Aula 15 A Sociedade em Rede

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Outra transformação tecnológica de dimensões históricas está em curso atualmente: a integração de vários modos de comunicação em uma rede interativa.
No presente, está em gestação uma nova forma de comunicação baseada em hipertexto e metalinguagem. Pela primeira vez na história, um mesmo sistema é capaz de integrar comunicação humana nas modalidades escrita, oral e audiovisual.

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Aula 15 A Sociedade em Rede

  1. 1. Teorias da Comunicação A Sociedade em Rede Prof. Ms. Elizeu N. Silva
  2. 2. A Sociedade em Rede No Ocidente, o alfabeto permitiu o desenvolvimento da infraestrutura mental que deu origem à comunicação cumulativa, baseada em conhecimento. A nova ordem alfabética, embora permitisse o discurso racional, separou a comunicação escrita do sistema audiovisual de símbolos e percepções tão importantes para expressar a mente humana. 2
  3. 3. A Sociedade em Rede A revanche do audiovisual ocorre somente no século XX, primeiro com o surgimento do cinema e do rádio, e depois, mais plenamente, por meio da televisão. Outra transformação tecnológica de dimensões históricas está em curso atualmente: a integração de vários modos de comunicação em uma rede interativa. 3
  4. 4. A Sociedade em Rede No presente, está em gestação uma nova forma de comunicação baseada em hipertexto e metalinguagem. Pela primeira vez na história, um mesmo sistema é capaz de integrar comunicação humana nas modalidades escrita, oral e audiovisual. A integração potencial de texto, imagens e sons no mesmo sistema – interagindo a partir de pontos múltiplos, no tempo escolhido (real ou atrasado) em uma rede global, em condições de acesso aberto e de preço acessível – muda de forma fundamental o caráter da comunicação. 4
  5. 5. A Sociedade em Rede Nossos sistemas de crenças e códigos historicamente produzidos estão sendo transformados de maneira fundamental pelo novo sistema tecnológico e o serão ainda mais com o passar do tempo. Um novo sistema eletrônico de comunicação caracterizado pelo alcance global, integração de todos os meios de comunicação e interatividade potencial está mudando e mudará para sempre a nossa cultura. 5
  6. 6. A Sociedade em Rede “A nova mídia determina uma audiência segmentada, diferenciada. Já não é mais uma audiência de massa [no sentido clássico]. A nova mídia não é mais mídia de massa no sentido tradicional do envio de um número limitado de mensagens a uma audiência homogênea de massa. Devido à multiplicidade de mensagens e fontes, a própria audiência torna-se mais seletiva. A audiência tende a escolher suas mensagens, aprofundando a segmentação da sociedade e intensificando o relacionamento individual entre o emissor e o receptor”. Françoise Sabbah. 6
  7. 7. A Sociedade em Rede “Existe a evolução de uma sociedade de massa a uma sociedade segmentada, resultante das novas tecnologias de comunicação, que enfocam a informação especializada, diversificada, tornando a audiência cada vez mais segmentada por ideologias, valores, gostos e estilos de vida”. Youichi Ito. 7 No novo sistema de mídia, a mensagem é o meio. Ou seja, as características da mensagem moldarão as características do meio.
  8. 8. A Sociedade em Rede A constelação da internet A internet é a espinha dorsal da comunicação global mediada por computadores (CMC). Na Era da Informação, as diversas possibilidades proporcionadas pela internet fazem dela o principal meio de comunicação interativo universal – via computador. 8
  9. 9. A Sociedade em Rede A internet tem tido um índice de penetração mais veloz que qualquer outro meio de comunicação na história. • Rádio precisou de 30 anos para formar uma base de 60 milhões de usuários nos EUA; • TV alcançou o mesmo patamar com 15 anos de existência; • Internet ultrapassou este número em apenas 3 anos desde que foi criada. 9
  10. 10. A Sociedade em Rede Diferentemente dos outros meios, os consumidores da internet são também produtores de conteúdos. São eles que dão forma à teia. 10 Atualmente, milhões de usuários do mundo inteiro produzem conteúdos sobre todo o espectro da cultura humana (política, religião, artes, sexo etc). Uma parte considerável das comunicações que acontecem na rede surge espontaneamente – ou seja, não dependente da planificação dos escritórios de mídia e de conteúdo.
  11. 11. A Sociedade em Rede A forma Word Wide Web (www) é de uma rede flexível, formada por redes dentro da internet, onde instituições, empresas, associações e pessoas físicas criam os próprios espaços e os disponibilizam como base para que outros indivíduos se sirvam dos conteúdos na construção de novas páginas web baseadas em colagens de textos e imagens. 11
  12. 12. A Sociedade em Rede O preço a pagar por uma participação tão diversa e difundida é deixar que a comunicação espontânea e informal prospere simultaneamente. Constituem, desta forma, o embrião da sociedade interativa. 12 Ainda não está claro o grau de sociabilidade possível nas redes eletrônicas e nem as consequências culturais dessa nova forma de sociedade.
