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Apreciação ergonômica nos postos de trabalho dos controladores de tráfego aéreo de um aeroporto de pequeno porte

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Artigo publicado no Abergo 2004 – XIII Congresso Brasileiro de Ergonomia. Mais informações em http://www.eduardobrandao.com/publicacoes/artigos-em-congressos/apreciacao-ergonomica-nos-postos-de-trabalho-dos-controladores-de-trafego-aereo-de-um-aeroporto-de-pequeno-porte/

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Apreciação ergonômica nos postos de trabalho dos controladores de tráfego aéreo de um aeroporto de pequeno porte

  1. 1. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de Ergonomia APRECIAÇÃO ERGONÔMICA NOS POSTOS DE TRABALHO DOS CONTROLADORES DE TRÁFEGO AÉREO DE UM AEROPORTO DE PEQUENO PORTE Eduardo Rangel Brandão, Pós-Graduando em Ergonomia, André Mattos, Pós-Graduando em Ergonomia, Anamaria de Moraes, Doutora em Comunicação LEUI - Laboratório de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces em Sistemas Humano-Tecnologia Rua Marquês de São Vicente, 225 - sala 715F CEP: 22453-900 - Gávea, Rio de Janeiro - Brasil E-mail: brandaoedu@gmail.com Palavras-chave: Ergonomia, Ambiente Construído, Apreciação Ergonômica. Com o crescimento do setor de transportes aéreos, há um grande impacto sobre o trabalho desempenhado pelos controladores de tráfego aéreo (C.T.A.). Os mesmos desempenham suas tarefas em turnos de trabalho de ritmo intenso e repetitivo, com excesso de carga mental, além da angústia cotidiana de serem responsáveis pela segurança de passageiros a bordo de aeronaves. Este artigo relata a fase de apreciação ergonômica, primeira etapa de uma pesquisa sobre os postos de trabalho dos controladores de tráfego aéreo de um aeroporto de pequeno porte, realizada com o objetivo de proporcionar uma melhor qualidade de trabalho para estes profissionais. Keywords: Human-Factors, Work Environment. By the growth of the air transportation sector, it has a great impact on the air traffic controllers tasks. They have an intense and repetitive work, beyond the daily anguish being responsible for the security of passengers on board in aircrafts. This article describes the first stage of a human factor research about the air traffic controllers and their work environment.1. INTRODUÇÃO assistência médica ou hospitalar, e muitos requerem suporte psicológico especializado para enfrentar asSegundo ITANI (2003), o crescimento do setor de inúmeras situações de trabalho que provocam estresse.transporte aéreo é inegável. Através das inovações A condição é agravada pela remuneração baixa etecnológicas, é possível deslocar uma maior quantidade inexistência de um plano de carreira, o que tem levadode passageiros por ano. Essas mudanças possuem um muitos deles a procurarem por uma segunda atividadegrande impacto no processo de trabalho do sistema de remunerada para manter o sustento da família. Essatransporte aéreo, que compreende o deslocamento, a precariedade de condições de vida e trabalho pode serpartida e a chegada de aeronaves, envolvendo várias classificada como uma situação limite de riscos aocategorias de trabalhadores da aviação civil, como bem-estar destes profissionais.aeronautas e controladores de tráfego aéreo (C.T.A.). Por este motivo, o estudo dos postos de trabalho dosITANI (2003) afirma ainda que está ocorrendo uma controladores de tráfego aéreo (C.T.A.) foi consideradopreocupação com a reorganização dos serviços dos como um tema interessante para o desenvolvimento deaeroportos, devido a pressão dos passageiros no uma pesquisa sobre a intervenção ergonomizadora ematendimento mais eficiente de balcão e serviços de sistemas homem-tarefa-máquina. Estes profissionaisterra. Mas o mesmo não ocorre com as demais desempenham suas tarefas em um ritmo intenso deatividades. Os controladores de tráfego aéreo (C.T.A.) trabalho, além de possuírem uma tarefa repetitiva esão uma das categorias mais afetadas por este estressante, onde o menor erro pode custar vidascrescimento acelerado do sistema de transporte aéreo. humanas.As torres de controle continuam empregando a mesmaquantidade de pessoas em suas equipes, onde os Este artigo apresenta os resultados obtidos durante acontroladores trabalham em condições desfavoráveis, fase de apreciação ergonômica desta intervençãocomo longas jornadas junto a monitores de vídeo, ergonomizadora nos postos de trabalho doscontrolando aeronaves em alta velocidade, chegando a controladores de tráfego aéreo (C.T.A.) de ummonitorar 12 aviões nos períodos de pico, quando só aeroporto de pequeno porte. Também serãoconseguiria dar conta de no máximo 6. O controlador apresentadas algumas predições que se relacionam comde tráfego aéreo (C.T.A.) geralmente não possui a causa dos problemas encontrados.
