Dicas de fotografia por Claudia Regina

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Dicas de fotografia por Claudia Regina

  1. 1. c l a u d i a r e g i n a i l u s t r a s : s i l t a k a z a k i DICASDE FOTOGRAFIA
  2. 2. Rio de Janeiro Claudia Regina 2015 1ª edição C LA U D I A R E G I N A e S I L TA K A Z A K I D I C A S D E FOTOGRAFIA
  3. 3. SUMÁRIO prefácio ........................................................................................................5 capítulo 1 o equipamento digital ...................................................................11 capítulo 2 a técnica ...................................................................................................47 capítulo 3 como criar fotos incríveis ............................................................97 capítulo 4 luz ................................................................................................................193 capítulo 5 edição .......................................................................................................231 capítulo 6 fotografia como profissão .........................................................263 por quê não fotografei a tapioquinha? ...........................289 configurações das fotos................................................................296 apêndices...............................................................................301
  4. 4. 5 Prefácio à primeira edição Estava pertinho do meu aniversário, em março de 2013, quando recebi uma ligação. Era um convite para escrever um livro básico de fotografia. Me perguntei o que você talvez tenha se perguntado também: “mais um livro de fotografia básico?” Durante esses mais de dois anos, percebi que a principal razão que me fez aceitar essa ideia foi a oportunidade de trazer um jeito brasileiro de falar sobre fotografia. Os livros básicos mais conhecidos da área são todos traduzidos de versões estadounidenses, e tenho que admitir: não aguentava mais ter que ver fotos de lugares que não conheço e de gente jogando futebol americano para aprender a fotografar! É claro que este incômodo é pequeno, comparado ao meu incômodo com a forma de ver o mundo que nos é passada através dos livros, filmes, e toda cultura de consumo e desenvolvimento promovida pelos Estados Unidos. É por este motivo, também, que tentei me desafiar a fazer deste livro de fotografia uma pequena ponte para uma cultura da nossa terra. Uma cultura de simplicidade e flexibilidade (jeitinho) que, resistente, ainda existe no campo, nos povos originários e em comunidades por todo o nosso país. Este é um livro de fotografia, e não um livro sobre a crise do mundo industrial em que vivemos. Então, não se preocupe: você não vai encontrar essa visão no conteúdo, e sim na forma de passá-lo. Uma simples diferença entre: “você precisa comprar este produto para ser feliz, vai lá, compre agora!” e “esta ferramenta pode te ajudar, mas se você não tiver ela à mão pode usar outra coisa, fazer uma adaptação ou viver sem ela.”
  5. 5. 6 Foi um livro que deu trabalho. Para mim, que escrevi e reescrevi muita coisa, e para minha querida amiga Silmara, que fez a diagramação e as ilustrações de uma forma incrível, didática e cheia de sutilezas necessárias. E por que distribuir de graça na internet um livro que deu tanto trabalho? O plano inicial era ter um livro impresso, de verdade, desses que vendem na livraria. A editora que me convidou para produzi-lo estava responsável por esta parte. Infelizmente, tivemos algumas discordâncias sobre pontos do livro e não foi possível chegarmos a um acordo. Por isso, preferi distribuí-lo de graça. E, no fim das contas, essa pendenga toda se mostrou positiva. Foi graças a ela que criei a força necessária para colocar este livro no mundo dentro de um contexto coerente com as minhas próprias demandas. Como pagamento, quero que você faça da sua fotografia uma forma de reconhecer o mundo. Que a sua fotografia vá além das suas necessidades de crescimento e felicidade pessoais, e seja uma ferramenta de mudança sustentável. Não é possível mudar tudo, mas podemos mudar a comunidade que nos cerca e preparar o terreno para quem vem depois. (Eu e a Sil ainda temos vínculos financeiros. Então você também pode nos recompensar financeiramente, doando um valor à sua escolha, caso esse seja seu desejo e possibilidade.) Um abraço bem apertado e boa leitura. Claudia Regina Rio de Janeiro, 1º de julho de 2015
  6. 6. 7 Como ler este livro Para que algo seja simples, é preciso suprimir algumas informações. Fiz de tudo para ser precisa em todas as explicações, mas muitas delas estão simplificadas para o melhor entendimento da leitora iniciante. Se você já entende de fotografia pode achar que algumas partes estão muito óbvias ou que não citei todas as exceções. Mas vamos deixar o avançado para os livros avançados, não é mesmo? Em alguns poucos momentos achei interessante aprofundar assuntos específicos. Fiz isso em apêndices, que estão no fim do livro. São detalhes um pouquinho mais técnicos ou mais avançados que podem ser interessantes para quem já tem algum conhecimento. Se é a primeira vez que você lê sobre fotografia sugiro deixar os apêndices para a segunda leitura, depois de praticar bastante o conteúdo regular. Digo isso pois esse tipo de conteúdo pode confundir se não houver conhecimento prévio. Talvez você note que falarei bastante sobre as leitoras, as fotógrafas, e por aí vai. Meninos, não se sintam excluídos: este livro não é só para mulheres. Sigo a tendência de pessoas acadêmicas da atualidade que buscam escrever usando a linguagem de forma não sexista ou binária. Nos momentos em que não consegui excluir marcações de gênero por completo, usei o feminino como gênero neutro. Este livro é para todos que gostam de fotografia, não importa se você é menino, menina, ou nenhuma das duas.
  7. 7. 8 O que é uma boa foto? Imagino que, ao ler um livro de fotografia, um dos seus objetivos seja fazer fotos boas. Não é por acaso que o tipo de mensagem que mais recebo de quem está começando é assim: – Olha as minhas fotos e me diz se estão boas? Meu companheiro, o escritor Alex Castro, recebe este mesmo tipo de pergunta de iniciantes que gostariam de ingressar na literatura. Tudo que ele fala sobre textos pode ser extrapolado, sem tirar nem pôr, para fotografias: “Um texto [...] só pode ser bom em função do que ele se propõe. Nada existe no vácuo.  O texto que é excelente para fazer rir pode ser péssimo em causar terror. O texto que é excelente para informar sobre química orgânica é péssimo em ensinar inglês. Se o autor não sabe para que o texto serve, se não sabe para que escreveu aquele texto, então o texto não tem chance de ser bom. Ou melhor, pode até ser bom, mas por acidente e à revelia, do mesmo modo que um relógio parado estará certo uma vez a cada doze horas – e errado praticamente o tempo todo. Um martelo é bom se eu tenho um prego para enfiar em uma parede. Se eu quero fritar um ovo ou trocar uma lâmpada, o martelo não me serve pra nada.” Por isso, se você me perguntar “esta minha foto está boa?”, não saberei responder.
  8. 8. 9 Uma foto desfocada pode ser adequada para uma exposição de arte. Uma foto desfocada pode ser inadequada para um catálogo de produtos do supermercado. Colocar uma chamada dizendo “parcele em 12x sem juros” no seu site pode ser perfeito caso seu público-alvo seja de baixa renda, mas pode também afugentar potenciais clientes arrogantes e de alto poder aquisitivo. A boa foto é aquela que teve mais compartilhamentos na rede social do momento? A que foi vendida por um preço mais alto no leilão? É a que fez clientes chorarem de emoção? A que ganhou um Pulitzer? A resposta depende da pergunta principal: por que você fez essa foto? O contexto histórico e autoral também é muito importante para qualquer obra: a Mona Lisa, se pintada hoje, não é revolucionária. Uma foto do Sebastião Salgado, se tivesse sido tirada por mim, não seria considerada genial. A história contada pela foto, independente da técnica utilizada, pode ser crucial para sua relevância. Eu não sei a receita da foto revolucionária ou genial, mas a partir do capítulo três vou falar mais sobre as regras para fotos esteticamente adequadas. Regras que seguem as mesmas premissas das outras artes visuais (como a pintura e o design.) Vamos falar sobre composição, sobre cores e sobre algumas técnicas consideradas ideais para determinados tipos de fotos. Sempre que falo alguma dessas regras, vem alguém retrucar: “Ah, mas eu vi uma foto premiada de uma pessoa incrível e famosa que não segue essa regra! O que você tem a dizer sobre isso?”
  9. 9. 10 O que eu tenho a dizer é simples: é preciso ler e escutar de forma crítica quando colegas dão suas dicas e impressões. Regras servem como ferramenta para chegar no seu objetivo. E quebrá-las pode ser o caminho para chegar nele tanto quanto seguí-las. Sempre que você escutar alguém dizendo que para conseguir fazer fotos bonitas você deve fazer isso e não deve fazer aquilo, escute, aprenda, e depois considere fazer o contrário. Lembre de ler este livro – e outros – com isso em mente.
  10. 10. o equipamento digital 1
  11. 11. 12 Qual câmera comprar? Essa inocente perguntinha me persegue entre as mensagens que mais recebo de quem está começando na fotografia. Minha resposta, embora pareça radical, é simples: compre qualquer uma. Muita gente fica indignada quando digo uma coisa dessas e afirma que a câmera tem sim influência na qualidade de uma foto. Não posso discordar: uma câmera de celular oferece menos controle e menor qualidade final do que um equipamento especializado. Porém, quando estamos começando, ainda não sabemos tudo que uma câmera faz. Por um bom tempo é inevitável subutilizar todo o potencial da bichinha. Gosto de comparar a fotografia à profissão de cozinheira: quem é cozinheira profissional consegue fazer um bom prato mesmo em um fogão caseiro, mas para trabalhar com isso e montar um restaurante será necessário ter um fogão que permita mais controle sobre o resultado, além de ele precisar ser mais robusto e forte para resistir ao uso constante. A pessoa que está começando a cozinhar pode até comprar um fogão incrível, mas isso não vai ajudá-la em nada, já que estará aprendendo como cortar uma cebola. As 50 combinações de temperatura, umidade e ventilação do forno não farão diferença alguma nessa fase inicial. Se você está começando a fotografar não vai fazer diferença a câmera que está usando. De início, o objetivo será aprender o básico: picar cebola! Ou, voltando pra fotografia, medir a luz, focar e compor. E isso dá para fazer com qualquer câmera que tenha controles manuais.
  12. 12. oequipamentodigital 13 Por isso, para quem quer começar a entender os conceitos da fotografia, sempre sugiro começar com qualquer câmera que permita controles manuais. A experiência me mostrou que o melhor custo/benefício está em comprar modelos mais básicos e já usados. É claro que se você tem dinheiro sobrando dá pra comprar sim o fogão mais caro logo de saída: o que não dá pra fazer é achar que ele vai ser de alguma serventia na hora de picar cebola! Antes de conhecer as câmeras é interessante você saber os nomes que damos para algumas de suas partes: Tipos de câmeras: suas vantagens e desvantagens Sei muito bem que “qualquer uma” não respondeu a sua pergunta, então vamos analisar os tipos de câmeras que encontramos hoje no mercado, olhando alguns pontos importantes: a qualidade de imagem, a possibilidade de usar diferentes lentes, o controle das configurações e a portabilidade. botão disparador visor tela LCD sensor (lá dentro) lente corpo mapadacâmera
  13. 13. 14 Cameraphones Lembra quando os celulares começaram a vir com câmera? Pois bem, essas câmeras melhoraram e alguns celulares entram hoje na categoria cameraphones: a qualidade anda tão boa que são consideradas câmeras com celular, e não o contrário. A maior vantagem desse tipo de câmera é que você provavelmente já a leva para todo lugar, facilitando a prática diária da fotografia. A desvantagem é que, mesmo melhorando muito de uns tempos pra cá, a qualidade ainda não é tão alta em grandes impressões ou em momentos de pouca luz. Qualidade: Inferior (é quase inútil em situações de pouca luz.) Troca as lentes? Não, mas existem acessórios para encaixar no celular e fazer brincadeiras. Controle das configurações? Não, mas dá para fazer algumas gambiarras com aplicativos. Portabilidade: Super portátil. Dica Use seu celular para praticar composição todos os dias. A limitação técnica te obrigará a usar a criatividade para conseguir fotos atraentes. De bolso Essas câmeras normalmente contam com uma qualidade melhor de imagem e de controle se comparadas às cameraphones. Elas também são portáteis, mas com uma qualidade um pouco superior e mais opções de configurações do que cameraphones. O flash dessas câmeras costuma ser potente o suficiente para retratos e são uma ótima opção para encontros pessoais. Um dos seus maiores defeitos é o intervalo entre o clique e a foto: perdemos momentos exatos pois ela não faz a foto na hora que apertamos o botão.
