RELAÇÕES DE GÊNERO E RAÇA NO SETOR BANCÁRIO: 
Algumas notas sobre o trabalho no contexto da reestruturação 
produtiva 
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consideração  as  especificidades  que  demarcam  a  posição  de  homens  e  mulheres  na 
divisão social e técnica do ...
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estabelecimento  de  um  novo  texto  constitucional  foi  crucial  para  esta  importante 
conquista.
Aliás, este ano ...
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capitalista, bem como, a relação existente entre esta perspectiva e o trabalho do setor 
bancário, a fim de contribuir ...
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cognitivo. Além disso, esta discussão terá como suporte o conceito de trabalho imaterial 
desenvolvido por Antonio Negr...
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pelo  Decreto  nº.  83.740  de  1979,  no  Governo  Figueiredo,  com  o  objetivo  de  dispor 
sobre a contratação de c...
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atendimento, mudanças na gestão de pessoal, redução dos postos de trabalho e práticas 
de terceirização. 
No entanto, é...
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No  caso  brasileiro,  bancos  públicos  e  privados  expandem  suas  atividades 
voltando­se para a área de negócios e...
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A  terceirização  possui  características  que  dizem  respeito  ao  tipo,  à  forma  e  ao 
lugar onde a atividade é r...
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tarifas passaram a ser cobradas sobre as operações realizadas para e pelos clientes que, 
inclusive, sugerem e obedece...
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homogeneizantes desta perspectiva, pois se argumenta que são encobertas as diferenças 
de gênero, raça, de orientação ...
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exemplo analítico, na medida em que esta categoria teve (e ainda se pode dizer que tem) 
acesso à sociedade salarial 1...
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Pesquisas  realizadas  pelo  DIEESE  (2004,  2005a)  mostram  uma  "participação 
equilibrada"  entre  homens  e  mulh...
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A  redução  dos postos  de  trabalho  no  setor  impacta  diretamente  o  cotidiano  do 
trabalho dos empregados que p...
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constituem como sujeitos (Deleuze, 1992). Segundo Grisci (2004) “[...] a subjetividade 
pode ser compreendida como fab...
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Note­se, ainda, que no  ano de 2000,  a Confederação Nacional  dos Bancários – 
CNB  lançou  uma  Campanha  Nacional  ...
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Dessa maneira, aqueles que se dedicam a combater o discurso do fim do trabalho 
(e  do  fim  da  história) tanto  em  ...
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perspectiva,  sua  proposta  se  articula  em  dois  eixos  interligados  de  redefinição  da 
mudança, quais sejam o ...
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“por  um  lado  o  mercado  entrou  na  fábrica,  obrigando­a  a  flexibilizar­se  para 
acompanhar suas evoluções cad...
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Dessa forma, não se pode pensar a resistência das (os) trabalhadoras (es) em uma 
forma de enfrentamento direto aos pr...
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Foram  apresentadas  algumas  considerações  sobre  o  processo  de  reestruturação 
produtiva no setor bancário, prin...
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REFERÊNCIAS 
AMARO, Sarita. A questão racial na Assistência Social: um debate emergente. Serviço 
Social e Sociedade, ...
23 
DOURADO, Elziane Olina. Reestruturação dos bancos e a ação do Serviço Social. In: 
MOTA,  Ana  Elizabete  (Org.)  A  n...
24 
______.  A  reestruturação  do  trabalho  nos  bancos.  In:  ANTUNES,  Ricardo  (org.) 
Riqueza e miséria do trabalho ...
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  1. 1. RELAÇÕES DE GÊNERO E RAÇA NO SETOR BANCÁRIO:  Algumas notas sobre o trabalho no contexto da reestruturação  produtiva  Vanessa Santos do Canto  RESUMO  O presente trabalho faz parte de reflexões e pesquisa em andamento para a elaboração  de  dissertação  de  mestrado  e  pretende  apresentar  alguns  apontamentos  acerca  da  presença  das  mulheres  negras  no  trabalho  do  setor  bancário.  Discute  o  impacto  da  reestruturação produtiva neste setor e alguns aspectos dos novos modos de subjetivação  e resistência em um período em que o capitalismo passa por grandes transformações. A  temática será orientada pela necessidade de diálogo entre o debate sobre a centralidade  do  trabalho  e  os  novos  enfrentamentos  que  surgem  para  os  movimentos  sociais  no  momento histórico em que a classe trabalhadora apresenta maior complexidade.  Palavras­chave: Gênero; Raça; Trabalho; Setor bancário  ABSTRACT  This  work  is  part  of  ongoing  discussions  and  research  for  development  of  master’s  thesis and wants to make some notes about the presence of black women working in the  banking sector. Discusses the impact of productive restructuring in this sector and some  aspects of the new modes of subjectivity and resistance in a period where capitalism is  going  through  major  changes.  The  theme  will  be  guided  by  the  need  for  dialogue  between the debate on the centrality of work and new confrontations that arise for social  movements in the historical moment in which the working class is more complex.  Keywords: Gender; Race; Work; Banking sector  1. INTRODUÇÃO  Nos últimos anos, podem ser observadas inúmeras transformações nos modos de  produção capitalista  que têm  gerado novos desafios para  a ação política, bem  como,  para a resistência por parte das trabalhadoras e trabalhadores.  Diante deste contexto, observa­se uma crescente demanda por direitos pautados  em processos identitários de gênero e raça e certas críticas quanto à insuficiência das  lutas  fundamentadas  apenas  em  uma  identidade  do  trabalhador  que  leva  em
  2. 2. 2  consideração  as  especificidades  que  demarcam  a  posição  de  homens  e  mulheres  na  divisão social e técnica do trabalho.  Neste  sentido,  é  importante  destacar  algumas  importantes  mudanças  observadas a partir da década de 1990. É neste momento que o Estado brasileiro admite  oficialmente  a  existência  do  racismo  no  Brasil.  Esta admissão  representava  a  ruptura  oficial  com  o  mito  “da  democracia  racial 1  ”  que  conjugado  com  a  não  menos  problemática  crença  na  existência  “do  homem  cordial  brasileiro 2  representava  um  importante entrave para a discussão da dimensão étnico­racial da desigualdade no país 3  .  A  adoção  desta  postura  de  ruptura  com  estes  paradigmas  sociológicos  que  contribuíam para a dissimulação do racismo aqui instaurado resultava, em grande parte,  da  crescente  pressão  que  os  movimentos  sociais  de  corte  étnico­racial  negro  havia  imposto  após  séculos  de  resistência  contra  um  regime  opressor  e  degradante  que,  mesmo após o seu término oficial, ainda é capaz de reproduzir as práticas que ferem  frontalmente a dignidade humana.  Contudo, este ápice tem como momento anterior importante, a promulgação da  nova  Constituição da República  no  ano  de  1988.  De  fato,  não  podemos  negar que  a  articulação  dos  movimentos  sociais  negros 4  durante  os  debates  realizados  para  o  1  Esta expressão se tornou célebre no livro de Freyre (1973) e consiste, grosso modo, na idéia de que a  miscigenação  resultante  das  relações  estabelecidas  entre  brancos,  negros  e  índios,  teria  formado  uma  sociedade  harmônica  e  livre  de  conflitos  étnico­raciais.  A  desigualdade  existente  entre  os  indivíduos  poderia ser explicada nas  análises  marxistas  pela relação dialética entre capital e trabalho  ou na  visão  liberal pela ausência de chances iguais para todos, levando a uma exclusão daqueles com menos aptidões  competitivas para se inserir no mercado de trabalho ou alcançar as melhores oportunidades. Hasenbalg  (1999), em sua análise weberiana das desigualdades raciais e políticas presentes no Brasil, afirma que a  "posição sócio­econômica inferior dos negros e mulatos no Brasil contemporâneo tem sido explicada em  termos dos diferentes  pontos de  partida desses  grupos e do  grupo branco no  momento da  abolição da  escravatura.  A  esse  argumento  pode  ser  contraposto  outro  segundo  o  qual  o  poder  explicativo  da  escravidão  como  causa  da  subordinação  social  de  negros  e  mestiços  decresce  ao  longo  do  tempo.  A  afirmativa de que as desigualdades raciais contemporâneas estão só residualmente ligadas ao legado da  escravidão deve­se a contínua operação de princípios racistas de seleção social” (p. 40).  2  Expressão cunhada por Sérgio Buarque de Holanda (1984) em seu “Raízes do Brasil”. Nesta obra, o  autor  analisa  a  influência  da  colonização  ibérica  no  país  e  sua  influência  sobre  a  cultura  política  e  econômica do país. Parte do pressuposto de que os próprios portugueses como povo miscigenado já trazia  consigo elementos culturais que seriam marcantes no modo de ser brasileiro.  3  Neste sentido, Amaro (2005) afirma que [...] o discurso da democracia racial ancorado nas  garantias  constitucionais de igualdade, nos casamentos inter­raciais  e na ausência de hostilidade manifesta entre  brancos e negros, convive harmonicamente com  a situação de milhões de  brasileiros,  majoritariamente  negros, vivendo em condições de pobreza e desemprego, apartados da cidadania social ( p. 59). Segundo  a autora, o Brasil pratica exclusão pela cor, visto que a pobreza não é distribuída de maneira  democrática  entre  os  grupos  raciais,  “pois  os  negros  representam  64%  da  população  e  estão  permanentemente entre os segmentos mais esquecidos, excluídos e negligenciados” (Amaro, 2005, p. 59).  4  Fala­se em  movimentos negros devido à diversidade de  agendas e escolhas  políticas que cada  grupo  específico possui. Nesse sentido, pode­se exemplificar que as demandas apresentadas pelos movimentos  negros de caráter urbano diferem daquelas apresentadas por aqueles que possuem seus interesses ligados  ao campo.
