1Contributo para a história da paróquia de são Ciprianode paços de brandão       O MOSTEIRO DE SÃO SALVADOR DE GRIJÓPor: C...
2                 Mosteiro de Grijó                      CRONOLOGIA912 (?) – A Guterre e Ausindo Soares, é-lhes dado pelo ...
3testamento de grandioso legado ao convento. Este Soeiro Fromarigues,era casado com Elvira Nunes, pais dos irmãos Guterres...
4     (Pagela informativa do interior da Igreja do Mosteiro de Grijó)A Morte do Infante D. Rodrigo SanchesReferente às cau...
5Procurador do Reino, e com que se haviam oposto “aos inimigos dafidelidade e da injustiça”.A resistência manifestou-se na...
6                  Túmulo do Infante D. Rodrigo Sanches1247 – Os cónegos, por acharem que o local era húmido e feio,transf...
7estiveram de acordo com a mudança o que motivou a intervenção doPapa Pio V.1540 – A instituição da Congregação de Santa C...
8de D. José Maria de Melo, Bispo do Algarve e Inquisidor Geral, nomeadoJuiz Comissário e Delegado para proceder com todas ...
9abandonados, o abade António Manuel Lopes Vieira de Castro e Franciscoda Rocha Soares, na presença de Luís do Patrocínio ...
10Mosteiro de Grijó - Claustros
11Livro Preto de Grijó – Página 1ª (TTonline)
12Livro Preto de Grijó – Página 2ª. (TTonline)
13O Mosteiro do Salvador de Grijó, como foi descrito, era masculino,situava-se na antiga Terra e Comarca da Feira. Aderiu ...
14Na Revista “O INSTITUTO”da Universidade de Coimbra, incerto nos vols.XI, XII, XIII e XIV, foi publicado em 1864, sob o t...
15descanso claustral, não se acomoda ao gosto de hoje, em que o espírito cubiçoso denovidades abomina leituras estéreis, d...
16de César, ano de Cristo, da sua Encarnação e da sua Paixão, e quando cada uma deestas coisas começou e acabou.Dizemos me...
17tit. 51, a que segue o ilustríssimo D. Rodrigo da Cunha, arcebispo que hoje é de Lisboa,no catálogo que compôs dos bispo...
18             (Fotografia antiga – Vista Parcial do Mosteiro de Grijó)Outro livro pequeno também escrito em pergaminho, q...
19mesma letra, nem por isso deixam de ser originais, porque antigamente não punhamseu sinal, os que confirmavam, e eram te...
20De aqui até fl. 16 trata da matéria indicada nesta epígrafe, e compreende os cap. 2º, 3ºe 4º e principia o escritor este...
21observarem a vida monacal…«pró tollerantia fratruum et sororum qui in ipso locohabitantes fuerint, et vitam monasticam t...
22Assim começaram a maior parte dos mosteiros de Portugal de instituição mais remota.Associavam-se alguns indivíduos para ...
23Agostinho, e organisaram as suas instituições especiais, segundo a disciplina de algumdaqueles santos, para se governare...
24encontrar fio genealógico para nos dizer que Sueiro Fromarigues e sua mulher erampessoas muito fidalgas, e poderosas naq...
25vivessem empregadas no serviço de Deus, para que havia de vir Soeiro Fromarigues,depois no ano de 1093, dar a maior part...
26Também se sabe que a Sé da cidade da Guarda esteve primeiro nas Idanhas, pátria,como muitos querem, de el-rei o Bamba, c...
27O sítio da serra foi o terceiro que o Mosteiro de Grijó teve, no qual continuou vinte eum anos, chamando-se o Mosteiro d...
28aproveitando-se juntamente das casas dos priores mores; e porque as celas ficavamainda poucas, fizeram um lanço delas po...
29em que nela se disse a primeira missa, a qual foi pontifical, a qual disse o Padre D.Sebastião da Graça, actualmente ger...
30redemptione animae meorumque parentum in terra vobis, de Sanctae Mariae, quodannis sólidos quingentos. A qual doação tra...
31carta de venda feita a 15 das Kalendas de Dezembro, era de 1124, que é a seis deDezembro do ano de 1086, a qual, para de...
32                              (Igreja de Rio Meão) É fama constante e imemorial, fundada em muitas razões, que esta igre...
33Entre a freguesia de Vilar do Paraizo, e de Golpelhares se costuma fazer feira de boistodas as quinta feiras do mês, ond...
34Fr. Bernardo de Brito, na Mon.Lus. Liv. 1º, Cap. 15; Duarte Nunes de Leão, na descriçãode Portugal, cap. 1 , e outros, a...
35o amor que já naqueles tempos tinham os portugueses aos seus reis, que até no nomese queriam parecer com eles, como adve...
36desde o rio Tejo até ao rio Douro, como já dissemos, e o diz Plínio, liv. 4º e 2º, ePomponio Mella.Duarte Nunes de Leão,...
37fica claro estar Portugal debaixo do império dos romanos ao tempo que nele sepromulgou a fé católica em as partes de ent...
38dos godos no ano de 584, como traz Estacio nas antiguidades de Portugal cap. 68 nº 3,e alguns fosse no ano de 585, como ...
39mais abundância onde se deixaram estar, e com se perder a Hespanha em tão brevetempo, gastaram-se quase oitocentos anos ...
40este mesmo tirano a Portugal, onde se rebelaram algumas terras das que deixarasujeitas às suas armas, destruiu as que lh...
41e outras terras com que ficaram os cristãos que viviam em Coimbra, Terra da Feira,Porto e na maior parte de entre o Dour...
42governo de Portugal el-rei Ramiro até ao ano de 950. Repetindo as palavras de Job:«nu nascido ventre de minha mãe, e nu ...
43mosteiro, e tirou outras do poder dos bárbaros, até que estando vercando Viseu foimorto no ano de 1027, como quer a Mon....
44Sucedeu por morte de D. Sisnando no governo de Coimbra o conde Martim Moniz seugenro, casado com sua filha D. Elvira Sis...
O mosteiro de são salvador de grijó
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CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE SÃO CIPRIANO DE PAÇOS DE BRANDÃO - 7

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  1. 1. 1Contributo para a história da paróquia de são Ciprianode paços de brandão O MOSTEIRO DE SÃO SALVADOR DE GRIJÓPor: Carlos VarelaNa Vila de Grijó, pertencente ao Concelho de Vila Nova de Gaia, que naIdade Média, pertencia às Terras de Santa Maria – Feira, existe o Mosteirode São Salvador de Grijó, cujo vasto território, se estendia,principalmente, entre os rios Douro e Vouga, verificando-se a maiorconcentração de propriedade, num raio de 10 Km.A história do Mosteiro de Grijó, revela-se de uma importância bastanteacentuada para todos aqueles que se queiram inteirar, do que se escreveusobre as Terras de Santa Maria (Feira), e, no que nos toca, a nós«brandoenses» ou «brandoeiros», habitantes ou naturais desta Terra dePaços de Brandão, serve para uma melhor compreensão e estudo dopassado, em que as origens de um povo devem ser objecto de umtratamento muito cuidado e especial, tendo-se em atenção que o que sepossa escrever sobre a história de um povo ou de uma simples localidade,deve obedecer a muita clareza e rigor histórico.
  2. 2. 2 Mosteiro de Grijó CRONOLOGIA912 (?) – A Guterre e Ausindo Soares, é-lhes dado pelo seu irmão NunoSoares «O Velho», terreno de uma herdade sua, situada no lugar deMurraceses, entre o Monte Pedroso e Sagitela, que tinha na Comarca daFeira, onde fundam uma pequena igreja (Eclesiola).922 – Os irmãos Guterres, e, porque se lhe juntaram outros Clérigos,fundam, junto da igreja, um Convento, em que era Prelado, com título deAbade, Guterre Soares.1093 – A 3 de Novembro de 1093 (em alguns documentos é mencionada adata de 3 de Outubro de 1093) o Bispo de Coimbra, D. Crecónio, vemsagrar esta igreja, que é dedicada ao Salvador do Mundo. No mesmo dia,Soeiro Fromarigues, perante o Bispo, ratificou publicamente a doação e
  3. 3. 3testamento de grandioso legado ao convento. Este Soeiro Fromarigues,era casado com Elvira Nunes, pais dos irmãos Guterres (família Soares).1093-1133 – Soeiro Fromarigues e sua mulher, Elvira Nunes, doam todasas suas fazendas e o padroado das igrejas de Argoncilhe, Perosinho,Cerzedo, Travanca da Bemposta, São Miguel de Travassô e Eyrol.1128 – O Convento é coutado por D. Teresa.1132 – Aderiu à Regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.1135 – A reformação realizada em Santa Cruz de Coimbra, por D.Teotónio, foi seguida pelo Abade D. Paio Soares, do Mosteiro de Grijó,recebendo como reformadores, D. João Peculiar e seu sobrinho D.PedroRabaldiz, que chegaram em 21 de Novembro de 1135. D. Paio rejeitou ogoverno do Mosteiro e o título de Abade, tendo o Bispo de Coimbra,mandado eleger um prelado com título de prior, sendo o primeiro eleitocanonicamente, o padre D. Trutesindo.1139 – Por couto de D. Afonso Henriques (11 de Janeiro de 1139), édoado ao convento a Vila de Brito (S. Félix da Marinha).1142 – Novamente, por couto de D. Afonso Henriques (13 de Julho de1142) é doado Tarouquela (Vilar do Paraíso).1220 – D. Sancho I, faz doação da Ermida de Nª Senhora de Vagos (Vagos-Aveiro).1245 – O Infante D. Rodrigo Sanches, filho natural do Rei D. Sancho I (darelação amorosa que este Rei teve com D. Maria Pais «Ribeirinha»), vindomortalmente ferido, de um combate, morre às portas do convento. Éenterrado com todas as honras, em 7 de Julho de 1245.
  4. 4. 4 (Pagela informativa do interior da Igreja do Mosteiro de Grijó)A Morte do Infante D. Rodrigo SanchesReferente às causas que levaram à morte do Infante D. Rodrigo Sanches,cujo túmulo se encontra no Claustro do Mosteiro de Grijó, transcrevo oque vem escrito na História de Portugal, Ed. Monumental, Direcção deDamião Peres, Vol.II, pags. 243 a 245 :«Ao infeliz Sancho II, atribuíam muitas das desgraças que assolavam oReino, acabaria por ser destituído e o reino entregue a seu irmão D.Afonso III, “O Bolonhês”. Foi um momento de guerra civil entre partidáriosdo Rei e os que apoiavam Afonso “Conde de Bolonha”, é pois nestecenário que se dá a Lide do Porto.“O Conde de Bolonha” chegara a Lisboa nos últimos dias de 1245 ou nosprimeiros de 1246. É de Fevereiro o foral em que confirma ao concelho deLisboa todas as suas cartas e foros, «escritos como não escritos», em pagado bom acolhimento que lhe tinham feito os munícipes; da sujeição eobediência que haviam prestado “aos mandados apostólicos” e dele
  5. 5. 5Procurador do Reino, e com que se haviam oposto “aos inimigos dafidelidade e da injustiça”.A resistência manifestou-se nas terras do centro e norte do País, e o seunúcleo principal estava em Coimbra, residência habitual da corte. Ohomem mais representativo desse movimento de resistência, pelaaudácia, pela turbulência e porque tudo podia na cúria régia, visto ser ogrande amigo, o valido do Rei, foi Martim Gil, o filho de Gil Vasques deSoverosa e de Maria Aires de Fornelos, que fora amante de Sancho I. Aesse irrequieto rico-homem, e à sua influência perniciosa que ele exerciano espírito do infeliz Sancho II, atribuíram os contemporâneos muitasdesgraças do reino. Fora ele o protogonista duma batalha que travara,próximo de Gaia, entre dois bandos de poderosos senhores, e que,passados anos, os velhos relembravam como um acontecimento quegrandemente impressionara o País – A LIDE DO PORTO . Nela, o bando deMartim Gil tinha deixado mortos no campo os rico-homens Abril Peres,senhor de Lumiares e tenente das Terras de Riba-Tâmega, e RodrigoSanches, o bastardo de Sancho I, tio do Rei e tenente de Entre Douto eLima.A Lide do Porto deu-se em 1245, meses antes da chegada do Bolonhês,quando a conjura ia já certamente adiantada. Seria tal combate umadaquelas guerras entre nobres, tão vulgares no tempo de Sancho II ? Seria,como Herculano se inclina a supor, o primeiro acto, “a primeiramanifestação armada” da própria revolução que devia conduzir ao mandosupremo o Conde Bolonhês? Nesse pressuposto, Martim Gil de Soverosachefiaria já as forças do Rei, em oposição aos dois tenentes do norte, queteriam prometido levantar aquelas províncias.Rodrigo Sanches ficou sepultado no Mosteiro de Grijó, próximo do Porto.E “é notável – diz Herculano numa nota – a esmola que o Conde deBolonha faz depois ao Mosteiro de Grijó por alma de Rodrigo Sanches. Écurioso na verdade que tenha perecido na famosa lide um tio do ReiSancho II, e que o chefe do bando que o matou fosse o valido desse Rei, econtinuasse a sê-lo, acompanhando-o depois na defesa desesperada dacoroa.»