  2. 2. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de ErgonomiaSegundo MORAES e MONT`ALVÃO (2003), a diurna, e o trabalho na torre de controle é encerrado asapreciação ergonômica é a primeira etapa da 19h15, embora o aeroporto continue operando nointervenção ergonomizadora, e consiste em mapear os período noturno, até as 22h, somente para pouso eproblemas ergonômicos de uma determinada empresa. decolagens de helicópteros. Não existe monitoramentoDurante esta fase, são realizadas observações no local de aeronaves através de radar, todo o trabalho éde trabalho, entrevistas com os trabalhadores, além de realizado apenas em condições visuais de operação.registros fotográficos e em vídeo, com o objetivo dedelimitar os problemas que possam ser resolvidos sob o A área total do aeroporto está estimada em 2 milhõesfoco da ergonomia. No final deste processo de de metros quadrados, limitados ao norte por uma lagoa,apreciação, são apresentados quadros com a ao sul por uma área de reserva biológica municipal e acaracterização e posição serial do sistema, a ordenação leste/oeste por uma grande área de concentraçãohierárquica do sistema, a expansão do sistema, a urbana, com condomínios de casas, edifícios emodelagem comunicacional do sistema, além de uma shopping-centers. Possui apenas uma pista, de asfalto,lista com os problemas encontrados. Isto fornece com 900 metros de comprimento e 30 metros deparâmetros para o proponente da pesquisa priorizar e largura. A operação de pousos e decolagens é realizadaconsolidar os problemas, de acordo com a tabela através de 2 cabeceiras, que são alternadas de acordoG.U.T. (Gravidade x Urgência x Tendência), além de com a direção do vento.permitir o desenvolvimento de um quadro de parecerergonômico, onde os principais problemas serãoidentificados e analisados. Ao terminar esta fase de Tráfego Aéreoapreciação ergonômica, o pesquisador também abordaalgumas sugestões preliminares de melhoria. Torre de Controle2. O AEROPORTO ESCOLHIDO Pista (900 x 30 m)Para a realização desta pesquisa de intervençãoergonomizadora, foi escolhido um aeroporto de Cabeceirapequeno porte. Esta decisão se baseou no fato do 02mesmo proporcionar um fácil acesso à sua torre de Ventocontrole. Desenvolver um estudo desta natureza em umaeródromo classificado como internacional, por Figura 1: cabeceira 02 (zero-dois) operando.exemplo, exigiria muitas manobras burocráticas etalvez muitos meses de negociações.O movimento do aeroporto escolhido, tanto no Tráfego Aéreosegmento de passageiros quanto no de aeronaves, é Torreconstituído pela aviação geral, ou seja, transporte de de Controlepassageiros, escolas de pilotagem, empresas depropaganda aérea, empresas de pára-quedismo e Pista (900 x 30 m)empresas de manutenção de aeronaves. O lazer e ainstrução de vôo se destacam como os principais Cabeceiramotivos geradores de tráfego aéreo. A média diária do 20aeroporto era de 281 pousos e