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                           O RAPAZ DE BRONZE


         de Sophia de Mello Breyner Andresen




Trabalho realizado por:
                                                                     Junho de 
2010


                      O RAPAZ DE BRONZE
          Sophia de Mello Breyner Andresen


                               RESUMO


      1. As Flores


      Era uma vez um jardim maravilhoso, onde havia árvores muito grandes
e altas, mas também roseirais, buxo, camélias, pomares, pinheiros, trigo,
papoilas, urzes, fetos... Também existia uma estufa com plantas
extraordinárias.
      Num dos jardins de buxo havia um canteiro de gladíolos, flores muito
mundanas e vaidosas, que se achavam superiores a quase todas as outras.
Desprezavam, por exemplo, as plantas selvagens, mas tinham grande
admiração pelas flores estrangeiras da estufa, como as orquídeas e as
begónias. Contudo as flores que os gladíolos mais admiravam eram as
túlipas, porque são flores caras, raras e muito bem vestidas e porque
descendem em linha recta das túlipas holandesas do Príncipe de Orange! Mas
havia uma flor que os gladíolos detestavam: a flor do muguet. Eles
consideravam-na uma flor exibicionista que fingia esconder-se por entre as
folhas, mas espalhava o seu perfume por todo o enorme jardim...




      2. O gladíolo


      Um dia, naquele jardim, nasceu um gladíolo ainda mais mundano do
que os outros, que se achava muito bonito e que invejava os outros gladíolos
que tinham sido colhidos para uma festa. Depois de conversar com as outras
flores percebeu que os gladíolos estavam na moda e que eram muitas vezes
colhidos para irem a festas, o que o deixou muito contente.
         No entanto, daí a dias, o Gladíolo teve um grande desgosto: a dona da
casa disse que já estava farta de gladíolos e que não queria que o jardineiro
colhesse mais gladíolos.
         Apesar de estar muito triste e para se consolar, o Gladíolo, à noite, foi
visitar as suas amigas Orquídea e Begónia de quem já se tinha despedido,
pois pensava que iria ser colhido no dia seguinte. Justificou a decisão da dona
da casa dizendo que os gladíolos faziam muito falta no jardim e, por isso, não
seriam mais colhidos.
         Quando regressava da estufa, resolveu espreitar a casa, onde estava a
haver uma festa. Com a ajuda do Carvalho, o Gladíolo conseguiu ver o que se
passava lá dentro: havia homens todos vestidos de preto, senhoras todas
vestidas de sedas claras, com brincos e colares, que se riam, conversavam e
dançavam. O Gladíolo ficou espantado com tanto luxo, elegância e riqueza...
O Carvalho ia-lhe explicando quem eram as pessoas, comparando-as com as
flores que eles conheciam.
         Quando todas as pessoas saíram e a música se calou, o Gladíolo teve
uma ideia:
         - Vou dar uma festa! Uma festa de flores igual às festas das pessoas.
Vou dar uma festa à noite aqui no jardim.
         Então, começou por ir pedir autorização ao Rapaz de Bronze, que vivia
no centro de uma ilha que fica no centro do lago, no meio do jardim, entre o
roseiral e o parque. Durante o dia, o Rapaz de Bronze era uma estátua e não
se podia mexer, mas de noite, ele falava, caminhava, dançava e era o senhor
do jardim e o rei da noite.
         Depois de algum esforço e porque se mostrou muito desgostoso por
nunca ter ido a nenhuma festa, o Gladíolo conseguiu convencer o Rapaz de
Bronze a deixá-lo organizar a festa que ficou marcada para daí a dois dias, à
noite.
De seguida, foi à estufa contar a novidade às suas amigas Orquídea e
Begónia que ficaram muito entusiasmadas com a ideia e, de imediato,
escolheram a Comissão Organizadora da festa. A Comissão era constituída
pelo Gladíolo, pela Orquídea, pela Begónia, pela Túlipa, pelo Cravo e pela
Rosa. Marcaram uma reunião desta Comissão para a noite seguinte.




