figura 10 Ossos do crânio em vista anterior e em vista lateral, destacados em cores diferentes para melhor visualização. Cavidade torácica É o esqueleto do tórax, constituído pelas costelas e cartilagens costais, vértebras torácicas e esterno, cujas funções são proteger o coração, os pulmões, o esôfago e os grandes vasos (ar- térias e veias) e permitir os movimentos respiratórios. Posteriormente, a cavidade torácica é constituída pelas 12 vértebras torácicas (VT) com seus discos intervertebrais e pelos 12 pares de costelas, que se curvam lateral, inferior e ante- riormente para se articular com as cartilagens costais. Essas cartilagens, além de prolongar as costelas, também aumentam a elasticidade da cavidade torácica e articulam-se com o esterno para fechar a cavidade anteriormente. Os 12 pares de costelas são divididos em três tipos. As sete primeiras (do 1º ao 7º par de costelas) são denominadas costelas verdadeiras porque estão fixadas ao esterno diretamente por suas próprias cartilagens costais. Da oitava à décima costela (do 8º ao 10º par de costelas) são chamadas de costelas falsas, pois suas conexões com o esterno ocorrem indiretamente, ou seja, suas cartilagens costais unem-se com a 7ª cartilagem costal para se fixarem ao esterno. As duas últimas costelas (11º e 12º pares de costelas) são denominadas costelas flutuantes, pois suas cartilagens costais não se conectam com o esterno, terminando entre os músculos abdo- minais. O esterno é um osso ímpar localizado na porção mediana da parede anterior do tórax. Possui três partes: manúbrio, corpo e processo xifoide. O manúbrio é a sua porção superior, triangular, que se articula com a clavícula, com a 1ª costela e com o corpo do esterno inferior- mente.
  10. 10. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 54 A junção do manúbrio com o corpo forma o ângulo esternal, palpável em vivo, e é um im- portante ponto de referência clínica, pois marca o ponto de união da 2ª costela com o esterno e local onde ocorre a bifurcação da traqueia e o ponto mais elevado do arco aórtico. É no corpo do esterno que as cartilagens costais (da 1ª à 7ª) se fixam. O processo xifoide é o elemento mais inferior do esterno. É um ponto importante para a realização das manobras de ressuscitação cardiorrespiratória (massagem cardíaca) em casos de parada cardiorrespiratória. É importante saber que o local correto da manobra cardiorrespira- tória é obtido palpando-se o último arco costal em sentido medial, até sua inserção no esterno, limite entre o corpo do esterno e o apêndice xifoide. Você poderá observar todos esses ossos na Figura 11. Fonte: Sobotta (1995, p. 53, v. 2). Figura 11 Ossos da cavidade torácica. Coluna vertebral A coluna vertebral é a porção mediana posterior do tronco, formando o eixo ósseo do corpo humano, que, além de proteger e alojar a medula espinhal, também é fundamental para o suporte do peso corporal e para a sua transmissão para os membros inferiores, permitindo a nossa posição ereta e a mobilização do tronco e do pescoço.
  11. 11. 55© Aparelho Locomotor É constituída por 33 vértebras, divididas por regiões em: sete vértebras cervicais (VC), 12 torácicas (VT), cinco lombares (VL), cinco sacrais, que se unem para formar o sacro, e quatro coccígeas, que também se fundem para formar um osso rudimentar chamado cóccix (Figura 12). O cóccix, nos seres humanos, é bastante rudimentar e não apresenta nenhuma função impor- tante. Porém, acredita-se que seja um vestígio de cauda. As vértebras possuem uma estrutura básica comum, contendo um corpo vertebral anterior e um arco vertebral posterior. O arco vertebral é constituído por um processo espinhoso (posterior) e por dois processos transversos (laterais), que delimitam um espaço chamado de canal vertebral, onde a medula está alojada. Há, também, dois processos articulares superiores e dois inferiores, que permitem a articulação entre as vértebras (Figura 13). O corpo vertebral é sua porção anterior, onde o peso corporal é suportado; por isso, ele aumenta de volume da coluna cervical para a lombar. Além dessa estrutura básica, as vértebras possuem características particulares para cada região de acordo com sua funcionalidade. Porém, nesta disciplina, não serão abordadas essas características de cada região, por tratar-se de um assunto muito específico; contudo, caso te- nha interesse, você poderá fazer a leitura das bibliografias sugeridas. Fonte: Sobotta (1995, p. 2, v. 2). Figura 12 Coluna vertebral.
