Como ler no doutorado

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Dicas de como fazer uma leitura crítica.

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Como ler no doutorado

  1. 1. COMO LER NO DOUTORADO – Evany Nascimento COMO LER NO DOUTORADO Anotações para uma leitura crítica – ensaios de análise do discurso. (texto em construção) 1. O que ler? Esse é o primeiro passo, a lista ou seleção prévia do que se pretende ler. Seleção feita a partir do autor, título do livro/artigo, pelo tema abordado, pelas (co)relações possíveis com a pesquisa. 2. Por que ler? Um segundo passo seria um olhar mais cuidadoso sobre o tema de cada livro/artigo que foi selecionado. Em que momento da pesquisa ele se encaixa. E se perguntar antes, durante e depois da leitura: Por que estou lendo? Por que eu li isso? 3. O que o autor está dizendo? Seria o fichamento propriamente dito, o destaque de pontos-chave do texto. 4. Qual o argumento principal? Após a leitura com anotações (fichamento) é possível identificar o argumento principal do autor. O que ele está dizendo? Que ideia ele defende e como defende? Que caminhos escolheu para dizer? É interessante tentar sintetizar em um parágrafo esse argumento e a partir das análises seguintes confirmar ou não. 5. Por que ele está dizendo? Talvez seja complicado a princípio, responder a essa questão mas, é uma pergunta interessante a ser feita durante toda a leitura. Por que o autor escreve sobre isso? Por que defende essas ideias? 6. De onde ele está dizendo? Aqui pode-se pensar a formação do autor, para começar a desenhar o caminho das suas ideias. Quem ele é? Qual sua formação? Onde estudou? Com quem manteve estreitas relações? De que ângulo (ponto de vista histórico-crítico-filosófico) ele está falando? Ou de que lugar (condição social, intelectual)? A que grupo ele pertence? 7. Ele concorda com quem? Que outros teóricos o autor cita no texto? Que outros teóricos apresentam ideias semelhantes às abordadas pelo autor, ainda que ele não cite? 8. Ele se opõe a quem? O autor apresenta de forma clara seus opositores? Que outros teóricos apresentam ideias contrárias a ele? 9. Para quem ele está falando? O texto dirige-se a um público específico? Qual? 10. Quem ganha com as ideias dele? As ideias apresentadas contribuem ou quebram o sistema vigente? Quem estaria sendo beneficiado com esse pensamento? 11. Que leituras (interpretações) podem ser feitas? Como essas ideias podem ser interpretadas? A leitura unilateral pode ser um risco, por isso a
  2. 2. COMO LER NO DOUTORADO – Evany Nascimento necessidade das perguntas sempre. É bom duvidar quando pensamos que estamos entendendo tudo. 12. Quem está lendo? O leitor conduz a interpretação do que lê a partir da sua experiência anterior, da sua formação, de como foi preparado para ler o mundo. Um engenheiro não vai ter a mesma leitura de um antropólogo, etc. Diante disso, é interessante se auto-avaliar. Pensar formação, laços sociais, culturais e ideológicos. 13. Onde o autor quer chegar? Trata-se de uma questão talvez complexa, se o autor não expõe claramente sua hipótese ou desenvolve seu argumento de forma a confirmar ou refutar a hipótese. Mas, trata-se de outra pergunta a ser feita durante a leitura: onde ele quer chegar? O que quer provar? 14. Onde o leitor quer chegar? Os objetivos do leitor são importantes e estão à frente da leitura (começamos a ler o texto por algum motivo). Até que ponto aquela leitura vai contribuir com a pesquisa? Em que sentido, em que parte a leitura contribui? Quais as intensões do leitor com a leitura? O que o leitor quer provar, confirmar, com a leitura? 15. Quando foi escrito? É importante identificar o ano em que foi escrito o texto, o que nem sempre corresponde ao período de publicação do livro/revista. Às vezes o livro é uma coletânea de artigos de períodos distintos. Identificar quando foi escrito ajuda a entender o que o autor está dizendo. 16. Quando está sendo lido? Em que ano/momento histórico está sendo lido? Qual a diferença de tempo e mentalidade? É preciso tomar cuidado se são tempos muito distintos, porque os significados dos termos e expressões podem sofrer variação. Conceitos são revistos e contextos são ressignificados. 17. Que correntes teóricas estavam vigentes quando o texto foi escrito? O autor nunca escreve sozinho, se consideramos que suas ideias são também fruto de uma época, de uma linha de pensamento. Identificar as correntes teóricas ajuda a entender as afirmações e negações do autor, e onde ele está indo buscar essas referências. 18. Que correntes teóricos estão vigentes no momento da leitura? No momento da leitura, o mundo pode estar sendo regido por outros pensamentos e paradigmas. É importante identificar isso porque interfere diretamente no tipo de leitura que está sendo feita e mais, pode indicar o porquê do texto está em alta ou não, naquele momento. 19. Que expressões são recorrentes no texto? As expressões podem ajudar a identificar a essência ou linha de pensamento do autor, que correntes teóricas ele está usando, que associações faz e onde quer chegar. Se o autor usa clichês e de onde ele vai buscar as espressões e conceitos. 20. O texto está na língua original ou é uma tradução? Isso pode ser importante porque um erro de tradução, pode acarretar uma interpretação errada do que o autor quis dizer.
  3. 3. COMO LER NO DOUTORADO – Evany Nascimento 21. O texto foi organizado pelo autor ou é uma compilação póstuma? Isso é importante quando se pensa na organização de um livro com textos que, originariamente não foram pensados como livro. Se a ordem dos textos não foi dada pelo autor logo, as conclusões podem sofrer interferência de quem organizou e está direcionando a leitura. Outra pergunta a ser feita: Por que foi publicado posteriormente? 22. Em que momento da sua produção o autor escreveu o texto? Isso é interessante para se pensar se suas ideias estavam numa construção inicial ou se já estavam mais sedimentadas. Se ele deu continuidade a esse raciocínio em outras obras ou se mudou sua linha de pensamento. Estas observações foram construídas a partir das aulas do primeiro ano do doutorado em Design PUC-Rio, por conta da carga de leituras e pela qualidade de leitura exigida. São pontos levantados a partir das deficiências e necessidades de análise e a partir da leitura dos seguintes autores: José Reginaldo dos Santos Gonçalves – A Retórica da Perda: os discursos do patrimônio cultural no Brasil. Rio de Janeiro: Editora UFRJ;IPHAN, 1996. João Ubaldo Ribeiro – Política: quem manda, por que manda, como manda. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. Quentin Skinner – Significado y comprensión en la historia de las ideas. http://saavedrafajardo.um.es/WEB/archivos/Prismas/04/Prismas04-10.pdf Trata-se de um texto em construção porque as necessidades e dificuldades vão sendo descobertas ao longo do caminho. Também não se trata de um manual porque cada um vai desenvolvendo sua metodologia de acordo com sua pesquisa, no entanto, pode ajudar a pensar a leitura para além da decodificação e do texto propriamente dito. Boa leitura, a quem se aventurar! Evany Nascimento evanynascimento@oi.com.br 17 de novembro de 2010.

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