Diário de bordo

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Diário de bordo

  1. 1. PROFESSORA MADALENA A BORDODivulgação da minha participação, como "professora a bordo", na CampanhaEMEPC/M@rBis/SELVAGENS 2010, 1 a 17 de JunhoDia 1 À chegada, sou apanhada de surpresa: viajar numa caravela nunca me passou pelacabeça, nem sequer sabia que ainda navegavam…e assim, embarco nesta aventura. Sob um calor abrasador fazemos os preparativos para partir. Já está tudo pronto. Nabreve reunião o imediato explica o papel de cada um a bordo e a responsabilidade quelhe cabe na navegação. Também nos informam do sistema de separação do lixo. Anossa, é uma embarcação ecológica! Partimos ao cair da tarde. Com a Mónica, o Nelson e o João Baracho (chefe do Q1)tomo posição à proa. O vento sopra forte: abrir pano! Pela primeira vez ocupo o meu lugar na 1ªcarregadeira a contar da proa, a estibordo. A nossa caravela quinhentista – Vera Cruz Depois de cumpridas todas as tarefas podemos apreciar a paisagem e vemos pela“primeira vez”, Ponte 25 de Abril, Torre de Belém … e depois o mar. Mas já anoiteceue é hora de jantar, todos se sentam à volta da grande mesa e temos tempo paraconversarmos e nos conhecermos. A grande Lua vermelha não ofusca as estrelas, visíveis em grande número. O quartocomeçou às 5h e o amanhecer encontra-me ao leme, na tarefa mais difícil de todas asque me cabem. A iluminação a bombordo indica-nos a presença de terra, que aindanos irá acompanhar por algum tempo.
  2. 2. Dia 2 De manhã avistamos o promontório de Sagres. Tiro umas fotografias e faço umaúltima chamada para terra. A partir daqui estamos por nossa conta. O promontório de Sagres O balancé continua, bombordo, estibordo. O Sol prometido não aparece. Aparece ovento! Abrir pano, de novo. Depois de um excelente jantar vamos logo dormir. O quarto começa às 2h e épreciso descansar até lá. Os que terminam o quarto acordam-nos e nós vestimo-nos,rapidamente, mas a rigor: camisola polar, gorro, corta-vento, luvas (e colete salva-vidas), porque as noites são muito frias e estamos ao ar livre. O quarto decorrecalmamente, só há alguma actividade quando nos cruzamos com outro navio. Dormirde novo até à hora de levantar, às 7h30. O pequeno almoço está na mesa às 8h e nãoquero falhar.
  3. 3. Dia 3 Só mar. Só vento. Só azul. Quem tem tempo livre instala-se na proa e desfruta do sol, do mar e do ar puro. O acontecimento do dia são os golfinhos. Muitos. Acompanham-nos por momentos.A Catarina não perde a oportunidade e regista estas imagens. Os golfinhos. Foto da Catarina O quarto hoje começa ao meio dia e por isso temos de pôr a mesa e lavar a louça.Enquanto isso, Adriana Calcanhoto ecoa no convés: “… Ah, se eu fosse marinheiroera eu quem tinha partidomas meu coração ligeironão se teria partidoOu se partisse colavacom cola de maresia…” A maresia e a cor do mar que está em todo lado, o (verdadeiro) azul marinho que temmuitas nuances, mais claro, mais escuro, mais transparente ou menos, mais ou menosbrilhante, mas sempre muito, muito azul. Um azul profundo, intenso e brilhante comoum cristal. Todos tentam registar esta cor espantosa e conservá-la na memória, (quemsabe se alguma vez voltaremos a navegar…) mas a fotografia não lhe faz justiça.