  14. 14. oequipamentodigital 15 Dica Prefira câmeras de bolso com zoom óptico, pois o zoom digital faz a imagem perder muita qualidade. Abuse também dos modos que ela oferece, escolhendo a opção adequada para fotos de retratos, paisagens, e noturnas, por exemplo. Qualidade: Média (não se comporta muito bem com pouca luz e demora a fazer a foto.) Troca as lentes? Não. Controle das configurações? Não muito, mas é possível usar predefinições dependendo do tipo de foto. Portabilidade: Super portátil. Bridge Também vendidas como superzoom, as bridge são câmeras consideradas como um meio termo entre as de bolso e as profissionais. Sua maior vantagem é possuir mais configurações personalizáveis garantindo bastante controle. Porém, não permite a troca de lentes e seus sensores têm uma qualidade inferior em situações mais críticas, como pouca luz. Qualidade: Média (não se comporta muito bem com pouca luz.) Troca as lentes? Não, mas possui uma só lente bem versátil com bastante zoom. Controle das configurações? Sim. Portabilidade: Não é muito portátil. DSLR As câmeras digital single lens reflex são câmeras que permitem controle totalmente manual. Dentre elas, existem desde opções de entrada (mais baratas e menores) até opções full frame (que têm sensores
  15. 15. 16 maiores e com mais qualidade.) Vou falar mais sobre sensores e suas diferenças nos próximos tópicos. São as câmeras mais usadas por profissionais, pelo menos até a popularização das mirrorless, por permitir total controle de configurações, boa usabilidade do equipamento e várias opções de lentes intercambiáveis. Sua principal desvantagem é o tamanho e o peso, principalmente quando temos um kit com várias lentes para carregar nas costas. Qualidade: Superior. Troca as lentes? Sim. Controle das configurações? Sim. Portabilidade: A câmera e as lentes são pesadas e volumosas. Mirrorless As mirrorless são câmeras do tamanho de compactas, mas com qualidade superior. Ao contrário das câmeras DSLR, elas não possuem um dispositivo ótico (com espelho e prisma), por isso são tão pequenas. Embora seja uma tecnologia nova, muitas pessoas já as utilizam profissionalmente. Sua maior vantagem é ter uma qualidade comparável à das câmeras maiores, mas em um tamanho reduzido. Isso pode ser um problema para quem se acostumou à forma de segurar as câmeras maiores e também para quem gosta do visor ótico. Qualidade: Superior. Troca as lentes? Sim. Controle das configurações? Sim. Portabilidade: Super portátil. Dica As DSLR são câmeras rápidas e de corpo robusto. O atraso entre o clique e a foto é quase imperceptível; é possível tirar várias fotos sequenciais; e aguentam mais chuva e pancadas do que câmeras mais leves – essencial para quem fotografa diariamente ou em situações de risco. Dica Profissionais gostam muito das mirrorless para fotos em que uma câmera muito grande pode chamar atenção ou inibir as pessoas, como fotos urbanas e retratos.
  16. 16. oequipamentodigital 17 Médio formato São câmeras que usam sensores muito grandes, oferecendo qualidade superior de imagem. Seus preços são a partir dos milhares de dólares. Se você está começando na fotografia e pensando em qual câmera comprar, provavelmente essa opção é muita areia pro seu caminhãozinho. prisma sensor DSLR Diferença entre DSLR e Mirrorless DSLR mirrorless na hora do clique o espelho sobe... ...e o sensor registra a foto. espelho
  17. 17. 18 Para começar a fotografar com mais controle Dentre todas essas opções, sugiro que você comece com qualquer uma que permita controle das configurações (bridge, DSLR ou mirrorless). Se escolher uma câmera que permite a troca de lentes, procure começar usando somente a lente que veio com a câmera. Depois de alguns meses fotografando, você vai aprendendo o que mais gosta de fotografar, e saberá escolher melhor qual lente usar em seguida. Acredita em mim: é inútil ter várias lentes. Uma ou duas dão conta. Termos utilizados Neste livro e em outros materiais sobre fotografia, você vai encontrar alguns termos sendo utilizados o tempo todo. Para compreender as lições, vou contar quais utilizo e seus significados: Lente ou objetiva? Objetiva é o termo mais preciso para designar o conjunto de lentes que fica em frente ao corpo da câmera. Mas o nome lente é utilizado mais frequente e coloquialmente entre nós, aqui no Brasil, e será o termo que vou usar neste livro. Digital ou filme? Ao contrário do método químico, a fotografia digital utiliza um sensor ao invés de um filme. O método digital é atualmente o mais usado e, portanto, para não deixar as frases muito compridas, não vou usar termos como filme ou revelação. Sempre que eu falar em “expor o sensor” considere que isso vale também para “expor o filme”. Idem para todos os termos exclusivamente digitais utilizados ao longo do livro. Pós-produção, edição ou manipulação? O ato de transformar um filme em uma fotografia se chama revelação. Mas a fotografia digital trouxe novos termos para tudo que fazemos entre o bater a foto e a fotografia pronta. Pode ser edição, pode ser manipulação, pode ser até photoshopar. Roubei o termo pós-produção da área de filmagem pois ele engloba tudo que acontece depois da produção da imagem em si, e parece o termo mais democrático. Assim, dividimos a criação de uma fotografia em três etapas: pré produção, produção e pós-produção.
  18. 18. oequipamentodigital 19 A pré produção de um retrato pode envolver a escolha da locação e a organização das luzes. A produção deste retrato envolve desde a medição da luz na hora do clique até a direção da pessoa. A pós-produção é tudo que vem depois: seja baixar no computador e enviar direto pra cliente ou passar dias manipulando a imagem em programas de edição. Assunto Pode-se fotografar um objeto, uma pessoa, um animal, um prato de comida. Para simplificar, chamo tudo que podemos fotografar de “assunto”. É só uma palavra mais curta para “a coisa que está na frente da câmera”. Marcas Ao citar algumas configurações epecíficas, mostrarei exemplos usando as duas marcas mais usadas de câmeras: Canon e Nikon. É claro que você pode usar qualquer outra marca. É tudo bastante parecido, na prática, mas é bom ter o seu manual ao lado para checar se houver dúvidas. O que são pixels e resolução? Na fotografia digital, as fotos são formadas por pixels. E os pixels, por sua vez, são os pontinhos que formam as imagens no nosso computador. Cada pixel tem cor e luminosidade próprias. Juntando milhares de pixels bem pequenininhos, um ao lado do outro, uma foto é formada. 1 pixel.
  19. 19. 20 A resolução é a quantidade de pixels existentes em uma foto. Uma foto com baixa resolução é uma foto com poucos pixels e uma foto com alta resolução é uma foto com mais pixels. Imagens que são mostradas em uma tela têm uma resolução menor do que imagens impressas no papel, pois os pontinhos que formam cada pixel no monitor ocupam mais espaço do que os pontinhos que formam uma imagem impressa. Se você chegar bem pertinho do seu monitor conseguirá ver cada pontinho de luz, mas se tentar fazer o mesmo em uma foto impressa, será impossível. Por isso, uma foto para a internet não precisa de tanta resolução quanto uma foto para impressão. O padrão é considerar que uma tela tem 72 pixels por polegada, enquanto o papel tem 300 pixels por polegada. Ou seja: se você coloca 72 pixels por polegada em uma impressão no papel, a foto vai ficar com pouca qualidade, pois os pontinhos ficarão visíveis. aqui no papel impresso tem 300 pixels. aqui no monitor tem 72 pixels. Dica Ao comprar uma câmera, encontramos a quantidade de megapixels (MP) nas suas especificações. Esta é a quantidade de pontinhos que uma foto tirada por esta câmera tem. Um MP é formado por um milhão de pixels, então uma câmera de 15MP cria imagens com 15 milhões de pontinhos, um ao lado do outro!
  20. 20. oequipamentodigital 21 O mito dos megapixels Sempre que fotografo em algum local com muita gente, alguém olha para minha câmera enorme e pergunta, com os olhinhos brilhando: “Uau, que câmera, hein? Quantos megapixels ela tem? Acho que quem pergunta isso espera que eu diga algo incrível como "ahhh,tem um trilhão de megapixels!" Olhinhos param de brilhar quando eu respondo que a minha câmera tem tantos megapixels quanto muitas câmeras amadoras por aí. A confusão acontece pois os megapixels foram a medida escolhida pela indústria das câmeras amadoras como um ponto importante de venda. Fica implícito que quanto mais megapixels, melhor a qualidade da foto! essas duas fotos têm a mesma quantidadede pixels, mas a foto da direita, feita com umsensor pior, tem menor definição e qualidade. Dica Acredite: muitas profissionais nem lembram quantos megapixels suas câmeras possuem, de tão irrelevante que essa informação é na prática.
  21. 21. 22 Para quem está começando a fotografar a sério, a escolha normalmente vai ficar entre o sensor full frame e o APS-C. A verdade é que esse número não faz tanta diferença assim. Os megapixels são, somente, o tamanho da foto. O que realmente faz diferença na qualidade de imagem de uma câmera é o sensor – aquela plaquinha eletrônica que substituiu o filme. Sensores maiores e melhores criam fotos que reproduzem a realidade com mais nitidez e qualidade. Uma câmera que tenha 40 megapixels e um sensor ruim vai resultar em arquivos enormes, mas com baixa qualidade. Uma câmera com 8 megapixels e sensor bom vai resultar em arquivos menores, mas com qualidade superior. Sensor: suas características e tamanhos Existem diversos tipos de sensores usados na indústria da fotografia, mas a informação que mais interessa para quem está começando é saber seu tamanho. As câmeras mirrorless e DSLR são divididas comumente entre câmeras com sensores full frame ou APS-C. Full frame é o nome dado aos sensores que têm um tamanho próximo ao do filme 35mm, ou seja, por volta de 35x24mm. APS-C é o nome dado aos sensores que são um pouco menores, e embora o tamanho exato mude de acordo com o fabricante, normalmente fica próximo de 23x15mm. Dica Outros fatores que contribuem para a qualidade de uma foto são a lente utilizada e o uso da luz (falaremos sobre elas mais tarde). Existem também tamanhos maiores do que o filme 35mm (como o médio formato, de 50x39mm), ou menores (como os usados em câmeras compactas e celulares.)
  22. 22. oequipamentodigital 23 médio formato full frame = filme 35mm APS-C compactas tamanhos de sensores Qual sensor escolher? Agora que sabemos da importância do sensor, é possível supor que o sensor full frame é melhor. Porém, um sensor APS-C tem algumas vantagens que compensam a qualidade ligeiramente inferior: a primeira é o preço. Não só as câmeras full frame são muito mais caras, mas seus acessórios também. Além disso, sensores maiores costumam vir em corpos maiores e mais pesados. Até mesmo profissionais usam as APS-C pelo seu custo/benefício. Se você não vai fotografar em situações muito críticas de luminosidade ou não precisa ampliar suas fotos em tamanhos enormes, as APS-C com certeza oferecem qualidade suficiente. Qual lente escolher? Depois de escolher a sua câmera, será a hora de escolher a sua lente. Ao fazer uma pesquisa rápida você vai se deparar com nomes compridos e cheios de siglas. Apavorante! E aí, será que vou de EF-S 18-55mm f/3.5-5.6 IS STM ou a AF-S DX 16-85mm VR f/3.5-5.6G IF-ED? Não se preocupe: rapidamente você saberá decodificar cada sigla!
