Os Maias(1)

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Os Maias(1)

  1. 1. Os Maias De Eça de Queiroz Modos de Expressão Literária Trabalho de Português
  2. 2. Expressão Literária de Eça de Queirós <ul><li>A prosa de Eça reflecte a sua maneira de pensar e torna-se um instrumento dúctil e subtil para exprimir o seu modo pessoal de ver o mundo e a vida. Ele próprio considerava a literatura como a arte de pintar a realidade, mas “levemente esbatida na névoa dourada e trémula da fantasia, satisfazendo a necessidade de idealismo que todos temos nativamente e ao mesmo tempo a seca curiosidade do real, que nos deram as nossas educações positivas...” (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas). </li></ul><ul><li>Eça não teve a frondosa riqueza vocabular de um Camilo, mas soube explorar, a partir de um vocabulário simples, a força evocativa das palavras por meio das mais variadas relações combinatórias e sentidos conotativos. O estilo de Eça é magistralmente estudado por Ernesto Guerra e Cal na sua volumosa obra Linguagem e Estilo de Eça de Queirós. Foi aqui que sobretudo nos baseámos para fundamentar o que estamos dizendo sobre o estilo d’Os Maias. Vejamos alguns dos processos pelos quais Eça conseguiu essa força evocativa, esse verdadeiro magnetismo das palavras. </li></ul>
  3. 3. Ritmo da Narração <ul><li>Há uma concentração temporal da intriga, dada em ritmo lento de narração durante os anos de 1875-76, desde a chegada de Carlos ao Ramalhete até à partida para Santa Olávia, após a morte do avô. </li></ul><ul><li>O tempo anterior, necessário à explicação da situação presente (influência da educação e da hereditariedade) é dado em analepse (há outras, como as que vão desvendando a história de Maria Monforte e a identidade de Maria Eduarda) e quase sempre em forma de sumário, portanto em ritmo de narração rápida. </li></ul><ul><li>De igual modo o tempo posterior a 1876 (pp. 688-690- inicio do ultimo capitulo) é apresentado em ritmo rápido, por vezes mesmo elipticamente, mas a sequencia final (pp. 690—716) do passeio por Lisboa e da visita ao Ramalhete retoma o ritmo lento da narração. </li></ul>
  4. 4. Descrição <ul><li>Nesta obra é dada uma grande importância à descrição, que é minuciosa, visando a captação sensível da realidade (linhas, cores e formas) de acordo com princípios da escolha realista, que estabelece a sintonia entre o meio ambiente e aquele que nele vive. Ajuda também à criação de atmosferas especiais de carácter indicial: muitas vezes a natureza e as condições meteorológicas em que desenrolam os acontecimentos fulcrais do ponto de vista da acção central não acentuam o clima de tragédia, como são pré-avisos da tragédia a acontecer (a tempestade, na noite da morte de Pedro; a atmosfera pesada de trovoada iminente várias vezes preside ao desenrolar das relações entre Carlos e Maria Eduarda etc). </li></ul><ul><li>De salientar ainda que a descrição, em Eça, não é idealizada, como nos românticos. Apresenta, pelo contrário, traços de realismo impressionista (novidade em Eça). </li></ul><ul><li>Alguns exemplos: </li></ul><ul><li>• Os retratos de Ega e Alencar </li></ul><ul><li>• a opulência do Ramalhete, na fase inicial do romance, depois de restaurado, em contraste com o seu abandono e frieza do final.; </li></ul><ul><li>• a paisagem vista do Ramalhete; </li></ul><ul><li>• a descrição de Sintra; etc. </li></ul>
  5. 5. Diálogo <ul><li>O diálogo é abundante, “rápido e incisivo, em linguagem natural e familiar (…), quase sempre de características irónicas com comentários de crítica: social, política, económica, jornalística, literária”: </li></ul><ul><li>«…— Olha, João da Ega, deixa-mo dizer-te uma coisa, meu rapaz. Todos esses epigramas, esses dichotes lorpas do raquítico e dos que o admiram, passam-me pelos pés como um enxurro de cloaca. O que faço é arregaçar as calças! Arregaço as calças. Mais nada, meu Ega. Arregaço as calças! </li></ul><ul><li>E arregaçou-as realmente, mostrando a ceroula, num gesto brusco e de delírio. </li></ul><ul><li>— Pois quando encontrares enxurros desses — gritou-lhe o Ega — agacha-te e bebe-os. Dão-te sangue e força ao lirismo! </li></ul><ul><li>Mas Alencar, sem o ouvir, borrava para os outros, esmurrando o ar: </li></ul><ul><li>— Eu, se esse Craveirote não fosse um raquítico, talvez me entretivesse a rolá-lo aos pontapés par esse Chiado abaixo, a ele e versalhada, a essa lambisgonhice exerementícia com que seringou Satanás! E depois de o besuntar bem de lama, esborrachava-lhe o crânio!» </li></ul><ul><li>(“Os Maias”, cap.VI, pp. 173— 175) </li></ul>
