Capítulo 4: Projetação ergonômica

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Monografia de especialização “Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego aéreo de um aeroporto de pequeno porte”. Página 131 até 150. Mais informações em http://www.eduardobrandao.com/publicacoes/monografia-especializacao/capitulo-4-projetacao-ergonomica/

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Capítulo 4: Projetação ergonômica

  1. 1. 4.Projetação ergonômica4.1.O que é projetação ergonômica? De acordo com MORAES e MONT`ALVÃO (2003), esta fase trata deadaptar as estações de trabalho, equipamentos e ferramentas às característicasfísicas, psíquicas e cognitivas do trabalhador/operador. Compreende odetalhamento do arranjo e da conformação das interfaces, componentesinstrumentais, informacionais, acionais, comunicacionais, movimentacionais,espaciais e físico ambientais. Termina com o projeto ergonômico: conceito doprojeto, sua configuração, conformação, perfil e dimensionamento, considerandoespaços e estações de trabalho.4.2.Geração de alternativas Conforme foi observado anteriormente no item 1.13. Configuração dospostos de trabalho dos controladores de tráfego aéreo do aeroporto de pequenoporte, as 5 posições de atendimento (2 rádios e 3 telefones) da torre do aeroportode pequeno porte são controladas por 3 indivíduos, distribuídos em controle deaeronaves em terra, controle de aeronaves em terra/vôo e controle de aeronavesem vôo:
  2. 2. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 132aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 101 - Configuração dos postos de trabalho dos controladores de tráfego aéreo doaeroporto de pequeno porte. Uma primeira idéia refere-se ao posicionamento dos controladores dentro datorre, sem maiores modificações na bancada. Uma alternância entre os postos decontrole de aeronaves em terra e aeronaves em vôo pode propiciar uma melhorvisualização da chegada dos aviões na cabeceira da pista.Figura 102 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 20 (dois-zero) em uso. Sugeriu-se o deslocamento do posto de controle de aeronaves em vôo para olado da cabeceira em operação, na tentativa de diminuir os custos para o operadorrealizar a visualização de aeronaves.
  3. 3. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 133aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 103 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 02 (zero-dois) em uso. As próximas alternativas referem-se à uma nova configuração da bancada decontrole, e em alguns casos até na organização dos próprios postos terra/vôo. Independente da cabeceira da pista em uso, o controlador das aeronaves emvôo precisa estar sempre de olho na perna do vento, uma espécie de corredoraéreo, paralelo à pista de pouso/decolagem, que as aeronaves utilizam paraaproximarem-se do aeroporto. Geralmente, este controlador permanece com a suacadeira em uma posição perpendicular em relação à bancada, para observar tantoos instrumentos quanto a aproximação de aeronaves (para cabeceira 02 isso não épossível, devido ao posicionamento do posto de trabalho).
  4. 4. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 134aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 104 - Controlador de aeronaves em vôo com a sua cadeira em posiçãoperpendicular à bancada de controle. As fotografias abaixo ilustram o controlador das aeronaves em vôotrabalhando com a cadeira em uma posição perpendicular a bancada de controle.Na medida que a aeronave se aproxima, o controlador tenta acompanhar oingresso da mesma na perna do vento.Figura 105 - Controlador de aeronaves em vôo acompanhando o ingresso do avião naperna do vento do aeroporto de pequeno porte. Na tentativa de evitar que o controlador permaneça em uma posiçãoperpendicular em relação a bancada, procurou-se gerar alternativas quemodifiquem o desenho da mesma. O redesenho desta bancada busca uma melhor
  5. 5. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 135aéreo de um aeroporto de pequeno portevisualização das aeronaves que estão se aproximando do aeroporto. Vale lembrarque a linha pontilhada indica o espaço da bancada original.Figura 106 - Opção para o redesenho da bancada de controle.Figura 107 - Com a mudança da direção do vento, os controladores de aeronaves emterra e aeronaves em vôo podem trocar de posição, permitindo uma melhor visualizaçãoda aproximação dos aviões.
  6. 6. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 136aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 108 - Mais uma opção para o redesenho da bancada de controle (bancada em“U”).Figura 109 - Com a mudança da direção do vento, os postos de controle de aeronavesem terra e aeronaves em vôo seriam alternados, permitindo uma melhor visualização daaproximação dos aviões. Neste primeiro momento, acredita-se que todo tipo de idéia seja válido. Porisso, procurou-se evitar que qualquer tipo de equipamento ou mobiliário pudesseinterferir no desenho da bancada (com exceção do alçapão de entrada/saída datorre).