  4. 4. Mais uma tentativa de registar a cor do mar De repente, avistamos uma baleia a bombordo, infelizmente ninguém tem umamáquina e não dá tempo para a ir buscar. Ela afasta-se e já só vemos um chuveirointermitente, qual géiser em pleno oceano!Depois do jantar temos sessão de astronomia: avistamos Marte, a Ursa maior, aEstrela polar, … e ensaiamos a navegação pelas estrelas. Do céu desviamos os olhospara o mar onde as noctilucas* acendem milhares de estrelas.* Noctiluca é um género de dinoflagelados bioluminescentes em que a emissão de luzé ativada pelo movimento e portanto as nossas noites foram sempre acompanhadaspor um rasto luminoso.Dia 4 Pelas 10h o Sol já brilha intensamente. Uma tartaruga cruza-se connosco.Terminamos rapidamente as tarefas e vamos para o nosso sítio preferido: a proa, deonde abarcamos todo o horizonte, o céu e o mar unidos pelo azul que o sol clareia acada instante. Aula de cartografia náutica. Com mapas e esquadros o chefe de quarto explica-noscomo se determinam com precisão as coordenadas que indicam o nosso caminho.O sino chama para o almoço. Todos se apressam a sentar-se à mesa. Os que estãode quarto revezam-se ao leme para todos poderem almoçar.Depois de almoço dedicamo-nos a pequenas tarefas de manutenção. O sino fica abrilhar e os outros dourados também refulgem como puro ouro.
  5. 5. O sino da caravela Foto de João Baracho Monta-se a cana de pesca, mas não temos sorte.Porto Santo está próximo. Depois de vários dias com o mar como único horizonte, aperspectiva de avistar terra é emocionante. Fazem-se contas para saber quem vaiestar de quarto quando avistarmos terra pela primeira vez. Partir é bom, mas chegar émelhor.Dia 5 O quarto começa às 5h de uma manhã escura e friorenta. Logo nos apercebemos doclarão intermitente do farol de Porto Santo. Olhares atentos perscrutam o horizontecinzento até que, de repente, lá está: a ilha materializa-se perante os meus olhos, é sóum perfil, longo e irregular, mais escuro do que o céu, mas está lá! Sinto-me como osmarinheiros do século XV quando a avistaram pela primeira vez, sob o comando deJoão Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira. Ao longe, Porto Santo
  6. 6. Quando nos aproximamos podemos ver o tom castanho dourado da vegetação,revelando um clima árido. As pessoas no cais olham-nos, curiosas, também nãoparecem estar familiarizadas com caravelas. Depois da acostagem, a refeição junta, pela primeira vez, todos à mesa ao mesmotempo. A visita à cidade ocupa-nos a tarde. A praia, lindíssima, estende-se pela costa Sul,numa baía azul e verde. A espectacular praia de Porto Santo Ao jantar ficamos a conhecer o interior da ilha, onde o dourado só é interrompido peloverde de alguma árvore ou o branco das casas.Dia 6 Depois de uma noite mais longa do que o habitual, (estando o navio atracado, nãofazemos quartos noturnos), acordamos com o tilintar de pratos e canecas. O chefe doQ1 acorda os retardatários com um carinhoso “meninos”!Hora de partir - faina geral: todos aos seus postos. Depois de largarmos há que içar asvergas. Com o trabalho sincronizado de todos e comandados pelo imediato,rapidamente terminamos a tarefa e rumamos à Madeira que mal se vislumbra, pelaproa, num matinal novelo de nuvens. Mais ao lado, as misteriosas Desertas. Coberta por uma densa floresta verde, a Madeira é muito diferente do Porto Santo.Como viajamos de norte, contornamos grande parte da ilha até alcançarmos oFunchal, mas aqui o verde deu lugar a muitas cores, já que o casario trepou encostaacima e em alguns locais já quase atingiu o topo. No que já se tornou uma rotina, a manobra de acostagem exige a colaboração detodos. Quando chegamos o navio oceanográfico NRP Gago Coutinho já está atracadoà nossa frente.