      3. Florinda


      Na manhã seguinte, o Gladíolo pediu a três borboletas que levassem à
Túlipa, ao Cravo e à Rosa a notícia de que ia haver uma festa e que, como
pertenciam à Comissão Organizadora, deveriam ir nessa noite ao jardim do
Rapaz de Bronze. As borboletas foram espalhando a notícia por todo o jardim
e, por isso, todos comentavam a realização da festa.
      Mal apareceu a noite, o Gladíolo pôs-se a caminho e foi o primeiro a
chegar ao jardim do Rapaz de Bronze. Depois chegaram o Cravo e a Rosa e
logo a seguir a Orquídea e a Begónia. A Túlipa chegou atrasada.
      Começaram a reunião discutindo quem seria convidado, mas por
imposição do Rapaz de Bronze, com a concordância do cravo e da rosa,
combinaram convidar todas as flores do jardim.
      De seguida pensaram no local onde se deveria realizar a festa e, por
sugestão do Cravo, acordaram que seria na Clareira dos Plátanos, um lugar
maravilhoso com um pequeno lago oval e um caramanchão romântico. À
sombra dos plátanos estavam bancos velhos de pedra cobertos de musgo e
no meio da clareira havia uma jarra velha de pedra que estava vazia, pois as
plantas tinham secado e o jardineiro tinha tirado a terra.
      O terceiro assunto a discutir foi a orquestra, mas rapidamente
decidiram que o melhor seria cantarem todos: rãs, cucos, pica-paus,
rouxinóis, melros, moscardos e sapos-tambores.
      Quanto à ornamentação da clareira, combinaram pôr uma fileira de
pirilampos à roda do lago e colocar uma pessoa na jarra de pedra. Mas não
podia ser uma pessoa qualquer, tinha que ser uma pessoa que fosse como
uma flor. O Rapaz de Bronze propôs que se escolhesse a filha do jardineiro, a
Florinda, pois tinha cabelos loiros como o girassol, os olhos azuis como duas
violetas, as mãos brancas e finas como as camélias, a pele fresca e macia
como uma rosa e a boca vermelha como um cravo. Todos concordaram e,
como estava tudo combinado, as flores foram-se embora.