  6. 6. 6 Túmulo do Infante D. Rodrigo Sanches1247 – Os cónegos, por acharem que o local era húmido e feio,transferem o convento, um pouco mais para sul do actual .1280 – D. Maria Pães, fez doação, do Padroado e mais fazendas, que tinhana Vila de Maçãs de Dona Maria, Bispado de Coimbra.1301 – A Infanta D. Constança Sanches, irmã do Infante D. RodrigoSanches, doa ao Mosteiro, uma quinta que tinha em Aveleda, duas léguasda Cidade do Porto para Norte, junto ao mar; assim como metade dosdireitos reais, que tinha nas Vilas de Sarzedas e Sovereira Fermosa, doBispado de Coimbra.Em 1479, 1482 e 1483 – O Prior D. João Álvares era comendatário ouadministrador perpétuo dos, Mosteiro de Grijó e São Jorge de Coimbra.1517 – Era Prior de Grijó, D. João, Bispo de Safim, provedor-mór doHospital Real de Todos os Santos, reitor da Universidade de Lisboa, eDesembargo régio.1536 – 1539 – O Prior D. Bento de Abrantes, a pretexto do local serinsalubre, resolveu mudar novamente o Mosteiro, transferindo-o para aQuinta de Quebrantões, em Vila Nova de Gaia. Nem todos os cónegos
  7. 7. 7estiveram de acordo com a mudança o que motivou a intervenção doPapa Pio V.1540 – A instituição da Congregação de Santa Cruz de Coimbra,confirmada por bula do Papa Paulo III, de 26 de Fevereiro de 1540, foiprecedida da reforma do Mosteiro de Santa Cruz, cometida por D. João IIIa Frei Brás de Barros, da Ordem de São Jerónimo e a Frei António deLisboa, com início a 13 de Outubro de 1527, no dia de São Geraldoconfessor. A esta reforma aderiram os priores de São Vicente de Fora deLisboa, e de São Salvador de Grijó.1542 – 1546 – Processo de mudança do Mosteiro do lugar de Grijó, paravila Nova de Gaia, para a Serra do Pilar, Mosteiro de Santo Agostinho daSerra. O descontentamento de alguns cónegos vindos de Grijó, levou-os aalcançar do Papa Pio V, uma bula de separação entre mosteiros antigo enovo (Serra do Pilar), passada em 1566. Estabelecida que fossem doismosteiros distintos e que se dividissem as rendas.1572 – O Prior D. Pedro do Salvador decidiu fazer nova igreja, comlargueza adequada. É a subsistente. O projecto para a nova igreja é daautoria do arquitecto Francisco Velasques. As obras iniciaram-se em 1574.A partir de 1581, a direcção das obras passa a ser da responsabilidade deGonçalo Vaz.1612 – A conclusão da igreja ainda estava atrasada, mas as dependênciasconventuais encontravam-se praticamente concluídas.1626 – A igreja, concluída e benzida.1770 – É emitido o breve de Clemente XIV e beneplácito régio de 6 deSetembro de 1770, de que foi executor o Cardeal Cunha, em que Grijó foiextinto com mais nove mosteiros da Congregação e seus bens anexadosao Mosteiro de Mafra, para nele se desenvolverem os estudos.1770 – Julga-se que foi este o ano em que foi vendido ao DesembargadorJoão Fernandes de Oliveira.1792 – A Bula «Expositum nobis» concedida pelo Papa Pio VI, em 3 deAbril, a instâncias da Rainha D. Maria I, foi executada por três sentenças
  8. 8. 8de D. José Maria de Melo, Bispo do Algarve e Inquisidor Geral, nomeadoJuiz Comissário e Delegado para proceder com todas as faculdadesapostólicas, recebendo também beneplácito régio. A primeira, dada emLisboa a 10 de Maio de 1792, mandou remover os Cónegos Regrantes doMosteiro de Mafra para outros mosteiros da sua Congregação,restituindo-os aos religiosos da Província de Santa Maria da Arrábida, eestabeleceu que a união e distribuição dos mosteiros extintos, cujasrendas tinham estado unidas a Mafra, se fizesse em benefício dos quecontinuassem a existir, restitui-lhes os mosteiros extintos de São Vicentede Fora, de Grijó e provisionalmente o de Refóios de Lima, e aplicar osrendimentos dos outros a usos pios.1794 – Segunda sentença, dada a 1 de Julho; mandou distribuir e aplicaros bens e rendimentos dos mosteiros extintos, que tinham estado unidosao extinto Mosteiro de Mafra, ou aplicados a outros fins.1794 – A terceira sentença, dada a 24 de Dezembro, estabeleceu osmosteiros que deviam constituir a Congregação dos Cónegos Regrantes deSanto Agostinho: Santa Cruz de Coimbra, São Vicente de Fora de Lisboa,Salvador de Grijó, Santo Agostinho da Serra, Santa Maria de Refóios deLima e o Colégio da Sapiência de Coimbra, restituídos “in integrum” aoestado regular e conventual, com todos os bens, rendimentos, privilégios,isentos e padroados de que eram possuidores ao tempo da sua extinção.Estabeleceu o número prefixo de cónegos em cada um, num total de 230,exceptuando os inválidos, bem como o número de conversos e as sançõespara os priores gerais infractores.1795 – Execução da 3ª sentença, por ordem da Rainha, carta régia de 1 deJaneiro e Prior Geral, comunicou-a à Congregação por carta patentedatada de 9 de Fevereiro desse ano.1832 – Os cónegos D. Diogo da Assunção e D. Luis de Miranda Henriques,moradores no extinto mosteiro, apresentaram-se, na cidade do Porto, àchegada do Exército Libertador, onde permaneceram e foram agraciadospelo Imperador do Brasil e Duque de Bragança.1833 – A 27 de Agosto, os deputados da Comissão Administrativa dosbens dos conventos extintos ou Comissão Administrativa dos conventos
  9. 9. 9abandonados, o abade António Manuel Lopes Vieira de Castro e Franciscoda Rocha Soares, na presença de Luís do Patrocínio de Nossa Senhora,cónego regular de Santo Agostinho, do Juiz imediato do couto de Grijó, ede outros elementos, procederam à descrição e inventário dos objectosexistentes no mosteiro, que incluía uma hospedaria, sendo escrivão,Nicolau Joaquim Pereira, escriturário da Comissão.Em 1833, o inventário do extinto Mosteiro refere três cartórios: o cartório(cujos documentos transitaram depois, na sua maioria, para o Arquivo daTorre do Tombo e para o Arquivo Distrital do Porto), o cartório eclesiásticocom documentos da freguesia de Grijó (com livros de visitação doMosteiro, registos de testamentos, audiências, e despesas eclesiásticas,registos de termos de culpados, de ordens, de certidões de baptismo,registo de baptismo, do crisma, de casamentos, de óbitos), e dasfreguesias do Salvador de Perosinho, de São Mamede de Serzedo, de SãoMartinho de Argoncilhe, de São Miguel de Travassô, e de Santa Eulália deEirol, e ainda o cartório do Juízo privativo do Mosteiro, contendo autos,sentenças, execuções, penhoras. O inventário menciona ainda o dinheiro,pratas e objectos, apreendidas nas imediações de Grijó, por pertenceremao Mosteiro, acondicionados em sis baús, três caixões e cinco embrulhos,conduzidos em carros para o depósito geral do extinto Convento dosCongregados do Porto. O auto de arrombamento foi realizado na igreja daCongregação do Oratório do Porto, em 28 de Agosto de 1833, na presençados membros da Comissão Administrativa dos bens dos conventosabandonados, em cujo inventário constam livros encadernados, papéis, emaços contendo pergaminhos.1834 – Extinção das Ordens e Congregações Religiosas.1835 – João Monteiro da Fonseca e Manuel Alves Ramos Camelo,empregado da comissão de extinção, procederam ao inventário do quetinha ficado no Mosteiro sob a fiscalização do provedor do concelho deGrijó, mencionando diversos papéis de pouca importância que ainda seencontravam em gavetas de uma estante do cartório.
  10. 10. 10Mosteiro de Grijó - Claustros
  11. 11. 11Livro Preto de Grijó – Página 1ª (TTonline)
  12. 12. 12Livro Preto de Grijó – Página 2ª. (TTonline)
  13. 13. 13O Mosteiro do Salvador de Grijó, como foi descrito, era masculino,situava-se na antiga Terra e Comarca da Feira. Aderiu à Ordem de SantoAgostinho. Esteve sujeito à jurisdição ordinária do Porto. Aderiu à reformado Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e foi unido à Congregação domesmo nome.
  14. 14. 14Na Revista “O INSTITUTO”da Universidade de Coimbra, incerto nos vols.XI, XII, XIII e XIV, foi publicado em 1864, sob o título de “Uma ChronicaInedita”, por M. da C. Pereira Coutinho, referente a um manuscrito doMosteiro de S. Salvador de Grijó, que passo a transcrever na íntegra, comalgumas alterações ortográficas, que efectuei para o português actual. UMA CHRONICA INEDITAO manuscrito nº 640, conservado entre os muitos da Biblioteca da Universidade deCoimbra, é um livro de 356 folhas, de marca grande, encadernação forte e antiga, deboa letra, sempre do princípio até ao fim, da mesma pena. Depois da última folhanumerada (a 356) na volta da qual tem – Finis -, há mais quatro em branco semnumeração; na quinta, também sem numeração, assim como as seguintes até ao fim,começa o índex, que aparece não foi concluído, porque não passa além deconfirmações e doações, com o que ocupa seis páginas e mais duas linhas de outra,continuando ainda algumas folhas em branco. Este livro tem no lombo em letrasdouradas – Crónica do Mosteiro de Grijó - ; e dentro no frontespício lê-se o mesmotítulo, porém mais desenvolvido, em que se declara que é a Crónica do Mosteiro de S.Salvador de Grijó, e que é dividida em duas partes ou épocas principais, a primeiradesde a fundação do Mosteiro até à sua reformação; e a segunda é daqui em dianteaté ao ano de 1630.O escrito é anónimo. Não sabemos a causa por que, numa obra, outrora de tantomerecimento, o autor quis ocultar o seu nome; seria por modéstia?...E este livro, queparece ter sido propriedade do Convento de Grijó, por que voltas veio ele incorporar-secom os manuscritos da Biblioteca de Universidade?... Não sabemos. É certo que é obrade génio, no trabalho insano, e de profunda aplicação. O autor declara que aempreendeu no ano de 1630; e que foi por obrigações que devia ao Mosteiro,acrescentando - «que bem é tenha trabalho quem participa da honra, pello direytoquerer que estas duas cousas andem sempre junctas».O autor revela vasta lição de escritores antigos tanto sagrados como profanos, ealguma perícia em conhecimentos diplomáticos e paleográficos, predicadosindispensáveis para escrever uma longa história fundada quase exclusivamente emdocumentos antiquíssimos.Se não fora o receio de sermos acusados por abusar da paciência da maior parte dosleitores, publicaríamos na sua íntegra, neste jornal, a crónica do Mosteiro de Grijó; masatendendo a que um estilo demasiadamente difuso, carregado com longas citações,segundo a moda, nessa época, muito embora se compadecesse com o silencioso
  15. 15. 15descanso claustral, não se acomoda ao gosto de hoje, em que o espírito cubiçoso denovidades abomina leituras estéreis, daremos apenas um conhecimento sinóptico docontexto do manuscrito, transcrevendo todavia de teor alguns trechos em que porventura se possa encontrar alguma utilidade histórica tanto especial como geral.Começa o autor por dar uma suscinta notícia do valor que nas datas dos nossos maisantigos documentos tinham algumas letras do alfabeto para designarem, mil,quinhentos, cinquenta…, fazendo também alguma explicação sobre o valor do Xcortado e não cortado, etc. (Fotografia antiga do Portal do Mosteiro de Grijó)Segue-se logo no verso da primeira folha – Declaração do intento que se pretende ternesta curiosidade. O discurso sob esta epígrafe é uma espécie de prólogo, em que oautor menciona, como já dissemos, a causa da empresa, o agradecimento, e faz adivisão sistemática e subdivisões da obra.No verso de fl. 2 há uma breve exposição sobre a era de César, causas que houve paraos «hispanhoes» a adoptarem para a sua cronologia, diferença que há de anos entreela, e a do nascimento de Cristo, e quando em Portugal se deixou de contar por ela. Ésuposto seja matéria, em que devam achar-se versados todos aqueles, que dedicamalgum tempo aos estudos da nossa arqueologia, não julgamos fora de propósitooferecer aqui de teor este breve capítulo:«De algumas antiguidades necessárias para se entender melhor o que nestes livrosse escrever.»«As antiguidades que aqui nos pareceu declarar hão de ser: Era, Ano. E algumasfiguras, por onde os antigos faziam seus cômputos, mostrando logo que coisa seja Era
  16. 16. 16de César, ano de Cristo, da sua Encarnação e da sua Paixão, e quando cada uma deestas coisas começou e acabou.Dizemos melhores autores, que escreveram de antiguidade de «Hispanha», quecomeçaram os espanhóis 38 anos antes da nascença de Cristo, notar, e dar princípio asuas escrituras, e instrumentos públicos com este nome da Era de César, deixandodesde então as outras contas e anotações de que usavam, e a razão foi (diz Garibay nocompêndio de história de «Hispanha» tom. 1º, liv. 6º, cap. 26; Morales e Fr. Bernardode Brito, cronista deste reino na sua Monarchia Lusitana, e outros) por ser este ano de38 antes da vinda de Cristo, o que os espanhóis tiveram por primeiro e princípio de seuimpério; e ser «Hispanha» na divisão do triumvirato imperada por Octaviano César, aquem como pr+incipe seu quizeram, com isto respeitar e honrar os espanhóis. Écontudo grande dúvida entre os autores até que tempo durou em Espanha este modode contar; e deixadas, as várias opiniões que trazem, temos para nós que em Aragãodurou até o tempo de el-rei D. Pedro IV, ano de 1351, como diz Silva bo seu catálogo na“lei de Hispanha” fl. 172; ou como parece no ano de 1354, e ano de 1358, como afirmaGaribay citado e Estaco nas antiguidades de Portugal, cap. 10, nº 7. Em Castela até ode el-rei D. João o primeiro, que é o que foi vencido no campo de Aljubarrota,mandando no ano de 1385, nas cortes que fazia em Segóvia, se usasse de ali por diantedo ano de Cristo, como tem para si Salazar liv. 3º, cap. 18, e Garibay citado. EmPortugal se fez esta mudança em tempo de D. João I ano de Cristo de 1415, “discat nalei de Hispanha” fl. 172 de 1422, como aponta a ordenação velha deste reino liv. 4º,
  17. 17. 17tit. 51, a que segue o ilustríssimo D. Rodrigo da Cunha, arcebispo que hoje é de Lisboa,no catálogo que compôs dos bispos da Sé do Porto, 2ª. P., c.26, e Estaco citado, contraGenebrardi que querfosse feita esta mudança em Portugal no ano de 1415.De este modo se usa hoje entre os cristãos, por Cristo ser o que deu princípio à nossaredenção com seu nascimento, não se usando em Portugal de Era desde o ano de 1422;se não fosse por erro em que deram escrivães com mais vantagem, e os queescreveram vizinhos ao mesmo ano. Porém, quando alguns papéis antigos se acharemescritos com Era de César, saiba-se que é trinta e oito anos primeiro que o ano deCristo, como diz Garibay citado no liv. 9º, e 4º, Cunha, Fr. Bernardo de Brito na sua“Monarchia Luzitana”, Ambrósio de Morales, e a torrente dos historiadores.Querem alguns que a conta da Encarnação de Cristo começará no ano de 527, e tempara si Jepes na crónica de S. Bento centúria 1ª, que do ano de 550 começaram algunsa contar o ano do Nascimento de Cristo, e outros de sua paixão; porém o que deixamosneste parágrafo assentado parece o mais certo, e conforme a ele se há-de seguir nocomputo que fizemos quando nestes livros falámos da era de César.A fl 4, depois de acabar o parágrafo precedente há outro que o autor expõe os valoresque algumas letras do alfabeto tinham nas datas dos nossos antigos diplomas, tendoprocurado imitar à pena essas letras ou caracteres originais.A fl 5 há outro parágrafo com a numeração de 3º e com esta epígrafe:«Dos livros que no archivo do mosteiro de Grijó há, com que se allega no que sedisser adiante.» § 3º.Além dos pergaminhos soltos que há no arquivo do Mosteiro de Grijó, também háalguns livros antigos e modernos, em que estão escritas muitas doações, privilégios, eoutras coisa, dos quais há um que se chama – Livro Baio-ferrado, que é de meia folha,de pergaminho, com tábua por fora, que fica sendo um reportório, ou registo debreves, que os sumos Pontífices passaram a este mosteiro, de cartas de reis, e doaçõesque muitos fiéis lhe fizeram.