  6. 6. Monólogo Interior <ul><li>O monólogo interior (normalmente expresso em discurso indirecto livre), é a forma privilegiada para dar a conhecer o interior da personagem.É o caso de João da Ega, especialmente após a recepção da caixa com documentos que lhe é entregue pelo Sr. Guimarães e que desencadeiam todo um processo mental de incredulidade, insegurança, inquietação e mesmo desespero, cujo desenvolvimento podemos observar entre as páginas 614 e 688 do romance. </li></ul><ul><li>Em relação a Carlos da Maia, são mais abundantes os exemplos de monólogo interior, alguns dos quais já foram referidos: o sonho com Maria Eduarda (pp. 184-185-fim do capítulo VI), o devaneio sobre Maria Eduarda, depois da frustração de a não ter encontrado em Sintra (pp. 245— 246— Cap. VIII); as meditações sobre o seu encontro com Maria Eduarda para lhe revelar os laços de parentesco que os uniam: </li></ul><ul><li>«Por isso ia — e ao longo do Aterro, retardando os passos, esse plano, ensaiando mesmo consigo, baixo, palavras que lhe diria. Entraria na sala, com um grande ar de pressa e contava-lhe que um negócio uma complicação de feitores, o obrigava a partir para Santa Olávia daí a dias. E imediatamente saía, com o pretexto de correr a casa do procurador. Podia mesmo ajuntar — «é um momento, não tardo, até já». Uma coisa o inquietava. Se ela lhe desse um beijo?... Decidia então exagerar a sua pressa, o charuto na boca, sem mesmo pousar o chapéu. E saia. Não voltava. Pobre dela, coitada, que ia esperar até tarde, escutando cada rumor de carruagem na rua!... Na noite seguinte abalava para Santa Olávia com o Ega, deixando-lhe a ela uma carta a anunciar que, infelizmente, por causa dum telegrama, se vira forçado a partir nesse comboio. Podia mesmo ajuntar — «volto daqui a dois ou três dias...» E aí estava longe dela para sempre. » </li></ul><ul><li>(“Os Maias”, cap. XVII, pp. 653— 654) </li></ul>
  7. 7. Comentário <ul><li>O comentário, veículo importante de expressão ideológica, seja directamente através do narrador, seja através das personagens, é utilizado sobretudo em duas situações e, pelo menos aparentemente, com dois objectivos: </li></ul><ul><li>1. Para completar a caracterização psicológica das personagens, sobre elas exprimindo um juízo de valor: </li></ul><ul><li>«A voz de D. Ana interrompeu, muito severa: </li></ul><ul><li>— Está bom, está bom, basta de tolices! Já cavalaram bastante. Senta-te ai ao pé da senhora viscondessa, Teresa... Olha essa travessa do cabelo... Que despropósito! </li></ul><ul><li>Sempre detestara ver a sobrinha, uma menina delicada de dez anos, a brincar assim com o Carlinhos. Aquele belo e impetuoso rapaz, sem doutrina e sem propósito, aterrava-a; e pela sua imaginação de solteirona passavam sem cessar ideias, suspeitas de ultrajes, que ele poderia fazer à menina. Em casa, ao agasalhá-la antes de vir para Santa Olávia, recomendava-lhe com força que no fosse com o Carlos para os recantos escuros, que o não deixasse mexer-lhe nos vestidos!...» </li></ul><ul><li>(“Os Maias”, p. 72) </li></ul><ul><li>2-Para concretizar os seus objectivos de crítica social, política, literária, normalmente através das personagens: </li></ul><ul><li>«Ega, horrorizado, apertava as mãos na cabeça — quando do outro lado Carlos declarou que o mais intolerável no realismo eram os seus grandes ares científicos, a sua pretensiosa estética deduzida de uma filosofia alheia, e a invocação de Claude Bernard, do experimentalismo, do positivismo, de Stuart Mill e de Darwin, a propósito de uma lavadeira que dorme com um carpinteiro! </li></ul><ul><li>Assim atacado, entre dois fogos, Ega trovejou: justamente o fraco do realismo estava em ser ainda pouco científico, inventar enredos, criar dramas, abandonar-se à fantasia literária! A forma pura da arte naturalista devia ser a monografia, o estudo seco de um tipo, de um vício, de uma paixão, tal qual como se se tratasse de um caso patológico, sem pitoresco e sem estilo...» </li></ul><ul><li>(“Os Maias”, p. 164) </li></ul>
  8. 8. Bibliografia <ul><li>Jacinto, C.; Lança, G., Colecção Estudar Português Os Maias de Eça de Queirós , Porto, Porto Editora; </li></ul><ul><li>O Realismo de Eça de Queirós e Os Maias , Edições Sebenta; </li></ul>
  9. 9. Elaborado Por: <ul><li>Luís Pereira Nº20 </li></ul><ul><li>Luís Silveira Nº21 </li></ul><ul><li>Tiago Carvalho Nº27 </li></ul>

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