Mosteiro de são pedro de pedroso

1.830 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.830
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1.283
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
6
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Mosteiro de são pedro de pedroso

  1. 1. CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE PAÇOSDE BRANDÃO Mosteiro de são pedro de pedrosoPor: CARLOS VARELAO Mosteiro de São Pedro de Pedroso, fica situado na freguesia e Vila dePedroso, interior Sul do Concelho de Vila Nova de Gaia, que tem o seunome com origem no Castro do Monte Murado / Castrus Petrosos, ano de7 D.C., hoje denominado Senhora da Saúde. Era um povoado castrejohabitado pelos Trudelos Velhos, e era servido pela Via Romana, que ligavaOlissipo a Bracara Augusta.A fundação do Mosteiro é de difícil atribuição, contudo, parece que foidoado por D. Gondezindo e fundado, segundo Frei Luis de S. Tomaz, noano de 897. Era um mosteiro masculino, e pertencia à Ordem de SãoBento. A primeira menção documentada, data de 1406. Eferonio Alvites,segundo as observâncias monásticas peninsulares, atribui o início do
  2. 2. século XI, como data provável da sua fundação. Cerca de 1115 – 1120,adoptou a Regra de São Bento e das observâncias de Cluny.Pedroso foi Couto e teve foral, concedido por D. Afonso, por carta de 3 deAgosto de 1128. A influência do Mosteiro, estendia-se por vasta área (37freguesias), desde Vila Nova de gais, Santa Maria da Feira, termo deAveiro, Vouga, Concelho de Lafões, Santa Eulália de Vila Maior, (Concelhode Pereira Jusã). Possuía ainda direito de representação em 11 igrejas. Em1547, o mosteiro tinha um terço do padroado da igreja de Milheirós dePoiares, no termo de Vila da Feira.Desde os princípios do séc. XV até 1560, foi governado por abadescomendatários, sendo o último o Cardeal D. Henrique, que anexou asrendas ao Colégio de Jesus de Coimbra. A comunidade beneditinamanteve-se até à morte do último monge, ocorrida em vida de Frei Leãode São Tomás, segundo testemunho próprio.
  3. 3. Até 1773, o Colégio de Jesus de Coimbra manteve religiosos no mosteiroencarregados da administração das rendas e do serviço paroquial até àsua extinção nesse ano. Os bens foram entregues à Fazenda daUniversidade de Coimbra.O MOSTEIRO DE SÃO PEDRO DE PEDROSO – EM – “BENEDICTINALUSITANA – TRATADO I.” – Por: Frei Leão de São Tomás CAPITVLO VIII Do Mosteyro de S. Pedro de Pedroso do Bispado do PortoDe Soalhães caminhemos atê a Cidade do Porto, & passemos o Douro, hum dosmayores rios de Hespanha, que abaixo da dita Cidade huma vé morrer no Mar Oceano,depois de ter caminhado 120 legoas da fonte, em que nasce em o pico de huma serrachamada Orbico, nos confins quasi de Castella, & Aragão pêra a parte de Soria, & 5legoas acima de Garray, aonde se vê ainda ruínas de antigua, & famosa Cidade deNumãtia terror, & eí pato da soberba Romana, pois 14 annos, ou mais se defendeo de 6Cõsules desbaratãdo seus exércitos poderosos, & por fim de rezões quãdo osNumatinos virão que morrião à fome, elles próprios se matarão huns soa outros, &puzerão fogo à Cidade, & não teue Scipião Africano hum só viuo de que podessetrumphar. Durius amnis (disse Plinio) e ex maximis Hispaniae ortus in Pelendonibus, &iuxta Numantium &c.Passando pois o rio Douro, & caminhado pella estrada real, que vai do porto pêraCoimbra, têdo andado 2 legoas, acharemos á vista della pêra a parte do nascente oMosteyro de S. Pedro de Pedroso, do qual diz o Catalogo dos Bispos do Porto pag. 380.O Mosteyro de S. Pedro de Pedroso foy dos Padres de S. Bento, fundação de D. MininhaFroias, filha do Cõde D. Froias Vermoiz, bisneta do Cõde D. Monido, o I dos Pereiras: jazahi enterradada, como escreue o Conde Dom Pedro tit. 7 cap.3,§ 2. O Conde