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  1. 1. Prenhas – uma mãe (im)pertinente: comunicação popular, identidade e territorialidade do povo negro Fabiano Estanislau (Especialização Comunicação Popular e Comunitária/UEL) fabiano_marcal@hotmail.com O estudo, empreendido na Especialização em Comunicação Popular e Comunitáriada Universidade Estadual de Londrina, buscou entender como se desenvolve a relaçãoentre a Comunicação Social e questões sobre a cultura negra. Utilizou-se como análise oprojeto “PRENHAS: uma investigação cênica sobre mães solteiras negras”, realizado em2005, no município de Londrina, Paraná. O “Prenhas” é autobiográfico, concebido edesenvolvido pela pesquisadora e atriz Rosa das Dores, visando intervir nas discussõessobre a relação da auto-estima da mulher negra, o matrimônio e o abandono de seusfilhos e família, o qual circulava com a exposição Território Prenhas e a montagem cênica,ambas com a realização de debates em escolas públicas, unidades básicas de saúde,centros comunitários e culturais da periferia e uma apresentação na PenitenciáriaEstadual de Londrina. A metodologia dos Estudos Culturais balizou o trabalho, auxiliandona conceituação da Comunicação Popular em um viés cultural, e proporcionou umaparticipação crítica no projeto, atuando na coordenação de produção e comunicação,realizando uma análise sobre identidade, alteridade, representação do povo negro namídia, sua territorialidade e formas de ocupar espaços simbólicos e concretos nasociedade, buscando uma inter-relação entre a Psicologia Social, Geografia Humana eComunicação Popular. Não conseguiremos entender a dominação do bloco hegemônicoutilizando a metodologia positivista e estruturalista. Temos que conectar as áreas deconhecimento, compreendendo que as identidades são constituídas a partir de umterritório em que você domina ou é dominado. Londrina foi “construída” peloscolonizadores ingleses, onde predomina a ideologia eurocêntrica, branca. Por isso, aspessoas negras e o Movimento Negro encontram dificuldades em construir espaços delutas efetivas, pois, historicamente, suas reivindicações e ações solúveis são atreladas ainteresses “politiqueiros” ou “enxugados” pelo mito da igualdade racial e do convíviocordial entre as etnias. Essa discussão é necessária para a compreensão do objetivo deste trabalho, eprincipalmente, analisar o objeto de estudo, o projeto “Prenhas”, em suas práticas deComunicação Popular. Além disso, faz-se importante tal análise para conceituarmos taispráticas na área da comunicação, pois cada vez vemos termos sendo utilizados para citarações e concepções em sua esfera social, como comunicação alternativa, popular,comunitária, clandestina, marginal. Nasce ai o risco de cairmos no discurso neoliberal ecolocar todas as práticas sociais da comunicação em um mesmo quadro analítico –reduzindo seu potencial transformador e escamoteando seu sentido. A ComunicaçãoPopular foi analisada em uma perspectiva cultural, conceituando o termo popular à lutacultural, por espaços concretos e simbólicos contra-hegemônicos. Apontou-se alguns aspectos relacionados à Comunicação Popular, desenvolvido noprojeto “Prenhas”, como trabalhar em uma lógica de quebrar a cultura do silenciamento,apontada por Paulo Freire, além de efetivar estratégias de comunicação para intervir nasrepresentações sociais em relação ao povo negro, como a construção de uma imagempositiva da pessoa negra na televisão. A figura da escrava Anastácia foi utilizada noprojeto como símbolo do silenciamento do povo negro. Quando ela começa a falar namontagem cênica, entende-se que eles conseguiram se “libertar” da máscara e podemdizer tudo o que pensam, ressignificando suas relações.