  23. 23. 24 Distância focal: os milímetros Sempre que você encontrar uma medida em milímetros (como 50mm), essa será a distância focal da lente. A distância focal nos diz o ângulo que a lente consegue nos mostrar. Quando o número é menor, como 10mm, a lente conseguirá nos mostrar um ângulo bem grande. Quando o número é maior, como 200mm, a lente mostrará um ângulo mais fechado. 10mm 50mm 200mm Compatibilidade de lentes Em relação ao tamanho do sensor, podemos dividir as lentes em dois tipos: aquelas que funcionam em todas as câmeras, e aquelas que só funcionam nas câmeras APS-C1 . Esse é outro ponto importante na hora de escolher o tamanho do seu sensor: lentes específicas para sensores APS-C costumam ser mais baratas que lentes tradicionais (apêndice 1: fator de corte). Dica As lentes feitas especialmente para sensores menores (APS-C) possuem uma nomenclatura própria: para Canon são as lentes EF-S, e para Nikon são as lentes DX. 1 A compatibilidade de lentes e câmeras pode também depender de outros fatores. Leia o manual da sua câmera para saber exatamente quais lentes são compatíveis.
  24. 24. oequipamentodigital 25 Veja no exemplo ao lado cinco fotos em que eu estava exatamente na mesma posição, mas usando lentes com distâncias focais diferentes. A lente que possui um ângulo de visão considerado normal é a 50mm. Lentes com distâncias focais menores do que 50mm são chamadas de grande-angulares e lentes com distâncias maiores são chamadas de teleobjetivas. Ao olhar pelo visor usando uma lente 50mm, você verá mais ou menos a mesma coisa que está vendo a olho nu. As lentes grande-angulares encaixam mais coisas no quadro: ao olhar através da câmera tudo parecerá um pouco menor do que pareceria só com seus olhos. As lentes teleobjetivas aproximam tudo: as coisas ficam aparentemente maior do que você estaria vendo normalmente. 10mm 50mm 70mm 100mm 200mm
  25. 25. 26 Se você está começando a fotografar agora, sugiro usar uma lente de distância focal normal, como a 50mm, para se adaptar ao novo equipamento. Depois, poderá investir em outras lentes mais adequadas às suas novas necessidades. Abertura: o valor f Iremos falar mais sobre a abertura no capítulo 2, dedicado à técnica básica. Por enquanto, é interessante você saber que o número que vem depois de f/ representa o máximo de luz que a lente deixa entrar. Números menores (como 1.8) pertencem a lentes que permitem mais entrada de luz. Números maiores (como 5.6) pertencem a lentes que permitem menos entrada de luz. 18 22 35 55 ON OFF 18-55mm 18 24 35 55 ON OFF 18-55mm anel de zoom Fixa vs zoom Às vezes, você encontrará lentes com uma só distância focal, como a 50mm, e às vezes encontrará lentes com duas, como a 18-55mm. A 50mm é uma lente fixa, e a 18-55mm é uma lente zoom. As lentes zoom possuem um intervalo inteiro de distâncias focais. Ao usar a 18- 55mm, você tem ao mesmo tempo uma lente 18mm, 19mm, 20mm, etc, até chegar em 55mm. É só girar o anel de zoom na lente e você conseguirá ângulos diferentes sem precisar mudar de lugar. Já as lentes fixas possuem somente uma distância focal. Se você quer dar zoom usando uma 50mm, terá que dar um passinho pra frente!
  26. 26. oequipamentodigital 27 Além dessa abertura máxima, as lentes também possuem uma abertura mínima. Este número não aparece no nome, mas em lentes tradicionais para DSLR ele normalmente fica entre f/22 e f/32. abertura grandef/2. abertura médiaf/8. abertura pequenaf/22. Estabilizador: IS ou VR Algumas lentes possuem um mecanismo que ajuda a estabilizar pequenos tremores da câmera durante as fotos. Esse mecanismo é o estabilizador de imagem: uma das partes óticas móveis da lente fica se movendo dentro dela, compensando assim os pequenos movimentos que fazemos ao segurar câmera e lentes mais pesadas. O estabilizador ajuda a evitar fotos borradas por causa do balanço das nossas mãos. Porém, um erro comum é achar que o estabilizador ajuda a fotografar assuntos em movimento. Não é bem assim: o estabilizador ajuda a neutralizar o movimento da pessoa que está segurando a câmera, não da que está sendo fotografada. A sigla da Canon é IS e a da Nikon é VR. Se a sigla não aparece no nome da lente, é porque ela não possui esta tecnologia. Dica As lentes que permitem mais entrada de luz são chamadas carinhosamente de lentes claras, e seus preços são os mais salgadinhos. Elas são bem úteis em situações de pouca luz. Em lentes zoom, você pode encontrar dois valores para f. Por exemplo: 18-55mm f/3.5-5.6. Isso quer dizer que a abertura muda de acordo com a distância focal. Em 18mm, a lente tem abertura máxima de 3.5. Em 55mm, ela tem abertura máxima de 5.6.
  27. 27. 28 Outras siglas comuns Lentes feitas para câmeras com sensores APS-C possuem siglas correspondentes (EF- S para Canon, DX para Nikon.) Lentes da série luxo da Canon, de qualidade superior, possuem a letra L. As características e tecnologias usadas nas lentes também possuem siglas próprias (como USM para foco ultrasônico da Canon, ou AF-S para as lentes com motor de foco embutido da Nikon.) Você também vai encontrar lentes denominadas Macro ou Micro, que são aquelas que permitem fotos de objetos bem próximos. Essas siglas são diferentes de acordo com os fabricantes, e encontram-se especificadas nas descrições das lentes. Ou seja: você não precisa conhecer todas de antemão. De início, as informações mais importantes são a distância focal e a abertura. O restante você pode analisar caso a caso. Qualidade das lentes Suas lentes serão suas amigas por muito mais tempo do que seu computador, sua câmera ou seu aplicativo de edição. Elas são o melhor investimento que se pode fazer. A qualidade da lente é vista nos materiais utilizados na sua montagem e na sua precisão ao reproduzir a luz refletida. Lentes melhores fazem fotos mais nítidas, com cores mais reais e com menos aberrações. Muitas vezes, as melhores lentes são mais caras que nossas câmeras! Mas, sendo bem cuidadas, podem durar a vida inteira. aberrações de cores são comuns em lentes de menor qualidade.
  28. 28. oequipamentodigital 29 Lentes adequadas para cada tipo de foto É possível fotografar todo tipo de assunto com todo tipo de lente. Mas, para quem está começando, é interessante conhecer as sugestões mais tradicionais: 70mm 10mm lentes grande-angulares distorcem as bordas da imagem e não são muito adequadas para retratos tradicionais. Retratos Lentes normais ou teleobjetivas (entre 50mm e 100mm) são consideradas as mais adequadas para retratos tradicionais, pois garantem que não iremos distorcer o rosto ou o corpo de quem estamos fotografando.
  29. 29. 30 o fundo desfocado dá toda a atenção para o que interessa na foto: a pessoa! Além disso, lentes com aberturas maiores (como f/1.4 ou f/1.8) também são indicadas pois desfocam bem o fundo. 1. aline
  30. 30. oequipamentodigital 31 Paisagens e ambientes internos Fotos de arquitetura, paisagens e ambientes internos são algumas das situações que pedem lentes grande-angulares. Essas lentes permitem incluir vários elementos na cena. Dentro das grande- angulares existe uma subcategoria chamada olho de peixe. Lentes olho de peixe oferecem um ângulo ainda maior de visão, mas com uma distorção bem grande. Essa distorção deve ser usada com cuidado para que o efeito não vire defeito ou lugar comum. a lente olho de peixe cria uma grande distorção na imagem. 2.lima,peru 3.manaus/AM
  31. 31. 32 uma foto da lua com uma 50mm não mostra muita coisa... Astronomia, esportes e animais selvagens Lentes super teleobjetivas (acima de 200mm) são bastante indicadas para tudo que está bem longe. Essas são aquelas lentes que parecem uma bazuca, usadas por fotógrafas no campo de futebol. Para fotografar a lua, esportes, pássaros e leões, o ideal é apostar em uma dessas. enquanto usando uma 300mm jáé possível ver mais detalhes. 4.fotodaluacomuma50mm5.fotodaluacomuma300mm
  32. 32. oequipamentodigital 33 Coisas pequenininhas Ao contrário da lente anterior, indicada para fotografar o que está longe, as lentes macro são usadas para fotografar bem de pertinho. Essas são as lentes usadas para criar imagens de insetos, flores e outras miudezas. lentes macro ou micropermitem fotos bemde pertinho. Eventos O tipo de lente usada para eventos depende do nosso estilo. Tem gente que gosta da versatilidade das lentes zoom, tem gente que gosta de trabalhar com grande- angulares e outras que preferem ficar nas lentes normais.
  33. 33. 34 dentro de uma igreja, a luz normalmente é bem limitada. ajuda ter uma lente que consiga captar bastante luz. Formatos de arquivo Existem vários formatos de arquivo digital para nossas imagens. Você provavelmente conhece o JPG, que é o padrão na maioria das câmeras e celulares. Porém, além dele, você vai gostar de conhecer também um formato que permite mais qualidade e controle sobre sua foto. Este formato é chamado de arquivo RAW. Ao usar uma câmera mais avançada, você normalmente terá a opção de escolher entre os dois. Uma coisa é certa: para eventos, ajuda muito ter uma lente com um valor f baixo (f/1.4, f/1.8, f/2.8), para conseguir captar melhor a luz. Eventos muitas vezes têm iluminação imprevisível ou discreta, para criar um clima gostoso. 6. casamento
  34. 34. oequipamentodigital 35 QUALIDADE RAW JPG Para fazer uma foto, a imagem registrada no sensor é interpretada por um pequeno computador que fica dentro da câmera. Depois de interpretar a imagem, esse computadorzinho grava as informações no cartão de memória. A diferença entre o formato RAW e o formato JPG é que o formato RAW grava tudo que a câmera viu, enquanto o JPG tem uma outra etapa: antes de gravar no cartão de memória, a câmera interpreta as informações e comprime tudo em um arquivo menor. Logo, o arquivo RAW nos permite a liberdade de processarmos e interpretarmos a imagem nós mesmas, enquanto o arquivo JPG já sai processado e interpretado pela câmera. Uma analogia interessante é considerar que o arquivo RAW é como o filme e o arquivo JPG é como a ampliação. Ou seja: o arquivo RAW ainda não é uma foto pronta! Você não poderá postar uma foto em RAW no seu blog: antes será preciso revelar a foto usando um aplicativo no seu computador, como o Photoshop ou o Lightroom. Usamos o formato RAW para manter todas as informações da imagem que foram capturadas pela câmera. Assim conseguimos, por exemplo, editá-la no Photoshop ou no Lightroom tendo mais controle sobre a qualidade e recuperando informações que, no arquivo JPG, teriam sido jogadas fora para economizar espaço.
  35. 35. 36 A desvantagem do arquivo RAW é que, além de ocupar bem mais espaço no nosso computador (os arquivos podem ter 3x o tamanho de um arquivo JPG), ele precisa ser processado. Como não é uma foto pronta, você precisará abrir o arquivo em um aplicativo de pós-produção e, para imprimir ou postar na internet, será necessário salvar uma cópia em um formato mais amigável (como o próprio JPG.) Acessórios Bons cartões de memória, baterias e acessórios para limpeza do equipamento estão sempre presentes na mala de equipamentos de quem fotografa. impressão blog etc. impressão blog etc. Quando comprei minha primeira câmera digital, perguntei para um fotógrafo que admiro muito o que eu poderia fazer para conseguir fotos melhores tendo uma câmera que não era top de linha. Ele me disse: fotografe em RAW. Sua câmera pode não ser a melhor, mas fotografando em RAW você terá o melhor que ela pode te oferecer. Dica Use um leitor de cartão de memória para baixar as fotos. Ligar a câmera direto no seu computador com um cabo USB é um péssimo método: se a bateria acabar no meio da transferência, os arquivos podem ser corrompidos. Cartões de memória Existem vários tipos de cartão de memória, e você deve checar com cuidado qual o tipo que sua câmera utiliza antes de comprar um novo. Hoje, a maioria das câmeras modernas utiliza os cartões CF (Compact Flash) ou SD (Secure Digital).
