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REHFELD, Ari. Existência e Cura – Idéias. In: BEIRÃO, Maria Fernanda; CASTRO, Edson
(orgs.) Vida, Morte e Destino. São Paulo: Editora C.I., 1992. [Reproduzido com autorização
                                         do autor.]




                          EXISTÊNCIA E CURA – IDÉIAS

                                      Ari Rehfeld


Temos aqui em tema extremamente amplo, abrangente e complexo, passível de uma
série muito grande de mergulhos verticais ou análises em diferentes perspectivas. Não
tenho aqui a pretensa ilusão de esgotá-los. Neste pequeno espaço de que disponho,
tenho a intenção de apresentar algumas idéias, que espero contribuam para futuras
reflexões.
Se usarmos o conceito de cura, faz-se necessária a idéia de doença. Qual a idéia
tradicional, médica e de senso comum, de doença?
       Eis cinco aspectos básicos:
       1º) A “doença” é considerada como um fato;
       2º) É vivenciada como um fenômeno de caráter acidental ou circunstancial no
percurso de vida de alguém;
       3º) É veiculada através de um agente patogênico externo ao indivíduo;
       4º) A “doença” é vista como algo que reside no doente e portanto, restrito a ele;
       5º) A “doença” é entificada como o que promove desequilíbrio num organismo
“normalmente” equilibrado.
       Duas consequências imediatas desta perspectiva:
       1. A idéia de saúde é relacionada automaticamente à ausência de doença ou
ausência de disfunções orgânicas e/ou psíquicas;
       2. Produz-se segregação ou segmentação do coletivo entre doentios e saudáveis.
       Para contrapor a esta visão tão difundida recorro a uma metáfora utilizada por
Freud em sua 31ª Conferência de Introdução à Psicanálise, 1933, denominada
“Princípio do Cristal”. Vale ressaltar o fato de que a utilização desta metáfora como
questionamento destes conceitos é bem anterior ao movimento denominado de anti-
psiquiatria (vide Laing, Cooper e outros). Este princípio mostra que, quando o Cristal se
fragmenta, ele não se rompe de maneira arbitrária, mas em conformidade com sua
estrutura interna e seus pontos de articulação, seguindo suas linhas pré-existentes de
clivagem. Fenomenicamente, o mesmo se dá com a chamada doença, onde toda a

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REHFELD, Ari. Existência e Cura – Idéias. In: BEIRÃO, Maria Fernanda; CASTRO, Edson
(orgs.) Vida, Morte e Destino. São Paulo: Editora C.I., 1992. [Reproduzido com autorização
                                         do autor.]




irrupção ou crise acontece de acordo com a estrutura global do homem, revelando a
indivisibilidade   entre   o   fenômeno     patológico   e   a   chamada     normalidade.
Consequentemente, a “loucura” ou “insanidade mental” se vêem reabilitadas como
autênticas manifestações humanas, esclarecedoras da estrutura psíquica e até
ontológica do ser humano.
       Se assim pensarmos, então, apesar de o âmbito qualitativo ser de fundamental
importância no estudo do modo de ser do homem como um todo, a passagem no
“normal” ao “patológico” somente pode ser abordada numa perspectiva quantitativa
em detrimento de uma abordagem categorial. Embora esta última afirmação não seja
nova, ela me parece ser de extrema atualidade. Atrás dos inúmeros rótulos existentes
para os diversos modos de ser chamados de doença, é muito comum perceber uma total
alienação por parte de muitos da especificidade de cada uma destas abordagens.
       Agora, a chamada doença sempre ameaça a continuidade da existência e
portanto carrega consigo a presença da morte. Ao considerar a doença alheia, algo
externo, e portanto não parte integrante de meu ser, eu procuro, em vão, iludir-me a
respeito de minha finitude. Ao separar-me da doença, procuro afastar-me da vivência de
que sou um ser que caminha para a morte. Parece-me que é exatamente por este motivo
que uma idéia tão primária de doença se mantenha. Então, a crise evocada pela chamada
doença é sempre um evento revelador que denuncia a precariedade e transitoriedade ou
limites em meu existir. Eis uma possível perspectiva existencial da chamada doença:
doença vista como revelação da provisoriedade do meu ser aí e de impossibilidades
deste meu estar aí. Este confronto com a possibilidade necessária da morte gera
perplexidade – derivada da negação anterior da presença da morte – e angústia pela
possibilidade de não mais estar no mundo.
       A idéia de “doença” como restrita ao indivíduo mostra-se completamente frágil
quando nos debruçamos sobre o fato da cultura pensar constantemente nela, quando nos
deparamos com as inúmeras instituições que tratam do “doente”, e ao presenciarmos
mudanças na ordem do lugar onde o “doente” se encontra, o que atesta, de maneira
veemente, a impossibilidade radical de sustentar-se que a “doença” seja somente do
outro. Pode-se afirmar que mesmo na perspectiva tradicional de doença, ela não pode
ser pensada sem pelo menos dois sujeitos, para ser reconhecida, tratada e eventualmente

