Construção de miniplanetário

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Construção de miniplanetário

  1. 1. 42 Física na Escola, v. 12, n. 2, 2011Mini-planetário: um projetor portátil de baixo custo○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○Propõem-se a construção de um pequenoprojetor de planetário de baixo custo para serusado em aulas sobre astronomia, gravitaçãouniversal ou em alguma outra atividade decaráter lúdico-interativo.Este trabalho descreve a construçãode um material didático lúdicointerativo, voltado para o ensino deastronomia: um pequeno projetor deplanetário, por isso mesmo denominadomini-planetário, montado com materiaisde baixo custo. Seu princípio de funcio-namento é bastante simples e a projeçãoque se pode obter com ele é de alta pre-cisão.O que é um planetário?Imagine um céu noturno repleto deestrelas cintilando, como pequenos dia-mantes. Existe paisagem mais bela e, aomesmo tempo, tão desafiadora? Um céubastante estrelado, privilégio dos locaismais afastados das luzes dos grandescentros urbanos, éaquilo que os plane-tários procuram re-produzir. Eles sãolocais para visitaçãocuja finalidade é apre-sentar uma simula-ção do movimentoaparente dos astros no céu, quase sempreo céu noturno. Em seu interior escurecido,os expectadores assistem a demonstraçõessobre astronomia, de forma semelhanteao que ocorre em uma sessão de cinema.São vários os tipos de planetários e sis-temas de projeções.Os planetários fixos são construções,quase sempre na forma de uma grandecúpula, devidamente equipados parareceber o público visitante. Os planetáriosmóveis, geralmente utilizados em ativi-dades itinerantes, possuem estrutura maissimples, restrita ao formato de uma meiaabóbada celeste onde se realizam as proje-ções, fabricado em lona não inflamável,podendo ser inflados rapidamente com oauxílio de um ventilador adequado, possi-bilitando a acomodação dos expectadoresem seu interior. Quanto à projeção, elapode ser tanto digital, utilizando softwareapropriado e um sistema de projeção se-melhante a um datashow, quanto feita porcilindros, acionados mecanicamente. Nosprojetores de cilindros, as constelaçõesestão perfuradas em sua superfície. Umapequena lâmpada no interior do cilindropermite que a luz atravesse os furos e sejaprojetada dentro da cúpula.Em comum, qualquer planetário car-rega consigo o potencial de encantar inú-meras pessoas, sejam elas crianças, ado-lescentes ou adultos, envolvidas ou nãocom o universo da astronomia.O que é o mini-planetário?O material aqui chamado de mini-planetário (Fig. 1) funciona como umpequeno projetor de planetário capaz defornecer uma projeçãodo céu noturno. Ele éajustável para forne-cer o céu de qualquerlatitude, em qualquerdia e hora do ano (coma mesma precisão desoftwares de visua-lização do céu, tais como o Stellarim, oCartes du Ciel ou o WinStars), além desinalizar a classe espectral das estrelasmais visíveis.Demetrius dos Santos LeãoPrograma de Pós-graduaçãoem Ensino de Ciências, Universidadede Brasília, Brasília, DF, BrasilE-mail: demetriusleao0@gmail.comOs planetários são locais paravisitação cuja finalidade éapresentar uma simulação domovimento aparente dos astrosno céu, quase sempre o céunoturnoFigura 1 - Simplicidade e ludicidade parao ensino de astronomia.
