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Caderno de resumos XII final

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RESUMOS DO XII ENCONTRO NACIONAL
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  1. 1. RESUMOS DO XII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU E DO III ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU ISSN 2358-615X Junho de 2018 Volume 12 – número 12 IFILO - UFU
  2. 2. ISSN 2358-615X Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU Volume 12 – número 12 Junho de 2018 IFILO – UFU Organizadores: Marcos César Seneda Fernando Tadeu Mondi Galine Henrique Florentino Faria Custódio Revisores: Evelyn Kanandra Lente Gabriel Galbiatti Nunes Hênia Laura de Freitas Duarte
  3. 3. XII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU E III ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU O Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é um evento regular de pesquisa, que visa a fortalecer a inserção regional e nacional da comunidade filosófica representada pelos grupos e núcleos de pesquisa agregados ao Instituto de Filosofia (IFILO). O propósito do evento é a intensificação da integração dos estudantes – da graduação e da pós-graduação – e dos docentes e discentes do ensino médio com a comunidade filosófica nacional. Ao mesmo tempo, o evento pretende atuar decisivamente como fonte de incentivo para que os estudantes apresentem seus primeiros trabalhos e adquiram, por esse meio, um pouco da prática da produção de pesquisa especializada. Acentua nossa satisfação, ao organizá- lo anualmente, o fato de o evento ter se ampliado e se tornado uma mostra significativa do diversificado e consistente trabalho de pesquisa dos estudantes. No evento realizado em 2017, nós tivemos a participação de setenta e sete comunicadores e o envolvimento, como ouvintes, de aproximadamente duzentas pessoas. Neste ano, nós teremos a décima segunda edição do evento, realização que confirma o compromisso dos estudantes e do corpo docente do Instituto de Filosofia da UFU com a pesquisa e disseminação do saber filosófico. Será realizado também, concomitantemente com o XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia, o III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, que recebeu contribuições significativas de pesquisadores de diversas universidades nessas suas duas primeiras edições. Ainda será feita nesse ano uma Jornada de Iniciação à Pesquisa UFU/Ensino Médio, com a apresentação de cinco alunos que se prepararam para participar desse evento. É imensa a nossa satisfação em receber esses alunos no interior do evento de pesquisa, juntamente com os professores orientadores do Ensino Médio, que já têm coordenado mesas de apresentações nos anos anteriores. Esperamos, com essa experiência inicial, incentivar a pesquisa no Ensino Médio, vindo a ampliar e consolidar a presença desses alunos nos próximos eventos. A conferência de abertura dos eventos deste ano será proferida por Edson Teles, professor da UNIFESP, que falará sobre um tema bastante atual: “Estado de Exceção como Prática Governamental”. Essa conferência ocorrerá no dia 06 de junho de 2018 no auditório 5R-A e 5R-B. Esse evento também contará com a conferência de Rodrigo Duarte, professor da UFMG, que falará sobre um tema da estética: “A Corporeidade na Filosofia Precisa Mesmo da Simaestética?”. Essa conferência ocorrerá no dia 07 de junho de 2018 no auditório 5O-F. O presente caderno, portanto, apresenta o resultado de duas significativas mostras da pesquisa acadêmica nacional, às quais se soma o trabalho de pesquisa de estudantes do Ensino Médio, e pretende ser um incentivo para a produção de conhecimento filosófico e um veículo para a sua divulgação.
  4. 4. ISSN 2358-615X Comissão Técnico-Científica: Ana Carolina Gomes Araújo Ana Gabriela Colantoni César Fernando Meurer Dirceu Fernando Ferreira Fillipa Carneiro Silveira Igor Silva Alves Jairo Dias Carvalho Karine Martins Sobral Lucas Nogueira Borges Marcos César Seneda Paulo Irineu Barreto Fernandes Periodicidade: Anual INSTITUTO DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (IFILO – UFU) Campus Santa Mônica - Bloco 1U - Sala 125 Av. João Naves de Ávila, 2.121 - Bairro Santa Mônica Uberlândia - MG - CEP 38408-100 Telefone: (55) 34 3239-4185 http://www.ifilo.ufu.br/
  5. 5. Sumário JORNADA DE INICIAÇÃO À PESQUISA UFU/ENSINO MÉDIO Kerolyn Gouveia Vieira Silva..............................................................................................................9 Luiza de Moura Castro.......................................................................................................................10 Marcus Vinícius Torres Silva.............................................................................................................11 Maria Júlia Carrijo de Abreu..............................................................................................................12 Thales Ferreira Martins......................................................................................................................13 XII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU Alysson Lein ......................................................................................................................................15 André Luis Lindquist Figueredo........................................................................................................16 Bárbara Raffaelle Carvalho Santos....................................................................................................17 Bruna Alexsandra Assis .....................................................................................................................18 Bruno Belém ......................................................................................................................................19 Bruno César Cunha Cruz ...................................................................................................................20 Bruno Humberto Lemes de Resende .................................................................................................21 Bruno Pereira Rodrigues....................................................................................................................22 Danival Lucas da Silva ......................................................................................................................23 Davi Heckert César Bastos ................................................................................................................24 Eduardo Leite Neto ............................................................................................................................25 Emely Eleen Sbaraini Verona ............................................................................................................26 Evelyn Kanandra Lente......................................................................................................................27 Everson Rodrigues Carrijo.................................................................................................................28 Fábio de Oliveira Santos....................................................................................................................29 Flávio Rocha de Deus ........................................................................................................................30 Gabriel Galbiatti Nunes .....................................................................................................................31 Gabriela Antoniello de Oliveira .........................................................................................................32 Guilherme Vasconcelos Fontoura ......................................................................................................33 Gustavo Henrique de Freitas Coelho .................................................................................................34 Gustavo Maciel Cardoso....................................................................................................................35 Ítalo Pereira do Prado.........................................................................................................................36
  6. 6. Jackeline de Melo Feitosa..................................................................................................................37 Laís Oliveira Rios ..............................................................................................................................38 Letícia Palazzo Rodrigues..................................................................................................................39 Lineker Fernandes Dias .....................................................................................................................40 Lívia Carlos dos Reis .........................................................................................................................41 Lorena Carvalho Ribeiro....................................................................................................................42 Lucas Guerrezi Derze Marques..........................................................................................................43 Marco Aurélio Martins Rodrigues .....................................................................................................44 Menissa Nayara Nascimento Silva ....................................................................................................45 Nayen Takahama Ide Tenani..............................................................................................................46 Nelson Perez de Oliveira Junior.........................................................................................................47 Pablo Silva Prado...............................................................................................................................48 Pâmela Teles Bonfim .........................................................................................................................49 Patrick Luiz Barreto Soares ...............................................................................................................50 Pedro Lemgruber Nascimento ...........................................................................................................51 Pedro Marques Cintra ........................................................................................................................52 Rafael Costa Lima..............................................................................................................................53 Rafael Miranda Gonçalves.................................................................................................................54 Sarah Bonfim Matos Nunes...............................................................................................................55 Victor Lucas Caixeta..........................................................................................................................56 Victória Cardoso Alves ......................................................................................................................57 Wemerson Garcia Ferreira Junior ......................................................................................................58 III ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU Alisson Matutino de Souza ................................................................................................................60 Ana Carolina Gomes Araújo..............................................................................................................61 Antonio José Franco de Souza Pêcego ..............................................................................................62 Arthur Falco de Lima.........................................................................................................................63 Breno Tannús Jacob ...........................................................................................................................64 Bruno Bertoni Cunha .........................................................................................................................65 Daniel Féo Castro de Araújo..............................................................................................................66 Daniel Uptmoor Pauly .......................................................................................................................67 Diego de Souza Avendaño .................................................................................................................68
  7. 7. Felipe Henrique Canaval Gomes .......................................................................................................69 Fellipe Pinheiro de Oliveira ...............................................................................................................70 Fernando Tadeu Mondi Galine...........................................................................................................71 Guilherme de Morais Damaceno .......................................................................................................72 Guilherme José Santini da Silva ........................................................................................................73 Hênia Laura de Freitas Duarte ...........................................................................................................74 Hilton Wzorek....................................................................................................................................75 Jorge Quintas......................................................................................................................................76 José André Ribeiro.............................................................................................................................77 José Eduardo Pimentel Filho..............................................................................................................78 Juliana Paola Diaz Quintero...............................................................................................................79 Leandro Dal Sasso Masson................................................................................................................80 Leandro Nazareth Souto.....................................................................................................................81 Lorena Fernandes Magalhães.............................................................................................................82 Luciano Gomes Brazil .......................................................................................................................83 Marco Tulio Cunha Vilela..................................................................................................................84 Marcos Roberto Santos ......................................................................................................................85 Maryane Stella Pinto..........................................................................................................................86 Natália Amorim do Carmo.................................................................................................................87 Pablo Henrique Santos Figueiredo.....................................................................................................88 Paulo Irineu Barreto Fernandes..........................................................................................................89 Rafael Gonçalves Queiroz .................................................................................................................90 Rosane Rocha Viola Siquieroli ..........................................................................................................91 Samantha Lau Ferreira Almeida Faiola .............................................................................................92 Sara Gonçalves Rabelo ......................................................................................................................93 Victor Hugo de Oliveira Saldanha .....................................................................................................94 Wesley Costa Xavier..........................................................................................................................95
  8. 8. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 8 JORNADA DE INICIAÇÃO À PESQUISA UFU/ENSINO MÉDIO
  9. 9. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 9 O mundo das ideias e o problema do conhecimento em Platão Kerolyn Gouveia Vieira Silva (E.E. Antônio Luis Bastos) Orientadora: Maria de Lourdes Silva Seneda Neste trabalho pretendemos mostrar que Platão, na tentativa de resolver o problema do “movimento do ser”, posto por Heráclito e Parmênides, defende a existência de dois mundos: sensível – revelado pela constante mudança – e inteligível – caracterizado por ser imóvel. Ele coloca o mundo sensível – entendido enquanto cópia – como dependente do mundo inteligível, de tal forma que só teremos acesso ao conhecimento, se lembrarmos do que contemplamos no mundo dos mortos. No livro IV da República, Platão utiliza-se do Mito de Er para explicar como o homem – no mundo dos mortos – sendo apenas ideia é capaz de contemplar todas as ideias que existem, e porque ao nascer esquece-se de tudo que ali contemplou. Assim, o mundo sensível, que orienta as ações humanas do senso comum, parece ser uma ficção ou cópia, que orienta os homens a chegar ao conhecimento do mundo inteligível. O problema é como podemos, a partir do sensível, elevarmos à ideia original?