  2. 2. “Prenhas – uma mãe (im)pertinente: comunicação popular, identidade e territorialidade do povo negro” Fabiano Marçal Estanislau1 GT6: Estado, meios de comunicação e movimentos sociaisResumo:Buscou-se entender como se desenvolve a relação Comunicação Social e cultura do povonegro, utilizando-se como análise o projeto “PRENHAS”, desenvolvido em 2005, nomunicípio de Londrina, Paraná. O projeto é autobiográfico, concebido pela atriz epesquisadora Rosa das Dores, para intervir nas discussões sobre a relação da auto-estimada mulher negra, o matrimônio e o abandono de seus filhos e de sua família. A metodologiados Estudos Culturais balizou o trabalho, auxiliando na conceituação da ComunicaçãoPopular em um viés cultural, bem como proporcionar uma análise sobre identidade,alteridade, a representação do povo negro na grande mídia.Comunicação Popular e Comunicação Comunitária na perspectiva cultural Como toda área, a Comunicação Social deve ser compreendidaanaliticamente e conjunturalmente à Cultura, Política, Educação. Por isso, faz-senecessário pensarmos sobre algumas de suas considerações, como o entendimentodos termos Comunicação Popular e Comunicação Comunitária, desmistificando seusobjetivos, ações, intervenções e, principalmente, seu papel na sociedade. Para atender tal diferenciação, buscaremos compreender os termos povo ecomunidade, respectivamente ligados à Comunicação Popular e ComunicaçãoComunitária. Tais termos são analisados por vários autores, mas, com uma linhamuito tênue que não tem localidade espacial, misturando-se muitas vezes. Opto, porutilizar uma perspectiva cultural em minha análise, já que todo meu trabalho ébalizado pelos Estudos Culturais. Faço isso, por considerar que tanto o povo quantoa comunidade fazem parte de um processo cultural, sendo termos complexos,influenciados e influenciando relações sociais.1 Pós-graduando na Especialização em Comunicação Popular e Comunitária da UniversidadeEstadual de Londrina; coordenador de Comunicação Sócio-Ambiental do Grupo de Ação EcológicaNovos Curupiras – Belém/Soure-Pará. E-mail: fabiano_marcal@hotmail.com;
  3. 3. Explicito, primeiramente, o entendimento pelo termo comunidade. O conceitode comunidade está ligado ao coletivo de pessoas que se sentem pertencentes aum grupo específico da sociedade, com características locais/espaciais restritas emuito particulares2. Buscam interpelar nesse espaço particular, como a melhoria dosaneamento básico do bairro da periferia ou a modificação do sentido de trânsito emfrente à escola particular na região central do município. Pode-se indicar quecomunidade está situada, ou melhor, constitui-se tanto nos bairros da periferia,quanto em lugares nobres das cidades. As pessoas que se sentem pertencentes àdeterminada comunidade buscam suprir necessidades “particulares” do grupo e nãoquestões “universais” como nas lutas populares. Porém, ressalta-se que tal análise érealizada nesse trabalho, pois podemos encontrar outras que não distinguemcomunidade e povo, comunidade e nação, elas se misturam. Em relação ao popular, os conceitos e distinções são ainda mais diversos econflituosos. Se considerarmos o contexto do consumismo e, é claro, a indústriacultural, buscaremos analisar ao que a massa compra, ouve, assiste e aceita comoproduto feito para ela. Porém, esse significado está direcionado à manipulação e àdicotomia da alta cultura e baixa cultura, sendo ainda abrangente, podendoconsiderar que programas de televisão como “Domingão do Faustão” e “DomingoLegal” são programas populares. Stuart Hall (2003) contribui indicando três definições de povo, dentro de umaperspectiva para explicar a cultura popular. A primeira tem como característicaconsiderar que o povo consome produtos culturais capitalistas que lhe trazem uma“falsa consciência”, são passíveis e manipuláveis, portanto, as pessoas não têmautonomia. Para contrapor essa situação cultural, buscam ações “alternativas”,dando-lhe um viés de uma cultura popular autêntica e pura, livre de manipulações dosistema capitalista. Portanto, nota-se que essa definição subestima demasiadamenteas relações culturais e as pessoas, não dá conta de explicitar a dinâmica cultural e arelações de forças e de poder nela implicadas. “O estudo da cultura popular fica sedeslocando entre esses dois pólos inaceitáveis: da ‘autonomia’ pura ou do totalencapsulamento” (HALL, 2003:254). Como segunda definição, Hall (2003) aborda que tudo o que o “povo” faz oufez é cultural popular, uma aproximação da antropologia, analisando ações e2 Não se inclui aqui a análise de comunidades virtuais, como é o caso do Orkut – espaço virtual queengloba várias comunidades, relacionadas a interesses e assuntos diversos da sociedade.
  4. 4. pensamentos da vida do povo. Porém, ele aponta que o difícil é distinguir o que nãoé cultura popular: Não podemos simplesmente juntar em uma única categoria todas as coisas que o “povo” faz, sem observar que a verdadeira distinção analítica não surge da lista – uma categoria inerte de coisas ou atividades – mas da oposição chave: pertence/não pertence ao povo. Em outras palavras, o princípio estruturador do “popular” neste sentido são as tensões e oposições entre aquilo que pertence ao domínio central da elite ou da cultura dominante, e à cultura da “periferia”. É essa oposição que constantemente estrutura o domínio da cultura na categoria do “popular” e do “não- popular”. Mas essas oposições não podem ser construídas de forma puramente descritiva, pois, de tempos em tempos, os conteúdos de cada categoria mudam (HALL, 2003: 256-257 – grifo do autor). Em sua terceira definição, considerada como mais analítica e a qual utilizareicomo referencial no trabalho, o termo popular tem uma relação intrínseca entre acultura e questões de hegemonia3. Está ligado a questões históricas de açõesprovindas de classes específicas, considerando suas condições materiais e sociais.Diretamente “insistindo que o essencial em uma definição de cultura popular são asrelações que colocam a ‘cultura popular’ em uma tensão contínua (derelacionamento, influência e antagonismo) com a cultura dominante” (Hall, 2003, p.257). Portanto, o popular está inserido na dialética cultural, resistindo, incorporandoe/ou incorporado, influenciando e/ou influenciado, transformado e/ou transformador,contribuindo com o jogo das relações culturais. Pode-se notar, portanto, a relaçãoque o popular faz com o termo “classe”, porém, relacionando-se de forma complexa,já que não podemos falar que existe uma cultura fixa e anti-histórica. Com seuargumento nessa perspectiva, o autor revela que a cultura popular é um dos lugaresaonde se desenvolve a luta contra a cultura do bloco de poder, tem o objetivoveemente de tirar o poder de decisão desse bloco (HALL, 2003). Como diz Marilena Chauí a cultura popular se caracteriza por: Um conjunto disperso de práticas, representações e formas de consciência que possuem lógica própria (o jogo interno do conformismo, do inconformismo e da resistência) distinguindo-se da cultura dominante exatamente por essa lógica de práticas, representações e formas de consciência (CHAUÍ,1982: 24). Partindo desse entendimento de “cultura popular” busco explicitar agora comoo termo pode fazer relações com a “comunicação popular”. Anteriormente, foi3 Termo Gramsciniano.