  12. 12. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 56 Fonte: Sobotta (1995, p. 8, v. 2.). Figura 13 Estrutura geral das vértebras. Estudaremos, a seguir, os ossos componentes do esqueleto apendicular, isto é, dos mem- bros superiores e inferiores, bem como os ossos das cinturas escapular e pélvica. Ossos dos membros superiores Os membros superiores são divididos em braço, antebraço e mão. Os seus ossos são: úme- ro, rádio, ulna, ossos do carpo, metacarpos e falanges (Figura 14). Veja, a seguir, os ossos que compõem os membros superiores: Úmero1) : é o osso do braço e, por ser um osso longo, possui duas extremidades (epífi- ses), uma proximal (superior) e outra distal (inferior), e um corpo (diáfise). Rádio2) : é o osso lateral do antebraço. Ulna3) : é o osso medial do antebraço. Carpo4) : são oito ossos curtos, divididos em duas fileiras, cuja fileira proximal constitui a articulação do punho, juntamente com o rádio, e a distal articula-se com os metacar- pos. A fileira proximal é constituída por: escafoide, semilunar, piramidal e pisiforme; e a fileira distal é formada por: trapézio, trapezoide, capitato e hamato (sempre de lateral para medial). Metacarpo5) : são cinco ossos, numerados de lateral para medial. Falanges6) : são os ossos dos dedos. Cada dedo possui três falanges (proximal, média e distal), com exceção do polegar, que apresenta somente duas, a proximal e a distal. Mais adiante, na Figura 15, você poderá observar atentamente os ossos que compõem o esqueleto da mão. Os membros superiores estão ligados ao tronco por meio da cintura escapular, formada pela clavícula e escápula: Clavícula• : é o osso que liga a escápula ao esterno. Escápula• : é um osso laminar, situado posteriormente ao tronco, que constitui a articu- lação do ombro com o úmero.
  13. 13. 57© Aparelho Locomotor Fonte: Sobotta (1995, p. 161, v. 1). Figura 14 Ossos do membro superior.
  14. 14. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 58 Figura 15 Ossos da mão. Ossos dos membros inferiores Os membros inferiores são divididos em coxa, perna e pé, e os ossos que compõem cada uma dessas partes são fêmur, tíbia, fíbula, ossos do tarso, metatarso e falanges (Figura 16): Fêmur1) : é o osso da coxa, sendo ele o maior do corpo humano. Articula-se com o osso do quadril proximalmente e com a tíbia distalmente, para formar a articulação do joelho. Tíbia2) : é osso medial da perna. Apresenta importantes saliências ósseas, como a tu- berosidade da tíbia anteriormente, onde o músculo quadríceps (músculo anterior da coxa) se fixa, e o maléolo medial, que prolonga a sua extremidade inferior para a arti- culação do tornozelo. Fíbula3) : é o osso lateral da perna, longo e muito delgado. Articula-se, em sua extremi- dade proximal, com a tíbia e, em sua extremidade distal, proteja-se o maléolo lateral, importante para a estabilidade da articulação do tornozelo. Patela: é um osso sesa- moide, localizado anteriormente à articulação do joelho, no tendão do músculo qua- dríceps. É popularmente conhecida por “rótula”, mas essa denominação não é mais utilizada em Anatomia. Ossos do tarso4) : são setes ossos que constituem uma parte do esqueleto do pé. Esses ossos são: tálus, que se articula com a tíbia e a fíbula no tornozelo; calcâneo, logo abaixo e posterior ao tálus; navicular, anterior ao tálus; cuboide, lateral ao navicular; e os cuneiformes lateral, intermédio e medial (Figura 18). Metatarso5) : são cinco ossos longos que se articulam com os ossos do tarso e com as falanges, para constituir a outra parte do pé (Figura 18). Falanges6) : são ossos longos que constituem os dedos do pé. Assim como na mão, são, geralmente, em número de três (falanges proximal, média e distal), com exceção do hálux (1º dedo do pé), que apresenta somente duas, a proximal e a distal (Figura18). O membro inferior está unido ao tronco pela cintura pélvica, formada pelo osso do quadril direito e esquerdo, que se articula com o sacro, posteriormente, para formar a pelve. Vale ressaltar que o osso do quadril é formado pela fusão de três ossos isolados, o ílio, o ísquio e o púbis, que eram separados durante a idade fetal. O ílio forma a porção superior e pos- terior do osso do quadril; o ísquio encontra-se inferior ao ílio; e o púbis forma a porção anterior do osso. Na porção central e lateral, há uma cavidade denominada acetábulo, onde a cabeça do fêmur se articula para formar a articulação do quadril. Observe as características do osso do quadril na Figura 17.