  2. 2. 43Física na Escola, v. 12, n. 2, 2011 Mini-planetário: um projetor portátil de baixo custoMateriais utilizadosPara montar um mini-planetário,será necessário:• cola líquida comum;• cola em bastão;• tesoura;• régua;• flanela;• durex;• 1 folha de papel cartão;• 1 cartolina dupla face na cor preta;• 1 suporte para pilhas (para 4 pilhas);• fios para conexão;• tachinha;• alfinete;• palito de churrasco;• 1 micro-lâmpada (daquelas de pisca-pisca de Natal) com seu respectivobocal;• interruptor liga-desliga;• papel celofane na cor vermelha e azul.• Descarregar o Anexo deste artigo napágina da própria da revista, emhttp://www.sbfisica.org.br/fne/Vol12/Num2/Construindo o mini-planetárioSiga as instruções seguintes paraoperar com a montagem do material:(1) Recorte as partes principais domini-planetário – os hemisférios celestesul e norte – pelo contorno mais externodo desenho (em anexo). Depois de recortá-las, cole-as (preferivelmente com a colaem bastão) sobre a cartolina dupla facepreta, juntas, unindo as letras iguais – Ccom C e D com D (Fig. 2).(2) Depois de colar as duas figurasprincipais na cartolina, recorte-as nova-mente pelo contorno e reforce as dobrasnos locais onde há as linhas pretas contí-nuas. Elas correspondem às arestas dosólido a ser montado. Este reforço nasdobras pode ser feito com o auxílio de umarégua (Fig. 3).(3) Fure as estrelas. Observe que háestrelas de “tamanhos” variados, desde asmenos visíveis (com magnitude visualigual ou superior a 3) até aquelas maisbrilhantes, com magnitude visual na faixade -1. Isso indica que os furos devem sertanto maiores quanto maior for o brilhoaparente da estrela. Pra começar esta eta-pa, faça o seguinte: fure todas as estrelascom um alfinete. Para fazer esses furos,apóie a estrutura de papel sobre uma fla-nela ou um pano dobrado. Depois quetodas as estrelas tiverem sido furadas des-se modo, aumente o diâmetro dos furosdas estrelas mais brilhantes. As estrelasque necessitam ter seu furo aumentadodevem ser furadas pelo o lado do avessodo material. Essa observação é importanteporque se os furos forem feitos do mesmolado que os primeiros, o papel ficará comas rebarbas direcionadas para dentro dosólido, o que acaba prejudicando aqualidade da projeção. Comece localizandoas estrelas com magnitude visual 2 e, comauxílio de um alfinete mais grosso ou deuma tachinha, fure-as novamente (peloavesso). Para as estrelas de magnitude vi-sual 1, utilize um objeto um pouco maisespesso para aumentar o tamanho dosfuros, como, por exemplo, um palito dedentes. As estrelas com magnitude visualna faixa de 0 e -1 podem ser furadas como auxílio de um palito de unha ou dechurrasquinho (sempre furando peloavesso). Atente-se para o quadro com asmagnitudes que será colocado na base domini-planetário (em anexo) - quantomenor for a magnitude visual, maisbrilhante, para nós, será a estrela. Em todoo céu que se pode observar, as estrelas demagnitude na faixa de -1 (ou próximo)são quatro: Sírius, da constelação do CãoMaior, Canopus, da Carina, Rigil Kent, doCentauro e Arcturus, do Boieiro. Estasestrelas devem ter os maiores furos paraserem localizadas logo de imediato. Emrelação às constelações, algumas delaspodem ter sua projeção “destacada”. Trêsdelas são facilmente reconhecíveis ao seolhar para o céu: Cruzeiro do Sul, Órion eEscorpião. É interessante que os furos dasestrelas destas constelações, no mini-planetário, sejam um pouco maiores queo indicado. O reconhecimento destasconstelações ajuda bastante a entender adinâmica de como muda a posição dasestrelas ao longo do tempo (Fig. 4).(4) Em algumas das estrelas mais bri-lhantes, cole papel celofane vermelho ouazul “por trás” delas, de acordo com suaclasse espectral. Antares, da constelaçãode Escorpião, e Beteguelse, de Órion, sãoexemplos de estrelas cuja classe espectralé M, ou seja, sua coloração é avermelhada.Já Spica, da constelação Virgem, e Acher-nar, do Eridano, por exemplo, são azuis(classe espectral B). O mini-planetáriotambém pode oferecer esta diferenciaçãode cor entre as estrelas. Observe que todasas estrelas com nome, representadas nomini-planetário, possuem uma letra en-tre parênteses. Esta letra representa a clas-se espectral da estrela e indica sua colora-ção. Usando durex, fixe um pequeno pe-daço de papel celofane na parte do avessodo corpo principal do mini-planetário,“colorindo” as estrelas com os maiores fu-ros. Use papel celofane vermelho para asestrelas da classe espectral M e azul paraas estrelas da classe espectral B e O. Nasdemais estrelas, não é necessário colocarpapel celofane, pois as estrelas destas ou-tras classes espectrais possuem coloraçãoFigura 2 - Colagem das peças na cartolina.Figura 3 - Peças unidas, recortadas e do-bradas.Figura 4 - As estrelas estão furadas de acordo com sua magnitude aparente.
