-as-projecoes-cartograficas

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Projeções Cartográficas

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  1. 1. AS PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS 1- Projeções cartográficas são técnicas destinadas a representar um objeto esférico e com três dimensões – o globo terrestre – numa folha de papel plana e com duas dimensões (alguns mapas possuem três dimensões, com rugosidades que retratam a altitude. Mas, mesmo assim, permanece o problema de colocar uma realidade esférica numa superfície plana). 1.1- Para entender melhor o que são projeções cartográficas, temos que lembrar que o nosso planeta tem a forma geóide, isto é, arredondada com achatamento nos pólos. E que existem países, como o Brasil e o Japão, por exemplo, que estão situados em lados opostos do globo.. mas o mapa é sempre desenhado numa folha de papel, isto é, uma superfície plana. As projeções cartográficas, portanto, são formas ou técnicas de representar a superfície terrestre em mapas e que ajudam a amenizar o problema do arredondamento do planeta na sua elaboração. Imaginando uma experiência com uma laranja 2- Para compreender melhor isso, vamos imaginar uma experiência. Pegue uma laranja, fruta que tem o formato semelhante ao da Terra, e pinte a sua casca com os continentes da superfície terrestre, os principais países, etc. Depois descasque-a e tente colocar os pedaços numa folha de papel sobre uma mesa. Ao agrupar esses pedaços da casca, poderemos notar que eles nunca vão se juntar perfeitamente; sempre existirão alguns pedaços afastados dos outros e nunca será possível uni-los de maneira perfeita, com cada parte na sua posição exata tal como ocorria no formato arredondado. 2.1- É a mesma coisa que tirar uma foto de alguém e querer que ela mostre todos os lados dessa pessoa ao mesmo tempo. Isso é impossível. Uma foto, assim como um mapa, representa sempre um lado ou uma parte contínua e plana, enquanto uma pessoa, assim como a Terra, têm vários lados. Fidelidade dos globos x praticidade dos mapas 3- Pelo que foi exposto, pode-se dizer que nunca haverá um mapa-múndi totalmente exato. A forma mais fiel (o que não significa completa) de representar a superfície terrestre são os globos, feitos de plástico ou papéis especiais, que imitam o formato do nosso planeta e colocam os mares, os oceanos, os países, etc. nas suas posições corretas. Mas um globo é difícil de manusear, ao contrário dos mapas e, além disso, seria impraticável fazer um globo numa grande escala (para obter maiores detalhes), pois ele ficaria gigantesco, ocuparia muito espaço e seria dificílimo de ser examinado. Ademais, não podemos ver num globo toda a superfície terrestre no seu conjunto: uma parte fica sempre oculta. 3.1- Os mapas, em contrapartida, são mais práticos do que os globos, pois permitem ver todo o planeta ao mesmo tempo e fazer comparações com mais facilidade. Podemos, por exemplo, colocar uma régua sobre o papel para medir as distancias da Terra num mapa, o que fica difícil num globo. Quando a projeção cartográfica não é tão importante? 4- A projeção cartográfica não é tão importante quando retratamos uma área pequena, como, por exemplo, uma cidade, um bairro, uma fazenda ou um terreno. Esta, aliás, é uma das principais diferenças entre mapas e plantas. Por retratarem sempre áreas pequenas, nas plantas não há preocupação com as projeções cartográficas. Mas os mapas não podem ignorá-las, porque representam regiões maiores. Um mapa do Brasil ou um mapa da região nordeste, por exemplo, necessitam de uma projeção, pois as áreas que retratam são enormes e apresentam uma curvatura que acompanha a esfericidade do planeta. Tipos de projeções: equivalentes e conformais 5- Em resumo, uma projeção cartográfica consiste num conjunto de linhas (paralelos e meridianos), que formam uma rede, sobre a qual são representados os elementos do mapa: terras, mares, rios, cidades, etc. Um dos grandes problemas das projeções é que não é possível ter uma boa exatidão no tamanho (proporção) e nas formas das áreas mapeadas ao mesmo tempo. Tem-se que priorizar um desses dois elementos em detrimento do outro. Assim, as projeções que valorizam o tamanho e que são denominadas equivalentes acabam prejudicando o formato das áreas. E as projeções que priorizam o formato – denominadas conformais – sacrificam as proporções. As três principais técnicas de projeção: cilíndrica, cônica e polar 6- As três técnicas mais comuns das projeções são o uso de um cilindro, de um cone ou de um plano para envolver o globo terrestre e, a partir daí, tentar mapeá-lo. 6.1- Uma projeção cilíndrica procura envolver a Terra num cilindro, como se existisse uma luz na Terra e essa iluminação se propagasse para o cilindro, que será então desenrolado e colocado sobre uma superfície plana. 