  15. 15. 59© Aparelho Locomotor Fonte: Sobotta (1995, p. 161, v. 1). Figura 16 Ossos do membro superior.
  16. 16. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 60 Fonte: Sobotta (1995, p. 264, v. 2). Figura 17 Osso do quadril em vista lateral. O ílio, o ísquio e o púbis estão em cores diferentes para serem mais bem identificados. Fonte: Sobotta (1995, p. 295, v. 2). Figura 18 Esqueleto do pé. Ossos do tarso, metatarso e falanges.
  17. 17. 61© Aparelho Locomotor É importante destacar que apresentamos aqui apenas as características básicas de cada osso, de forma que um estudo mais aprofundado poderá ser realizado por intermédio das bi- bliografias sugeridas. sistema articular9. No início desta unidade, foi falado que o aparelho locomotor é formado pelos sistemas es- quelético e articular. Até o momento, estudamos as características dos ossos, agora passaremos ao estudo do sistema articular, o qual chamamos de Artrologia. Os ossos, em conjunto, formam o esqueleto. Porém, para que esses ossos se mantenham unidos, são necessários elementos estruturais que permitam essa conexão, os quais chamamos de articulações, que podem permitir a mobilidade ou não. A mobilidade de uma articulação depende do tipo de elemento articular que está interposto entre os ossos, que pode ser tecido fibroso, cartilagem ou o líquido sinovial. Tipos de articulações Há uma grande variedade de articulações, que podem se diferenciar quanto à forma e/ou às funções. De acordo com o tipo de elemento que se interpõe entre os ossos que se conectam, podemos definir três tipos de articulações ou junturas: as fibrosas, as cartilaginosas e as sino- viais. A partir de agora, faremos o estudo das características e funções de cada uma delas. Articulação fibrosa No tipo de articulação fibrosa, também conhecida por sinartrose, a conexão entre os ossos ocorre por um tecido conjuntivo fibroso, e sua principal característica é a mobilidade extrema- mente reduzida. Esse é o tipo mais comum de união entre os ossos do crânio. Encontramos dois tipos de articulações fibrosas, as sindesmoses e as suturas: Sindesmose1) : apresenta abundante quantidade de tecido conjuntivo fibroso. As sin- desmoses podem ser encontradas entre a tíbia e a fíbula, distalmente, formando a sindesmose tibiofibular (Figura 19). Formam, também, as membranas interósseas, entre o rádio e a ulna e entre a tíbia e a fíbula. Um terceiro tipo de sindesmose é en- contrado entre os dentes e os alvéolos dentários da maxila e da mandíbula, denomi- nado sindesmose dentoalveolar ou gonfose.
  18. 18. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 62 a) b) Fonte: Sobotta (1995, p. 174 e 294, v. 1). Figura 19 Membrana interóssea do antebraço (A), sindesmose tibiofibular e membrana interóssea (B). Sutura2) : apresenta menor quantidade de tecido conjuntivo fibroso e faz a conexão entre os ossos do crânio. De acordo com a forma das bordas ósseas que se unem, podemos ter: Sutura plana• : união retilínea. Exemplo: entre os ossos nasais (Figura 20A). Sutura escamosa• : união em forma de escama. Exemplo: entre o temporal e o pa- rietal (Figura 20B). Sutura serreada• : união em forma de linha denteada. Exemplo: entre os parietais, entre o frontal e os parietais e entre os parietais e o occipital (Figura 20C). a) b) c) Fonte: Sobotta (1995, p. 9, 30 e 32, v. 1). Figura 20 Exemplos de sutura plana (A), sutura escamosa (B) e suturas serreadas (C).