  7. 7. O porto situa-se em frente ao Funchal e à noite deslumbramo-nos com o mar de luzesque pontilha toda a encosta. A cidade do Funchal vista do porto, à noiteDia 7 O dia amanhece soalheiro, mas as nuvens cedo fazem a sua aparição. Apesar dissoo tempo está quente e agradável. A manhã é dedicada ao reabastecimento e à visita àlavandaria da marina, já que ainda temos muitos dias de navegação pela frente. Em seguida, vamos ao Gago Coutinho para ver o Rov Luso – robot capaz de operar agrandes profundidades. Ouvimos as explicações sobre o seu funcionamento e ficamosa saber que pode recolher todo o tipo de amostras e captar imagens com altadefinição. A estrela da expedição: o rov luso
  8. 8. De tarde, os que vão desembarcar visitam a cidade. Eu permaneço a bordo. Chega o NTM Creoula. À noite reunimo-nos num jantar muito animado, de reencontrode todos aqueles que viajaram em navios diferentes. Todos estão ansiosos por partir einiciar a investigação.Dia 8 Grande agitação no convés: a bagagem dos que partem, a bagagem dos quechegam, os que chegam, os que partem, os que permanecem… na confusão, partemas malas dos que chegam, mas com um telefonema lá as recuperamos. Afinal ostelemóveis têm alguma utilidade. As formalidades que dão início à expedição incluem um almoço servido no cais, a quetodos comparecemos. Durante este convívio conheço os recém-chegados, entre osquais estão duas professoras, Beatriz e Carla que me vão acompanhar durante o restoda viagem. No fim de almoço vamos à cidade assistir à sessão solene de inauguraçãoda expedição. Uma linda praça no Funchal Quando regressamos a bordo, ao fim da tarde, há mais uma reunião, para os novosembarcados, voltam as explicações da rotina a bordo e os termos estranhos:carregadeira, orça, arriar a mezena, abrir pano… No fim de jantar partimos para Sul,em direcção às Selvagens: Selvagem Grande e Selvagem Pequena.Dia 9 No início da manhã o vento sopra favorável, e progredimos rapidamente. Uma chuvamiudinha acompanha-nos, assim como o mar que entra e sai do convés como de suacasa. No fim do almoço o Sol aparece e o mar, agitado, exibe de novo aquela fantásticacor,” …todo de lapis lazúli e coral…”. A tarde decorre calma, trava-se conhecimentocom os novos embarcadiços que se integram com facilidade. À conversa, ficamos a
  9. 9. conhecer-nos melhor e a saber o que cada um faz. Com as instruções pacientes dochefe do Q1, lá nos iniciamos na difícil arte de fazer nós, primeiro volta de fiel e depoislais de guia. O Creoula e o Gago Coutinho já nos passaram. Seguimos atrás, à velocidade de 4nós, a este ritmo chegaremos dentro de 10 horas.Como o céu está limpo passo muito tempo a admirar as estrelas; a pouca luz artificialoferece-nos este espectáculo a que os citadinos, como eu, raramente podem assistir.Dia 10Por volta das sete acordo e estranho o silêncio. Subo ao convés e a primeira coisaque vejo, em frente, é a Selvagem Pequena, onde se destaca uma pequena elevação– Pico do veado.Do lado esquerdo, o Ilhéu de Fora. Estão todos a tirar fotografias. Corro a buscar amáquina e junto-me a eles. Explicam-nos que algumas aves - os calcamares, fazem oninho no chão e por isso só podemos circular na ilha pelos trilhos autorizados. fotosTudo muito sereno e pacífico. O único ruído é o da ondulação.Do lado esquerdo, o Ilhéu de Fora. Estão todos a tirar fotografias. Corro a buscar amáquina e junto-me a eles. Explicam-nos que algumas aves - os calcamares, fazem oninho no chão e por isso só podemos circular na ilha pelos trilhos autorizados. fotosTudo muito sereno e pacífico. O único ruído é o da ondulação. O Pico do Veado é o ponto mais alto da ilha. Depois do pequeno almoço, começa a actividade, uns partem para a ilha, outroscomeçam logo a mergulhar. Os fatos usados nos mergulhos são postos a secar ao fimdo dia, conferindo ao convés um aspeto peculiar que se vai repetir durante toda aestadia.