  36. 36. oequipamentodigital 37 Lembre-se que suas fotos ficarão guardadas neste cartão. Por isso, compre cartões de qualidade. Esses cartões podem custar um pouco caro, mas valem o investimento (a dica de comprar usados vale aqui também). Fazer lindas fotos e depois ter os dados do cartão de memória corrompidos não é nada legal! A capacidade do seu cartão é o que define a quantidade de fotos que cabem nele. Um cartão de 64GB, por exemplo, pode armazenar mais de mil fotos RAW de uma câmera de 16MP.2 Se você quer fazer várias fotos sequenciais ou gravar vídeo, é interessante checar a velocidade de gravação do seu cartão. A velocidade do cartão é identificada em megabytes por segundo (como 50MB/s) ou em um múltiplo de 150kB/s (como 300x, que seriam quase os mesmos 50MB/s do exemplo anterior.) Ou seja: usando um cartão de velocidade 50MB/s ou 300x sua foto levará meio segundo para ser gravada e, mesmo que sua câmera fotografe 5 fotos por segundo, o cartão não conseguirá aguentar o tranco. Dica Para evitar perder fotos importantes, muitas pessoas gostam de ter vários cartões de capacidade menor, ao invés de ter um só cartão de muita capacidade. Assim, você espalha fotos por vários cartões ao invés de depender de somente um, que você pode perder em um acidente ou por azar mesmo. Ao invés de ter um só cartão de 32Gb, é possível espalhar as fotos em 4 cartões de 8Gb. 2 A quantidade de fotos que cabem no seu cartão depende do formato escolhido (RAW ou JPG) e da resolução da sua câmera. Faça o cálculo checando o tamanho médio dos seus arquivos e dividindo o tamanho do cartão por este valor. Baterias Dependemos de uma fonte de energia para fotografar digitalmente. Por isso: Tenha mais de uma bateria: Além da bateria que veio com a câmera, tenha pelo menos uma extra. Dependendo do tipo de trabalho que você faz, é bom ter várias!
  37. 37. 38 Use originais: Pague mais caro nas baterias originais da sua marca. As genéricas não valem o desconto. Lembre-se que você depende totalmente da bateria. Se ela te deixar na mão, não há o que fazer. Carregue a bateria somente quando for usá-la: Mesmo guardada, a bateria descarrega. O ideal é carregá-la somente no dia do uso para aproveitar ao máximo sua capacidade. Guarde-a fora da câmera: Mesmo com a câmera desligada, a bateria solta energia. Só coloque a bateria na hora de usar. Acessórios de limpeza Para evitar manchas nas suas fotos, é importante manter seus equipamentos limpos. A limpeza pode ser feita com acessórios especializados. Para limpar lentes, use um pincel para tirar os resíduos (deixe a lente de cabeça para baixo) e uma flanelinha para tirar manchas de gordura, como quando colocamos o dedão na lente. O sensor também precisa estar limpo, e muitas impurezas podem grudar nele quando você troca de lentes. Embora existam acessórios para isso, é melhor levar em uma assistência técnica caso não tenha experiência em manuseá-lo. Filtros Filtros são acessórios óticos colocados em frente à lente para correção ou criação de efeitos. Existem dois tipos de filtros: os circulares e os quadrados. Os circulares funcionam rosqueando o filtro diretamente na lente. Os quadrados são encaixados em um suporte rosqueado na lente. filtro quadrado filtro circular
  38. 38. oequipamentodigital 39 Hoje em dia, os filtros que criam efeitos (como colorir uma parte da foto) estão sendo aposentados, pois muitas vezes é mais prático recriar este efeito na pós-produção sem perder nenhuma qualidade. Os filtros que ainda continuam sendo úteis são aqueles que fazem o que não dá pra fazer depois, como lidar com a iluminação. Três desses filtros são muito conhecidos: o filtro polarizador, o filtro de densidade neutra e o filtro graduado de densidade neutra. O filtro polarizador é o queridinho da maioria das fotógrafas de paisagens. Sua principal função é filtrar a luz polarizada do céu: isso quer dizer que usando este filtro você consegue um céu mais azul e com mais contraste em relação às nuvens. Esse filtro também elimina reflexos em superfícies não metálicas, como água e vidro. sem o filtro, nossas pedras ficam cheias de reflexo e o céu menos azul. 7. rio de janeiro/RJ
  39. 39. 40 O filtro de densidade neutra só faz uma coisa: deixa passar menos luz para a câmera! Parece estranho, ainda mais depois que aprendemos que as lentes que deixam passar mais luz são consideradas melhores. Se pagamos tão caro para conseguir o máximo de luz, por que usar um filtro que deixa passar menos luz? Este filtro é usado em situações bem específicas, principalmente nas fotos de paisagens, em que as configurações pedem menos luz. No capítulo 4, sobre fotos de paisagens, vamos falar mais sobre essas situações. O filtro graduado de densidade neutra também deixa passar menos luz para a lente, mas somente em uma metade do quadro. Esse filtro é útil quando estamos fazendo uma foto em que uma parte da cena está muito mais clara do que a outra. Isso acontece bastante quando estamos fazendo uma foto que possui um céu claro. filtros podem terborda suave, dura(mais claros ou maisescuros) e podem atémesmo ser coloridos. às vezes precisamos de menos luz para fazer uma foto como essa. 8. keukenhof, holanda
  40. 40. oequipamentodigital 41 na foto sem o filtro graduado de densidade neutra, o céu fica muito claro. Se configurarmos a câmera para mostrar direitinho o céu, pode acontecer da paisagem ficar muito escura. Se configurarmos a câmera para mostrar direitinho o paisagem, o céu pode ficar muito claro. Esse filtro resolve este problema, equilibrando as duas partes: quando colocamos o filtro, o céuvolta a aparecer. 9.riodejaneiro/RJ
  41. 41. 42 Seu laboratório Hoje, para felicidade de pais, mães, e cônjuges, não precisamos mais dedicar o banheiro da nossa casa para montar um laboratório fotográfico! Mas ainda é necessário pós-processar nossas fotos, assim como fazia-se antigamente. Mesmo que você não goste de manipular suas fotos até que fiquem irreconhecíveis, vai ser necessário prepará-las de forma adequada para publicar no seu blog ou para mandar para a impressão. A primeira coisa que você vai precisar é de um computador. As configurações ideais mudam a cada dia, e em seis meses tudo que eu indicar hoje já estará ultrapassado. Mas não se preocupe: qualquer computador pessoal servirá para começar a treinar. HD’s externos monitor IPS Dica PC ou Mac? A marca e o sistema operacional do seu computador são totalmente irrelevantes. Como sempre, minha dica principal é: independente se você vai de PC ou Mac, compre um computador usado e o custo/benefício será muito maior. Talvez mais importante que um bom computador é um bom monitor. Hoje, os monitores LCD de painel IPS são os mais indicados por possuírem melhor reprodução de cores e contraste. Confira a tecnologia utilizada no seu antes de comprar (apêndice 3: tipos de monitores). Em seu computador será necessário um aplicativo para gerenciar e editar suas fotos. Dentre os aplicativos amadores, estão o Photos (para Mac), o Picasa (com download grátis, para Mac e Windows) e o Shotwell (com download grátis, para Linux.) Os aplicativos mais utilizados por profissionais são o Photoshop e o Lightroom, da Adobe. Eles são usados para editar fotos e prepará-las para imprimir ou publicar na internet. O Lightroom também permite gerenciar e organizar os arquivos. Procure por tutoriais na internet e você conseguirá aprender a mexer no seu aplicativo de escolha rapidamente.
  42. 42. oequipamentodigital 43 Outro acessório que mais cedo ou mais tarde você pode precisar é um ou mais discos rígidos externos. Se você pretende tirar muitas fotos é preciso se preparar para armazenar muitos e muitos bytes. Se o orçamento permitir use uma tecnologia de transmissão de dados rápida, para poder gerenciar e editar as fotos diretamente do HD externo, como USB 3.0, Firewire ou Thunderbolt. Backup: não deixe para amanhã Fotos digitais são muito fáceis de perder: é só acontecer uma pane no seu computador e você não conseguirá recuperá-las. E uma pane no computador não é uma possibilidade remota: todas essas tecnologias nas quais depositamos toda nossa vida e confiança vão nos deixar na mão mais cedo ou mais tarde. É impossível dizer se seu computador vai falhar hoje ou em dez anos, mas acredite em mim: um dia, vai acontecer! E, além das panes tecnológicas, ainda podemos sofrer outros tipos de intempéries como assaltos, incêndios ou crianças que colocam coisas no microondas. Faça cópias das suas imagens o quanto antes. Fotos não podem ser repetidas. Perder fotos pessoais pode ser muito triste, mas perder as fotos daquele casamento que você fotografou é uma maldade e falta de respeito por quem te contratou. Os melhores métodos de backup Existem duas formas de guardar suas fotos: localmente e remotamente. Um exemplo de backup local é o HD externo que você conecta no seu computador e fica na sua casa ou escritório. Um exemplo de backup remoto são os sites especializados que permitem backup pela internet: neste caso, seus arquivos ficam não só na sua casa ou escritório, mas também nos servidores destes sites. O ideal é você usar ao menos dois métodos de backup: um local e um remoto. Assim, em caso de roubo ou incêndio, por exemplo, seus arquivos ainda estarão a salvo em outro espaço físico.
  43. 43. 44 HD’s externos CD’s, DVD’s, pendrives nuvem (servidores online) Backups locais HDs externos são ótimas opções para fazer cópias dos seus arquivos. Se você quiser segurança reforçada, procure por sistemas RAID. Esses sistemas possuem mais de um HD externo no mesmo conjunto, e guardam os arquivos de forma redundante (ou seja, se um dos HDs do conjunto falhar, você ainda tem uma cópia em outro.) Outras formas de backup local são mídias óticas (como CDs ou DVDs), pendrives e o Time Capsule, da Apple. Backups remotos Você pode fazer backup das suas fotos e levar o HD para a casa da sua mãe, mas isso talvez não seja tão prático. Uma boa opção para backups remotos é enviar seus arquivos para a nuvem. Alguns serviços como o Backblaze e o Crashplan são conhecidos por permitirem um backup online contínuo dos seus arquivos (inclusive aqueles que estão em HDs externos) e por terem um bom custo/benefício. O método infalível Em cinquenta anos as únicas fotos que irão ter sobrado de hoje, provavelmente, serão as que estão no bom e velho papel. Quer usar um método infalível de backup? Imprima suas fotos e guarde com carinho. Esse é o único método que comprovadamente funciona desde que a fotografia foi inventada.
  44. 44. oequipamentodigital 45 está gostando do livro? então considere fazer uma contribuição do valor que estiver ao seu alcance :-) ou você pode continuar lendo de graça! → clique aqui para doar
  45. 45. a técnica2
  46. 46. 48 Técnica básica A busca pela foto bem exposta Neste capítulo dedicado à técnica, vou falar sobre luz, botões, configurações e números. Prometo que será menos chato do que parece! Ao falar sobre luz, usarei bastante o termo foto bem exposta. Mas o que é isso? Um foto bem exposta quer dizer, simplesmente, uma foto com a luz adequada. Sabe quando você olha uma foto e ela está muito escura? É um problema de exposição. Sabe quando você olha uma foto e ela está muito clara? De novo, um problema de exposição. Chamamos uma foto que ficou mais clara do que deveria de superexposta, e uma foto que ficou mais escura do que deveria de subexposta. foto bem exposta. 10.paquetá/RJ
  47. 47. 49 atécnica foto superexposta. foto subexposta.
  48. 48. 50 Tecnicamente, buscamos fazer uma foto com exposição adequada: a exposição que deixa a foto do jeito que planejamos. Uma foto escura pode estar bem exposta? Pode. O problema é se ela está escura quando não deveria estar! Subexposta não quer dizer escura, e sim com menos luz do que queríamos. Superexposta não quer dizer clara, e sim com mais luz do que queríamos. esta foto tem uma luminosidade média. ela é considerada bem exposta. esta foto está clara, masesse era o objetivo. ela éconsiderada bem exposta. esta foto está escura, mas esse era o objetivo. ela é considerada bem exposta. 11.sil12.fernanda13.paraty/RJ
  49. 49. 51 atécnica Leia a @#$%& do manual Este livro pretende ser um guia para quem está começando a se aventurar na fotografia com câmeras que possuem mais funções e permitem mais controle. As configurações normalmente possuem os mesmos nomes, mas a localização dos botões e dos menus muda de modelo para modelo, de fabricante para fabricante, e de época para época. É essencial que você entenda o seu próprio equipamento e saiba quais botões fazem o quê. Para isso, é indispensável ler o manual. Inteirinho. Várias vezes. Leia sobre cada função e pratique uma a uma. Só volte aqui depois de ler tudo! Sugiro um exercício: por padrão, sempre que você tira uma foto a câmera mostra o resultado no LCD. Procure no seu manual como desligar essa visualização automática. Os modos da câmera Neste livro, vamos fotografar usando o modo manual. Neste modo, todas as configurações são definidas por nós. Ele é representado usando a letra M. Existem também modos semiautomáticos (em que você decide algumas configurações e a câmera decide outras) e modos totalmente automáticos (em que a câmera decide tudo.) É muito importante conhecermos cada configuração e sabermos lidar com as câmeras manualmente antes de conhecermos atalhos. E é por isso que iremos usar o modo M.