  3. 3. 44 Física na Escola, v. 12, n. 2, 2011próxima ao amarelo ou branco (Fig. 5).(5) Observe que há duas linhas trace-jadas na cor cinza no mini-planetário(próximo às linhas que indicam o calen-dário). Para facilitar a montagem, faça ne-las um corte com a tesoura (Fig. 6). Note,pois, que os dois hemisférios ficam ligadossomente por um lado, no qual está dese-nhada uma parte do calendário. Há váriasabas nas quais está escrita a expressão“cole aqui”. Comece a fechar o sólido co-lando estas abas uma por vez, e una todosos lados. Ao final desta etapa, você teráos dois hemisférios unidos apenas por umlado (Fig. 7).(6) Fixe o palito de churrasco que irásustentar o mini-planetário na base(Fig. 8). Este palito é colocado passandopelos dois pontos em torno do qual “o céugira”. Estes pontos ficam no topo de cadahemisfério, bem no encontro das linhasradiais (em cor cinza). Para facilitar, furede antemão estes dois pontos com umatachinha. Mas antes de colocar o palito, énecessário preparar a micro-lâmpada quenele será fixada.(7) Faça o circuito elétrico unindo umpedaço de fio para circuitos elétricos sim-ples (de mais ou menos 15 cm de compri-mento) a cada terminal da micro-lâmpa-da, com fita crepe ou durex. Prenda amicro-lâmpada, pelo bocal, com fita crepeou durex, mais ou menos no meio dopalito (Fig. 9). Primeiro, posicione o palitopassando pelo pólo celeste norte (e passetambém por este furo os fios que partemda lâmpada, para que as extremidades dosfios fiquem para fora do sólido). Depois,vá fechando o sólido e faça com que o pali-to passe pelo pólo celeste sul. Faça a cone-xão dos fios dos terminais da micro-lâm-pada com os fios dos terminais do suportedas pilhas (usando fita crepe ou durex).Deixe o circuito aberto em algum pontopara ser colocado o interruptor liga/des-liga.(8) Recorte as quatro tirinhas queservem de calendário (em anexo). Além decalendário, elas servirão também parafechar o sólido. Veja que no próprio mini-planetário já existe uma parte do calendáriodesenhada. O calendário completo “dá avolta” em todo o sólido. Cada tira possuidois números dentro de um quadrado. Aprimeira a tira possui os números 1 e 2, asegunda tira possui os números 3 e 4, eassim por diante. Observe que na borda dohemisfério celeste norte há também osmesmos números. A finalidade destes nú-meros é sinalizar a colagem dessas tiras.Depois de recortá-las, cole-as obedecendoMini-planetário: um projetor portátil de baixo custoFigura 5 - O papel celofane colorido, fixado com durex no interior do material, permiteque a classe espectral de várias estrelas seja percebida na projeção.Figura 6 - Um corte nas linhas pontilha-das facilita a montagem do material.Figura 7 - Hemisférios unidos pelo calen-dário.Figura 8 - Detalhe da colocação do palitode churrasco.Figura 9 - Detalhe da colocação da mi-cro-lâmpada.Figura 10 - Colagem das tirinhas do calen-dário.
