Princila da cunha

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Princila da cunha

  1. 1. SERVIÇO SOCIAL E LOGÍSTICA: NOVA COMPETÊNCIA  EXIGIDA DO ASSISTENTE SOCIAL NA  CONTEMPORANEIDADE  Princila da Cunha  Assistente Social  Faculdade Metodista do Espírito Santo  Técnica em Logística  Faculdade Casa do Estudante  RESUMO  O  objetivo  deste  estudo  é  identificar  como  os  profissionais  de  Serviço  Social  do  município de Aracruz­ES utilizam a  logística em seus postos de trabalho. Esperamos  que este trabalho traga para o leitor alguns pontos importantes sobre o uso das novas  tecnologias de comunicação disponíveis no mercado globalizado e também deixar claro  que o movimento de capitais em busca de novos mercados e maiores lucros dita novas  formas  de  acumulação  e  de  exploração  da  força  de  trabalho.  Não  muito  longe  deste  cenário, o Serviço Social está presente nesta realidade e precisa também ser inserido nas  novas  normas  e  exigências  do  capital  para  assim  prestar  um  excelente  serviço  à  sociedade.  Palavras­chave: Reestruturação produção, Logística, Assistente Social.  ABSTRACT  The purpose of this study is to identify how Social Worker  from municipality Aracruz­  ES  use the Logistics in they jobs. We hope that this work brings to the reader some  important  points  about  the  use  of  new  communication  technologies  available  in  the  globalized market and also make it clear that the movement of capital in search of new  markets and greater profits dictate new forms of accumulation and of exploitation of the  labor force. Not far this scenario, the Social Work is present in this reality and needs  also to insert it in the new standards and requirements of the capital and so to give to  society a excelente service.  Keywords: Restructuring production, Logistics, Social Worker.  INTRODUÇÃO  Com as várias transformações sociotécnicas ocorridas no mundo do trabalho, percebe­se  que a cada dia exigem­se mais competências e habilidades dos profissionais que atuam  em  contato  com  a  população,  dentre  esses  profissionais,  podemos  citar  o  Assistente
  2. 2. Social  que  a  partir  de  então  se  depara  com  novos  processos  de  trabalho  e  novas  ferramentas (principalmente tecnológicas)  para a execução de suas atividades diárias.  As conseqüências da Revolução Industrial ­ que ocorreu na segunda metade do século  XVIII ­ são percebidas até hoje através da consolidação do capitalismo industrial, da  formação de  grandes  conglomerados econômicos e  do desenvolvimento  da  economia  liberal  que  tem  como  base  a  livre  concorrência  entre  os  mercados.  Esses  efeitos  ajudaram a  consolidar o  modo de produção  capitalista  e,  a  fomentar  a  eliminação  de  pequenas empresas por grandes grupos empresariais que, em busca da qualidade total 1  nos  seus  produtos,  utilizam  a  produção  em  série,  substituição  da  mão­de­obra  pela  utilização de máquinas e equipamentos, padronização das mercadorias, globalização de  produtos, idéias, tecnologias e estilos de vida. Chegamos assim neste século XXI, ao  que  chamamos  de  neoliberalismo  que,  suscita  na “velha  nova”  questão social,  novas  formas de enfrentamento das expressões da questão social.  Assim, apreender  a questão social é também captar  as  múltiplas formas de  pressão  social,  de  invenção  e  de  re­invenção  da  vida  construídas  no  cotidiano,  pois  é  no  presente  que  estão  sendo  recriadas  formas  novas  de  viver,  que  apontam  para  um  futuro  que  está  sendo  germinado  (IAMAMOTO,1998, p.28).  Além  de  seu  conhecimento  teórico  e técnico,  o  Assistente  Social  também  precisa  se  adaptar a estas novas exigências de mercado para conseguir atuar de forma satisfatória.  Necessitando então, obter novos conhecimentos e habilidades que não são ensinadas na  academia.  Alteram­se  os requisitos dos  processos  seletivos para  os  postos de trabalho  valorizados  pelo  mercado,  acompanhando  a  globalização.  No  campo  do  Serviço  Social  hoje  se  exige,  por  exemplo,  um  técnico  versado  em  computação, capaz de acessar as redes de comunicação on­line, com domínio  fluente de inglês etc. (IAMAMOTO, 1998, p. 49).  Um dos princípios fundamentais do Código de Ética Profissional do Serviço Social de  1993 prevê:  o  “Compromisso  com a  qualidade  dos serviços prestados à população  e  com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional”. Dessa  1  Qualidade Total: O termo qualidade total se refere a um conjunto de técnicas utilizadas por empresas  para  produzir  produtos  com  o  nível  máximo  de  qualidade  e  para  atender  às  necessidades  de  clientes  internos  e  externos  à  empresa.  Podemos  citar  alguns  princípios  que  devem  ser  perseguidos  para  se  alcançar a qualidade: a total satisfação dos clientes, a busca por uma gerência participativa, constância de  propósitos, aperfeiçoamento  contínuo, desenvolvimento de RH, delegação, garantia da qualidade, não­  aceitação de erros, gerência de processos e disseminação de informações.
  3. 3. forma  o  profissional  de  Serviço  social  se  vê  obrigado  a  adequar­se  às  inovações  e  formas de reestruturação produtiva ocorridas no interior de seus postos de trabalho.  A reestruturação produtiva no Brasil vem reforçando a inserção de novos e modernos  padrões de produção de bens e serviços e os resultados têm sido, o aumento nos índices  de desemprego, a fragilização da luta sindical, uma grande distorção na distribuição da  renda e uma significativa mudança no perfil do trabalhador moderno.  Conforme diz César:  O  uso  das  novas  tecnologias  na  melhoria  da  qualidade  dos  produtos  e  na  redução dos custos de produção, para tornar­se efetivo, exige a constituição  de  uma  nova  cultura  do  trabalho.  Por  isso  mesmo,  a  modernização  das  práticas industriais, [...] requer a integração orgânica do trabalhador, através  da mobilização da sua subjetividade e cooperação (2006, p.118).  No  Brasil  a  industrialização  se  consolida  na  década  de  60  durante  o  governo  de  Juscelino  Kubitschek  com  a  implantação  da  indústria  de  bens  e  consumos duráveis,  sobretudo, eletrodomésticos e veículos.  As empresas, para melhor se firmarem no mercado, passam a utilizar­se de estratégias  logísticas como forma de aumentar a quantidade de produtos ofertados e para reduzir os  custos do processo.  A logística é definida pelo dicionário da língua portuguesa Ruth Rocha como: “técnica e  arte de providenciar, distribuir e transportar os meios e suprimentos de uma tropa em  operação”. Inicialmente o conceito de logística era utilizado apenas por militares na arte  da guerra, mas, como a maioria das tecnologias e técnicas utilizadas em guerras podem  ser adaptadas aos meios empresariais, a busca pelo conhecimento e a prática da logística  torna­se  primordial  para  as  organizações  empresariais,  governamentais  e  sem  fins  lucrativos que desejam continuar ativas em um mercado cada vez mais competitivo e  voraz.  CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA  NO BRASIL  Até a Revolução Industrial a economia ainda era baseada no mercantilismo. A máquina  a vapor marcou o início de uma época caracterizada por grandes dificuldades e grandes
  4. 4. disparidades entre quem detinha os meios de produção – o capital e quem trabalhava na  indústria – o proletariado.  O artesão, que antes conhecia todas as etapas do processo produtivo, passa a atuar e a  conhecer apenas uma pequena parcela, não se reconhecendo no produto final. A este  fenômeno dá­se o nome de alienação.  Nesse contexto em que a “questão social”, resultante das desigualdades entre o capital e  o trabalho é tratada como caso de polícia, surge uma grande necessidade do proletariado  se organizar em busca de melhores condições de trabalho e da regulamentação de suas  atividades. A partir daí surgem as Ligas Operárias, as Associações de Socorro Mútuo,  as  Caixas  Beneficentes  e  também  começam  a  ser  esboçados  os  sindicatos;  que  se  inspiram  nos  ideais  revolucionários  europeus  da  Revolução  Francesa  –  Liberdade,  Igualdade e Fraternidade; e das idéias pregadas por Karl Max 2  , de que o proletariado  deveria  unir­se  para  lutar  por  seus  direitos  enquanto  cidadãos  e  enquanto  classe  trabalhadora.  A  luta  operária  se  concentrou  na  defesa  do  poder  aquisitivo  dos  salários,  na  regulamentação do trabalho de mulheres, na jornada de trabalho normal, na proibição do  trabalho  infantil,  no  direito  a  férias,  seguros  contra  acidentes  e  doenças,  contrato  coletivo de trabalho e, no reconhecimento de suas entidades.  Já  na  década  de  20  os  Estados  Unidos  produziam  uma  quantidade  de  produtos  tão  grande  que  seus  próprios  habitantes  não  conseguiam  consumir  toda  a  oferta.  As  mercadorias não compradas pelos americanos eram vendidas para outras nações, menos  desenvolvidas.  A crise de 1929 iniciada  nos Estados Unidos também afetou o Brasil, e os primeiros  anos do  governo  de  Getúlio  Vargas  foram marcados pela  superprodução de  café e  a  queda brusca nas  exportações  ­ os EUA  eram  a principal  nação  compradora do café  brasileiro.  Diante  deste  quadro  preocupante,  Vargas  resolveu  incentivar  a  indústria  nacional,  isso  agradou  aos  industriais,  que  durante  a  República  Velha  sempre  2  Karl Marx:  foi um economista, socialista e  filósofo alemão que junto com Friedrich Engels escreveu o  livro Manifesto do partido comunista. Em seu livro Marx cria uma nova teoria, o Marxismo; que procura  explicar  a  história  da  luta  de  classes  e,  preconiza  o  fim  do  capitalismo  com  a  chamada  revolução  do  proletariado  que  segundo  ele  deveriam  unir­se  enquanto  classe  para  derrubar  o  sistema  capitalista  e  instaurar a ditadura do proletariado onde, não haveriam exploradores nem explorados.