  3. 3. 3  estabelecimento  de  um  novo  texto  constitucional  foi  crucial  para  esta  importante  conquista. Aliás, este ano foi extremamente importante devido ao grande valor simbólico  que continha, pois era comemorado o centenário da abolição oficial da escravidão negra  no  Brasil.  Assim,  era  trazida  para  a  pauta  da  agenda  política  a  discussão  acerca  do  reconhecimento  de  uma  identidade  étnico­racial  negra  positiva  gerada  à  sombra  da  identidade nacional brasileira.  Entretanto,  apesar  das  conquistas  acima  referidas,  os  movimentos  sociais  em  geral se deparavam com novos desafios a serem enfrentados, pois a crise econômica e  social que há muito já havia atingido os países de capitalismo avançado chegava com  toda a sua plenitude no Brasil, justamente no momento em que a América Latina dava  importantes passos a caminho da redemocratização.  Neste contexto societário marcado pela emergência de uma nova sociabilidade,  onde a essência do capital se torna fictícia 5  e o discurso neoliberal se impõe de maneira  contundente é que se deve repensar o diálogo entre a nova centralidade do trabalho vivo  e  a  ação  política  dos  trabalhadores,  pois  as  relações  étnico/raciais  e  de  gênero  são  perpassadas por estas importantíssimas questões.  Assim, pretende­se demonstrar algumas reflexões acerca deste debate que será  dividido em três partes. Inicialmente, serão apresentadas algumas considerações acerca  das  metamorfoses  pelas  quais  vem  passando  o  trabalho  na  contemporaneidade  e  o  enfraquecimento  da  relação  salarial,  sobretudo,  no  setor  bancário  que  havia  se  constituído  em uma  ilha de segurança  em um país  onde o desemprego  estrutural e  a  informalidade sempre foram a regra geral.  Em  seguida,  alguns  apontamentos  sobre  os  impactos  da  reestruturação  do  trabalho do setor bancário sobre os trabalhadores serão realizados, tendo como principal  eixo de análise as relações étnico/raciais e de gênero estabelecidas no setor, visto que a  partir da Constituição Federal de 1988, tais temas passam a ter relevância oficial para a  implantação de um Estado Democrático e de Direito.  Após estas  digressões,  serão  apresentadas  algumas  reflexões  sobre um  “outro  olhar”  acerca  da  crise  em  um  contexto  de  reestruturação  dos  modos  de  produção  5  Aqui utilizamos a reflexão de Cocco (2003). Segundo o autor: “No pós­fordismo, é a essência do capital  que é ‘fictícia’ (parasitária) e, portanto, não tem mais condições de ser ‘real’. (...)Não é apenas o capital  ‘fictício’ que é improdutivo, mas o capital em geral que é cada vez menos capaz de ser ‘real’, ou seja,  cada vez menos capaz de se pôr como condição necessária das combinações produtivas” (p. 34).
  4. 4. 4  capitalista, bem como, a relação existente entre esta perspectiva e o trabalho do setor  bancário, a fim de contribuir para a ampliação do debate.  Finalmente, apresentaremos algumas considerações acerca desta reflexão, como  um esforço teórico que busca questionar de que forma se dá a inserção da mulher negra  no mercado de trabalho brasileiro e, neste caso específico no setor bancário, a fim de  indagar se houve avanços na luta pela igualdade racial e de gênero no país, após cento e  vinte anos de abolição da escravidão negra no Brasil e vinte anos de promulgação de um  texto  constitucional resultante  de  lutas dos  movimentos  sociais rurais  e  urbanos  que  visavam à restauração das liberdades individuais e da retomada da construção de uma  sociedade de fato democrática e realmente pluralista.  2. O  TRABALHO  NO  SETOR BANCÁRIO E  A NOVA CENTRALIDADE  DO  TRABALHO VIVO  A análise dos efeitos dos da reestruturação dos modos de produção capitalista  sobre  o  trabalho  bancário  terá  como  recorte  temporal  a  década  de 1990,  visto  que  é  neste  período  em  que  convergem  as  condições  políticas  e  sociais  que  propiciam  a  percepção mais nítida a respeito do esgotamento do projeto nacional­desenvolvimentista  gestado nos períodos anteriores.  Primeiramente,  será  destacado  o  processo  de  reestruturação  bancária  e  as  transformações no cotidiano do trabalho deste setor, a partir da produção acadêmica das  Ciências Sociais no Brasil, a fim de demonstrar os principais aspectos demarcadores das  referidas mudanças.  Em  seguida,  a  abordagem  será  voltada  para  os  impactos  que  o  processo  de  reestruturação bancária tiveram sobre a subjetividade e as formas de resistência das (os)  trabalhadoras  (es)  desta  categoria,  bem  como,  as  estratégias  desenvolvidas  para  o  enfrentamento dos desafios daí decorrentes.  Finalmente,  as  transformações  anteriormente  apresentadas  serão  discutidas  a  partir da perspectiva teórica desenvolvida a partir do operaísmo italiano 6  que a entende  como uma nova grande transformação demarcadora da passagem para um capitalismo  6  Para um maior aprofundamento  acerca do histórico do  movimento  operaísta italiano se recomenda  a  leitura de Lazzarato (2001) e Altamira (2008). Contudo, destaca­se que para além das divisões internas  que se seguiram no grupo, seus principais teóricos são Mário Tronti, Raniero Pauzieri e Antonio Negri.
  5. 5. 5  cognitivo. Além disso, esta discussão terá como suporte o conceito de trabalho imaterial  desenvolvido por Antonio Negri e Maurício Lazzarato.  2.1. Dos aspectos objetivos: a reestruturação bancária  Nas últimas décadas do século XX foram percebidas inúmeras transformações na  divisão  social  do  trabalho,  principalmente  a  partir  da  crise  do  regime  de  produção  fordista  que  constituiu  o  ápice  das  sociedades  disciplinares  descritas  por  Foucault  (2007b) até o seu declínio, que ocorreu mais rapidamente após o fim da Segunda Guerra  Mundial em decorrência da configuração de novas forças na ordem mundial (Deleuze,  1992).  Afirma­se que se trata de um período em que a fábrica já não é mais o padrão de  organização da sociedade. Vive­se um período pós­fordista definido como “regime de  acumulação que implica a co­presença de diferentes configurações produtivas, desde as  formas de tipo proto­industrial até o toyotismo” (Cocco, 2001, p.101).  Ao se levar em consideração as experiências empíricas apresentadas, podem ser  considerados alguns aspectos deste  contexto  social  que  tem uma  construção  histórica  relacionada à política de desregulamentação financeira nos países mais industrializados  e que se traduziram em enormes transformações no sistema financeiro internacional.  Neste sentido, pode­se dizer que o enfraquecimento das relações de emprego no  setor bancário brasileiro, exemplo importante da reestruturação produtiva, integra uma  crise mais ampla que possui efeitos em todo o mundo 7  .  Note­se que no Brasil, a reestruturação bancária é resultante de um processo que  se inicia com a Reforma Bancária no final do ano de 1964 (Lei n. 4595, de 31.12.1964),  pela Reforma do Mercado de Capitais (Lei n. 4728, de 14.07.1965 e o Plano de Ação  Econômica do Governo realizado entre os anos de 1964 e 1966 8  . Neste período, o setor  bancário já começa a utilizar tecnologia de primeiro mundo (Grisci, 2004).  Estas mudanças estabeleceram, ainda, as bases do Sistema Financeiro Nacional ­  SFN e são ampliadas com o chamado Programa Nacional de Desburocratização criado  7  Segundo Negri & Cocco (2005) “é a transformação da dependência em interdependência que coloca em  evidência  a  nova  situação,  que  mostra  ­  eventualmente  –  suas  possibilidades  de  deslocamento  e  que  identifica de forma não­secundária) a nova figura dos conflitos com a nova qualidade dos temas" (p. ).  8  Estas leis criaram mecanismos de controle e fiscalização das instituições públicas e privadas do sistema  financeiro por parte do Estado, conforme ressalta Jinkings (1996).