decolagens, Ventoconsiderando toques e arremetidas, em novembro de2000 (INFRAERO). Figura 2: cabeceira 20 (dois-zero) operando.O tráfego aéreo do local é composto por helicópteros eaviões de pequeno porte, sendo 66% das aeronaves com A localização do aeroporto facilita o deslocamento deasa rotativa (helicópteros) e 34% com asa fixa (aviões). executivos, moradores locais e visitantes em viagens de lazer ou negócios. Seu público é constituídoAlém deste tráfego aéreo, o aeródromo também opera basicamente por pessoas da classe A (passageiros VIP),com situações de manobra em seu pátio, oferecendo 15posições de estacionamento para aeronaves de asa além de pilotos e futuros pilotos que recebem treinamento nas empresas especializadas em instruçãorotativa e 31 posições de estacionamento paraaeronaves de asa fixa. A operação para aviões é apenas
  3. 3. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de Ergonomiaaérea. O efetivo do aeródromo é composto por 74 Início do Final do Almoçofuncionários, divididos da seguinte maneira: Turno Turno Alpha 5h45 11h45 10h-10h15• Superintendência: 3 funcionários; Beta 7h15 13h15 10h15-10h30 Charlie 11h45 17h45 14h45-15h• Gerência de Operações, Segurança e Manutenção: Delta 13h15 19h15 15h-15h15 27 funcionários; Tabela 1: divisão dos turnos de trabalho dos C.T.A.• Gerência de Navegação Aérea: 26 funcionários; A administração do aeroporto procura realizar o• Gerência Administrativa Financeira: 13 controle de tráfego aéreo com 3 sujeitos operando na funcionários; torre em cada turno. Logo, são 3 controladores, divididos em 5 posições de atendimento: 2 rádios e 3• Seção Comercial: 5 funcionários. telefones. O primeiro controlador opera somente as aeronaves em solo, que estão manobrando no pátio, o3. OS CONTROLADORES DE TRÁFEGO segundo controlador realiza o trabalho de "ponte" entreAÉREO (C.T.A.) as aeronaves em terra/vôo, e o terceiro controlador opera somente as aeronaves em vôo.O sistema alvo desta intervenção ergonomizadora sãoos postos de trabalho dos controladores de tráfego A figura 3 representa a planta baixa da torre de controleaéreo (C.T.A.) de um aeroporto de pequeno porte. Ao do aeroporto de pequeno porte. Os equipamentostodo são 10 profissionais, sendo que um deles utilizados na mesma e as posições de trabalho de cadadesempenha apenas tarefas administrativas. O trabalho um dos controladores de tráfego aéreo (C.T.A.) podemé dividido em 4 turnos de 6h, classificados como turno ser observados na tabela 2.Alpha, Beta, Charlie e Delta. A cada 4 dias trabalhados,o controlador recebe uma folga. 3 3 6 7 11 1 4 1 2 9 10 5 8 2 13 14 15 9 17 12 16 Vista lateral da bancada de controle 18 19 20 Categoria dos equipamentos da bancada de controle: 21 Aeronaves em terra / vôo 22 Vento, temperatura e pressão (digital) 25 Vento, temperatura e pressão (analógico) 23 23 24 Rádios TelefonesFigura 3: planta baixa da torre de controle do aeroporto de pequeno porte.