  5. 5. pontuado que o termo “popular” é histórico e por isso podemos perceber queocorreram transformações em suas práticas e até mesmo sua relação com o termo“classe”. Laclau (1990 apud WOODWARD, 2000) conclui que estamos vivendo umdeslocamento do centro determinante de identidades, constituindo vários centros nomundo atual. Um de seus principais argumentos é que o principal centro deslocadofoi a classe social, entendendo-a como nas análises marxistas, que determinadatodas as outras relações sociais. Esse deslocamento implica em mudançasfundamentais na estrutura social, compreendendo que a emancipação social nãoserá conquistada apenas por uma classe social, mas sim que há atualmentediversos “locais” e surgimento de novos sujeitos que vão expressar tal objetivo.Exemplificando tais transformações podemos perceber “a relativa diminuição daimportância das afiliações baseadas na classe, tais como os sindicatos operários e osurgimento de outras arenas de conflito social, tais como as baseadas no gênero, na‘raça’, na etnia ou na sexualidade” (WOODWARD, 2000: 29). O popular reflete e projeta um conjunto de ações no palco da sociedade, ondeos diferentes segmentos comumente reconhecidos e autorizados fundam a históriada sociedade. A cultura popular é a construção de outras representações, institui umimaginário, experiências cotidianas. "Uma influência recíproca entre a cultura dasclasses subalternas e a cultura dominante" (Bakhtin apud Montenegro, 2001: 36).Portanto, a comunicação popular acontece quando a comunicação é pensada eutilizada para a concretização da luta - fundamental - de estabelecimentos de outrasrealidades a serem alcançadas, de outras culturas serem ouvidas e não somente aoficial e/ou dominante. Seguindo esse entendimento, diferencio a comunicaçãopopular como uma luta por questões culturais de um povo dominado - caracterizadospela sua língua, práticas discursivas, complexidade de relações, conflitos internos eexternos com outras culturas.A gravidez indesejada, para quem? De quem é a responsabilidade social, por uma pessoa que não teve pai, quefoi criada por sua mãe, ou muitas vezes por seus avós ou outra família que não abiológica? Por que essas histórias de vida crescem à medida que a cor de homens emulheres ficam mais escuras? Como a sociedade representa a mulher negra? Por
  6. 6. que minha mãe e suas irmãs não casaram na igreja, de véu e grinalda? Como asmulheres negras estão mantendo suas relações sociais e “vivendo” nessasociedade? Tais questionamentos serviram como incentivo “desagradável” para aefetivação do projeto cultural “Prenhas – uma investigação cênica sobre mãessolteiras negras”. O projeto foi idealizado em 20044, pela pesquisadora e atriz(graduada na Universidade Estadual de Londrina) Rosa Lucimara das Dores, dandocontinuidade à sua pesquisa sobre a inserção da pessoa negra no teatro brasileiro.Provinda do município de Diadema, na Grande São Paulo, Rosa conviveu naperiferia e sempre se questionou sobre as perguntas citadas acima. O projeto foi aprovado, em 2005, no edital “Bolsa Vitae de Artes”, pelaFundação Vitae que apóia projetos na área de Artes Cênicas. Prenhas é um projetoautobiográfico - além de tratar aspectos vividos pela proponente (sua mãe é negra eseu pai é branco), ela busca unir histórias recorrentes sobre o matrimônio da mulhernegra, maternidade, o abandono de seus companheiros e as representações sociaissobre a pessoa negra. Rosa iniciou a pesquisa com a bolsa e começou a convidarpessoas para fazer parte da organização do projeto. Ao todo passaram pelo mesmoonze pessoas, pois um dos objetivos é transformar a pesquisa individual em coletiva– o ComunidadeVoz5. Em seu rol de ações, o projeto foi pensado para desenvolver um processocênico6 (montagem cênica que se utiliza do recurso do vídeo-cena), que tem apretensão de ser apresentado em 12 pontos da periferia da cidade de Londrina atéabril de 2006. A apresentação é antecedida pelo “Território Prenhas” – em cada localde apresentação, uma semana antes se escolhe alguns lugares como UnidadesBásicas de Saúde, Escolas Públicas e outras instituições para realizar umaexposição de objetos retirados de cena e outros comprados no comércio referentesà cultura negra. É mostrado um vídeo-apresentação do projeto, explicando seuobjetivo e o porquê de sua proposição e posteriormente ocorre um debate sobre atemática. Ressalto que eu fui convidado a participar do projeto em meados do mêsde julho de 2005, assumindo a coordenação de produção e de comunicação.4 Rosa das Dores argumenta que tais questionamentos surgiram desde sua infância.5 Projeto que tem por objetivo criar uma pesquisa coletiva com pessoas negras, inserindo-as no teatrobrasileiro.6 Rosa das Dores prefere utilizar o termo processo cênico, pois argumenta que além de serconstituída por uma pesquisa, a montagem cênica é construída e reconstruída a cada apresentação,utilizando-se de observações dos questionamentos do público.