  10. 10. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 10 A guerra e a virtude, segundo Espinosa Luiza de Moura Castro (E.E. Prof. José Ignácio de Sousa) Orientador: Serginei Vasconcelos Jerônimo O presente trabalho tem em vista a seguinte questão: pode o homem deixar de guerrear e investir em tal coisa, para promover o pleno desenvolvimento humano? Todo homem busca sempre a conservação da vida, o conatus, o impulso, a força que nos leva a perseverar, preservar a vida e a buscar o nosso crescimento. Entretanto, não é viável viver impondo nossos desejos, mesmos que esses sejam para conservar a vida, pois teriam que lidar constantemente com inimigos. Existe sempre algo mais forte que outra coisa, então não seria conveniente, tendo como objetivo a conservação da vida, a guerra. Portanto, seguindo o pensamento de Espinosa, devemos ser virtuosos, tendo em mente que a virtude é tudo aquilo que é útil à vida, e sendo virtuosos, estamos fazendo o bem para nós e para os outros. Em Espinosa temos então uma solução: ser capaz de refrear as nossas paixões ligadas aos afetos de tristeza e consequentemente, a partir daí, aumentar a nossa potência de agir.
  11. 11. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 11 Os dois mundos de Platão e os conceitos de hardware e software: uma relação possível? Marcus Vinícius Torres Silva (IFTM - Campus Uberlândia) Orientador: Paulo Irineu Barreto Fernandes Influenciado pelas ideias de Heráclito e Parmênides, Platão elaborou a “teoria dos dois mundos”: o mundo inteligível, verdadeiro, da alma e da permanência; e o mundo sensível, do corpo, caracterizado pela mudança e movimento. Para o filósofo, corpo e alma estão ligados, respectivamente, ao mundo sensível e inteligível. Em sua visão, o corpo seria uma prisão da alma, sujeito às mudanças e ao tempo. Já a alma, conteria o verdadeiro conhecimento. Passados vinte e três séculos, os conceitos de corpo e alma de Platão, se assemelham aos conceitos de hardware e software, na computação. Pois o hardware é a parte física de uma máquina, responsável pela sua estrutura concreta; e o software é a parte lógica, cuja função é mandar instruções. Assim, este resumo sintetiza a intenção de uma pesquisa em fase de construção, que pretende apresentar uma relação entre filosofia e ciência da computação, com desdobramento para os conceitos de mente e inteligência artificial. Enfim, este debate assume uma aproximação entre o pensamento de Platão e a ciência da computação: a união do hardware e do software, para a construção de uma máquina computacional; e a união de corpo e alma, para a formação de um ser pensante.
  12. 12. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 12 A corrupção numa perspectiva da filosofia de Espinosa Maria Júlia Carrijo de Abreu (E.E. Prof. José Ignácio de Sousa) Orientador: Serginei Vasconcelos Jerônimo O presente trabalho pretende abordar o tema “corrupção” a partir de alguns conceitos fundamentais presentes no pensamento de Bento de Espinosa. Podemos dizer que existem várias interpretações acerca do significado do termo, entre elas, identificamos a corrupção no seu aspecto moral, que tende a vê-la como um rompimento das virtudes do indivíduo; e a corrupção política, que seria o uso das competências legisladas por funcionários do governo para fins privados ilegítimos. Uma reflexão filosófica voltada ao pensamento de Espinosa nos mostrará que o mesmo considerava a vida ética decorrente do confronto contínuo entre nossas paixões e nossa razão. A vida ética é um embate entre a razão, apetites e desejos. Ora podemos agir sob a influência das paixões, ora podemos agir guiados pela razão. O intuito deste trabalho é mostrar que a corrupção é fruto das ações movidas por paixões e por isto impotência, recaindo naquilo que o autor chamou de “servidão humana”.
  13. 13. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 13 A ética na Pólis de Aristóteles Thales Ferreira Martins (E.E. Antônio Luis Bastos) Orientadora: Maria de Lourdes Silva Seneda O objetivo desse trabalho é mostrar que Aristóteles pensa uma ética no interior da Polis. O lugar natural do homem é na sociedade e a felicidade - Bem Supremo ou Eudaimonia – é o fim último das atividades humanas, a causa final de todas as outras coisas. O homem virtuoso age com prudência, ele é capaz de controlar os impulsos (vícios) e equilibrar-se entre os dois polos, nem sucumbindo ao excesso e nem sendo movido somente pela falta (seu alvo é o justo meio, a igual distância entre os extremos). O querer o bem ao próximo possibilitaria a criação de laços recíprocos de amizade entre homens virtuosos e conduziria a uma vida mais feliz. Desse modo, o homem virtuoso necessariamente deveria ter o hábito de exercer o bem dentro da Polis, uma vez que Aristóteles defende que o homem é um animal político por natureza. Por isso, sua verdadeira natureza somente poderia ser expressa através da vida política.
  14. 14. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 14 XII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM FILOSOFIA DA UFU
  15. 15. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 15 A filosofia da alquimia nas três etapas da grande obra Alysson Lein (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Junior O objetivo deste trabalho é apresentar um estudo das ilustrações e dos textos que descrevem as três principais etapas da opus alchimica: nigredo, albedo e rubedo. Para tanto, devemos levar em conta que a alquimia foi considerada uma falsa ciência, cujos métodos teriam sido superados no alvorecer da ciência moderna. Contudo, no século XX, alguns estudiosos retomaram os estudos sobre este saber partindo do princípio de que deve-se compreender as obras de alquimia a partir de seus próprios referenciais e não julgá-los a partir dos referenciais que lhes são externos. A obra de Carl Gustav Jung partiu do princípio de que o pensamento alquímico, registrado em textos e ilustrações herméticos, devem ser considerados como símbolos que denotam um traço da psique humana, os quais, por sua vez, não desapareceram por causa das ciências e da filosofia modernas. Pesquisadores de outras áreas também passaram a estudar os livros de alquimia a partir de seus próprios referenciais como Mircea Eliade (Ferreiros e Alquimistas) com relação aos mitos; Ana Maria Alfonso-Goldfarb (Da Alquimia à Química) com relação à história e Françoise Bonardel (Filosofar pelo Fogo) no que se refere à filosofia. É com base na obra destes três estudiosos que analisaremos as etapas da Grande Obra ou da opus alchimica.
  16. 16. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 16 A não-transitividade da relação “melhor que” e suas implicações para o raciocínio deliberativo André Luis Lindquist Figueredo (UFU) Orientador: Alcino Eduardo Bonella Pretendo investigar, com este trabalho, a tese de Larry Temkin, exposta em seu livro Rethinking the Good, de que a relação “melhor que” (num sentido mais geral e normativo, de se ter mais razões para deliberar uma alternativa A à outra B – sendo A, assim, melhor que B – com base no bem produzido pela realização dessas alternativas) é não-transitiva, assim como as possíveis implicações práticas e teóricas dessa tese. Como contraponto a essa tese de Temkin, utilizarei o livro Weighing Lives, de John Broome. Mais especificamente, pretendo explicitar a posição de Broome, contrária a de Temkin, de que a transitividade da relação “melhor que” é garantida pelo sentido definido que o operador “mais que” possui; a relação “melhor que” ser transitiva é uma verdade analítica, garantida pelo que significa dizer que uma coisa é melhor que outra. Também utilizarei o artigo The Costs of Transitivity, de Shelly Kagan, para explicitar algumas noções básicas do problema proposto por Temkin.
  17. 17. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 17 O conceito de eterno retorno do mesmo Bárbara Raffaelle Carvalho Santos (UFU) Orientador: José Bendito de Almeida Júnior Este trabalho tem como objetivo analisar o conceito de eterno retorno na obra do filósofo Friedrich Nietzsche. Tal conceito está presente nas obras: A Gaia Ciência (1882), Assim Falou Zaratustra (publicada em quatro partes entre 1883 e 1885) e Ecce Homo (1908). O argumento principal desta pesquisa desenvolve a tese de que a concepção de eterno retorno é central na terceira fase do pensamento de Nietzsche, considerada sua fase madura. Buscaremos elucidar a importância do entendimento do eterno retorno do mesmo, em um tempo circular. Explicaremos o peso causado por esse pensamento, que possibilita ultrapassar um niilismo suicida, que é a negação da vida que se volta para o saudosismo do nada. Portanto, a saída desse niilismo só é possível desejando tudo o que acontece dentro do eterno retorno, através da afirmação da vida e todos os opostos contidos nela, como morte-vida, sofrimento-prazer entre outros, sem aceitar nenhum sentido transcendente. Desta forma, o eterno retorno é um conceito que está profundamente ligado ao amor fati, que significa amor ao destino, isto é, aceitar tanto a dor quanto o gozo como partes da existência. Como conclusão parcial desta pesquisa, consideramos o eterno retorno como conceito chave da obra de Friedrich Nietzsche.