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curada: o sujeito doente e o sujeito que trata a doença. Ou seja: “A doença é algo que se
passa entre o doente e aquele que cuida dele. No mínimo.” (Valabrega, A Relação
Terapêutica, 62 – Paris). Portanto, nem reside unicamente no “doente” nem é restrita a
ela.
       O conceito de saúde como ausência de doença ou disfunção orgânicas e/ou
psíquicas, além de ser uma definição circular, é também uma noção estática que não se
coaduna a nenhuma concepção de homem em constante transformação. Se pensarmos
saúde como o não conflito ou embate de forças opostas, a idéia de saúde só poderia ser
sinônimo de morte. Logo, toda a idéia pura, abstrata ou ideal de doença somente pode
ser apreensível no estudo de um cadáver, nunca em um ser vivo. Ora, se a idéia de cura,
em sentido clássico somente pode ser concebida conjuntamente com a idéia de doença,
então se levarmos à radicalidade a idéia tradicional de doença, somente poderemos
operar a cura completa se matarmos o sujeito doente.
       O que pretendo aqui apontar é que uma abordagem funcional ou pragmática
deva ser no mínimo complementada por uma abordagem compreensivo-histórica de
retomada ou resgate de um sentido de vida. A tentativa de propiciar uma abertura para
novas possibilidades existenciais a partir do confronto com determinados impedimentos
e a possibilidade de não mais estar aí, pode facilitar a emergência deste sentido. Este é o
trabalho de uma psicoterapia com enfoque existencial.
       Terapia, do grego Therapeia, significa cuidado, atenção e desvelo. Cura, para
Heidegger, expressa cuidado. Sob este prisma, a psicoterapia existencial não tem outro
intuito do que estar presente ao outro, junto ao outro e para o outro em busca do
sentido de sua existência. É interessante notar que a palavra Existência tem como
origem a palavra ek-sistere, que significa vir-a-ser.
       Nesta perspectiva, o psicoterapeuta é um artesão que com o seu saber, técnica e
intuição volta-se para uma cultura antropológica no encontro com o outro, tendo como
finalidade a reconstituição de experiências vividas para transformá-las a partir de
diversas fotografias esparsas, num filme, ou numa estória com um eixo básico e central
que contenha a possibilidade de novos sentidos. Esta mediação entre o indivíduo e seu
mundo não é elaborada somente pelo psicoterapeuta, mas operada no encontro e a partir
do próprio encontro.

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(orgs.) Vida, Morte e Destino. São Paulo: Editora C.I., 1992. [Reproduzido com autorização
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       Acredito que a psicoterapia tem um caráter libertador. Evidentemente, o termo
libertação não é isento de conotações ideológicas, podendo de fato ser definido de
formas bastante diversas. Falo então da liberdade no sentido de propiciar ao outro a
possibilidade de dispor mais facilmente de si.
       É evidente que a libertação total não é possível, uma utopia que deve ser
afastada tanto do cliente quanto do terapeuta. Emprego libertação no sentido de
experimentar-se em novas formas de ser para não ficar restrito a uma única forma de
estar aí, o que causa sofrimento.
       Ao procurarmos desmitificar, então, as idéias tradicionais de “doença”, “cura” e
psicoterapia, a partir de um enfoque existencial como poderemos pensar o término de
um encontro dito psicoterápico?
       Quando o outro consegue finalmente se libertar de uma única e restrita forma de
ser, podendo reconstruir ao nível do sentido sua história e vivenciar-se livre para
experimentar novas formas de ser ou novos significados para sua existência, torna-se
então possível a separação deste encontro de tamanha intimidade. Esta separação realça
a constante presença da morte e exige por isso mesmo todo o cuidado para que seu
processo seja fecundo e não resulte novamente numa restrição. Qual? A de aí no
encontro psicoterápico residir a única possibilidade de novas re-significações.