  50. 50. 52 Porém, na vida real, nem sempre é o modo que utilizamos. Não acredite quando alguém falar que fotógrafas de verdade só usam o modo manual. Isso é besteira. Primeiro, quem decide quem é fotógrafa de verdade? É quem ganha dinheiro com fotografia? É quem tem exposições em museus? É quem ganha mais curtidas e compartilhamentos? Não existe fotógrafa de verdade, existe aquela que consegue registrar uma foto do jeito que gostaria, usando as ferramentas disponíveis. A sua câmera consegue fazer bastante coisa sozinha. E, muitas vezes, ela faz isso mais rápido e de forma mais precisa que você. Usando o modo manual ou não, o importante é ter controle sobre o resultado. A luz e a fotografia Nosso olho e nossa câmera trabalham de forma parecida: absorvendo a luz que reflete nos objetos e transformando em imagens. Vamos relembrar como funciona nosso olho? De forma bem simplificada podemos dizer que os raios de luz refletidos nos objetos passam pela córnea e pelo cristalino, que focaliza esses raios na retina. A córnea tem um formato convexo, fazendo com que os raios de luz se concentrem na retina. A retina, por sua vez, é um conjunto de células que são sensíveis à luz. Ela transforma essa luz em informação e envia uma reprodução da imagem que está na nossa frente para o cérebro. A fotografia usa este mesmo conceito: ao invés de uma pessoa, estamos falando de uma câmera. Ao invés da córnea e do cristalino, temos lentes. Ao invés da retina, temos um sensor. Ao invés do cérebro, temos um processador de dados e um cartão de memória! pupila retina cristalino córnea sensor lentes diafragma olho humano câmera
  51. 51. 53 atécnica Nossas câmeras fotográficas se comportam assim como nossos olhos. Quando usamos uma câmera totalmente automática, como a câmera do celular, ela tenta formar uma imagem nítida sozinha. Ao usar uma câmera manual, temos controle sobre cada etapa, definindo como a luz chegará no sensor. Para criar uma foto bem exposta, medimos a luz e depois definimos as configurações ideais para usar na câmera. Como medir a luz? Fotometria é a medição da luz. Quando digo que estou fotometrando, isso quer dizer que estou medindo a luz. Mas o que é medir luz? Como vou fazer isso? Preciso saber alguma unidade de luz? Vou precisar fazer cálculos matemáticos pra fotografar? São perguntas importantes, mas não se preocupe. Medir a luz para uma fotografia é muito fácil. Não é preciso fazer muitos cálculos: existe um amigo chamado fotômetro que vai medir a luz e nos contar se a foto está bem exposta! Mas antes de aprender mais sobre o fotômetro, você precisa saber como controlar a luz. Como controlar a luz Embora nossas câmeras tenham muitos botões, somente três configurações determinam a exposição de uma foto: a abertura, o tempo de exposição e o ISO. Se mesmo mexendo nessas três configurações você não conseguir uma foto bem exposta, o jeito será alterar os fatores externos (o horário do dia, a posição da modelo, o uso de iluminação artificial ou o tipo de lente utilizada.)
  52. 52. 54 A abertura do diafragma é medida em um valor chamado “f”. Quanto menor o valor f, mais aberto estará o diafragma (isso pode confundir um pouco a princípio, mas logo você se acostuma.) Ou seja: a abertura f/2.8 deixa entrar mais luz do que a abertura f/11. Além de definir a quantidade de luz que chega no sensor, a abertura do diafragma define a profundidade de campo, conhecida como DOF (do inglês, depth of field.) O DOF define o quanto os objetos próximos do foco principal na foto estarão focados também. Dica Cada modelo de lente tem aberturas máximas e mínimas diferentes. As lentes com valores f mais baixos (como f/1.4 e f/2.8) permitem maior entrada de luz, sendo uma ótima escolha em situações de pouca iluminação. Estas são as lentes claras. Já as lentes que apresentam valores f maiores (acima de f/5.6) deixam passar menos luz, e são chamadas de lentes escuras. abertura 1.8, menos DOF abertura 11, mais DOF 1.Abertura do diafragma A primeira configuração que vamos conhecer para controlar a exposição é a abertura do diafragma. O diafragma fica dentro da sua lente e se parece com isso: A luz vai passar por este buraquinho na hora da foto. Quanto maior ele ficar, mais luz entra. Quanto menor ele ficar, menos luz entra. Ele funciona como a pupila do nosso olho: fica maior para absorver mais luz quando necessário e menor quando está mais claro.
  53. 53. 55 atécnica Um DOF maior significa que mais coisas atrás e à frente do seu foco principal ficarão definidas. Um DOF menor significa que tudo que estiver atrás ou à frente do seu foco principal ficará com menor definição. fotos iguais com aberturas diferentes. retrato usandoabertura f/1.4 A abertura ajuda a definir isso: uma abertura maior garante que menos coisas à frente e atrás do assunto fiquem em foco, enquanto uma abertura menor garante que mais coisas fiquem em foco. Você já deve ter visto retratos em que o fundo está totalmente embaçado: isso é resultado do uso de uma abertura bem grande. f/1.4 f/2.8 f/5.6 f/16 14. ivone
  54. 54. 56 foto de paisagem usando abertura f/20: tudo fica em foco. Fotos de paisagem, por sua vez, costumam ter bastante coisa em foco. É o resultado do uso de uma abertura menor. 2.Tempo de exposição Na frente do sensor das nossas câmeras, existe uma pequena cortina, responsável por definir por quanto tempo o sensor será exposto à luz. Dica A cortina e o diafragma são coisas diferentes! Quando apertamos o botão disparador, a cortina na frente do sensor se abre e o diafragma fica do tamanho que definimos, tudo isso bem rapidinho. A abertura irá definir o tamanho do buraquinho do diafragma, e a cortina definirá o tempo de exposição. cortina fechada. sensor a cortina se abrepara expor o sensor. 15. rio de janeiro/RJ
  55. 55. 57 atécnica Quanto mais tempo a cortina ficar aberta, mais luz vai entrar e chegar no sensor. Menos tempo, menos luz. Além de definir quanta luz entra, é com o tempo de exposição que criamos efeitos que mostram ou congelam os assuntos que se movimentam, como no exemplo abaixo. Dica O visor da sua câmera normalmente vai mostrar somente o número de baixo da fração. Quando ela mostra o número “200”, o tempo “1/200” está selecionado. Para tempos mais longos ela usa aspas para representar segundos: quando ela mostra 2”, o tempo “2 segundos” está selecionado. Veja como sua câmera mostra alguns tempos de exposição: 200: 1/200 segundos | 10: 1/10 segundos | 0”6: 0.6 segundos | 2”: 2 segundos exemplo de foto que tem um tempo de exposição de 1/250 segundo e congela o movimento. exemplo de foto que tem um tempo de exposição de 1 segundo e mostra o movimento. 16. curitiba/PR
  56. 56. 58 Ao fazer uma exposição bem rápida, é possível congelar o momento que está à nossa frente. Ao fazer uma exposição mais longa, tudo que se move irá ficar embaçado. Você pode usar isso ao seu favor para dar a sensação de movimento. Usar um tempo de exposição lento aumenta as chances de você tremer a foto com o próprio movimento das mãos! Nessas situações, o ideal é utilizar um tripé. Para saber qual é o tempo de exposição mínimo necessário para fazer fotos sem tripé, você pode usar como base a distância focal: em uma lente de 50mm, use ao menos 1/50 segundos. Em uma lente 200mm, ao menos 1/200 segundos. Este é um cálculo aproximado e não é exato: faça testes para descobrir o tempo mínimo que consegue usar sem tremer. O balde de água Para entender melhor o uso da abertura e do tempo de exposição, considere a analogia do balde de água. Você tem duas opções para encher um balde: 1. Deixar a torneira gotejando, e encher o balde em mais tempo. 2. Abrir totalmente a torneira, e encher o balde em menos tempo. As duas opções enchem o balde da mesma maneira! É assim que iremos usar a abertura e o tempo de exposição: ao invés de água, estamos deixando passar a luz. 3. ISO O sensor precisa de uma quantidade ideal de luz para formar uma foto. Controlamos essa luz com a abertura do diafragma e com o tempo de exposição. Mas se a configuração desses dois itens não for o suficiente para conseguir a luz necessária, podemos forçar o sensor a trabalhar com menos luz do que ele gostaria, aumentando a sua sensibilidade. Essa sensibilidade é definida pelo valor ISO. Dica ISO não é um acrônimo que representa sensibilidade. Esta sigla remete à organização que define padrões diversos, desde o famoso ISO 9001 para empresas, até o padrão de sensibilidade de filmes e sensores.
  57. 57. 59 atécnica Quanto maior o ISO, mais sensível ficará o sensor. Quando temos uma situação de bastante luz, deixamos o ISO mais baixo para que a foto não fique superexposta. Quanto temos pouca luz, deixamos o ISO mais alto para que a foto não fique subexposta. Os valores mínimos e máximos de ISO variam de acordo com modelos de câmeras. Normalmente você vai encontrar valores de 80 a 6400, podendo também encontrar valores menores e maiores. Aumentar a sensibilidade do sensor pode parecer a solução milagrosa para a exposição de qualquer foto, certo? Mas infelizmente aumentar o ISO tem uma consequência: a qualidade e a nitidez da foto diminuem. Quanto mais alto o valor ISO, mais ruído (aberrações em forma de grão) teremos na foto final. esta foto usando ISO 5000 possui bastante ruído digital. 17. rio de janeiro/RJ
  58. 58. 60 Usando essas três configurações (a abertura, o tempo de exposição e o ISO) conseguimos fotometrar uma cena. E agora voltamos ao nosso amigo fotômetro, que nos ajudará na tarefa. Fotometria Nossa câmera possui um fotômetro embutido. Ele está lá para nos dizer como está a luz de cada cena. Definiremos a abertura, o tempo de exposição e o ISO de acordo com o que o fotômetro nos diz. Sempre que você aponta a câmera para uma cena e aperta o botão disparador até a metade (sem bater a foto), o fotômetro vai medir a luz e te dizer o que acha. Você vai ver este fotômetro olhando pelo visor (ver mapa da câmera na página 13). Ele se parece com isso (mas pode ser um pouco diferente dependendo do modelo da sua câmera): fotometro canon.fotometro nikon. Se o fotômetro achar que a foto está muito escura, o indicador irá em direção ao símbolo de menos, assim: Nesse caso, para absorver mais luz, podemos aumentar a abertura, aumentar o tempo de exposição, aumentar o ISO, ou fazer uma mistura dos três. Se o fotômetro achar que a foto está muito clara, o indicador irá em direção ao símbolo de mais, assim:
  59. 59. 61 atécnica Sugestão de exercício: Escolha um assunto com iluminação neutra, como dentro de casa, e faça três fotos com o fotômetro na posição -2, +2 e 0. -2 +2 0 Nesse caso, para absorver menos luz, podemos diminuir a abertura, diminuir o tempo de exposição, diminuir o ISO, ou fazer uma mistura dos três. Se o fotômetro achar que a exposição está adequada, ele vai ficar centralizado: Normalmente, procuramos mexer nas configurações até o fotômetro ficar centralizado. Chamamos isso de zerar o fotômetro. Quando ele está assim, é como se nos dissesse: “Ok, a foto está bem exposta, pode clicar!”