6.2- A projeção cônica repete esse mesmo processo, mas, ao invés de um cilindro, existe um cone envolvendo o planeta. 6.3- E a polar, também repete o mesmo esquema, no entanto coloca um plano no lugar do cilindro ou cone. Projeção de Mercator 7- A primeira projeção cartográfica considerada moderna foi a cilíndrica de Mercator, feita no séc XVI. Essa projeção, ainda muito usada nos dias de hoje, tem pontos positivos e negativos. Foi criada num momento em que os europeus empreendiam viagens por todo o mundo. Era a época das grandes navegações. Durante séculos, essa projeção serviu muito bem à navegação e até hoje é a preferida pela maioria dos navegadores e recomendada por vários institutos ou órgãos que se dedicam à navegação. 7.1- É mais uma projeção conformal, que se preocupa basicamente com o tamanho relativo de cada área. Reproduz mais ou menos corretamente o tamanho e o formato das áreas situadas na zona intertropical, mas exagera na projeção das áreas temperadas e polares. Basta ver o tamanho da Europa no mapa-múndi. Parece que o continente europeu é maior do que o Brasil, quando na realidade é menor. Observe também as dimensões da ilha da Groenlândia, que parece ter a mesma área do Brasil ou da Austrália, quando, na realidade, é cerca de quatro vezes menor: o Brasil tem 8.511.996 km² e a Austrália tem 7.682.300 km²; a Groenlândia, apenas 2.175.6000 km².
  2. 2. Projeção Gall-Peters 8-A projeção de Gall-Peters também é cilíndrica. Foi concebida em 1885 pelo cartógrafo James Gall e retomada em 1952 pelo historiador Arno Peters, que imaginou que ela seria mais propícia para os países subdesenvolvidos, pois corrige a distorção que existe na projeção de Mercator. Nessa projeção, a Europa e a América do Norte parecem maiores do que realmente são, e a América do Sul e a África parecem menores. 8.1- Essa projeção imaginada por Gall é do tipo equivalente, ou seja, tem uma maior preocupação não com as formas, mas sim com a proporção, isto é, com o tamanho relativo de cada área mapeada. Por isso, ela procura fazer um retrato mais ou menos fiel do tamanho das áreas, no entanto acaba muitas vezes distorcendo as formas. 8.2- Nessa projeção, comparar a Europa com o Brasil, por exemplo, é mais importante do que dar a forma exata dessas áreas. Observando a projeção de Gall-Peters, vemos que ela apresenta um alongamento das áreas no sentido norte-sul ou no sentido leste- oeste.. a África e América do Sul, por exemplo, ficam alongadas no sentido norte-sul e estreitas no outro sentido. Já com a Rússia e o Canadá ocorre o inverso: esses países ficam alongados no sentido leste-oeste e estreitas no sentido norte-sul. 8.3- A projeção de Gall-Peters, assim como todas as demais, também tem os seus aspectos positivos e negativos. O aspecto positivo é que ela permite comparar o tamanho de países ou continentes. Por exemplo: nessa projeção o Brasil fica maior do que a Europa, e a Groelândia fica bem menor do que a Austrália. O aspecto negativo é que o formato das áreas é completamente distorcido. O Brasil, por exemplo, fica exageradamente alongado no sentido norte-sul, quando na verdade possui praticamente a mesma distância nos dois sentidos. O mesmo ocorre com a África. Já o Canadá alonga-se no sentido leste-oeste, como se fosse bem maior do que no sentido norte-sul, o que também não é verdade. Projeções planas, ou polares: vantagens e desvantagens 9-Como já vimos, este é outro tipo de projeção muito usado. Segundo a projeção polar, as diversas partes da superfície terrestre estariam supostamente dispostas num plano, que está centrado num ponto qualquer do globo. 