  13. 13. A Sociedade em Rede Barry Wellman: “As comunidades virtuais não precisam se opor às comunidades físicas. São formas diferentes de comunidade, com leis e dinâmicas específicas, que interagem com outras formas de comunidade”. 13 A rede é especialmente apropriada para a geração de laços fracos múltiplos. Os laços fracos são úteis no fornecimento de informações e na abertura de novas oportunidades a baixo custo.
  14. 14. A Sociedade em Rede Nesse sentido, a internet pode contribuir para a expansão dos vínculos sociais numa sociedade que parece estar passando por uma rápida individualização e uma ruptura cívica. Verifica- se, presentemente, sólidas demonstrações de solidariedade entre pessoas ligadas por “laços fracos”. 14
  15. 15. A Sociedade em Rede – Luís Mauro Sá Martino São redes sociais interpessoais, em sua maioria baseadas em laços fracos, diversificadíssimas e especializadíssimas. Segundo Wellman, “não são imitações de outras formas de vida, mas têm sua própria dinâmica”. • Não existem pela inexistência de outras formas de sociabilidade. 15
  16. 16. A Sociedade em Rede – Luís Mauro Sá Martino • Reforçam a tendência de “privatização da sociabilidade” – ou seja, reconstrução das redes sociais ao redor do indivíduo, o desenvolvimento de comunidades pessoais, tanto fisicamente quanto online. 16
  17. 17. A Sociedade em Rede – Luís Mauro Sá Martino Fazer parte de uma comunidade virtual significa se reunir ao redor de polos de atração referentes a gostos, preferências, ideias e atitudes. As barreiras econômicas e culturais ainda existem, no entanto têm impacto muito menor hoje (no contexto da internet) do que há 30 anos. Nas comunidades virtuais as relações sociais se constroem unicamente através da comunicação. Nelas, o indivíduo está a um click de pessoas com as mesmas ideias e atitudes. 17
  18. 18. A Sociedade em Rede – Luís Mauro Sá Martino As redes sociais funcionam, de modo geral, a partir do engajamento mútuo de seus participantes. Esse engajamento não precisa necessariamente ser contínuo; aliás, uma das características das redes sociais é seu caráter relativamente fluído, no qual os vínculos podem se reorganizar conforme demandas, fluxos e situações. Podem se fortalecer ou enfraquecer. 18
  19. 19. A Sociedade em Rede – Luís Mauro Sá Martino As redes sociais funcionam, de modo geral, a partir do engajamento mútuo de seus participantes. Esse engajamento não precisa necessariamente ser contínuo; aliás, uma das características das redes sociais é seu caráter relativamente fluído, no qual os vínculos podem se reorganizar conforme demandas, fluxos e situações. Podem se fortalecer ou enfraquecer. 19
  20. 20. A Sociedade em Rede – André Lemos O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós- modernismo, ganha contorno planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias (Manovich). 20
  21. 21. A Sociedade em Rede – André Lemos As novas tecnologias de informação e comunicação alteram os processos de comunicação, de produção, de criação e de circulação de bens e serviços nesse início de século XXI trazendo uma nova configuração cultural que chamaremos aqui de “ciber-cultura-remix”. 21
  22. 22. A Sociedade em Rede – André Lemos A cibercultura caracteriza-se por três “leis” fundadoras: • A liberação do pólo da emissão. • O princípio de conexão em rede. • A reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. Essa leis vão nortear os processos de “re-mixagem” contemporâneos. Sob o prisma de uma fenomenologia do social, esse tripé (emissão, conexão, reconfiguração) tem como corolário uma mudança social na vivência do espaço e do tempo. 22
  23. 23. A Sociedade em Rede – André Lemos Na cibercultura, novos critérios de criação, criatividade e obra emergem consolidando, a partir das últimas décadas do século XX, essa cultura remix. Por remix compreendemos as possibilidades de apropriação, desvios e criação livre (que começam com a música, com os DJ’s no hip hop e os Sound Systems) a partir de outros formatos, modalidades ou tecnologias, potencializados pelas características das ferramentas digitais e pela dinâmica da sociedade contemporânea. 23
  24. 24. A Sociedade em Rede – André Lemos Agora o lema da cibercultura é “a informação quer ser livre”. E ela não pode ser considerada uma commodite como laranjas ou bananas. Busca-se assim, processos para criar e favorecer “inteligências coletivas” (Lévy) ou “conectivas” (Kerkhove). 24
  25. 25. A Sociedade em Rede – André Lemos A nova dinâmica técnico-social da cibercultura instaura assim, não uma novidade, mas uma radicalidade: uma estrutura midiática ímpar na história da humanidade onde, pela primeira vez, qualquer indivíduo pode, a priori, emitir e receber informação em tempo real, sob diversos formatos e modulações, para qualquer lugar do planeta e alterar, adicionar e colaborar com pedaços de informação criados por outros. 25