  7. 7. Desde o início o projeto causou impacto perante as pessoas que tinhamcontato com ele, principalmente pelo nome “Prenhas”. As pessoas remetem o nomeàs fêmeas de animais mamíferos não-racionais como a vaca, a porca, a gata, porisso, o “choque” das pessoas. O nome foi escolhido por um fato ocorrido no qualRosa das Dores teve conhecimento por uma amiga que morava com ela, no ano de2003. Havia um amigo dela que se queixou em trocar o local de sua residênciamédica, saindo do Pronto Socorro para a Maternidade do H.U., dizendo que nãosuportava em ter que atender mulheres pobres, da periferia, usando frases como “lávem aquela negra fedida, aquela prenha”. O mais interessante é que um tempo depois, em abril de 2005, houve umadenúncia de funcionários do Hospital Universitário de Londrina, indicando quealguns médicos residentes mantinham uma comunidade virtual no Orkut7, a qualcontinha frases discriminatórias e racistas, referentes aos funcionários do hospital edos pacientes. O fato teve repercussão nos meios de comunicação local, porém oprocesso está em andamento, pois não existe uma lei específica no Brasil sobre oschamados “crimes virtuais”. Para divulgar o projeto, elaboramos um plano de comunicação, com cartazes,flyers, convites virtuais, e-mails e comunicados à imprensa. Para fazer a arte domaterial gráfico, a Rosa convidou um de nossos amigos que realiza esse tipo detrabalho na área cultural da cidade. Porém, ao explicar sobre o projeto, o mesmoficou muito preocupado sobre o nome “Prenhas”, pois poderia ser associado ao fatodo Orkut, solicitando que mudasse o seu nome. Realizamos uma reunião, Rosa eeu, decidindo pela continuidade do nome, utilizando o mesmo para provocar aspessoas, além de nós mesmo construirmos a arte do projeto. Quando ocorria o “Território Prenhas” era recorrente a fala de algumaspessoas: “Por que vocês focam somente sobre a gravidez das mulheres negras? Eas brancas? O projeto poderia ser ampliado para todas as mulheres”. Esse fatoconfirma o que Tatum, psicóloga norte-americana aponta: “[...] os brancos negaminicialmente qualquer preconceito pessoal, tendendo a posteriormente reconhecer oimpacto do racismo sobre a vida dos negros, mas evitando reconhecer o impactosobre as suas próprias vidas” (BENTO, 2003:42-43). O que se percebe nessas falas é a negação de uma diferença entre as7 O orkut é uma comunidade virtual afiliada ao Google, criada em 22 de Janeiro de 2004 com oobjetivo de ajudar seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos.
  8. 8. mulheres negras e as mulheres brancas. Como salienta Cristina da Silva SouzaCoelho o processo histórico impôs experiências diferentes na vida dessas mulheres.As mulheres negras na ordem patriarcal sofreram uma situação de exploraçãosexual, eram muito mais simbolizadas como “objeto sexual” do que as mulheresbrancas (as sinhazinhas). Essa representação pode ser muito bem auferida hoje,principalmente quando analisamos as estruturas do universo do trabalho. Foramdivulgadas na publicação Brasil, Gênero e Raça, as diferenças no rendimentosalarial médio dos negros e dos brancos, apontando que entre os homens o brancoganha em média 6,3 salários mínimos, enquanto o negro 2,9; comparando com amédia dos homens, as mulheres são demasiadamente discriminadas, elevando adesigualdade quando entra em cena a questão cor: entre as mulheres brancas 3,6salários mínimos (nota-se que maior que o homem negro), as mulheres negrasmenos da metade das brancas – 1,7 salários mínimos (Almeida, 2004). Outro ponto muito relevante é o estudo de Alaerte Leandro Martins (2001)sobre cor e mortalidade materna, entre 1993 e 1998. Detectou-se que o risco relativode morte das mulheres negras por motivos relacionados à maternidade foi 7,4 vezesmaior que da cor branca no estado do Paraná, demonstrando que no serviço públicode saúde também há preconceito racial, pois muitas mulheres negras não recebem omesmo tratamento que as mulheres de outras cores. Interpretando esses dados, verificamos o quanto é essencial a questão degênero e etnia na sociedade contemporânea. Digo isso, não me esquecendo que éum conjunto de ações históricas, mas reforçando que a ideologia do bloco do poderbusca ocultar tal desigualdade. Por esse motivo: Alguns membros dos “novos movimentos sociais” têm reivindicado o direito de construir e assumir a responsabilidade de suas próprias identidades. Por exemplo, as mulheres negras têm lutado pelo reconhecimento de sua própria pauta de luta no interior do movimento feminista, resistindo, assim, aos pressupostos de um movimento de mulheres baseado na categoria unificada de “mulher” que, implicitamente, inclui apenas as mulheres brancas (AZIZ apud WOODWARD, 2000: 35). Uma das explicações sobre esse escamoteamento da desigualdade racial noBrasil é a ideologia do branqueamento. A partir do momento em que a questão racialfoi incorporada pela biologia (teoria evolucionista) e até mesmo consideradapatologia médica, aos negros e índios foram dedicadas as piores características