      4. A festa


      No dia seguinte, quando já era noite escura, um rouxinol acordou
Florinda com o seu canto e convidou-a para uma festa maravilhosa. Foram os
dois pelo jardim, mas Florinda começou a ter medo das sombras das árvores.
Então, o Rapaz de Bronze, que entretanto tinha chegado, disse-lhe para não
ter medo, pois ele tomaria conta dela. Depois explicou-lhe que durante a
noite tudo se transformava e as coisas e as flores ganhavam vida.
      Chegados à festa, o Rapaz de Bronze colocou Florinda na jarra de
pedra. Então, a um sinal do Rapaz de Bronze, iniciou a festa: a orquestra
começou a tocar, as flores a dançar e tudo era muito lindo e maravilhoso.
Florinda estava a adorar.
      Entretanto, o Gladíolo estava preocupado porque a Túlipa ainda não
tinha chegado. No fim da terceira dança a Túlipa, enfim, chegou, mas
recusou-se a dançar com todos os que a convidavam. Mantinha-se sentada
na beira do lago a ver o seu reflexo na água, enquanto o Gladíolo lhe fazia
companhia.
      Florinda estava admirada com tudo o que via e o Rapaz de Bronze
ensinou-lhe um grande segredo: quando se vê alguma coisa, mesmo que
todos digam que não é verdade, deve-se acreditar.
      A Túlipa, que continuava a olhar para o seu reflexo doirado no lago,
viu aproximar-se um reflexo branco acompanhado por um perfume
extraordinário. Era o Nardo. Este convidou-a para dançar e ela aceitou para
grande espanto e desgosto do Gladíolo. Ao fim de três danças, o Nardo sentiu
um perfume maravilhoso e, abandonando a Túlipa, foi atrás da Flor do
Muguet. Com ela foi para a beira do lago e conversaram sobre aquele
perfume encantador que ele pensava ser o perfume da Primavera.
      De repente uma voz alta, clara e direita atravessou o parque. As flores
pararam de dançar, ficaram imóveis e suspensas. O Rapaz de Bronze
esclareceu que aquela voz era o galo a anunciar o nascer o dia. Por isso
todas as flores correram para os seus canteiros e a clareira ficou vazia.
      Então, Florinda adormeceu. O Rapaz de Bronze pegou nela ao colo,
com muito cuidado, e foi deitá-la na sua cama em casa do jardineiro. Depois,
voltou para o seu lugar na ilha no meio do lago redondo e, quando o sol
nasceu, transformou-se em estátua.
      Nessa manhã, Florinda dormiu até mais tarde. Quando foi para a
escola começou a lembrar-se do que tinha acontecido e, no recreio, contou
tudo às amigas. Mas estas disseram-lhe que tudo aquilo não passava de um
sonho e gozaram com ela. Então Florinda achou que talvez elas tivessem
razão. Voltou ao jardim, mas tudo estava imóvel e calado. Concluiu que não
tinha acontecido nada. Ela só tinha sonhado...
      Passado muitos anos, Florinda teve de atravessar o jardim durante
uma noite de Maio. Quando entrou no parque, lembrou-se da festa das
flores. Caminhando ao acaso chegou ao jardim do Rapaz de Bronze. Florinda
parou. Então, o Rapaz de Bronze esticou-lhe a mão e disse:
      - Florinda, lembras-te de mim?
      E Florinda percebeu que tudo o que ela pensava ser um sonho afinal
era realidade.
      E soube que as coisas extraordinárias e as coisas fantásticas também
são verdadeiras. Porque há um país que é a noite e um país que é o dia.
      E, de mãos dadas com o Rapaz de Bronze, passearam os dois pelo
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O rapaz de bronze