  4. 4. 45Física na Escola, v. 12, n. 2, 2011a numeração: o número 1 sobre o número1, o número 2 sobre o número 2, e assimsucessivamente (Fig. 10).(9) Monte a base do mini-planetário,com o papel cartão. Esta base é uma caixa.O fundo é quadrado, com 15 cm x 15 cm,e as laterais são retangulares, com 15 cmx 9 cm.(10) Observe uma das fotos do mini-planetário montado. Note que a fixaçãodo corpo principal do mini-planetário éfeita de modo que ele fique inclinado (emquase todos os casos) e a inclinação dependeda latitude do local que se deseja visualizaro céu. O corpo principal do mini-plane-tário, mostrado nas figuras deste artigo,possui uma inclinação calculada paramostrar o céu de Brasília, cuja latitude éde aproximadamente de 15º. E, por se tra-tar de uma cidade localizada no hemisfériosul, o hemisfério celeste sul deve estar naparte mais elevada do material. Paraentender como fixar o corpo principal domini-planetário na base, observe a Fig. 11.Nesse caso, θ = 15º. Caso se quisesse re-produzir o céu noturno de uma cidadecomo Porto Alegre, por exemplo, cuja lati-tude é 30º, θ teria esse valor. Recorte umatira de papel cartão (com largura de maisou menos 1 cm) e cole “bem no meio” deuma das laterais da caixa, conforme aFig. 12. Essa tira serve para “elevar” umdos hemisférios. Para ajustar o tamanhodessa tira à latitude do local desejado,observe novamente a Fig. 12. A distânciaentre a borda da caixa e o local onde o palitofura a tira de papel cartão está representadapor a na Fig. 11. Da mesma forma, o ou-tro hemisfério está mais baixo e a outraextremidade do palito passa por uma distân-cia aaaaa abaixo da borda oposta da caixa. Parao caso específico de Brasília, e tomandoas dimensões da base mencionadas noItem 9, a vale 2,0 cm, pois, de acordo comqualquer um dos triângulos ilustrados naFig. 11, θ = arctg(2,0/7,5), que é aproxi-madamente 15º. Para calcular a para umalatitude genérica, e sendo o tamanho dalateral da caixa 15 cm, a é calculado deacordo com a Eq. (1)a = 7,5 × tg θ (cm) (1)Sabendo das dimensões de a, recorteuma tira de papel um pouco maior do queo comprimento de a para colá-la na caixaconforme ilustra a Fig. 12.(11) Recorte o retângulo grande queestá na mesma folha que contém as tiri-nhas do calendário. Cole essa peça na lat-eral da base que está voltada para o hemis-fério celeste sul – o mesmo lado da caixaem que a tirinha foi colada (Fig. 12). Esseretângulo contém um quadro com asmagnitudes estelares, informações técni-cas e as instruções para o uso do mini-planetário. Nesta mesma folha há um ou-tro quadrado com uma seta. Esse quadra-do deve ser recortado e colado na lateralda esquerda em relação ao hemisfério ce-leste sul – Fig. 13. A utilidade dele é indicaro dia e a hora do céu mostrado. Ainda háum outro retângulo, que é o símbolo doAno Internacional da Astronomia (AIA2009). Recorte-o e cole-o em uma outralateral da caixa, a sua escolha – Fig. 14.Ajustando a data e a horaO próprio mini-planetário traz umarápida instrução de como manuseá-lo,mas convém detalhar melhor sua utili-zação. O calendário que está na parte cen-tral do mini-planetário inclui todos os diasdo ano. Cada risco corresponde a um diado ano, sendo que o primeiro dia de cadamês, indicado no próprio calendário, estáfeito com uma linha mais espessa. Paraajustar o momento da visualização, esco-lha o dia desejado no calendário e alinhe orisco correspondente à borda da lateral dacaixa na qual a seta está colada (Fig. 13).Quando se fizer isso, as estrelas que estão“da borda da caixa para cima” são aquelasMini-planetário: um projetor portátil de baixo custoFigura 11 - A inclinação do corpo principal do mini-planetário depende da latitude local.Na figura, θ equivale, em graus, à latitude do local que se deseja obter a projeção. Otamanho do segmento a, em cm, para uma base de lateral 15 cm, é encontrado com aEq. (1).Figura 13 - Seta indicativa da data e dahora.Figura 14 - Detalhe do logotipo do AnoInternacional da Astronomia (AIA2009).Figura 12 - Vista frontal do mini-plane-tário.