  9. 9. sociais e culturais de nossa sociedade. Depois que acabou a escravidão, houve a“passagem do racismo de dominação para o de exclusão” (Sodré, 1999, p. 87).Quanto menos traços europeus tiver a pessoa, mais “condenada” às mazelas e“migalhas” da sociedade ela estará condicionada, por isso, embranquecer vemacompanhado do pensamento de ascensão e aceitação social. É o que ressaltaIanni, quando diz que conseguir descendentes com aspectos fenotípicos maisbrancos já é motivo de orgulho para as pessoas negras (apud BENTO, 2003). A mestiçagem, produzida como ideologia dessa forma nos espaços coloniais latino- americanos, é a reinterpretação de um ethos de transigência e nomadismo, transmitido por traços manifestos e latentes na dinâmica intergeracional dos sujeitos do patrimônio. Mas o ethos não é puramente cultural nem exclusivamente simbólico: ele sempre serviu, no interior de práticas políticas deliberadas, como “filtro seletivo” para controlar o acesso de segmentos econômica e politicamente subalternos à estrutura de poder. Serviu também para polir as arestas das relações raciais e impedir reações radicais (SODRÉ, 1999:124). No artigo “De café e de leite...” Rosa Maria Rodrigues dos Santos (2003) nosremete a uma experiência profissional vivida por ela, quando se deparou com umamenina de nove anos com ascendência negra, que se afirmava ser loira. Sua mãeera negra e seu pai loiro, este abandonou sua mãe na gravidez que também nãocontava com a ajuda da família. A menina somente teve contato do pai por algumtempo depois que ele retornou após a gravidez para morar com sua mãe. Depois devárias situações complicadas na relação matrimonial ele as abandonou e foi morarcom uma mulher loira, como ele. Esse quadro caracterizou um desenvolvimentopsicológico diferenciado na menina, entre a fronteira da neurose e a psicose, elanegava sua negritude. Mas por qual razão? Santos depois de conviver e participardo tratamento da menina, conclui que ela era o “espelho” da mãe, que se sentiarejeitada pelo homem branco por ser negra. A menina queria ser aceita,principalmente pela mãe, pois para ela a mãe considerava os traços europeusdecisivos nos relacionamentos sociais e familiares. Um fato importante que aconteceu foi o relato de uma professora de História,em uma das ações do projeto em Assis, interior de São Paulo. Ela nos contou queseu filho, estudante do ensino fundamental de uma escola particular daquelemunicípio, iria participar de uma peça teatral elaborado pela escola. Havia no roteirouma personagem negra, porém não existia na escola nenhum aluno negro ou alunanegra. A alternativa foi escolher um aluno branco que faria o papel, mas aí entrou o
  10. 10. segundo dilema: quem aceita desenvolver a personagem? A professora, quetambém leciona nessa instituição de ensino, conversou com seu filho e deu-lhe aidéia de fazer a personagem. Porém, ele resistiu à proposta e argumentou: “O quevão pensar de mim? Não vou fazer uma pessoa negra, elas só sofrem”.A pessoa negra na televisão: por uma outra representação Um dos principais objetivos do projeto Prenhas é construir uma novarepresentação social em relação à imagem da pessoa negra, aonde mulheres ehomens negros possam valorizar e fortalecer sua auto-estima, e proporcionar umavisão positiva da sociedade em relação às pessoas negras. Busca inverter na lógicada sociedade da informação com a chamada globalização. Como reforça MiltonSantos (2003) ao contrário dessa nova lógica do sistema contemporâneo possibilitarnovos conhecimentos, valorização e reconhecimento dos diversos lugares ediferentes culturas, ele imprime sua marca com um papel despótico midiático. Obloco de poder, que é uma minoria de atores sociais, utiliza as técnicas dacomunicação e da informação em benefício próprio, os quais determinam oconteúdo, a transmissão, bem como o grupo da massa que deve receber talinformação. As decisões e a participação nos meios de comunicação acabam cadavez mais restritos e a maioria considerável da população somente “participa” narecepção, sendo marginalizadas no processo do controle comunicacional. Dentre suas ações, o projeto busca a utilização dos recursos de vídeo, comoo vídeo-apresentação e o vídeo-cena8. Aquele é mostrado no espaço do “TerritórioPrenhas” juntamente com a exposição dos objetos relacionados à cultura negra,onde seu conteúdo é explicar o porquê do projeto e introduzir a discussão dadiscriminação racial, matrimônio e o abandono da mulher negra. O vídeo conta como relato de Rosa das Dores, coordenadora geral e atriz do projeto. O vídeo-cena foi o recurso utilizado por Rosa para que além de suaperformance no processo cênico, ela mostrasse a imagem de outras pessoas negras8 Vídeo-cena é uma concepção que utiliza o vídeo no espaço cênico. Um recurso que além de mudara estética tradicional do teatro, busca o auxílio e um novo olhar sobre a expressividade cênica.