  18. 18. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 18 Como o conceito de autossuficiência se relaciona com a eudaimonia Bruna Alexsandra Assis (UFU) Orientador: Fernando Martins Mendonça O presente trabalho tem como objetivo principal abordar a definição de eudaimonia para Aristóteles, como ela relaciona-se com conceitos como autossuficiência e se é possível ser feliz mesmo inserido num contexto em que pessoas próximas sofrem de grandes atrocidades. Para tal, foi feita uma investigação tendo como base a obra Ética a Nicômaco, de Aristóteles, em que se evidencia que a eudaimonia trata-se da atividade racional do homem exercida de acordo com a virtude. Tendo isto estabelecido, duas indagações fazem-se possíveis: a eudaimonia é suficiente para tornar a vida boa e carente de mais nada? E ademais, é possível ser feliz enquanto todos ao seu redor sofrem? Aristóteles afirma que por ser constituída de todos os bens, a eudaimonia possui caráter autossuficiente. Portanto, bastando-se por si só. Para possuir uma boa vida de fato, mostra-se necessário que a vida daqueles que se encontram ao redor seja minimamente boa, visto que se padecessem de grandes atrocidades interfeririam negativamente no sujeito em questão, impossibilitando-o de possuir a eudaimonia.
  19. 19. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 19 Acerca das teorias econômicas de Marx e de Keynes Bruno Belém (USP) Orientador: Vladimir Pinheiro Safatle A crise econômica de 2008 e as grandes manifestações ao redor do mundo trouxeram um renovado interesse pelas reflexões de Karl Marx e John Maynard Keynes. Tal resgate – que é notadamente marcado de certo ceticismo quanto a seus modelos de intervenção – vem privilegiando, sobretudo as análises econômicas destes autores. Nesta comunicação trata-se de realizar um balanço destas análises econômicas a partir do exame individual e comparativo de seus fundamentos, de forma a identificar e qualificar, de um lado, suas ontologias do capitalismo e suas críticas diagnósticas e prognósticas, bem como a validade atual dessas reflexões, tendo em vista, sobretudo as mutações no campo do trabalho, do consumo e das relações entre governos e mercados, e de outro, tanto suas dificuldades construtivas – constantemente às voltas com a filosofia moral e a ética – quanto o que, por ventura, possa fornecer esteio às atuações da esquerda frente ao processo de reprodução material da vida no capitalismo.
  20. 20. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 20 [Meta]Físicas do fim do mundo: reflexões sobre o homem e seus fins possíveis Bruno César Cunha Cruz (UFU) O trabalho apresentado visa, por meio de breves notas introdutórias de considerações iniciais, refletir sobre a noção de “fim do mundo”. Tal noção e, consequentemente, suas discussões, que estão presentes desde os dias primeiros da história da humanidade, vêm, nas últimas décadas, entre os ocidentais, tomando novos rumos devido ao considerável consenso científico a respeito das transformações em curso do regime termodinâmico do planeta - transformações essas causadas, majoritariamente e inegavelmente, por questões antrópicas. Dessa forma, a comunicação proposta objetiva comentar de que maneira tais noções e discussões podem transparecer a própria noção de “humanidade”, bem como de “mundo” e de “fim”, presentes em tais, além de ajudar a compreender a lógica ideológica, social e econômica do capitalismo contemporâneo. De igual maneira e forma, o trabalho, por meio de discussões teóricas e de um debate transdisciplinar entre as ciências naturais (especialmente a Ecologia) e as ciências humanas (especialmente a Filosofia e a Antropologia), visa compreender a própria concepção do denominado “antropoceno” e, a partir daí, suas consequências [teóricas e práticas] nas “físicas”, “metafísicas” e “mitofísicas” contemporâneas.
  21. 21. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 21 A questão meridional e a classe oscilante em Antônio Gramsci Bruno Humberto Lemes de Resende (UFU) O presente trabalho tem por objeto o estudo da questão meridional em Antônio Gramsci, suas características e peculiaridades, que, conforme sustenta o autor, é uma das fortes influências que determinaram o surgimento do movimento fascista italiano. Desse modo, realizará uma análise acerca dessa questão e do contexto histórico italiano na passagem do século XIX para o século XX, abordando o cenário político e social da mencionada época, e as circunstâncias que, segundo Gramsci, culminaram no movimento fascista liderado por Benito Mussolini. Nesse sentido, far-se-á uma breve análise do fascismo enquanto instrumento de uma parcela da sociedade que, insatisfeita com as mudanças provocadas pela crise mundial econômica de 1873, viram no movimento a possibilidade de retomar aqueles privilégios existentes antes do caráter imperialista tomado pelo capitalismo. Desta feita, abordará o conceito de classe oscilante elaborada por Gramsci, tida como a pequena e a média burguesia, a qual foi afetada diretamente nesse período, dada a destruição da sua função social/política diante dos processos de centralização de capital, com a consequente proletarização dessa classe.
  22. 22. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 22 Marxismo messiânico – A crítica revolucionária de Walter Benjamin à ideologia do progresso Bruno Pereira Rodrigues (UFU) Orientador: Rafael Silva Cordeiro A presente comunicação possui o objetivo de expor a filosofia da história de Walter Benjamin, bem como sua crítica a ideologia do progresso presente tanto nos escritos de Marx e Engels quanto em seus epígonos. Benjamin se utiliza da teologia para revisar e corrigir o que o autor considerava serem erros do materialismo, como a concepção de história teleológica, linear e progressiva que levariam a história inevitavelmente a uma sociedade sem classes. Em seus escritos surge a alquimia entre romantismo, messianismo e materialismo que pretendo elucidar em minha comunicação, relacionando-as com sua crítica a ideologia do progresso que lhe delegou o título de primeiro autor materialista a realizar uma crítica sóbria, por vezes profética em relação ao futuro. Sua pretensão era de criar um novo materialismo que não estivesse contaminado com ideias positivistas que impregnaram diversas correntes cientificas de sua época. “Escovar a história a contra-pelo” foi seu método por excelência para redimir e relembrar os vencidos e as potencialidades emancipadoras que não se realizaram no passado.
  23. 23. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 23 Termos polivalentes na Metafísica de Aristóteles Danival Lucas da Silva (UFU) Pesquisa realizada no segundo semestre de 2017 com o objetivo de analisar o caráter ambíguo dos principais termos encontrados na ontologia de Aristóteles, especificamente na usiologia proposta no Livro Z de sua Metafísica. Trata-se de um esforço no sentido de minimizar os nãos raros equívocos que dificultam a interpretação de trechos importantes do texto aristotélico. O trabalho foi organizado com base na seguinte estrutura: 1. Apresentação da polivalência que cerca termos fundamentais, como: ser, substância, essência, substrato, indivíduo, espécie e forma; 2. Comparação da tradução e dos comentários de Giovanni Reale com uma tradução do grego para o inglês realizada por W. D. Ross do MIT - Massachusetts Institute of Technology - e com os comentários de dois professores americanos: S. Marc Cohen da Universidade de Washington e Howard Robinson da Stanford University; 3. Análise do sentido desses termos no contexto das obras lógicas, contrapondo com suas valências conceituais no âmbito da Metafísica; 4. Construção de arte gráfica para facilitar a identificação de possíveis pontos de solução. Como resultado, temos uma contribuição efetiva para o estudo da Metafísica, já que uma melhor compreensão dos termos analisados possibilita uma leitura mais fluida de um texto considerado de elevada complexidade.
  24. 24. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 24 Coextensão entre relata causais em Aristóteles e Mackie Davi Heckert César Bastos (Unicamp, CNPq e FAPESP) Orientador: Lucas Angioni Um dos desafios na filosofia antiga é compreender em qual sentido Aristóteles fala de aitiai: causas com estatuto ontológico ou explicações de caráter puramente epistêmico? John L. Mackie, filósofo do século XX, aborda a causação em três frentes, a saber, metafísica, epistêmica e conceitual. Apesar das diferenças de abordagem e da proposta parcialmente regularista de Mackie, ambos autores compreendem a relação causal como triádica, e apresentam, nessa estrutura complexa, um desideratum epistemológico de coextensão entre causa e causado relativa a um terceiro termo, o qual Mackie chama de campo causal. Nesta apresentação exponho as teorias de Mackie e de Aristóteles privilegiando certos aspectos que ressaltam sua similaridade, especialmente quanto ao caráter triádico da relação causal e do desideratum de uma coextensão entre causa e causado (em Mackie, "efeito") relativa à extensão do que Mackie chama de campo causal e Aristóteles de "aquilo para o que é causa" (hôi aition). Com isso, espero elucidar o texto de Aristóteles a partir de uma perspectiva contemporânea, assim como apontar a relevância de Aristóteles para o estudo de causação ainda hoje.
  25. 25. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 25 A Vontade e seu enfrentamento na Vida como preparação para a Morte: uma exposição acerca da “Metafísica da Morte” de Schopenhauer Eduardo Leite Neto (UFU) Em nossos sistemas de conhecimento e verdades buscadas, nada temos de mais concretamente certo que nossa morte. O fim do organismo e o fim de nossas faculdades mentais é algo que nos fornece demasiado temor e aflição. Enquanto nossos corpos permanecem nos bons tempos biológicos e sobre esse tema nada pensamos, apenas iniciamos tal reflexão quando a morte se aproxima. Para Sócrates, o lidar com a morte está atrelado com o filosofar e a isso definiu como musa da Filosofia, e sendo esse adjetivo, para se entender a morte é preciso se preparar para ela θανατου μελέτη [preparação para morte ]. Schopenhauer, no século XIX, seguindo os passos de Sócrates nos regala com os escritos de “Metafísica do Amor e Metafísica da Morte” que são capítulos de sua maior obra: “O mundo como vontade e representação”. O objetivo deste trabalho é a exposição dos argumentos do autor alemão em relação à morte e sua natureza, de um modo otimista sob ela na demarcação relacional entre Vida, Vontade e Morte.