  19. 19. 63© Aparelho Locomotor Articulações cartilagíneas Nas articulações cartilagíneas, o elemento que se interpõe entre os ossos é uma cartila- gem e, pelo fato de permitir uma pequena mobilidade entre as peças ósseas, podem também ser denominadas anfiartroses. De acordo com tipo de cartilagem, que você já teve a oportuni- dade de conhecer na disciplina de Biologia Humana, podemos ter dois tipos de articulações cartilagíneas, as sincondroses e as sínfises: Sincondroses1) : nesse tipo de articulação, os ossos são unidos por uma cartilagem hialina. O exemplo mais típico de uma sincondrose é a que ocorre entre os ossos esfenoide e occi- pital, chamada sincondrose esfeno-occipital. Algumas sincondroses são temporárias, sendo a cartilagem ossificada com o tempo, como ocorre durante o crescimento dos ossos lon- gos. A sincondrose esfeno-occipital, por volta do segundo ano de vida, é substituída por um tecido ósseo, fato conhecido por sinostose. O sacro é formado pela fusão das cinco vértebras sacrais, e a união entre elas é chamada de si- nostose, sendo, portanto, seu exemplo mais típico. Observe, na Figura 21, a sincondrose esfeno-occipital. Sínfises2) : são os tipos de articulações nas quais os ossos se unem por meio de uma car- tilagem fibrosa. Podemos citar como exemplos a sínfise púbica (entre o púbis direito e o esquerdo) (Figura 22) e os discos intervertebrais (Figura 23). Fonte: Sobotta (1995, p. 9, v. 1). Figura 22 Exemplo de sínfise: sínfise púbica. Figura 23 Discos intervertebrais. Fonte: Sobotta (1995, p. 59, v. 1). Figura 21 Sincrondrose esfeno-occipital.
  20. 20. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 64 Articulações sinoviais O terceiro tipo de articulações, as sinoviais, é o mais complexo e móvel, sendo o respon- sável pelos movimentos corporais, motivo que torna o seu estudo o mais importante para o profissional de Educação Física. As articulações sinoviais são as mais comuns do corpo humano e sua característica funcio- nal é a mobilidade. Para que essa mobilidade ocorra, é necessário que os ossos que se articulam estejam livres para se deslizarem durante os movimentos e que haja algum elemento facilitador, ou seja, lubrificador. Assim, a maior característica dessas articulações é a presença de um líquido viscoso e lubrificador, chamado líquido sinovial. As peças ósseas não estão fixas, porém permanecem unidas pela cápsula articular. No interior da articulação, há a presença de uma cavidade, a cavidade articular, na qual se encontra o líquido sinovial. As superfícies dos ossos que se articulam são revestidas por uma cartilagem hialina, de- nominada cartilagem articular, cuja função é impedir o atrito entre os ossos, facilitando o des- lizamento entre eles. A cartilagem articular é a parte do osso que não sofreu processo de ossi- ficação. Portanto, podemos dizer que todas as articulações sinoviais possuem as seguintes carac- terísticas básicas (Figura 24): cápsula articular;1) cartilagem articular;2) cavidade articular;3) líquido sinovial.4) Além desses elementos básicos, algumas articulações sinoviais podem apresentar ele- mentos especiais, como: ligamentos, discos, meniscos. A cápsula articular é uma membrana de tecido conjuntivo que envolve a articulação e é constituída por duas camadas: uma interna, a membrana sinovial, e outra externa, a membrana fibrosa. A membrana sinovial é muito vascularizada e inervada e sua função é produzir o líquido sinovial. A membrana fibrosa é a camada mais externa da cápsula articular e a mais resistente e, além disso, pode ser reforçada pelos ligamentos capsulares, o que lhe confere maior resistência em pontos de maior pressão ou força. Há ligamentos que estão isolados da cápsula articular e são chamados de ligamentos extracapsulares; ou, estão dentro da articulação, sendo chamados de ligamentos intra-articulares, como é o caso dos ligamentos cruzados anterior e posterior do joelho. As funções dos ligamentos são manter a união entre os ossos e aumentar a resistência da articulação, impedindo os movimentos indesejáveis.