  11. 11. e como o projeto é autobiográfico ela se utilizou dos relatos de sua mãe (Neuza dasDores), sua irmã mais velha (Jussara das Dores) e seu avô (José das Dores). Suasimagens são transmitidas por uma televisão que faz parte do cenário do processocênico buscando uma nova representação da imagem das pessoas negras. Bento(2003) ressalta que no Brasil, vários estudos dão a ressalva que a representação daimagem videográfica das pessoas negras são construídas em cima de aspectosnegativos e remetidos a recursos que fazem ligação com figuras demoníacas. Esse movimento de estigmatização e estereotipação das pessoas negras fazcom que elas próprias criem uma identidade individual e coletiva negativa da suaimagem. Existe uma não declaração da desigualdade racial pelos meios decomunicação, e além de camuflada, proporciona um sentimento de “vergonha” edificuldade das pessoas negras em se afirmar etnicamente, por isso, a busca peloembranquecimento dos seus relacionamentos e dos seus filhos (CARONE, 2003). Se analisarmos a construção da representação social pela televisão,podemos perceber que nos programas de maior audiência como em noticiários enovelas a imagem das pessoas negras tem características e estereótipos fixados eespaços definidos. Nos telejornais, além de uma presença ínfima dos profissionaisde origem negra, os espaços destinados para o povo negro, são em sua maioria osfatos policiais e degradação social. Várias pessoas, principalmente as que eram convidadas a participar daorganização do projeto, inclusive eu, quando assistiam à montagem cênica,sugeriam à Rosa que ao invés da televisão utilizasse um telão, aumentando aimagem, dando maior projeção. Rosa sempre argumenta que a utilização datelevisão é proposital, pois ela quer mostrar para as pessoas uma nova maneira dever as mulheres e os homens negros na televisão, ou seja, a questão é o meio a serutilizado para retratar o imaginário social e sua representação do povo negro. O Brasil não é um país racista e dá exemplo ao mundo todo. Essa é aconclusão a que chega qualquer pessoa que tenha visto nos noticiários o caso dojogador argentino Leandro Desábato, preso após ofender com palavras de cunhoracista o jogador são paulino Grafite. O jogo aconteceu no dia 14 de abril de 2005,dentro da maior competição de futebol das Américas, a Copa Libertadores daAmérica. Ao vivo para o Brasil e para o mundo, o jogador argentino foi autuado epreso. Ocorreu a partir desse fato os mais diversos discursos nacionalistas perante aquestão racial. Em entrevista aos programas esportivos, a fala de Nicolas Leoz,
  12. 12. presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol): "O futebol perdemuito com esse episódio. Nada pode justificar um ato de racismo. Que isso sirva deexemplo para todo o mundo do futebol” foi utilizada para reforçar que no Brasil nãohá racismo e a lei cumpre o seu papel. As telenovelas são o programa e o instrumento mais utilizado pela grandemídia para criar padrões morais, estéticos, de moda e comportamento da sociedadebrasileira. Joel Zito Araújo (2000) mostrou que apesar de representar parcelaexpressiva da população e da cultura brasileiras, os negros têm sido ignorados naficção ou vêm sendo retratados de modo negativo ou estereotipado. Ele argumentaque a novela brasileira, produto de sucesso nacional e de exportação para os quatrocantos do mundo, vende a imagem do negro como subalterno, submisso, prontopara servir ao senhor branco. Mas o autor acredita que esta negação do Brasil nãoretrata nada além do que é visto na elite nacional. O mito da democracia racial, oidealismo branco e o desejo de europeização de toda população, mascarado porpersonagens fictícios que invadem todas as noites os lares brasileiros é o espelhodo preconceito enraizado há mais de 500 anos e que até os dias atuais circunda epermeia as relações inter-raciais. Sodré (1999) argumenta que nos jornais impressos do passado, asreferências identitárias do negro eram ideológicas, como José do Patrocínio. Nomundo contemporâneo o padrão é estético, doutrinário ou ético. A grande mídiautiliza a imagem de modelos, jogadores de futebol e atores. Por isso criou-se uma“obsessão” pelos padrões europeus como o cabelo. Em um dos relatos do vídeo-cena, aparece a fala da irmã de Rosa, aonde ela conta seu casamento na igreja, efoca o nascimento de seus dois filhos. Em um determinado momento ela conta que ofilho mais novo, enquanto ela o arrumava em frente a um espelho, questiona sequando ele crescer poderá alisar o cabelo. Ela argumenta que não é preciso, poisele deve ter orgulho de seu cabelo e de sua “raça” negra. A que conclusões podemos chegar diante desse grande espelho da sociedade, que é a imprensa? Uma delas, a mais imediata, é a de que a questão racial é de natureza explosiva, mesmo quando as suas faíscas elétricas e as suas chamas súbitas são neutralizadas e contidas por um certo tempo, pois as suas causas continuam a existir onde sempre existiram: no preconceito e na discriminação. Mas, em definitivo, a repressão de um problema não é a sua supressão. Outra conclusão é a de que a questão racial é representada como um problema ou uma doença dos negros, o que é, evidentemente, falso e ideológico: onde estão os escravizadores de ontem e os dominadores de hoje? Nesse sentido, o ponto de vista