  10. 10. Dia 11 Primeiro dia em terra. Desembarcamos numa pequena praia de areia branca e preta,que é o quartel-general da expedição na ilha. À chegada, por volta das 10h,encontramos reunida a equipa responsável pelo estudo da zona entre-marés eparticipamos desde logo. A reunião é na cabana dos vigilantes, a única construçãoexistente. A Selvagem Pequena faz parte do Parque Natural da Madeira e tem doisvigilantes da Natureza que velam pela sua conservação. O trilho leva do acampamento à cabana dos vigilantes. Foto de Beatriz Oliveira O início das actividades no setor 1 (norte) é marcado, de acordo com a maré, para as17h15. Depois de almoçarmos, a bordo, regressamos e dirigimo-nos ao localcombinado. Este é o mais distante e de mais difícil acesso. Primeiro, o trilho leva-nosda enseada à casa. Depois desta, continuamos até à bifurcação que dá para o Pico doVeado, e para o outro lado da ilha, por onde seguimos. A certa altura deixa de havertrilho: subimos e descemos rochas, enfrentamos as ondas e o piso escorregadio,(coberto pela alga Padina pavonica), até alcançarmos o setor norte. No local recebemos mais algumas indicações (nunca voltar as costas ao mar e usarcalçado adequado) e iniciamos o trabalho de amostragem. Recolhem-se, registam-see etiquetam-se grande diversidade de moluscos, algas, peixes, caranguejos. A marébaixa é breve e o trabalho moroso, quando terminamos já é tarde e o mar ameaçacortar-nos a retirada. À noite estamos muito cansados e é bom ir dormir. Mas por pouco tempo, às 3hcomeça mais um quarto.Dia 12 Dia dedicado à triagem do material recolhido no dia anterior. Vários grupos começama trabalhar. Cada um deles separa e etiqueta os organismos recolhidos de modo apoderem ser conservados. Os que podem ser imediatamente identificados são logoregistados com o respectivo nome científico, os outros serão identificadosposteriormente, no laboratório. O meu trabalho consiste em colaborar na realização deum algário.
  11. 11. Durante a pausa de almoço nadamos um pouco e fazemos um piquenique na praia.Antes de recomeçar o trabalho damos um passeio pela ilha. Vamos ao Pico do Veado,onde se encontram alguns ninhos de cagarras. A nossa presença não perturba a cagarra. Foto de Beatriz Oliveira Continuamos a nossa exploração, sem nunca abandonar os trilhos, e fotografamosalguns exemplares da fauna terrestre da ilha, as lagartixas, e uma grande diversidadeda flora local constituída por vegetação rasteira. A dificuldade em ver a lagartixa deve-se à sua excelente camuflagem Foto de Beatriz Oliveira
  12. 12. Vera Cruz e Creoula Foto de Beatriz Oliveira Depois da caminhada continuamos o trabalho, até nos virem buscar.À noite, quando subo ao convés deparo com mais uma noite maravilhosamenteestrelada. O tempo passa rapidamente na identificação de estrelas, constelações eainda conseguimos ver Marte e Júpiter.Dia 13 De novo amostragem, agora no sector 2 – sul. A amostragem na zona entre-marés.