  5. 5. enfrentaram  forte  concorrência  das  mercadorias  estrangeiras  ,  o  exército  viu  nessa  medida  a  possibilidade  do  país  produzir  suas  próprias  armas.  Até  a  década  de  30  o  Brasil ainda tinha como base de mercado a economia agrária, sendo o principal produto  o café.  O  governo  implantado  em  1930,  embora  não  tenha  deixado  do  reprimir  duramente  as  manifestações  operárias,  procurou  soluções  novas  para  enfrentá­las.  Getúlio  Vargas  considerava  que  a  concessão  de  direitos  trabalhistas  iria  reduzir  a  força  dos  sindicatos,  beneficiando  assim,  os  próprios  empresários.  Com  esse  pensamento,  Vargas  criou  em  26  de  novembro  de  1930  o  ministério  do  Trabalho;  decretou  a  chamada  Lei  dos  Dois  Terços,  que  obrigava  as  empresas  a  terem  em  seus  quadros  de  trabalhadores pelo menos dois terços de brasileiros – reduzindo a influência  dos operários estrangeiros, mais combativos; instituiu a Lei de sindicalização  e regulamentou o trabalho dos menores (CARMO e COUTO, 2000, p.83).  Algumas das características das indústrias criadas após a 1ª Guerra Mundial é o fato de  não fabricarem produtos acabados, apenas os montavam com peças vindas do exterior,  sendo que na maioria dos casos essas empresas eram de capital estrangeiro. Após a 2ª  Guerra Mundial esse quadro se modifica. Agora as empresas brasileiras deixam de ser  exclusivamente montadoras de grandes marcas internacionais e passam a ser produtoras  de produtos acabados Ao final da guerra já existiam indústrias com capital e tecnologia  nacionais, como a indústria de autopeças.  Em  1956  Juscelino  Kubitschek  assume  a  presidência  do  Brasil  e  transforma  significativamente  o  quadro  de  desenvolvimento  do  país.  Iniciou­se  o  consumo  de  eletrodomésticos pela população brasileira que entrava nas lojas e se maravilhava com  máquinas  de  lavar  roupas,  costurar,  batedeiras  elétricas,  toca­discos,  enceradeiras,  ventiladores e outros produtos que incentivam a classe média a comprar mais e mais;  porém grande parte da população ainda não possuía dinheiro suficiente para comprar  um  aparelho  de  TV.  Nesse  período  é  observada  a  expansão  pelo  gosto  por  produtos  norte­americanos e seu estilo de vida.  Durante o governo de JK, houve um grande crescimento da indústria de bens  de  consumo  duráveis:  televisão,  automóveis,  máquinas  de  lavar  roupa,  enceradeiras  etc.  Naquela  época,  só  a  classe  média  podia  comprar  esses  produtos.  Ou  seja,  o  crescimento  econômico  do  país  pouco  beneficiou  os  mais pobres (SCHMIDT, 1999, p. 229).  É  importante  lembrar  também  que  durante  o  governo  de  JK  as  diferenças  sociais  também  não  foram  reduzidas,  a  distribuição  de  renda  era  cada  vez  mais  díspar.  A
  6. 6. economia  do  país  cresceu,  mas,  o  salário  dos  trabalhadores  não  acompanhava  tal  crescimento por conta da inflação.  Durante  o  governo  do  sanguinário  ditador  Médici,  verifica­se  no  país  o  chamado  “milagre econômico” que ocorreu entre 1969 e 1974. Durante esse período o país viu  um  extraordinário  crescimento  e  a  modernização  da  economia,  o  Brasil  chegou  a  apresentar uma das maiores taxas de crescimento mundial.  No período do “milagre” foram grandes os investimentos internacionais na economia  brasileira. Várias multinacionais se instalaram no país e passaram a contratar a mão­de­  obra local – essas empresas contavam com grandes incentivos estatais como: redução de  impostos,  empréstimos de  dinheiro,  obras  gratuitas  como  estradas,  linhas  de  energia  elétrica  e  outros,  isso  sem  falar  dos baixos salários  pagos aos trabalhadores que  não  podiam  fazer  greves  para  reivindicar  por  melhores  salários.  A  economia  crescia  consideravelmente mas, os salários dos trabalhadores continuavam na mesma proporção  de antes, o país  vivia o chamado arrocho salarial, que foi agravado pelo aumento da  inflação e o aumento da dívida externa brasileira.  Na década de 70 estoura a crise mundial do petróleo. Com essa crise o Brasil passou por  grandes  dificuldades  pois  a  maior  parte  do  petróleo  consumido  no  país  vinha  do  exterior. Daí o incentivo do então presidente General Geisel á indústria do álcool e ás  indústrias de energia nuclear.  Com a queda da ditadura e a promulgação da Constituição Federal de 1988, em 1989 é  eleito pelo voto popular o presidente Fernando Collor de Mello que iniciou o Brasil na  lógica neoliberalista privatizando algumas estatais, reduzindo os investimentos sociais,  incentivando  as  importações  e  a  concorrência  do  mercado  nacional  com  o  mercado  internacional.  Como nos diz Schmidt (1999): “De acordo com o presidente, a chegada dos produtos  estrangeiros geraria uma saudável concorrência, estimulando as empresas brasileiras a  aumentar a qualidade de seus produtos”. Mas além de não incentivar o crescimento das  empresas  brasileiras,  o  presidente  também  cobrava  “por  fora”  para  realizar  obras  de  competência do Estado e devido a isto, foi deposto em dezembro de 1992.