  6. 6. 6  pelo  Decreto  nº.  83.740  de  1979,  no  Governo  Figueiredo,  com  o  objetivo  de  dispor  sobre a contratação de correspondentes no país.  Além  disso,  no período  1940­1980, ocorreu  um  forte  crescimento  econômico  e  das  relações  formais  de  trabalho  do  Brasil,  sobretudo,  devido  à  implementação  do  projeto  de  industrialização  nacional,  bem  como  à  institucionalização  das  relações  de  trabalho através de um conjunto de normas legais instituídas pela Consolidação das Leis  do Trabalho (CLT). Estas mudanças originaram novas demandas e a necessidade dos  bancos a se adaptarem a uma nova realidade.  Segundo  Segnini  (2001),  neste  período  a  relação  entre  crescimento  econômico,  emprego e direitos sociais nunca havia se dado de forma tão intensiva e o avanço do  capitalismo  intensificou  a  profunda  heterogeneidade  produtiva  e  a  desigualdade  nas  relações de trabalho e renda 9  .  Na década de 1970, o sistema financeiro internacional passava por um processo  de  desregulamentação,  a  fim  de  atender  às  demandas  emergentes  do  processo  de  reestruturação do capital que obrigava as instituições financeiras a se tornarem cada vez  mais competitivas, visto que com a crise do Estado de Bem­Estar Social, que possuía  seus fundamentos nos modelos de produção taylorista / fordista e no keynesianismo, o  “compromisso” 10  social realizado entre capital e trabalho mediado pelo Estado, como  uma opção apresentada pela social­democracia, já demonstrava toda a sua fragilidade.  Entretanto,  a  partir  dos anos  80,  as  medidas  macroeconômicas  utilizadas  como  mecanismos para solucionar  (ou  melhor,  conter) o  crescimento  da dívida  externa  e  o  colapso  do  financiamento  da  economia  brasileira  concorreram  para  fortes  e  rápidas  oscilações  econômicas,  superinflação  e  estagnação.  Nesse  contexto,  as  estruturas  do  frágil mercado de trabalho brasileiro foram rompidas.  Neste  período,  a  reestruturação  bancária  foi  marcada  pela  redução  dos  custos  operacionais,  intensificação  da  automação,  desenvolvimento  e  incentivo  ao  auto­  9  No mesmo sentido Negri&Cocco (2005) afirmam que: [...] a partir dos anos 30, através do autoritarismo  populista,  a  hibridação  se  dará  entre  paternalismo,  modernismo  e  facismo:  sobre  esta  base  irão  se  desenvolver  novas  forças  corporativas.  [...]  É  ilusório  considerar  que,  sob  tais  condições,  a  cidadania  social e a formação de modos de interação entre as classes poderiam ter lugar. Se de 1940 a 1980 a taxa  média  anal de  crescimento  econômico  foi,  no  Brasil,  de  impressionantes  7%,  isso  não  teve,  naquelas  condições sociais nenhum efeito democrático” (p. 106).  10  Segundo  Antunes  (2002):  “Na  verdade,  esse  “compromisso”  era  resultado  de  vários  elementos  imediatamente posteriores à crise de 30 e da gestação da política keynesiana que sucedeu. Resultado, por  um  lado,  da  “própria  ‘lógica’  do  desenvolvimento  anterior  do  capitalismo”  e,  por  outro,  do  equilíbrio  relativo na relação de força entre burguesia e proletariado, que se instaurou ao fim de decênios de lutas.  Mas esse compromisso era dotado de um sentido ilusório, visto que se por um lado sancionava uma fase  de relação de forças entre capital e trabalho, por outro lado ele não foi conseqüência de discussões em  torno de uma pauta claramente estabelecida”. (p. 38).
  7. 7. 7  atendimento, mudanças na gestão de pessoal, redução dos postos de trabalho e práticas  de terceirização.  No entanto, é com a introdução dos princípios da administração pública gerencial,  com o  intuito  de  transformar  as  formas  de  gestão  do  Estado  utilizadas  nos  períodos  anteriores,  que o  processo  de  reestruturação bancária  se  aprofunda,  principalmente  a  partir  da  implementação  do  Plano  Real  na  década  de  90  (Jinkings,  2006) 11  .  Nesse  sentido, afirma­se que:  A  reestruturação  do  sistema  bancário  brasileiro  aprofundou­se  especialmente  após  a  implementação do programa de estabilização monetária conhecido como Plano Real, em  meados  dos  anos  1990.  De  modo  semelhante  aos  processos  desencadeados  nos  países  capitalistas centrais ao longo da década 1980, no Brasil os “ajustes” no sistema bancário  direcionam­se  para  a  redução  de  custos  operacionais  –  apoiada  na  intensificação  tecnológica  e  na  terceirização  –  e  a  concepção  de  novas  estratégias  mercadológicas,  baseadas na diversificação e sofisticação de produtos e serviços (Jinkings, 2006, p.193).  Não  se  deve  esquecer  ainda  que  no  início  da  década  de  1990  ocorreu  uma  importante mudança que acelerou o processo de reestruturação bancária: a criação do  banco múltiplo. Com isto, ocorreu o fim da exigência de carta patente para a abertura de  uma instituição financeira (Grisci, 2004).  Dessa forma, ao mesmo tempo em que adquiriu maior relevância econômica em  todo  o  mundo,  o  setor  bancário  é  marcado  por  uma  concorrência  cada  vez  maior  (Larangeira, 1997; Jinkings, 2001). Pode­se afirmar diante deste contexto que:  ...  estratégias  comuns  de  orientação  comercial  não  são  suficientes  para  garantir  similaridades  na  organização  do  trabalho.  Ao  examinar  a  questão  da  reestruturação  produtiva  no  setor,  é  importante  considerar  a  existência  de  diferentes  concepções  de  processo de trabalho, o que, às vezes, resulta em estratégias opostas, como bem ilustram  exemplos internacionais (Larangeira, 1997, p. 113)  De acordo com Larangeira (1997), o tipo de abordagem adotada para implementar  o processo de reestruturação bancária varia de acordo com o país. Afirma que a escolha  de estratégias gerenciais de uso e gestão da força de trabalho é condicionada por fatores  societais, tais como grau de escolaridade, extensão e efetividade das leis trabalhistas e  natureza das relações de poder estabelecidas entre os agentes envolvidos; e de ordem  econômica, que se relacionam com o tipo de mercado e com o grau de competitividade  entre as empresas.  11  Segundo  Grisci (2004), baseando­se  em trabalho realizado  pelo  DIEESE afirma que “o  processo  de  reestruturação  produtiva  pode  ser  dividido  em  duas  etapas:  a  reestruturação  ou  “ajustes  para  dentro”  (reorganização interna) e a reestruturação ou “ajustes para fora” (p.174). O primeiro foi realizado mais  intensamente a partir da segunda metade da década de 1980 e a segunda etapa se dá a partir do final do  ano de 1994.
  8. 8. 8  No  caso  brasileiro,  bancos  públicos  e  privados  expandem  suas  atividades  voltando­se para a área de negócios e de venda de “produtos” financeiros, realizam a  segmentação da clientela e adotam outras medidas, tais como mudança da marca e do  layout das agências a fim de reduzir os custos e aumentar a lucratividade, bem como  fusões,  aquisições  e  privatizações  por  parte  de  bancos  nacionais  e  estrangeiros  (Larangeira, 1997; Jinkings, 2001; Dourado, 2005).  As transformações dos processos de trabalho nos bancos são fortemente apoiadas  na utilização de tecnologia de base microeletrônica e informática 12  . Em relação a este  aspecto (Jinkings, 2001) afirma que:  Com a automatização de sua atividade, os bancários manipulam símbolos de valor cada  vez mais  fantasmagóricos: sua tradicional matéria­prima – o papel­dinheiro ­ vai sendo  rapidamente  substituída  por  impulsos  eletrônicos  derivados  das  memórias  dos  computadores. E o produto do trabalho disfarça­se agora, nos dados informatizados que  representam as cifras e os valores da mercadoria­dinheiro em circulação (Jinkings apud  Jinkings, 2001, p. 3)  No que se refere ao âmbito das relações de trabalho se pode dizer que a principal  mudança  relaciona­se  à  inserção  da  flexibilização  no  processo  de  trabalho,  cujos  fundamentos são: o fato de que a legislação trabalhista é ao mesmo tempo obsoleta e um  dos elementos que impedem o aumento da competitividade empresarial, devido ao alto  custo do trabalho; a negociação é a via mais adequada entre empresários e trabalhadores  como  forma  de  aquisição  de  benefícios;  é  necessário  que  seja  reformulado  (ou  suprimido) o art. 7º da Constituição da República, por impedir reformas mais amplas  dos direitos trabalhistas.  A  flexibilização  vem  acompanhada  de  alguns  elementos  como  as  práticas  de  terceirização,  externalização,  a  qualidade  total,  o  discurso  pela  qualificação  e  a  polivalência 13  que causa insegurança, perda do emprego, precarização das condições do  trabalho  e  saúde  dos  trabalhadores,  dentre  outras  conseqüências.  Além  disso,  os  processos de terceirização que vêm se acentuando no setor variam muito devido à sua  heterogeneidade.  12  De  fato, a introdução de tecnologia nos  processos de trabalho interfere de diversas maneiras em seu  cotidiano. Segundo Grisci (2004): “Três possibilidades, entretanto, estão presentes no trabalho bancário  atual: a automatização; o trabalho mais intelectualizado que demanda um trabalhador com capacidades e  qualificações distintas das anteriormente demandadas e o aumento do desemprego” (p. 161).  13  Em relação à polivalência convém notar que esta passa a ser uma exigência que significa que todos  devem saber realizar qualquer operação, aliada a idéia de integração de funções, ou seja, o cliente deve  realizar  todas  as  suas  operações  com  o  mesmo  atendente.  Neste  sentido,  Gorz  (2005)  afirma  que  a  “impossibilidade de mensurar o desempenho individual e de prescrever os meios e os procedimentos para  chegar a um resultado conduz os dirigentes da empresa a  recorrer a ‘gestão  por  objetivos’: eles fixam  objetivos aos assalariados; cabendo a eles desdobrar­se para cumpri­los” (p. 18).