  13. 13. que prevalece na imprensa ainda hoje é o ponto de vista de quem goza de poderes na sociedade atual e culpabiliza a vítima da opressão (CARONE, NOGUEIRA, 2003: 179). A utilização do vídeo no projeto busca inserir uma imagem diferente dapessoa negra. Além da imagem, o conteúdo das falas é remetido para que o públicorepense o mito da igualdade racial, represente a pessoa negra com outrosreferenciais – positivos – e valorizem sua imagem. Tal prática vai de encontro ao queSantos enfoca sobre as técnicas da comunicação e da informação: “[...] quando suautilização for democratizada, essas técnicas doces estarão ao serviço do homem”(2003, p. 174).Eu tenho raiva Na performance, Rosa utiliza a figura da Anastácia para demonstrar erepresentar a questão sexual que é remetida à mulher negra, a escravidão do povonegro e, principalmente, o silenciamento imposto às pessoas negras no Brasil.Anastácia era filha de Delminda, princesa da tribo bantu, oriunda da família do reiGalanga, que foi trazida ao Brasil e vendida como escrava. Foi estuprada por seufeitor e engravidou gerando Anastácia, moça muito bonita, com características dopovo negro e olhos azuis, por parte do feitor. Começa a ser assediada por JoaquimAntonio, recebendo até mesmo oferta em dinheiro pela sua virgindade, masresistindo foi violentada sexualmente por ele, machucando seu rosto. Como castigo,foi submetida a usar uma máscara, podendo apenas retirá-la para se alimentar,utilizando-o até morrer9. Que raiva. Eu sinto muita Raiva. Olha! É muita raiva que eu sinto! Eu sinto raiva dessas mães. Eu sinto raiva dessas mães. Eu sinto raiva dessas mães. Não! Elas não são mães.9 A História de Anastácia não tem confirmação de veracidade.
  14. 14. Essas mulheres que abandonam os filhos. Vão pro baile. Só pensam no prazer delas. Depois voltam chorando. Arrependidas. Eu tenho raiva. Muita raiva dessas mães que abortam os filhos com bucha, chá de canela, agulha de tricô, cinta para disfarçar a barriga, em clínicas clandestinas. Jogam em privadas, em rios. Eu tenho raiva dessas mães que têm filhos para ganhar dinheiro da Assistência Social. Eu tenho raiva dessa indústria da miséria, desse assistencialismo, que precisa de pobre. Pobre não pode morrer. Tem que nascer e viver sempre na miséria para ser atendido. Eu tenho raiva desses pais. Que não podem ser chamados de pais. Que colocam filho no mundo e não assumem. Eu tenho raiva de médico que faz a mulher pobre e negra esperar para ter o filho no hospital público e faz ameaça que não vai fazer o parto se ela não pagar. Eu tenho raiva desses professores que dizem que vão corrigir neguinho insolente. Que dizem que negro é sujo, burro, inferior. Eu tenho raiva desses homens brancos. Que olham pra gente como objeto de consumo. Usa e joga fora! Eu tenho raiva das pessoas que usam o projeto de ação afirmativa do negro para se promover. Eu tenho raiva de mulher que abandona os filhos por causa de homem. Eu tenho raiva de ver as prisões cheias de homens negros. Que poderiam estar com suas famílias, trabalhando, cuidando de seus filhos. Eu tenho raiva cada vez que eu vejo uma criança negra com uma mãe adotiva branca. Eu me pergunto: Onde está esta mãe negra? Vai ter outros filhos? Vai doá-los? E se não tivesse a mãe adotiva? E se não tivessem casas para abrigar estas crianças? Eu tenho raiva desses políticos. Que posam com crianças negras nos braços em ano eleitoral. Eu tenho raiva de empresas religiosas que usam a gente para ter verba, E depois a gente, negro, pobre, trabalha na faxina, trabalha no portão. Eu tenho raiva quando me vêem como uma ameaça. A gente não pode ter dinheiro, casa, boa profissão, não pode ter oportunidade, não pode ser igual. A raiva é o sentimento mais corrosivo. Ruim. Quando vem com o medo é destrutiva. Eu sinto ela aqui dentro. O texto acima é uma fala na última parte da montagem cênica do ProjetoPrenhas. Nesse momento a performer expõe a imagem da Anastácia em cima datelevisão e uma fala gravada em fita cassete é apresentada. Concebo que é omomento chave da montagem, pois consegue resumir todos os anseios,observações, vivências, experiências, questionamentos e lutas de Rosa das Dores,quanto do povo negro e da sociedade. Há uma problematização de todas asquestões tratadas no projeto, comungando-os e interligando suas relações na