  7. 7. Na  seqüência,  o  próximo  presidente  eleito  pelo  voto popular  foi  Fernando  Henrique  Cardoso – FHC em 1994. O então presidente se beneficiou do Plano Real que já havia  implantado no ano anterior durante o governo de Itamar Franco e conseguiu estabilizar  a  inflação.  Fernando  Henrique  Cardoso  aprofundou  ainda  mais  o  programa  de  privatização das estatais vendendo a Companhia Vale do Rio Doce, a maior mineradora  do mundo para o capital internacional.  Do governo de FHC em diante o que podemos notar é a crescente expansão de empresas  com altas tecnologias de informação, robótica, automação e cada vez mais competitivas  no  mercado  nacional  e  internacional;  demandando  desta  forma,  mão­de­obra  superespecializada.  O  MODELO  DE  PRODUÇÃO  TOYOTISTA  E  O  USO  CRESCENTE  DA  LOGÍSTICA  O modelo de  produção  Fordista  /  Taylorista,  já  não  era  capaz  de  fornecer  condições  adequadas para a atual condição desses países arrasados pela 2ª Guerra Mundial. Era  necessário então, um novo modelo de produção que fosse capaz de dar uma resposta  mais  eficiente  para  esse  problema  e,  incrementar  a  produção  de  bens  e  serviços  utilizando pouco espaço físico, e com qualidade igual ou superior a dos produtos norte ­  americanos.  Antunes (2006, p. 25) entende o fordismo da seguinte maneira:  [...] forma  pela qual a indústria e o processo de  trabalho consolidam­se  ao  longo  deste  século,  cujos  elementos  constitutivos  básicos  eram  dados  pela  produção  em  massa,  através  do  controle  dos  tempos  e  movimentos  pelo  cronômetro  taylorista  e  da  produção  em  série  fordista;  pela  existência  do  trabalho  parcelar  e  pela  fragmentação  das  funções;  pela  separação  entre  elaboração e execução no processo de trabalho; pela existência de unidades  fabris  concentradas  e  verticalizadas  e  pela  constituição/consolidação  do  operário­massa,  do  trabalhador  coletivo  fabril,  entre  outras  dimensões.  Menos do que um modelo de organização societal, que abrangeria igualmente  esferas ampliadas da sociedade, compreendemos o fordismo como o processo  de  trabalho  que,  junto  com  o  taylorismo,  predominou  na  grande  indústria  capitalista ao longo deste século.  Como  já  vimos o  modelo fordista  está  intimamente  ligado  aos ideais da  filosofia de  Taylor.  Quando  aliadas,  estas  duas  concepções  de  resultam  em  altos  níveis  de  parcelamento do trabalho, alienação, especialização da mão­de­obra além de enormes
  8. 8. quantidades  de  produtos  lançados  no  mercado  a  cada  dia,  sem  que  estes  tenham  necessariamente um mercado consumidor garantido.  Com o passar do tempo e a mundialização da produção ou como mais é conhecida – a  globalização; a necessidade de se obter vantagem competitiva nas relações produtivas  cresceu, era necessário então reduzir os custos da produção sem diminuir os lucros do  burguês.  Durante  um  bom  tempo  a  união  entre  Fordismo  e  Taylorismo  foi  muito  eficiente mas com a crise mundial deflagrada em 1970, este modelo de produção foi  posto em cheque com relação a sua real eficiência.  Para Pagotto apud Mota e Amaral (2006, p. 29):  [...] ‘ nos anos sessenta, a dinâmica fordista começa a apresentar os primeiros  sinais de crise com a tomada de consciência de que os padrões vigentes de  organização  do  trabalho  eram  ineficientes  para  garantir  os  altos  níveis  de  lucro que a empresa monopolista obteve em seu auge. Iniciou­se a crítica aos  paradigmas taylorista e fordista e a busca por novas formas de concepção das  normas de produção, distribuição e repartição da produção’. [...] ‘ a crise da  produção  padronizada  e  da  relação  fordista  de  altos  salários  baseados  na  punjança da demanda em relação à oferta, acabou conduzindo ao conceito de  flexibilização, bem como de uma produção organizada sob novas premissas:  surgiram as abordagens que preconizam a substituição do trabalho parcelado  e  da  linha  de  produção,  nas  quais  os  mecanismos  automáticos  reduzem  a  intervenção do trabalho vivo ao mínimo  possível’.  Para Sabel e Piore apud Antunes (2006, p. 26) “ O elemento causal da crise capitalista  seria  encontrado  nos  excessos  do  fordismo  e da  produção  em  massa,  prejudiciais  ao  trabalho, e supressores de sua dimensão criativa”. Nas palavras de Kameyama (2006, p.  07)  “A  crise  do  fordismo,  iniciada nos anos 70, trouxe  a  necessidade de buscar uma  nova forma de regulação, tendo como base a flexibilização do trabalho com a adoção  das práticas japonesas de gestão de trabalho”.  Além  de  preconizar  um  modelo  de  produção  flexível  o  toyotismo  –  como  ficou  conhecido; também preconiza a acumulação flexível do capital e, esta  flexibilidade é  marcada por um confronto direto com a rigidez dos processos fordistas.  Conforme diz  Antunes  (2006,  p.  29)  “Ela  se  apóia  na  flexibilidade  dos processos  de  trabalho,  dos  mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo”.  Montaño  (1997,  p.  113)  diz  que  “a  partir  das  inovações  dos  modelos  de  produção  japonês,  tem  se  produzido  significativas  alterações  nas  relações  trabalhistas  na
  9. 9. organização  da  produção,  na  automação  do  trabalho,  no  interior  das  indústrias  ocidentais”.  As principais características do modelo de produção da Toyota estão centradas na idéia  de reduzir os custos da produção mas sem diminuir os lucros do capital, para isso surge  a  necessidade  de  recortes  no  pessoal  ocupado  e  na  infra­estrutura  industrial,  este  objetivo  é  concretizado  através do  grande desenvolvimento  tecnológico,  expansão da  automação da produção, uso em larga escala de informática, práticas de subcontratação,  e  terceirização  de  atividades que  não  fazem  parte do  foco principal  da  empresa  (são  terceirizados departamentos como o de limpeza, alimentação, manutenção, mecânica e  outros).  Seus traços constitutivos básicos podem ser assim resumidos: ao contrário do  fordismo, a produção sob o toyotismo é voltada e conduzida diretamente pela  demanda.  A  produção  é  variada,  diversificada  e  pronta  para  suprir  o  consumo. É  esse quem determina  o que  será  produzido, e não  o  contrário,  como se procede na produção em série e de massa do fordismo. Desse modo,  a  produção  sustenta­se  na  existência  do  estoque  mínimo.  O  melhor  aproveitamento  possível  do  tempo  de  produção  (incluindo­se  também  o  transporte, o controle de qualidade e o estoque), é garantido pelo just in time.  O  kanban,  placas  que  são  utilizadas  para  a  reposição  das  peças,  é  fundamental, à medida que se inverte o processo: é do final, após a venda,  que  se  inicia  a  reposição  de  estoques,  e  o kanban  é  a  senha  utilizada  que  alude à necessidade de reposição das peças/produtos (ANTUNES, 2006, p.  34).  Outro fato importante do toyotismo que fica claro nas palavras de Montaño (1997, p.  113)  é  a  terceirização  das  atividades  que  não  fazem  parte  do  foco  da  empresa  e  os  impactos dessa atitude na sociedade:  [...]  a  terceirização  de  áreas  da  produção,  administração  e  serviços,  a  flexibilização do  contrato de trabalho (com  perda do salário de  base e dos  direitos  trabalhista),  o  aumento  do  desemprego  estrutural  a  partir  da  substituição  de  mão­de­obra  por  maquinarias,  derivado  da  automação  e  do  desenvolvimento  da  tecnologia,  tudo  isso  produz  enormes  alterações  nas  condições  de  trabalho,  na  qualidade  de  vida,  na  facilidade/dificuldade  de  encontrar  emprego  para  as  pessoas  que  constituem  a  heterogênea  classe  trabalhadora[...].  Conforme  nos  diz  Antunes  (2006,  p.  35)  “Desse  modo,  kanban,just  in  time,  flexibilização, terceirização, subcontratação, Círculos de Controle da Qualidade ­ CCQ,  controle  de  qualidade  total,  eliminação  do  desperdício,  ‘gerência  participativa’,  sindicalismo de empresa, entre tantos outros elementos, propagam­se intensamente.”