  60. 60. 62 Pontos de exposição Um ponto de exposição é uma medida relativa à quantidade de luz que entra no sensor. Colocar um ponto a mais na exposição significa dobrar a quantidade de luz que chega nele. Tirar um ponto na exposição significa cortar a luz pela metade. Cada configuração (abertura, tempo de exposição e ISO) é medida por pontos de exposição: abertura: a abertura usa valores padrões fixados. A abertura f/8 deixa entrar o dobro de luz da abertura f/11, mesmo que o número 8 não seja a metade de 11. Quando medimos uma cena e o fotômetro aponta “-1”, quer dizer que a cena está subexposta em um ponto. Para zerar o fotômetro, precisaremos deixar entrar o dobro de luz. Faremos isso usando o dobro da abertura, o dobro do tempo de exposição, ou o dobro do ISO. Tempo de exposição rápido Menos luz 1 ponto 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1 2 4 Tempo de exposição lento Mais luz ISO baixo Menos luz 1 ponto 50 100 200 400 800 1600 3200 ISO alto Mais luz Abertura pequena Menos luz 1 ponto f/22 f/16 f/11 f/8 f/5.6 f/4 f/2.8 f/2 f/1.4 f/1 Abertura grande Mais luz tempo de exposição: o tempo de exposição de 1/30 deixa entrar o dobro de luz de 1/60. ISO: o ISO 400 absorveo dobro de luz do ISO200. 1 ponto
  61. 61. 63 atécnica Usando a mão para fotometrar O fotômetro sempre busca a luminosidade média que ele considera perfeita. Isso pode ser um problema quando estamos fotografando algo que é escuro ou que é claro. Faça o teste: escolha um objeto preto (como uma camiseta) e tente fazer uma foto bem próxima. Se você zerar o fotômetro, a foto vai sair muito clara. O mesmo acontecerá se fizer isso com uma camiseta branca: ao zerar o fotômetro, a foto ficará escura. Isso acontece porque o fotômetro sempre vai zerar na exposição que não seja nem muito clara, nem muito escura (apêndice 2: fotometria avançada). Uma técnica interessante é fazer a medição de luz na palma da sua mão. Nossas palmas têm uma luminosidade mais ou menos parecida com o padrão que nossas câmeras procuram. a camiseta branca, acima, fica cinza. a camiseta preta, abaixo, fica cinza também!! Vamos tentar fazer as fotos das camisetas de novo? Desta vez, primeiro você deve colocar sua mão próxima da camiseta, chegar bem perto com a câmera, apertar o botão disparador até a metade, zerar o fotômetro, tirar a mão, e bater a foto. Veja cada etapa de forma detalhada: 1. Vamos usar nossa mão como ponto de partida para o fotômetro medir a luz. É importante que ela esteja próxima do objeto para que a mão seja iluminada exatamente da mesma forma que o objeto que queremos fotografar.
  62. 62. 64 2. Chegamos bem perto com a câmera para preencher o quadro com a mão, e evitar que o fotômetro se confunda com o que está atrás. 3. Ao apertar o botão disparador até a metade, você diz para a câmera começar a medir a luz. Você pode soltar o botão enquanto mexe na abertura, tempo de exposição e ISO. 4. Assim que zerar o fotômetro apontando para a sua mão, você pode tirá-la do lugar. Na hora de bater a foto do objeto, você vai apertar o botão disparador até a metade para fazer o foco, e o fotômetro vai dizer que a foto está errada. Nesta hora, ignore o que ele está dizendo e não mexa na abertura, tempo de exposição ou ISO! Você já definiu a exposição correta com a sua mão. Pode bater a foto sem se preocupar com novas medições. 5. Veja que, ao usar essa técnica, a camiseta branca fica branca, e a camiseta preta fica preta! ignore o fotômetro! agora sim
  63. 63. 65 atécnica Modos de medição Escolhemos modos de medição para dizer à câmera o quanto da cena queremos que ela considere na hora de fazer a fotometria. Veja no manual da sua câmera quais são as opções que ela oferece. No modo pontual, a câmera considera somente uma pequena área no centro do quadro. Por exemplo: se você está fotografando alguém em um fundo branco, a câmera só vai medir a luz no centro, ignorando todo o restante do quadro. Em quase todas existem ao menos dois modos principais: o modo matricial e o modo pontual. No modo matricial, a câmera considera o quadro inteiro para medir a luz: soma cada um dos pixels e faz uma média que fique com uma exposição correta. modo matricial: a câmera pega todos os pixels e faz uma média. modo pontual: a câmera pega só os pixels do centro. 18.joãopessoa/PB
  64. 64. 66 Para facilitar a fotometria feita na palma da mão, podemos usar o modo pontual. Assim, não precisamos chegar tão perto. Coloque a mão no centro do quadro e sua câmera irá medir somente a luminosidade dela. Balanço de Branco Lembra que no começo contei que a luz bate em tudo que está por aí e reflete nos nossos olhos e na câmera? O balanço de branco existe porque existem vários tipos de luz e, dependendo da luz que bate na nossa cena, as cores podem ficar diferentes. Isso acontece porque cada tipo de luz tem uma temperatura diferente. Dica Esta diferença entre uma luz e outra se chama temperatura de cor e é medida em Kelvins. Vamos por partes: às vezes, fotografamos com a luz do sol. Às vezes, fotografamos com uma luz artificial como o flash ou uma lâmpada. Nosso olho é muito esperto, então conseguimos ver as cores corretamente em qualquer situação! Mas as câmeras nem sempre são tão espertas, e precisamos contar para ela qual luz estamos usando para que ela interprete da forma correta. Assim, o vermelho vai continuar vermelho, o azul vai continuar azul e – como não poderia deixar de ser – o branco continuará branco! Todo mundo já tirou uma foto iluminada por lâmpada incandescente que ficou amarelada, não é? Isso acontece porque a câmera não estava preparada para a temperatura de cor desta fonte de luz. medição pontual.
  65. 65. 67 atécnica o balanço de branco correto para esta foto está no meio. a foto de cima está muito azulada, e a de baixo está muito amarelada. 19.jericoacoara/CE
  66. 66. 68 Procure no seu manual a forma de mudar o balanço de branco (também chamada de temperatura de cor) na sua câmera: normalmente você encontra todas as opções que precisa como luz do sol, sombra, tungstênio, luz de flash e outros. O balanço de branco ideal vai depender do tipo de foto que você está fazendo: às vezes deixar a foto mais quente ou mais fria do que deveria cria uma sensação adequada. É possível mudar a temperatura manualmente, mas você pode começar vendo a diferença das opções pré- definidas. no caso desta foto, prefiro o resultado de um balanço de branco mais quente, mesmo ele sendo incorreto. Sugestão de exercício: Faça a mesma foto usando vários balanços de branco diferentes e veja a diferença. WHITE BALANCE AUTO INCANDESCENT FLUORESCENT DIR SUNLIGHT FLASH A 20.losroques,venezuela
  67. 67. 69 atécnica Foco Como conseguir fotos nítidas Em algumas áreas, fotos bem focadas são necessidade básica (como na fotografia publicitária) e em outras, nem tanto (como em fotos artísticas ou no fotojornalismo.) Conseguir fotos nítidas é importante em vários momentos, mas mais importante que isso é você ter controle sobre o que está acontecendo. o que vai estar em foco e o que não vai estar em foco na sua foto? Esta decisão é importante: o que está em foco é o que fica com mais destaque. foto focada. foto fora de foco. Ou seja: para fazer uma foto bem focada decidimos primeiro onde, e depois como. O primeiro passo é decidir onde será o foco. Quero uma pessoa focada e um fundo desfocado? Quero foco na primeira ou na segunda flor? Depois, é só decidir como fazer isso. Será que faço o foco manualmente ou no automático? Quais são as melhores opções?
  68. 68. 70 Onde? O maior erro aqui é deixar a câmera decidir onde o foco vai ficar. Gosto de deixar a câmera decidir algumas coisas, principalmente quando se trata de cálculos matemáticos, mas ela é uma ferramenta fria e calculista! Ela não sabe o que é mais importante na foto, por mais tecnológica que seja. Se você quer fazer o foco no terceiro cílio do olho esquerdo da sua modelo, como sua câmera vai saber disso? Existem muitas regras que dizem exatamente onde o foco deve estar em determinados tipos de fotos. Em retratos, o foco deve sempre ficar nos olhos da pessoa. Em fotografias de paisagens, costumamos deixar tudo em foco. Mas não precisamos decorar essas e mais centenas de regras. Para decidir onde o foco deve estar podemos, simplesmente, olhar a cena e definir o que é mais importante. Qualquer coisa que não soma nada à história que queremos transmitir não precisa estar em foco. Se pensarmos nos retratos isso fica claro: quando estamos conversando com alguém dificilmente ficamos olhando para suas orelhas ou seu nariz! Os olhos normalmente são a parte mais expressiva do rosto de uma pessoa e é deste conceito que a regra nasceu. 21. andy
  69. 69. 71 atécnica No caso de paisagens podemos fazer a mesma avaliação: quando estamos no mirante do Machu Picchu é a soma de toda a paisagem que tem o papel de nos deslumbrar. tudo em foco, paratentar reproduzir asensação de estar lá. Lembre-se: o que define o quanto da cena está em foco é a profundidade de campo, como explicado na página 54. É natural que ambas as regras tenham exceções, mas só vamos notá-las se entendermos os conceitos que as criaram. Diante de uma cena, a primeira coisa que fazemos é nos perguntar: o que é mais importante? 22.machupicchu,peru
  70. 70. 72 Como? Não existe método perfeito de focagem: cada pessoa deve usar a técnica que acha mais prática e confortável. Vamos conhecer alguns dos métodos? Depois de testá-los por algum tempo você poderá escolher o seu preferido para cada situação. Foco manual (MF) e Foco automático (AF) Ao lado da sua lente, ou em local similar, existe um botão de modo de foco. Você pode deixá-lo na opção MF (manual focus), para o foco manual, ou AF (auto focus), para o foco automático. Usando o foco manual você irá girar o anel de foco da lente e observar no visor ou na tela LCD até que o assunto desejado fique em foco. A localização e o funcionamento deste anel muda de lente para lente, leia o manual da sua para saber usá-la corretamente (apêndice 6: sinalização de foco adquirido no foco manual). Usando o foco automático você irá contar para a câmera onde quer o foco, e ela mandará a lente focar naquele local sozinha. AF MF botão de modode foco.
  71. 71. 73 atécnica Duas formas de usar o foco automático Podemos contar para nossa câmera onde queremos o foco de vários jeitos diferentes. Vamos fazer isso apertando o botão disparador³ pela a metade até que um sinal da câmera diga que o foco está feito. Este sinal é um sinal sonoro (um bip) e/ou um sinal luminoso no visor (normalmente uma bolinha.)4 3 Você também pode usar outro botão para fazer o foco, veja como fazer isso no manual da sua câmera. 4 Essa bolinha e este bip são o sinalizador de foco adquirido. Ele também funciona se você aperta o botão até a metade enquanto faz o foco no manual. Contaremos para a câmera onde queremos o foco usando os pontos de foco. Eles são aqueles pontinhos espalhados quando olhamos para o visor.
  72. 72. 74 Os pontos de foco da sua câmera podem ser diferentes dos ilustrados aqui: existem variações enormes em formato, quantidade de pontos e funcionalidades de acordo com cada modelo de câmera, e cada dia inventam algo novo para esses pontinhos! Mas eles sempre fazem a mesma coisa: nos ajudam a contar para a câmera onde queremos o foco. Vamos selecionar um desses pontinhos e vamos deixá-lo exatamente em cima do que queremos focar. Cada modelo de câmera tem seus pontinhos e suas funcionalidades, é preciso ler o manual e praticar para conhecer as opções que sua câmera oferece. Aqui vou apresentar duas técnicas utilizadas por bastante gente, independente de seus equipamentos. Dica É preciso tomar cuidado com a opção de selecionar todos os pontinhos. Isso não quer dizer que a câmera irá focar em tudo: só quer dizer que ela vai escolher um dos pontinhos sozinha. E ela normalmente vai escolher o ponto mais fácil. Lembre-se quando falei sobre ter controle sobre o que está acontecendo: deixar todos os pontinhos selecionados é o mesmo que deixar a câmera decidir por você onde o foco deve ficar. Método 1: Escolher o pontinho do meio, focar e recompor Algumas vezes já me perguntaram: por que a cada foto você aponta para um lado, e depois aponta para o outro, e aí faz a foto? Você também já deve ter visto uma fotógrafa como eu fazendo isso. Este método é conhecido como focar e recompor. Para usar esta técnica é só fazer o seguinte: primeiro, defina onde será o foco. Digamos que você quer focar no olho da modelo em um retrato. Com o ponto de foco central selecionado você o coloca em cima do olho da modelo. Aí você aperta o botão disparador somente até a metade e, mantendo-o pressionado, refaz a composição. Ao chegar na composição desejada, aperte o botão até o final para fazer a foto.