  9. 9. 9  A  terceirização  possui  características  que  dizem  respeito  ao  tipo,  à  forma  e  ao  lugar onde a atividade é realizada: dentro ou fora da empresa contratante; se a atividade  é total ou parcialmente repassada a terceiros; se a atividade é considerada meio ou fim;  se a atividade é repassada para além daqueles que fecharam o contrato com a empresa­  mãe; se a atividade é realizada dentro ou fora do país de origem demandante.  Nesse sentido, convém notar que o ordenamento jurídico brasileiro não permite  a terceirização de atividades ligadas ao objeto social das empresas. Contudo, Sanches  (2006) salienta que:  A área de Compensação e todas as tarefas que envolvem seu processamento (Retaguarda)  não  têm  sido  reconhecidas  como  atividade­fim.  Ou  seja,  não  são  consideradas  pelos  banqueiros  essenciais  para  o  deslanche  de  seu  negócio  e,  por  isso,  se  tornaram  terceirizáveis. No entanto, não existe nada mais elementar na atividade bancária do que  processar cheque, que é objeto de transação bancária e só encontra sentido no negócio  bancário. (p.19)  Argumenta,  ainda,  que  a  terceirização 14  desses  serviços  pode  transgredir  as  normas contidas nas Leis Federais n.° 4595/64 e 7492/86, que tratam do sigilo bancário  e  contribui  para  a  redução  dos  postos  de  trabalho  nos  bancos  e  pulverização  desta  categoria. Contudo, Larangeira (1997) observa que a terceirização também é um recurso  utilizado para atividades que tendem a desaparecer em um curto espaço de tempo e cita  como exemplo, a compensação de cheques anteriormente referida.  Outro ponto importante no que se refere à terceirização é destacado por Venco  (2006) que, ao estudar a terceirização dos serviços de telemarketing dos bancos, observa  que as novas configurações dos layouts buscam controlar não apenas as atividades de  seus empregados,  mas também de  seus clientes.  Neste  caso, ocorre uma  comparação  com o  panóptico de  Jeremy  Bentham,  descrito  por  Foucault  (2007),  como  forma de  vigilância e disciplina constante.  Neste  sentido  Sanches  (2006)  afirma  que  até  mesmo  os  clientes  participam  da  gestão da produção capitalista no contexto do sistema bancário e têm suas ações cada  vez  mais  controladas  pelos bancos,  na  medida  em  que  “após 1994,  as  mais diversas  14  Terceirizar significa contratar serviços especializados à outra empresa que não se relacionam com a  atividade­fim  da  empresa  contratante.  Contudo,  o  que  se  observa  é  a  utilização  indiscriminada  desse  instrumento  a  fim  de  burlar  as  normas  protetoras  dos  trabalhadores  estabelecidas,  principalmente,  nos  arts. 6° e 7° da Constituição da República e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além disso,  deve­se  observar  o  fenômeno  da  quarteirização.  Este  conceito  se  refere  à  prática,  cada  vez  mais  crescente, de repasse de atividades por parte da empresa terceirizada contratada para realizar determinado  serviço  estipulado  por  meio  de  contrato.  É  importante  ressaltar  que  a  quarteirização  é  repudiada  pela  Justiça  do  Trabalho,  pois  geralmente  surge  de  uma  terceirização  ilícita  ou  se  constitui  no  contrato  de  alocação de mão­de­obra em outra empresa. Estas práticas são rechaçadas no enunciado 331 do Tribunal  Superior do Trabalho.
  10. 10. 10  tarifas passaram a ser cobradas sobre as operações realizadas para e pelos clientes que,  inclusive, sugerem e obedecem às ordens no imperativo” (p.34). Prossegue afirmando  que:  Nas operações bancárias, feitas nos caixas eletrônicos até mesmo o tempo é controlado.  “Caso  o  próprio  cliente  demore  em  efetivar  uma  operação,  a  tela  de  trabalho  será  removida  e  ele  terá  que  voltar  ao  ponto  inicial  e  refazer  todo  o  trajeto  interrompido”  (p.35).  Nesse contexto, não nos podemos furtar à comparação com o poder disciplinar de  Foucault (2007), principalmente em sua análise  da formação dos “corpos dóceis”  em  que  trata  da  arte  das  distribuições  e  da  importância  do  controle  da  atividade  e  dos  “recursos para o bom  adestramento”  em que  “a vigilância  é  um operador  econômico  decisivo,  na  medida  em  que  é  ao  mesmo  tempo  uma  peça  interna  no  aparelho  de  produção e uma engrenagem específica do poder disciplinar” (p.147).  Contudo, pode­se afirmar que ao mesmo tempo em que se percebe a dinâmica da  disciplina  pode­se  também  observar  uma  mudança  no  que  se  refere  ao  controle  do  tempo.  Esta  característica  é  essencial  para  se  compreender  a  passagem  para  uma  sociedade de segurança (Foucault, 2008c), ou, ainda, para uma sociedade de controle  conforme destaca Deleuze (1992).  Sanches (2006) afirma que estes aspectos negativos da reestruturação bancária  se devem ao fato de estarem fortemente conjugados com a expansão da tecnologia e da  informação nos processos de trabalho. Segundo esta leitura acerca das transformações  pelas quais vem passando o setor bancário, a substituição do trabalho vivo pelo trabalho  morto seria uma das principais causas dos males causados pela reestruturação produtiva  no setor (Sanches, 2006; Antunes, 2006).  2.2.  DOS  ASPECTOS  SUBJETIVOS:  A  FRAGMENTAÇÃO  DA  CATEGORIA  BANCÁRIA, OU DA CRISE DA “ANTIGA” SUBJETIVIDADE  Em  um  contexto  de  reestruturação  produtiva,  o  desemprego  tem  significado  a  fragilização dos trabalhadores assalariados, na medida em que no Brasil, o registro do  contrato na carteira de trabalho significa o reconhecimento de um vínculo empregatício  que  possibilita  aos trabalhadores,  a  fruição  de  direitos e  garantias  previstos  em  sede  constitucional e infraconstitucional.  Além disso, tem sido cada vez mais difícil compreender os trabalhadores apenas  sob uma perspectiva de classe. Isto porque têm sido cada vez questionadas as tendências
  11. 11. 11  homogeneizantes desta perspectiva, pois se argumenta que são encobertas as diferenças  de gênero, raça, de orientação sexual, de geração que perpassam a “classe” trabalhadora.  Outra  crítica  feita  é  que  no  Brasil  a  perspectiva  de  classe  esteve  ligada  a  um  projeto  desenvolvimentista  que  não  levava  em  conta  a  subjetividade,  pois  segundo  Negri  &  Cocco  (2005)  o  “desenvolvimentismo  capta  as  dimensões  estruturais  do  subdesenvolvimento,  mas  ignora  os  sujeitos  e,  sobretudo,  as  figuras  das  lutas  e  da  resistência naquele período” (p. 75).  Neste sentido, tem­se uma forte crítica ao desenvolvimentismo pois, relegou a  um  segundo plano  as  influências do  racismo  na  dinâmica  do  trabalho.  Isto porque  a  escravidão negra no Brasil ainda tem importantes rebatimentos na atual configuração do  mercado  de  trabalho,  sobretudo,  ao  tomarmos  como  ponto  de  partida  o  lugar  historicamente atribuído às mulheres, sobretudo às mulheres negras na sociedade.  Diante disto, as reflexões realizadas por Bairros (1991) e Gonzalez (1994) são  preciosas, pois embora tenham sido realizadas dentro do paradigma fordista, apresentam  de maneira contundente a dupla subordinação que marca a inserção da mulher negra no  mercado de trabalho, visto que são discriminadas pelo fato de serem mulheres e negras.  Ao avaliarem a situação das mulheres negras no Brasil destacam que, se por  um  lado,  houve  crescimento  econômico  durante  o  “milagre”  e  o  incremento  da  participação das mulheres no emprego fortemente centrado na indústria, bem como no  acesso  à  educação,  por  outro  lado,  as  mulheres  negras  mantiveram  praticamente  inalteradas  a  sua  situação  na  sociedade,  ou  seja,  permaneceram  ligadas às atividades  domésticas  e  com  poucos  anos  de  freqüência  de  educação  formal  (Bairros,  1991;  Gonzalez, 1994).  No decorrer das décadas a situação das trabalhadoras negras, ainda que tenha  melhorado,  apresentam  enormes  disparidades  quando  são  analisados  os  dados  de  pesquisas  sobre  o  mercado  de  trabalho  e  desagregados  por  gênero  e  raça,  pois  geralmente mostram que estas se encontram nos cargos com menos prestígio social e/  ou  recebendo  os  menores  salários,  muitas  vezes  desempenhando  as  mesmas  funções  com as mesmas responsabilidades 15  .  No que se refere às transformações no mercado de trabalho e seu impacto sobre a  subjetividade  dos  trabalhadores,  Segnini  (2001)  escolhe  a  categoria  bancária  como  15  Neste  sentido,  podem  ser  citadas  as  pesquisas  realizadas  pelo  DIEESE  (2005B,  2006),  UNIFEM  (2004) e IPEA (2008). No que se refere às discussões que colocadas no presente trabalho tais observações  ainda são bastante atuais, conforme se verá adiante.