  10. 10. O modelo japonês trouxe várias inovações para o sistema produtivo mundial. Também  foram  várias  as  contribuições  para  a  sociedade  e  para  o  mercado  mas,  as  inovações  trazidas pelo modelo concebido dentro das fábricas da Toyota não foram somente boas,  elas  trouxeram consigo algumas consequências que não beneficiaram o trabalhador.  Com o novo ordenamento do capital a situação chegou a um estágio em que  surgiram  contingentes  populacionais  denominados  excluídos  ou  sobrantes.  Os  sobrantes  são  pessoas  que  não  tem  lugar  na  sociedade,  que  não  estão  integradas, que não estão numa relação de utilidade social, numa relação de  interdependência com o conjunto da sociedade. Portanto, foram invalidadas  pela conjuntura econômica atual e se encontram rejeitadas. Vivem em meio a  um mercado do qual dependem, porém o mercado já não mias precisa delas.  Por isso sobram, e como sobras não se investe em sua reprodução (CASTEL  apud MENDES apud SILVA, 2008, p. 184).  Antunes  (2006,  p.  36)  elucida  um  outro  fato  que  também  foi  fundamental  para  a  propagação do modelo Toyota:  Outro  ponto  essencial  do  toyotismo  é  que,  para  a  efetiva  flexibilização  do  aparato  produtivo,  é  também  imprescindível  a  flexibilização  dos  trabalhadores. Direitos flexíveis, de modo a dispor desta força de trabalho em  função  direta  das  necessidades  do  mercado  consumidor.  O  toyotismo  estrutura­se a partir de um número mínimo de trabalhadores, ampliando­os,  através de horas extras, trabalhos temporários ou subcontratação, dependendo  das condições de mercado. O ponto de partida básico é um número reduzido  de trabalhadores e a realização de horas extras.  Para  Gounet  apud  Antunes  (2006,  p.  36)  “ao  invés  do  trabalho  desqualificado,  o  operário  torna­se  polivalente”.  Ironicamente  ainda  segundo  Gounet  apud  Antunes  encontramos  o  seguinte:  “[...]  com  o  toyotismo,  parece  desaparecer  o  trabalho  repetitivo, ultra­simples, desmotivante e embrutecedor. Finalmente, estamos na fase do  enriquecimento das tarefas, da satisfação do consumidor, do controle de qualidade”.  E  da  mesma  forma  que  o  fordista/taylorismo  precisava  de  um  Estado  comprometido  com a sociedade e com a garantia dos seguros sociais, o modelo de produção toyotista  também  precisava  de  um  Estado  comprometido  com  os  ideais  capitalistas  e,  que  interviesse  o  menos  possível  na  economia,  este  modo  de  organização  do  Estado  foi  encontrado  no  neoliberalismo,  um  modelo  econômico  que  surge  para  garantir  e  legitimar a expansão da produção toyotizada.  Do  mesmo  modo  que  o  modelo  de  produção  de  Ford  necessitava  de  um  Estado  que  atuasse  nos  moldes  keynesianos  para  estimular  o  consumo  em  massa,  a  acumulação  flexível,  ao  precisar  de  mais  liberdade  de  mercado,  facilidade  para  contratar  e  demitir  mão­de­obra,  diminuindo  as  restrições
  11. 11. estatais sobre o uso da força de trabalho, necessita de um modelo de Estado o  mais liberal possível (SILVA, 2008,  p. 185).  Entra em cena o neoliberalismo como alternativa à manutenção da produção capitalista.  O neoliberalismo como modelo econômico provoca profundas alterações nas condições  de  trabalho  dos operários e na organização  da  sociedade  moderna.  Segundo Schmidt  (1999,  p.  311)  “a  idéia  básica  do  neoliberalismo,  [...],  é  diminuir  a  participação  do  Estado na economia e conceder liberdade de manobra para os investidores capitalistas”.  Dentre  as  medidas  polêmicas  adotadas  pelo  neoliberalismo  podemos destacar  alguns  dos  pontos  de  maior  relevância:  Privatização  da  economia,  Liberação  do  mercado,  Antinacionalismo,  Menos  impostos,  Flexibilização  do  mercado  de  trabalho,  Privatização  dos  serviços  públicos e, Corte nos gastos públicos.  Apesar de ter facilitado em muito a ação do burguês, o modelo neoliberal de governo  não deu conta de responder ao aprofundamento da questão social. Várias pessoas em  diversos  países  permanecem  carentes  de  alimentos,  moradia,  saúde,  educação,  e  são  submetidas diariamente aos diversos tipos de violência urbana e social.  Para  Mota  e  Amaral  (2006,  p.  39)  “o  primeiro  desafio  aos  profissionais  de  Serviço  Social é romper com a idéia de que a reestruturação produtiva é uma questão que afeta  exclusivamente as práticas empresariais e, consequentemente, àqueles profissionais que  trabalham nas empresas”.  Ainda segundo as autoras Mota e Amaral (2006, p. 40­41):  [...] as estratégias utilizadas pelo grande capital, para redefinir socialmente o  processo  de  produção  de  mercadorias,  a  rigor,  evidenciam  as  reais  necessidades  do  processo  de  reestruturação  produtiva:  a  integração  passiva  dos trabalhadores à nova ordem do capital, isto é, a adesão e o consentimento  do trabalhador às exigências da produção capitalista.  Levados  a  efeito  pela  grande  empresa,  estes  mecanismos  determinam  um  elenco  de  situações  que  afetam  as  esferas  do  trabalho,  da  produção,  da  cultura, da vida privada, das práticas do Estado e da sociedade civil e com os  quais se defronta, na atualidade, o profissional de Serviço Social.  Como  já  mencionamos  no  decorrer  deste  capítulo,  várias  foram  as  dificuldades  enfrentadas  pelo  Japão  para  se  restabelecer  enquanto  país  industrializado.  Como  alternativa  para  uma dessas dificuldades  surgiu  JIT,  sistema  de  controle  da produção  que veio para combater os desperdícios da época do fordismo que não mais poderiam
  12. 12. ocorrer,  vimos  também  o  nascimento  de  novas  formas  de  produzir  e  também  novas  formas de entender a relação do mercado.  A lógica da produção toyotizada, prega que deve­se ter a menor quantidade possível de  estoques e que a produção só seja efetivada quando houver necessidade, ou seja, quando  o produto já tiver o seu consumidor garantido. A esta forma de pensar o consumo e de  produzir,  deu­se  o  nome  de  produção  puxada,  pois,  neste  modelo  quem  dispara  a  produção de um bem ou serviço é o cliente a partir do momento em que ele realiza o  pedido do produto, diferentemente do que ocorria no Fordismo.  O sistema de ‘puxar’ a produção a partir da demanda, produzindo em cada  estágio  somente  os  itens  necessários,  nas  quantidades  necessárias  e  no  momento  necessário  ficou  conhecido  no  Ocidente  como  sistema  Kanban.  Este  nome  é  dado  aos  cartões  utilizados  para  autorizar  a  produção  e  a  movimentação de itens, ao longo do processo produtivo [...] Contudo o JIT é  muito  mias  do  que  uma  técnica  ou  um  conjunto  de  de  técnicas  de  administração  da  produção,  sendo  considerado  como  uma  completa  ‘filosofia’,  a  qual  inclui  aspectos  de  administração  de  materiais,  gestão  da  qualidade,  arranjo  físico,  projeto  do  produto,  organização  do  trabalho  e  gestão de recursos humanos (CORRÊA, 1993, p. 56).  Na  filosofia  JIT  a  mão­de­obra  ganha  um  novo  papel,  pois,  nas  palavras  de  Corrêa  (1993, p. 66): ‘[...] Segundo a filosofia JIT, se a empresa pretende fazer as coisas certas  da  primeira  vez,  são  os  operários  que  as  devem  fazer,  ou  seja,  são  os  operários  os  responsáveis pela qualidade dos produtos produzidos’.  Ainda segundo as idéias da filosofia JIT são os operários que fabricam, montam, testam  e movimentam os materiais, além de serem eles os responsáveis pela qualidade que já  vem  embutida  no  produto.  Portanto,  somente  eles,  conhecem  a  fundo  todos  os  problemas relacionados à produção.  A mão­de­obra indireta (supervisores, gerentes e engenheiros) tem o papel de  apoiar, com conhecimento técnico mais sofisticado, o trabalho do pessoal de  linha de frente do processo de aprimoramento do produto e do processo, ou  seja,  os  operários.  A  identificação  e  resolução  dos  problemas  cabe  aos  operários, sendo esta tarefa apoiada e facilitada pelos especialistas (ou, como  tem sido chamados, facilitadores). Nesse sentido, torna­se importante que os  operários  tenham  conhecimentos,  ainda  que  rudimentares,  de  métodos  de  identificação e  análise de  problemas, controle estatístico do processo, entre  outras técnicas, para que possam  assumir novas responsabilidades impostas  pela filosofia JIT (CORRÊA, 1993, p. 66).  Para manter certo grau de competitividade no mercado, as empresas investem cada vez  mais capital em treinamentos para seus funcionários e em tecnologia de ponta, para que
