Joanna de Ângelis

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Joanna de Ângelis

  1. 1. JOANNA DE ÂNGELISM ediunidade é comunicação, logo, o fenômeno mediúnico é a relação entre dois espíritos através de uma sintonia mental. A mediunidade da escrita (psicografia) ocorre em toda a parte, contando com o concurso demédiuns que vêm desempenhando tarefas de projeção, todos propugnando oengrandecimento dos postulados espíritas. O conhecido médium brasileiro DivaldoPereira Franco, sob a orientação de benfeitores espirituais, tem obtido mensagensinspiradas, especialmente por um que durante muito tempo se apresentou como"um espírito amigo". Ocultando-se no anonimato, à espera do instante oportuno, se fez conhecida,um dia, a Divaldo: "Chamo-me Joanna de Ângelis". Desde então, o perseverantemédium passou a vê-la e ouvi-la diariamente com a aparência de uma freira,psicografando mensagens curtas, revelando-se acima de tudo, na condição de mãeterna e amorosa, cuja presença, sempre atenta e vigilante, bondosa e sábia, foidespertando intensa curiosidade a seu respeito. Afinal, quem seria esse espírito?Para revelar a seu dedicado filho o seu surpreendente retrospecto reencarnacionista,transfigurou-se para que todos pudessem conhecê-la melhor. Nas estradas dos séculos vamos encontrar Joanna de Ângelis na mansa figurade Joanna, mulher de rara dedicação e nobre caráter, casada com Cusa, intendentede Herodes Ântipas, tetrarca da Galiléia (4 a. C. a 39 d. C.). É mencionada noEvangelho de Lucas (VIII. v.v. 2 a 3): "Algumas piedosas mulheres que haviam sidocuradas por Jesus, entre elas Maria, chamada Madalena; Joanna esposa de Cusa;Suzana e muitas outras; acompanhavam o nazareno nas suas pregações e lheprestavam assistência com seus bens". O fato gerou a reprovação do esposo que nãolhe compartilhava os anseios de espiritualidade, não aceitando a doutrina daquelemestre que Joanna seguia. Angustiada pela intolerância do esposo, Joanna buscou a orientação sábia deJesus que traçou-lhe um roteiro de conduta para viver com resignações. Ao invés deconvidá-la para segui-lo pelas estradas da Galiléia, aconselhou-a a servi-lo dentro dopróprio lar atendendo seu esposo com dedicação. A fiel Joanna deveria aproveitar omáximo as lições que esse convívio lhe oferecia, proporcionando oportunidade deburilamento, recurso intermediário para atingir o fim que ela se propôs para aevolução espiritual.
  2. 2. Cusa, após uma vida tumultuada e inditosa, faleceu, deixando Joanna semrecursos e um filho para criar. Esquecendo o conforto e a nobreza material nasociedade de Cafarnaum dedicou-se aos afazeres domésticos, tornando-se ao mesmotempo um verdadeiro exemplo de pessoa cristã, no atendimento aos necessitados.Joanna é novamente mencionada no Evangelho de Lucas (XXIV. v.v. 1 a 3 ): " Namanhã de Páscoa, primeiro dia da semana, ao nascer da aurora, Maria de Magdala,Joanna de Cusa e Maria, mãe de Tiago entre outras foram ao sepulcro com os aromasque tinham preparado. Encontraram a pedra rolada para longe da abertura dosepulcro, entraram e não acharam ali o corpo de Jesus". No ano de 65 da Era Cristã, em Roma, após violento incêndio idealizado peloimperador Nero, destruindo parcialmente a cidade, os seguidores da "seita donazareno", a quem o sinistro foi atribuído, sofreram cruéis perseguições. Já idosa,Joanna foi levada ao "circo dos martírios (Coliseu) com seu jovem filho e mais 500cristãos para testemunhar o amor a Jesus. A corajosa discípula de Jesus, mesmo como corpo consumido pelas labaredas não pronunciou uma palavra de negação à suacrença, morreu perdoando os carrascos. A IRMÃ FRANCISCANA No século XI, Francisco de Assis, transmitindo sábias palavras e gestosamorosos, marcou o início do movimento franciscano, que seria conhecido comoOrdem dos Frades Franciscanos. Clara de Assis, que compartilhava dos mesmosideais de amor e doação ao próximo, tornou-se a primeira religiosa franciscana,fundando em 1212 a Ordem das Clarissas, responsabilizando-se pela continuidade doideal de Francisco. Vamos encontrar Joanna, nessa época, talvez, na Ordem fundadapor Clara, sob os postulados de caridade preconizados. No século XVII, Joanna renasceu em 1651 na pequenina San Miguel Neplanta,cerca de 80 quilômetros da cidade do México, com o nome de Juana de Asbaje yRamirez de Santillana, filha do basco D. Manuel Asbaje e da indígena Isabel Ramirezde Santillana. Foi criança precoce. Aos três anos de idade aprendeu as primeirasletras, aos cinco fazia versos e aos seis dominava o idioma pátrio. Aos 12 anos,residindo na capital do México, aprendeu latim e português, falava corretamenteNahuatle, língua indígena dos