  26. 26. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 26 A teoria-dupla de julgamentos morais Emely Eleen Sbaraini Verona (UFU) Frequentemente nos encontramos divididos quando nos deparamos com julgamentos morais: às vezes julgamos ações com base em princípios deontológicos, outras vezes, com base em princípios utilitaristas. Joshua Greene, neurocientista da Universidade de Harvard, tentou conciliar as duas visões desenvolvendo uma teoria-dupla de processos (dual-process theory) segundo a qual os julgamentos caracteristicamente deontológicos (por exemplo, desaprovação em matar uma pessoa para salvar várias outras) são conduzidos por processos afetivos automáticos, enquanto julgamentos caracteristicamente utilitaristas (por exemplo, aprovação em matar uma pessoa para salvar várias outras) são conduzidos por processos cognitivos controlados. A teoria-dupla de Greene possibilita que julgamentos cognitivos possam ser relevantes para modificar os julgamentos de outras pessoas através da argumentação. Dessa forma, seria possível, por exemplo, tornar alguém vegetariano apelando por raciocínios morais (derivados de processos cognitivos controlados - utilitaristas) e, a partir daí, modificar sua intuição (que deriva de processos afetivos automáticos - deontológicos). Assim sendo, existem bons motivos para acreditar que as pessoas se envolvam no raciocínio moral e que os filósofos morais possam influenciá-las, não apenas modificando suas intuições, mas transmitindo princípios morais que possam ser usados para anular as intuições morais, incluindo intuições que, de outra forma, dominariam o comportamento de maneira negativa.
  27. 27. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 27 A jornada da heroína em Valente Evelyn Kanandra Lente (UFU/FAPEMIG) Orientador: José Benedito Almeida Jr. Esta pesquisa tem como objetivo analisar os arquétipos presentes na jornada da heroína, no filme de animação Valente (2012); para tanto será empregada a seguinte perspectiva: separação, iniciação e retorno. Neste ínterim, as obras utilizadas como base da pesquisa serão duas: O Herói de Mil Faces (1949), de Joseph Campbell, e A Jornada do Escritor: Estrutura Mítica para Escritores (2006), de Christopher Vogler. Posto isto, deve-se enfatizar que o aspecto original da pesquisa seja estudar as personagens femininas presentes na animação supracitada e, desta forma, demonstrar a importância simbólica destes papéis na sociedade. Compete a esta parte da pesquisa abordar brevemente dois aspectos essenciais presentes no filme evidenciado, sendo 1) as subtramas contidas na narrativa, uma vez certificado de que estas correspondem a fragmentos de destaque presentes no enredo e que tem como proposta apoiar a trama principal; e 2) identificar as etapas que configuram a jornada da heroína exposta neste contexto, atribuindo enfoque ao que concerne a descrição de suas viradas ou turn backs, ou seja, pontos em que se percebe a atribuição de enfoque a situações diferentes das expostas anteriormente.
  28. 28. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 28 O uso das redes sociais e a construção da identidade numa perspectiva Enacionista Everson Rodrigues Carrijo (UFU) Orientador: Leonardo Ferreira Almada O debate contemporâneo sobre a adoção tecnológica e seu impacto sobre a vida humana tem se apresentado como novo campo para reflexões filosóficas. Neste campo de reflexões, a filosofia tem ampliado o debate sobre as invenções tecnológicas como soluções dos problemas humanos em suas relações com a natureza e na sociedade como caminho de redução das disparidades. Assim, a importância da reflexão sobre o quanto a invenção tecnológica afeta a construção da identidade do próprio sujeito, é extraída da própria relevância do tema no debate contemporâneo. No desenvolvimento, partimos de uma perspectiva Enacionista, uma linha de pesquisa em filosofia da mente, baseada em seus autores principais Francisco Varela, Evan Thompson e Eleanor Rosch, os quais refletem sobre a construção do humano, a partir das novas descobertas das ciências cognitivas, sobretudo das contribuições da neurologia, e posicionam a perspectiva Enacionista como uma alternativa capaz de superar modelos dualistas e materialistas, debatidos na longa tradição filosófica.
  29. 29. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 29 Suicídio: a afirmação intensa da vontade de viver Fábio de Oliveira Santos (UNEB) Orientador: Alan Sampaio A pesquisa tem em seu ponto nevrálgico o tema mais original e trágico na história da filosofia, o sentido da vida. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder a uma questão fundamental da filosofia. Geralmente o suicídio é tratado como um fenômeno puramente psicológico, mas, Arthur Schopenhauer (1788-1860) problematiza-o como filosófico, e pelo direito incontestável sobre cada vida, ele admite o suicídio como um erro, nunca como um crime. Com isso, foram propostos em questão os problemas enfrentados pelo ser humano nessa dinâmica paradoxal de afirmar seu desejo de viver atentando contra a própria vida, e, através do prisma da temperança perene da teoria de Schopenhauer, veremos tal tese alicerçada na ideia de vontade, e que por não ser possível deixar de querer é que se pensa em deixar de viver. Concluiremos mostrando que a negação da vontade consiste não no que se detesta dos males da vida, mas no que se detesta de seus gozos, o bem reside em negar a vontade através do ascetismo, e a negação ilusória de modo algum consegue atingir à vontade.
  30. 30. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 30 Albert Camus e a democracia como exercício de modéstia Flávio Rocha de Deus (UNEB) O filosofo franco-argelino Albert Camus (1913-1960) detinha criticas consideráveis a todas as formas de totalitarismos. Sua cisma em relação aos modos totalizantes de se produzir filosofia o levou a não teorizar seu pensamento por meio de sistemas e tratados, mas sim através de romances, peças e ensaios; e serão dois dos seus escritos que iremos focar este trabalho. Esta comunicação tem por objetivo analisar os textos: “Démocratie et modestie” publicado no jornal Combat em fevereiro de 1947 e “La démocratie. Exercice de la modestie” publicado em novembro de 1948, na revista Caliban. Primeiramente, será apresentado o contexto histórico que engloba a publicação dos escritos, posteriormente iremos analisar as considerações do filósofo sobre os dois tipos de deterministas sociais, que o mesmo classifica como reacionários da democracia, e, por fim, revisaremos as premissas argumentativas usadas por ele para defender sua tese de que a democracia, apesar dos perigos, é o melhor dos sistemas políticos conhecidos e é, acima de tudo, um constante exercício de modéstia.
  31. 31. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 31 O papel da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel na análise do tema da propriedade privada em Marx Gabriel Galbiatti Nunes (UFU/FAPEMIG) Orientador: Humberto Aparecido de Oliveira Guido O manuscrito, nomeado de Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, é um texto escrito por Marx, ainda não munido das armas da economia política e fortemente influenciado pelo pensamento de Feuerbach, em que o autor investe contra o conceito hegeliano de Estado. Segundo Marx, a definição hegeliana de Estado coloca a existência das esferas da família e da sociedade civil subordinadas ao Estado. Não há possibilidade de existência do Estado sem a presença da sociedade civil. Por isso, Marx considera o Estado hegeliano como um objeto vazio, pois ele aliena as relações reais entre Estado e sociedade civil. É necessário realizar uma inversão do sistema hegeliano para a compreensão do significado do Estado. Todavia, ao tratar a respeito da propriedade e do morgadio, Marx contradiz toda a argumentação que segue durante o manuscrito, não mais identificando o Estado como uma alienação da sociedade civil, mas como uma alienação dos interesses da propriedade privada. Nesta comunicação, pretendemos demonstrar como esta contradição presente no manuscrito coloca Marx em confronto, pela primeira vez, com um objeto que ele reconhece ser material e que será objeto de todo seu trabalho futuro: a propriedade privada.
  32. 32. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 32 O conceito de natureza humana e virtude, presentes nas obras de Maquiavel Gabriela Antoniello de Oliveira (UFU) Orientador: Luiz Carlos Santos da Silva Analisaremos nos textos de Maquiavel (com ênfase naqueles que descrevem um príncipe ideal e uma política eficaz), o conceito de natureza humana e virtude. Faz-se de grande importância a compreensão desses conceitos, seus destrinchamentos e suas vertentes, tendo em vista que é a partir disso que se governam e são estas as bases de todas as organizações políticas. Sendo para Maquiavel, a natureza humana um conceito absoluto e a virtude algo abstrato e relativo a cada contextualização. Toda reflexão filosófica, em algum momento, trata da natureza do ser, seja expondo como ela se encontra em sua forma imanente, ou como ela age internamente e/ou externamente no ser. Maquiavel, envolto pela política em ascensão na Itália, não ficou indiferente, muito pelo contrário, é explicito em suas obras os ensinos e conduções ao o que ele acha cabível. Assim, é a partir desses conceitos que ele define caminhos e ordenações a serem seguidas, para que assim, fosse possível desenvolver um sistema governamental que suprisse a necessidade do homem com base no seu estado natural, a este condenando-o ou gloriando-o.
  33. 33. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 33 Axell Honneth e o legado da Teoria Crítica Guilherme Vasconcelos Fontoura (UFU) Esse trabalho visa oferecer uma introdução ao pensamento do filósofo Axell Honneth, levantando alguns aspectos fundamentais que caracterizam a Teoria Crítica. Assim, trataremos primeiro da tarefa de apontar as características que aparecem no pensamento dos principais pensadores da Teoria Crítica, a saber: Horkheimer, Marcuse, Adorno e Habermas. A partir do diagnóstico de uma patologia da razão, esses pensadores abordam - cada um a seu modo - os problemas oriundos do modo de produção capitalista, radicalizado a partir do século XX. Essa abordagem Crítica, porém, não consegue escapar a alguns problemas não solucionados. Habermas já apontava para certa “aporia” existente na abordagem da Teoria Critica. Essas lacunas foram alargadas com o desenvolvimento de uma sociedade que cresceu consciente da pluralidade cultural e do fim das “Grandes Narrativas”. Nesse contexto, o filósofo Axell Honneth procura retomar esse modelo de crítica social a partir de uma noção de reconhecimento. A análise dessa noção será trabalhada na segunda parte dessa comunicação.