  13. 13. estes estejam em dia com as novas ferramentas de trabalho oferecidas pelo mercado que  é cada vez mais globalizado.  As  tecnologias  da  informação  alcançaram  um  espaço  considerável  dentro  de  organizações com visão de mercado. Quanto mais se investe em tecnologia, melhores as  condições de concorrer no mercado globalizado de produtos e idéias.  Neste quadro entra em cena também a Logística, que surge como um meio para integrar  os processos da organização e para fornecer melhores informações que serão utilizadas  para as tomadas de decisão da empresa (nos níveis estratégico, tático e operacional).  Segundo  o  Conselho  de  Gerenciamento  da  Logística  apud  Pires  (2007,  p.  58):  “Logística  é  a  parte  dos  processos  da  cadeia  de  suprimentos  [...]  que  planeja,  implementa  e  controla  o  efetivo  fluxo  e  estocagem  de  bens,  serviços  e  informações  correlatas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender  às necessidades dos clientes”.  Mas,  ao  contrário  do  que  muitos  pensam  a  Logística  não  está  ligada  somente  à  produção, ou ao transporte de produtos acabados, ela também envolve os níveis mais  altos da empresa. É necessário haver a comunicação eficiente entre todos os setores da  empresa.  E,  para  manter  uma  empresa  integrada,  é  necessário  ter  informações  de  qualidade  e  condições  para  que  estas  informações  sejam  acessadas  pelas  pessoas  corretas para que sejam tomadas as devidas providências.  O  papel  da  Tecnologia  da  Informação  e  de  Comunicação  –  TIC,  é  cada  vez  mais  crescente, a cada dia surgem novas tecnologias que facilitam a vida de empresários e  trabalhadores.  Durante  as  últimas  décadas  presenciamos  grandes  avanços  da  TIC  em  diversas  de  suas  frentes.  Poderíamos  citar  o  caso  das  fibras  óticas,  que  trouxeram um novo padrão de transmissão de dados, principalmente através  do  aumento  das  taxas  e  da  qualidade  geral  no  processo.  Outra  evolução  marcante  tem  sido  a  comunicação  sem  fio  (wireless),  garantindo  maior  mobilidade  na  comunicação  e  no  acesso  à  informação.  Ainda  nessa  linha,  presenciamos  grandes  avanços  na  questão  da  alimentação  dos  sistemas  de  informação (inputs), que tem caminhado desde a simples digitação, passando  pelos códigos de barras, pela radiofreqüência, até os atuais cartões e etiquetas  eletrônicas (TAG). Assistimos também a  grandes avanços  na tecnologia de  base  de  dados  (repositório  de  dados),  que  se  tornaram  bem  mais  potentes,  amigáveis e flexíveis, como é o caso dos atuais data warehousing (armazém  de  dados).  Em  paralelo  houve  também  um  grande  progresso  na  forma  de
  14. 14. possibilidades de se acessar e analisar os dados nessas bases, como é o caso  dos  atuais  data  mining  (mineração  de  dados).  Nesse  contexto,  poderíamos  citar também as chamadas ferramentas instantâneas e analíticas de acesso a  base de dados, as chamadas ferramentas OLAP (on­line analytical prossing).  Poderíamos lembrar também o importante e crescente papel da tecnologia de  comunicação via satélite [...] (PIRES, 2007, p. 248­249).  O avanço  crescente dos diversos  tipos de  tecnologia  implicou para  os operários uma  necessidade  latente  de  aperfeiçoamento  contínuo  de  aspectos  referentes  ao  conhecimento e ao uso desses novos meios de comunicação.  Os  anos  90  assistiram  a  adoção  dos  sistemas  ERP  (Enterprise  Resourse  Planning)  pelas  grandes  corporações  industriais.  Esses  sistemas  têm  sido  utilizados  como  infra­estrutura  tecnológica  para  suporte  às  operações  de  empresas  com  vantagens  sobre  os  sistemas  anteriores  desenvolvidos  internamente. As vantagens incluem a  possibilidade de integrar os diversos  departamentos da  empresa, a atualização  permanente da base tecnológica  e  benefícios  relacionados  com  a  terceirização  de  desenvolvimento  de  aplicações,  por  exemplo,  a  redução  dos  custos  d  informática  (SOUZA  e  ZWICKER, p. 46, acesso em 15 maio 2007).  Além  de  permitir  a  integração  entre  os  diversos  setores  da  empresa,  os  sistemas  Enterprise Resourse Planning – ERP têm a vantagem de ter como serem comprados de  empresas terceiras. E, por este fato se tornam objeto de desejo de empresas que querem  as informações circulando da melhor forma possível dentro de seus departamentos.  Os  sistemas  ERP  podem  ser  definidos  como  sistemas  de  informação  integrados,  adquiridos  na  forma  de  pacotes  comerciais  de  software,  com  a  finalidade  de  dar  suporte  à  maioria  das  operações  de  uma  empresa  (suprimentos,  manufatura,  manutenção,  administração  financeira,  contabilidade, recursos humanos etc.). Exemplos de sistemas ERP existentes  no mercado são o R/3 da empresa alemã SAP, o Baan IV da Holandesa Baan,  o One  World da  americana JD Edwards, o Oracle Financials da americana  Oracle, o Magnus da brasileira Datasul, o Microsiga da empresa brasileira de  mesmo nome e o Logix da brasileira Logocenter  (SOUZA e ZWICKER, p.  47, acesso em 15 maio 2007).  Cabe a cada empresa definir conforme seu desejo, qual o sistema que melhor se encaixa  a seu perfil competitivo e qual o sistema dará melhor suporte para a tomada de decisão.  SURGIMENTO E CONSOLIDAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL  O Assistente Social pode ser considerado como o profissional que tem como principal  função, elaborar e executar políticas de bem­estar social. Cabe­lhe a tarefa de promover  uma melhor inserção socioeconômica de indivíduos, famílias e grupos nas sociedades  em que vivem auxiliando­os na solução de seus problemas.
  15. 15. Com base em conhecimentos técnicos adquiridos na formação acadêmica o Assistente  Social  atua  no  atendimento  individual  ou  coletivo  buscando,  nos próprios usuários  a  solução ou a minimização de problemas sociais, que por vezes são apresentados por eles  próprios. Seu trabalho precisa ser desenvolvido a fim de promover nestes indivíduos a  capacidade  de  gerar  habilidades,  capacitando­os  para  conseguirem  resolver  seus  problemas, transformando­se em sujeitos mais independentes, seguros e conscientes da  suas próprias capacidades e atitudes.  Entretanto, a profissão não é limitada apenas a setores públicos. Sua importância deve  ser reconhecida em qualquer espécie de organização. Onde há ser humano, a Assistência  Social precisa fazer­se presente.  [...]  a  perspectiva  adotada  [...]  entende  o  Serviço  Social  como  uma  especialização  do  trabalho  coletivo,  inserido  e  legitimado  na  sociedade  capitalista,  com  determinadas  funções  estabelecidas  por  aqueles  que  a  contratam (Estado, empresas privadas ou públicas, Ongs etc.), para a tender  um  público que  muitas  vezes não tem uma  concepção  correta do  papel do  assistente social, mas que espera dele uma resposta concreta e imediata para  seus problemas (SILVA, 2008, p. 177).  Para Montaño (1993, p. 103):  A  análise  do  contexto sóciopolítico  e  econômico  no  qual  se  desenvolve  a  emergência  do  Serviço  Social  nos  obriga  a  considerar  a  gênese  de  nossa  profissão  não  como  uma  derivação  de  anteriores  formas  de  caridade  e  filantropia  mais  técnica,  organizada  e  sistemática  que  suas  ‘protoformas’,  mas como o resultado de um processo histórico, vinculado a certo momento  do desenvolvimento das lutas de classes.  No Brasil o Serviço Social começa com o processo de industrialização em conjunto com  o aumento da concentração urbana. É a partir deste momento que o proletariado começa  a brigar por um lugar na vida política e por melhores condições de vida.  A  ‘questão  social’,  que  se  impõe  neste  momento,  nada  mais  é  do  que  a  necessidade de se levar em consideração os interesses da classe operária em  formação. A implantação do Serviço Social se dá neste processo histórico, a  partir da iniciativa particular de vários grupos da classe dominante, que têm  na Igreja Católica seu porta­voz (ESTEVÃO, 1999, p.42­43).  O surgimento de algumas instituições sociais acontece na primeira fase do movimento  de  reação  católica, da divulgação  do  pensamento  social  da  Igreja  e  da  formação das  bases organizacionais e doutrinárias do apostolado laico. Tendo como principal objetivo