Nacas, geralmente chamados de Astecas, além depossuir habilidade para os afazeres comuns às mulheres da época. Ansiosa por compreender a Deus, ingressou aos 16 anos no Convento dasCarmelitas Descalças, ordem reformada por Tereza D’Ávila, porém, desacostumadacom a rigidez ascética, adoeceu e retornou à Corte. Seguindo a orientação de seuconfessor, foi para a Ordem de São Jerônimo da Conceição tomando o nome deSóror Juana Inés de La Cruz. Cercada por inúmeros livros e instrumentos musicais,Juana estudava, escrevia poemas, peças religiosas e compunha músicas sacras.Freqüentemente visitada por intelectuais, a "linda monja da biblioteca", como eraconhecida, sempre dizia: "pela compreensão o homem se trona superior aosanimais".
  3. 3. Juana fez-se competente em teologia moral e dogmas, medicina, astronomiae direito canônico. Criou um sistema simples de anotar música e ganhou fama comopintora. Buscando na História dezenas de vultos femininos que marcaram época pelasabedoria e competência citando feitos e influências, defendeu o direito da mulherde pregar livremente. Em 1695 houve uma epidemia de peste na região. Juana socorreu durante diae noite as suas irmãs religiosas como a maioria da população. Juana, tombou vencidaaos 44 anos de idade. Passados 66 anos, em 11 de dezembro de 1761, Joanna reencarnaria emSalvador, Brasil, filha de uma abastada família. Aos 21 anos de idade entrou noconvento franciscano Nossa Senhora da Lapa, com o nome de Sóror Joanna Angélicade Jesus. Entre 1795 e 1801 exerceu diversos cargos burocráticos na comunidade,assumindo a função de vigária. Eleita abadessa em 1814, esteve à frente do conventoaté 1817. Nesse período, em todo o território brasileiro, era crescente a agitaçãorevolucionária visando a separação do Brasil de Portugal. O imperador D. Pedro I, nodia 7 de setembro de 1822, quando regressava do Rio de Janeiro, ao receberdespachos de Lisboa noticiando medidas reacionárias tomadas pela CortePortuguesa, declarou às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, a independênciado Brasil consolidando-se o sentimento de separação. Na Bahia, as tropasportuguesas comandadas pelo brigadeiro Inácio Luiz Madeira de Maia resistiramtenazmente travando conflitos sangrentos. No dia 19 de fevereiro de 1823, quando as tropas investiram no mosteiro deNossa Senhora da Lapa, no qual a sóror Joanna Angélica era superiora, saiu-lhes àentrada intimidando-os com a cruz alçada, a não profanarem o abrigo das filhas doSenhor. Resistiu valentemente, mas não lhe valeu a coragem e, ali mesmo, caiuvarada a golpes de baioneta. Com seu martírio, deu tempo às noviças escaparem,refugiando-se no Convento da Soledade. Recebeu socorros, vivendo, porém, poucashoras, desencarnando no dia seguinte. Tombando numa luta pelos ideais deliberdade, sóror Joanna Angélica de Jesus tornou-se mártir da independência doBrasil. JOANNA E A CODIFICAÇÃO Prosseguindo sua caminhada no mundo espiritual, Joanna estagia numabonita região próxima da crosta terrestre como verdadeira amiga e benfeitora,orientando as criaturas através dos séculos para Jesus e para o bem. Na metade doséculo XIX, quando os ventos da codificação sopraram na Europa e na América,foram convocados espíritos de boa vontade dispostos ao trabalho; na ocasião,Joanna ofereceu valiosa colaboração integrando a equipe do Espírito da Verdade,que trouxe ao mundo material revelações valiosas, dando cumprimento à promessado Cristo. O Evangelho Segundo o Espiritismo, mensagens assinadas por um "EspíritoAmigo" apresenta Jesus como o modelo das nossas atitudes, em qualquer situação.
  4. 4. No século XX, quando vários espíritos ligados a Joanna se preparavam parareencarnar, reuniu a todos e planejou construir na Terra, sob o céu da Bahia, noBrasil, uma cópia da comunidade onde estagiava no Plano Espiritual. No dia 15 deagosto de 1952 foi inaugurada a Mansão do Caminho, nome dado em alusão à Casado Caminho dos primeiros cristãos, com o objetivo de criar uma experiênciaeducativa que demonstrasse a viabilidade de se viver numa comunidade realmentecristã nos tempos modernos. Em 1964, através de Joanna, o médium Divaldo Pereira Franco publicou seuprimeiro livro, Messe de Amor, marco inicial de uma centena de livros através dosquais Joanna procura confortar os mais diversos leitores e necessitados, iluminandomentes à luz do Evangelho. São páginas ricas de consolação que são distribuídas paravárias partes do mundo traduzidas para vários idiomas, imprimindo nos coraçõescarentes de luz a mensagem de amor do Mestre da Galiléia. REVISTA CRISTÃ DE ESPIRITISMO - MARIA APARECIDA ROMANO

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