  73. 73. 75 atécnica coloque o ponto central no local onde quer focar e mantenha o botão disparador pressionado até a metade. refaça a composição eaperte o botão até o final. Dica Para não perder o foco, evite usar esta técnica se estiver usando uma abertura muito grande ou se estiver muito próxima do assunto fotografado, Esse método é bem conhecido e utilizado pois pode ser feito bem rapidamente. Porém, dependendo da situação, ele pode causar um erro na focagem, que se perde justamente entre o momento do foco e o momento de recompor (apêndice 4: o plano de foco).
  74. 74. 76 Método 2: Compor, escolher o pontinho equivalente e focar Outra forma bastante conhecida de focar é compor, selecionar o pontinho mais próximo de onde você quer o foco, apertar o botão até a metade até sua câmera indicar sucesso, e clicar até o final. Este método é legal pois evita a grande mudança de posição do método anterior, garantindo mais precisão. Para usá-lo, primeiro você precisa descobrir como mudar a localização do ponto selecionado na sua câmera: encontre essa informação no seu manual. Normalmente, existe um botão ou uma combinação de botões que fazem exatamente isso. Ainda usando o exemplo do retrato, para usar esta técnica é só compor, selecionar o ponto que fica em cima do olho, clicar até a metade até o foco ser obtido e aí clicar até o final. (apêndice 5: botão disparador) procure em sua câmera o botão que muda o ponto de foco.
  75. 75. 77 atécnica Minha lente não consegue focar, o que faço? Nossas lentes têm dificuldade para focar em situações de pouco contraste. Este pouco contraste acontece em situações de pouca luz, em situações de contra-luz ou quando tentamos focar em algo sem muitos detalhes (como uma parede de uma cor só). Nesses casos você deve procurar um ponto com mais contraste ou passar para o modo manual. Vamos analisar o caso de uma silhueta na contra- luz: ao invés de tentar focar no meio do objeto ou da pessoa, foque na beirada entre o assunto e o fundo, onde existe mais contraste: Quando sua lente estiver com dificuldade em focar, procure apontar para áreas com mais contraste. aqui funciona aqui não funciona 23. samanta
  76. 76. 78 Como segurar uma câmera grande? Segurar a câmera pode parecer um tópico muito básico, mas não vá embora ainda! Segurar a câmera de forma mais efetiva pode fazer uma enorme diferença na nitidez das suas imagens. Quando passamos das câmeras compactas para as maiores, mantemos algumas manias, como segurá-la com as duas mãos nas laterais. Dá pra ganhar um bônus se levantarmos os dedinhos! Porém, ao usar uma câmera com lentes maiores é importante equilibrarmos o peso de todo o conjunto. A mão que segura a câmera é a direita. Pois é, eu também sou canhota mas infelizmente não fabricam câmeras às avessas para nós. Todas têm uma empunhadura – um local especialmente feito para você agarrar bem firme. Logo ali em cima da empunhadura é onde também fica o botão disparador. Com a mão direita ocupada com nada mais nada menos do que segurar a câmera e tirar as fotos, o que fazer com a esquerda? Segure a lente! Às vezes a lente pesa mais do que a própria câmera, e segurá-la firme é essencial para manter a estabilidade. Além disso, a mão esquerda também ficará responsável em controlar o anel de zoom ou de foco (caso esteja usando uma lente zoom ou o foco manual.) Olhar pelo visor, ao invés de usar o LCD, também garante mais estabilidade – afinal seu rosto vira um terceiro ponto de apoio. Prender a respiração durante o clique e apoiar a câmera no seu ombro esquerdo (embora exija um pouco de contorcionismo) podem garantir fotos nítidas com tempos de exposição que você nunca imaginou. câmera pequena. câmera grande. câmera grande.
  77. 77. 79 atécnica Não estou conseguindo acertar o foco, o que pode ser? Se você está tendo dificuldade em fazer fotos bem focadas, provavelmente é por algum ou vários desses motivos: Problema: você não está segurando a câmera firme o suficiente. Solução: teste as técnicas anteriores para melhorar a estabilidade. Problema: ao usar o foco automático, sua lente está sempre focando um pouco à frente ou um pouco atrás de onde deveria. Este problema é conhecido como backfocusing ou frontfocusing. Solução: antes veja se o problema não é você (usar o método de focar e recompor é o principal motivo para erros de foco deste tipo). Se o problema for na lente você pode procurar no seu manual da câmera opções de micro focusing adjustments ou micro ajustes de foco. Problema: às vezes consigo o foco perfeito, às vezes não. Solução: nem sempre o melhor método de focagem é bom para todas as situações. Se você está tendo dificuldade somente em um tipo de foto teste novos métodos. Aberturas e distâncias focais diferentes pedem métodos diferentes. Além disso, ninguém consegue fotos perfeitamente focadas todo o tempo, é normal errarmos de vez em quando. Problema: já tentei tudo e ainda assim minhas fotos saem fora de foco. Solução: no caso de lentes mais baratas, a nitidez pode ser limitada e é possível que este é o melhor que ela pode te oferecer. Se o problema acontece com uma boa lente leve seu equipamento para uma assistência técnica para checar se o problema não é na própria lente ou na câmera.
  78. 78. 80 Os segredinhos para fotos ainda mais nítidas Estes segredos são perfeitos para serem usados isoladamente ou em conjunto para conseguir fotos supernítidas! Tripé O tripé não funciona em todo tipo de situação: não tente fotografar uma criança no parque com ele! Mas em situações mais controláveis, como na fotografia de paisagens e de produtos, ele é um grande amigo. Com um bom tripé garantimos que a câmera vai ficar completamente parada. Disparador remoto O disparador remoto é um dispositivo para bater a foto sem precisar tocar na câmera. Existem disparadores com ou sem fio e eles não são muito caros. Assim como o tripé, o disparador permite que a câmera fique estática durante o clique, pois evita o tremor que nosso dedo causa ao apertar o botão disparador. E mais: muitas câmeras hoje em dia podem ser controladas também pelo celular. Temporizador Caso você não tenha um disparador remoto é possível evitar o tremor do clique usando o temporizador da sua câmera: selecione o temporizador, aperte o botão disparador e espere alguns segundos até a foto ser tirada. Assim a câmera tem tempo de se estabilizar. Viu só? O temporizador não serve somente para você sair correndo e aparecer também na foto com os amigos!
  79. 79. 81 atécnica Mirror lockup Em câmeras DSLR existe um espelho que se move dentro da câmera toda vez que fazemos um clique (ver página 17). É por ele que olhamos pelo visor, e por causa disso ele precisa subir sempre que vamos bater a foto para não ficar na frente do sensor. Este subir e descer do espelho causa pequenas vibrações que podem diminuir a nitidez da imagem em algumas situações. Ao usar teleobjetivas ou lentes macro entre 1/30 e 1/4, primeiro levante o espelho e depois faça a foto. Será preciso clicar duas vezes (uma para subir o espelho, e outra para bater a foto.) Veja se sua câmera possui esta opção e como ativá-la lendo o manual. Abertura mais nítida Cada lente tem um ponto de abertura onde a foto tem máxima nitidez. Normalmente é um ou dois pontos depois da abertura máxima (em uma lente de abertura máxima f/2.8 a provável melhor abertura é f/5.6). Mas cada lente tem sua personalidade, então o melhor é testar. Com lentes zoom é possível que cada distância focal tenha uma abertura de melhor nitidez equivalente. Teste suas lentes e descubra: coloque a câmera em um tripé, selecione um foco manualmente e faça várias fotos exatamente iguais, mudando somente a abertura e o tempo de exposição. Depois, compare-as no computador com ampliação máxima. f/2.8 f/5.6 f/11 f/22
  80. 80. 82 Mantenha tudo limpo Pessoas caprichosas mantém seus equipamentos impecavelmente limpos. Pontos de gordura nas lentes ou pó podem ser retirados com panos que não soltem fibras, ou mesmo com alguns produtos especializados. O sensor também é vítima da sujeira! Ao trocarmos de lentes, partículas entram e grudam nas partes internas da câmera. Tome muito cuidado com o sensor: se não tem experiência e conhecimento para limpá-lo prefira levar seu equipamento para uma assistência técnica. sujeiras no sensor (veja que não fui caprichosa!) Lentes de qualidade A maior diferença entre lentes ruins e lentes boas é a nitidez. Se a nitidez é um ponto importante para você considere investir em lentes de qualidade superior. Devo ter uma lente com estabilizador de imagem? É só fazer a primeira pesquisa para comprar de lentes e percebemos a enorme diferença entre os preços de lentes com e sem estabilizador. Analise bem suas necessidades na hora de definir se vale a pena fazer esse investimento. Se pergunte: “vou fotografar em situações extremas de luz a ponto do estabilizador fazer diferença?”
  81. 81. 83 atécnica O estabilizador pode vir a calhar para quem fotografa casamentos, fotojornalismo e natureza usando lentes teleobjetivas. Já para quem faz fotos com luz abundante, como em estúdio, o investimento pode não fazer tanta diferença. A quantidade de luz dessas situações permite o uso de tempos de exposição rápidos e que não tremem a foto. Técnica na prátca A ordem dos fatores é importante Eu falei primeiro de fotometria e depois de foco por um motivo: embora a gente use o mesmo botão para medir a luz e para fazer o foco, essas duas coisas normalmente não serão feitas ao mesmo tempo! Se fizermos a fotometria no lugar errado, a foto sairá com a iluminação errada. Se fizermos o foco e depois ficarmos mexendo nossa câmera pra lá e pra cá, provavelmente o foco se perderá. Um passo-a-passo básico de toda a parte técnica seria o seguinte: 1. Encontre o objeto de iluminação média que vai usar para fazer a medição (como a palma da sua mão); 2. Aponte para ele, aperte o botão disparador até a metade, e mexa nas configurações (abertura, tempo de exposição e ISO) até zerar o fotômetro; 3. Pode soltar o botão disparador; 4. Faça a composição que gostaria de fazer. Lembre-se, o fotômetro pode ir pra lá e pra cá, mas você já mediu corretamente a cena e não precisa mais mexer nas configurações; 5. Aperte o botão disparador até a metade para fazer o foco onde quiser e mantenha-o pressionado até bater a foto; 6. Bata a foto. Se, na hora de fazer a próxima foto, o ambiente tiver as mesmas condições de luz da primeira, você pode pular os primeiros passos e ir direto para o 5, sem mexer nas configurações de abertura, tempo de exposição ou ISO.
