A pós modernidade e a forma-sujeito-fluido

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Breve reflexão sobre a forma-sujeito da pós-modernidade, pela óptica da Análise de Discurso, de linha francesa.

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A pós modernidade e a forma-sujeito-fluido

  1. 1. Trabalho apresentado por Ewerton Rezer Gindri à disciplina de Seminário Avançado em Análise deDiscurso, do programa de Mestrado em Linguística, da UNEMAT, sob orientação da Profa. Dra. Olímpia Maluf
  2. 2. SUJEITO Resultado da relação com a linguagem e a história, o sujeito do discurso não é totalmente livre, nem totalmente determinado por mecanismos exteriores. O sujeito é constituído a partir de relação com o outro, nunca sendo fonte única do sentido, tampouco elemento onde se origina o discurso. Como diz Leandro Ferreira (2000) ele estabelece uma relação ativa no interior de uma dada FD; assim como é determinado ele também a afeta e determina em sua prática discursiva. Assim, a incompletude é uma propriedade do sujeito e a afirmação de sua identidade resultará da constante necessidade de completude.
  3. 3. FORMA-SUJEITO É a forma pela qual o sujeito do discurso se identifica com a formação discursiva que o constitui. Esta identificação baseia-se no fato de que os elementos do interdiscurso, ao serem retomados pelo sujeito do discurso, acabam por determiná-lo. Também chamado de sujeito do saber, sujeito universal ou sujeito histórico de uma determinada formação discursiva, a forma- sujeito é responsável pela ilusão de unidade do sujeito.
  4. 4. POSIÇÃO-SUJEITO Resultado da relação que se estabelece entre o sujeito do discurso e a forma-sujeito de uma dada formação discursiva. Uma posição-sujeito não é uma realidade física, mas um objeto imaginário, representando no processo discursivo os lugares ocupados pelos sujeitos na estrutura de uma formação social. Deste modo, não há um sujeito único, mas diversas posições- sujeito, as quais estão relacionadas com determinadas formações discursivas e ideológicas.
  5. 5. História Produção de sentidos que se define por sua relação com a linguagem. A história organiza-se a partir das relações com o poder e está ligada não à cronologia, mas às práticas sociais. Para a AD, todo o fato ou acontecimento histórico significa, precisa ser interpretado, e é pelo discurso que a história deixa de ser apenas evolução.
  6. 6. Historicidade Modo como a história se inscreve no discurso, sendo a historicidade entendida como a relação constitutiva entre linguagem e história. Para o analista do discurso, não interessa o rastreamento de dados históricos em um texto, mas a compreensão de como os sentidos são produzidos. A esse trabalho dos sentidos no texto e à inscrição da história na linguagem é que se dá o nome de historicidade.
  7. 7. ―De modo que poderíamos caracterizar a ADcomo a tentativa de aproximar, por meio deprocedimentos algorítmicos, alguma coisaque faça funcionar a inteligência de umhistoriador de arquivo [...] O historiador [...]não tem contato, geralmente, cominformações puramente factuais, [...] mas simcom enunciados no mínimo parcialmenteopacos ou ambíguos...‖ (Pêcheux & Léon)
  8. 8. ―Cada época social tem sua concepção davida que surge da ciência e da filosofiadominantes em dada sociedade e querepresentam os interesses e pontos de vistadas classes dominantes. Assim, a concepçãoda vida na antiguidade era diferente do quena época da escravidão; a concepçãoburguesa é diversa da feudal e do mesmomodo a concepção proletária já se distingueradicalmente da burguesa.‖ (L. A. Tckeskiss)
  9. 9. ―À pergunta: qual é o objeto domaterialismo histórico, devemos responderque o materialismo histórico estuda osfenômenos sociais e a história. À segundapergunta: como ele as estuda, a resposta é:do ponto de vista marxista. O materialismo,que antes era somente uma escola filosófica,torna-se, além disso, uma filosofia dahistória.‖ (L. A. Tckeskiss)
  10. 10. ―De fato, cada fenômeno social tem de estarligado aos esforços que forjam a sociedade,isto é, aos homens e os fenômenos sociaisdevem, portanto ser o resultado da atividadehumana, que, como tal está relacionado coma consciência humana. O fenômeno torna-seentão psicológico.‖ (L. A. Tckeskiss)
  11. 11. ―Desde que tratamos de atos humanos, há de haver neles sempre algum sentido social.‖ (L. A. Tckeskiss)
  12. 12. ―Mas cada fenômeno social pode ter também, em certos casos um sentido histórico.‖ (L. A. Tckeskiss)
  13. 13. ―Assim, desde que um fenômeno socialexerce grande influência sobre oagrupamento de outros fenômenos sociais,provoca novos fenômenos que trazem certamodificação à vida social, e torna-se destemodo, ao mesmo tempo, um acontecimentohistórico.‖ (L. A. Tckeskiss)
  14. 14. ―Além dos fenômenos individuais comsentido social e histórico, existem igualmentefenômenos sociais de caráter coletivo, quetambém constituem acontecimentoshistóricos.‖ (L. A. Tckeskiss)
  15. 15. ―...a história, tal como era escrita antes eainda como está sendo escrita até agora,pode ser objeto de investigação científica?‖ (L. A. Tckeskiss)
  16. 16. 1. História baseada em lendas e contos populares;2. História transformada em biografias de grandes personalidades. Não servem para a ciência.