  5. 5. 46 Física na Escola, v. 12, n. 2, 2011que estão visíveis no céu. As estrelas queestão “da borda da caixa para baixo” sãoaquelas que estão abaixo da linha do hori-zonte (e, portanto, não visíveis no instanteconsiderado). Para ajustar a hora desejada,é necessário olhar para as linhas tracejadasda parte central do corpo principal domini-planetário. Essas linhas estão pró-ximas ao calendário, perpendiculares a ele.O espaço entre duas dessas linhas equivale auma hora. Depois de escolhido o dia da vi-sualização, posicione o material “de fren-te” para você, ou seja, com o hemisférioceleste sul voltado na sua direção. Gire ocorpo principal no mini-planetário no sentidohorário se for antes da meia-noite, ou nosentido anti-horário se for depois. A cadahora a mais ou a menos é necessário girar ocorpo principal do mini-planetário o espaçocorrespondente a duas dessas linhas tra-cejadas. Para entender melhor, acompanheos três exemplos a seguir:Exemplo 1 – Céu do dia 1/12 às 00 h00 min: Procure no calendário o riscocorrespondente a esse dia. Alinhe este riscoà borda lateral da caixa na qual está a seta.O céu desse dia, nesse horário, já estásendo mostrado e não é necessário se ajus-tar nada, pois não é necessário mais giraro corpo principal do mini-planetário. Noteque a constelação de Órion está quase noalto do céu, como ilustra a Fig. 15.Exemplo 2 – Céu do dia 15/8 às 21 h00 min: Ache o risco correspondente aodia 15/8 e alinhe-o à borda da caixa quecontém a seta. Agora é só ajustar o horá-rio. Como se trata de um horário antesda meia-noite, o corpo principal do mini-planetário deve ser girado no sentidohorário. Para as 21 h, deve-se voltar trêshoras (24 h menos 21 h), ou seja, deve-segirar o corpo principal do mini-planetáriotrês espaços equivalentes à distância en-tre duas linhas tracejadas. As constelaçõesMini-planetário: um projetor portátil de baixo custoque estão mais no alto do céu são Escor-pião, Sagitário e Ofiúco¸ tal como pode serobservado na Fig. 16.Exemplo 3 – Céu do 1/1 às 04 h 00min: Localize o risco correspondente a essadata e, da mesma maneira que os exem-plos anteriores, alinhe-o com a seta la-teral da caixa. Por se tratar de um horáriodepois da meia-noite, o corpo principal domini-planetário deve ser girado no sentidoanti-horário. Para o horário indicado, oobjeto deve ser girado quatro espaços.Nota-se que no céu desse momento aconstelação de Órion está desaparecendoenquanto a constelação de Escorpião estánascendo no horizonte, como pode servisto na Fig.17.Possibilidades pedagógicas deuso do mini-planetárioO mini-planetário pode ser emprega-do de múltiplas formas na sala de aula efora dela. Argumenta-se, pois, a favor dautilização do material para o ensino daastronomia e de alguns temas relaciona-dos à física.Ensino da astronomiaA astronomia, ciência que estuda aosastros [1], carrega consigo inegávelpotencial didático [2]. Embora haja muitaspesquisas na área fruto de relatos de expe-riências escolares [3-6], apenas paramencionar algumas, o ensino de astro-nomia ainda não alcançou sua devida po-sição no cenário educacional, mesmosendo uma recomendação dos ParâmetrosCurriculares Nacionais para o EnsinoMédio (PCN+EM) [7].Para o ensino de astronomia, o ma-terial aqui apresentado é útil na aborda-gem de diversos temas, como: i) modelodo sistema solar (geocêntrico e heliocên-trico), ii) constelações, iii) astronomia deposição, iv) estrelas e suas variedades,entre outros assuntos.Organizar atividades em classe, enfo-cando temas de astronomia como partedo desenvolvimento curricular dos ensi-nos fundamental e médio é tarefa inadiá-vel com a qual o mini-planetário aquiproposto pode contribuir.Popularização da astronomiaPopularizar, no entendimento de al-guns pesquisadores, é um conceito maisprofundo que somente o de divulgar [8].É quando se é possível difundir entre opovo determinado conhecimento [9]. Emum pensamento mais apurado, significacolocar o conhecimento no campo da par-ticipação popular e sob o crivo do diálogocom os movimentos sociais [10, 11]. Épossível supor que a simplicidade e, aomesmo tempo, a riqueza de possibilidadesdo mini-planetário seja um catalisador natentativa de colocar as ideias da astrono-mia e da física (e conhecimentos correla-tos) em posição de diálogo não só com osestudantes da educação básica, mas como público em geral. Utilizar o mini-pla-netário para uma sessão de planetário,então, se mostra uma possibilidade viávelno sentido da popularização da astrono-mia.Abordagem de tópicos de físicaO mini-planetário pode ser aprovei-tado na discussão de alguns tópicos emfísica, dentre eles: i) medidas de tempo, ii)medidas de espaço, iii) escalas, iv) prin-cípios de conservação, v) ótica, vi) leis doFigura 15 - A seta indica a constelação deÓrion quase no topo do céu do dia 1/2 às00 h 00 min.Figura 16 - Ofiúco, Escorpião e Sagitáriosão indicadas pelas setas na noite do dia15/8, às 21 h 00 min.Figura 17 - Enquanto a constelação deÓrion está se pondo no oeste, a de Escorpiãoestá nascendo no lado oposto no céu dodia 1/1 às 04 h 00 min.