  12. 12. 12  exemplo analítico, na medida em que esta categoria teve (e ainda se pode dizer que tem)  acesso à sociedade salarial 16  , ou seja, às relações de trabalho formais que possibilitaram  o acesso a um conjunto de direitos e garantias sociais.  Neste sentido, Segnini (2001) afirma que o trabalho bancário, que é um dos ramos  mais expoentes do setor de serviços, constituiu­se em um “pilar consistente de direitos”,  ainda  que  inscrito  em  um  contexto  caracterizado  por  desigualdades,  considerando­se  tanto  a  relação  banqueiros/bancários,  a  diferenciação  hierárquica  e  salarial,  a  diferenciação de gênero e étnica. Destacando, ainda, que o trabalho bancário é marcado  por muita tensão, estresse e sofrimento mental.  Destaca­se,  ainda,  que  apesar  de  a  atividade  bancária  continuar  a  crescer  economicamente,  os  trabalhadores  bancários  estão  vivenciando  alto  grau  de  vulnerabilidade social, expressa pelo índice elevado de desemprego, pela terceirização  dos serviços e pela intensificação do trabalho para os que permanecem empregados e a  redução da própria categoria (Dourado, 2000; Larangeira, 1997; Jinkings, 1996, 2001,  2002; Segnini, 2001).  Larangeira (1997) assinala que ocorreram mudanças  significativas no perfil dos  trabalhadores bancários, pois nos anos das décadas de 1970 e 1980, a maioria dos caixas  e  escriturários  eram jovens estudantes,  sem  expectativas de permanência  no  emprego  por muito tempo, desempenhando funções rotineiras e de baixa qualificação, apesar da  alta escolaridade. Por outro lado na atualidade:  O perfil do novo bancário é traçado, portanto, a partir da ênfase na capacidade de lidar  com  tarefas  não  prescritas  e  com  limites  pouco  definidos,  contrariando  a  exigência  anterior,  quando  as  atividades  eram  claramente  delimitadas  pelo  manual  (Larangeira,  1997, p. 118).  Além  disso,  Segnini  (1998)  percebe  que  o  maior  nível  de  escolaridade  das  mulheres  que  trabalham  no  setor  bancário  e  o processo de  feminização da  categoria,  podem estar evidenciando novas formas de exploração/domesticação. Estes aspectos da  divisão  sexual  do  trabalho  podem  ser  interpretados  como  novas  mudanças  nos  dispositivos 17  do poder.  16  O termo sociedade salarial é utilizado por Castel (1998) ao analisar as metamorfoses da questão social.  O autor apresenta um panorama de sua formação a partir do enfoque sobre a sociedade francesa.  17  Aqui os dispositivos são entendidos como um conjunto multilinear composto por linhas de diferentes  naturezas  que  não  abarcam  nem  delimitam  sistemas  homogêneos,  mas  seguem  diferentes  caminhos,  formando  processos  em  desequilíbrio.  Neste  sentido,  Deleuze  (1990)  afirma  que  “as  três  grandes  instâncias que Foucault distingue sucessivamente (Saber, Poder e Subjetividade) não possuem, de modo  definitivo, contornos definitivos; são antes cadeias de variáveis entre si” (Deleuze, 1990, p. 155).
  13. 13. 13  Pesquisas  realizadas  pelo  DIEESE  (2004,  2005a)  mostram  uma  "participação  equilibrada"  entre  homens  e  mulheres  brancas  no  setor  bancário  (45%  de  mulheres  brancas  e  55%  de  homens  brancos).  Contudo,  em  relação  às  outras  cores  não  foi  encontrado o mesmo "equilíbrio”. Os homens são maioria expressiva entre os bancários  pretos e pardos.  Em relação às funções, foi percebido que pretos e pardos são sempre minoria e  também  apresentam  as  menores  participações  quando  comparados  com  amarelos –  à  exceção de funções como as de vigias, contínuos, pessoal de limpeza, etc. Neste sentido,  afirma­se que:  Quanto maior o grau de hierarquia, menor a participação de pretos e pardos. Os pretos e  pardos  aparecem  com  maior  expressão  nos  cargos  de  contínuos,  vigias,  pessoal  de  limpeza,  etc.  Devemos  lembrar  que  a  alocação  de  uma  pessoa  em  um  determinado  segmento é um  elemento­chave, uma vez que seu salário vai depender das regras internas  daquele segmento (DIEESE, 2004, p. 09).  Segundo  pesquisa  de  Portilho  (2007),  utilizando­se  de  dados  do  Ministério  do  Trabalho e Emprego ­ MTE no ano de 2005, o perfil dos sindicalizados desagregado por  sexo indica a predominância de mulheres nos bancos privados e sua menor presença nos  bancos públicos.  Esta diferença  de  gênero  observada  em relação aos  bancos públicos e  privados  pode ser explicada pelo fato de que somente no final da década de 1960, as mulheres  puderam  participar  de  concurso  para  ingressar  nos  bancos  públicos  (Jinkings,  1996;  Segnini, 2001).  Quanto  às  relações  de  gênero  o  DIEESE  (2004),  também  se  observa  que  os  homens ocupam a maior parte dos cargos de gerência em relação às mulheres no banco  ABN Real. Contudo, é importante ressaltar a ausência de dados referentes a homens e  mulheres pretas e pardas nestas funções. Segundo o DIEESE (2004):  Em  2002,  86,73%  dos  bancários  do  ABN  Real  eram  brancos  e  10,24%  eram  negros  (pretos e pardos). Se além da variável raça se utilizar o gênero, a fim de constatarmos se  há  diversidade  racial  nos  bancos,  veremos  que  as  mulheres  e  homens  brancos  são  a  maioria. Por outro lado,  mulheres  e homens pretos  não  chegam a 1% (0,36% e 0,60%  respectivamente)  e  mulheres e  homens pardos  não passam  de 5,00% (4,32%  e 4,96%,  respectivamente) (p. 14).  Segundo  Portilho  (2007),  no  ano  de  2005,  a  faixa  etária  predominante  dos  bancários do Município do Rio de Janeiro variava de 40 a 49 anos (32%), sendo que até  29 anos (27%) e de 30 a 39 anos (29%). Quanto ao nível de escolaridade predominam  os empregados com nível superior (67%).
  14. 14. 14  A  redução  dos postos  de  trabalho  no  setor  impacta  diretamente  o  cotidiano  do  trabalho dos empregados que permanecem nos bancos, bem como, a ação sindical da  categoria que não deve ser atribuída somente à queda das taxas de sindicalização. Neste  sentido, Jinkings (1996) ressalta que  ...  na  categoria  bancária,  as  mudanças  organizacionais  e  tecnológicas,  influindo  profundamente nas relações de poder dentro das instituições, no cotidiano de trabalho e  no próprio perfil da categoria, compeliriam os trabalhadores a criar novos mecanismos de  resistência (p. 96).  Tais mudanças têm atingido até mesmo sindicatos que possuem tradição na defesa  dos interesses da categoria que representam como é o caso do Sindicato dos Bancários  do Município do Rio de Janeiro 18  . Neste sentido, Portilho (2007) sustenta que:  A  opção  dos  bancários  do  Rio  de  Janeiro  de  intensificar  as  lutas  no  campo  social  se  justificava  principalmente  pelas  políticas  neoliberais  anti­sociais  que  vinham  sendo  implantadas com marcantes perdas para os trabalhadores do setor bancário. Desta forma,  o  Sindicato  buscava  um  meio  de  se  manter  ativo,  mesmo  sob  o  recrudescimento  das  investidas políticas contra a entidade e os trabalhadores, tanto de parte do governo quanto  dos banqueiros (p. 9)  No  que  se  refere  ao  perfil  dos  trabalhadores  que  aderiram  ao  Sindicato  dos  Bancários do Município do Rio de Janeiro no ano de 2005, a maior parte é oriunda de  bancos privados (60%) e, em menor percentual, dos bancos públicos (25%).  Portilho  (2007)  afirma,  ainda,  que  devido  ao  fato  de  muitos  empregados  dos  bancos possuírem  nível  superior,  muitos preferem recolher  a  contribuição  sindical ao  órgão representativo de sua classe, pois não se reconhecem como bancários, tal como  acontece com advogados administradores e contadores.  Neste  quadro  de  redução  de  postos  de  trabalho  e  diminuição  do  número  de  sindicalizados, os sindicatos têm enfrentado novas demandas que surgem da falência da  visão  desenvolvimentista  de  organização  das  forças  produtivas.  As  demandas  daí  decorrentes são  pautadas  na  afirmação  de  novas identidades que  constituem  parte de  uma nova subjetividade das (os) trabalhadoras (es).  Esta subjetividade não deve ser entendida como algo voltado para o interior do  sujeito,  como  algo  abstrato,  mas  como  algo  concreto  que  é  constituído  a  partir  das  influências  do  mundo  e, que, por outro lado o  constitui.  Neste  sentido, os modos de  subjetivação  se  referem  às  maneiras  como  os  indivíduos  ou  as  coletividades  se  18  O  Sindicato  dos  Bancários  do  Município  do  Rio  de  Janeiro  foi  fundado  na  década  de  1930  e  “sua  trajetória  de  conquistas  inclui  a  jornada  de  6  horas  desde  1933  e  a  estabilidade  no  emprego,  posteriormente  alterada  tanto  pela  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho  (CLT),  quanto  por  ocasião  da  criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), na década de 1960” (Portilho, 2007, p. 08­  9).