  82. 82. 84 Como fotografar na contraluz e fazer silhuetas Ao fotografar uma pessoa na contraluz a câmera pode achar que está tudo muito claro e acabar deixando a foto mais escura do que deveria. Você pode usar a técnica da mão para fazer uma fotometria correta. Em situações de contraluz também podemos querer fazer uma silhueta. Para conseguir uma boa silhueta você pode apontar para o céu, fazer a fotometria, e depois voltar para a composição desejada. 24. lisie
  83. 83. 85 atécnica A situação de contraluz também nos permite usá- la como luz de contorno. Nesta foto, por exemplo, a luz cria um contorno dourado em volta da Adrielly. Para conseguir esse efeito podemos também usar a técnica da mão, da mesma forma que fizemos no primeiro exemplo. Porém, o contorno só será visível se atrás da pessoa houver um fundo que também está projetando sombra em si mesmo. Veja no esquema: 25. adrielly
  84. 84. 86 Como fazer fotos com o fundo desfocado O efeito do fundo desfocado é muito admirado e muita gente acredita que uma foto parece mais profissional por causa dele. Este é um dos efeitos impossíveis de se reproduzir na pós-produção, e não fica natural se feito no computador. O fundo desfocado depende dos seguintes fatores: Distância focal Quanto maior a distância focal, maior será o desfoque. Se estiver usando uma lente 18-55mm, faça a foto em 55mm. Distância entre assunto e lente Quanto mais próxima você estiver do assunto, mais próximo da lente será o foco, e mais o fundo ficará desfocado. Chegue perto! 26. andy
  85. 85. 87 atécnica Abertura A abertura é a principal responsável pela profundidade de campo (releia o item "como controlar a luz”, página 53). Use a maior abertura que sua lente permitir para conseguir mais desfoque. Uma abertura f/5.6 vai desfocar mais o fundo do que uma abertura f/11. Distância entre o assunto e o fundo Quanto mais distante o fundo estiver do ponto de foco, mais desfocado ele ficará. Ao tentar fazer um retrato com fundo desfocado é melhor deixar a pessoa longe do fundo do que encostada nele. Nem sempre é possível juntar todos esses fatores em uma só foto, mas tentando colocar alguns em prática com certeza você conseguirá bons resultados, usando o equipamento que possui hoje. Como fotografar com pouca luz e à noite Fotos noturnas são um pesadelo: é difícil focar, é difícil medir a luz e na maior parte das vezes acabamos com fotos escuras, tremidas ou com um montão de ruído. Mas não desanime: fotos noturnas podem ser muito divertidas de fazer e depois que a gente pega o jeito, dá vontade de trocar o dia pela noite.
  86. 86. 88 o ruído nem sempreé um problema, nãodeixe de fazer a fotopor causa dele. Dica Câmeras compactas possuem modos específicos para fotografar à noite. Use-os para conseguir fotos nítidas e com boa iluminação. Esses modos podem ser chamados de noturno, noturno com flash, retrato noturno, paisagem noturna, ISO, alta sensibilidade, entre outros. Veja no seu manual. Um tripé ou um ISO alto. Fotos noturnas normalmente exigem estabilidade para fazermos longas exposições. Falei sobre tripés na página 80 e também dou uma dica de tripés mais compactos na página 168. Se você não tiver um tripé, também dá para subir o ISO sem medo! O ruído resultante pode ser suavizado na pós-produção ou pode ser incorporado na foto. 27. rio de janeiro/RJ
  87. 87. 89 atécnica Use o (subsestimado) nivelador da sua câmera É muito fácil fazer fotos noturnas tortas, pois temos menos referências. Nessa situação o ideal é usar o nivelador embutido da sua câmera para ter horizontes retos. Procure no seu manual: se sua câmera não possui nivelador, use o nivelador de bolha do tripé. Choveu? Fique feliz! Chuva costuma ser uma péssima notícia, mas para fotos noturnas ela é bem vinda. Já notou que na maioria das cenas noturnas dos filmes as calçadas estão molhadas? É que a água reflete a luz, logo a chuva nos ajuda a deixar a cena mais bem iluminada e interessante. Na próxima vez que chover você já sabe: ao invés de se encolher na cama, bota uma capa de chuva e saia pra fotografar! desnivelada. nivelada. 28. veneza, itália
  88. 88. 90 Aberturas bem fechadinhas Aberturas mais fechadas (como f/22) permitem exposições mais longas e, consequentemente, conseguimos registrar movimentos de forma interessante. o movimento traz maisinteresse para esta foto. Em fotos noturnas a abertura menor também permite que os pontinhos de luz se pareçam com estrelas. Pode parecer um detalhe bastante pequeno, mas em uma foto maioritariamente escura isso faz bastante diferença. tudo que é ponto de luzvira estrela. 29.veneza,itália30.veneza,itália
  89. 89. 91 atécnica Por fim… as configurações Sei que uma das grandes dificuldades da fotografia noturna é a parte mais técnica. Embora cada situação seja única (pra variar!), algumas dicas são válidas: Para focar: use o liveview (tela LCD) da câmera e dê zoom (na visualização) para focar manualmente. Normalmente é mais fácil focar em pontos de luz do que em outras áreas. Eu não costumo confiar no foco automático nesses casos. Para a foto não ficar com muito ruído: aposte na longa exposição ao invés do ISO alto. Mas, pessoalmente, não acho que o ruído é algo tão do mal assim. Para a foto não ficar tremida: o tripé é seu amigo, mas se não tiver um disponível, apoie a câmera em um banco, no chão, no muro, em qualquer lugar. Só não vale achar que vai ser possível segurar a câmera na mão por 2 segundos sem tremer. Para a foto não ficar escura: a fotometria de uma cena noturna é diferente da cena diurna. Dificilmente seu fotômetro ficará zerado. Embora, repito, situações diferentes peçam soluções diferentes, lembre-se que a tendência é que o fotômetro fique um ou dois pontos no negativo. Na dúvida, teste e refaça. Procure métodos alternativos de iluminação Luminárias, velas, lanternas e até um tablet podem servir como fonte de iluminação. Essas fontes não são muito potentes, mas colocando-as bem pertinho do assunto você conseguirá resultados perfeitos. esse tomilho foi iluminado usando uma vela
  90. 90. 92 Para dominarmos esse tipo de efeito é preciso prática. Tente fazer isso em várias fotos. Teste com diferentes velocidades e acompanhando diferentes objetos. O passo-a-passo: 1. Selecione um tempo de exposição longo. Assim você conseguirá o efeito de movimento. Um segundo já é o suficiente pra fazer o efeito; 2. Aponte para o seu assunto, que está se movendo, e mova a câmera junto com ele; 3. Clique e comece a tirar a foto. Continue seguindo o seu assunto com a câmera; 4. A exposição irá terminar e, se você conseguiu seguir a velocidade do assunto com sua câmera ele deverá estar nítido enquanto o fundo ficou desfocado. Como fazer panning Panning é o efeito que mostra o movimento da cena, borrando uma parte da foto. Este movimento é captado movendo a câmera enquanto tiramos a foto. 31.naarden,holanda
  91. 91. 93 atécnica Como fotografar no nascer e no pôr do sol O céu fica lindo quando o sol está nascendo ou se pondo. Mesmo acontecendo diariamente não nos cansamos da beleza de suas cores. Registrar esta belezura toda não é complicado. Para conseguir manter as cores e o contraste é preciso subexpor a foto um pouquinho. Se você está usando o modo de medição matricial pode fazer isso deixando o fotômetro em um número negativo (como -1 ou -2). 32.alterdochão/PA
  92. 92. 94 Se você está usando o modo de medição pontual, pode apontar para uma parte próxima ao horizonte, um pouco acima da parte mais iluminada e do próprio sol. Se você fotometrar onde está o sol ou na parte mais clara, as chances são grandes de subexpor a foto mais do que o necessário. Dica Muitas câmeras compactas oferecem a opção de compensar a exposição para cima ou para baixo. Você encontra essa configuração em um ícone EV. Ao fazer fotos do pôr do sol você pode compensar a exposição em um valor negativo e conseguirá melhor profundidade de cores e detalhes. faça a fotometria aqui não faça a fotometria aqui (vai ficar muito claro) não faça a fotometria aqui (vai ficar muito escuro) ícone EV 33.riodejaneiro/RJ
  93. 93. 95 atécnica está gostando do livro? então considere fazer uma contribuição do valor que estiver ao seu alcance :-) ou você pode continuar lendo de graça! → clique aqui para doar
  94. 94. como criar fotos incríveis 3
  95. 95. 98 Olhar, analisar, compor A composição não depende quase nada do seu equipamento e não pode ser arrumada no computador depois. Ela é a base do que chamamos de uma fotografia bonita. Decidir quais botões apertar fica fácil e rápido depois de um tempo praticando. A partir daí, dedicamos a maior parte dos nossos esforços à composição. Entender a parte técnica é importante. Saber pós-processar suas imagens em um mundo digital também. Mas a composição é um dos principais fatores para sua foto se destacar na multidão. 34. alter do chão/PA
  96. 96. 99 comocriarfotosincríveis Antes de apontar sua câmera para a cena que pretende fotografar, é preciso parar e observar. Olhe em volta e responda às seguintes perguntas: • Por que decidi fotografar isso? • O que chamou a minha atenção nesta situação? • Quais são as coisas mais importantes desta cena? • O que não é importante? Depois de responder essas perguntas, você terá um ponto de partida para iniciar a composição. Analise: • Qual vai ser o resultado usando diferentes lentes? • E se eu chegar mais perto ou for mais longe? E se eu me abaixar? • Se eu andar em volta da cena, qual ângulo ficará mais interessante? Depois de olhar e analisar, vem o momento de compor. Vou te contar alguns princípios que usamos para chegar em composições interessantes, mas lembre- se que não existe certo ou errado. A composição escolhida deve ajudar a contar a história por trás daquela imagem. Os caminhos para chegar neste resultado devem ser escolhidos por você! Estes princípios não são exclusivos da fotografia: eles existem e funcionam igualzinho para toda arte visual (pintura, ilustração, escultura e design, por exemplo.) São dois grupos de informações que usamos ao criar e ao analisar a composição em uma foto: os elementos formais (os elementos que compõem uma imagem) e os princípios das artes visuais (a organização desses elementos dentro de um quadro). Os elementos formais São sete os principais elementos formais das artes visuais. Eles nos auxiliam a entender a estrutura de uma fotografia. Para que uma imagem seja formada, pelo menos alguns desses elementos estarão sempre presentes. Os elementos, em si, são como as letras do alfabeto: não têm significado próprio. É a forma de usá- los que nos ajuda a passar uma mensagem.
  97. 97. 100 linhas delimitam os objetos da imagem. 1. Linha A linha é normalmente o primeiro elemento formal citado em qualquer aula de arte. Fica fácil saber o motivo: linhas são a base para todo tipo de representação visual. Uma foto mostra o mundo em duas dimensões. Nela, linhas que não existem na vida real (como as linhas de uma escultura) passam a existir. Dá pra dizer que não existe fotografia sem linha, pois é ela que delimita tudo que está no quadro. Para entender melhor o que é a linha, imagine-se desenhando uma foto. Por onde você começa? Normalmente, pelas linhas! 35.oslo,noruega
  98. 98. 101 comocriarfotosincríveis linhas nao aparentes. Além de delimitações literais, as linhas podem ser também somente sugeridas. No exemplo abaixo, as linhas que formam as parreiras são complexas, mas a organização delas no quadro sugere duas linhas simples convergentes: O uso de linhas retas traz uma sensação de modernidade e ordem. Já o uso de linhas curvadas e irregulares traz uma sensação mais orgânica e natural. Linhas horizontais são mais confortáveis aos nossos olhos do que verticais, pois na vida real temos como base um horizonte; linhas diagonais trazem mais dinamismo. 36.heilbronn,alemanha
  99. 99. 102 Linhas normalmente não existem de forma pura em fotografias. Sua influência no resultado final é mais discreta do que outros elementos, e normalmente trabalhamos muito mais com linhas sugeridas do que linhas literais. linhas (sugeridas) retas que trazem a sensação de ordem. linhas (sugeridas)curvadas quetrazem a sensaçãoorgânica danatureza. 37. keukenhof, holanda 38. svartifoss, islândia
  100. 100. 103 comocriarfotosincríveis 2.Textura Ao tocar em objetos à nossa volta, conseguimos sentir sua textura. É possível sentir a diferença entre uma casca de maracujá (com rugas e saliências) e a casca de um ovo (lisa e suave). Em uma imagem de duas dimensões não temos uma textura real, mas é possível simular essa textura usando outros elementos (como cor e luz.) em uma foto como essa, o objetivo é evidenciar a textura do píer velho. a pele do bebê édelicada, e usando uma luz suave evidenciamos esta característica. Por exemplo: Usando uma iluminação lateral e dura, evidenciamos a textura dos objetos. Usando uma iluminação suave, evidenciamos assuntos delicados. 39.giovanni

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