  6. 6. 47Física na Escola, v. 12, n. 2, 2011 Mini-planetário: um projetor portátil de baixo custoReferências[1] R.R.F. Mourão, O Livro de Ouro do Uni-verso (Ediouro, Rio de Janeiro, 2002),509 p.[2] R. Caniato, Astronomia e Educação (Uni-verso Digital), p. 80-91.[3] J.B.M. Barrio, in Educação em Astrono-mia: Experiências e Contribuições paraa Prática Pedagógica, organizado porMarcos Daniel Longhini (Ed. Átomo,Campinas, 2010).[4] J.B. Canalle, Caderno Catarinense de En-sino de Fisica 16, 314 (1999).[5] A.A. Mees, Astronomia: Motivação parao Ensino de Física na 8ª Série. MestradoProfissionalizante em Ensino de Física,Instituto de Física, UFRGS, 2004.[6] D.S. Leão, Trabalho de Conclusão deCurso (UCB, Brasília, 2009).[7] Brasil, PCN+. Ensino Médio: OrientaçõesEducacionais Complementares aosParâmetros Curriculares Nacionais(MEC/SEMTEC, Brasília 2002).[8] M.G. Germano e W.A. Kulesza, CadernoBrasileiro de Ensino de Física 24, 7(2007).[9] A.M.S. Mora, A Divulgação da Ciênciacomo Literatura (Casa da Ciência, Riode Janeiro, 2003).[10] J. Huergo, in Seminário Latinoame-ricano: Estratégias para la Formación dePopularizadores en Ciências y Tecnologia,2001, Cono Sul, La plata.[11] J.L. Lens, in Seminário Latino Americano:Estrategias para la Formación de Popu-larizadoresen Ciência y Tecnologia,2001, Cono Sul, La Plata.movimento, vii) constituição da matéria,etc.Neste contexto, o professor pode edeve estimular questionamentos do tipo“Por que as estrelas mudam tanto de posi-ção ao longo da noite e ao longo do ano?”“O que mantém a Terra em seu movi-mento de rotação e translação?” “Se o Solé uma estrela, por ela parece tão maior doque as outras?” “De onde vêm as coresdas estrelas?” A partir disso, o conheci-mento pode, com grande eficiência, sermobilizado em resposta a essas questões.Mas as possibilidades não se encerrampor aqui. Outras abordagens podem serrealizadas a critério do professor, aten-dendo aos diferentes interesses dos alunos.A seguir, é deixada uma sugestão de ativi-dade que pode, com facilidade, ser condu-zida com o mini-planetário.Sugestão de atividade –Sessão de planetário com omini-planetárioPara o professor ou apresentadorconduzir uma sessão de planetário com omini-planetário, é necessário que se re-serve um espaço de pequenas dimensões(uma sala pequena) completamenteescuro. Reúna ogrupo de expectado-res (fora do ambienteescuro, ou mesmodentro dele, mas comas luzes ligadas) emostre o mini-plane-tário. Explique seuprincípio de funciona-mento (objeto girató-rio, com as constela-ções furadas e equi-pado com uma mi-cro-lâmpada) e algu-mas de suas funciona-lidades (permite mostrar o céu noturnode qualquer parte do planeta, em qualquerhora da noite, a qualquer data). De prefe-rência, ajuste o momento da visualizaçãodo céu para a meia-noite do dia em que seestá realizando a atividade. Cite algumasconstelações comuns que podem serobservadas naquele momento. Acomodeos expectadores no local da exibição dasessão, já escurecido, com o auxílio deuma lanterna, e leve o mini-planetário,ainda desligado, ao centro da sala na qualocorrerá sessão. Fale um pouco sobre asconstelações, sobre o céu noturno ou algorelacionado. Ligue a micro-lâmpada domini-planetário e continue sua explanaçãosobre astronomia. Pode-se contar algumashistórias mitológicas clássicas, como asdas constelações do zodíaco, por exemplo.Transcorridos alguns minutos da sessão,a pupila dos expectadores estará maisaberta e, por