  16. 16. oferecer  uma  assistência  preventiva,  para  amenizar  algumas  seqüelas  do  desenvolvimento capitalista.  Em 1920, surge a Associação das senhoras Brasileiras, no RJ, e a Liga das Senhoras  Católicas, em SP. Estas buscavam contribuir com o avanço dos serviços sociais através  da realização de atividades tradicionais de caridade.  Embora  tenha  sofrido  um  lento  avanço,  essas  instituições  assumem  significativa  importância no que diz respeito ao progresso do Serviço Social no Brasil. Foram estas  instituições que deram o “ponta­pé” inicial para a valorização do Serviço Social no país.  A partir dessas iniciativas criam­se as bases materiais, organizacionais e principalmente  humanas que permitiram a expansão da Ação social e das primeiras escolas de Serviço  Social no país.  Em 1932 surge o Centro de Estudos e Ação Social de São Paulo (CEAS) que passou a  ser  considerado  como  uma  manifestação  original  do  Serviço  Social  no  Brasil.  Sua  existência se deu devido á necessidade que os responsáveis pelos setores de ação Social  e  Ação  Católica  sentiram  de  tornar  mais  efetiva  e  produzir  um  maior  rendimento  ás  iniciativas e obras promovidas pela filantropia das classes dominantes paulistas com a  ajuda  da  Igreja.  Seu  inicio  se  deu  com  o  “Curso  Intensivo  de  Formação  Social  para  Moças’.  Nesse  sentido  é  fundada  em  1936  a  primeira  Escola  de  Serviço  Social  do  Brasil,  localizada no estado de São Paulo e ligada á Pontifícia Católica deste mesmo estado.  Ainda no mesmo ano, acontece a Semana de Ação Social no Rio de Janeiro; evento que  foi considerado um marco positivo para a introdução do Serviço Social no Brasil.  A partir da criação da primeira escola de Serviço Social houve a propagação desse tipo  de  instituição  por  todos  os  estados  da  nação  devido  a  grande  demanda,  ocorrendo  gradativamente a institucionalização do Serviço Social enquanto profissão.  Conforme nos fala Arcoverde (apud SILVA, 2008, p. 178):  A  profissão  surge  no  conjunto  de  mudanças  sociais  que  tornam  pública  a  questão social. Atuando nela por meio de seus agentes, o Serviço Social se  faz presente junto aos indivíduos que vivenciam as consequências da questão  social  no  trabalho,  na  família,  na  saúde  e  no  acesso  aos  mais  variados
  17. 17. serviços  públicos.  Nas  manifestações  da  questão  social  a  resistência  se  apresenta,  gerando  permanente  tensão,  na  qual  situa­se  a  prática  do  Assistente Social.  O  trabalho  do  Assistente  Social  envolve  o  favorecimento  da  participação  crítica  e  constante  do  trabalhador,  ficando  atento  para  as  opiniões,  e  englobando  os  conhecimentos de seus usuários como um todo.  O Serviço Social subordina­se ao movimento de reorganização do processo produtivo,  de tal modo que suas atribuições variam conforme as  necessidades do momento e as  prioridades estabelecidas pelas políticas internas da instituição em que trabalha.  O  autor  Montaño  afirma  que  para  o  Assistente  Social:  “Seu  campo  privilegiado  de  trabalho  é  o  Estado  (subordinado,  ademais  dos  cientistas,  a  uma  lógica  político­  burocrática) e a sua base de atuação é conformada pelas políticas sociais”.  A  atuação  do  profissional  de  Serviço  Social  sofreu  várias  mudanças,  tanto  de  forma  como de conteúdo ao longo dos anos. O Assistente Social que no início da profissão era  requisitado  principalmente  pelo  Estado,  passa  a  ser  utilizado  como  mão­de­obra  também em empresas e em organizações de caráter não governamental. Assim, observa­  se  que  o  profissional  tem  um  leque  de  opções  de  atuação  bem  diversificado,  sendo  demandado  como  trabalhador  inserido  na  divisão  sociotécnica  do  trabalho  nos  três  setores da economia capitalista.  O sistema que vem tomando o lugar do liberalismo é o neoliberalismo 3  . Entramos para a  era  da  globalização.  Podemos  ter  o  produto  que  quisermos  sem  sair  do  país  para  comprá­lo.  Os  avanços  da  tecnologia  são  grandes  e,  trazem  consigo  profundas  mudanças.  Neste contexto para não ficarem pra trás e perderem a competitividade e lucratividade  no mercado econômico, as empresas de médio e grande porte, implementam em suas  unidades processos de reestruturação da produção.  Efetivamente,  as  transformações  ocorridas  no  mundo  do  trabalho  não  são  alheias  aos  fundamentos  da  proposta  neoliberal  nem  a  seus  impactos  políticos. Estas alterações – na organização da  produção, no gerenciamento  3  Neoliberalismo: Modelo econômico que prega a desresponsabilização do Estado com as questões  sociais e a mínima intervenção estatal na economia, transferindo essas  responsabilidades para as  empresas, organizações não governamentais e para a sociedade civil.
  18. 18. da indústria, nas relações contratuais de trabalho, na comercialização – têm  como fundamento a reestruturação produtiva (particularmente, o modelo de  produção japonês concebido inicialmente por Ohno, na indústria automotiva  Toyota) (MONTAÑO, 1993, p. 107).  Em conseqüência desse fato os processos de trabalho e seus mecanismos de controle e  organização  sofrem  profundas  transformações.  É  necessário  então  trabalhar  para  a  formação  de  um  novo  comportamento  produtivo  do  trabalhador,  baseado  na  confiabilidade e no envolvimento do mesmo com os objetivos organizacionais.  Adotam­se  para  isso  novas  estratégias  de  controle  da  força  de  trabalho:  desenvolvimento  de  programas  participativos,  ampliação  do  sistema  de  benefícios  e  incentivos a produtividade. Além de cortes de pessoal e redução de infra­estrutura.  Esta  redução  da  força  de  trabalho  é  possível,  em  primeiro  lugar,  pelo  desenvolvimento tecnológico. Este último alcança um nível de sofisticação tal  que deriva no fenômeno conhecido como automação da produção, ou seja, o  acirramento da substituição da  mão­de­obra  pela  máquina  automática, pelo  robô,  estes  ‘conduzidos’  por  uma  forma  de  ‘inteligência’  não  humana:  o  computador. é este último avanço da tecnologia que se alcança o ponto mais  alto  da  ‘desumanização’  da  produção.  Se  desde  a  Revolução  Industrial  a  máquina  suplanta  e  substitui  o  homem,  este  nunca  pôde  ser  totalmente  eliminado do  processo  produtivo,  dada  a  necessidade  de  comando  humano  sobre a máquina, que, sem a manipulação do homem, nada poderia fazer. A  informática veio ocupar estes papel por meio do comando pré­programado de  atividades, desenvolvido nos softwares. Com este panorama, não somente o  trabalhador manual resulta supérfluo, mas também muitos cargos gerenciais,  de inspeção, de engenharia industrial, administrativos, resultam prescindíveis  (MONTAÑO, 1993, p. 107­108).  Algumas características dos processos de reestruturação são: ampliação dos mercados,  terceirização de atividades secundárias da produção, exigência de mão­de­obra cada vez  mais qualificada, implantação de tecnologias de base microeletrônica e implantação do  Programa de Qualidade Total que, preconiza a superação das metas de produtividade,  competitividade e integração dos empregados.  Com relação ao processo de trabalho, as novas tecnologias e os avanços da  microinformática  têm  alterado  os  meios  de  consumo  da  força  de  trabalho,  introduzindo a polivalência e a multifuncionalidade. Têm resultado, ainda, no  desenvolvimento acelerado do processo de trabalho. Estas mudanças exigem  uma  renovada  qualificação  e  capacitação  profissional,  principalmente  considerando que a interpenetração entre informação e produção tece novos  laços entre saberes e habilidades (CESAR, 1999; p.172).  Essas mudanças introduzem na sociedade novos e modernos padrões de produção que  trazem  como  resultados  os  elevados  índices  de  desemprego  e  a  precarização  das  condições de trabalho, fragilizando também a organização sindical dos empregados.