  7. 7. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 137aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 110 - Outra opção para o redesenho da bancada de controle (bancada em “V”).Figura 111 - Com a mudança da direção do vento, os postos de controle de aeronavesem terra e aeronaves em vôo seriam alternados, permitindo uma melhor visualização daaproximação dos aviões. As próximas alternativas exploram uma reorganização radical nos postos detrabalho dos controladores de tráfego aéreo do aeroporto de pequeno porte, tantona distribuição física dos mesmos dentro do espaço interno da torre, quanto na suaprópria estrutura organizacional. Sugere-se a eliminação do posto “ponte” entreaeronaves terra/vôo e a criação de um novo posto substituindo o anterior, com umcontrolador operando somente os pousos e decolagens enquanto o operador dasaeronaves em vôo permanece controlando apenas a perna do vento. Acredita-setambém que um controlador reserva seja essencial para a promoção de pausasdurante o trabalho.
  8. 8. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 138aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 112 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 20 (dois-zero) em uso.Figura 113 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 02 (zero-dois) em uso. Uma situação mais complexa para ser colocada em prática, devido aoscustos exigidos, seria a criação de um novo alçapão de entrada/saída, bem menorque o atual, permitindo novos modelos organizacionais dos postos de trabalho.Neste caso, também sugere-se a eliminação do posto “ponte” entre aeronavesterra/vôo e a criação de um novo posto substituindo o anterior, com umcontrolador operando somente os pousos e decolagens enquanto o operador dasaeronaves em vôo permanece controlando apenas a perna do vento. Acredita-setambém que um controlador reserva seja essencial para a promoção de pausasdurante o trabalho.
  9. 9. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 139aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 114 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 20 (dois-zero) em uso.Figura 115 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 20 (dois-zero) em uso.
  10. 10. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 140aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 116 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 20 (dois-zero) em uso.Figura 117 - A situação acima ilustra a pista de pouso e decolagem do aeroporto com acabeceira 02 (zero-dois) em uso.4.3.Resultados da geração de alternativas Através de uma reunião com a coordenação de navegação aérea, verificou-se que não é permitida a mudança de posição entre os postos de trabalho. Emvirtude da impossibilidade desta reorganização na configuração dos postos detrabalho, além da pouca verba disponível para a implementação do projeto,procurou-se buscar uma outra solução capaz de reduzir os problemas devisualização do pátio, da pista e do espaço aéreo (segundo a tabela G.U.T., estessão os problemas mais graves).
  11. 11. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 141aéreo de um aeroporto de pequeno porte Acredita-se que uma abordagem direta sobre o redimensionamento dospostos de trabalho promova melhorias significativas para a realização da tarefa. Oprojeto final buscou levar em conta as seguintes opções: • Diminuição da altura da bancada de controle; • Reorganização dos instrumentos ao longo da bancada de controle; • Instalação de novos equipamentos, como o monitor LCD de 15 polegadas, reduzindo a profundidade da bancada de controle, além de possibilitar a regulagem para a visualização do monitor; • Remoção das CPUs, localizadas em baixo da bancada de controle, possibilitando um ganho maior de espaço interno da torre.4.4.População usuária De acordo com a análise da tarefa, observou-se que os controladores detráfego aéreo do aeroporto de pequeno porte são de ambos os sexos, com idademédia entre 35 e 50 anos. Para o redimensionamento e arranjo físico dos postos detrabalho serão consideradas as medidas antropométricas da menor mulher, maiormulher e do maior homem, abrangendo desta forma toda a população usuária(controladores de tráfego aéreo do aeroporto de pequeno porte). É válido ressaltar que o fato de considerar a maior mulher deve-se aotamanho das suas coxas. Apesar da diferença em relação ao maior homem serpequena, acredita-se que é significativa, podendo causar incômodo e desconfortocaso não seja contemplada.4.5.Campo de visão: vista lateral em pé (escala 1:10) referentes a LNVP • Menor mulher: ângulo confortável no plano lateral/sagital movimentação para trás (extensão dorsal) 30° e para frente (flexão frontal) 30°, sem rigidez postural (DIFFRIENT, 1981); • Maior homem: ângulo confortável no plano lateral/sagital movimentação para trás (extensão dorsal) 30° e para frente (flexão frontal) 30°, sem rigidez postural (DIFFRIENT, 1981).
  12. 12. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 142aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 118 - Campo de visão da menor mulher e do maior homem: vista lateral em pé(escala 1:10) referentes a LNVP.
  13. 13. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 143aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 119 - Campo de visão da compatibilização entre a menor mulher e o maiorhomem: vista lateral em pé (escala 1:10) referentes a LNVP.Figura 120 - Representação dos manequins antropométricos da menor mulher e domaior homem e os seus respectivos campos de visão de acordo com a bancada decontrole utilizada na torre do aeroporto de pequeno porte - vista lateral em pé (escala1:10) referentes a LNVP.
  14. 14. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 144aéreo de um aeroporto de pequeno porte4.6.Campo de visão: vista lateral sentado (escala 1:10) referentes a LNVS • Menor mulher: ângulo confortável no plano lateral/sagital movimentação para trás (extensão dorsal) 30° e para frente (flexão frontal) 30°, sem rigidez postural (DIFFRIENT, 1981); • Maior homem: ângulo confortável no plano lateral/sagital movimentação para trás (extensão dorsal) 30° e para frente (flexão frontal) 30°, sem rigidez postural (DIFFRIENT, 1981).Figura 121 - Campo de visão da menor mulher e do maior homem: vista lateral sentado(escala 1:10) referentes a LNVS.