  17. 17. ―O homem supõe que a revelação de sua própriavontade é um ato livre, que não está sujeito a leialguma, e isso ocasiona grande dificuldade aoestudo científico do fenômeno.‖ ―Os fenômenos sociais, conquantodesarticulados, não deixam de ser fenômenoscomplexos, ligados a muitos momentosestranhos...‖
  18. 18. ―Digamos, para resumir, que a história, em suaforma tradicional, se dispunha a ―memorizar‖ osmonumentos do passado, transformá-los emdocumentos e fazer falarem estes rastros que,por si mesmos, raramente são verbais, ou quedizem em silêncio coisa diversa do que dizem;em nossos dias, a história é o que transforma osdocumentos em monumentos e que desdobra,onde se decifravam rastros deixados peloshomens, onde se tentava reconhecer emprofundidade o que tinham sido, uma massa deelementos que devem ser isolados, agrupados,tornados pertinentes, inter-relacionados,organizados em conjuntos.‖
  19. 19. ―Havia um tempo em que a arqueologia,como disciplina dos monumentos mudos, dosrastros inertes, dos objetos sem contexto edas coisas deixadas pelo passado, se voltavapara a história e só tomava sentido pelorestabelecimento de um discurso histórico;poderíamos dizer, jogando um pouco com aspalavras, que a história, em nossos dias, sevolta para a arqueologia – para a descriçãointrínseca do monumento.‖ (Foucault, 2009, p.8)
  20. 20. 1. A multiplicação das rupturas na história das ideias;2. A noção de descontinuidade toma um lugar importante nas disciplinas históricas;3. O tema e a possibilidade de uma história global começam a se apagar;4. A história nova encontra um certo número de problemas metodológicos. 1. Constituição de um corpus coerente; 2. A definição do nível de análise e elementos; 3. Especificação de um método de análise; 4. Delimitação dos conjuntos e dos subconjuntos que articulam o material estudado.
  21. 21. ―A atividade de cada indivíduo está sempreligada a de outros e a toda a sociedade. Eesta atividade é que forma a vida social.‖ (L. A. Tckeskiss)
  22. 22.  Onde está a causa das mudanças e transformações sociais? Como se pode e se deve modificar a sociedade?Respostas: 1. Voltar ao estado primitivo; 2. Pela educação.
  23. 23. ―Investigando a ideia absoluta e suaevolução, descobriu Hegel, que aoanalisarmos bem um conceito notamos queeste conceito guarda em si o princípio de suanegação – sua contradição –, e assim esseconceito se desenvolve passando ao seuoposto. [...] A grande tarefa, de fazerpenetrar no materialismo, o espírito dialéticode Hegel e estendê-lo também à história dahumanidade e à vida social, somente apuderam realizar Marx e Engels.‖ (L. A. Tckeskiss)
  24. 24. Tomando-se por base o conceito de Franklinde que ―o homem é um ser que faz e usainstrumentos‖, Tckeskiss afirma que: ―A totalidade dos instrumentos que ohomem cria no processo de sua adaptação ànatureza é chamada técnica. A técnica podetambém ser chamada de meio artificial. Ohomem se adapta ao meio natural criando ummeio artificial. No meio artificial estácorporificada a matéria da vida social.‖ (L. A. Tckeskiss)
  25. 25. De onde surgem as novas necessidades equalidades, qual a causa? ―A causa, por conseguinte, só pode serencontrada no meio artificial, que crescevertiginosamente. A causa dodesenvolvimento humano, deve pois, estar naadaptação do homem ao meio natural, naatividade indireta do homem que é otrabalho, na criação de instrumentos que é atécnica, no meio artificial que cresce e seexpande sem limites.‖ (L. A. Tckeskiss)
  26. 26. ―... a técnica se desenvolve pela divisão dotrabalho e paralelamente ao desenvolvimentoda ciência. Porém, esses dois momentos,quer a divisão do trabalho, quer a ciência,somente podem existir e se desenvolver nasociedade; por sua vez uma vida social sem odesenvolvimento da técnica é impossível. [...]Na base da técnica, nascem certas relaçõesde produção, que por sua vez provocamvárias, multiformes e complexas relaçõessociais.‖ (L. A. Tckeskiss)
  27. 27. ―Eu me proponho a refletir a respeito daforma pela qual o ―socialismo existente‖inscreve sua relação na história dodesenvolvimento do capitalismo.‖ (Pêcheux, 2011, p.107)
  28. 28. ―Uma série de divisões nas formas político-jurídicas [...] e nas formas ideológicas dasubmissão dos indivíduos, corresponde aessa divisão estrutural no interior da históriada FPC – entre um percurso dedesenvolvimento por meio da luta contra oabsolutismo autoritário e um percurso de umdesenvolvimento por meio da fusão com esseabsolutismo.‖ (Pêcheux, 2011, p.108)
  29. 29. ―O ―socialismo existente‖ não é independentede um mundo simétrico do capitalismo, mas,sim, é uma sequência de incrustações, quesurgiram uma após a outra no interior de seudesenvolvimento geral.‖ (Pêcheux, 2011, p.111)