  18. 18. 18 (Fotografia antiga – Vista Parcial do Mosteiro de Grijó)Outro livro pequeno também escrito em pergaminho, que se chama Tombo doConvento, com tábuas por fora, onde estão alguns trslados autênticos de coisas queneste mosteiro sucederam.Tem mais um livro de quarto, que é o treslado autêntico de um tombo que el-rei D.Pedro mandou fazer por Ivo Giraldes procurador da comarca da Beira de todas aspropriedades, foros, rendas e padroados que este mosteiro tinha, no ano de 1565 (Aquide certo houve lapso do amanuense; ou o rei que mandou fazer o tombo não foiD.Pedro, ou se o foi, então o ano deve ser o de 1365); e dos senhores que nele tinhamcomedorias.Há mais um livro grande que se chama Livro Preto, e é registo de algumas doações, ecartas de reis, passadas a este mosteiro, inquirições, e outras coisas tiradas da Torre doTombo, tudo passado em pública forma, com licença do mesmo rei no ano de milquatrocentos e cinquenta e dois (Esta data que no original é alfabética, se é averdadeira, corresponde ao reinado de D. Afonso V), e tem selo pendente; e é este livrode grande autoridade.Além dos acima há três cadernos em que estão alguns treslados autênticos de algunsprivilégios. É um livro grande antigo de pergaminho que se chama – Tombo quemandou fazer o Prior D. Affonso Estevens – em que está escrita toda a fazenda destemosteiro, com o que cada uma pagava; e algumas memórias que deviam ser escritaspelos cónegos que então viviam.Estes são os livros donde tirámos o que ao diante dizemos, e com quem alegámos, queos escrupelosos poderão ver nos lugares qie apontamos; como também nos demaispapéis conforme os assinalámos, sacos e números, que advertiremos. E posto queneste cartório estejam alguns pergaminhos antigos, em os quais as firmas são todas da
  19. 19. 19mesma letra, nem por isso deixam de ser originais, porque antigamente não punhamseu sinal, os que confirmavam, e eram testemunhas, senão o escrivão que fazia aescritura assinava por todos, como deixou advertido o grande indagador deantiguidade o padre Fr. António Brandão na sua Monarchia Lusitana I, cap. 5º, fl. 129.Estão muitas escrituras antigas escritas em latim, que era o costume daqueles tempos,que se veio a perder com o uso; e em Castela por lei particular, em que mandou el-reiD. Affonso décimo de nome, que se chamava o sábio, por de facto o ser, no ano de1259, que todas as escrituras reais e mais privilégios, que era costume escreverem-seem latim, se escrevessem de ali por diante em língua castelhana, como deixa advertidoo catálogo real de Hispanha fl. 143.A fl. 6 começa o 1. 1º, com o título de – Livro 1º. Da Fundação do Mosteiro de Grijó –segue-se logo um pequeno exórdio, e no verso da folha tem a epígrafe de uma sub-divisão. PRIMEIRA PARTE DO PRIMEIRO LIVRO. DO NOME QUE O MOSTEIRO DE GRIJÓ TEVE E HOJE CONSERVA Cap. 1ºDe aqui até folhas 8 emprega-se o autor na indagação histórica do vocábulo Grijó,mostrando por documentos originais do respectivo cartório que o primitivo nome doloca do mosteiro e do mesmo mosteiro era, no latim bárbaro, o de eglesiola,ecclesiola, e de S. Salvador de Ecclesiola, egrejinha nome que pelo correr dos temposse converteu no de egreijó, e de que Grijó, pelo qual era conhecido nos temposmodernos. Ainda a fl. 8 começa o cap. 2º com a epígrafe de (Claustros – Fotografia antiga) QUEM FUNDOU O MOSTEIRO DE GRIJÓ
  20. 20. 20De aqui até fl. 16 trata da matéria indicada nesta epígrafe, e compreende os cap. 2º, 3ºe 4º e principia o escritor este capítulo dizendo – Não é pequena desgraça não se sabero autor de qualquer obra gloriosa, heróica, e magnífica, para por ela se lhe dar justolouvor, que é o prémio devido à virtude, e com que espertam outros a se empregaremem semelhantes empresas como disse o Espírito Santo - «Virtus laudata crescit».Vai depois disto relatando as opiniões de diversos autores acerca dos fundadores domosteiro, e prova contra a opinião de aqueles, à vista de uma carta de doaçãoexistente no arquivo do mosteiro com data da era de 960, que ele tinha sido fundado(ano de 922) por Guterro Abbade e seu irmão Ausindo.Conclui o cap. 4º por confessar que Manuel de Severim Faria no disc. 4º e Pennoto naHist.dos Coneg. Regul. L. 2º cap. 32, nº 5, são conformes com este documento. Porémque o mosteiro já se achava fundado quando se fez aquela doação, porque nelaaparecem já frades figurando como testemunhas.Sendo verdadeiro o diploma da fundação, como acreditamos que é, não obstantealguns defeitos que encontrámos na cópia, sem sabermos se devemos fazer cargo delesa inópia de conhecimento paleográfico da parte do cronista, se à ignorância e levezado copista, porque dos erros deste abunda o manuscrito, é certo que os dois irmãosGuterro Abba e Ausindo fundaran uma igreja ou antes capela na sua quinta chamadaEgrejinha «fundabimus Eglesia in villa, quo (sic.) vocitant Eglesiola»; e lhe dotaramtodos os bens que possuíam, quer fossem herdados de seus antepassados, quer deoutros parentes, ou havidos por compra - «de avolenga, sive et parentella, sive et decomparandella», para sustentação dos irmãos e irmãs, que ali habitarem e
  21. 21. 21observarem a vida monacal…«pró tollerantia fratruum et sororum qui in ipso locohabitantes fuerint, et vitam monasticam tenuerint…»Também na mesma carta de doação mencionaram algumas alfaias, paramentos, eoutros objectos de serviço divino e eclesiástico; sem esquecer um sino de metal, «etsigno medalis».É patente deste diploma que os dois irmãos fundadores eram homens ricos; dominadosdo espírito de piedade, edificaram em propriedade sua, e á sua custa, uma capela ouermida, talvez com estabelecimentos contíguos, acomodados, para habitação daspessoas, que ali fossem admitidas, para se dedicarem à vida religiosa.
  22. 22. 22Assim começaram a maior parte dos mosteiros de Portugal de instituição mais remota.Associavam-se alguns indivíduos para viverem em comum empregados no serviço deDeus, oração, pregação e instrução dos povos, sem muitas vezes aparecer nosdocumentos declaração alguma de instituto então conhecido, a cuja regra osassociados se obrigassem. Depois de mais desenvolvidos adoptaram os institutos dealgum dos patriarcas das ordens religiosas mais antigas, entre nós S. Bento e S.