  21. 21. 65© Aparelho Locomotor Fonte: Sobotta (1995, p. 9, v. 1). Figura 24 Exemplo de uma articulação sinovial com seus elementos básicos. No interior de algumas articulações, encontramos interpostos entre as superfícies articu- lares os elementos fibrocartilaginosos, conhecidos por discos ou meniscos. As funções desses elementos são: melhorar a adaptação das superfícies articulares;• absorver impactos;• possibilitar melhor deslizamento entre as superfícies articulares.• Os discos intra-articulares são encontrados nas articulações esternoclavicular e tempo- romandibular (ATM) (Figura 26). Já os meniscos são exclusivos das articulações dos joelhos e possuem um formato de meia lua (Figura 25). Os meniscos são comumente lesados em atletas, sendo, muitas vezes, necessária a sua remoção cirúrgica. Após a sua retirada, pode ser formado outro menisco no lugar, porém, menos resistente que o primeiro.
  22. 22. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 66 Fonte: Sobotta (1995, p. 286, v. 2). Figura 25 Articulação do joelho demonstrando os meniscos e os ligamentos cruzados anterior e posterior (ligamento intra- articular). Fonte: Sobotta (1995, p. 68, v. 1). Figura 26 Disco articular (articulação temporomandibular – ATM).
  23. 23. 67© Aparelho Locomotor CLASSIFICAÇão FUNCIONAl das articulações10. As articulações sinoviais destacam-se das demais pela sua mobilidade. Essa mobilidade, no entanto, irá depender de alguns fatores, tais como a forma das superfícies articulares. Na Unidade 1, estudamos os três eixos do corpo humano e, em seguida, os principais movimentos corporais que ocorrem em torno desses eixos. Portanto, o critério para classificar uma articu- lação funcionalmente é a quantidade de eixos que ela utiliza para realizar seus movimentos. Assim, a articulação poderá ser: Anaxial1) : sem eixo de movimento. Monoaxial2) : realiza movimentos em torno de apenas um eixo (um grau de liberdade de movimento). Exemplo: cotovelo e interfalangeanas. Biaxial3) : realiza movimentos em torno de dois eixos (dois graus de liberdade de movi- mentos). Exemplo: punho. Triaxial4) : realiza movimentos em torno dos três eixos (três graus de liberdade de movi- mento). Exemplo: ombro e quadril. Classificação MORFOLÓGICA DAS ARTICULAÇÕES11. Depois de termos estudado as características básicas das articulações sinoviais e como classificá-las funcionalmente, aprenderemos, agora, a fazer a sua classificação morfológica. O critério utilizado para tal classificação é a forma, isto é, a morfologia das superfícies articulares. Com base nesses critérios, discutiremos, a seguir, os principais tipos. Para a sua melhor compre- ensão, elas serão separadas de acordo com sua classificação funcional. Anaxial Plana• : as superfícies ósseas que se articulam são planas e permitem somente movi- mentos de deslizamentos. A mobilidade dessas articulações é bastante reduzida e não possuem eixo de movimentos, portanto, são anaxiais. Como exemplos, podemos citar as articulações entre os ossos do carpo, do tarso, entre as vértebras e entre o sacro e o ílio (sacroilíaca) (Figura 27). Fonte: Moore e Argur (2004, p. 15). Figura 27 Exemplo de articulação plana.