  34. 34. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 34 Apreciação da técnica de xenotransplantação a partir da revisão moral da experimentação com animais não humanos Gustavo Henrique de Freitas Coelho (UFU) Diante da crescente demanda clínica por órgãos para transplantes, diversos esforços têm sido direcionados para a pesquisa em xenotransplantes, técnica que consiste no transplante de células, tecidos ou órgãos entre espécies diferentes. O objetivo é o de tornar possível, por meio da bioengenharia, o transplante de órgãos de porcos em seres humanos. Embora a experimentação da técnica de xenotransplantação, ainda que utilizando outras espécies de animais, remeta a um período anterior ao desenvolvimento dos transplantes entre humanos, o procedimento atualmente ainda se mostra distante de ser realizado com sucesso. Se, a princípio intentamos analisar a luz das principais teorias éticas a prática da xenotransplantação, uma vez que, durante as pesquisas, inúmeros animais são mortos e muitos mais serão caso o procedimento venha a ser bem-sucedido, percebemos que tal questão se coloca a partir de pressupostos que precisam ser anteriormente justificados. A questão do xenotransplante funda-se sobre a presunção da permissibilidade da experimentação com o uso de animais, de modo que, antes de qualquer parecer moral a respeito dessa prática, propomos, nesse ensaio, a revisão das bases nas quais se funda a experimentação animal.
  35. 35. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 35 A estética do tempo como o alicerce do sintético a priori matemático: a fundamentação da faculdade sensível na filosofia transcendental kantiana Gustavo Maciel Cardoso (UFU/FAPEMIG) Orientador: Marcos César Seneda O objetivo deste trabalho é analisar como Kant define a noção de tempo no contexto da Estética transcendental da Crítica da razão pura. Primeiramente, será necessário entendermos como a definição de tempo aparece na Dissertação Inaugural, de 1770, como um dos “princípios da forma do mundo sensível”, já na fundamentação da divisão primordial do período crítico Kantiano, a saber, a divisão entre um mundo sensível e um inteligível. Será preciso, inicialmente, expor como Kant define o tempo por “princípio formal do mundo sensível absolutamente primeiro”, como resultado dos outros seis argumentos em defesa do tempo como algo de cunho não conceitual e não empírico. Depois, analisaremos como essa definição de tempo foi transportada para a Crítica da razão pura, na qual Kant separa as exposições em exposição metafísica e exposição transcendental. A exposição metafísica apresenta cinco teses, com as quais Kant vai trabalhar os argumentos em defesa da impossibilidade de o tempo ser conceito, cabendo assim na definição de “intuição pura”. Na exposição transcendental, o filósofo parte do conceito de mudança para explicitar como o tempo é base para conceitos sintéticos a priori. Assim, nos será possível compreender como Kant trabalha a noção de tempo dentro da sua filosofia transcendental.
  36. 36. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 36 Conceitos de espaço e de tempo em David Hume Ítalo Pereira do Prado (UFU) Orientador: Marcos Cesar Seneda O principal objetivo deste trabalho está em apresentar os conceitos de espaço e de tempo conforme estudados na filosofia de David Hume. Sendo assim, é necessário evidenciar como estes conceitos são construídos em sua problematização sobre o tema. O texto está estruturado para mostrar como Hume se apoia na experiência para fundamentar o modo como as ideias de tempo e espaço são compostas na mente humana, e para apresentar como estas ideias são formadas a partir do objeto externo obtido mediante sensações. O foco incidirá na investigação da ideia de tempo, que assim como ocorre com a concepção da ideia de espaço, também necessita do contato com o objeto externo fornecido pelos sentidos. Portanto, é preciso expor inicialmente a ideia de espaço, que conjuntamente com a construção da noção de tempo, dá alicerce à constituição desta pela sucessão de objetos mutáveis. Isto é, é necessário evidenciar a construção destas ideias na mente pela experiência junto do objeto externo da sensibilidade circunscrevendo inicialmente o espaço, e mostrar na sequência como a sucessão de objetos mutáveis pode permitir a construção da ideia de tempo.
  37. 37. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 37 Sobre a impossibilidade da apreensão de um vácuo: uma análise do paradoxo de Hume Jackeline de Melo Feitosa (UFU/CNPq) Orientador: Marcos César Seneda O objetivo deste trabalho é elucidar uma compreensão do paradoxo humiano presente na sessão 5, parte 2, livro I do Tratado da natureza humana, com o qual Hume encerra a discussão acerca da impossibilidade de apreensão de uma extensão sem matéria, isto é, de um vácuo. As conclusões de Hume partem das premissas estabelecidas na sessão anterior, na qual Hume define a ideia de espaço. Para compreender os argumentos de Hume, pretendemos (1) expor a definição humiana da ideia de espaço (2) abordar os três argumentos em favor da existência do vácuo com os quais o autor discute; (3) destrinchar o paradoxo que Hume apresenta ao final da sessão; (4) e, finalmente, analisar os conceitos chave para a compreensão do paradoxo, que são: pleno, impacto e penetração. Para tanto, utilizaremos como bibliografia principal o Tratado da natureza humana de David Hume e o artigo Filling the Gaps in Hume's Vacuums de Miren Boehm.
  38. 38. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 38 Conceito de pessoalidade animal e regras para experimentação animal Laís Oliveira Rios (UFU) Orientador: Alcino Eduardo Bonella Esta comunicação objetiva compreender, a partir de Singer (2006) e Francione (2008), o conceito de pessoalidade animal e as implicações de sua aplicação às regras de experimentação, a partir de Spacek (2016). O conceito da pessoalidade é definido em bioética como a posse de autoconsciência e racionalidade uma vida biográfica. Singer defende esse conceito de pessoalidade e, com isso, determinados usos de animais são permitidos se for o caso de esse uso gerar melhores consequências, que compensam a substituição da vida de um ser que não é autoconsciente. Francione contesta e entende que tais características não podem ser consideradas como válidas para definir que os animais não possuem interesses a serem considerados e, consequentemente, também não possuem direitos, pois grande parte das espécies ficariam fora da comunidade moral, estando nela apenas humanos e grandes primatas. Francione propõe que o único critério para que os animais sejam considerados pessoas com interesses é a capacidade de serem sencientes, ou seja, experimentar sofrimento e não desejar esse sofrimento. E nesse sentido, então, Spacek compreende o dever de estender direitos aos animais que possuem características de pessoalidade, protegendo suas vidas e sua autonomia, tal como as leis atualmente resguardam humanos contra crueldade e danos considerados desnecessários.
  39. 39. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 39 Eudaimonia, virtude moral e a função do homem em Aristóteles Letícia Palazzo Rodrigues (UFU) A ‘Ética a Nicômaco’ é a principal obra sobre ética de Aristóteles. Nela é apresentado o conceito de eudaimonia – ou sumo-bem – e um sistema que ficou conhecido como “ética das virtudes”. O filósofo afirma que tal explicação seria facilitada ao determinar a função do homem, introduzindo, assim, o conceito de ergon. Este trabalho pretende esclarecer, em linhas gerais, do que se trata o sumo-bem, por meio dos três pilares que sustentam sua definição (ser buscado por si mesmo, autossuficiência e não poder ser contado entre outros bens). Também será explorada a virtude moral, a partir da perspectiva de que o homem tem natural aptidão para ser virtuoso, mas isso – cuja importância para o valor ético da ação será explicitada – apenas poderia ser resultado do hábito. Estarão presentes as noções de hexis e de mediania para a preservação da atividade e, consequentemente, escolha da melhor ação relativa ao agente e ao contexto. O objetivo principal do texto será, pois, relacionar virtude moral, eudaimonia e ergon, propondo entre os dois últimos itens uma associação diferente das duas comumente levantadas (a segunda como outra definição da primeira; a segunda como um caso da primeira).
  40. 40. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 40 Analogia orgânica de aspectos socioculturais: a prática do biopoder no atendimento em saúde Lineker Fernandes Dias (UFU) Orientador: Nicole Geovana Dias Carneiro O presente trabalho objetiva problematizar a normatização de comportamentos e hábitos de vida de populações mais pobres de forma a convertê-los em objeto de estudo acadêmico e das ciências médicas. Além disso, intenta-se analisar a relação do biopoder de Michael Foucault com a filosofia de Herbert Spencer, ao descrever o caráter evolucionista do comportamento humano. À luz da hipótese supracitada, o arcabouço filosófico utilizado para análise da problemática foi a obra do francês Michael Foucault Folie et déraison (1961), bem como a obra Intellectual, Moral and Physical Education (1863) do filósofo inglês Herbert Spencer. Justifica-se a colocação da presente temática frente às questões recorrentemente vinculadas à mídia em que as ciências médicas normatizam condutas a serem tomadas pelos indivíduos, essas, por sua vez, de caráter sociocultural. Ainda nesse sentido, o filósofo Herbert Spencer retoma conceitos relativos às ciências naturais enquanto elemento final de verdade, relação presente na abordagem de populações mais pobres por profissionais da saúde. Concluiu-se, a partir da análise da temática colocada, que conceitos propostos por Herbet Spencer, relativos à primazia da natureza enquanto modeladora de hábitos, inclusive morais, está presente na abordagem médica a partir de uma profunda iatrogênese social, afetando, principalmente, populações mais pobres.
  41. 41. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 41 Como eu sei que outra pessoa está zangada? A contribuição de Austin para a pragmática linguística Lívia Carlos dos Reis (UFRJ) Orientador: Antonio Frederico Saturnino Braga Este trabalho pretende apresentar alguns elementos da proposta austiniana da intersubjetividade linguística presentes no ensaio Other Minds (1946), onde Austin trata do problema sobre outras mentes. A questão principal do texto é: como sabemos que outra pessoa está zangada? Em sua argumentação, Austin questiona a tese da autoridade do sujeito sobre o conhecimento de suas sensações e a ideia de que só é possível conhecer indiretamente (por sintomas físicos) os estados mentais de outra pessoa; propõe que as questões presentes nas discussões que envolvem tal problema são de caráter linguístico e não essencialmente ontológico. Concentrando-se nas questões relativas às afirmações de conhecimento – enunciados do tipo “eu sei que P” –, ele esboça uma noção de saber intersubjetiva. Em seguida, ele analisa as noções de certeza e segurança relativas a enunciados de sensação e considera que estas não podem ser desassociadas de seu contexto de uso. Assim, pretendemos ver como o filósofo sustenta, no texto de 1946, que os enunciados sobre sensação – do tipo “eu sei que João está zangado” –, bem como o uso da linguagem em geral, são orientados por normas públicas regulativas de seu uso e dos critérios para validar uma afirmação.
