Arte e EstéticaIntrodução – Aula 01 Prof. Ms. Elizeu N. Silva
O poeta e dramaturgo parisiense Jean Cocteau (1889–1963) propõe um interessante paradoxo ao abordar aquestão da função da ...
• Para que serve a arte?A questão é precedida por outra, também fundamental:• O que é arte, afinal? Que qualidades os obje...
Sendo uma forma deconhecimento, que tipo deconhecimento a arteproporciona?A questão pode ser encaradapela oposição a outra...
SENSO-COMUM: Afilosofia o considera comoconhecimento vulgar.Trata-se de umacompreensão do mundofundada na percepçãoimediat...
SENSO-COMUM (Cont.): Transmitida de geração ageração, e variando conforme as regiões geográficas egrupos sociais nas quais...
RELIGIÃO: Fundado no pensamento místico, propõe umainterpretação da vida e do ambiente na perspectiva darelação direta ent...
RELIGIÃO (Cont.): Estabelecem, desta forma, a estritadependência do indivíduo para com a divindade, a quemdeve obediência ...
CIÊNCIA: A partir do século XV, uma nova tomada deconsciência do SER decreta o esgotamento do modeloteocêntrico predominan...
CIÊNCIA (Cont.): Com o cogito, Descartes estabelece oceticismo metodológico, em franca oposição aopensamento religioso vig...
ARTES: À exemplo dosdois primeiros, oconhecimento artísticonão se funda na razão.Antes, constitui-se numolhar, numa maneir...
ARTES (Cont.): Noentanto, é um individualque espelha a visãouniversal. “Aquela pinturade uma paisagem é oconhecimento de u...
A definição de VENTURI para o conhecimento artísticoassocia as formas de expressão do artista (sua estética)aos valores pr...
Algumas questões pertinentes:• A arte faz parte da vida das pessoas? Por  que, atualmente, a arte ocupa um lugar tão disti...
Algumas questões pertinentes:• Galerias e museus são os únicos lugares para se  envolver com a arte?
No antigo Egito, a arte tinha finalidades históricas eritualísticas. Tratava-se de um registro do cotidiano de reise prínc...
Na Grécia antiga, berço do conhecimento Ocidental e daArte Clássica, as obras de arte faziam parte do cotidianodas pessoas...
Na Antiguidade e na Idade Média, a pintura, a música e aliteratura tiveram importante papel na difusão da religião.Por mei...
O distanciamento entre arte eindivíduos é um fenômenorecente na história dahumanidade. Começa noRenascimento, quando osart...
As pessoas desejaram ter as obras em casa, para deleitepessoal e passaram a encomendá-las aos grandespintores.ESCOLA DE AT...
Se na Idade Média a Igrejaera a principal financiadoradas artes, com encomendasque visavam decorar igrejase mosteiros, a p...
Como as obras de arte eram produções raras – o afrescodo teto da Capela Sistina, feito por Michelângelo, porexemplo, custo...
JUÍZO FINAL (Altar da Capela Sistina), Michelangelo Buonarroti, 1534
O advento da sociedade industrial em fins do século XVIIIe início do XIX fez surgir um novo modelo econômico: ocapitalismo...
Possuir obras de arte significava um importanteinvestimento. Mais que isso, significava um passaportepara uma condição de ...
“Quando um produto artístico atinge o status declássico, de algum modo ele se isola das condiçõeshumanas em que foi criado...
O STATUS DE PRODUÇÃO CLÁSSICA REFORÇA ASEPARAÇÃO ENTRE ARTE E INDIVÍDUOS:“A vida é compartimentalizada, e os compartimento...
A questão da acessibilidade às obras de arte deve serpensada sob duas perspectivas:• O estranhamento pode ser superado por...
Exposição OSIMPRESSIONISTAS.Centro Cultural doBanco doBrasil, SP, 2012
• As obras de arte estão presentes no cotidiano das  populações urbanas. Os grafites, os murais, as  intervenções urbanas ...
BibliografiaCHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo, Ed. Ática, 2005DEWEY, John. A arte como experiência. São Paul...
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  1. 1. Arte e EstéticaIntrodução – Aula 01 Prof. Ms. Elizeu N. Silva
  2. 2. O poeta e dramaturgo parisiense Jean Cocteau (1889–1963) propõe um interessante paradoxo ao abordar aquestão da função da arte. “A arte é indispensável. Se euao menos soubesse para quê...”.Esta é uma questão que atravessa os séculos e para anão há resposta final ou definitiva. Aqualquestão perturba a humanidade pelomenos desde as primeiraselucubrações filosóficas na Gréciaantiga – que servem de matriz paratodo o sistema filosófico econhecimento ocidentais.
  3. 3. • Para que serve a arte?A questão é precedida por outra, também fundamental:• O que é arte, afinal? Que qualidades os objetos devemapresentar para que sejam aceitos como obras de arte?Aceita-se como válida a classificação da arte(considerada de forma geral) como forma deconhecimento. “Qualquer atividade mentalproduz um conhecimento; se a arte não oproduzisse, seria uma brincadeira inútil”,afirma Lionello Venturi.