consequência, a projeção dasestrelas nas paredes do ambiente se apre-sentará mais perceptível. Simule algumapassagem de tempo girando o corpo prin-cipal do mini-planetário. Mostre aoposição entre as constelações de Escorpiãoe Órion, que possuem, entre si, um afas-tamento de quase 180°. Comente sobre adinâmica da mudança aparente do céu aolongo de uma noite e ao longo do ano.Explique que, ao longo de uma noite, umaconstelação que esteja surgindo no hori-zonte, no ponto cardeal leste, às dezoitohoras, por exemplo, seis horas depois (1/4 de um dia), estará no zênite (ponto maisalto do céu) à meia-noite e que, mais seishoras depois, ao amanhecer do dia, estaconstelação estará desaparecendo noponto cardeal oeste. Comente que, poroutro lado, se um observador acompanhaa posição aparente das estelas, todas asnoites, no mesmo horário, pode-se notar,ao longo dos meses, uma mudançasemelhante do céu. Uma constelação queesteja, por exemplo, nascendo no hori-zonte, no ponto cardeal leste, às dezoitohoras, três meses depois (1/4 de um ano),também às dezoito horas, estará no zênitee, mais três mesesdepois, no mesmo ho-rário, estará se pondono ponto cardeal oeste.Estas constâncias nomovimento aparentedo céu ficam maisfáceis de serem expli-cadas com o auxílio domini-planetário. Éconveniente situar aimportância do conhe-cimento astronômicopara a história da hu-manidade, frisando ofato de que o conhecimento dessas regu-laridades do movimento celeste foi cru-cial para a sobrevivência da espéciehumana. Para um local de observação docéu como Brasília, é interessante esclarecersobre a localização do pólo celeste sul –ponto em torno do qual o céu gira, paraobservadores localizados no hemisfériosul – por meio da constelação do Cruzeirodo Sul, bem como a não-visualização dopólo celeste norte. Por fim, pode-secomentar sobre a variedade de tipos espec-trais de estrelas, já que a projeção é colo-rida.ConclusãoO uso deste material com alunos deEnsino Médio da rede pública de ensinode Brasília, DF, se mostrou satisfatório,revelando assim as potencialidades a eleagregadas. Depoimentos dos estudantesindicam o caráter lúdico e interativo comoelementos de destaque da proposta.Concluímos, portanto, afirmando o valorinerente ao desenvolvimento de materiaisdidáticos instrucionais na formação deprofessores.AgradecimentosEm primeiro lugar, gostaria de ex-pressar enorme gratidão ao curso de Físicada Universidade Católica de Brasília, ondetive minha formação de graduação, porter viabilizado a execução inicial deste pro-jeto, não podendo deixar de citar o nomedo professor Dr. Sérgio Luiz Garavelli(diretor do curso de Física da UCB). Cola-boraram ainda em grande parte com oprojeto do mini-planetário os professoresPaulo Eduardo de Brito e Cássio CostaLaranjeiras (UnB), este último responsávelpela orientação e constante revisão dostextos por mim elaborados. Em segundolugar, agradeço a cordialidade da AgênciaEspacial Brasileira, em particular a CarlosEduardo Quintanilha, da AEB Escola, emceder o Teatro de Estrelas – material queinspirou a elaboração do mini-planetário.Com o mini-planetário, oprofessor pode e deveestimular questionamentos dotipo “Por que as estrelasmudam tanto de posição aolongo da noite e ao longo doano?” “O que mantém a Terraem seu movimento de rotaçãoe translação?” “Se o Sol é umaestrela, por ela parece tãomaior do que as outras?” “Deonde vêm as cores dasestrelas?”

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