  42. 42. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 42 Como o conceito de alteridade relaciona-se com o conceito de mulher em Simone de Beauvoir Lorena Carvalho Ribeiro (UFU) Orientadora: Fillipa Silveira O presente trabalho visa uma interpretação, através da leitura de Simone de Beauvoir, acerca da alteridade como problema filosófico que incide diretamente no conceito de “Mulher” e, consequentemente, na distinção deste com o conceito de “Ser”. Dentro deste tema, abordaremos uma discussão que vai além do olhar da dicotomia pênis versus vagina, homem versus mulher; e o diferencial de Beauvoir ao analisar tais oposições binárias fica por conta da sua análise existencialista de Mulher como o Outro que é social e não somente biológico, psíquico ou histórico. O que faz da Mulher o Outro? A mulher, mulher pelo sexo, pelos hormônios e não por uma construção histórica e social? A problematização encontrada em definir a relação de alteridade é um novo ponto de partida para a teorização política feminista. Em face desta abordagem, este trabalho surge com o objetivo principal de analisar a existência do Outro a partir de uma reflexão filosófica que transcorre dentro do campo do gênero, da biologia, da psicologia e da história. Por esse motivo, o problema que se pretende explorar nesta pesquisa é a busca pelo feminino não submisso, mas o feminino como Um.
  43. 43. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 43 Imaginação, dois lados a abordar Lucas Guerrezi Derze Marques (UFU) Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto O objetivo desta comunicação é expor dois dos modos pelos quais podemos considerar a faculdade imaginativa na obra de Descartes. Serão apresentados, para isso, trechos de textos cartesianos que destacam a dicotomia corpo e mente e, nesse mesmo contexto, o conceito de imaginação. A partir da conceptualização da faculdade de imaginação enquanto uma forma específica do pensamento humano e originalmente diferente da sensação será possível destrincharmos alguns problemas importantes e recorrentes da metafísica cartesiana, tais como a demonstração da res cogitans como natureza distinta da natureza da substância dos corpos, a prova da existência desses corpos e, também, do meu corpo próprio, com o qual a res cogitans, a coisa que pensa, une-se, formando o homem verdadeiro: a união substancial. Após o estabelecimento de um conceito básico da faculdade imaginativa em Descartes e da sua discussão em âmbito metafísico, discutiremos as suas consequências no campo da matemática e da física, e buscaremos demonstrar as razões pelas quais pode ser ela considerada, também, uma faculdade produtiva/produtora e ativa. Enfim, após apresentar algumas das características da imaginação nos dois campos divergentes de sua teoria – da metafísica e da física – esperamos evidenciar como a imaginação pode ser ambiguamente considerada na obra cartesiana.
  44. 44. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 44 A integração do organismo com a máquina: o mecanicismo, a tecnologia e a finalidade da vida na filosofia de Georges Canguilhem. Marco Aurélio Martins Rodrigues (UFU) Orientador: Sertório de Amorim e Silva Neto O presente estudo desenvolve a compreensão das relações entre máquina e organismo na filosofia de Georges Canguilhem. Nesse contexto, podemos estabelecer parâmetros antropológicos da relação entre vida, metabolismo e mecanização diante das tecnologias na reconciliação entre natureza e vida. O percurso desse estudo nos mostra que a revolução científica moderna originou uma concepção mecanicista dos seres naturais e do corpo humano. Este conceito permitiu aos filósofos daquele tempo superar ideias de superstição e a influência do senso comum nas ciências naturais, mas a difusão desse modelo mecanicista, com o passar dos séculos e o advento da atual sociedade tecnológica, provocou a radical substituição da vida pela imagem da máquina. Contudo, esta condição trouxe uma transformação nos costumes humanos, tendo em vista que a mecanização da vida se revelou inseparável da utilização técnica da vida animal. Ainda instituiu uma nova relação com a saúde do corpo na medicina. A partir dos estudos de Canguilhem defende-se que o processo de mecanização da vida está embasado pelas condições de comunicação e sinalização celulares, nos processos metabólicos originados na evolução biológica dos organismos vivos. Assim, estabelecem-se os parâmetros celulares comparados às condições do desenvolvimento tecnológico no conceito de vida, metabolismo e equilíbrio homeostático.
  45. 45. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 45 Artaud e Nietzsche, críticos da cultura Menissa Nayara Nascimento Silva (UFU) Orientadora: Luciene Maria Torino Como bem compreendeu Derrida, a crítica de Artaud ao teatro ocidental ultrapassa o campo de uma crítica teatrológica: a questão do declínio desse teatro está ligada à do declínio da própria cultura ocidental. Esse teatro, denunciará Artaud, está submetido à linguagem, à palavra, ao discurso; e tais aspectos de nossa cultura, teriam levado o teatro a se perder de sua função original, qual seja, a de fazer pensar por uma experiência estético-artística radical. A elaboração crítica de Artaud faz ressoar fortemente a aurora da filosofia de Nietzsche, quando busca reconstruir o momento em que a origem da filosofia significa também a origem do declínio do espírito trágico grego. Nas vésperas desse declínio, a arte grega trágica era caracterizada por uma compreensão intuitiva do sentido da existência, mas foi aniquilada com o surgimento da filosofia socrática, que ao eleger o saber racional como o domínio do conhecimento verdadeiro, toma o saber artístico como falso. Essa problemática pode ser compreendida como algo consonante a Artaud e Nietzsche, um encontro – certamente intempestivo – que se faz a partir da possibilidade de pensar o teatro em um sentido estético, cultural e existencial radical: isto é, como uma experiência que não distingue arte e vida.
  46. 46. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 46 Adorno e a “Educação após Auschwitz” Nayen Takahama Ide Tenani (UFU) O trabalho pretende apresentar o texto "Educação após Auschwitz" de Theodor W. Adorno com o intuito de explorar suas considerações acerca do paralelo entre a educação e a barbárie. Segundo o filósofo, um fato como Auschwitz não deveria acontecer e, para isto, a formação, principalmente na primeira infância é fundamental, pois é neste momento crucial da vida que o indivíduo inicia seu processo de esclarecimento. Aliás, justamente por isto a discussão sobre este ocorrido em conjunto com a área educacional é tão importante. Adorno leva em consideração nesta análise o perfil dos processos tecnológicos e o perfil dos indivíduos que permitem a barbárie, por exemplo, além de apoiar-se em estudos da psicologia também. Assim, ao longo do texto ele consegue argumentar satisfatoriamente que a educação é o caminho para que Auschwitz não volte a acontecer, uma vez que ela é capaz de gerar autonomia nos indivíduos, isto é, autorreflexão.
  47. 47. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 47 A resistência de Sócrates e a liberdade da alma Nelson Perez de Oliveira Junior (UFU) Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho O objetivo deste trabalho é estabelecer relações entre a afamada resistência física de Sócrates com a liberdade da alma do homem. Acreditamos que a resistência de Sócrates seja consequência de sua resistência moral, ou seja, a resistência da própria alma de Sócrates que se tornava evidente na sua resistência física. Para tanto, é necessário que se explicite o que aprisiona o corpo e a alma. A cena inicial do Fédon é dramaticamente ideal para ilustrar o que pode prender o corpo, mas não a alma. Sócrates é liberado das correntes no dia em que seria executado. A atitude serena de Sócrates abala seus amigos. Como pode alguém estar tranquilo e satisfeito de ser liberado de correntes no dia de sua morte? No diálogo Mênon, a personagem se diz entorpecida, narcotizada ou enfeitiçada pelo discurso socrático. A paralisia é análoga ao aprisionamento. Paralisar a alma é aprisiona-la. A passagem é ideal para discutir o que seja possuir ou não sabedoria. Para Mênon, sabedoria é proferir discursos: capacidade de dar respostas. Mas Sócrates, por se declarar despossuído, somente tinha perguntas. Então, ser livre é não possuir e nem ser possuído por aquilo que acredita possuir: não ser escravo da sua posse.
  48. 48. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 48 Bocas inaudíveis: privilégio e racismo acadêmico Pablo Silva Prado (UFU) O colonialismo é uma forma de dominação de cunho cultural, teórico e ideológico do sujeito pela subalternização e hierarquização de outras culturas e saberes. Assim, a partir de um diagnóstico crítico da tradição filosófica nas academias, ela pode ser vista como a história daqueles que tem o direito da fala, o direito de produzir conhecimento e de serem ouvidos. Para a presente análise faz- se necessário compreender o racismo, parte da ordem colonial que é essencial para entendermos a colonialidade das academias e universidades. Grada Kilomba, escritora com sólida formação em filosofia, analisa o racismo como uma realidade psicológica onde o sujeito negro é percebido como aquele que não pertence aos espaços acadêmicos – que não são espaços neutros, são locais onde foram elaboradas teorias que construíram o sujeito negro como inferior. A boca desses sujeitos, através do desenho da Escrava Anastácia, é uma metáfora do silenciamento, de uma voz inaudível, que nos faz pensar acerca de quem nos espaços acadêmicos pode falar; quem é capaz de produzir conhecimento? São questões que atravessam a colonialidade do saber e da própria história da filosofia, uma vez que os cânones da mesma podem ser identificados como em sua maioria, homens, brancos, ocidentais.