  19. 19. [...]  as  empresas  vêm  investindo  em  estratégias  que  visam  canalizar,  solucionar  e  antecipar  reivindicações  trabalhistas,  destituindo  o  trabalhador  de  sua  representação,  como  categoria  política.  O  envolvimento  dos  trabalhadores  nas  empresas  é  estimulado,  negociado  e/ou  controlado,  por  meio de um arsenal de recursos humanos, em que estão enumerados ganhos  como  estabilidade,  benefícios  e  incentivos.  A  luta  por  melhoria  salarial  é,  gradativamente,  substituída  pela  negociação  cooperativa,  numa  dinâmica  coorporativa que move­se de acordo com metas e resultados. (CESAR, 1999;  p. 172­173).  A empresa investe cada vez mais na passivização dos funcionários para que estes ajam  de acordo com os interesses da mesma.  [...]  o  discurso  empresarial  que  enfatiza  a  qualificação,  as  múltiplas  competências, a adaptabilidade, a participação e o envolvimento, é também o  mesmo que justifica a redução de postos de trabalho, a empregabilidade e a  adoção de  padrões  mais rígidos de  controle do desempenho do trabalhador  (CESAR, 2006; p.119).  Criam­se desta forma mecanismos capazes de persuadir o trabalhador a dar o máximo  de sua capacidade psicofísica.  A forma de reduzir pessoal e infra­estrutura sem afetar a comercialização se  constitui, na proposta de Ohno, na mais significativa alteração das relações  trabalhistas.  Se  no  capitalismo  desenvolvimento,  a  base  contratual  para  o  modelo fordista, é a relação de ‘assalariamento’, agora o vínculo tende a ser  a de ‘subcontratação’ (MONTAÑO, 1993, p. 108).  Assim, pode­se concluir que o processo de reestruturação intensifica o controle da força  de  trabalho  devido  às  novas  estratégias  de  gestão  humana,  seja  pela  participação  e  parceria ou pela intervenção empresarial na qualificação e  na reprodução da força de  trabalho.  Estes  aspectos  passam  a  ser  formadores  da  cultura  de  integração  do  trabalhador à empresa e ao mercado como um todo.  E, na contramão desse enorme processo de mudanças  está o Assistente Social, como  demonstra  SILVA  (2008,  p.  180):  “o  Serviço  Social  demonstra  uma  orientação  em  favor dos trabalhadores, com forte crítica à exploração existente na sociedade burguesa  e em defesa da democracia”.  Hoje o Serviço Social mais do que humanizar a produção ou auxiliar o trabalhador na  busca  por  seus  direitos,  colabora  de  forma  pedagógica  na  socialização  de  valores  e  comportamentos, que  influenciem  nos objetivos  das organizações  contratantes de sua  mão­de­obra,  e  na  integração  às  novas  exigências  da  produtividade.  Assim  as
  20. 20. organizações empregadoras do Assistente Social continuam a requisitá­lo para o papel  de intermediador entre o trabalho e a vida privada do trabalhador.  O trabalho educativo, moralizador e disciplinador, requisitado para garantir  os  níveis  de  produtividade,  atenuar  conflitos,  coibir  insubordinações,  identificar insatisfações individuais/coletivas e inibir o potencial organizativo  e  reivindicatório  dos  trabalhadores,  tem  de  sofisticar­se  progressivamente,  afinado­se  com  novas  técnicas  e  discursos  gerencias,  que  apregoam  a  participação e a colaboração (CESAR, 1999; p.175).  Não ficando por fora do processo de reestruturação produtiva o Serviço Social também  sofre alterações no seu conteúdo. O saber do profissional também passa a ser apropriado  e manipulado pelas gerencias e, são exigidas dos Assistentes Sociais novas habilidades:  é necessário ter capacidade de compreender, implementar e administrar novos padrões  de organização incorporando inclusive as inovações tecnológicas. Assim, o profissional  deve  ter  uma  maior  capacitação  técnica  para  manipular  informações,  tendo  que  desenvolver sua capacidade lógico­abstrata, para decodificar programas e gerenciar seu  trabalho  dentro  de  uma  lógica  voltada  para  a  eficácia/eficiência,  buscando  eliminar  desperdícios, reduzir os tempos de execução de tarefas, introduzir métodos de controle e  medição do  desempenho  de  si  próprio,  já  que  também  é  constantemente  avaliado.  A  função do Serviço Social continua vinculada à mediação das relações de trabalho e o  aumento da produtividade.  Podemos resumir o perfil comportamental exigido do Assistente Social na atualidade  em cinco quesitos básicos:  a)  Conhecimento:  o  profissional  tem  que  estar  apto  a  responder  a  perguntas,  tirar  dúvidas  e  resolver  problemas.  Para  isso,  é  preciso  conhecer  bem  as rotinas  de  seu  trabalho  e  todos  os  setores  afins  e  as  políticas da empresa.  b)  Competência:  significa  que  o  profissional  deve  ter  agilidade,  organização e exatidão na execução de suas atividades, procurando fazer  sempre o melhor possível.  c)  Atmosfera positiva: o profissional deve manter um ambiente agradável,  receptível,  organizado,  limpo  e  confortável  para  que  o  cliente  se  sinta  tranqüilo  e  acolhido.  A  aparência  deve  refletir  a  imagem  que  o  profissional  deseja  passar  ao  cliente.  È  preciso  comunicar­se  com  fluência e expressar­se com clareza.  d)  Cooperação: a postura de colaborador exige que o profissional contribua  para o êxito de sua equipe de trabalho, assumindo a responsabilidade em  relação  às  metas  e  resultados  e  tomando  a  iniciativa  de  melhorar  a  produtividade e a qualidade.  e)  Esforço extra: significa que é preciso sair da rotina e fazer algo mais,  colocando a satisfação do cliente acima de tudo. Para isso, é necessário  ser  flexível  e  usar  o  ‘  bom  senso’,  fornecendo  alternativas  e  soluções  adequadas para satisfazer suas necessidades e também demonstrar que se  interessa sinceramente por ele, para que possa envolvê­lo e surpreendê­
  21. 21. lo.  Por  isso,  não  basta  apenas  satisfazer suas  necessidades,  é  preciso  ‘  encantar’ o cliente (CESAR, 2006; p. 134).  O  Assistente  Social  como  profissional  assalariado  e  inserido  no  modo  de  produção  capitalista,  também  sente  os  efeitos  da  reestruturação  produtiva:  tem  que  se  mostrar  produtivo, executar várias tarefas em pouquíssimo tempo, mostrar que seus serviços são  úteis para a empresa, e se qualificar cada vez mais.  É  neste  sentido  que  o  assistente  social,  para  assegurar  sua  utilidade  na  organização,  é  obrigado  a  requalificar­se,  adequando­se  a  um  perfil  sociotécnico mais difuso, polivalente e sintonizado com as práticas e saberes  dos  demais  profissionais  da  área  gerencial  e  de  recursos  humanos.  Esta  ‘relocalização’  do  profissional  no  conjunto  das  atividades  de  acompanhamento  ao  trabalhador  exige  não  apenas  a  adoção  de  novos  paradigmas  de  eficácia  e  eficiência  como,  também,  modifica  o  escopo  das  suas qualificações para o exercício das funções sociais e técnicas que lhe são  exigidas (CESAR, 2006; p. 140).  O profissional de Serviço Social está cada vez mais sujeito às inseguranças que afligem  o mundo do trabalho, assim como, qualquer outro profissional. Os Assistentes Sociais  enfrentam uma série de dificuldades e limitações para conduzir seu trabalho e afirmar  sua  utilidade,  procurando  responder  às exigências  feitas  pela  empresa definindo  seus  objetivos profissionais a partir dos objetivos coorporativos.  A profissão possui um caráter contraditório que lhe é inerente e este caráter pode tanto  conservar  aspectos do “modo de  ser”  capitalista  quanto questioná­los, negando­os.  A  dialética  de  continuidades  e  rupturas,  no  exercício  profissional  do  Assistente  Social,  comporta um conjunto de possibilidades que podem levá­lo a superar a alienação com  relação  ao  seu  próprio  trabalho  e,  particularmente,  com  relação  ao  produto  gerado  a  partir dele.  Responder  de  forma  crítica  e  criativa  às  exigências  colocadas  pela  reestruturação  produtiva, defender suas condições de trabalho e resistir às práticas de passivização são,  alguns dos maiores desafios que estão postos para o Assistente Social e para os demais  trabalhadores que dependem de seus respectivos trabalhos.  Não muito longe das exigências do mercado de trabalho o Assistente  Social também  precisa,  cada  vez  mais,  ter  conhecimentos  técnicos  e  habilidades  de  relacionamento  interpessoal,  porém  alguns  conhecimentos  referentes  ao  uso  de  tecnologia  de  comunicação  passam  despercebidos  durante  a  formação  acadêmica.  Alguns