  4. 4. Sendo uma forma deconhecimento, que tipo deconhecimento a arteproporciona?A questão pode ser encaradapela oposição a outras formas deconhecimento reconhecidas: O PENSADOR, Auguste Rodin, 1902
  5. 5. SENSO-COMUM: Afilosofia o considera comoconhecimento vulgar.Trata-se de umacompreensão do mundofundada na percepçãoimediata dosfenômenos, seminvestigação detalhadaque vise alcançar asverdades em nível deprofundidade.
  6. 6. SENSO-COMUM (Cont.): Transmitida de geração ageração, e variando conforme as regiões geográficas egrupos sociais nas quais ocorre, constitui-se em saberpopular às vezes transmissor de saberes válidos, outrasvezes mantenedor de crendices e exotismos (porexemplo, simpatias).
  7. 7. RELIGIÃO: Fundado no pensamento místico, propõe umainterpretação da vida e do ambiente na perspectiva darelação direta entre a humanidade e a divindade. Procura explicar os fenômenos como causas divinas, superiores à capacidade racional do indivíduo de compreendê- las – cabendo- lhe, portanto, apenas aceitar as prescrições transcendentais.
  8. 8. RELIGIÃO (Cont.): Estabelecem, desta forma, a estritadependência do indivíduo para com a divindade, a quemdeve obediência e temor. “O conhecimento místico deve-se à completa dedicação do indivíduo ao universal, semrecorrer à razão”. (Lionello Venturi)
  9. 9. CIÊNCIA: A partir do século XV, uma nova tomada deconsciência do SER decreta o esgotamento do modeloteocêntrico predominante na Idade Média. Essa tomada deconsciência inicia o primado da RAZÃO que serásintetizado pelo “cogito” cartesiano (RenéDescartes, 1596–1650) no fim do século XVI:“Penso, logo, existo”.
  10. 10. CIÊNCIA (Cont.): Com o cogito, Descartes estabelece oceticismo metodológico, em franca oposição aopensamento religioso vigente até um século antes.O entendimento humano torna-se objeto da reflexãofilosófica.“O pressuposto da teoriado conhecimento comoreflexão filosófica é o deque somos seresracionais conscientes”.(Marilena Chauí)
  11. 11. ARTES: À exemplo dosdois primeiros, oconhecimento artísticonão se funda na razão.Antes, constitui-se numolhar, numa maneirapeculiar/particular deperceber o ambiente.Não se trata de umavisão universal. Ao Série SERTANEJA. Retirantes, Cândido Portinari, 1944contrário, éabsolutamente individual.
  12. 12. ARTES (Cont.): Noentanto, é um individualque espelha a visãouniversal. “Aquela pinturade uma paisagem é oconhecimento de umindivíduo, porexemplo, mas no qual aimaginação do artistaimprimiu o valor de umuniversal humano”. Série SERTANEJA. Criança morta, Cândido(Lionello Venturi) Portinari, 1944
  13. 13. A definição de VENTURI para o conhecimento artísticoassocia as formas de expressão do artista (sua estética)aos valores predominantes e universais na sociedade daqual participa (ética). Esta relação entre estética e éticanos permite perceber/entrever a maneira como povos dopassado o modopensavam,como se relacionamentre si e com oambiente, ou povosisolados daatualidade, apenasobservando a arte queproduzem.
  14. 14. Algumas questões pertinentes:• A arte faz parte da vida das pessoas? Por que, atualmente, a arte ocupa um lugar tão distinto / separado das atividades “normais”?• Por que apenas poucas pessoas visitam galerias e museus de arte?
  15. 15. Algumas questões pertinentes:• Galerias e museus são os únicos lugares para se envolver com a arte?
  16. 16. No antigo Egito, a arte tinha finalidades históricas eritualísticas. Tratava-se de um registro do cotidiano de reise príncipes que garantiam a permanência da memóriadestes mesmo depois que morriam. Objetos artísticos naforma de joias e vasos acompanhavam os mortos ilustresnos sepultamentos, para que nada lhes faltasse.
  17. 17. Na Grécia antiga, berço do conhecimento Ocidental e daArte Clássica, as obras de arte faziam parte do cotidianodas pessoas. Não eram criadas como obras de arte paracontemplação, mas estavammerainseridas no dia-a-dia. Esculturase pinturas faziam parte daarquitetura. A poesia e a literaturaconstituíam-se em formasnarrativas de feitos heroicos e deregistros históricos. O canto e adança participavam dos rituaisreligiosos.
  18. 18. Na Antiguidade e na Idade Média, a pintura, a música e aliteratura tiveram importante papel na difusão da religião.Por meio dessas linguagens artísticas, populaçõesanalfabetas foram instruídas sobre os conteúdos bíblicos eos dogmas da Igreja.Em todos estes momentosda história, ao longo deséculos, a arte estevepresente no cotidiano daspessoas – e, portanto, nãohavia distinção entre a artee o dia-a-dia.