D. Pedrono dito lugar diz que o Conde Dom Froyas Vermois foy casado com D. Sanmcha, & quedella teve D. Rodrigo Froias de Trastamara (que foy casado com D. Moninha Gonçalves,filha de D. Gonçalo Mendes da Maya o lidador,) & entre outros filhos teue tambémduas filhas, das quais huma ouue nome D. Iusninha Froias, que fés o Mosteyro dePedroso, & outra se chamou D. Guixneya, que fez o Mosteyro de S. Martinho Iunca, &jas a hi.Mas ainda que concedamos, que aquela Senhora Irmã de D. Rodrigo Froias, chamadaMininha, ou Iusninha edificou algum Mosteyro chamado Pedroso, não se segue quefosse este nosso de Portugal; porque podia ser outro fundado em Castella, ou Galliza,ou por ventura sete nosso reedificado, mas não fundado a primeira vez de nouo. A
  4. 4. rezão, que a isto me mous he, que os filhos do Conde D. Froias Vermoiz, como forãoDom Rodrigo, Dom Pedro, Dona Mininha, & outros, o mais sedo que podião começar aflorecer seria em tempo de el Rey Dom Fernando o Magno, que começou a reynar noanno de mil & vinta noue, ou de 32 pouco mais ou menos, & em tempo de seu filho D.Gracia Rey de Galliza, & Portugal, cujo vassalo foy o famoso D. Rodrigo Froias, quemorreu junto a Santarem na baralha, que teue al Rey D. Gracia com seu irmão D.Sancho Rey de Castella, pellos annos de Christo mil & setenta & hum. E por este mês notempo deuião de viuer as Irmãs do mesmo D. Rodrigo, que o Conde Dom Pedro fazfundadoras dos Mosteyros sobreditos.Daqui se colhe que o nosso Mosteyro de Pedroso fundado duas legoas do Porto nãopodia ser edificado por Dona Mininha irmã de Dom Rodrigo Froias, pois temos escrituramuyto mais antiga, cuja data he na era de 935 que vem a ser anno de Christo 897, naqual se faz menção do Mosteyro, poronde já naquelle tempo estaua fundado. Aescritura, que digo deuemos ao nosso Padre Fr. Bernardo de Braga, que fielmente atresladou do seu original, que se conserua no dito Mosteyro, & por via de hum Padre daCompanhia de ISEV morador no Collegio de Coimbra, de quem hoje he o dito Mosteyro,tiue o mesmo tralado (am da que com o Latim bárbaro daquelle tempo).Nota:Optou-se por se publicar apenas a “Explicação da Escritura de Dom Gonsesindo”, umavez que a transcrição da referida “Escrutura” em «latim bárbaro», como refere FreiLeão de São Tomás, se torna desnecessária, para os assuntos versados nestes“Apontamentos”. § I Explicação da Escritura de Dom GondesindoEste era o latim daquelles tempos antigos. A substantia delle em nosso Portuguez vema dizer que Dom Gondesindo filho, que foy de Heronio auo materno do nosso S.Rosendo, & de Adosinda sua mulher, foy casado com huma senhora chamadaEnderquina, por sobrenome Palla filha do Duque, ou Capitão Mendo Guetterres, & desua molher Dona Ermisenda, aqul Enderquina era irmã inreyra da Rainha Dona Eluira,ou Eruila molher del Rey de Leam, Portugal, & Galiza D. Ordonho segundo deste nome,& mãy do Principe Dom Ramiro, que depois foy Rey segundo entre os Ramiros. Demaneyra que o Duque D. Mendo Gutterres era sogro del Rey Dom Ordonho, & DomGondesindo cunhado da Rainha Dona Eluira. Estes senhores tão illustres tiuerão humfilho chamado Suario, & três filhas cujos nomes forão Ermisenda, Adosinda, & Froyla, aqual Froyla nasceu com algum aleyjão corporal, ou como outros querem, não teue seujuízo perfeyto, exp’licando assim aquellas palauras (Et illa Froyla fuit: cum infirmitatenata in nostropeccato, quia non est pró integrato sedere, &c.). E desta imperfeyção,com que a filha nasceu, tomarão estes senhores motiuo pêra offerecer a Deos o quinto