  4. 4. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de Ergonomia1. Vento, temperatura e pressão. 10. Vento, temperatura e pressão. 18. Cadeira do C.T.A. 1 (controle de2. Programa de computador para 11. Pressão. aeronaves em terra). controle do tráfego aéreo. 12. Rádio de comunicação com as 19. Cadeira do C.T.A. 2 (“ponte”3. Rádio de comunicação com o aeronaves no solo. entre o controle de aeronaves em pátio. 13. Telefone de contato com órgãos terra/vôo).4. Pressão (aparelho analógico). de controle aéreo. 20. Cadeira do C.T.A. 3 (controle de5. Vento (medido através do ponto 14. “Hotline” com a sala dos planos aeronaves em vôo). médio da pista). de vôo. 21. Cadeira para eventuais6. Vento (aparelho analógico). 15. Telefone com linha externa visitantes.7. Vento (aparelho analógico). (gravação de todas as 22. Armário (utilizado como mesa8. Rádio auxiliar. conversas). para café/forninho).9. Programa de computador para 16. Rádio de comunicação com as 23. Servidor (controla os outros controle do tráfego aéreo. aeronaves em vôo. computadores). 17. Telefone com linha externa (sem 24. Bebedouro. gravação das conversas). 25. Alçapão (entrada/saída da torre, via escada “caracol”).Tabela 2: equipamentos utilizados na torre de controle do aeroporto de pequeno porte.4. APRECIAÇÃO ERGONÔMICA Durante estas visitas, foi possível obter alguns depoimentos dos controladores de tráfego aéreoPara CHAPANIS (1962), ergonomia é o nome aplicado (C.T.A.) sobre a realização das suas tarefas, assimao ramo da tecnologia moderna que estuda a maneira como o levantamento de dados para o desenvolvimentode se projetar máquinas, operações e ambientes de da ordenação hierárquica do sistema e datrabalho que sejam adequados para as capacidades e priorização/consolidação dos problemas encontrados.limitações do ser-humano. Logo, a ergonomia sepreocupa com o desenvolvimento de máquinas para o 4.1. A voz dos controladoreshomem, assim como o desenvolvimento de tarefas paraoperar estas máquinas, buscando maior eficiência, Sob a forma de bate-papo, foi realizada uma entrevistaqualidade e satisfação para o seu operador. não-estruturada com cada um dos controladores de tráfego aéreo (C.T.A.), ou seja, não houve nenhumCHAPANIS (1962) também ressalta que a presença do ponto de interesse que pudesse guiar esta conversaergonomista na situação de trabalho estudado é uma entre os pesquisadores e os sujeitos estudados. Adas maneiras mais diretas para se resolver problemas entrevista buscava obter opiniões sobre as condições daergonômicos. Durante as visitas, são realizadas torre de controle e da tarefa desempenhada pelosobservações sobre o ambiente e a tarefa desenvolvida controladores no seu dia-a-dia. Nesta etapa do projeto,pelos trabalhadores, fornecendo para o observador os não havia a intenção de abordar alguma parte específicameios de enxergar alguma forma para melhorar as dos postos de trabalho, muito pelo contrário, oscondições de trabalho. Ao analisar o local de trabalho, proponentes da intervenção ergonomizadora buscavamo pesquisador consegue obter uma descrição precisa do apenas conhecer o ambiente estudado através de umamétodo utilizado para o desenvolvimento das tarefas. visão generalizada, para futuramente destacar os pontosEste é o ponto inicial de qualquer pesquisa em considerados como carentes em melhorias.ergonomia, indicando onde é preciso realizarmelhorias. O bate-papo foi conduzido no próprio ambiente de trabalho dos controladores, ou seja, dentro da torre deA fase de apreciação ergonômica nos postos de controle, enquanto os C.T.A. desempenhavam a suatrabalho dos controladores de tráfego aéreo (C.T.A.) tarefa de monitoramento de aviões em operações deteve como ponto de partida observações assistemáticas manobra pelo pátio ou em vôo. Não foi utilizadodo ambiente onde o trabalho é realizado e a maneira nenhum tipo de ficha ou formulário para registrar oscomo os sujeitos desempenham suas tarefas. Foram comentários dos sujeitos, apenas registros através derealizadas 5 visitas, com duração aproximada de 4 uma câmera de vídeo. Com a transcrição destes dados,horas cada uma, onde registros fotográficos, registros é possível observar alguns dos comentários obtidos:em vídeo e entrevistas não-estruturadas com oscontroladores foram coletados.