  15. 15. 15  constituem como sujeitos (Deleuze, 1992). Segundo Grisci (2004) “[...] a subjetividade  pode ser compreendida como fabricada, produzida, moldada, modulada” (p. 04).  A própria pressão que os movimentos de mulheres, o movimento feminista e o  movimento negro imprimiram nos últimos anos da década de 1970 e no início dos anos  da década de  1990  no  Brasil,  também  foi  importante  para  o  questionamento  de  uma  “igualdade forçada” em termos de identidade das (os) trabalhadoras (es).  Além  disso,  a  promulgação  do  novo  texto  constitucional  incluiu  entre  os  seus  objetivos fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,  sexo, cor, idade e quaisquer formas de discriminação” (art. 3º, IV, CFRB/88). Provocou,  ainda, mudanças significativas no que se refere ao trabalho da mulher incluindo novos  direitos e garantias para o seu exercício.  Neste  contexto,  foram  negociados  novos  pactos  pautados  em  documentos  internacionais decorrentes de Conferências que observassem os princípios e objetivos da  República.  Dentre elas,  podem ser destacadas  a Conferência  Internacional da  Mulher  realizada em Beijing no ano de 1995, que teve como novidade a discussão em torno da  articulação  entre  relações  de  gênero  e  questão  racial  no  âmbito  mundial  e  a  III  Conferência  Mundial  contra  o  Racismo,  Discriminação  Racial,  Xenofobia  e  Intolerâncias  Correlatas,  que  ocorreu  na  cidade  de  Durban  em  2003,  que  ampliou  o  debate iniciado na Conferência de Beijing. Note­se, ainda, que a partir de 2003:  ...  em  consonância  com  a  construção  histórica  dos  movimentos  sociais,  as  bases  da  política nacional e os compromissos assumidos internacionalmente, o governo brasileiro  criou  três  instrumentos  institucionais  considerados  fundamentais  para  o  enfrentamento  das discriminações: a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial  (SEPPIR);  a  Secretaria  Especial  de  Políticas  para  as  Mulheres  (SPM);  e  a  Secretaria  Especial  de  Direitos  Humanos  (SEDH),  todas  vinculadas  à  Presidência  da  República.  Essas  Secretarias  inauguram  uma  página  significativa  no  tratamento  dispensado  pelo  Estado  brasileiro  às  iniqüidades  resultantes  do  racismo,  das  discriminações  e  das  desigualdades sociais históricas. (Ribeiro, 2006, 807).  Dessa  forma,  a  partir  da  articulação  entre  movimentos  sociais  e  órgãos  governamentais é que irá se delinear novas formas de enfrentamento no âmbito da luta  pela manutenção do emprego e incremento da diversidade nos locais de trabalho.  Neste  sentido,  deve­se  notar  que  antes  mesmo  do  ano  2000  os  sindicatos  já  cobravam  dos bancos  uma  auditoria  da  diversidade  que  se  baseou  no  “O  Rosto  dos  Bancários – Mapa de Gênero e Raça no Setor Bancário Brasileiro”, realizada a pedido  da CNB­CUT pelo DIEESE (2001) entre 1998 e 2000, sendo publicada em 2001 e que  comprovou a existência da discriminação no setor bancário.
  16. 16. 16  Note­se, ainda, que no  ano de 2000,  a Confederação Nacional  dos Bancários –  CNB  lançou  uma  Campanha  Nacional  pela  Igualdade  de  Oportunidades,  sob  o  argumento de que apesar da inclusão de várias cláusulas relativas ao trabalho da mulher  em várias convenções coletivas, poucos avanços ocorreram em relação ao tratamento  diferenciado  entre  homens  e  mulheres;  os  negros  continuavam  a  ser  preteridos  no  mercado  de  trabalho  e,  tampouco,  havia  diminuído  a  dificuldade  que  os  deficientes  enfrentam para viver nas cidades.  Além disso, foi denunciado que no âmbito do trabalho bancário o desrespeito às  Convenções 100 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que trata da defesa  salário igual para trabalho de valor igual para homens e mulheres e a Convenção 111  que discute a questão da discriminação no trabalho era uma realidade constante.  Além  disso,  o Ministério Público  do  Trabalho  ­  MPT procurou os  bancos para  garantir  um  Termo  de  Ajustamento  de  Conduta  (TAC),  com  prazos  e  metas  para  eliminar as desigualdades.  Os  bancos,  mais uma  vez,  negaram  o problema.  Com  isso, o  MPT entrou  com  ações na Justiça contra Itaú, Bradesco, Real ABN, Unibanco e HSBC por discriminação  coletiva.  Nesse  cenário,  o  movimento  negro  conseguiu  uma  audiência  pública  na  Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados, em meados de  2005, que  rendeu  reuniões,  que aconteceram  nos anos de 2006  e 2007, perdendo  até  hoje,  entre  MPT  e  Febraban,  com  participação  da  CONTRAF­CUT,  resultando  num  plano para o combate às discriminações, o COORDIGUALDADE.  3.  CAPITALISMO  COGNITIVO  E  TRABALHO  IMATERIAL:  UM  “OUTRO  OLHAR” ACERCA DA CRISE  No âmbito das transformações que vêm ocorrendo no mundo do trabalho, alguns  autores  têm  afirmado  a  passagem  de  um  capitalismo  pautado  na  produção  fordista,  caracterizado por um trabalho em série, repetitivo, para uma fase pós­fordista em que  prepondera  a  invenção  e  a  criatividade.  Essa  é  a  hipótese  do  capitalismo  cognitivo  (Corsani, 2003; Moulier­Boutang, 2003, 2007).  Diante disto, não se deve mais tomar a fábrica de alfinetes (Adam Smith), mas a  produção do livro (Gabriel Tarde). Isto significa que “seria necessário parar de pensar a  produção de conhecimentos encerrando­a na produção de mercadorias” (Corsani, 2003).
  17. 17. 17  Dessa maneira, aqueles que se dedicam a combater o discurso do fim do trabalho  (e  do  fim  da  história) tanto  em  suas divergências quanto  em  suas convergências são  importantes  para  lançar  luz  sobre  os  questionamentos  daí  decorrentes.  Diante  disso,  afirma­se  que  a  categoria  trabalho  imaterial  é  importante  para  a  compreensão  das  transformações  pelas  quais  tem  passado  o  capital  e  atingido  a  sociedade  de  maneira  geral.  O trabalho imaterial é uma categoria formulada por Maurício Lazzarato e Antônio  Negri como desdobramento do conceito de operário­massa originário das lutas operárias  italianas,  cujo  movimento  ficou  conhecido  como  operaísmo  italiano.  Dessa  forma,  afirma­se uma nova perspectiva de análise da crise do capital, pois, o “trabalho material,  mensurável em unidades de produtos por unidades de tempo, é substituído por trabalho  dito  imaterial,  ao  qual  os  padrões  clássicos  de  medida  não  mais  podem  se  aplicar”  (Gorz, 2005, p. 16). Além disso, pode­se afirmar acerca do trabalho imaterial que:  Com  efeito,  é  contemporaneamente  sobre  a  derrota  do  operário  fordista  e  sobre  o  reconhecimento da centralidade de um trabalho vivo sempre mais intelectualizado, que se  constituíram  as  variantes  do  modelo  pós­fordista.  [...]  Como  prescreve  o  novo  management hoje, ‘é a alma do operário que deve descer na firma. É a sua personalidade,  a sua subjetividade, que deve ser organizada e comandada. “Qualidade e quantidade do  trabalho são reorganizadas em torno de sua imaterialidade (Lazzarato, 2001, p. 25).  A importância atribuída a esta categoria se justifica na medida em que através do  trabalho imaterial, é possível afirmar que as dimensões comunicativas e sociais não são  perdidas ao se integrar na dinâmica da acumulação.  Tal análise esclarece que a nova centralidade do trabalho deve estar atenta para a  relação  entre  trabalho  imaterial  e  territorialização  da  produção 19  visto  que  compõem  esta nova centralidade, pois é “unicamente no trabalho imaterial, figura historicamente  determinada do General Intellect (do saber social geral, do saber como bem público),  que é impossível separar o tempo de trabalho do tempo de reprodução” (Cocco, 2001,  p.110).  Assim, são propostos alguns elementos de reflexão para o deslocamento da crítica  dentro do novo paradigma, para enfrentar e não apenas negar os novos desafios. Nessa  19  Segundo  Moulier­Boutang  (2003)  o  “trabalho  assalariado  fortemente  homogeneizado  pela  grande  indústria  não  constitui  mais  a  ossatura  do  território;  é  o  território  que  assegura  a  compatibilidade,  a  combinação  de  diversas  formas  de  trabalho  dependente  [...]  É  esta  transformação  que  modifica  profundamente o papel dos sistemas de proteção social ainda amplamente herdados da época fordista” (p.  45). Neste sentido, o autor defende que se vive em uma época que denomina de capitalismo cognitivo  marcada pela difusão da empresa por toda a sociedade e pela crise dos sistemas de mensuração dos níveis  de produtividade do trabalho herdados do período fordista/ taylorista.