  22. 22. profissionais  mais  experientes,  por  exemplo,  foram  adquirindo  esses  conhecimentos  relativos ao uso das novas tecnologias em seus espaços de trabalho, aprendendo e se  reciclando a cada dia.  Além de exercer sua prática principalmente junto a uma população que vem  sofrendo com a perda do emprego e dos direitos sociais, o assistente social,  na condição de trabalhador, também enfrenta o processo de precarização de  suas condições de trabalho e a disputa por um lugar no mercado [...] (SILVA,  2008, p. 188).  Conhecer e defender o projeto ético­político do Serviço Social é uma necessidade que  perpassa  todos os profissionais  desta  área.  Porém  com o  atual  movimento  do capital  essa tarefa de defesa intransigente dos direitos e da igualdade torna­se cada vez mais  difícil.  É  preciso  ter  clareza  que  a  lógica  capitalista  e  o  projeto  profissional  são  contrários, porém disputam espaços dentro da mesma realidade, e o assistente  social  tem  contato  com  ambos,  devendo  conhecê­los  para  que  possa  distingui­los e tratar com suas contradições. Do  contrário, poderá  construir  um agir profissional permeado de equívocos e ilusões (SILVA, 2008, p. 189).  Cabe a cada profissional determinar em sua prática, meios para que os pressupostos do  Código  de  Ética  profissional  sejam  levados  a  efeito  e  que  os  usuários  efetivamente  recebam cada vez um serviço de melhor qualidade e com maior agilidade.  A partir do momento em que a categoria profissional revela uma postura ética  oposta à lógica da exploração capitalista, uma questão se torna patente: como  atender ao projeto ético­político e ao mesmo tempo se manter no emprego,  lembrando  que  é  dentro  das  instituições  que  o  assistente  social  consegue  desenvolver  sua  força  de  trabalho.  Esta  questão  deve  ser  respondida  pelo  Serviço Social, por seus agentes, tanto na sua elaboração teórica, como em  seu agir  profissional dentro das instituições nas quais estejam  empregados.  Quando uma questão com esta é em posição de pouca relevância, corre­se o  risco de se atuar unicamente em  favor das  instituições e, assim, do capital,  mesmo que  o  profissional  queira  atuar  em  função  do  projeto  da  categoria  (SILVA, 2008, p. 189).  A  cada  momento  o  sistema  capitalista  junto  com  o  modelo  neoliberal,  cria  para  o  Serviço Social novas demandas e assim criam também a necessidade de novas respostas  que  estejam  em  consonância  com o projeto político  da profissão  e  com o  Código de  Ética.  O  primeiro  desafio  para  que  a  categoria  responda  corretamente  aos  novos  desafios que lhe são postos consiste em apreender as contradições presentes  no cotidiano, mas não apenas do ponto de vista imediato. Deve­se considerar  como o cotidiano é influenciado por determinações de ordem macropolítica,  econômica  e  social,  lembrando  que  onde  existem  contradições  existem  também espaços para o confronto de idéias e interesses. O correto exercício
  23. 23. profissional nas bases do Serviço Social contemporâneo passa pela análise e  compreensão crítica da realidade social, a partir de experiências do cotidiano,  incluindo  o  levantamento  de  questões,  ouvindo  os  usuários,  captando  as  analogias entre a realidade macro e micro e a relação entre os usuários e  o  meio na qual estão inseridos. A reflexão deve ser entendida não como uma  simples  procura  por  respostas  imediatas,  mas  como  uma  busca  para  apreender  o  cotidiano  em  sua  totalidade  e,  assim,  chegar  a  alternativas  de  intervenção (SILVA, 2008, p. 191).  O correto uso das facilidades tecnológicas trazidas pela Logística, proporciona para o  Assistente Social a possibilidade de cada vez mais ampliar seus conhecimentos e assim  dar um salto na qualidade e agilidade das informações de fornece para os usuários de  seus serviços.  CONSIDERAÇÕES FINAIS  Queremos deixar claro que o nosso objetivo não é fazer apologia ao capitalismo nem ao  neoliberalismo, apenas os citamos várias vezes para que ficasse latente para o leitor que  este é o sistema em que vivemos e que muito dificilmente será modificado, portanto,  cabe ao profissional de Serviço Social compreender os movimentos de reestruturação do  capital  e  captar  em  sua  esfera  quais  são  as  novas  demandas  para  a  profissão  e  suas  respectivas respostas a esta nova situação, lembrando sempre de se posicionar a favor  do usuário e defender os direitos dos cidadãos.  O  Assistente  Social  também  é  um  profissional  inserido  na  divisão  sócio­técnica  do  trabalho e como tal também sofre com as novas formas de exploração da mão­de­obra  trabalhadora e, para se manter no mercado de trabalho ou mesmo para ingressar nele é  necessário estar munido com muito conhecimento e com muitas habilidades técnicas e  pessoais para que sua atuação seja reconhecida como necessária para a organização e  para que se crie valor para os cidadãos beneficiários.  Trabalhamos a favor da vida e dos direitos sociais, combatendo a discriminação e os  preconceitos, para tanto precisamos acima de tudo ser informados. Hoje a informação é  o maior bem que uma pessoa pode ter, basta saber fazer o uso correto desta.
  24. 24. REFERÊNCIAS  ANTUNES,  Ricardo.  Adeus  ao  trabalho?:  ensaio  sobre  as  metamorfoses  e  a  centralidade do mundo do trabalho. 11 ed. São Paulo: Cortez, 2006.  BOWERSOX,  Donald  J.,  CLOSS,  David  J.  Logística  empresarial:  o  processo  de  integração  da  cadeia  de  suprimentos.  Tradução  Equipe  do  Centro  de  Estudos  em  Logística, Adalberto Ferreira das Neves; coordenação da revisão técnica Paulo Fernado  Fleury, César Lavalle. São Paulo: Atylas, 2001.  CARMO,  Sônia  Irene  Silva  do;  COUTO,  Eliane  Frossard  Bitencourt.  A  expansão  Imperialista e o Brasil República. – 1. ed – São Paulo: Atual, 2000.  CESAR, Mônica de Jesus. Capacitação em serviço social e política social: Módulo 2:  Crise Contemporânea, Questão Social e Serviço Social . Brasília: CEAD, 1999.  CESAR,  Mônica  de  Jesus.  Serviço  Social  e  reestruturação  industrial:  requisições,  competências e condições de trabalho profissional. In: MOTA, Ana Elizabete (Org.). A  nova fábrica de consensos. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2006.  CORRÊA, Henrique L. Just in time, MRP II e OPT: um enfoque estratégico. 2 ed.  São Paulo: Atlas, 1993  ESTEVÃO, Ana Maria Ramos. O que é Serviço Social. Coleção Primeiros Passos 111.  – 6. ed. ­  São Paulo: Brasiliense 1992.  IAMAMOTO,  Marilda  Villela  e CARVALHO,  Raul  de.  Relações  Sociais  e  Serviço  Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico­metodológica. – 15. ed. –São  Paulo: Cortez,2003.  IAMAMOTO,  Marilda  Vilela.  O  serviço  social  na  contemporaneidade:  trabalho  e  formação profissional. São Paulo: Cortez, 1998.  KAMEYAMA,  Nobuco.  Notas  introdutórias  para  a  discussão  sobre  a  reestruturação  produtiva  e  Serviço  Social.  In:  MOTA,  Ana  Elizabete  (Org.).  A  nova  Fábrica  de  consensos. 3 ed. São Paulo: Cortez,2006.  KARSCH,  Ursula M. Simon. O serviço social na era dos serviços. 3ed. São Paulo:  Cortez, 1998.  MARCONI,  Mariana  de  Andrade;  LAKATOS,  Eva  Maria.  Fundamentos  de  metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2006.  MONTAÑO, Carlos Eduardo. O serviço social frente ao neoliberalismo: mudanças na  sua base de sustentação funcional­ocupacional. Serviço Social e Sociedade, São Paulo,  ano XVII, n. 53, p. 102­125, 1993.  MOTA,  Ana  Elizabete;  AMARAL,  Angela  Santana  do.  Reestruturação  do  capital,  fragmentação do trabalho e Serviço Social. In: MOTA, Ana Elizabete (Org.). A nova  fábrica de consensos. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2006.
  25. 25. MUNIZ, Alda Lívia de Souza. A atuação do Assistente Social junto aos usuários do  método  de  esterelização  definitiva  pelo  SUS  no  município  de  Aracruz.  2007.  Monografia (Especialização em Políticas Públicas) – Programa de Pós­Graduação em  Políticas Públicas, Faculdade de Ciências Sociais de Ibiraçu, Ibiraçu, 2007.  PIRES, Sílvio R. I. Gestão da Cadeia de Suprimentos: conceitos, estratégias, práticas e  casos. 1 ed. – 3. reimpr. São Paulo: Atlas, 2007.  QUINTANEIRO, Tânia (org.). Um toque de clássicos: Marx, Durkheim, Weber/ Tânia  Quintaneiro, Maria Ligia de Oliveira Barbosa,Márcia Gardência de Oliveira. 2 ed. Belo  Horizonte: Editora UFMG, 2002.  SCHMIDT, Mário Furley. Nova história crítica. São Paulo: Nova Geração, 1999.  SILVA, Benedicto. Taylor e Fayol. 5 ed. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio  Vargas, 1987.  SILVA, Cláudio Gomes. Serviço social e reestruturação produtiva: entre a lógica do  mercado e a defesa do projeto ético político profissional. Serviço Social e Sociedade,  São Paulo, ano XXIX, n. 94, p. 176­197, 2008.  SOUZA,  César  Alexandre;  ZWICKER,  Ronaldo.  Ciclo  de  vida  de  sistemas  ERP.  [s.d.]. disponível em: http://www.scielo.com.br. Acesso em 15 maio 2007.  http://www.brasilescola.com/historiab/juscelino­kubitschek.htm;  acesso  em  03  out.  2008). História de JK.

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