  5. 5. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de Ergonomia• “A nossa bancada de controle é relativamente nova. • “Esse trabalho é muito estressante. Às vezes eu Antigamente era toda analógica, mas os sonho com acidentes aéreos.”; computadores foram instalados há uns 2 anos atrás. Infelizmente a altura da bancada é muito grande, e • “Aqui a gente se vira como pode. Eu já controlei, para eu enxergar a pista preciso ficar em pé.”; sozinho, todos os postos de trabalho da torre. A distribuição dos nossos turnos é desorganizada, tem• “A distribuição dos equipamentos na bancada foi horas que só ficam 2 controladores aqui em cima. feita de uma maneira desorganizada. Nenhum Se um precisa ir até o banheiro, o outro tem que C.T.A. foi consultado sobre isso (pela segurar as pontas. O legal desse trabalho é que a administração do aeroporto). Tem alguns aparelhos gente aprende a fazer várias coisas ao mesmo que estão instalados no extremo oposto da minha tempo. Enquanto eu estou aqui conversando cadeira, eu preciso ficar me esticando pra tomar contigo, também estou prestando atenção no céu e alguma informação.”; ouvindo tudo o que está sendo transmitido pelo rádio.”;• “A torre de controle deveria estar em outro local. O tráfego aéreo passa pelas nossas costas, quando • “Apenas 3 controladores não é um número deveria ser o contrário (passar pela frente da torre). suficiente. Este trabalho é muito cansativo e A gente precisa ficar virando o pescoço e o tronco estressante. Em dias de movimento de pico, não dá para trás o tempo todo, ou então trabalhar com a tempo nem de beber água ou ir até o banheiro. A nossa cadeira em uma posição perpendicular à gente precisa de um quarto controlador aqui em bancada de controle, para enxergar a aeronave se cima. Assim, depois de 2 horas de trabalho, poderia aproximando.”; haver um revezamento entre os postos e um dos controladores poderia estar sempre descansando.”;• “Estou com LER no meu braço por causa do acionamento repetitivo do botão do rádio. De vez • “As nossas cadeiras são horríveis, estão quase todas em quando eu preciso me afastar do trabalho, meu quebradas. Eu não consigo nem utilizar o encosto, antebraço, inclusive, já está com um calombo. Esse me dá uma sensação como se eu fosse cair para botão do rádio é muito duro, e para falar com a trás. Além disso, como a bancada é muito alta, eu aeronave precisa apertar até o fundo, até o final, preciso ajustar ela de uma maneira que não consigo senão não funciona.”; colocar o pé no chão. Se eu ajustar a cadeira de forma que ela se encaixe na bancada, eu não• “Os equipamentos de comunicação deveriam ser consigo enxergar a pista.”; auriculares. Às vezes o som do meu rádio se confunde com o do rádio dele (apontando para o • “O alçapão para entrar aqui na torre é muito grande outro controlador). Ou então a aeronave tem um e pesado, ocupa muito espaço. Além disso, quando rádio ruim, muito baixo, e a gente precisa aumentar a gente precisa descer até o banheiro, por exemplo, o volume para ouvir alguma coisa. Se depois deixamos ele aberto. Se o controlador se distrai, esquecemos de abaixar, quando uma aeronave com pode cair dentro do buraco do alçapão. Já aconteceu um rádio de boa qualidade nos chama em seguida, o algumas vezes (o alçapão se localiza atrás do posto barulho é como um estouro ensurdecedor, além de de trabalho do controlador de aviões em terra). Às atrapalhar os outros C.T.A.”; vezes a gente também prende a nossa roupa no alçapão, que rasga nossas calças, camisas ou faz• “O programa de computador para o controle de arranhões em nossos braços e pernas.”. tráfego aéreo não atende as nossas necessidades. Ele foi desenvolvido para outro aeroporto, e 4.2. Ordenação hierárquica do sistema funciona muito bem para aeronaves em vôo. Mas para pousos e decolagens há uma série de As observações realizadas durante as visitas à torre de informações que o programa não me permite controle do aeroporto permitiram o desenvolvimento da inserir. Já pedimos modificações, e até ordenação hierárquica dos postos de trabalho dos conseguimos alguns ajustes, mas ainda não foram controladores de tráfego aéreo (C.T.A.), conforme a suficientes.”; figura 4.