  18. 18. 18  perspectiva,  sua  proposta  se  articula  em  dois  eixos  interligados  de  redefinição  da  mudança, quais sejam o da cidadania e o do trabalho.  Cocco  (2001)  desenvolve  uma  análise  das  mudanças  da  constituição  material  dentro da passagem do fordismo ao pós­fordismo e do deslocamento da relação entre  cidadania  e  produção.  Baseando­se  na  definição  da  constituição  material  do  pós­  fordismo interpreta a nova centralidade do trabalho vivo, no sentido de que:  [...] por trás da crise do trabalho industrial (e do trabalho assalariado formal), o regime de  acumulação pós­fordista determina uma difusão social do trabalho. Longe de desaparecer,  o trabalho não pára de se difundir no espaço e no tempo: nos territórios desenhados pelas  redes sociais de cooperação; num tempo definido pela recomposição de tempo de vida e  tempo de trabalho. (Cocco, 2001, p.16)  Procura  reconstruir  as  análises  político­teóricas  da  crise  financeira,  a  fim  de  demonstrar que não é possível analisá­la em si mesma, pois acredita que sua novidade  depende dos paradigmas que caracterizam os processos de trabalho, e ao contrário do  que propõe as abordagens de tipo neo­industrial, não os determina 20  .  Neste sentido, as abordagens que separam a esfera real da esfera financeira (ou  seja, a autonomização da esfera do capital  fictício), apesar das divergências quanto à  apreensão do processo de globalização (tanto na sua aceitação, quanto nas  formas de  resistência  a  esse  processo)  partem  do  pressuposto  de  que  o  Estado­nação  e  sua  soberania  são  parâmetros  insuperáveis  da  discussão  política  e  de  alternativas  de  superação do mercado 21  .  A questão central se subsume à circulação e à distribuição da riqueza produzida,  pois a perda da dinâmica universalizante da relação salarial que funcionava como motor  da formação da mais­valia e de sua realização acaba reabrindo a discussão neste período  de ‘ditadura’ dos mercados e do Estado cada vez menos intervencionista.  Ao se compreender o fordismo como resultado das relações altamente conflituais  da  relação  salarial  tem­se  uma  abordagem  mais  ampla  acerca  da  reestruturação  produtiva,  pois  “o  cerne  do  fordismo  encontra­se,  na  dinâmica  dos  ganhos  de  produtividade,  da  qual  depende  o  crescimento,  simultâneo  e  interdependente,  da  acumulação e dos salários reais” (Cocco, 2001, p. 65).  Segundo  Cocco  (2001),  a  difusão  territorial  dos  processos  produtivos  (especialização flexível) não se limita às lógicas de externalização e terceirização, pois,  20  Moulier­Boutang (2003) e Corsani (2003) entendem que a mutação do capitalismo é radical e, dessa  forma  a globalização representaria apenas em  parte o deslocamento de uma  ordem antiga. A novidade  essencial consistiria no estabelecimento de uma nova base do valor, novas formas de validação da moeda  e de novas de subordinação do trabalho.  21  Nesta perspectiva podem ser citados Fiori (1999) e Fiori & Tavares (1997).
  19. 19. 19  “por  um  lado  o  mercado  entrou  na  fábrica,  obrigando­a  a  flexibilizar­se  para  acompanhar suas evoluções cada vez mais  voláteis e mais  visíveis. Por outro lado, o  próprio regime de fábrica  generalizou­se por toda a sociedade” (Cocco, 2001, p. 98).  Isto  significa  que  ao  contrário de uma  marginalização  do  trabalho,  tem­se em última  instância, em uma nova centralidade do trabalho vivo imbricado com as características  de profunda socialização do trabalho.  Na  heterogeneidade  dos  modos  de  produção  no  pós­fordismo,  a  comunicação  possui papel fundamental aliada à rearticulação territorial da produção. Dessa forma:  Trabalho  imaterial  e  territorialização  da  produção  constituem  as  duas  faces  de  uma  mesma  transformação,  fundamentada  na  recomposição  subjetiva  do  trabalho,  a  nova  centralidade do trabalho vivo. [...] Assim, a descentralização produtiva e a desintegração  vertical constituem apenas fenômenos secundários diante do crescimento de um trabalho  concreto que integra as dimensões empresariais (Cocco, 2001, p. 102).  Assim,  o  conceito  de  intelectualidade  pública 22  supera  a  categoria  clássica  do  trabalho improdutivo por considerá­lo  insuficiente para responder às novas demandas  societárias 23  .  Por  isso  Cocco  (2001)  afirma  que  é  “unicamente  no  trabalho  imaterial,  figura historicamente determinada do General Intellect (do saber social geral, do saber  como  bem  público),  que  é  impossível  separar  o  tempo  de  trabalho  do  tempo  de  reprodução”  (p.  110).  Desta  forma,  afirma  que  ocorre  a  recomposição  do  fazer  e  do  agir 24  .  Compreende­se  a  necessidade  de  que  sejam  apreendidas  tais  mudanças  paradigmáticas que ocorrem com o capitalismo, a fim de possibilitar uma análise mais  apurada das relações de gênero e de raça/etnia que se estabelecem no interior da força  de trabalho e, no caso específico desta pesquisa, no interior do trabalho bancário. Neste  sentido, Grisci (2006) afirma que:  A  exigência  imposta  aos  trabalhadores,  de  uma  mobilidade  sem  precedentes  em  parte  possibilitada  pelas  próteses  tecnológicas  que  acoplam  aos  corpos,  não  pressupõe  autonomia para traçar suas próprias rotas, uma vez que o controle se impõe de maneira  dispersa,  em  todas  atividades  de  forma  rizomática  [...]  ao  analisar  as  atuais  formas  laborais bancárias (p. 36).  22  O termo deriva do que Karl Marx denominava General Intellect.  23  Neste sentido, Grisci (2006) destaca que “ao falar­se em trabalho imaterial, fala­se também do trabalho  produtivo  material”  (p.  39).  Esta  observação  é  importante  tendo  em  vista  que  na  clássica  divisão  dicotômica entre trabalho material e trabalho imaterial, este último foi marginalizado por se considerar  que ao trabalho no setor de serviços e que este, por sua vez, se subsume e ainda é dependente da indústria  (Antunes, 2006).  24  Outra análise deste mesmo ponto de vista é encontrada em Virno (2008). O autor sustenta que: “a) que  o Trabalho absorveu os traços distintivos da ação política; b) que tal anexação tornou­se possível graças à  conspiração entre a produção contemporânea e um Intelecto tornado público, isto é, irrompido no mundo  das aparências” (p. 118).
  20. 20. 20  Dessa forma, não se pode pensar a resistência das (os) trabalhadoras (es) em uma  forma de enfrentamento direto aos processos de trabalho que atualmente se configuram,  notadamente no trabalho bancário. Conforme assinala Grisci (2006), a resistência se dá  através de linhas de fuga.  Para Foucault a resistência se relaciona ao poder e precede às investidas de seus  dispositivos e, em última instância, como resposta ao biopoder, que se constitui como  um poder sobre a vida (Foucault, 2005) 25  . Somente assim se pode resistir a um controle  que cada vez mais se aproxima da forma de um rizoma 26  .  Convém  esclarecer  que  se  compreende  a  resistência  como  integrante  da  subjetividade.  Esta  subjetividade,  conforme  foi  visto  anteriormente,  se  constitui  e  é  constituída por meio de entrecruzamentos com o mundo, com o real e, nesta perspectiva  é que deve ser compreendida a resistência.  Dessa  forma,  descortinam­se  múltiplas  possibilidades  para  reflexão  acerca  da  nova centralidade do trabalho vivo e a articulação entre produção de subjetividades e  resistência,  principalmente  em  um  período  em  que  tanto  se tem  falado de  crise  e da  perda de um horizonte em que não se descortina mais um sujeito político capaz de uma  mudança radical da sociedade.  CONSIDERAÇÕES FINAIS  25  É importante destacar que o biopoder é articulado ao surgimento do racismo de Estado. Este fenômeno  demarca uma importante passagem daquilo que se conhecia como luta das raças voltada para um inimigo  externo e que, após o século XIX se volta para o seu próprio interior (Foucault, 2005). Neste sentido, o  autor afirma que ao antigo direito de soberania que se fazia morrer ou se deixava viver, sobrevém outro a  complementá­lo que consiste no “[...] direito de fazer viver e deixar morrer” (Foucault, 2005, p. 287).  26  Além disso, para se apreender a resistência como linha de fuga, como multiplicidade de estratégias, é  importante compreender o que é um rizoma. Neste sentido, Deleuze (1995) afirma que: “um rizoma não  começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter­ser, intermezzo. A árvore é  filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo ‘ser’, mas o rizoma tem  como tecido a conjunção ‘e... e... e...’ [...] Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o  verbo  ser.  [...]  Entre  as  coisas  não  designa  uma  correlação  localizável  que  vai  de  uma  para  outra  e  reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra,  riacho sem início e nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio” (p. 37).
  21. 21. 21  Foram  apresentadas  algumas  considerações  sobre  o  processo  de  reestruturação  produtiva no setor bancário, principalmente a partir da década de 1990, período em que  a globalização e o pensamento neoliberal penetram no país com grande força.  Além disso, abordaram­se algumas especificidades deste processo no que se refere  ao município do Rio de Janeiro, principalmente em relação ao perfil dos trabalhadores  pertencentes a  esta categoria, a  fim  de se  apresentar algumas  importantes assimetrias  existentes na sua composição.  A  partir  de  uma  análise  mais  ampla  dos  processos  que  contribuíram  para  as  transformações no cotidiano do trabalho bancário foram apresentadas as desigualdades  no que se refere à ocupação dos postos de trabalho e à renda que se tornam mais nítidas  quando se analisam os dados desagregados segundo gênero e raça.  Além disso, algumas considerações sobre as transformações do capitalismo que  influenciam os modos de produção foram apontadas a partir de uma perspectiva que se  desenvolve  a  partir  do  movimento  denominado  operaísmo  italiano.  Esta  perspectiva  parte  uma  leitura  pouco  ortodoxa  das  obras  de  Marx,  a  fim  de  repensá­las  à  luz  de  autores pós­estruturalistas como Foucault e Deleuze.  Neste período histórico em que se afirma a necessidade do reconhecimento das  diferenças, da afirmação de identidades que rompam com essencialismos e com a lógica  binária  é  que  se  deve  pensar  outras possibilidades  teóricas  que  possam  enriquecer  o  debate  acerca  do  mundo do  trabalho  na  contemporaneidade, bem  como  os  sujeitos e  novas possibilidades de ação política.  É necessário refletir sobre os novos dispositivos do poder neste contexto em que  transparece apenas  a aparência de uma crise interminável. E a reflexão aqui proposta  não deve ser compreendida como mais um discurso acerca da dominação e exploração  sofrida pelos negros e, principalmente, pelas mulheres  negras na sociedade brasileira,  pois isto já tem sido muito noticiado pelas estatísticas e pode ser facilmente percebido  pelas ruas das cidades brasileiras.  O  que  interessa  saber  é  de  que  forma  homens  e  mulheres  resistem  a  um  capitalismo que, ao contrário do passado, não busca anular  a subjetividade, mas dela  precisa para existir e, dessa forma, impõe novos desafios para todas as trabalhadoras e  trabalhadores.