  26. 26. A Sociedade em Rede – André Lemos “Pode tudo na internet” A primeira lei seria a liberação do pólo da emissão. As diversas manifestações socioculturais contemporâneas mostram que o que está em jogo com o excesso e a circulação virótica de informação nada mais é do que a emergência de vozes e discursos, anteriormente reprimidos pela edição da informação pelos mass media. Aqui a máxima é “tem de tudo na internet”, “pode tudo na internet”. 26
  27. 27. A Sociedade em Rede – André Lemos “O computador é a rede” A segunda lei é a do “tudo em rede”. Aqui a máxima é “a rede está em todos os lugares”, ou como dizia a publicidade da “Sun System”, “o verdadeiro computador é a rede”. Chamamos essa segunda lei de princípio de conectividade generalizada. 27
  28. 28. A Sociedade em Rede – André Lemos Esta começa com a transformação do PC (computador pessoal, início da microinformática em 1970) em CC (computador coletivo, com o surgimento da internet e sua popularização nos anos 80 e 90), e o atual CC móvel (computador coletivo móvel, a era da ubiquidade e da computação pervasiva desse início de século XXI com a explosão dos celulares e das redes Wi-Fi). Tudo comunica e tudo está em rede: pessoas, máquinas, objetos, monumentos, cidades. 28
  29. 29. A Sociedade em Rede – André Lemos “Tudo muda mas nem tanto” A terceira seria a lei da reconfiguração. Aqui a máxima é “tudo muda, mas nem tanto”. Devemos evitar a lógica da substituição ou do aniquilamento já que, em várias expressões da cibercultura, trata-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem a substituição de seus respectivos antecedentes. 29
  30. 30. A Sociedade em Rede – André Lemos O que chamamos aqui de reconfiguração encontra eco na ideia de “remediação” (remediation) de Bolter e Grusin (Bolter e Grusin, 2002). A ideia de reconfiguração vai, entretanto, além da remediação de um meio sobre o outro (por exemplo o cinema nos jogos eletrônicos e vice-versa). Por reconfiguração compreendemos a ideia de remediação, mas também a de modificação das estruturas sociais, das instituições e das práticas comunicacionais. 30
  31. 31. A Sociedade em Rede – André Lemos Re-mixagem Essa três leis estão na base da “ciber-cultura-remix”. A liberação da emissão, o princípio em rede e a reconfiguração são consequências do potencial das tecnologias digitais para recombinar. A novidade não é a recombinação em si mas o seu alcance. 31
  32. 32. A Sociedade em Rede – André Lemos A recombinação e a re-mixagem têm dominado a cultura ocidental pelo menos desde a segunda metade do século XX, mas adquirem aspectos planetários nesse começo de século XXI. Em recente artigo para a revista “Wired”, o escritor de ficção-científica William Gibson mostrou como a prática do “cut and past” configurou as vanguardas artísticas do século passado. 32
  33. 33. A Sociedade em Rede – André Lemos Mais ainda, a nossa cultura não é uma cultura da simples apropriação ou empréstimo, da produção, do produto ou da audiência, mas uma cultura da participação, e essa participação se dá pelo uso e livre circulação de obras. Palavras antigas como “audiência”, “gravação”, “produto” estão, de acordo com Gibson, superadas na “cibercultura- remix” - “o remix é a verdadeira natureza do digital”. 33
  34. 34. A Sociedade em Rede – André Lemos A cibercultura tem criado o que se vem chamando de “citizen media”, ou “mídia do cidadão”, em que cada usuário é estimulado a produzir, distribuir e reciclar conteúdos digitais, sejam eles textos literários, protestos políticos, matérias jornalísticas, emissões sonoras, filmes caseiros, fotos ou música. 34
  35. 35. A Sociedade em Rede – André Lemos Os “citizen media” são pessoas que colocam suas versões dos eventos através de imagens e vídeos captados com celulares, ou as comentam em blogs pessoais. A internet está dando voz às pessoas, permitindo a auto-publicação e o rápido compartilhamento de forma nunca antes possível”. Acontecimentos recentes como as Tsunamis, e os atentados em Londres mostraram a força desses “cidadãos digitais”. 35
  36. 36. A Sociedade em Rede Bibliografia CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 7ª edição, São Paulo, ed. Paz e Terra, 2003 LEMOS, André. Ciber-cultura-remix. Artigo escrito para apresentação no seminário “Sentidos e Processos” na mostra “Cinético Digital’, no Centro Itaú Cultural. A mesa tinha como tema: “Redes: criação e reconfiguração”, São Paulo, Itaú Cultural, agosto de 2005. MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria da comunicação: ideias, conceitos e métodos. 5ª edição, Petrópolis, ed. Vozes, 2014. 36

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