  23. 23. 23Agostinho, e organisaram as suas instituições especiais, segundo a disciplina de algumdaqueles santos, para se governarem.Estas pequenas fundações assim irregulares e isoladas, feitas por actos inteiramentelivres dos primeiros fundadores, foram o embrião de algumas casas religiosas, que nofuturo chegaram a ser grandes potentados, como as de Bentos e Cruzios.Os devotos fundadores do Mosteiro de Grijó, nem dizem que tinham escolhido para si,nem obrigam os que lhe sucederam, naquele estabelecimento religioso, a obedecer ainstituto algum; apenas declaram que fundaram aquela igreja «in honorem sanctisalvatoris domini nostri Jesu Chrisri»; dando-lhe assim a invocação de S. Salvador; e,como já dissemos, dotando-lhe todos os bens para os irmãos e irmãs (talvez frades efreiras) que aí guardassem a vida monástica.O cronista deve declarar mais adiante, quando os habitantes deste pequenoestabelecimento professaram a regra de Santo Agostinho, e se fizeram cónegosregrantes.Os cap. 5º, 6º e 7º, que decorrem desde fl. 16 a 22 v., são empregados pelo autor numaenfadonha investigação da genealogia de Sueiro Fromarigues e sua mulher ElviraNunes benfeitores do mosteiro, logo depois dos fundadores.É admirável como o autor (mas era mania de todos os escritores deste género) emtempos tão obscuros como remotos, pretende, por hipóteses figuradas a seu modo,
  24. 24. 24encontrar fio genealógico para nos dizer que Sueiro Fromarigues e sua mulher erampessoas muito fidalgas, e poderosas naquele tempo; levando o seu entusiasmo pelaexaltação destes benfeitores á inépcia de sonhar em o nome de Elvira uma sílabailustre!! Vamos a ver a habilidade que o cronista de Grijó desenvolveu nadecomposição do nome daquela senhora para fazer esta notável e engenhosadescoberta.Os espanhóis e os portugueses, diz o cronista, costumam empregar o artigo – El paraindicar grandeza e majestade, por isso dizem – El-rei - , e não o rei como fazem osfranceses.O nome Elvira vem escrito no documento assim – Gelvira – que é como antigamente seescrevia; mas tirando-lhe o G, resta o el, que, anteposto a vira, forma Elvira. E assim(palavras do autor) do nome=vir, que significa homem, derivaram, vira, que quer dizermulher: Logo, Elvira era a senhora mais poderosa, instruída, e ilustre do seu tempo !!Por este modo o nome de Elvira exprimia em breve monograma o preclaromerecimento desta excelente senhora. Então não é isto um engenhoso sofisma dotalentoso cronista ?!!As doações que Sueiro, ou Soeiro Fromarigues e Elvira Nines fizeram ao mosteiro,foram esta na era de 1170 (ano de 1132) de todas as igrejas que tinham entre Douro eÁgueda, de muitos prédios no lugar de Nogueira e um casal junto ao mosteiro, masnão transcreveu a carta de doação; e aquele na de 1131 (ano de 1093) das porções quetinha comprado da dita Igreja de Grijó, que eram metade, e uma terça parte de outrametade com suas adjenciais e passaes, com as alfaias e utensílios sagrados e profanos,repetidos quase nominalmente como na já referida fundação e doação, que no ano de922 fizeram os dois irmãos Guterro, e Aizindo; e de todos mais bens que tinha poroutras partes, que vêm apontados, na doação transcrita de teor de fl. 9 vº a 10 vº.Vê-se desta carta de doação que Sueiro Fromarigues reuniu ao acto de benfeitor domosteiro toda a grandeza de uma esplêndida solenidade, porque a convite dele foi obispo de Coimbra D. Cresconio fazer a dedicação da igreja, e na presença deesteprelado, e de grande concurso de pessoas de ambos os sexos, que vieram tomar partena festividade, «in magno concilio virorum et mulierum qui ad gaudium dedicationisconvenerunt», publicou a doação e fez mencionar na escritura dela um grosso numerode testemunhas a última das quais é – Cresconius Episcopus.Poderá alguém impugnar a existência dos dois documentos acima apontados, asdoações, a 1ª de Guterro Abba, a 2ª de Soeiro Fromarigues, não obstante o cronistacopiá-las integralmente; e com efeito um leve reparo dá lugar à impugnação, ou pelomenos a conceder que só uma delas fosse verdadeira; pois se os dois irmãosfundadores, como já dissemos, doaram a sua igreja com todos os bens, que possuíam,alfaias, utensílios, etc., para o culto religioso e sustentação das pessoas, que aí
  25. 25. 25vivessem empregadas no serviço de Deus, para que havia de vir Soeiro Fromarigues,depois no ano de 1093, dar a maior parte dos bens, que já estavam dados?Nós, sem defendermos a existência de aqueles dois documentos, e até mesmo pondoalguma dúvida na exactidão da sua trasladação para leitura nova, entendemos que aobjecção proposta deve desaparecer logo, que admita, como efectivamente se deveadmitir, que as igrejas e seus bens eram objecto de herança, entravam em partilhas econstituíam portanto matéria de transacção.O capítulo 8º, a fl. 22 vº, é destinado a instruir o leitor acerca do que era Rico Homem,para demonstrar que o benfeitor do convento Soeiro Fromarigues era um fidalgo dasublime categoria dos Ricos Homens.Não damos de teor este capítulo por nos parecer, que o cronista nada acrescenta aoque escritores antigos e modernos têm dito sobre este assunto.O capítulo 9º, que ocupa as folhas desde 24 a 27 vº, e tem o título de – Dos sítios elugares que o Mosteiro de Grijó tem tido desde que se fundou, - transcrevemo-lointegralmente por conter algumas especialidades históricas, mais sabidas pelosdocumentos, do que pelos livros.Costumam os que pretendem dar a conhecer alguma cidade, lugar, ou mosteiro,declararem os sítios, que teve, para mostrarem as variedades dos tempos, que deordinário costumam dar sabor, ao que pouco de antes o tinham tirado; de aqui podeser, nasceria acharmos muitas terras, e cidades deste reino mudadas de um lugar paraoutro, entre as quais é a cidade de Coimbra, fundada em seu princípio por BrigoTerceiro, rei de «Hispanha», como alguns afirmam, em o lugar, que chamam Condeixa-a-Velha, que quer dizer Coimbra deixada, como advertiu um curioso, só com o nome deCoimbriga, tomado do próprio rei que a fundou, no qual primeiro lugar a conservaramos Romanos; porém depois de Ataces, rei dos Alanos, grande tirano e ariano, adestruiu, mudando-a para onde hoje está junto ao rio Mondego, distante duas léguasdo lugar antigo, como consta de uma carta que Arisberto, segundo bispo do Porto,escreveu ao bispo das Idanhas, que traz a Mon. Luzit. Tomo 2º, liv. 6º, cap. 3, ecatálogo dos bispos da Sé do porto, 1ª parte, cap. 3, o qual rei a cercou logo fazendo-lhe os muros, que ainda hoje tem, em cuja obra trazia a trabalhar como tirano que era,muitos cristãos cativos, dos quais um era o bispo da mesma cidade, Elipando, e o doPorto, Arisberto, e o sacerdote Esseno, como adverte a história eclesiástica dosArcebispos de Braga, 1ª parte, cap. 71.Quase o mesmo sucedeu à cidade de Viseu, a qual foi fundada afastada do lugar, ondehoje está, como adverte o foral, que el-rei D. Sancho I lhe deu, do qual as palavras queo mostram são …«Milites et clerici, qui in veteri civitate de Vizeu casas habuerintpossideant eas…» nas quais distingue o rei, Viseu o velho, de Viseu o novo.
  26. 26. 26Também se sabe que a Sé da cidade da Guarda esteve primeiro nas Idanhas, pátria,como muitos querem, de el-rei o Bamba, cavaleiro principal da geração gótica, de ondeainda hoje conserva o nome que lá tinha, por cujo respeito se chama, nestes nossostempos, o seu bispo – Episcopus Egitanensis; efeito tudo do tempo, que costumadesencaixar, volver e resolver tudo com sucessos não esperados, como alguns disseramao mesmo propósito.Com a mesma variedade tratou o tempo ao Mosteiro de Grijó, porque por tradiçãomuito antiga dos religiosos de ele, tirada de escrituras antigas, se sabe ter seu primeirofundamento em o lugar de Muraceses, pouco distante, de onde hoje está, onde deviaestar pelos anos de 1075, e de 1093, que foi o primeiro ano, em que á igreja se pôs onome de S. Salvador, por autoridade do bispo D. Cresconio; do qual sítio, por acharemser ventoso, se mudou o mosteiro para onde hoje está, ficando as celas para o sul; etenho para mim, foi pelos anos de 1241, porque deste ano até o de 1137 sagrou aigreja deste mosteiro o bispo do porto, chamado D.Pedro do Salvador. Costume antigoera sagrarem-se as igrejas, o qual se veio a perder; para que ficasse mais fácil odesenviolarem-se, e caso que se inviolassem (sic) que devia ser por se fazer de novo,com a mudança do novo mosteiro; e este foi o segundo sítio, que o Mosteiro de Grijóteve desde a fundação, no qual foi achado pelos anos de 1536, quando os cónegosreformados de Santa Cruz vieram para ele, porém a claustra estava para a parte donorte, onde estavam as casas dos priores mores.Não se contentaram os religiosos reformados do sítio; assim por o terem por poucosadio, como também por lhes parecer pouco acomodado para com zelo da salvação dopróximo servirem a Deus; e assim pareceu bem ao Padre Fr. Braz, religioso de S.Jerónimo, e actualmente reformador desta congregação (que era o que entãomandava em tudo), e ao Cardeal D. Henrique, Infante D. Luiz, e a alguns religiososdesta congregação fosse a mudança deste mosteiro para junto do Porto, da banda deàquem do rio Douro, junto a Vila Nova, na serra, em cima para a parte do nascente; aqual resolução e mudança confirmou o Papa Paulo III, no ano de 1539, a instância docatólico rei D. João III; com que trataram logo na obra do novo mosteiro, comprando osítio, que era parte da Quinta de Quebrantões, no ano de 1540 com licença do mesmorei; e com tanto fervor se puseram a ela, que quando foi o ano de 1543 já estava capazpara nele viverem religiosos; em o qual ano se mudaram para ele, ficando o antigo deGrijó quase desamparado, somente com um cura secular, servindo só de granja aomosteiro novo, ao qual tinha unido o velho o Papa Paulo III, no ano de 1540, em 26 deFevereiro, ano sexto do seu Pontificado, porque «quod (são palavras da bula) dictummonasterium sancti Salvatoris in loco húmido, et minus sano esset constitutum»,pondo o Santo Padre por obrigação, que no mosteiro velho um ou dois religiosos«morari tenerentur», o que depois confirmou o Papa Júlio III, no ano de 1552, unindoao mesmo mosteiro novo as igrejas da jurisdição.
  27. 27. 27O sítio da serra foi o terceiro que o Mosteiro de Grijó teve, no qual continuou vinte eum anos, chamando-se o Mosteiro de S. Salvador de Grijó, junto ao Porto, no qualtempo teve sete priores, que foram D. Manuel, D. Clemente, D. Thomé, D. Vicente, D.Estévão, D. Lourenço, e D. Henrique, onde viviam com tanto ponto, que na sua portariaservia um sacerdote secular, que tinha por obrigação ministrar os sacramentos aosfamiliares e residir sempre na portaria, a quem se dava, além da sustentação, umcertum quid, e esmola pela missa, que todos os dias dizia; e como as coisasexperimentadas são diferentes do que antes parecem, acharam os padres que tanto,ou mais doentio era o sítio da serra, que o mosteiro antigo de Grijó.Não assistia o religioso, ou religiosos, que o Santo Padre mandava; com que entrou oescrúpulo neles, parecendo-lhes não podia estar o mosteiro antigo de Grijó semreligiosos, em modo de comunidade; e vendo as contínuas queixas, que os moradores efregueses de ele faziam aos capítulos gerais do desamparo, em que ficaram, e ficaratoda a terra, e levados de outros pios respeitos, assentaram no capítulo geralcelebrado no ano de 1564, em o 1º de Junho, tornasse ser habitado o mosteiro antigo;e que para maior argumento desta congregação, ficasse o mosteiro novo da serratambém com religiosos, para cuja sustentação desse o mosteiro antigo parte da renda,a qual vieram liquidar os capítulos gerais seguintes; a esta resolução deu logoconsentimento no mesmo ano, em 24 do mesmo mês de Junho, o convento do novomosteiro da serra, e os religiosos, queentão nele estavam, eram D. Henrique, prior, D.Simão, D. Isidoro, D. Constâncio, D. Bazilio, D. Urbano, D. Jerónimo…determinando omesmo capítulo geral se chamasse o mosteiro novo – Mosteiro do Salvador do Porto, eo antigo – Mosteiro do Salvador de Grijó. Com o qual nome continuou o mosteiro novoda serra até ao ano de 1599, em que o capítulo geral mandou, que para maiordistinção destes dois mosteiros se nomeasse de ali por diante, o da serra – Mosteiro deSanto Agostinho, e o antigo de Grijó – de S. Salvador, que são nomes, que hoje têm.A mudança que se fez para o mosteiro antigo de Grijó confirmou o Papa Pio V, no anode 1566, 12 calend. Novemb. Anno primo sui pontificatus, sendo Bispo do porto D.Rodrigo Pinheiro. O mesmo tornou a fazer SS. Padre, no 2º ano do seu pontificado, quefoi o de 1567; porém no capítulo geral antecedente, celebrado no ano de 1564, seapontaram os religiosos, que haviam de vir para o mosteiro velho eleger seu prior logo,como fizeram, elegendo ao Padre D. Bazilio, que foi o primeiro prior, que este Mosteirode Grijó teve depois que se tornou para o antigo sítio, que parece, podemos dizer, foi oquarto depois da primeira fundação, com que os religiosos de ele não podem sernotados de inconstantes, senão de escrupulosos, e ainda prudentes, pois diz o EspíritoSanto – Sapientis est mutare judicium.Postos os religiosos outra vez no mosteiro antigo, trataram de o fazerem acomodadopara nele poderem estar os religiosos reformados; e para isso fizeram algumas celassobre a claustra, que estava para a parte do N., achando ali seria melhor vivenda,