  6. 6. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de Ergonomia ECOSSISTEMA: Ministério da Aeronáutica SUPRA-SUPRA SISTEMA: Aeroporto de Pequeno Porte SUPRA SISTEMA: Torre de Controle SISTEMA ALVO: Postos de Trabalho dos Controladores de Tráfego Aéreo SUBSISTEMA 1: SUBSISTEMA 2: SUBSISTEMA 3: Controle de “Ponte” entre o Controle de Aeronaves em Terra Controle de Aeronaves em Vôo SUB- Aeronaves em SUB- SUBSISTEMA 1: Terra/Vôo SUBSISTEMA 1: Aparelhos SUB- Aparelhos meteorológicos SUBSISTEMA 1: meteorológicos (pressão, Aparelhos (pressão, temperatura e vento) meteorológicos temperatura e vento) SUB- (pressão, SUB- SUBSISTEMA 2: temperatura e vento) SUBSISTEMA 2: Programa de SUB- Programa de computador para SUBSISTEMA 2: computador para controle do tráfego Telefone 1, para controle do tráfego aéreo órgãos de controle aéreo SUB- aéreo SUB- SUBSISTEMA 3: SUB- SUBSISTEMA 3: Rádio para SUBSISTEMA 3: Rádio para comunicação com Telefone 2, para sala comunicação com aeronaves em terra dos planos de vôo aeronaves em vôo SUB- SUB- SUB- SUBSISTEMA 4: SUBSISTEMA 4: SUBSISTEMA 4: Rádio para Telefone 3, com Rádio auxiliar comunicação com o linha externa SUB- pátio espaço SUBSISTEMA 5: SUB- Telefone 1, para SUBSISTEMA 5: órgãos de controle Telefone 1, para aéreo órgãos de controle SUB- aéreo SUBSISTEMA 6: SUB- Telefone 2, para sala SUBSISTEMA 6: dos planos de vôo Telefone 2, para sala SUB- dos planos de vôo SUBSISTEMA 7: SUB- Telefone 3 e 4, com SUBSISTEMA 7: linha externa espaço Telefone 3, com linha externa espaço espaço espaço espaço espaçoFigura 4: ordenação hierárquica do sistema.4.3. Priorização e consolidação dos problemas Segundo MORAES e MONT`ALVÃO (2003), estes problemas podem ser caracterizados da seguinteDurante a fase de apreciação ergonômica, foram maneira:encontrados problemas acionais, acidentários,comunicacionais, espaciais-arquiteturais de interiores, • Acionais: constrangimentos biomecânicos nofísico-ambientais, interfaciais, interacionais, ataque acional a comandos e empunhaduras queinstrumentais, naturais, operacionais e organizacionais. agravam as lesões por traumas repetitivos;
  7. 7. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de Ergonomia• Acidentários: comprometem os requisitos • Naturais: exposição excessiva ao sol; securitários que envolvem a segurança do trabalho. Deficiência de rotinas e equipamentos para • Operacionais: ritmo intenso, repetitividade, emergências e incêndios. Precariedade do solo, de pressão de prazos de produção e de controles; andaimes, rampas e escadas; • Organizacionais: parcelamento taylorizado do• Comunicacionais: ruídos na transmissão de trabalho, falta de objetivação, responsabilidade, informações sonoras, má audibilidade das autonomia e participação. mensagens radiofônicas e/ou telefônicas; Para a priorização e consolidação destes problemas, foi• Espaciais-Arquiteturais de interiores: deficiência utilizada a técnica da tabela G.U.T. (Gravidade x de fluxo e circulação; Tendência x Urgência). De acordo com MORAES e MONT`ALVÃO (2003), esta técnica propõe que o• Físico-Ambientais: temperatura e iluminação ergonomista proceda com a tabela G.U.T. com todos os acima ou abaixo dos níveis recomendados nas usuários do sistema estudado. Isto permite uma normas regulamentadoras; avaliação participativa e fornece subsídios para as sugestões e conclusões da etapa de apreciação• Interfaciais: posturas prejudiciais resultantes de ergonômica. Todos os problemas devem ser analisados inadequações do campo de visão, do envoltório e pontuados, de acordo com uma escala de valores que acional, do posicionamento de componentes varia do número 1 (menos grave, urgente ou comunicacionais, com prejuízo para os sistemas tendencioso) ao 5 (mais grave, urgente ou tendencioso), muscular esquelético; e em seguida hierarquizam-se os resultados da pontuação.