  15. 15. interferência com a humanidade, ficando evidentes quais as concepções edirecionamentos políticos, culturais e sociais que permeiam o projeto. Não é a busca de apontar os culpados e nem tornar em vítimas as pessoasnegras. A fala procura apontar a lógica social em que vivemos, responsabilizando ahumanidade, independente de sua ação nas relações de poder, etnia e ação política.Além disso, é importante pontuar que é a figura da Anastácia que fala e disseminatodos os pensamentos, com a voz da performer. O que quero dizer é: uma pessoaque faz parte do povo negro, aponta visões sobre suas relações sociais; diz que nãoaceita o aborto e nem o abandono dos filhos pelas mulheres negras; o sistemaempreendido pelas Rodas de Misericórdia. Essa ação consegue quebrar com a lógica representativa da percepção socialétnica que Edith Piza (2003) salienta. Ela aponta que o negro é representado poruma coletividade, portanto, se um negro tem pensamento e ações considerados“imorais” e não condizentes à vida social, é representativo de todo o povo negro; jáum branco representa a si, sua individualidade. Ao expor todas as suas concepçõesno projeto, a performer consegue intervir nessa lógica, mostrando que também entreas pessoas negras há diferenças de pensamentos, ações, práticas “morais” e“éticas”. Por conseguinte, essa parte da montagem expõe todas as “dores” e“mazelas” que acompanham a vida da performer, podemos dizer que é seumomento de “cura”, pois consegue comunicar essas “dores” aos expectadores,questioná-los, instigá-los a refletir sobre todo o contexto apontado na montagemvídeo-cênica. No fim do texto sobre a raiva, Rosa das Dores pontua que a “raiva é osentimento mais corrosivo”. Mas, não foi por meio desse sentimento que ela semobilizou a elaborar e realizar o projeto? Não foi por ele que ela procurou unir forçasa outras pessoas que demonstravam ter os mesmos pensamentos e objetivos queela? Não foi esse sentimento que a fez ter pensamentos e práticas de transformaçãosocial, principalmente em relação à identidade e representação da pessoa negra? Como diz Paulo Freire (1989) os homens conseguem obter uma consciênciasobre a razão dos obstáculos quando suas práticas são barradas, mostrandotambém que nenhuma relação humana com o mundo é neutra, “pura”,conscientizando-se a si mesmo, depois as outras pessoas.
  16. 16. BibliografiaALMEIDA, I. J.de. (2004) Presença negra: a história da caminhada de um povo emLondrina. Londrina.ARAÚJO, J. Z. (2000) A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira. SãoPaulo: Editora Senac.BENTO, M. A. S. (2003) Branqueamento e branquitude no Brasil. In: CARONE, I;BENTO, M.A.S. (Orgs.). Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude ebranqueamento no Brasil. pp.25-57 2 ª ed. Petrópolis: Editora Vozes.CARONE, I. (2003) Breve histórico de uma pesquisa psicossocial sobre a questãoracial brasileira. In: CARONE I; BENTO, M.A. S. (Orgs.). Psicologia social doracismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil pp.13-23. 2ª ed.Petrópolis: Editora Vozes.___; NOGUEIRA, I. B. (2003) Faíscas elétricas na imprensa brasileira: a questãoracial em foco. In: CARONE, I; BENTO, M. A. S. (Orgs.). Psicologia social doracismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil pp.163-180. 2ª ed.Petrópolis: Editora Vozes.CHAUÍ, M. (1982) Conformismo e resistência. São Paulo: Cortez.HALL, S. (2003) Da diáspora: identidades e mediações culturais; Organização LivSovik; Tradução Adelaine La Guardia Resende (et al). Belo Horizonte: EditoraUFMG; Brasília: Representação da UNESCO no Brasil.MARTINS, A. L. (2006) Mortalidade Materna: maior risco para mulheres negras noBrasil. Disponível em: http://www.redesaude.org.br/jornal/html/jr23-alaerte.html,Acesso em 22 de março de 2006.MONTENEGRO, A. T. (2001) História oral e memória: a cultura popular revisitada.3ed. São Paulo: Contexto.PIZA, E. (2003) Porta de vidro: entrada para a branquitude. In: CARONE, I.; BENTO,M.A.S. (Orgs.). Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude ebranqueamento no Brasil. pp.59-90 2ª ed. Petrópolis: Editora Vozes.SANTOS, M. (2003) Por uma outra globalização: do pensamento único àconsciência universal. 10ª ed. Rio de Janeiro: Record.SODRÉ, M. (1999) Claros e escuros: identidade, povo e mídia no Brasil. Petrópolis,RJ: Vozes.WOODWARD, K. (2005) Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual.In: SILVA, T. T.da (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais.p.7-72. 4ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes.

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