  28. 28. 28aproveitando-se juntamente das casas dos priores mores; e porque as celas ficavamainda poucas, fizeram um lanço delas por cima do refeitório, no ano de 1568, sendoprior D. Vicente; no qual sítio viveram até ao ano de 1598, servindo-se da mesma igrejaantiga, que já não era sagrada.Com o cómodo que os padres reformados fizeram no Grijó, que ainda chamamos velho,foram vivendo com pensamento de fazerem outro mosteiro mais grandioso, e quefosse para a parte S., por acharem frio o em que estavam; e com estes pensamentosforam continuando até ao ano de 1576, em que resolveram lançar-lhe a primeirapedra, para a torre dos sinos, se deu princípio, sendo prior o Padre D. Gaspar Brandão,a obra é louvada dos arquitectos, que a vêm, ainda que reprovado o sítio em que está,a qual hoje tem oito sinos, dos quais cinco são grandes, e todos mui sonorosos. Teveantiigamente um sino, que se chamava de Jesus, com estes versos:«Mille, et quingentis annis post funerem ChristiAdde decem atque novem calculus acta docet.Cum mihi Dulce datum fuerat cognomen Jesus,Terríficos tonitruos tellaque sedo Jovis,Artificem nostrum potes, hoc comprehendere versu.Ara sumus, Vuaglevens fusa, Simone duo.Os quais mostram o nome que tinha quem o fez, e o ano, em que fora feito, paraimpedir os trovões (!!). Havia também outro do Santo André que tinha estes outros:«Andreae laudo, Deum verum plebemque voco.Clerum congrego, defunctos ploro,Pestem fugo, fasta decoro. Ano de 1458.»Os quais se quebraram, e em seu lugar se fizeram outros muito formosos. Após a torrese foi fazendo o mosteiro, que antes dela tinha principiado o prior D. Pedro, com asumptuosidade, que hoje se vê; o qual, tanto que esteve para se poder habitar,mudaram-se alguns religiosos para ele, que foi no ano de 1599, sendo prior D. Nicolaudos Santos; entrando a primeira vez nele com cruz levantada, e asperção de àguabenta, ficando ainda alguns religiosos no mosteiro velho, onde viveram até ao ano de1624, sendo segunda vez prior o Padre D. Lourenço da Piedade. E estando nestemosteiro novo se serviram alguns anos da igreja velha, enquanto se a nova ia fazendo,que foi até ao ano de 1626, dia do nosso Padre Santo Agostinho, que foi o primeiro dia,
  29. 29. 29em que nela se disse a primeira missa, a qual foi pontifical, a qual disse o Padre D.Sebastião da Graça, actualmente geral desta congregação; o qual templo acabadoserá um dos melhores deste reino. Este foi pois o quinto e último sítio que o Mosteirode Grijó parece teve, desde que foi fundado; onde continuará até o tempo causador detodas as vaidades lhe não der outra volta, enfadando-se de sua continuação. Da terra e bispado, em que o Mosteiro de Grijó foi, e está hoje fundado. Cap. 10.A terra, em que o Mosteiro de Grijó teve a sua primeira fundação, e está hoje fundado,chamava-se de Santa Maria, nome que teve antigamente a terra, que começa desde afoz do Douro para estas partes, como declaram várias doações, que estão no arquivodeste mosteiro, e o tem ainda hoje a terra circum-vizinha a ele, que chamamos Terrada Feira; o seu principal castelo, o qual sabemos de escritura autêntica, que está noarquivo deste mosteiro, se chamava pelos anos de 1093, Castelo de Santa Maria, sendoneste mesmo ano em três de Outubro Alcaide-Mor dele Flacencio, e diz o catálogo dosbispos do porto, 1ª p., cap. 1º, fl. 13 e 16, que chamar-se esta terra da invocação deSanta Maria , fora, porque, quando os gascões entraram na cidade do Porto, depois deestar avassalada pelos mouros, e nela fizeram assento e se puseram a conquistar todaa terra da sua comarca, que então estava sujeita ás armas maumetanas, a toda a querendiam punham o nome de Terra de Santa Maria, querendo dizer nisto que ao favorda Virgem Maria, mãe de Deus, deviam suas armas a vitória que alcançavam…Não reprovamos a razão, antes acrescentamos continuaria a Terra da Feira com onome de Terra de Santa Maria, por assim se chamar a sua cidade do Porto, dentro decujo bispado está quase toda, a qual cidade se chama de Santa Maria, e como diz aMonarchia Lusitana, liv. 9, c. 13, e o declara o título, que tem á porta de sua câmara,que diz – Civitas Beatae Virginis – o qual tomou da sua igreja matriz, que sempre sechamou Igrejta Maria, como achei em muitas doações, feitas ao Mosteiro de Grijó, ejuntamente o declara o livro dos óbitos de mesmo mosteiro, onde estão escritos muitoscónegos daquela Sé, que deviam ser do tempo que ela era dos cónegos regulares,dizendo: Obiit N. Canonicus Sanctae Mariae do Porto; ao que parece aludiu el-rei D.Afonso II nas cortes que fez em Leiria, pelos anos de 1254, chamando á cidade do Portovila da igreja; e ainda, se nos é lícito de uma coisa tirarmos outras, digo que já no anode 848 se chamava esta Terra de Santa Maria, reinando em Portugal D. Ramiro I, oqual fazendo uma doação ao Mosteiro de Lorvão, neste ano de 848 lhe dá nas rendasde Terra de Santa Maria, quinhentos soldos; são as palavras latinas: Ego pró meae
  30. 30. 30redemptione animae meorumque parentum in terra vobis, de Sanctae Mariae, quodannis sólidos quingentos. A qual doação traz a Monarchia Luzitana, liv. 7, cap.13. Pelomesmo nome a nomeia João, Abade de Lorvão, no ano de 850, como se pode ver namesma Monarchia Luzitana, cap. 14. E os gascões entraram no Porto pelos anos de963, pouco mais ou menos, como diz a Monarchia Luzitana, liv. 7, cap. 23, reinado deD. Ramiro III, que é muito tempo adiante, pelo que mais antigo é a Terra da Feirachamar-se Terra de Santa Maria, que a entrada que no Porto fizeram os gascões. (Castelo da Feira – Torre de Menagem – Fotografia antiga)E assim entendo se chamava a Terra de Santa Maria, de uma cidade, que dentro de sitinha, fundada no monte que hoje se chama Sagitella, tendo pela parte do N. ocaminho mourisco, que os mouros descobriram, e pela parte do P. o mar o qual évizinho a este Mosteiro de Grijó; e para a parte do S. as confrontações da cidade, quenele estava fundada, a qual cidade se chamava de Santa Maria, como declaram váriasdoações que no arquivo deste mosteiro há. E que aqui estivesse esta cidade o declara a
  31. 31. 31carta de venda feita a 15 das Kalendas de Dezembro, era de 1124, que é a seis deDezembro do ano de 1086, a qual, para declarar a terra vendida, diz - … in villaNogueira de Ecclesiola ab integro subtus monte Sagitella discurrente fonte de fruiLacum, in suburbis civitatis Sanctae Mariae. Se a igreja matriz do Porto deu nome àcidade, chamando-se cidade de Santa Maria, por ser da mesma Senhora a sua igreja,também o chamar-se hoje principalmente Terra de Santa Maria à da Feira, pode serseja em ordem às muitas casas de oração que dentro de si tem da invocação de NossaSenhora, todas de muita romagem e veneração, entre as quais é a ermida de NossaSenhora do Campo (a mais antiga de quantas há desde o Douro até ao Vouga); como étradição em todos os moradores destas partes de que antigamente era a Senhora daTerra da Feira, sita dentro do isento deste mosteiro, afastado dele para o N. um quartode légua, onde acham remédio para maleitas os fiéis cristãos, que dali levam comdevoção uma pouca de terra; a Senhora das Duas Fontes que muito pouco dista domesmo mosteiro para a banda do mar, e está dentro do mesmo isento da invocação deNossa Senhora da Nascença, em cujo dia tem feira, e há grande concurso de gente;Nossa Senhora da Alimieira, que está distante deste mosteiro, para o S. duas léguas emeia, onde há grande irmandade de clérigos e grande feira no seu dia; a Senhora deEntre as Águas, que está para a mesma parte três léguas, onde há grande romagem, eacham indulgência plenária os que no seu dia (que é o de Nossa Senhora da Nascença eoitava do Espírito Santo), desde as vésperas antecedentes a visitam contrictos econfessados; e Nossa Senhora das Areias (que tem assim o nome por ficar junto aomar, entre as areias da Costa Branca), anexa a S. Cristóvão de Ovar. Com tudo chama-se esta terra, por uma ou por outra razão, Terra de Santa Maria. Entre ela está situadoo Mosteiro de Grijó.E para que nada falte aos curioso ,chamava-se, no tempo dos romanos, esta Terra daFeira Lamgobrica, como adverte Frei Luiz dos Anjos, no jardim que compôs dasmuralhas virtuosas de Portugal, fl. 3 e 6, o qual nome lhe deu o principal povo, que emsitem, chamando-lhe Vila da feira, que então se chamava Lamgobrica, como consta doitenerário que deixou o Imperador Antonino, que servia de roteiro aos romanos paranão errarem as terras, em o qual tinha posto as principais que então havia de Coimbraaté Braga, que eram – Conimbrica, Emineum, Talabrica, Lamgobrica, Cale, Bracara, esão, como declara Vasconcelos, Coimbra, Águeda, Aveiro, Feira, Porto e Braga. E comoesta Terra da feira não ter mais circuito que dezoito léguas (como consta de umasentença, que está no cartório deste mosteiro), contudo tomando-a toda desde oDouro, começando de Vila Nova, tem oitenta e oito igrejas, sitas dentro do bispado doPorto, das quais vinte têm o SS. Sacramento e cinco mosteiros, aos quais estão anexas104 ermidas, que renderam ao menos 13 contos, excepto a igreja de Riomeão com assuas duas anexas S. Pedro de Macedo, e S. Martinho de Arada, que são Comenda deMalta, e costumam render 600$000 reis forros para a Comenda (este ano de 1639estão arrendadas em 530$000 reis).
  32. 32. 32 (Igreja de Rio Meão) É fama constante e imemorial, fundada em muitas razões, que esta igreja de Riomeãofoi dos Templários; tem mais onze igrejas das quais dez pertencem ao bispado deCoimbra, e uma ao de Viseu. A gente desta Comarca pertencente ao bispado do Portopassa de 22.800 pessoas de comunhão, e 6.200 menores, tudo advertido pelo catálogodos bispos do Porto. A terra que é somente precisa da Feira tem conde; cuja casa epaços principais é o Castelo da Vila da Feira em que reside, que renderá onze milcruzados. Há mais nesta Comarca da Feira, oito Comendas de Cristo, scilicet – Canedocom duas anexas; Lobão e Louredo que rende 600$000 reis; S. Miguel de Oliveira comsua anexa, Sanc’Iago de Riba Ul (Santiago de Riba Ul) que rende 300$000 reis; S.Miguel do Souto que rende 150$000 reis; S. Vicente de Pereira com a sua anexa, S.Martinho da Gandara que rende 200$000 reis; Sancta Marinha d’Avanca com asanexas, S. Mamede de Mondoil, S. João do Loureiro e S. Matheus de Brunheiro querende 700#000 reis; Sanct’Iago de Beduido com sua anexa Sancta Maria de Mortoza,que rende 670$000 reis; S. Miguel d’Arcuzelo com sua anexa; S. Paio d’Oleiros querende 150$000 reis, cujo padroado é deste Mosteiro de Grijó; S. Pêro Fins com suaanexa Sancto Estêvão de Guetim, (onde está uma relíquia do Santo Lenho) que rende200$000 reis; Sancto André de Lever anexa da dos Medos, que está da outra banda dorio, que rende 120$000 reis. Tem também esta terra dois morgados, a que chamam deVillar do Paraizo, que come os frutos da igreja com título de capela, ficando obrigadomandar dizer certas missas, e dar azeite para a lâmpada do Santíssimo que nela está, eapresenta cura. O morgado de Fermedo, onde tem duas casas, e padroado da mesmaigreja.
