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A violência doméstica e a escolha do objeto feita pela mulher

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POlitica publica para mulheres.

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A violência doméstica e a escolha do objeto feita pela mulher

  1. 1. A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A ESCOLHA DO OBJETO FEITA PELA MULHER Desde os tempos mais remotos a sociedade se caracterizou pela soberania do homem sobre a mulher, enaltecendo uma sociedade machista, uma cultura do poder masculino e da submissão feminina, esculpindo uma cultura de dominação do homem sobre a mulher. Associada à questão do empoderamento masculino pela força, pelos dotes físicos, a questão de sua competência intelectual também foi enfatizada ao longo dos séculos: ao homem sempre coube o lugar daquele que é capaz de suprir as necessidades não somente físicas mas também como o único capaz de prover tais necessidades. Desta forma, à mulher sempre coube o papel “secundário” de reservar-se aos domínios do lar, cuidar das atividades domésticas, zelar pelos filhos e esperar por seu marido para que pudesse satisfazer as suas necessidades, não só de alimentar-se como também de vestir-se e principalmente, sexuais. Satisfazer o homem era a princípio sua principal obrigação, e todas as demais ocupações do seu cotidiano se dirigiam a um senhor que deveria ser agradado e estimulado, para que pudesse dar continuidade ao seu papel de mantenedor da vida familiar. Seu desejo era o desejo de seu senhor: o marido. Ao longo dos séculos e principalmente na segunda metade do século XX esta realidade começou gradativamente a mudar, a mulher começou a assumir um papel social de maior ênfase e destaque, saindo do espaço do lar e avançando para outros espaços, ocupando funções em empresas, construindo um novo perfil de mulher para adentrar o novo século. Tais mudanças foram sentidas em todas as ramificações da sociedade, principalmente no âmbito familiar, pois a mulher até então submissa e silenciosa, começou a lançar mão de seus recursos intelectuais, começou a utilizar-se de sua força, de suas habilidades para começar a construir uma nova identidade, não mais submissa e silenciosa, mas uma identidade de sujeito de sua própria razão e por que não dizer de seu próprio desejo. A sociedade masculina, sob cujos olhares a mulher sempre estive como objeto de desejo e prazer de um lado e de outro lado como serviçal, separada pelo papel que ocupava na vida destes homens – como a prostituta, aqui entendida não no sentido pecuniário da palavra, mas pela forma como são separadas as mulheres para o sexo e para o casamento, e a rainha do lar, aqui entendida como a mulher de moral indiscutível, com quem se escolhia casar – agora é forçada a abrir-se ao sexo frágil , impotente e por muitas vezes incapaz e a reconhecer a legitimidade de suas ações, de suas escolhas e de suas possibilidades. Valendo-se de suas habilidades e de sua força, a mulher do século XXI, tem um perfil diferente da mulher do século XX, porém, evidentemente ainda é possível reconhecer os traços desta sociedade machista em todos os ambientes e de formas diversas: salários desiguais, possibilidades desiguais, posições desiguais, não na medida das desigualdades, mas para muito além delas. A partir de todas as mudanças no cenário social, o lar, espaço antes reservado à conjugalidade, passou a ser também o espaço da violência e do abuso. De um lado, a mulher 1
  2. 2. para a qual a sociedade lança apelos indeléveis à conquista da liberdade, dos direitos e de outro o homem a quem se dirigem apelos de sustentação da soberania outrora inquestionada. Que dizer daqueles homens cujas ordens não são respeitadas? Que dizer daqueles homens cujo domínio não é absoluto? Como manter a mulher escolhida sob sua égide e controle? À mulher são apresentados questionamentos: Por que se manter nesta união sem prazer? Por que permanecer com este marido? Por que não viver de forma independente? Enfim, numa disputa de forças, homem e mulher se digladiam em casa, cada um a seu modo tentando sustentar o seu espaço, o seu desejo ou o sua angústia. A violência doméstica surge como um fato não novo, porém como um sintoma destas transformações sociais que propõem mudanças nos papéis e nas relações de gênero. A mulher, apesar de todas as transformações citadas, mantém-se no enigma. Com as oportunidades que se abrem, com suas habilidades e potencialidades evidenciadas pela sociedade que já a reconhece, não sem restrições, mas reconhece capaz de assumir as rédeas de sua própria vida, de suas próprias escolhas e de seu desejo, a mulher se mantém numa posição de subordinação e vitimização com relação ao homem. Nos casos de violência doméstica que envolvem relacionamentos afetivos entre homem e mulher, observa-se uma angústia da mulher com relação ao sofrimento que lhe é imposto, ao mesmo tempo em que é possível perceber seu gozo em manter-se na relação conflituosa, ao ponto de dirigir-se aos órgãos públicos competentes para desdizer suas desventuras com aquele caso amoroso. Seus relatos são extremamente dolorosos, com detalhes com requintes de crueldade, e apesar disso, num dado momento a fazem rir e dizer: “_ Mas ele é bom! Foi apenas ciúme, brigas de marido e mulher!” Naturalmente, entende-se que são inúmeros os fatores que favorecem tais atitudes, como a dependência financeira, a dependência psíquica, os filhos, o medo, o tradicionalismo, entre outros, porém, concebe-se que dentre todos os fatores que contribuem para a permanência da mulher numa relação conflituosa, a mais grave é a dependência psíquica. Como no passado em que o desejo da mulher era satisfazer o desejo do homem escolhido, ainda hoje, nos parece visível e notório que seu gozo está em se colocar como objeto de gozo do outro, ainda que este gozo lhe represente a dor e a morte. Percebe-se ainda que grande parte das mulheres que conviveu com a violência doméstica na infância, sinalizando uma repetição, um desejo de colocar-se no lugar de gozo do homem escolhido, que poderia nos remeter ao conflito edípico. 2
  3. 3. O desejo pelo pai que se mostrou agressivo, a fará escolher um parceiro que a permita experimentar o gozo sentido pela mãe quando esta apanhava. Justifica-se a repetição através das gerações. Questiona-se ainda, nos casos onde não houve violência vivida na infância, como justificar tal escolha? Por que muitas vezes, ao se desvencilhar do objeto amoroso que lhe impungiu a violência, a mulher escolhe outro objeto amoroso que novamente lhe fará reviver o sofrimento da violência? Tal como Freud postula que as duas condições para a escolha do objeto feita pelo homem são a existência de uma terceira pessoa prejudicada e o amor à prostituta, quais seriam as condições de escolha de objeto feita pela mulher? “O que quer uma mulher?” como sinaliza Serge André é o objetivo deste trabalho monográfico, o que deseja, ou que estrutura a faz desejar o homem que a maltrata e violenta? 3

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