  24. 24. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 68 Monoaxial Gínglimo• : as articulações do tipo gínglimo também podem ser chamadas de dobradi- ças, pelo fato de suas superfícies ósseas permitirem movimentos em somente um eixo de movimento, de modo semelhante à dobradiça de uma porta. São classificadas, fun- cionalmente, como monoaxial (eixo transversal), e os movimentos permitidos são fle- xão e extensão (movimentos angulares). As articulações do cotovelo, que estão entre as falanges (interfalangeanas – dedos) e do tornozelo são exemplos de gínglimos. Al- guns autores classificam o joelho como gínglimo, porém, há controvérsias acerca dessa classificação pelo fato de o joelho realizar, além da flexão e extensão, uma leve rotação. Observe, na Figura 28, a articulação do cotovelo, que é um exemplo de articulação do tipo gínglimo. Trocoide• : é também chamada de "em pivô", pelo fato de apresentar uma superfície articular em forma de um pivô que gira sobre a outra, dentro de um anel. A articulação radioulnar proximal é um exemplo típico. É classificada como monoaxial (eixo longitu- dinal), sendo responsável pelos movimentos rotacionais de pronação e supinação do antebraço. Fonte: Moore e Argur (2004, p. 15). Figura 28 Exemplo de articulações gínglimo. Biaxial Selar• : apresenta esse nome devido à forma em sela de montaria das suas superfícies articulares, formadas por uma côncava que se encaixa numa convexa no sentido inver- so. Permite movimentos de deslizamento de uma sobre a outra, em dois eixos, sendo, portanto, biaxiais (eixos sagital e transversal). A articulação entre o trapézio do carpo e o primeiro metacarpo (articulação carpometacarpal do polegar) é do tipo selar e reali- za os movimentos de flexão, extensão, abdução e adução. Faz, também, a rotação, mas não é um movimento isolado, e, sim, uma combinação de movimentos (Figura 29). Elipsoide ou condilar• : nesse tipo de articulação, uma superfície articular em forma con- dilar ou ovoide encaixa-se em outra de forma elíptica (semelhante à meia lua), permi-
  25. 25. 69© Aparelho Locomotor tindo movimentos de flexão, extensão, abdução e adução. Portanto, são biaxiais (eixos sagital e transversal) e seus exemplos típicos são a articulação radiocarpal (punho) e a articulação temporomandibular (entre o temporal e a mandíbula). Alguns autores classificam o joelho como condilar, devido à forma de suas superfícies articulares. Fonte: Moore e Argur (2004, p. 15). Figura 29 Exemplos de articulações selar. Triaxial Esferoide• : é o tipo articular que permite maior grau de liberdade de movimento, isto é, três graus (triaxiais). A explicação para essa liberdade está na forma de suas super- fícies articulares, sendo uma em formato de esfera que se encaixa em uma forma de receptáculo, como ocorre nas articulações do ombro (entre a escápula e o úmero) e do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur) (Figura 30). Os movimentos realizados por essas articulações são: flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna (ou medial) e rotação externa (ou lateral). Fonte: Moore e Argur (2004, p. 15). Figura 30 Exemplo de articulações esferoides.
  26. 26. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 70 Principais articulações do corpo humano12. Agora que você já conheceu todas as características de uma articulação sinovial e sabe como classificá-las funcional e morfologicamente, podemos estudar as principais articulações do corpo humano, cujo conhecimento é essencial para um profissional de Educação Física com- prometido com o seu trabalho. Para uma melhor discussão, começaremos pelas articulações dos membros superiores e, em seguida, veremos as articulações dos membros inferiores. Articulação de membros superiores Ombro A articulação do ombro, também conhecida anatomicamente por escapuloumeral ou gle- noumeral, ocorre entre os ossos escápula e úmero. É uma articulação sinovial, cuja classificação morfológica é esferoide e a funcional é triaxial, sendo capaz de realizar os movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial e rotação lateral. Devido à sua grande mobilidade, o ombro pode ser facilmente lesado durante esportes como voleibol. Como toda articulação sinovial, esta apresenta uma cápsula articular, que é reforçada an- teriormente por ligamentos. A escápula não possui nenhuma articulação com o tronco, sendo que a responsável pela conexão do membro superior com o tronco é a clavícula, que se articula com o esterno, pela articulação esternoclavicular, e com a escápula, pela articulação acrômio- clavicular. Observe, na Figura 31, os elementos articulares da articulação do ombro. Fonte: Schunke et al. (2007, p. 231). Figura 31 Articulação do ombro.
  27. 27. 71© Aparelho Locomotor Cotovelo A articulação do cotovelo é composta pelos ossos úmero, rádio e ulna, contendo, por- tanto, três articulações, a radioulnar proximal, a umeroulnar e a umerorradial. As articulações umeroulnar e a umerorradial são as responsáveis pelos movimentos do cotovelo, que realiza somente a flexão e a extensão, sendo classificada como gínglimo e monoaxial. A articulação ra- dioulnar proximal é classificada como trocoide, monoaxial, e realiza os movimentos de pronação e supinação do antebraço. O cotovelo possui uma cápsula articular reforçada lateral e medialmente pelos ligamentos colateral lateral e colateral medial (Figura 32). Fonte: Sobotta (1995, p. 172, v. 1). Figura 32 Articulação do cotovelo. Punho e mão A articulação do punho é também denominada radiocarpal (ou radiocárpica) e ocorre en- tre a extremidade distal do rádio e os ossos da primeira fileira do carpo, constituindo uma arti- culação sinovial condilar. Os movimentos realizados por essa articulação são flexão, extensão, abdução e adução; portanto, são biaxiais (Figura 33). As articulações entre os ossos do carpo (intercarpal) são do tipo plana, permitindo somen- te o movimento de deslizamento. Entre o carpo e o metacarpo (capometacarpal), ocorrem os movimentos de flexão, extensão, abdução e adução, classificada por condilar, com exceção da carpometacarpal do polegar, que é selar. As articulações entre as falanges (interfalangeanas) são do tipo gínglimo, realizando somente flexão e extensão.