  33. 33. 33Entre a freguesia de Vilar do Paraizo, e de Golpelhares se costuma fazer feira de boistodas as quinta feiras do mês, onde somente os que compram e vendem, que são defora do termo, pagam Siza, e nenhuma portagem, fica uma légua deste mosteiro entreele e o Porto.Além da jurisdição, que o Conde da Feira tem na sua terra, há oito coutos particulares,que são os de Grijó, o de Pedroso, que hoje é do Colégio da Companhia de Coimbra; ode Avintes que é o Sendim, das freiras de S. Bento do porto; o de Cucujães, que é doMosteiro de S. Bento do mesmo nome; o de Crestuma, que é do bispo do Porto; osquais todos têm seus juízes particulares. Esta pois é a Terra de Santa Maria, e Comarcada Feira, dentro da qual está situado o Mosteiro de Grijó.O bispado dentro de cuja diocese está hoje este mosteiro é o da cidade do Porto.Verdade é que em tempo antigo era no de Coimbra, não porque estivesse entãofundado em diferente lugar do de hoje, senão porque nos primeiros tempos daexpulsão dos mouros destas partes, chegava o bispado de Coimbra até o Douro,ficando dentro da sua diocese toda a Terra da Feira; e o do porto não passava o Douro;no que perseverou até o tempo em que foi bispo dele D. João Pedulialis, cónego regulardos primeiros doze que instituíram o Mosteiro Real de Santa Cruz de Coimbra; do qualtempo o bispo por diante ficou o bispado do Porto estendendo-se até onde hoje chega,compreendendo entre si quase toda a Terra da Feira; no qual bispado houve depois dasua fundação, e restauração do Mosteiro de Grijó, cinquenta e nove bispos até D.Geraldo do Rego e da Fonseca, natural da cidade da Guarda, que actualmente tem amitra desta Sé, e seja nomeado por presidente do Paço (o que diz Silva no seu catálogoreal de Hispanha, fl 112); suas generosas acções o elevaram, onde aos outros conduzsua deligência, para que se veja que à virtude dos grandes homens sempre se lhereservam prémios devidos a seus merecimentos. Da província em que o Mosteiro de Grijó está e esteve situado Cap. 11A província, em que o Mosteiro de Grijó o foi em seus princípios, e está hoje edificado, éo que antigamente se chamava Lusitânia; porque, como diz Osório, no prólogo dahistória de el-rei D. Manuel I; Rezende, nas Antiguidades de Portugal, liv.3º ; Fr. Luiz deSousa na vida de D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga, liv. 1º, cap. 26;Mon.Lus, liv. 18, cap. 15; o Padre António de Vasconcelos, na descrição do Porto 3 nº 1;
  34. 34. 34Fr. Bernardo de Brito, na Mon.Lus. Liv. 1º, Cap. 15; Duarte Nunes de Leão, na descriçãode Portugal, cap. 1 , e outros, a Lusitânia chegava até ao rio Douro, chamando-seLusitânia toda a terra, que está do rio Douro para o sul, até ao rio Guadiana; de cujaboca os Romanos o demarcavam pela parte do Ocidente, junto à costa do mar oceano,até à boca do novo Douro; e assim do mesmo rio Douro começava, nos mesmostempos, Galiza, para a parte do norte; do que advertindo Plínio, liv. 4º, hist., cap. 20,disse, que o rio Douro dividia os lusitanos dos galegos, sem que alguma hora sechamasse a província de entre Douro e Minho Lusitânia, como acrescenta Floriam doCampo, liv. 1º, cap. 3, e António de Sousa, nas suas flores de Hispanha, 1ª, p. cap.1º,escel. 4º. Veio-se, porém, pelo tempo adiante chamar Portugal a província de entreDouro e Minho, com todo o mais reino, com que ficou perdendo o nome antigo, quetinha de Galiza, e de galegos, os que de ela eram naturais; e quer Garibay, liv. 34,cap.1º, no compêndio de história de Hispanha, fosse depois da entrada dos mouros; eposto que não consta ao certo em que ano; contudo por certo temos se chamava jáPortugal entre Douro e Minho, no ano de 1030, como se pode ver em Estaco, nasantiguidades c. 92; do que fica certo, como diz António de Vasconcelos na MonarchiaLusitana, liv. 10, cap. 43, como alguns quiseram não ser Santo Teotónio Santo galego,se não português; porque ainda que nasceu em o lugar de Guinfães da banda deaquém de Tui, e do rio Minho, foi pelos anos de 1081, pouco mais ou menos, tempo eano em que já se chamava Portugal tudo o que estava desde o rio Minho, até o Douro,nome que lhe deu a cidade do Porto, como afirma Rezende, citado, a quem seguemmuitos grandes autores antigos; e depois a todo o reino, chamando-se todo elePortugal da cidade do Porto (como diz, Monarchia lusit., c. 15, fl. 41), da maneira que odeu a cidade de Toledo a todo o seu reino; e a de Granada, chamando-se este reino deGranada, e aquele outro reino de Toledo. E quando isto fosse, não se sabe ao certo;sabemos contudo que, quando el-rei D. Fernando I, de Castela, se partiu tomarPortugal, ainda se chamava Lusitânia toda a terra, que está do Douro para o sul; e estajornada foi pelos anos de 1030, conforme orçou Beuter, 1ª p., cap. 32, e no ano de1093, em três de Outubro, já se chamava Portugal, como declara a doação que nestetempo fez Soeiro Fromarigues a este Mosteiro de Grijó, que fica no cap. 2, onde paradeclarar este fidalgo o lugar e terra, em que o Mosteiro de Grijó estava fundado, dissein território portugalensi, e já tinha este nome no ano de 1075, como declara com asmesmas palavras a carta de compra, que neste ano fez o mesmo Soeiro Fromariguesda parte da igreja, livro Baio, fl. 56; com que fica claro não estar o Mosteiro de Grijó,alguma hora fundado em terra que se chamasse Galiza, senão que de princípio sechamava Lusitânia (nome que lhe deu Luso, filho de Sio Celio, rei de Portugal, catálogoreal de Hispanha, fl. 5), pouco antes do ano da criação do Mundo 2486 (ano de 1466antes do nascimento de Cristo), como dis Fr. Bernardo de Brito, na Monarchia Luzit.tom. 1º, liv. 1º, cap. 15, ser Lusitânia tomado por Lisias filho de Bazo, outro rei que forado mesmo Portugal, como quer a Monarchia Luzit. citada, e Fr. Nicolau de Oliveira, nolivro que compôs das grandezas de Lisboa tract. liv. E 1º, e tract. 2º, e 16, que era tanto
  35. 35. 35o amor que já naqueles tempos tinham os portugueses aos seus reis, que até no nomese queriam parecer com eles, como advertiu Sousa, nas Flores de Hispanha. Bem assimque não era Lusitânia interior a província em que este mosteiro foi fundado por essaser a província do Alentejo ou Algarve, como parece quer dizer Sousa, citado, cap. 3º,excelência 6ª, se não Lusitânia exterior, que era a terra que estava entre o rio Tejo eDouro; e depois se chamou Portugal, nome que a pouco e pouco foi tomando estereino; e posto que várias eram as nações, que nesse tempo chegaram a povoar aLusitânia, como se pode ver em Fr. Bernardo de Brito, na Geografia, que compôs, queanda no princípio do primeiro tomo da sua Monarchia Luzitana; contudo, a nação quehabitou antigamente a Lusitânia exterior era dos antigos Turdelos, morando pela costado mar, que está da boca do Tejo até ao Douro; a qual nação constava de gente bementendida, que se governava por leis escritas em verso, de tempos antigos, como refereStrabo, trazido por Fr. Bernardo de Brito, citado; e assim os moradores queantigamente teve a terra, onde se fundou o Mosteiro de Grijó, eram Turdelos, gente debom juízo e razão.E como este nome de Portugal ficou comum a todo o reino, tratou de se dividir em seisprovíncias, para maior distinção, pondo os reis de Portugal em cada uma delas seucorregedor, a quem pudessem os moradores de elas recorrer com facilidade em seusnegócios: uma era entre Douro e Minho, 2ª Trás-os-Montes, 3ª a beira, 4ª aEstremadura, 5ª Alentejo, 6ª todo o reino do Algarve, como diz o padre António deVasconcelos, na Descrição de Portugal, nº 2; e Duarte Nunes de Leão, na Descrição dePortugal cap.2º. E querendo o padre Fr. Nicolau no livro das grandezas de Lisboa, tr.1º,cap. 2º, declarar os limites de cada uma destas províncias, diz que a província de entreDouro e Minho começa da cidade do porto até Valença do Minho e seu termo; a deTrás-os-Montes do rio Tâmega (que é de S. Gonçalo de Amarante) até todo o bispadode Miranda; a da Beira desde Aveiro, Coimbra, Guarda, e terra da ribeira de Côa; a daEstremadura desde Cascais, pelo mar, até à foz do rio Mondego, e por ele acima até àponte de Coimbra, e daí até Abrantes (Ita Monarchia Luz., liv. 1º, cap.34); a doAlentejo, a que está entre o Tejo e Guadiana; a do Algarve, todo o seu reino; e comoseja certo estar o mosteiro fundado dentro de uma destas províncias, tem obrigação,quem seguir esta repartição dizer, que não está fundado na do Algarve, nem na doAlentejo, como está claro, nem também na da Estremadura, por ela não passar oMondego, nem na de Trás-os-Montes, que começa de S. Gonçalo de Amarante, nem nade entre Douro e Minho, que começa da cidade do porto, e assim fica a partiumenumeratione fundado na província da Beira, que antigamente se chamava Beira dosBerones, que habitavam a Lusitânia em tempo do imperador Tibério, como diz o bispoPinheiro, nas Annotações 2ª parte. A qual província com pouca corrupção se veio achamar Beira, e seus moradores beirões; e parece favorecer Fr. Bernardo de Brito, nofim da geografia citada, dizer-se chegou à Beira, onde está este Mosteiro de Grijó,enquanto afirma ser a comarca da beira antigamente dos Turdelos, os quais moravam
  36. 36. 36desde o rio Tejo até ao rio Douro, como já dissemos, e o diz Plínio, liv. 4º e 2º, ePomponio Mella.Duarte Nunes de Leão, declarando as comarcas e correições, que cada uma destasseisprovíncias tem no lugar citado, diz: que a província da Estremadura tem seis, quesão – a de Lisboa, de Santarém, de Tomar, de Alenquer, de Leiria e de Setúbal; aprovíncia da Beira outras seis, a saber: a de Coimbra, da Guarda, de Lamego, de Viseu,de Castelo Branco, e a da Covilhã; a de entre Douro e Minho tem quatro, que são – a doporto, de Viana da foz do Lima, de Guimarães, e a de Ponte de Lima. E tratando estemesmo autor das terras, que contam cada uma das comarcas e correições, vindo àcomarca de Aveiro, diz a folhas oito, que da sua correição é a vila de Ovar, e a vila eTerra da Feira. E assim conforme este autor, parece se há-de dizer, que não está esteMosteiro de Grijó fundado na província da Beira, por não estar dentro das Terras daFeira, ainda que seu couto confina com elas, mas que está situado dentro da provínciade entre Douro e Minho, por pertencer à correição do Porto a terra em que estemosteiro está fundado; contudo o que a mim me parece é que, falando em rigor, se há-de dizer está o Mosteiro de Grijó fundado na Estremadura, porque antigamente asterras que estavam vizinhas ao Douro chamavam-se Extema.Durii, como notouMonarch. Luz., tomo 2º, liv. 7, cap. 28, como esta está, e este mosteiro está fundadojunto ao Douro, de onde não dista mais de uma légua, que há dele até Arnelas.Do estado em que estava este reino, e estas partes, assim no temporal como noespiritual, quando este mosteiro se fundou, até o (tempo) em que entrou o Conde D.Henrique. Cap. 12Fazendo um pouco o pé mais atrás, brevemente direi, sem averiguar as opiniões pornão ser esse o meu intento, que desde que os Romanos tiveram senhoriado Hispanha,durou o mando sobre ela até ao ano de 343, tendo o império Honório, o Theodosio 2ºdo nome, como disse o Fr. Nicolau de Oliveira, no livro das grandesas de Lisboa, tract.2, cap. 22; ou, como parece melhor, pelos anos de 400, em que governa Arcádio eHonório, filhos do grande Imperador Theodosio, como refere a história eclesiástica dosarcebispos de Braga, 1ª p, cap. 9; e novamente Silva, no seu catálogo dos reis deHispanha, folhas 10; havendo já rei godo em Hispanha no ano de Cristo de … que sechamava Ateulfo, que pôs sua corte em Barcelona, como diz Silva, citado fl. 12; e assim