9.1- Quais são as vantagens e as desvantagens dessa projeção? É fácil descobrir se analisarmos o mapa com atenção. As áreas próximas do centro ficam muito bem representadas, bem detalhadas. Dessa forma, esse mapa poderá ser útil, por exemplo, para estudar a proximidade entre a América do Norte e a Ásia, verificando as linhas aéreas que unem esses dois continentes e que passam pelo Ártico. Mas partes do globo distantes da área polar ártica ficam muito deformadas. Ocorre um enorme afastamento entre o Brasil e a África, sem falar que a Antártida nem aparece no mapa. Projeção de Robinson 10-Essa projeção foi criada pelo geógrafo e cartógrafo Arthur Robinson em 1963. É do tipo intermediário – nem equivalente nem conformal – e procura chegar a um meio termo, mantendo mais ou menos as formas e também as proporções entre as áreas mapeadas. Muito usada na representação de planisférios, é a mais comum para uso didático, tendo sido recomendada aos professores pela Associação dos Geógrafos Norte-Americanos. Também existem distorções nessa projeção, como em todas as outras. Projeção descontinua 11-Desenhar um mapa na projeção descontínua corresponde mais ou menos a colocar uma casca de laranja em pedaços sobre um papel: as partes ficam afastadas umas das outras, sendo impossível juntá-las perfeitamente. Nessa projeção, algumas áreas foram cortadas, o que mostra como é difícil representar uma realidade esférica numa folha plana. Os mapas na projeção descontínua apresentam em geral exatidão e riqueza de detalhes. Mas há um problema: fica difícil calcular as distâncias, por causa dos “cortes” ou interrupções. Para mostrar, por exemplo, a distribuição das indústrias no mundo, as concentrações de população ou cidades, esse tipo de projeção é muito bom. Mas, para calcular distancias e, principalmente, para mostrar toda a superfície da terra em conjunto, com seus continentes e oceanos, essa projeção é falha. Qual a melhor projeção? 12-Existem ainda inúmeros outros tipos de projeção, mas nenhuma delas é perfeita ou indiscutivelmente superior às demais. Todas, de uma forma ou de outra, possuem distorções, pois, como vimos, é impossível representar com exatidão um espaço esférico numa superfície plana. Todas elas tem os seus pros e contras. Cada uma foi elaborada com uma finalidade ou preocupação. Portanto, a escolha de uma delas vai depender da finalidade do mapa: viajar, comparar países, navegar, conhecer algum fenômeno da geografia geral (climas, vulcões, etc.) ou algum aspecto da atividade econômica (agricultura, indústria, etc.). 12.1- na navegação, como já assinalamos, a projeção de Mercator ainda é a mais usada. Isso porque ela é bastante fiel nas distancias, especialmente as marítimas, e na navegação as distancias são mais importantes do que o tamanho relativo das áreas. Mas, para representar algum aspecto da atividade econômica, por exemplo, áreas agrícolas ou cidades, a projeção descontínua é a melhor, pois, nesse caso, os oceanos não tem grande importância. E, para mostrar as proporções relativas, como o tamanho do Brasil em relação à Europa, as projeções equivalentes – em especial a de Gall-Peters – são as mais interessantes. E assim por diante. 12.2- O ideal não é se basear só em uma projeção. Isso poderia dar uma idéia errônea da superfície terrestre. É bom conhecer mapas variados, elaborados em diferentes projeções. É muito importante também dispor de um globo. Comparando o globo com mapas-múndi de diversas projeções, podemos avaliar seus pontos positivos e negativos, seus prós e contras. Além disso, não é apenas a projeção que determina a qualidade e a utilidade de um mapa. A escala e o tamanho do mapa também são importantes. Quanto maior for o mapa e quanto maior for sua escala, mais informações e mais detalhes ele irá fornecer. O mapa-múndi reproduzido num livro, por exemplo, não pode ter tantos detalhes quanto outro em tamanho muito maior, feito para ser dependurado em uma parede. Concluindo, podemos citar a famosa frase do especialista Lloyd A. Brown: “Não existe o mapa ideal, bom para qualquer propósito; toda projeção tem que sacrificar a exatidão e tolerar distorções de algum tipo”. ATIVIDADES I- Explique o que são projeções cartográficas e por que elas são necessárias em um mapa. II- Qual é a diferença entre as projeções equivalentes e as conformais? III- Existe uma projeção perfeita ou indiscutivelmente melhor do que as outras? Justifique.

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