  • 1. Escola EB 2,3 Francisco Torrinha PORTUGUÊS Resumo do livro O RAPAZ DE BRONZE de Sophia de Mello Breyner Andresen Trabalho realizado por:                                                                    Junho de 
  • 2. 2010 O RAPAZ DE BRONZE Sophia de Mello Breyner Andresen RESUMO 1. As Flores Era uma vez um jardim maravilhoso, onde havia árvores muito grandes e altas, mas também roseirais, buxo, camélias, pomares, pinheiros, trigo, papoilas, urzes, fetos... Também existia uma estufa com plantas extraordinárias. Num dos jardins de buxo havia um canteiro de gladíolos, flores muito mundanas e vaidosas, que se achavam superiores a quase todas as outras. Desprezavam, por exemplo, as plantas selvagens, mas tinham grande admiração pelas flores estrangeiras da estufa, como as orquídeas e as begónias. Contudo as flores que os gladíolos mais admiravam eram as túlipas, porque são flores caras, raras e muito bem vestidas e porque descendem em linha recta das túlipas holandesas do Príncipe de Orange! Mas havia uma flor que os gladíolos detestavam: a flor do muguet. Eles consideravam-na uma flor exibicionista que fingia esconder-se por entre as folhas, mas espalhava o seu perfume por todo o enorme jardim... 2. O gladíolo Um dia, naquele jardim, nasceu um gladíolo ainda mais mundano do
  • 3. que os outros, que se achava muito bonito e que invejava os outros gladíolos que tinham sido colhidos para uma festa. Depois de conversar com as outras flores percebeu que os gladíolos estavam na moda e que eram muitas vezes colhidos para irem a festas, o que o deixou muito contente. No entanto, daí a dias, o Gladíolo teve um grande desgosto: a dona da casa disse que já estava farta de gladíolos e que não queria que o jardineiro colhesse mais gladíolos. Apesar de estar muito triste e para se consolar, o Gladíolo, à noite, foi visitar as suas amigas Orquídea e Begónia de quem já se tinha despedido, pois pensava que iria ser colhido no dia seguinte. Justificou a decisão da dona da casa dizendo que os gladíolos faziam muito falta no jardim e, por isso, não seriam mais colhidos. Quando regressava da estufa, resolveu espreitar a casa, onde estava a haver uma festa. Com a ajuda do Carvalho, o Gladíolo conseguiu ver o que se passava lá dentro: havia homens todos vestidos de preto, senhoras todas vestidas de sedas claras, com brincos e colares, que se riam, conversavam e dançavam. O Gladíolo ficou espantado com tanto luxo, elegância e riqueza... O Carvalho ia-lhe explicando quem eram as pessoas, comparando-as com as flores que eles conheciam. Quando todas as pessoas saíram e a música se calou, o Gladíolo teve uma ideia: - Vou dar uma festa! Uma festa de flores igual às festas das pessoas. Vou dar uma festa à noite aqui no jardim. Então, começou por ir pedir autorização ao Rapaz de Bronze, que vivia no centro de uma ilha que fica no centro do lago, no meio do jardim, entre o roseiral e o parque. Durante o dia, o Rapaz de Bronze era uma estátua e não se podia mexer, mas de noite, ele falava, caminhava, dançava e era o senhor do jardim e o rei da noite. Depois de algum esforço e porque se mostrou muito desgostoso por nunca ter ido a nenhuma festa, o Gladíolo conseguiu convencer o Rapaz de Bronze a deixá-lo organizar a festa que ficou marcada para daí a dois dias, à noite.
  • 4. De seguida, foi à estufa contar a novidade às suas amigas Orquídea e Begónia que ficaram muito entusiasmadas com a ideia e, de imediato, escolheram a Comissão Organizadora da festa. A Comissão era constituída pelo Gladíolo, pela Orquídea, pela Begónia, pela Túlipa, pelo Cravo e pela Rosa. Marcaram uma reunião desta Comissão para a noite seguinte. 3. Florinda Na manhã seguinte, o Gladíolo pediu a três borboletas que levassem à Túlipa, ao Cravo e à Rosa a notícia de que ia haver uma festa e que, como pertenciam à Comissão Organizadora, deveriam ir nessa noite ao jardim do Rapaz de Bronze. As borboletas foram espalhando a notícia por todo o jardim e, por isso, todos comentavam a realização da festa. Mal apareceu a noite, o Gladíolo pôs-se a caminho e foi o primeiro a chegar ao jardim do Rapaz de Bronze. Depois chegaram o Cravo e a Rosa e logo a seguir a Orquídea e a Begónia. A Túlipa chegou atrasada. Começaram a reunião discutindo quem seria convidado, mas por imposição do Rapaz de Bronze, com a concordância do cravo e da rosa, combinaram convidar