  49. 49. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 49 Guerra e Justiça: sobre as possibilidades de moral na guerra e os limites da guerra justa como forma de resolução de conflitos Pâmela Teles Bonfim (UFU) Orientador: Alcino Eduardo Bonella O presente trabalho analisa as problemáticas morais subjacentes à guerra e referentes ao uso de força e violência como forma de resolução de conflitos. O principal objetivo é discutir se é possível ou não colocar as palavras guerra e moral em uma mesma ordem de discurso, sobretudo, quando se discorre sobre a natureza moral da guerra e do guerrear e, principalmente, tendo em mente os níveis de força e as consequências de se usar a violência como um recurso para a guerra. Para tanto, serão analisadas e contrapostas as teorias absolutistas que rejeitam o caráter moral da guerra, como o realismo político e o pacifismo, frente à posição da teoria da guerra justa que, em contrapartida, sustenta a possibilidade de defender-se a guerra como uma prática e uma necessidade moral. Ademais, pretende-se aqui discutir a viabilidade e os limites de se assumir a guerra justa como discurso moral, apontando em que medida tal teoria sublima-se como uma correção moral e não como uma glorificação da violência, bem como, em que medida tal teoria pode ou não transcorrer como uma banalização da violência e em uma via falaciosa quando o assunto é a moralidade da guerra e a resolução de conflitos.
  50. 50. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 50 Causa Communis e Similitudo Communis: A função significativa e cognoscitiva do universal em Pedro Abelardo. Patrick Luiz Barreto Soares (UFLA) Orientador: Arthur Klik de Lima Diante de uma das maiores discussões do Período Medieval, o problema dos universais, Pedro Abelardo, na obra “Lógica para principiantes”, propõe uma nova resposta, uma teoria do estatuto. Da definição aristotélica de universal “quod de pluribus praedicatur”, o autor enxerga a possibilidade de o universal não ser somente uma coisa material, como diziam os pensadores de sua época, mas também um vocábulo. Ao fim de uma pars destruens, no entanto, o magister pallatinus confere somente as palavras à função de universal. Surge daí a grande aporia dos universais que Abelardo é levado por basear-se nos fundamentos da tradição: o universal como vocábulo não pode significar nada na natureza, nem tampouco produzir alguma intelecção. O autor manifesta-se dizendo “sed non est ita!”. É necessário rever a tradição, como Boécio, em busca de uma solução para o impasse: que se baseie a função significativa do universal em uma causa communis, externa ao sujeito que efetua a predicação entre a coisa particular e o universal; e que se funde a cognição numa imagem construída, a forma communis, união da similitudo communis.
  51. 51. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 51 Essência e necessidade em Aristóteles Pedro Lemgruber Nascimento (UFU) Este trabalho será sobre o essencialismo aristotélico, com enfoque na relação e distinção entre propriedades essenciais, necessárias e acidentais. Partindo de uma leitura e análise crítica das obras de Aristóteles, em especial ''Categorias'' e ''Metafísica'', pretendo esclarecer a noção fundamental de essência, que percorre toda a sua filosofia. Além disso, entendo que para definir adequadamente ''ontologia'', é necessário entender a distinção entre propriedades necessárias não- essenciais, e propriedades essenciais, sendo este um ponto que considero especialmente oportuno para demonstrar o caráter metafísico do essencialismo aristotélico. Portanto, será também objetivo do trabalho explicar o que é ontologia para Aristóteles. Considerando as temáticas supracitadas, o trabalho terá como questão filosófica central o seguinte problema: existe distinção entre ''necessário'' e ''essencial''? Concluirei que a noção de necessidade não se identifica com a noção de essência, mas uma das maneiras de entender a essência é como necessidade num sentido estrito e forte, especificamente: como uma propriedade de um ser que, se alterada, provoca uma mudança substancial em dito ser (aquilo deixa de ser o que é). Entretanto, esse aspecto não é suficiente para definir a noção de essência, que deve ter também valor explicativo, ou seja: ser a resposta para a pergunta ''o que é''.
  52. 52. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 52 Verdade e mentira em Friedrich Nietzsche. Pedro Marques Cintra (UFU) Orientador: José Benedito de Almeida Jr. O objetivo deste é analisar o problema da verdade e da mentira na obra de Friedrich Nietzsche (1844-1900). O livro principal desta pesquisa é, Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral, de 1873, mas também analisaremos este problema na obra A Gaia Ciência, de 1882. Os pensadores se ludibriam em construir monumentos para a explicação do mundo que os rodeia, trazendo ideias, como a de verdades absolutas ou expor a essência dos entes, quando para Nietzsche, todos estes esforços são insuficientes no sentido de alcançar a verdade máxima. Ele se propõe a descobrir o que pode sobre o que leva os homens a ter certo impulso a verdade absoluta, segura, e explicações claras das causas. Porém a linguagem seria um empecilho, pois sendo ele filólogo sabia que o surgimento do nosso vocabulário provém de uma fonte de metáforas, o que impede, ou ao menos, dificulta muito um pensador quando deseja criar um conceito sem nenhuma falha, pois como as palavras são metáforas do mundo, não se podem transpor conceitos totalmente fechados e idealistas para o mundo, pois ele não é metáfora, mas realidade concreta. Sendo as verdades conceituais uma simples ilusão e otimismo socrático do nosso ego.
  53. 53. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 53 A constituição do encontro da loucura e a definição do louco em Michel Foucault Rafael Costa Lima (UFU) Orientadora: Fillipa Carneiro Silveira Esta comunicação apresenta a hipótese de que é relevante se ler a Fase Arqueológica do pensamento de Michel Foucault. A relevância desta pesquisa acadêmica centrar-se-á em colocar o problema da loucura tal como é tematizado por Foucault em linhas gerais, iniciando pelo grande internamento, que é a estrutura mais visível na experiência clássica da loucura. A partir disso, procuramos avaliar o conhecimento como produção teórica sobre a loucura e a percepção do louco como uma individualização através de critérios médicos. Será tomado como exemplo um importante livro de Foucault, intitulado Histoire de la Folie. Para concluir, tentaremos estabelecer de uma maneira sintética dois momentos dessa história de um controle, que levou esse humanismo na etapa moderna a fazer uma ruptura com a teoria clássica. No século XIX as ciências humanas produziram o que Foucault chamou de “psicologização da loucura”, que é uma radicalização do processo histórico de dominação. Foucault parece ter tido uma grande ousadia ao utilizar o método arqueológico, manifesta em negar a existência de uma verdade psicológica da loucura, como se pensa ainda na modernidade.
  54. 54. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 54 A dialética do sagrado e do profano. Rafael Miranda Gonçalves (UFU) Orientador: José Benedito Almeida Jr. Este trabalho tem como objetivo principal explanar e analisar os conceitos postulados pelo filósofo Mircea Eliade (1907-1986) em sua obra “O Sagrado e o Profano”, em que este traça o perfil do homo religiosus, ou seja, o homem das sociedades tradicionais; bem como, analisa por meio da história global das religiões a dicotomia que há entre dois modos de existência deste homem no mundo, sendo estes modos, o sagrado e o profano. Estes modos de ser deste homo religiosus, dependem de várias posições tomadas por este em diferentes aspectos de sua vida em convivência social, como o trabalho, a alimentação, o sexo, e outros. Porém, para o homem moderno ou a consciência deste, um ato fisiológico – como a alimentação – não passa de um fenômeno orgânico, independente das esferas morais que envolvam este ato, já para o homem tradicional ou primitivo, estes atos se tornam mais que simples fenômenos orgânicos, para serem vistos como algo em união ao sagrado, ou seja, Eliade realiza uma analise histórico-cultural e entende que a cultura é a grande influenciadora e impulsionadora deste modo de ser deste homem, que considera tudo à sua volta como algo sagrado ou profano, mas que apesar de geralmente terem o mesmo modo de vida, se mostram diferentes perante fatos naturais.
  55. 55. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 55 Capitalismo e mulheres: as insuficiências da segunda onda à luz de um breve histórico Sarah Bonfim Matos Nunes (UFABC/CNPq) Orientadora: Aléxia Bretas O impacto de um sistema econômico sobre a vida de uma população adquire grandes proporções e, em metade dessa população, o efeito é ainda maior. A partir das tensões e intersecções entre o capitalismo e as mulheres, este trabalho objetiva discutir os modos pelos quais este sistema econômico incide sobre as mulheres, sendo um importante fator a delimitar as condições de produção e reprodução da vida. Com o auxílio das análises de Angela Davis (2016) e Silvia Federici (2017), este trabalho parte de uma perspectiva histórica e materialista, cuja busca consiste em traçar as bases de fundação da sociedade patriarcal, resgatando as origens da institucionalização da segregação e da violência contra a mulher em suas mais diversas configurações. Por fim, pretende- se discutir a análise da segunda onda do feminismo realizada por Nancy Fraser, cujo marco foi precisamente a elaboração do que seriam as três dimensões da injustiça social (redistribuição, reconhecimento e representação).
  56. 56. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 56 O segundo ataque à poesia no livro X da República. Victor Lucas Caixeta (UFU) Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho Ao desfecho da discussão sobre a justiça na República, Platão retoma no livro X um tema previamente analisado nos livros II e III, qual seja, o da interdição da poesia épica e trágica na educação dos guardiães da Kallipolis. A nova argumentação contra a admissão da poesia na cidade ideal abarca em suas premissas as conclusões resultantes das investigações no livro IV, onde se estabelecem os princípios inerentes à configuração tripartite da psykhé, cada qual com sua especificidade de ação e afecção face ao mundo exterior, e dos livros VI e VII, em que se firma a divisão da totalidade da realidade em graus ontológicos variados: desde o meramente aparente ao verdadeiramente real. O presente trabalho objetiva descrever e compreender a possível imbricação argumentativa a relacionar o caráter ontológico deficitário da poesia (que, como toda mimesis, está aquém da essência do objeto que representa) com a alegação de que a mesma seria perniciosa para a harmonia entre os elementos componentes da psykhé, uma vez que alimentaria sua “parte” apetitiva em detrimento de seu elemento racional. Dependerá da prova da conexão entre os domínios psicológico e ontológico a força da segunda e mais incisiva acusação contra a tradição poética grega.