  37. 37. 37fica claro estar Portugal debaixo do império dos romanos ao tempo que nele sepromulgou a fé católica em as partes de entre Douto e Minho, com a entrada que nelafez a primeira vez o Apóstolo Sanct’Iago, no ano de 40, ou 41, pelas praias deMatosinhos, pouco distante da cidade do Porto, sendo esta terra a primeira, onde seensinou a fé de Cristo fora da Samaria, e seus naturais e moradores os primeiroscristãos de Hispanha, e ainda do mundo, excepto Judeia, que não é pequeno bem, paraDeus os conservar em sua santa fé.Aos Romanos sucederem as bárbaras nações, que saindo das três províncias do norte(Scocia, sic, Suécia e Noruega) a conquistar o mundo, entraram em Itália e França, epassando a Hispanha a renderam e sujeitaram toda a suas armas, com que se fizeramsenhores de toda ela, matando uns, e cativando outros; e como esta gente era umamistura de toda a maldade, a saber, uns cristãos infeccionados com a heresia de Arrio,e outros gentios e outros idolatras, punham toda a sua felicidade em perseguir aosverdadeiros cristãos, matando uns, e cativando outros, destruindo suas igrejas etemplos, aplicando a seu serviço tudo o que estava deputado para o ministério de eles;e assim vindo no ano de 526 Childeberto, rei de França, à Hispanha, com mão armada,para tomar vingança de Amaberico, seu cunhado, rei dos godos, grande arriano, pelosagravos que fazia a sua mulher, por ser cristã, depois de o matar, entrou em seutesouro, no qual achou sessenta cálices, quinze patenas todas de ouro e de pedraspreciosas, e juntamente achou outros vasos riquíssimos ordenados ao culto divino,como adverte a história de Braga citada, 1º p., cap. 67, nº 6, as relíquias e corpos dossantos queimados e lhe faziam muitos agravos, que foi ocasião para os bispos, que seachavam no concílio celebrado em Braga, ano de 410, determinarem que cada um emseu bispado escondesse em lugares subterrâneos as santas relíquias com rotolos dedeclarassem os nomes delas, fazendo de isso cada um dos bispos rol, o qual mandasseao arcebispo de Braga, que então era Pancracio, o qual concílio trás a história referidacap. 9. Eram estes tiranos una alanos, outros godos, e também suevos, sendoigualmente honrados os godos e suevos, como notou António de Sousa, nas Flores deHispanha, cap. 7, Excel. 3ª, os quais todos depois que tiveram senhoreada toda aHispanha, repartiram-na entre si, ficando cada um com seu próprio reino; na qualrepartição ficaram os godos com a Bética, os alanos com a Lusitânia, a Cartaginense, eos suevos com Galiza, em que entrava todo o entre Douro e Minho, como se pode verno catálogo dos bispos do Porto, 1ª p., cap. 1º, folhas 12.Não se perseverou muito esta repartição por ser muito comum entrar na cobiça, ondehá maior poder; e assim como os godos ficaram mais poderosos, tratou o seu rei de tero mando sobre todos, o que foi ocasião para com o poder de suas armas encorporar oreino dos suevos com o seu, com o que se acabou o reino dos suevos, e quer Baroniotom. 3, ano 583, Fr. Bernardo de Brito na sua Monarchia Lus. Liv. 6, cap. 19, e a históriaeclesiástica dos arcebispos de Braga 1 p. cap. 75 mº 6 e cap 77 in fine fosse pelos anosde 683 ainda que a outros parece fosse esta incorporação do reino dos suevos com o
  38. 38. 38dos godos no ano de 584, como traz Estacio nas antiguidades de Portugal cap. 68 nº 3,e alguns fosse no ano de 585, como refere Mon. Lusit. Liv. 20 c. 6 por este ano ser noque Leovigildo quando tirano, rei dos godos e pai do santo mártir Erminigildo,conquistou Portugal, como diz o catálogo dos bispos do Porto 1 p. cap. 5, e Silva nocatálogo real de Hespanha fol. 25, onde diz concordam todos os autores não durou ogoverno dos suevos mais que 174 anos, e como os trabalhos nunca costumam virdesacompanhados permitiu Deus por seus altos juízos que no tempo que a cristandadede Hespanha estava tão oprimida nascesse no ano de 597 o perverso Mafamede, quese começou a chamar profeta no ano de 622, semeando sua falsa e abominadadoutrina com tal espírito diabólico, que com morrer no ano de 627, nesse mesmocomeçou sua falsa e perversa seita, como conta Bellarmino Liv. 3 de Pontif. Ro,. Cap. 4:catálogo dos bispos do Porto 1 p. c. 7… in fiae, e posto que muitos reis que nestes anosgovernaram a Hespanha foram hereges da seita Ariana, alguns houve católicos, e pelodecurso do tempo vieram a ser cristãos começando de el-rei Recaredo, o qual,deixando a seita Ariana movido dos conselhos e doutrina de seus tios os santos S.Leandro e S. Fulgêncio, ficou grande católico. Com o governo de Hispanhaperseveraram os godos 344 anos, como quer Vasco tom. 1, onde trata dos godos, ou380 pouco mais, como afirma o padre mestre André de Rezende L. 3 das AntiguidadesLusitanas, ficando tendo cento e vinte e nove anos o governo de Portugal; e queremalguns historiadores fosse pelo decurso de todo este tempo 36 os reis godos quegovernaram toda a Hespanha, começando de Athanarico até D. Rodrigo, que foi oúltimo, bem assim que o catálogo real de Hespanha não faz menção mais do que detrinta e três, que deve ser o mais certo.Aos godos sucederam os Mouros pelo anos de 713 conforme ao computo de Baronio, eparecer de Fr. Nicolau de Oliveira nas Grandezas de Lisboa trat. 2 cap. 22, que foi o anoem que começou a conquistar o reino de Hispanha, Ulit monarca da babilónia e grãocalifa dos Árabes, tendo por capitães Muça e Tarif, ajudados do conde D. Julião,cunhado que fora de el-rei, e de Opos ou Orps, arcebispo de Sevilha, e intruso deToledo, irmão do mesmo rei, os quais capitães, continuando com sua conquista no anode 714, depois de vários encontros que tiveram com el-rei D. Rodrigo, vieramdesbaratá-lo nas margens do rio Guadelete, junto da cidade de Xeres e Medina-Sidonianum domingo 9 de Fevereiro, como admitiu a história dos arcebispos de Braga 1 p. cap.6 nº 1 e cap. 10 nº 4, o catálogo dos bispos do Porto 1 p. cap. 11, Estacio nasAntiguidades de Portugal, cap. 34 e o catálogo real de Hespanha fol. 36. Bem assimque diz Illascos na história pontif., tomo 1 fol. 237 fora esta disjunctura no ano de 719,que não tenho por tão certo como o primeiro, o rei D. Rodrigo se acolher a Portugal,onde morrera na cidade de Viseu, onde se achou a sua sepultura na igreja de S. Miguelduzentos anos depois da sua perda. Entrados os árabes em Hispanha a avassalaram, ese fizeram senhores dela em espaço de oito meses destruindo as melhores cidades dePortugal, entre as quais foram as do Porto e Braga, que deixaram feitas um monte depedras, e chegando a Galiza se tornaram para a Estremadura por verem suas terras de
  39. 39. 39mais abundância onde se deixaram estar, e com se perder a Hespanha em tão brevetempo, gastaram-se quase oitocentos anos em se recuperar, em que se deram três milsetecentas e nove batalhas, como refere o catálogo real de Hespanha fol. 37.Tiveram os mouros outros capitães, grandes flagelos da cristandade, entre eles houveum que se chamava Abderamen e entrou nestes reinos pelos anos de 760, como dizEstacio nas Antiguidades Lusitanas cap. 34 nº 1, o qual mouro foi tão grande tirano,que mandava queimar os corpos dos santos, o que vendo os cristãos, tomavam-nos eas demais relíquias, que nas igrejas achavam e escondiam-nas com as que podiamtrazer consigo, fugiam para terras menos cursadas deste inimigo, onde as escondiampondo-lhes letreiros e sinais, com que pudessem contar aos vindouros dos tesouros queali deixavam, remetendo à provodência divina a manifestação delas, como adverte Fr.António Brandão, cronista deste reino, liv. 11 da Mon. Lusit. Cap. 23, Estacio citado.Depois pelos anos de 920 chegou a estas partes de Portugal outro Abderamen, rei deCórdova, com grande poder, e pondo cerco à cidade do Porto (que então estavaassentada da bande de àquem onde hoje é gaia) a defendeu valorosamente o conde D.Erminigildo, até que foi socorrido de el-rei D. Ordonho II que desbaratou o tirano, e ofez voltar para onde viera com grande perda do exército e riquezas que deixou.Outro capitão de el-rei de Córdova, chamado Albiazar Iben Albucadan, entrou tambémpor estes reinos no ano de 936 pouco mais ou menos, sendo rei deles D. Ramiro II denome. O qual árabe rendeu a cidade do Porto e outras, em cujo castelo (que era o deGaia, de que ainda hoje há alguns sinais), ficou vivendo, até que el-rei Ramiro II com osseus o mataram na ocasião em que vinha tirar de seu poder a rainha sua mulher, comorefere Fr. Bernardo de Brito no liv. 7 da Mon. Lus. Cap. 21, e no ano de 975 entrou porPortugal o mouro Ahuraxis rei de Sevilha até Compostela, com tão grande poder quetudo assolou e acabou de destruir o que ficara em Portugal dos demais trabalhos,como conta Vasco tom. 1, Mon. Lus. Liv. 7 cap. 23, Estaco cap. 5 nº 2, ficando desta vezo vale de Arouca de tal maneira desbaratado, que por mais de 26 anos se não tornou apovoar da maneira que dantes estava, como diz Monarchia Lusitana citada, e nãoduvido passasse a mesma desventura em o Mosteiro de Grijó, que já estava fundado,visto estar pouco distante um do outro. Mais pelos anos de 982 entrou na Lusitânia ummouro por nome de Almançor, que quer dizer nunca vencido por respeito das muitasvitórias que alcançou, como adverte o padre Fr. Luiz dos Anjos no jardim das mulheresvirtuosas de Portugal, grande tirano e capitão de Córdova, o qual vindo com o conde D.Vella fez muitos estragos em muitas cidades de Portugal, que a este tempo estavamfora do jugo mahometano, entre as quais foi a cidade de Coimbra, ficando debaixo dopoder do bárbaro até à última vez que el-rei D. Fernando lha tirou no ano de 1064,donde o tirano se passou à cidade do Porto e de aí à de Braga deixando-as um montede pedras, e tornando-se a recolher pelas partes da Beira, deixando feito notáveisextorsões, e os portugueses que viviam desde o rio Douro até ao Algarve sujeitos aopoder dos mouros, como afirma Mon. Lus.Liv.7 cap. 25, tornando depois no ano de 997
  40. 40. 40este mesmo tirano a Portugal, onde se rebelaram algumas terras das que deixarasujeitas às suas armas, destruiu as que lhe fizeram resistência, nas quais entrouCoimbra que desbaratou com tão pouca piedade em 29 de Junho, que se não habitoude aí a sete anos, o mesmo fez a Montemor-o-Velho, Viseu, Lamego, Porto e Braga,não deixando em todas elas pedra sobre pedra, e passando a Galiza entrou no sagradotemplo do Apóstolo S. Thiago que roubou, mas não foi sem grande castigo seu, porquetornando-se foi tão grande a doença que lhe deu no exército, que lhe morreram muitossoldados junto destas partes do Douro, de que tomou ocasião o valoroso capitão condeFrojas Vermois, tronco da nobilíssima geração dos Pereira (de quem este condeprocede reconta o catálogo real de Hespanha fol. 42, brevemente) para lhe sair aoencontro com os Portugueses que pode ajuntar, e dando nos bárbaros antes de subir aserra de Manhouce os desbaratou, ficando muitos mortos, com o que foi forçado aocapitão Almançor deixar o caminho que levava, e tornar por Cambra a tomar ocaminho de Coimbra, mas o conde Frojas Vermois lhe tornou a sair ao vale que estájunto ao rio Cambra, onde fez tanta matança nos bárbaros, que chamando-se dantes oValle de Osse se ficou chamando Ossella (nome que hoje conserva, e pelo que ali estáfundado tomando o nome dos muitos ossos de mouros de que ficou semeado comonotou Monarchia Lus. L. 7 cap. 25, com que ficou o conde muito rico) por respeito dosmuitos e grandes despojos que os bárbaros deixaram, que tinham tomado nas cidades,igrejas e mosteiros, e juntamente com grande nome, por destruir um tirano tãopoderoso e tão insolente com tantas vitórias, o que não é pequeno louvor para a casada Feira, que dele procede em razão de Frojas. E com estas tiranias sabe-se de certoficou em pé e com religiosos o Mosteiro de Lorvão, que está junto de Coimbra; e o do S.Frutuoso, que é vizinho de Braga, e nos tempos antigos se chamava de S. Salvador,ambos estão de monges de S. Bento; e ainda dizem que a igreja que tem hoje estemosteiro é a que fez S. Frutuoso, como adverte a história eclesiástica dos arcebispos deBraga t. 1 cap. 42 nº 4, que é muito por santo a fundar no ano de 659, como afirmaGonzaga 3. P. fol. 947 (também o de Vacarissa, Monarchia Lusitana L. 11 cap. 2 ).Avassalada Hispanha dos Árabes deu Deus espírito ao infante D. Pelaio primo de el-reiD. Rodrigo, e da nação dos Godos, para que das Astúrias onde estava, desse princípio àrestauração destes reinos, a quem seguiram seus descendentes, dos quais seu genro D.Afonso, que ficou sendo o primeiro do nome, se opôs com tão grande peito ao inimigocomum de Cristo, que em poucos anos o deitou de entre Douro e Minho, tomando-lheBraga, Porto novo e velho, e a vila de Águeda e Viseu, que foi antes do ano de 757 porser este em que este rei morreu, com que mereceu o nome de católico. Bem assim quetornaram pelos tempos adiante algumas destas terras ao poder dos mouros, porquesabe-se que no ano de 840 estava por senhor de Gaia Mahamed Cid.Atauf, de ÁguedaAmolei Achim, de Viseu Tarif Iben Boges; e de Coimbra Alhamor; aos quais depois el-reiRamiro, primeiro do nome, avassalou; e como os cristãos eram ainda poucos, deixouficar o rei a estes mouros nas mesmas terras, mas por vassalos seus o que durou até aoano de 877 em que el-rei D. Affonso o Magno tirou a Coimbra do governo dos mouros,