  28. 28. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 72 Fonte: Sobotta (1995, p. 178, v. 1). Figura 33 Articulação do punho e mão em um corte longitudinal. Articulação de membros inferiores Quadril A articulação do quadril é semelhante à articulação do ombro sob o ponto de vista morfo- lógico e funcional; porém, ela é mais robusta e estável, devido à sustentação do peso corporal. Além disso, essa articulação é a responsável pela nossa locomoção. É uma articulação sinovial, esferoide, triaxial, permitindo movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial e rotação lateral. Possui um ligamento intra-articular, denominado ligamento da cabeça do fêmur. Sua cáp- sula é reforçada anteriormente pelo ligamento iliofemoral, posteriormente pelo ligamento is- quiofemoral e inferiormente pelo ligamento pubofemoral. O ligamento iliofemoral é o maior e o mais resistente dos três e tem a forma de um Y invertido. Analise esses ligamentos na Figura 34. Fonte: Sobotta (1995, p. 279, v. 2). Figura 34 Articulação do quadril em vista anterior e posterior.
  29. 29. 73© Aparelho Locomotor Joelho A articulação do joelho é a maior do corpo humano e ocorre entre os côndilos femorais (extremidade distal do fêmur) e os côndilos tibiais (extremidade proximal da tíbia), mais preci- samente na face articular dos côndilos tibiais e a patela. A articulação do joelho é a mais discutida e complexa, estando essas discussões em volta de sua classificação morfológica e funcional. Isso porque, além da flexão e extensão, o joelho também realiza uma leve rotação em flexão, o que não poderia classificá-lo não como gínglimo, mas, sim, como condilar e biaxial. O joelho possui uma cápsula articular posterior, reforçada por ligamentos, porém, ante- riormente, ela é substituída pelo ligamento (tendão) patelar, pela patela e pelo tendão do mús- culo quadríceps. Na face lateral e medial, apresenta o ligamento colateral lateral (ou fibular) e o ligamento colateral medial (ou tibial), cuja função é impedir os deslocamentos laterais do joelho. Internamente, encontram-se importantes estruturas articulares como os meniscos medial e lateral e o ligamento cruzado anterior e o ligamento cruzado posterior. Os meniscos são es- truturas fibrocartilagíneas em forma de meia lua com a função de melhorar o encaixe do côndilo femoral na tíbia e absorver impactos sobre a articulação. Os ligamentos cruzados anterior e posterior são ligamentos intra-articulares que impedem o deslocamento anterior e posterior da tíbia, respectivamente. Observe, na Figura 35, as estruturas articulares do joelho. Fonte: Sobotta (1995, p. 285-286, v. 2). Figura 35 Articulação do joelho em vista superficial e interna, demonstrando os meniscos e os ligamentos cruzados.