  30. 30. ―Pós-modernismo é o nome aplicado às mudançasocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedadesavançadas desde 1950, quando, por convenção, seencerra o modernismo (1900-1950). Ele nasce com aarquitetura e a computação nos anos 50. Toma corpocom a arte Pop nos anos 60. Cresce ao entrar pelafilosofia, durante os anos 70, como crítica da culturaocidental. E amadurece hoje, alastrando-se na moda,no cinema, na música e no cotidiano programadopela tecnociência (ciência + tecnologia invadindo ocotidiano com desde alimentos processados atémicrocomputadores), sem que ninguém saiba se édecadência ou renascimento cultural.‖ (O que é pós-moderno, Jair Ferreira dos Santos, Ed. Brasiliense, 1987)
  31. 31.  ―A vida líquida e a modernidade líquida estão intimamente ligadas.‖ ―A vida líquida é uma forma de vida que tende a ser levada adiante numa sociedade líquido-moderna.‖ ―Líquido-moderna é uma sociedade em que as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que aquele necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir.‖ ―A liquidez da vida e a da sociedade se alimentam e se revigoram mutuamente.‖
  32. 32. ―Partindo do pressuposto de que todaprática discursiva está inscrita no complexocontraditório-desigual-sobredeterminadodas formações discursivas que caracteriza ainstância ideológica em condições históricasdadas (Pêcheux, 1975, p.213) [...] Pêcheuxrelaciona a forma-sujeito com o sujeito dosaber de uma determinada FormaçãoDiscursiva.‖ (Grigoletto, 2005, p.62)
  33. 33. ―A história da produção dos conhecimentosnão está acima ou separada da história daluta de classes [...] por isso, segundoPêcheux, toda ruptura epistemológica exibe epõe em discussão os efeitos da forma-sujeito.‖ (Pêcheux, 1975, p.190)
  34. 34. Então, para Pêcheux o ―efeito dedesidentificação se realiza paradoxalmentepor um processo subjetivo de apropriaçãodos conceitos científicos e de identificaçãocom as organizações políticas de ―tipo novo‖‖ (Pêcheux, 1975, p.217)
  35. 35. ―[...] é na forma-sujeito do discurso, na qualcoexistem, indissociavelmente, interpelação,identificação e produção de sentido, que serealiza o non-sens da produção do sujeitocomo causa de si sob a forma da evidênciaprimeira, isto é, de que ―eu sou realmenteeu‖‖ (Pêcheux, 1975, p.266)
  36. 36. Segundo ele o movimento dedesidentificação ―[...] se efetua,paradoxalmente, no sujeito, por um processosubjetivo de apropriação dos conceitoscientíficos (...) processo no qual ainterpelação ideológica continua a funcionar,mas, por assim dizer, contra si mesma‖. (Pêcheux, 1975, p.270)
  37. 37. ―Então, o próprio movimento dedesidentificação já supõe a determinação dosujeito por outra FD que o domina, na qualcontinuam a ressoar os saberes anteriores,ainda que pelo viés do esquecimento, dorecalque.‖ (Grigoletto, 2005, p.65)
  38. 38. ―Se há ruptura da FD, não há também ruptura da forma-sujeito? E ruptura significa apagamento de determinados saberes?‖
  39. 39. ―O sujeito do Iluminismo estava baseadonuma concepção da pessoa humana comoum indivíduo totalmente centrado, unificado,dotado das capacidades da razão, deconsciência e de ação...‖ (Hall, p.10)
  40. 40. De acordo com essa visão a identidade éformada na interação entre o eu e asociedade, através de pessoas que mediavamos valores.
  41. 41. ―A identidade torna-se uma celebraçãomóvel: formada e transformadacontinuamente em relação às formas pelasquais somos representados e interpeladosnos sistemas culturais que nos rodeiam.‖ (Hall, p.13)
  42. 42. 1. Podemos falar de uma forma-sujeito-de- mercado, ou seria mais adequado falarmos de uma forma-sujeito-fluido?2. A fluidez, ou liquidez, segundo Bauman, origina-se no mercado ou este a herda da sociedade?
  43. 43.  BAUMAN, Zygmund. Vida líquida / Zygmund Bauman; tradução Carlos AlbertoMedeiros. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 7ª ed. RJ: Forense Universitária, 2009. GRIGOLETTO, Evandra. A noção de sujeito em Pêcheux: uma reflexão acerca do movimento de desidentificação. Estudos da Língua(gem), nº 1, junho/2005. HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tomás Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro. 6. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. O Materialismo Histórico em 14 Lições — L. A.Tckeskiss PÊCHEUX, Michel. Análise de Discurso: Michel Pêcheux Textos selecionados: Eni P. Orlandi – 2ª Ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2011. SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é pós-moderno. Ed. Brasiliense, 1987

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