  22. 22. 22  REFERÊNCIAS  AMARO, Sarita. A questão racial na Assistência Social: um debate emergente. Serviço  Social e Sociedade, n. 81, 2005. pp. 58­81.  ALTAMIRA,  César.  Os  marxismos  do  novo  século.  Rio  de  Janeiro:  Civilização  Brasileira, 2008.  ANTUNES,  Ricardo.  Adeus  ao  trabalho?:  ensaio  sobre  as  metamorfoses  e  a  centralidade  do  Mundo  do  Trabalho.  São  Paulo:  Cortez;  Campinas,  SP:  Editora  da  Universidade de Campinas, 11ª edição, 2006.  ___________.  Os  sentidos  do  Trabalho:  ensaio  sobre  a  afirmação  e  negação  do  trabalho. São Paulo: Boitempo, 2002. p. 38.  BAIRROS, Luiza. Mulher  negra: o reforço da subordinação. In: LOVELL, Peggy A.  (org.)  Desigualdade  racial  no  Brasil  contemporâneo.  Belo  Horizonte:  UFMG/CEDEPLAR, 1991.  CASTEL,  Robert.  As  metamorfoses  da  questão  social:  uma  crônica  do  salário.  Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 4ª edição, 2003.  COCCO, Giuseppe. Trabalho e cidadania: produção e direitos na era da globalização.  São Paulo: Cortez, 2ª edição, 2001.  ______;  NEGRI,  Antonio.  Global:  biopoder  e  lutas  em  uma  América  Latina  globalizada, Rio de Janeiro: Record, 2005.  CORSANI, Antonella. Elementos de uma ruptura: a hipótese do capitalismo cognitivo.  In: COCCO, G.; GALVÃO, A. P.; SILVA, G. (orgs.). Capitalismo cognitivo: trabalho,  redes, inovação. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.  DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Conversações 1972­1990. Rio de Janeiro: Ed.  34, 1992.  ______. ¿Que es un dispositivo? In: Michel Foucault, filósofo: Barcelona: Gedisa,  1990.  DIEESE. O Rosto dos bancários: mapa de gênero e raça no setor bancário brasileiro.  São Paulo: DIEESE, 2001.  ______. Responsabilidade social nos bancos: diversidade racial, São Paulo: DIEESE,  2004.  ______. As mulheres nos bancos. In: Estudos e pesquisas. São Paulo: DIEESE. Ano I,  n.º 7, 2005a.  ______. Mulher negra: dupla discriminação nos mercados de trabalho metropolitanos.  In: Estudos e pesquisas, São Paulo: DIEESE, ano II, n. 14, 2005b.  ______. Os negros nos mercados de trabalho metropolitanos. In: Estudos e pesquisas,  São Paulo: DIEESE, ano 3, n. 26, 2006.
  23. 23. 23  DOURADO, Elziane Olina. Reestruturação dos bancos e a ação do Serviço Social. In:  MOTA,  Ana  Elizabete  (Org.)  A  nova  fábrica  de  consensos:  ensaios  sobre  a  reestruturação  empresarial,  o  trabalho  e  as  demandas  do  Serviço  Social.  2.  ed.,  São  Paulo: Cortez, 2000.  FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala. Rio de Janeiro, Brasília: INL­MEC, 1980.  GONZALEZ, Lélia. Mulher negra. Revista Carta. nº. 13, 1994, pp. 171­182.  FIORI, José Luís. Estados e moedas no desenvolvimento das nações. Petrópolis, RJ:  Ed. Vozes, 1999.  ______; TAVARES, Maria da Conceição. Poder e dinheiro: uma economia política da  globalização. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 1997.  FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito: curso no Collège de France: (1981­  1982). São Paulo: Martins Fontes, 2005.  ______.  Em  defesa  da  sociedade:  curso  no  Collège  de  France:  (1975­1976).  São  Paulo: Martins Fontes, 2005.  ______.  Vigiar e  punir:  história  da violência  nas  prisões. 33.  ed.  Petrópolis:  Vozes,  2007.  GORZ,  André.  O  imaterial:  conhecimento,  valor  e  capital.  São  Paulo:  Annablume,  2005.  GRISCI,  Carmen  Ligia  Iochins;  BESSI,  Vânia  Gisele.  Modos  de  ser  e  trabalhar  na  reestruturação bancária. In: Sociologias, Porto Alegre, n. 6, n. 12, jul/dez, 2004, p. 160­  200.  ______. Trabalho imaterial e resistência na contemporaneidade. In: Boletim da Saúde.  Porto Alegre, vol. 20, n. I, jan/jun. 2006, pp. 35­47.  HOFBAUER, A. O conceito de “raça” e o ideário do “branqueamento” no século XIX:  bases ideológicas do racismo brasileiro. Teoria e Pesquisa, nº 42 e 43, janeiro/julho,  2003, pp. 63­110.  HOLANDA,  Sérgio  Buarque  de.  Raízes  do  Brasil.  22a  ed.  ­  Rio  de  Janeiro:  J.  Olympio, 1991.  IPEA/UNIFEM.  Brasil:  Dados  sobre  desigualdades  de  gênero  e  raça.  Programa  Igualdade de Gênero e Raça (UNIFEM) e Diretoria de Estudos Sociais (IPEA), 2004.  JINKINGS, Nise. O mister de fazer dinheiro: automação e subjetividade no trabalho  bancário. São Paulo: Boitempo, 1996.  ______.  Os  trabalhadores  bancários  em  face  da  reestruturação  capitalista  contemporânea.  Florianópolis;  UFSC,  Programa  de  Pós­Graduação  em  Sociologia  Política, Cadernos de Pesquisa, n° 28, agosto/2001.
  24. 24. 24  ______.  A  reestruturação  do  trabalho  nos  bancos.  In:  ANTUNES,  Ricardo  (org.)  Riqueza e miséria do trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006.  LARANJEIRA, Sônia Maria. Reestruturação produtiva no setor bancário: a realidade  dos anos 90. In: Educação e sociedade, Ano XVIII, n° 61, dezembro/ 97.  LAZZARATO,  Maurício  &  Negri,  Antonio.  Trabalho  Imaterial:  formas  de  vida  e  produção de subjetividade. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.  MOULIER­BOUTANG,  Yann.  O  território  e  as  políticas  de  controle  do  trabalho  no  capitalismo  cognitivo.  In:  COCCO,  G.;  GALVÃO,  A.  P.;  SILVA,  G.  (orgs.).  Capitalismo cognitivo: trabalho, redes, inovação. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.  ______.  Capitalisme  cognitif:  La  nouvelle  grand  transformation.  Paris:  Éditions  Amsterdam, 2007.  MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional  versus identidade negra. Belo Horizonte: Autênctica, 2004.  PORTILHO,  Juçara  Lins.  Responsabilidade  social  empresarial  ­  impactos  na  organização dos trabalhadores: o caso do ABN/Real e o Sindicato dos Bancários do  Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, 2007.  RIBEIRO,  Matilde.  O  feminismo  em  novas  rotas  e  visões.  In:  Revista  Estudos  Feministas, v.14 n.3.  Florianópolis set./dez. 2006.  TELLES, Vera. Pobreza e cidadania. São Paulo: Ed. 34, 2001.  SANCHES,  Ana  Tercia.  Terceirização  e  terceirizados no  setor  bancário:  relações  de  emprego, condições de trabalho e ação sindical. Pontifícia Universidade Católica de São  Paulo. Dissertação de mestrado em Ciências Sociais. São Paulo, 2006.  SEGNINI,  Liliana  Rolfsen  Petrilli.  Constantes  recomeços:  desemprego  no  setor  bancário. (In.) BRUSCHINI, Cristina; PINTO, Céli Regina Jardim. Tempos e lugares  de gênero. São Paulo: Fundação Carlos Chagas: Ed. 34, 2001.  ______. Mulheres no trabalho bancário: difusão tecnológica, qualificação e relações  de gênero. São Paulo: Fapesp/ Edusp, 1998.  VENCO,  Selma  Borghi.  Telemarketing  nos  bancos:  o  emprego  que  desemprega.  Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação. Dissertação de mestrado.  Campinas, São Paulo, 2006.  VIRNO, Paolo. Virtuosismo e revolução: a idéia de “mundo” entre a esfera sensível e  a esfera pública. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

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