  5. 5. de sua fazenda, & fazerem alguns Mosteyros nas terras, que possuião entre os riosDouro, & Bouga, & entre o Douro, & Tamega. O primeyro, que nomeão he hum de S.Miguel o Anjo fundado no lugar de Azevedo de entre o Douro, & Bouga, outro no lugarde Sanganhedo dedicado a São Christouão, no qual lugar dizem que estava edificado aIgreja de S. Eulalia de tempos mais antigos. E fizerão doação ao Mosteyro de S. Miguelde Azevedo de ametade da Villa de Focinos, & de toda a Villa inteyra de Azevedo,aondeo Mosteyro de S. Miguel estaua fundado.Derão mais ao Mosteyro de S. Pedro de Pedroso a mesma Villa de Sanguedo inteyraporseus ter minosantigos, & a Villa de Adreriz, aqual ouuerão de hum Mouro Abdelga.Estes foram os Mosteyros, que edificarão entre os rios Douro, & Bouga. Outrosfnjdàrão entre o Douro, & Tamega, hum delles se chamou de S. Pedro nolugarchamado Dide, ao qual derão o mesmo lugar inteyro, & outro chamado Salzeto; &outros que vay nomeando, de que não temos memoria alguma. Todos estes Mosteyrosdiz que entregarão ao Abbade Dom Desterigo, & á Abbadeça Dona Giluira, debayxo decujo emparo auia de fiquarsua filha Dona Froyla, pêra cujo seriuçolhe deyxou cemseruos, entre homens, & molheres, pêra a seruirem em quanto fosse viua, & que depoisde sua morte fiquassem liures, & forros.E dspois disto acrescenta Dom Gondesindo, que morreu sua companheyra DonaEnderquina, & que fez partilhas com suas filhas, Ermesenda, Adosinda, & Froyla,declarando que Adosinda casara com Ansur sem sua licença. A família dos Ansuresdaquelles tempos era das mais illustres, por ser muy chegada ao sangue Real, de Leão.Morreu Ansur, & ficou Adosinda viuua, & sem filhos, que delle tiuesse, & fez umMosteyro no lugar chamado S. Marinha, do qual lhe fez doação; & outras herdades,que couberão à sua parte, fez também doação dellas ao Mosteyro de Sanhuedo pornome D. Pedro de Pedroso, & ao de S. Eulalia, que no mesmo lugar estaua fundado, &ainda hoje S. Eulalia de Sanguedo he Abbadia secular, que rende cento & vinte mil reis,como diz o Cathalago dos Bispos do Porto pag. 380. Deu mais a dita Adosinda aoMosteyro de Pedroso a quarta parte do lugar de Quiayos junto á Villa de Buarcos, &ametade da Igreja de S. Mamede fundada nas ribeyras do rio Bougaços lugares deSeueril, Esmoriz, & Bigas.Conclue Gondesindo seu testamento, dizendo que deyxa ao Mosteyro de Pedroso oMosteyro da Labra, aonde estauão Reliquias de Martyres, com o Sagrado Lenho daCruz de Christo, & outras Igrejas, como são a de S. Eulalia de Gonderiz, a Igreja de S.Martinho de Vallongo, & outra Igreja de S. Pedro de Kaufo, Igrejas quevierão à parte desua filha Froyla, & de tudo faziáo doação ao Moateyro de S. Pedro de Pedroso, & aosReligiosos & Religiosas, que ahi habitauão, & que Deos pello tempo adiante trouxesseao mesmo Mosteyro, & perseucrassem em vida santa, & que tudo isto entregaua aodito Abbade Dom Desterigo, pêra que gouernasse todos aquelles Mosteyros, comocurador de sua filha Dona Froyla, que auia de estar em poder d’Abbadeça Dona Eluira,
  6. 6. encommendandolhe que tiuessem os ditos Mosteyros bem reparados, & que seussucessores não podessem vender, dar, nem testar alguma cousa das sobreditas, de quelhe fazia doação sobpena de serem excomungados, & malditos, condemnados cõ Iudastraidor, &c. Foy feyto este testamento, ou doação a vinte & sinquo de Feuereyo da era935 que vinha a ser anno de Christo 897. Este D. Godesindo foy tio do nosso S. Rosendoirmão de sua mãy Ilduara, & quando Gonsesindo fez esta doação ainda o santo não eranascido, porque nasceo no anno 907, por onde não he o Rosendo Diacono que asina adoação. §Della se colhe primeyramente, que o Mosteyro de S. Pedro de Pedroso não foy fundadopor aquella senhora Dona Mininha irmã de Dom Rodrigo Froias, pois nesta doaçãofeyta tantos annos d’antes, que a dita Dona Mininha florecese, se acha feyta mençãodo Mosteyro de S. Pedro de Pedroso. E do Capitulo seguinte constara, que foy Pedrosodotado por D. Tello Gutterres trinta annos antes que D. Gondesindo