  15. 15. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 145aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 122 - Campo de visão da compatibilização entre a menor mulher e o maiorhomem: vista lateral sentado (escala 1:10) referentes a LNVS.Figura 123 - Representação dos manequins antropométricos da menor mulher e domaior homem e os seus respectivos campos de visão de acordo com a bancada decontrole utilizada na torre do aeroporto de pequeno porte - vista lateral sentado (escala1:10) referentes a LNVS.4.7.Ângulos bio-mecânicos de conforto: vista lateral em pé (escala 1:10)Ângulos: • Ombro/braço superior: -15° a + 35° (DIFFRIENT, 1981); • Cotovelo/antebraço: 80° a 165° (DIFFRIENT, 1981);
  16. 16. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 146aéreo de um aeroporto de pequeno porte • Braço estendido: 0° a 90°.Ângulos - Movimentos Conjuntos: • Ombro/braços superior: -15° a 35° (DIFFRIENT, 1981); • Cotovelo/antebraço: 80° a 165° (DIFFRIENT, 1981).Figura 124 - Ângulos bio-mecânicos de conforto da menor mulher, da maior mulher e domaior homem: vista lateral em pé (escala 1:10).
  17. 17. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 147aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 125 - Ângulos bio-mecânicos de conforto da compatibilização entre a menormulher, a maior mulher e o maior homem: vista lateral em pé (escala 1:10).Figura 126 - Representação dos manequins antropométricos da menor mulher e domaior homem e os seus respectivos ângulos bio-mecânicos de conforto de acordo com abancada de controle utilizada na torre do aeroporto de pequeno porte - vista lateral empé (escala 1:10).
  18. 18. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 148aéreo de um aeroporto de pequeno porte4.8.Ângulos bio-mecânicos de conforto: vista lateral sentado (escala1:10)Ângulos: • Ombro/braço superior: -15° a + 35° (DIFFRIENT, 1981); • Cotovelo/antebraço: 80° a 165° (DIFFRIENT, 1981); • Braço estendido: 0° a 90°.Ângulos - Movimentos Conjuntos: • Ombro/braços superior: -15° a 35° (DIFFRIENT, 1981); • Cotovelo/antebraço: 80° a 165° (DIFFRIENT, 1981).Figura 127- Ângulos bio-mecânicos de conforto da menor mulher, da maior mulher e domaior homem: vista lateral sentado (escala 1:10).
  19. 19. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 149aéreo de um aeroporto de pequeno porteFigura 128 - Representação dos manequins antropométricos da menor mulher e damaior mulher e os seus respectivos ângulos bio-mecânicos de conforto de acordo com abancada de controle utilizada na torre do aeroporto de pequeno porte - vista lateralsentado (escala 1:10).Figura 129 - Representação do manequim antropométrico do maior homem e os seusrespectivos ângulos bio-mecânicos de conforto de acordo com a bancada de controleutilizada na torre do aeroporto de pequeno porte - vista lateral sentado (escala 1:10).4.9.Conclusões da projetação ergonômica Após reunião com a administração do aeroporto, foram indicadas aspossibilidades para a escolha da alternativa final, tendo em mente alguns fatorescomo custos, por exemplo.
  20. 20. Intervenção ergonomizadora nos postos de trabalho dos controladores de tráfego 150aéreo de um aeroporto de pequeno porte Em virtude da verba disponível para a implementação do projeto, procurou-se buscar uma solução capaz de atender o espaço interno reduzido da torre decontrole, ampliando o mesmo em função de um novo mobiliário, assim como aalteração da altura da bancada de controle, permitindo uma melhor visualizaçãodo pátio, da pista e do espaço aéreo. O projeto final deverá levar em conta asseguintes opções: • Diminuição da altura da bancada de controle; • Reorganização dos instrumentos ao longo da bancada de controle; • Instalação de novos equipamentos, ocupando um espaço físico menor, como a utilização de monitor LCD, de 15 polegadas, reduzindo a profundidade da bancada de controle e possibilitando a visualização do programa de computador através de diversos ângulos (sentado ou em pé); • Remoção das CPUs, localizadas em baixo da bancada de controle, possibilitando um ganho maior de espaço interno da torre; • Utilização de rádios cujo o acionamento não cause DORTS (diferentes formas de acionamento, ao invés do polegar); • Utilização de equipamento auricular para os rádios, diminuindo o excesso de ruídos dentro da torre de controle (não há necessidade de proteção contra ruídos externos, pois o ambiente é protegido contra o som). Estes aspectos serão analisados com profundidade na próxima fase destaintervenção ergonomizadora, ou seja, a etapa de avaliação, validação e/ou testesergonômicos.

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