  41. 41. 41e outras terras com que ficaram os cristãos que viviam em Coimbra, Terra da Feira,Porto e na maior parte de entre o Douro e Minho, qietos, na qual quietação durarampor alguns anos, e assim em 5 de Maio ano de 900 era conde do Porto Erminigildo deÁgueda, seu filho, Árias, como se pode ver numa doação que traz Fr. Bernardo de Britona Mon. Lus. Liv. 7 cap. 16 feita por el-rei D. Affonso o Magno: o qual D. Erminigildoainda era conde desta cidade no ano de 920 em que defendeu o cerco que el-rei deCórdova Abderramen lhe pôs, até que foi socorrido por el-rei D. Ordonho II como jádissemos, e posto que o reino de Portugal foi tão ocupado dos mouros, contudo muitosdos cristãos se ficaram em suas terras vivendo com eles na lei de Cristo, consentindo-lhes os mouros ter igrejas e fazer nelas suas cerimónias eclesiásticas, dando-lhes umcristão dos principais, que os governasse em casos que não fosse de morte, a quechamavam conde dos cristãos, e pelos anos de 770 havia em Coimbra este governo,que tinha um fidalgo descendente dos reis Godos, que se chamava Theodo, comorefere Fr. Bernardo de Brito Mon. Lus. Liv. 7 cap. 8, o que consentiram os mouros emordem aos tributos que os cristãos lhe pagavam, os quais se chamam muçarabes nomecorrupto do latino: mextiarabes, como advertiu Fr. António Brandão Mon. Lus. Liv. 10cap. 23. Em Lisboa também permaneceram os cristãos, e foram eles grande ajuda a el-rei D. Afonso Henriques, quando a tomou, como notou Mon. Lus. Liv. 11 cap. 29.Quando a Terra da Feira e a que estava desde o rio Minho até ao Mondego daquietação que ficou, … tendo com a expulsão do mouro Abdrramen, e o governo dosseus condes Erminigildo e Árias, e do rei D. Ordenço II que entrou no governo dePortugal no ano de 923. Como afirma a melhor opinião que segue o catálogo real deHespanha fol. 51 fundaram este Mosteiro de Grijó os dois irmãos Gustierres e Ausindo,que devia ser pouo antes do ano de 922, como deixámos assentado no cap. 4 destacuriosidade, sendo ainda rei Ordenço II e a rainha sua segunda mulher D. Aragonte,que tinha recebido no ano de 921 o qual rei morreu no ano de 923, como quer Silva noseu catálogo real fol. 51, ou, como dizem outros, no de 924, a que sucedeu seu irmão D.Truella, que morreu logo, e assim já no ano de 924 ou 925 era D. Afonso Monge rei, noqual ano governava as terras de entre Douro e Minho, porto e as da Feira, que já entãose chamavam Terras de S. Maria (Monarchia Lusitana, liv. 7 cap. 18 o conde D.Gutierres e Árias filho do conde D. Erminigildo que já era morto neste ano de 925)casado com D. Allara, e o conde Aufoufes casado com D. Thereja, Viseu com as terrasao redor, renunciou el-rei D. Afonso o Monge estes reinos no ano de 927 em seu irmãoD. Ramiro, II do nome, cujo governo não foi bem recebido dos Portugueses, e assim nãoconservou este reino na quietação com que lhe foi entregue, porque em seu tempopelos anos de 932 tinha já o governo do porto e castelo de gaia o mouro Alboazar, comque tornou esta Terra da Feira ao jugo e governo dos Árabes, ainda que depois foi estemouro morto no mesmo castelo de Gaia, e o próprio castelo arrasado, e a viladestruída pelos soldados deste Ramiro, na ocasião que vinha tirar do poder do mourosua primeira mulher a rainha D. Urraca, como conta Fr. Bernardo de Brito, Monarch.Lus., liv. 7 cap. 21, com que tornou esta terra ao governo cristão, continuou com o
  42. 42. 42governo de Portugal el-rei Ramiro até ao ano de 950. Repetindo as palavras de Job:«nu nascido ventre de minha mãe, e nu tornarei à terra» como adverte o catálogo realfol. 55. Sucedendo-lhe seu filho D. Ordenço, III do nome, cuja morte se antecipou demaneira que não reinou mais que cinco anos e sete meses, e lhe sucedeu no ano de 955seu irmão D. Sancho, que por ser doente foi excluído do reino, e levantado pelo rei D.Ordenço o mau filho de D. Afonso o Monge, mas depois tornou a entrar no reino D.Sancho o excluído, por já andar são, em cujo tempo entrou por estas partes o mouroAluxaris no ano de 975, nas quais fez grandes perdas, como já dissemos, as quais se acidade do porto as não sentiu, foi por já não ter neste tempo em que as experimentar.A cidade estava toda destruída, o castelo de Gaia todo posto por terras; morreu el-reiD. Sancho no ano de 967, e entrou seu filho D. Ramiro, III do nome, no qual tempoestava o governo desde o rio Minho até ao Mondego em poder dos senhores cristãos,dos quais havia neste reino um fidalgo muito ilustre por nome D. Gonçalo Moniz, quegovernava as terras de Portugal, e no ano de 972 tinha o governo de Braga e Terras deS. Maria, e outro, que se chamava Gudesto Moniz, as de Arouca, e posto que emCoimbra neste tempo havia muitos mouros, contudo não lhe faziam vexação alguma;tratavam e vendiam uns aos outros, e o governo era dos cristãos. Porém poucocontinuou esta cidade de Coimbra com esta liberdade, porque no ano de 982assenhoriou o mouro Almançor, quando entrou neste reino com o conde D. Villa, comojá dissemos; com que ficou outra vez debaixo do governo dos Mouros (Mon. Lus. Liv.7cap. 25) e estas Terras da Feira e todas as que estavam desde o rio Douro até aoAlgarve.Porém como nas maiores pressas Deus costuma acudir, pouco depois deste trabalho,no ano de 983 (como quer Fr. Bernardo de Brito na Mon. Lus. Liv. 7, cap. 23 e o condeD. Pedro, título 36, ou, como parece no catálogo dos bispos do porto 1ª parte cap. 15entre os anos de 982-985) entraram os Gascões pela foz do rio Douro com umapoderosa armada, cujo capitão era D. Moninho Viegas, que vinham com zelo da fédestruir os mouros, e como achassem o castelo de Gaia destruído, e a cidade do Portofeita um monte de pedras, fizeram novos muros onde hoje está a cidade do Porto, e aíse fortaleceram, donde faziam guerra aos mouros, que estavam de uma e outra partedo Douro, com que os cónegos que então habitassem o Mosteiro de Grijó (quandotempos tão calamitosos os consentissem ter) tomariam alentos por tornarem ver livresos seus vizinhos do poder dos mouros. Governava o reino de Portugal no ano que estesnovos conquistadores entraram no Porto el-rei D. Ramiro III, que morreu no ano de 982como parece bem a Silva no seu catálogo, ou como outros querem no ano de 985; ecomo não tivesse filho herdeiro de seus reinos, sucedeu-lhe D. Bermudo que morreu noano de 999, em cujo tempo tornou esta Terra da Feira a sentir a braveza e tirania domesmo tirano Almançor, quando tornou a entrar em todo Portugal no ano de 997,como reconta Silva no seu catálogo, deixando Coimbra assolada, como já acimatocámos. Morto D. Bermudo entrou por rei destes reinos seu filho D. Afonso V do nome,que, opondo-se aos mouros, fez tornar a habitar as terras de Arouca vizinhas deste
  43. 43. 43mosteiro, e tirou outras do poder dos bárbaros, até que estando vercando Viseu foimorto no ano de 1027, como quer a Mon. Lus. ou de 1028, como diz Silva, em cinco deMaio, de uma setada que lhe atirou um mouro, que depois o pagou bem. Entrou por reiseu filho D. Bermudo III, que morreu no ano de 1037 numa batalha que teve com seucunhado D. Fernando, infante de Navarra, que veio a ser rei de Castela, o qual selevantou por rei destes reinos de Portugal, e como por estes anos estavam os mouroscom o governo de Coimbra, era esta Terra da Feira a fronteira dos mouros. Foiventuroso este reino com el-rei D. Fernando por ele ser o que libertou muitas terras ecidades de Portugal do poder dos mouros, como foram as vilas de Ceia e Gouveia. Eletomou à força de armas no ano de 1038 a 28 de Junho a cidade de Viseu, a de Lamegoa 22 de Junho do mesmo ano e a de Coimbra no ano de 1064, depois de um porfiado elargo cerco, deixando primeiro destruída a Terra de santa Maria, como refere umadoação, que o próprio rei fez ao Mosteiro de Lorvão, depois de ganhada Coimbra, quetraz a Monarchia Lusitana liv. 7, cap. 28. Em a qual cidade deixou o rei por governadoro conde D. Sisnando e de outras terras que tinha tomado aos mouros, fazendo-o senhorde Coimbra, Viseu e Lamego, e das mais terras que estão entre o Douro e o Mondego,começando pelo Douro abaixo até ao mar, como se pode ver em Frei António Brandãona Mon. Lus. tom. 3, liv. 8, cap. 4º, o qual rei D. Fernando morreu no ano de 1067, diade S. João Evangelista, e na repartição que fez de seus reinos deixou o de Portugal aseu filho D. Garcia, que depois de o ter governado quatro anos foi vencido pelo irmãoD. Sancho II do nome (que por ser mais velho queria todos os reinos contra o que tinhaprometido e jurado a seu pai) em batalha dada junto de Santarém no fim do ano de1071. Com que ficou D. Sancho rei destes reinos, e Portugal incorporado com o deCastela, porém logo no ano seguinte do 1072, como uns querem, ou no ano de 1073,como parece a Silva fol. 70, foi morto atravessado el-rei D. Sancho, e sucedeu em todosos reinos de seu pai seu irmão segundo, D. Afonso, VI do nome, de Leão, e primeiro deCastela, que se chamou o da mão funda em razão de sua grande liberalidade, e nãopelo que se conta do chumbo, como alguns fabulosamente querem dizer. Ao qual foiposto o nome de imperador, e foi avô de el.rei D. Afonso Henriques. Continuava D.Sisnando com o governo que dantes tinha destas terras, que deixamos nomeadas, porlhe ter confirmado el-rei D. Afonso tudo o que seu pai D. Fernando lhe tinha dado, eassim tem para si Frei António Brandão citado, que a este fidalgo estavam sujeitosoutros que tinham o governo de algumas terras e cidades e castelos que estavam entreo Mondego e o Douro, e para que conste quais fidalgos fossem, é certo que no ano de1074 governava a cidade do Porto, Moninho Henriques, as Terras de Arouca, MemMoniz, e as Terras de Santa Maria, Egas Moniz, como se pode ver numa doação quetraz Frei Bernardo de Brito, Mon.Lus. Liv. 7, cap. 30, no ano de 1092 (em que consta serainda vivo o conde D. Sisnando) o mesmo governo tinham das terras de Arouca, MonioViegas, Odorio Telles e Álvaro Telles, os quais estão assinalados numa doação, feita aoMosteiro de Arouca por Frei Adffonso Confesso, que traz a Mon.Lus. liv. 7, cap. 30, e liv.8, cap. 5.
  44. 44. 44Sucedeu por morte de D. Sisnando no governo de Coimbra o conde Martim Moniz seugenro, casado com sua filha D. Elvira Sisnandes, o qual governo tinha em 30 deDezembro de 1092 e em 27 de Fevereiro do ano de 1093. Este governo se mudou nestemesmo ano de 1093, e devia ser com a vinda que el-rei D. Afonso VI fez a estas partes;o qual estava na cidade de Coimbra em 22 de Abril deste mesmo ano de 1093, comoconsta do foral, que à mesma cidade então deu, na qual cidade deixou por governadordela seu genro D. Raymundo, casado com D. Urraca sua filha legítima. Em a qualcidade o achamos no fim deste mesmo ano de 1093, que se intitulava conde e senhorde toda a Galiza, de cuja mão devia estar posto o Alcaide-Mor do castelo da Feita, queem 3 de Outubro deste ano de 1093 se chamava Flauncio, que foi o próprio dia e anoque este mosteiro se dedicou ao Salvador do mundo, e lhe fez o ilustre cavaleiro SoeiroFromarigues uma grande doação, o qual era um dos fidalgos que seguiam a corte doconde D. Raymundo, com outros do mesmo tempo que tinha na mesma cidade deCoimbra, os quais estão assinalados numa doação feita em 12 de Novembro de 1094 àSé da mesma cidade de Coimbra do Mosteiro da Vacariça, que se podem ver na Mon.Lus. liv. 8, cap. 5. No qual ano, em 10 de Agosto, tinha o governo das terras de Arouca,Martim Moniz, do qual lhe devia ter feito mercê el-rei D. Afonso, tanto que deu a seugenro D. Raymundo o governo de Coimbra, que teve com o governo deste reino dePortugal antes de nele entrar o conde D. Henrique, pai de el-rei D. Afonso Henriques,como adverte Frei Luiz dos Anjos, no Jardim das Sanctas Mulheres de Porugal nº 58. Oqual conde D. Henrique tomou posse deste reino no ano de 1090, como quer Silva noseu catálogo real de Hispanha fol. 73, verso, ou no ano de 1094, cuja memória se achaem 18 de Dezembro deste ano, sem que até este tempo tivesse governo algum nestereino de Portugal, como evidentemente mostra Fr. António Brandão, cronista-mórdeste reino, na Mon. Lus . , que compôs com tanta curiosidade, tom.3, liv.8, cap. 8, eeste foi o ano em que este reino se desmembrou dos outros reinos de Hispanha, comodiz Mon. Lus. Liv. 10, cap.6. Com tantas revoltas de guerra, tantas mudanças degoverno e tantas entradas de mouros e destruição de terras, cidades e povoações,mosteiros e igrejas, como sucederam desde o ano de 922, com que tenho para mim foieste mosteiro edificado por estas partes comarca, província e terras, que estão entre orio Douro e o Mondego, até à entrada que neste reino fez o ilustre conde D. Henriqueno ano de 1094, não é muito faltartem memórias do que neste mosteiro de Grijósucedeu por estes anos, máximo até ao de 1093, e posto que duvido haves por estesanos sempre religiosos neste mosteiro, tenho por certo não padecer naufrágio a igrejae mosteiro, por constar de uma carta de compra, que no seu arquivo está, a tercomprado Soeiro Fromarugues, ou a maior parte dela no ano de 1075 em 30 deJaneiro, como dissemos no cap. 2º, e da doação que este mesmo fidalgo fez no ano de1093 aos religiosos, ter junto de si muito boas casas para viverem. Teria este mosteiroe a igreja outro nome antes do ano de 1093, no qual, em três de Outubro, se lhe pôs ode S. Salvador, como a outros mosteiros sabemos se fez; o que hoje se chama de S.Frutuoso, em seu princípio se chamava de S. Salvador, e o mosteiro desta congregação,

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