  57. 57. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 57 “Conhece-te a ti Mesmo”: uma concepção de “self” e continuidade corporificada Victória Cardoso Alves (UFU) Orientador: Leonardo Ferreira Almada A identidade pessoal em uma perspectiva de primeira pessoa é um assunto latente para a filosofia da mente. Minha pesquisa começa a partir da seguinte reflexão: como posso saber que a representação que aparece no espelho é, de fato, uma representação minha? Pensando nisso, neste trabalho me dedico à tentativa de compreender o “self” e sua continuidade, ou seja, como podemos ter a consciência contínua de quem somos. Para isso farei um mapeamento prévio acerca das concepções debatidas em alguns estudos de Maria Eunice Gonzalez, professora de filosofia na UNESP. Este trabalho também dá foco ao corpo, assim como Maria Eunice fez em seu artigo “Identidade pessoal e a teoria da cognição situada e incorporada” (2003). Tento também distinguir a visão de self corpóreo (chamado de propriocepção) e imagem de corpo, pois ambas estão interligadas, mas possuem diferentes características e sensações para a constituição do “self”. Em suma, este trabalho trata-se de uma análise filosófica da constituição de homem enquanto indivíduo, único e particular, e como este indivíduo possui consciência dele mesmo por toda sua vida.
  58. 58. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 58 Uma análise introdutória da relação entre os regimes totalitário e fascista Wemerson Garcia Ferreira Junior (UFU) Orientadora: Maria Socorro Ramos Militão O totalitarismo surgiu como Estado “totalitário”, para compor o regime fascista que nascia na Itália nos anos 1920. Alguns autores tentaram definir o totalitarismo, e entre estas, as principais características apontadas por eles são a monopolização dos poderes, a ideologia, instauração do terror, etc. Concomitantemente, o fascismo surgia já no período pré Primeira Guerra, aproveitando- se do momento de crise econômica e política que havia em todo o mundo e também na Itália. Nosso objetivo com o atual trabalho é, com base na visão de Bobbio e Gramsci, comparar e entender a relação de proximidade entre esses dois tipos de regime. Pois é comum quando se fala desses regimes, que nem sempre haja consenso entre suas características e relações, isto é, muitas das práticas fascistas advêm do totalitarismo; podemos conceber a ideia de totalitarismo sem fascismo, mas o fascismo não existe sem as características totalitárias. O fascismo é considerado por alguns filósofos como um regime totalitário, e pode ser percebido por algumas características: partido de massa com ideologia nacionalista e chefe carismático, desprezo às ações individualistas ou mesmo a colaboração de classes, corporativismo, aniquilação das oposições, cooptação dos militares e terror, controle dos meios de comunicação de massa, entre outras várias.
  59. 59. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 59 III ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFU
  60. 60. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 60 O conceito de fenomenologia de Martin Heidegger em Ser e Tempo. Alisson Matutino de Souza (UFU/FAPEMIG) Orientador: Alexandre Guimarães Tadeu de Soares O objetivo de nosso artigo é analisar o conceito de fenomenologia heideggeriano no § 7 da obra Ser e Tempo. Procuramos examinar em que medida Heidegger pretende precisar a necessidade de re-pensar a questão do sentido do ser, a Seinsfrage, devido à ausência de uma reposta adequada sobre o mesmo na História da Filosofia, o chamado esquecimento do ser. Detivemo-nos a analisar qual o sentido da reelaboração do lema: “de volta às coisas elas-mesmas” que Heidegger trabalha em relação ao seu mestre Husserl. Dentro dessa perspectiva, elucidamos a interpretação heideggeriana dos dois conceitos que compõem o termo fenomenologia. Assim, descrevemos qual significado Heidegger confere ao termo fenômeno, como o-que-se-mostra-em-si-mesmo e o conceito de logos, enquanto, apophainesthai – fazer ver aquilo sobre o qual se discorre. Relacionado a isso, interpretamos qual significado formal nosso autor confere ao conceito de Fenomenologia: “fazer ver a partir dele mesmo o que se mostra tal como ele por si mesmo se mostra”. Propomos examinar a posição especial de Heidegger face ao problema da articulação da ontologia com a fenomenologia. E qual a inovação é acrescentada à Fenomenologia enquanto método quando Heidegger a interpreta como uma Hermenêutica da factualidade para seu projeto filosófico.
  61. 61. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 61 Foco e memória para uma filosofia da imagem Ana Carolina Gomes Araújo (UFPR) Orientador: Paulo Vieira Neto Como pensar uma filosofia da imagem a partir da própria filosofia nos valendo de técnicas de captação de imagem? Essa questão remete a uma relação estreita entre maquinismo de produção de imagem e maquinismo de acesso à memória ontológica. A fim de vislumbrar uma resposta, aliamo-nos a Deleuze que identifica a intuição como o método do bergsonismo, tendo mostrado que como método apresenta uma dificuldade para atingir o “ponto focal” onde a percepção pura cuja direção do misto deve-se ao espaço, e, a memória pura cuja direção se deve à duração se cruzam. Enquanto na fotografia a focalização é obter via de regra uma imagem nítida, na teoria da memória a focalização é atingir o ponto onde a percepção pura e a lembrança pura se recortam, se cruzam e se reatam, isto é, o foco na teoria da memória é efetivamente o ponto onde se dá a passagem da experiência para as condições da experiência. Nesse sentido, nos sobressai a necessidade de compreender o maquinismo e o mecanismo de focalização na produção técnica da imagem, bem como destes na produção de uma filosofia da imagem.
  62. 62. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 62 Doutrinas e ideologias da pena: necessidade de um estudo metateórico e metaético da justificação Antonio José Franco de Souza Pêcego (UFU) Orientador: Rubens Garcia Nunes Sobrinho O debate entre ‘abolicionistas’ e ‘justificacionistas’ da pena tem ocasionado incompreensões teóricas, confusões com dissensos ético-políticos, na leitura de Luigi Ferrajoli, se necessitando desenvolver uma pesquisa filosófica metateórica e metaética sobre os inúmeros estatutos epistemológicos dos problemas inerentes à questão ‘por que punir?’ e suas possíveis soluções. Assim, se faz necessário distinguir os possíveis significados da questão dos níveis de discurso em que se apresentam as respostas, para que estas decorram de doutrinas axiológicas ou de justificação às questões ético-filosóficas sobre a finalidade (s) que o direito penal e as penas devem ou deveriam perseguir. O vício metodológico às respostas do ‘por que punir?’ tem se apresentado como decorrente da confusão feita entre o ser (de fato ou de direito) e o dever ser (axiológico) da punição, em especial, dos que sustentam doutrinas filosóficas da justificação como teorias da pena, estas que, desde as ‘absolutas’, sugerem que a pena tem efeito (não finalidade) retributivo, ou que previne (ao invés do dever prevenir) os crimes, que reintegra (não sobre o dever reintegrar) os condenados, ou ainda que desestimula (em vez de dever desestimular) a sociedade da prática de delitos.
  63. 63. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 63 É sempre errado comer carne? Considerações sobre o carnivorismo benigno Arthur Falco de Lima (Mestre em Filosofia pela UFU) É ponto pacífico que a criação intensiva de animais não humanos causa enorme sofrimento. Boa parte das pessoas concorda que este sofrimento é desnecessário e deveria ser evitado ou minimizado. Isto se deve ao fato de que quando pesamos de um lado o benefício que obtemos através do uso destes animais e do outro lado o prejuízo que lhes infligimos, concluímos que há algo de errado com esta prática. O resultado do balanço, oriundo deste exercício de ponderação moral, indica que o interesse no prazer que obtemos através dos diversos usos que fazemos dos animais (alimentação, entretenimento, vestuário, etc.) não ultrapassa o interesse vital destes animais em não ter uma vida de puro sofrimento. Um passo imediato dado por várias pessoas após estas considerações é o de concluir que devemos abolir o uso de animais. Outras pessoas, por outro lado, se fazem a seguinte questão: sob quais condições poderíamos justificar eticamente o uso de animais? Tendo isto em vista, o objetivo de nosso trabalho é analisar e apontar limitações práticas e teóricas da defesa filosófica – nomeada Carnivorismo Benigno pelo filósofo Jeff McMahan – da criação e uso de animais não humanos para fins de alimentação sob circunstâncias que alegadamente seriam corretas.
  64. 64. ∙ Resumos do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFU e do III Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da UFU, V. 12, n. 12, jun. 2018. ISSN 2358-615X ∙ 64 Terrorismo: análise conceitual a partir de Igor Primoratz Breno Tannús Jacob (UFU/CAPES) Orientadora: Georgia Cristina Amitrano Neste trabalho, diante de um dos principais conceitos discutidos na filosofia contemporânea, o terrorismo, abordaremos tal conceito sobre o ponto de vista de Igor Primoratz, consoante seu artigo “What is terrorism” (1990), que, em síntese, dispõe que o terrorismo é a utilização de meios violentos, tendo como alvo pessoas inocentes, para atingir objetivos políticos. Do mesmo modo, voltar-me-ei a Carl Schmitt, no “Conceito do político” (1932), no qual estabelece o critério de amigo e inimigo político, o que nos faz discutir a caracterização de grupos ou indivíduos como inimigos políticos. Tal ênfase aponta para certa legitimação da violência e do terror. A discussão adentra, de forma periférica, no “Choque de Civilizações” de Huntington (1996), tendo como exemplo o terror e violência perpetrado por grupos étnicos contra outros pela diferença de origem étnica e cultural entre eles. Para além, ainda será explorada a formação de ideologias, políticas ou religiosas, que perpetuam a violência, dentre outros conceitos, tais como o de terrorismo estatal.

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