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  • 1. REHFELD, Ari. Existência e Cura – Idéias. In: BEIRÃO, Maria Fernanda; CASTRO, Edson (orgs.) Vida, Morte e Destino. São Paulo: Editora C.I., 1992. [Reproduzido com autorização do autor.] EXISTÊNCIA E CURA – IDÉIAS Ari Rehfeld Temos aqui em tema extremamente amplo, abrangente e complexo, passível de uma série muito grande de mergulhos verticais ou análises em diferentes perspectivas. Não tenho aqui a pretensa ilusão de esgotá-los. Neste pequeno espaço de que disponho, tenho a intenção de apresentar algumas idéias, que espero contribuam para futuras reflexões. Se usarmos o conceito de cura, faz-se necessária a idéia de doença. Qual a idéia tradicional, médica e de senso comum, de doença? Eis cinco aspectos básicos: 1º) A “doença” é considerada como um fato; 2º) É vivenciada como um fenômeno de caráter acidental ou circunstancial no percurso de vida de alguém; 3º) É veiculada através de um agente patogênico externo ao indivíduo; 4º) A “doença” é vista como algo que reside no doente e portanto, restrito a ele; 5º) A “doença” é entificada como o que promove desequilíbrio num organismo “normalmente” equilibrado. Duas consequências imediatas desta perspectiva: 1. A idéia de saúde é relacionada automaticamente à ausência de doença ou ausência de disfunções orgânicas e/ou psíquicas; 2. Produz-se segregação ou segmentação do coletivo entre doentios e saudáveis. Para contrapor a esta visão tão difundida recorro a uma metáfora utilizada por Freud em sua 31ª Conferência de Introdução à Psicanálise, 1933, denominada “Princípio do Cristal”. Vale ressaltar o fato de que a utilização desta metáfora como questionamento destes conceitos é bem anterior ao movimento denominado de anti- psiquiatria (vide Laing, Cooper e outros). Este princípio mostra que, quando o Cristal se fragmenta, ele não se rompe de maneira arbitrária, mas em conformidade com sua estrutura interna e seus pontos de articulação, seguindo suas linhas pré-existentes de clivagem. Fenomenicamente, o mesmo se dá com a chamada doença, onde toda a www.fenoegrupos.com Página 1
  • 2. REHFELD, Ari. Existência e Cura – Idéias. In: BEIRÃO, Maria Fernanda; CASTRO, Edson (orgs.) Vida, Morte e Destino. São Paulo: Editora C.I., 1992. [Reproduzido com autorização do autor.] irrupção ou crise acontece de acordo com a estrutura global do homem, revelando a indivisibilidade entre o fenômeno patológico e a chamada normalidade. Consequentemente, a “loucura” ou “insanidade mental” se vêem reabilitadas como autênticas manifestações humanas, esclarecedoras da estrutura psíquica e até ontológica do ser humano. Se assim pensarmos, então, apesar de o âmbito qualitativo ser de fundamental importância no estudo do modo de ser do homem como um todo, a passagem no “normal” ao “patológico” somente pode ser abordada numa perspectiva quantitativa em detrimento de uma abordagem categorial. Embora esta última afirmação não seja nova, ela me parece ser de extrema atualidade. Atrás dos inúmeros rótulos existentes para os diversos modos de ser chamados de doença, é muito comum perceber uma total alienação por parte de muitos da especificidade de cada uma destas abordagens. Agora, a chamada doença sempre ameaça a continuidade da existência e portanto carrega consigo a presença da morte. Ao considerar a doença alheia, algo externo, e portanto não parte integrante de meu ser, eu procuro, em vão, iludir-me a respeito de minha finitude. Ao separar-me da doença, procuro afastar-me da vivência de que sou um ser que caminha para a morte. Parece-me que é exatamente por este motivo que uma idéia tão primária de doença se mantenha. Então, a crise evocada pela chamada doença é sempre um evento revelador que denuncia a precariedade e transitoriedade ou limites em meu existir. Eis uma possível perspectiva existencial da chamada doença: doença vista como revelação da provisoriedade do meu ser aí e de impossibilidades deste meu estar aí. Este confronto com a possibilidade necessária da morte gera perplexidade – derivada da negação anterior da presença da morte – e angústia pela possibilidade de não mais estar no mundo. A idéia de “doença” como restrita ao indivíduo mostra-se completamente frágil quando nos debruçamos sobre o fato da cultura pensar constantemente nela, quando nos deparamos com as inúmeras instituições que tratam do “doente”, e ao presenciarmos mudanças na ordem do lugar onde o “doente” se encontra, o que atesta, de maneira veemente, a impossibilidade radical de sustentar-se que a “doença” seja somente do outro. Pode-se afirmar que mesmo na perspectiva tradicional de doença, ela não pode ser pensada sem pelo menos dois sujeitos, para ser reconhecida, tratada e eventualmente www.fenoegrupos.com Página 2