lhe fizesse àsobredita sua doação, sinal he logo, que já antes della, o Mosteyro de Pedroso existia.Mais era huma escritura do tempo del Rey D. Ioão o I, que faz a el Rey D. AffonsoHenriques fundador de Pedroso. Verdade he que o encoutou por 700 liuras, que oMosteyro lhe deu (como diz huma escritura feyra na era de 1166 que he anno deChristo 1128 aqual mecommunicou hum Religioso da Companhia de ISEV com outraque logo faremos menção).Colhese em segundo lugar, que este Mosteyro de Pedroso foy duplex (como mstrãoaquellas palauras, ad Frates, & Sorores, quae ibi sunt habitantes, &c.). E confirmassecom huma escritura da era de 1340, que he anno de Christo 1302 na qual se diz queduas Freyras do Mosteyro de Semide sito no Bispado de Coimbra, se sairão do ditoMosteyro com authoridade do Papa (que deuia ser Bonifacio VIII) & vierão viuerdebayxo da obediência do Abbade de Pedroso, que lhe constituhio reçoens, & ellasderão ao Mosteyro certos casaes na terra da Feyra, que oje pertencem ao Mosteyto deVilla Coua, do qual trataremos logo no Capitulo X. Dõde alguns conjecturão que àsFreyras de Pedroso, se passarão ao Mosteyrode Villa Coua.Da religião deste insigne Mosteyro de Pedroso, & da Obseruancia da S. Regra nãotemos outra proua mais que aquella, que nos mostra o liuro das Collaçoens, oupraticas, que os Abbades delle fasráo a seus Monges, porque dellas se colheclaramente, a santidade, & Religião, que no dito Mosteyro florecia. Podese ver a queapontamos no primeyro tomo, tratando do Mosteyro de S. Maria de Miranda, & a quefez o Abbade Dom Pelayo na era de 994 que he vndecima entre as mais; diz assim,Fulcite vos floribus, stipate vos malis, respiciet enim Deus, & Sanctissimus Paternoster Benedictus super domum istam suam, qua ab initio antiquitús fiorens cunstota Ecclesia Regni huius reflorere c.epit. Querem dizer em nossa lingoagem.
  7. 7. Ornayuos hirmãos de flores, cercayuos de pomos (de virtude entende, & graças) porqueDeos, & o nosso Sanctissimo Patriarcha S. Bento porá os olhos nesta sua casa, queflorecendo antigamente desde seu principio em santidade, & Religião, começou areflorecer com toda a Igreja deste Reyno.Donde o nosso Padre Fr. Ioãp do Apocalypse tomou motiuo pêra cõjecturar que esteMosteyro de Pedroso foy edificado a primeyra vês antes da destruição de Hespanha.Porque do tempo, em que Dom Gondesindo fez a sobredita doação á Pedroso atê otempo, em que o Abbade Dom Pelayo fez a sua collação a seu Mõges, não ouue maisque sincoenta & noue annos, porque foy feyta na era de 994 & Dom Gindesindo fazmenção do Mosteyro de Pedroso na era de 935. E parece que sincoenta, & tantosannos não he espaço de tempo bastante pêra se dizer que florecendo a casa dePedroso antigamente desde seu pricipio começaua a reflorecer com as Igrejas doReyno, & pêra se verificar aquella clausula, qae ab initio antiquitus florens totaEcclesia Regni huius reflorere c.epit. E accrescento eu, que nesta escritura de DomGondesindo, ainda que se faz menção do muyto, que doou ao Mosteyro de Pedroso,não se diz expressamente, que elle o fundasse. Mas isto sirua só de conjectura, & nãode proua bastante.Perseurou este Mosteyro de Pedroso pello menos seiscentos, & tantos annos naReligião do Patriarchà S. Bento de bayxo de sua S. Regra. Com o fauor do Cardeal DomHenrique, irmão del Rey Dom Ioão terceyro, & Administrador ou Commendatario desteMosteyro se extinguiu, & deu à Sagrada Religião da Companhia de IESVS, vnindo hojeao seu Collegio de Coimbra. Em nosos tempos vuia o vltimo Monge deste Mosteyro,chamado Fr. Aleyxo; E o Mosteyro próprio, (ainda que nos braços da Companhia) setem por só, vendosesem seus Monges anrigos, como diz o disthico seguinte. En Petrus Monachis sociatus tempore longo Quomodo nùne solus, cum socialis, adeftè.

×