todas as flores do jardim. De seguida pensaram no local onde se deveria realizar a festa e, por sugestão do Cravo, acordaram que seria na Clareira dos Plátanos, um lugar maravilhoso com um pequeno lago oval e um caramanchão romântico. À sombra dos plátanos estavam bancos velhos de pedra cobertos de musgo e no meio da clareira havia uma jarra velha de pedra que estava vazia, pois as plantas tinham secado e o jardineiro tinha tirado a terra. O terceiro assunto a discutir foi a orquestra, mas rapidamente decidiram que o melhor seria cantarem todos: rãs, cucos, pica-paus, rouxinóis, melros, moscardos e sapos-tambores. Quanto à ornamentação da clareira, combinaram pôr uma fileira de pirilampos à roda do lago e colocar uma pessoa na jarra de pedra. Mas não podia ser uma pessoa qualquer, tinha que ser uma pessoa que fosse como
  • 5. uma flor. O Rapaz de Bronze propôs que se escolhesse a filha do jardineiro, a Florinda, pois tinha cabelos loiros como o girassol, os olhos azuis como duas violetas, as mãos brancas e finas como as camélias, a pele fresca e macia como uma rosa e a boca vermelha como um cravo. Todos concordaram e, como estava tudo combinado, as flores foram-se embora. 4. A festa No dia seguinte, quando já era noite escura, um rouxinol acordou Florinda com o seu canto e convidou-a para uma festa maravilhosa. Foram os dois pelo jardim, mas Florinda começou a ter medo das sombras das árvores. Então, o Rapaz de Bronze, que entretanto tinha chegado, disse-lhe para não ter medo, pois ele tomaria conta dela. Depois explicou-lhe que durante a noite tudo se transformava e as coisas e as flores ganhavam vida. Chegados à festa, o Rapaz de Bronze colocou Florinda na jarra de pedra. Então, a um sinal do Rapaz de Bronze, iniciou a festa: a orquestra começou a tocar, as flores a dançar e tudo era muito lindo e maravilhoso. Florinda estava a adorar. Entretanto, o Gladíolo estava preocupado porque a Túlipa ainda não tinha chegado. No fim da terceira dança a Túlipa, enfim, chegou, mas recusou-se a dançar com todos os que a convidavam. Mantinha-se sentada na beira do lago a ver o seu reflexo na água, enquanto o Gladíolo lhe fazia companhia. Florinda estava admirada com tudo o que via e o Rapaz de Bronze ensinou-lhe um grande segredo: quando se vê alguma coisa, mesmo que todos digam que não é verdade, deve-se acreditar. A Túlipa, que continuava a olhar para o seu reflexo doirado no lago, viu aproximar-se um reflexo branco acompanhado por um perfume extraordinário. Era o Nardo. Este convidou-a para dançar e ela aceitou para grande espanto e desgosto do Gladíolo. Ao fim de três danças, o Nardo sentiu um perfume maravilhoso e, abandonando a Túlipa, foi atrás da Flor do
  • 6. Muguet. Com ela foi para a beira do lago e conversaram sobre aquele perfume encantador que ele pensava ser o perfume da Primavera. De repente uma voz alta, clara e direita atravessou o parque. As flores pararam de dançar, ficaram imóveis e suspensas. O Rapaz de Bronze esclareceu que aquela voz era o galo a anunciar o nascer o dia. Por isso todas as flores correram para os seus canteiros e a clareira ficou vazia. Então, Florinda adormeceu. O Rapaz de Bronze pegou nela ao colo, com muito cuidado, e foi deitá-la na sua cama em casa do jardineiro. Depois, voltou para o seu lugar na ilha no meio do lago redondo e, quando o sol nasceu, transformou-se em estátua. Nessa manhã, Florinda dormiu até mais tarde. Quando foi para a escola começou a lembrar-se do que tinha acontecido e, no recreio, contou tudo às amigas. Mas estas disseram-lhe que tudo aquilo não passava de um sonho e gozaram com ela. Então Florinda achou que talvez elas tivessem razão. Voltou ao jardim, mas tudo estava imóvel e calado. Concluiu que não tinha acontecido nada. Ela só tinha sonhado... Passado muitos anos, Florinda teve de atravessar o jardim durante uma noite de Maio. Quando entrou no parque, lembrou-se da festa das flores. Caminhando ao acaso chegou ao jardim do Rapaz de Bronze. Florinda parou. Então, o Rapaz de Bronze esticou-lhe a mão e disse: - Florinda, lembras-te de mim? E Florinda percebeu que tudo o que ela pensava ser um sonho afinal era realidade. E soube que as coisas extraordinárias e as coisas fantásticas também são verdadeiras. Porque há um país que é a noite e um país que é o dia. E, de mãos dadas com o Rapaz de Bronze, passearam os dois pelo jardim.