  • 3. REHFELD, Ari. Existência e Cura – Idéias. In: BEIRÃO, Maria Fernanda; CASTRO, Edson (orgs.) Vida, Morte e Destino. São Paulo: Editora C.I., 1992. [Reproduzido com autorização do autor.] curada: o sujeito doente e o sujeito que trata a doença. Ou seja: “A doença é algo que se passa entre o doente e aquele que cuida dele. No mínimo.” (Valabrega, A Relação Terapêutica, 62 – Paris). Portanto, nem reside unicamente no “doente” nem é restrita a ela. O conceito de saúde como ausência de doença ou disfunção orgânicas e/ou psíquicas, além de ser uma definição circular, é também uma noção estática que não se coaduna a nenhuma concepção de homem em constante transformação. Se pensarmos saúde como o não conflito ou embate de forças opostas, a idéia de saúde só poderia ser sinônimo de morte. Logo, toda a idéia pura, abstrata ou ideal de doença somente pode ser apreensível no estudo de um cadáver, nunca em um ser vivo. Ora, se a idéia de cura, em sentido clássico somente pode ser concebida conjuntamente com a idéia de doença, então se levarmos à radicalidade a idéia tradicional de doença, somente poderemos operar a cura completa se matarmos o sujeito doente. O que pretendo aqui apontar é que uma abordagem funcional ou pragmática deva ser no mínimo complementada por uma abordagem compreensivo-histórica de retomada ou resgate de um sentido de vida. A tentativa de propiciar uma abertura para novas possibilidades existenciais a partir do confronto com determinados impedimentos e a possibilidade de não mais estar aí, pode facilitar a emergência deste sentido. Este é o trabalho de uma psicoterapia com enfoque existencial. Terapia, do grego Therapeia, significa cuidado, atenção e desvelo. Cura, para Heidegger, expressa cuidado. Sob este prisma, a psicoterapia existencial não tem outro intuito do que estar presente ao outro, junto ao outro e para o outro em busca do sentido de sua existência. É interessante notar que a palavra Existência tem como origem a palavra ek-sistere, que significa vir-a-ser. Nesta perspectiva, o psicoterapeuta é um artesão que com o seu saber, técnica e intuição volta-se para uma cultura antropológica no encontro com o outro, tendo como finalidade a reconstituição de experiências vividas para transformá-las a partir de diversas fotografias esparsas, num filme, ou numa estória com um eixo básico e central que contenha a possibilidade de novos sentidos. Esta mediação entre o indivíduo e seu mundo não é elaborada somente pelo psicoterapeuta, mas operada no encontro e a partir do próprio encontro. www.fenoegrupos.com Página 3
  • 4. REHFELD, Ari. Existência e Cura – Idéias. In: BEIRÃO, Maria Fernanda; CASTRO, Edson (orgs.) Vida, Morte e Destino. São Paulo: Editora C.I., 1992. [Reproduzido com autorização do autor.] Acredito que a psicoterapia tem um caráter libertador. Evidentemente, o termo libertação não é isento de conotações ideológicas, podendo de fato ser definido de formas bastante diversas. Falo então da liberdade no sentido de propiciar ao outro a possibilidade de dispor mais facilmente de si. É evidente que a libertação total não é possível, uma utopia que deve ser afastada tanto do cliente quanto do terapeuta. Emprego libertação no sentido de experimentar-se em novas formas de ser para não ficar restrito a uma única forma de estar aí, o que causa sofrimento. Ao procurarmos desmitificar, então, as idéias tradicionais de “doença”, “cura” e psicoterapia, a partir de um enfoque existencial como poderemos pensar o término de um encontro dito psicoterápico? Quando o outro consegue finalmente se libertar de uma única e restrita forma de ser, podendo reconstruir ao nível do sentido sua história e vivenciar-se livre para experimentar novas formas de ser ou novos significados para sua existência, torna-se então possível a separação deste encontro de tamanha intimidade. Esta separação realça a constante presença da morte e exige por isso mesmo todo o cuidado para que seu processo seja fecundo e não resulte novamente numa restrição. Qual? A de aí no encontro psicoterápico residir a única possibilidade de novas re-significações. www.fenoegrupos.com Página 4