  13. 13. A atividade começa cedo, temos de aproveitar a maré baixa. Há uma grandeextensão de rocha a descoberto, onde é visível grande variedade de seres vivos –paguros (casa-alugada), moluscos (univalves), anémonas, esponjas, estrelas do mar. Quadrado de amostragem Debaixo das pedras há todo um mundo a descobrir, por exemplo o temível verme defogo, que deve o seu nome ao ardor intenso que provoca nos distraídos que lhetocam. Também descobrimos um lindíssimo cavaco. Verme de fogo: se o virem, não lhe toquem
  14. 14. Aqui está o cavaco. Também lhe chamam “lagosta de pedra” Pelo caminho ainda há tempo para perceber a geologia destas ilhas – rochasvulcânicas escuras, em parte cobertas por sedimentos que evidenciam a erosão a queestão submetidas. A origem vulcânica da ilha é bem visível
  15. 15. De volta à praia aproveitamos ao máximo o intervalo de almoço: banho, piquenique eum curto descanso. De tarde procede-se à triagem dos organismos recolhidos. Durante todo o dia somosacompanhados por dois jornalistas da Sic, que recolhem imagens e depoimentos parauma reportagem a transmitir mais tarde.Dia 14 O dia começa com um contratempo; o motor do semi-rígido avariou e foi necessáriorepará-lo, por isso chegamos um pouco mais tarde. Depois do ritual da hora dealmoço, começamos a triagem. O trabalho de triagem Foto de Beatriz Oliveira Munidos de frascos e frasquinhos, etiquetas, fichas de registo, pinças, água salgada emais um sem número de outras coisas, lá continuamos a registar minuciosamente osorganismos recolhidos de manhã, desta vez ocupo-me a identificar, registar econservar moluscos. O trabalho progride lentamente, pois há muitos organismos ainventariar. Trabalhamos sentados na areia, em pequenos grupos, protegidos porcoloridos guarda-sóis, disfrutando de uma paisagem deslumbrante. O nosso local de trabalho Foto de Beatriz Oliveira
  16. 16. Quando nos vêm buscar, ao fim da tarde, ficamos a saber que o motor do bote tinhaavariado mais uma vez e que estivemos em risco de ter de pernoitar na ilha.Dia 15 Hoje é dia de fazer a limpeza das praias. Inacreditavelmente, esta ilha deserta temmuito lixo, trazido pelo mar. Encontra-se de tudo: garrafas de plástico, sapatos,cotonetes, e algo de que já não me recordava – tazos – brindes de plástico para ascrianças, distribuídos nos anos noventa, e que aqui aportaram vindos sabe-se lá deonde, resíduos de uma civilização distante. Lixo no paraíso! Foto de Beatriz OliveiraNo fim de almoço continuamos com a triagem, desta vez dos organismos recolhidosno sector 3: algas, moluscos, caranguejos, ouriços – aqui encontra-se uma espéciedesignada diadema com espinhos enormes e que provoca picadas dolorosas aosmergulhadores.À hora do jogo de futebol de Portugal com a Costa do Marfim chegam mais visitantesà ilha. Eu e as minhas colegas optamos por um banho… com sabor a despedida.Regressamos ao fim da tarde. A forte ondulação origina muitos salpicos e chegamosa bordo todos molhados.O comandante decide levantar ferro no fim do jantar e… já estamos de novo anavegar. Gosto de partir à noite pois assim não vemos o que deixamos para trás.Dia 16 Vento forte, 25 a 30 nós. O mar está cada vez mais agitado. A viagem já não é umcalmo passeio. As ondas atravessam o convés. É difícil realizar as tarefas normais,comer (só agora vejo a utilidade das barras que rodeiam a mesa), lavar a loiça, até noleme nos desequilibramos com facilidade. O número de nódoas negras aumenta.Muitos enjoam e por isso cada vez pomos menos lugares na mesa.
  17. 17. O mar não está para brincadeiras! Foto de Beatriz OliveiraDia 17 Tenho alguma dificuldade em dormir: às vezes parece que as ondas vão partir aembarcação ao meio, mas não, avançamos rapidamente e, ao amanhecer, já sevislumbra no céu a claridade que anuncia a Madeira. Mal se desenha o contorno escuro da ilha, começa a sinfonia dos telemóveis quecomeçam a receber, ao mesmo tempo, todas as mensagens atrasadas. Os que estãoacordados começam logo a telefonar, despertando os familiares que, muito longe dali,ainda dormiam em sossego. Por volta das 10h avistamos o Funchal. O mar já não parece o mesmo… muito calmoe com uma cor totalmente diferente. Regresso ao Funchal
  18. 18. AgradecimentosÀ equipa de “Professores a bordo” que me proporcionou esta experiência científicavaliosa.À tripulação da caravela Vera Cruz (APORVELA) que me proporcionou preciososmomentos de navegação.Aos autores das fotografias, gentilmente cedidas

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