  19. 19. O distanciamento entre arte eindivíduos é um fenômenorecente na história dahumanidade. Começa noRenascimento, quando osartistas começam a serreconhecidos como tal – ouseja, quando o produto de seutalento (a obra de arte) passa aser reconhecida e admirada porsuas qualidades estéticasintrínsecas – e não mais por MONA LISA, Leonardo Da Vinci, 1503representar algo além dela
  20. 20. As pessoas desejaram ter as obras em casa, para deleitepessoal e passaram a encomendá-las aos grandespintores.ESCOLA DE ATHENA, Rafael Sanzio (1483–1520)
  21. 21. Se na Idade Média a Igrejaera a principal financiadoradas artes, com encomendasque visavam decorar igrejase mosteiros, a partir da EraModerna, uma nova classepolítica – a burguesiaendinheirada –, esta setorna a grandepatrocinadora das artes. AS MENINAS (Família de Filipe IV, Diego Velázquez, 1656Surge a figura dosmecenas.
  22. 22. Como as obras de arte eram produções raras – o afrescodo teto da Capela Sistina, feito por Michelângelo, porexemplo, custou quatro anos de trabalho ao pintor; apintura do altar Juízo Final tomou outros seis anos –somente as famílias abastadas, ou a nobreza, podiaencomendá-las aos artistas. Rapidamente, tornaram-sesímbolo de status. Nobres e plebeus endinheiradoscontratavam artistas para os pintarem no ambiente familiarou em atividades prazerosas que revelassem o estilo devida em que viviam e suas preferências pessoais.
  23. 23. JUÍZO FINAL (Altar da Capela Sistina), Michelangelo Buonarroti, 1534
  24. 24. O advento da sociedade industrial em fins do século XVIIIe início do XIX fez surgir um novo modelo econômico: ocapitalismo. Sob este princípio, o ideal perseguido pelosindivíduos e pelas empresas é o acúmulo de capital.Ora, sendo as obras de arte um produtovalioso, naturalmente tornou-se objeto de desejo dosnovos-ricos capitalistas – a burguesia industrial surgida naInglaterra e que logo se tornaria predominante no restanteda Europa e nos EUA.
  25. 25. Possuir obras de arte significava um importanteinvestimento. Mais que isso, significava um passaportepara uma condição de elite inacessível para a maioria dapopulação. Nas mãos dos capitalistas, a obra de arte viramercadoria com altíssimo valor simbólico.Para a imensa populaçãopobre, é destinada aprodução da indústriacultural , geralmente debaixa qualidade, produzidaem série e objetivando oconsumo massificado.
  26. 26. “Quando um produto artístico atinge o status declássico, de algum modo ele se isola das condiçõeshumanas em que foi criado e das consequências humanasque gera na experiência real de vida”. John Dewey
  27. 27. O STATUS DE PRODUÇÃO CLÁSSICA REFORÇA ASEPARAÇÃO ENTRE ARTE E INDIVÍDUOS:“A vida é compartimentalizada, e os compartimentosinstitucionalizados são classificados como superiores einferiores; seus valores, como profanos e espirituais,materiais e ideais. (...) Visto que a religião, a moral, apolítica e os negócios têm seus próprios compartimentos,dentro dos quais convém que cada um permaneça,também a arte deve ter seu âmbito peculiar e privado”.John Dewey
  28. 28. A questão da acessibilidade às obras de arte deve serpensada sob duas perspectivas:• O estranhamento pode ser superado por qualquer pessoa que se disponha a vencer as barreiras iniciais e conhecer o sentido da arte. É necessário conviver com a obra de arte. (Anne CAUQUELIN). Visitar museus e galerias de arte com espírito desarmado, livre de preconceitos, disposto a viver a experiência estética proporcionada pela arte é o primeiro passo.
  29. 29. Exposição OSIMPRESSIONISTAS.Centro Cultural doBanco doBrasil, SP, 2012
  30. 30. • As obras de arte estão presentes no cotidiano das populações urbanas. Os grafites, os murais, as intervenções urbanas são ótimos exemplos de artes visuais presentes no cotidiano das grandes cidades e que nem sempre são reconhecidas como arte. É preciso abrir os olhos e desenvolver a sensibilidade para percebê-las. Grafite. Os Gêmeos.
  31. 31. BibliografiaCHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo, Ed. Ática, 2005DEWEY, John. A arte como experiência. São Paulo, Martins Fontes, 2010GOMBRICH, E. H. A história da arte. Rio de Janeiro, 16ªedição, LTC, 1999READ, Herbert. O sentido da arte. São Paulo, 4ª edição, Ibrasa, 1978VENTURI, Lionello. História da crítica de arte. Lisboa, Edições 70, 2007

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