  30. 30. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 74 Tornozelo e pé Para finalizarmos esta unidade, analisaremos brevemente as articulações do tornozelo e do pé. O tornozelo é uma articulação sinovial gínglimo, monoaxial, que envolve a extremidade distal da tíbia e seu maléolo medial, maléolo lateral da fíbula e o tálus (osso do tarso). Os movi- mentos realizados nessa articulação são denominados dorsiflexão e flexão plantar. A dorsiflexão ocorre quando o dorso do pé se aproxima da face anterior da perna, o mes- mo que apoiar os calcanhares no chão, e a flexão plantar ocorre quando a planta do pé se aproxima da face posterior da perna, sendo o movimento realizado quando ficamos nas pontas dos pés. A articulação é reforçada medialmente pelo ligamento deltoide e lateralmente pelos ligamentos talofibular anterior, talofibular posterior e calcâneofibular (Figura 36). No pé, assim como na mão, há articulações planas entre os ossos do tarso, cuja somatória dos movimentos de deslizamento resultam nos movimentos de inversão, quando a planta do pé se volta internamente, e eversão, quando a planta do pé se volta externamente. Encontramos, ainda, as articulações entre os ossos do tarso e do metatarso, entre os me- tatarsos e as falanges, e, por fim, entre as falanges. Fonte: Sobotta (1995, p. 300, v. 2). Figura 36 Articulação do tornozelo em vista medial e lateral. questões13. autoavaliativas Vamos, agora, fazer uma autoavaliação da sua aprendizagem. Para tanto, tente responder, para si mesmo, às seguintes questões: Quais são os dois tipos de esqueletos e quais são os seus componentes?1) Como os ossos podem ser classificados?2) Quais são os principais ossos do corpo humano?3) Quais são os tipos de articulações?4)
  31. 31. 75© Aparelho Locomotor Quais as características básicas de uma articulação sinovial?5) Como as articulações podem ser classificadas?6) Quais são as principais características das articulações do ombro, cotovelo, punho, quadril, joelho e tornozelo?7) cONSIDERAÇÕES14. Ao longo desta unidade, estudamos os elementos componentes do aparelho locomotor, o sistema esquelético e articular, com suas características e funções. Esses dois sistemas são considerados os constituintes passivos do aparelho locomotor, sendo necessários os músculos para a realização dos movimentos. Vimos, também, que o corpo humano é composto por 206 ossos, que podem receber diferentes classificações quanto à sua topografia e à sua forma. Com relação à topografia, po- dem ser classificados em axiais e apendiculares. Quanto à forma, podem ser longos, curtos, laminares e irregulares. Os ossos podem, ainda, apresentar características peculiares e serem classificados como pneumáticos e sesamoides. O sistema articular também apresenta suas particularidades. Uma articulação pode ser fibrosa, cartilagínea e sinovial. As articulações sinoviais são as mais complexas e apresentam como características básicas a presença do líquido sinovial, a cápsula articular, a cavidade ar- ticular e a cartilagem articular. Além desses elementos básicos, algumas articulações podem apresentar ligamentos, discos ou meniscos, cujas funções são a estabilização, a absorção de impactos e a melhora do encaixe ósseo. As articulações podem ser classificadas, funcionalmente, em monoaxiais, biaxiais e triaxias, de acordo com o grau de liberdade de movimentos. Mas elas podem, também, ser classificadas quanto à sua forma. Das articulações do corpo humano, o ombro e o quadril são os mais móveis; porém, o ombro é a menos estável, estando mais sujeita à lesão. A articulação do joelho é a maior e a mais complexa, apresentando inúmeros elementos importantíssimos para a sua estabilidade, como os ligamentos colaterais e cruzados. O conhecimento dos principais ossos, especialmente dos que compõem os membros e o tronco, assim como das principais articulações do corpo humano, é de grande importância para os profissionais da Educação Física, sobretudo para a orientação de atividades físicas seguras. E-Referências15. Lista de figuras Figura 2 – Divulgação - Desenho esquemático representando a substância óssea compacta e a substância óssea esponjosa. Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Histologia/epitelio17.php>. Acesso em: 14 dez. 2010. Figura 3 – Divulgação - Representação do esqueleto axial (em azul), esqueleto apendicular (em bege) e as cinturas escapular e pélvica, em vista anterior (a) e posterior (b). Disponível em: <http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 14 dez. 2010. Figura 15 – Divulgação - Ossos da mão. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com.br/biologia/ossos-membro-superior. htm>. Acesso em: 14 dez. 2010. Figura 23 – Divulgação - Discos intervertebrais. Disponível em: <http://www.cirurgiadacoluna.com.br/anatomia.htm>. Acesso em: 14 dez. 2010.
  32. 32. © Anatomia Humana Geral Centro Universitário Claretiano 76 Referências Bibliográficas16. DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana sistêmica e segmentar. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2007. MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de Anatomia Clínica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. SCHUNKE, M. et al. Prometheus. Atlas de anatomia: cabeça e neuroanatomia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. SOBOTTA. J. Atlas de anatomia humana. 20. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995. v. 1 e 2. SOUZA, R. R. Anatomia para estudantes de educação física. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986.

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