• Interacionais: dificuldades no diálogo computadorizado, provocadas pela navegação, pelo A tabela 3, a seguir, apresenta a priorização e encadeamento e pela apresentação de informações consolidação dos problemas encontrados nos postos de em telas de programas; trabalho dos controladores de tráfego aéreo (C.T.A.) do aeroporto de pequeno porte. Vale lembrar que os• Instrumentais: arranjos físicos incongruentes de causadores dos principais problemas observados estão painéis de informações e de comandos, que indicados em negrito. acarretam dificuldades de tomada de informações e de acionamentos;Problema Gravidade Urgência Tendência G x U x TAcionamento repetitivo do botão do rádio (Acional) 4 4 4 64Falta de equipamento contra incêndio (Acidentário) 5 5 1 25Inexistência de uma saída de incêndio (Acidentário) 5 4 1 20Dificuldade para ouvir as mensagens de algumas aeronaves 5 4 1 20(Comunicacional)Vários rádios e telefones funcionando ao mesmo tempo 5 5 3 75(Comunicacional)Alçapão de entrada/saída da torre é muito grande e pesado 3 2 1 6(Espacial-Arquitetural de interiores)Posição errada da torre de controle (Espacial-Arquitetural de 4 2 3 24interiores)Ar-condicionado mal distribuído (Físico-Ambiental) 2 2 1 4Acionamento do alçapão - puxar para cima (Interfacial) 4 3 2 24Altura da bancada dos equipamentos de controle 5 4 4 80(Interfacial)Cadeiras inadequadas para os controladores de tráfego 4 4 4 64aéreo (Interfacial)Posturas prejudiciais na visualização do pátio e da pista 5 4 4 80(Interfacial)
  8. 8. Artigo publicado no ABERGO 2004 - XIII Congresso Brasileiro de ErgonomiaPosturas prejudiciais na visualização do espaço aéreo 5 4 4 80(Interfacial)Programa de computador para controle não atende totalmente 3 4 3 36as necessidades do C.T.A. (Interacional)Organização incongruente dos equipamentos da bancada de 3 2 1 6controle (Instrumental)Sol se põe diante da torre de controle (Natural) 3 3 4 36Pouco tempo para as refeições (Operacional) 3 3 2 18Má distribuição dos horários dos turnos (Organizacional) 2 2 1 4Número insuficiente de controladores (Organizacional) 3 2 2 12Tabela 3: priorização e consolidação dos problemas. Tabela G.U.T.Segundo a priorização e consolidação dos problemas Os resultados obtidos com as observaçõesatravés da tabela G.U.T., as posturas assumidas pelos assistemáticas, registros fotográficos, registros emcontroladores durante o desenvolvimento de suas vídeo, além das entrevistas não-estruturadas, serãotarefas, a interferência de ruídos entre os equipamentos analisados com mais profundidade na segunda fase dade comunicação e a repetição excessiva de movimentos intervenção ergonomizadora, conhecida como diagnosese apresentam como causadores dos principais ergonômica. Esta segunda etapa de pesquisa seráproblemas observados: desenvolvida com o objetivo de validar as sugestões preliminares de melhoria dadas aos problemas mais• Altura da bancada dos equipamentos de controle graves. (problema interfacial, G.U.T. 80); • Cadeiras com encostos e regulagens melhores, mais• Posturas prejudiciais na visualização do pátio e da adaptadas aos controladores; pista (problema interfacial, G.U.T. 80); • Redimensionamento da altura da bancada de• Posturas prejudiciais na visualização do espaço controle; aéreo (problema interfacial, G.U.T. 80); • Reorganização dos equipamentos distribuídos ao• Vários rádios e telefones funcionando ao mesmo longo da bancada de controle; tempo (problema comunicacional, G.U.T. 75); • Utilização de equipamento de rádio auricular;• Acionamento repetitivo do botão do rádio (problema acional, G.U.T. 64); • Utilização de equipamento de rádio com um outro tipo de acionamento para a troca de informações• Cadeiras inadequadas para os controladores de com aeronaves (ao invés de botão); tráfego aéreo (problema interfacial, G.U.T. 64). • Utilização de uma central PABX para o telefone5. CONCLUSÕES (eliminando a grande quantidade de telefones).De acordo com os resultados obtidos nesta primeira 6. BIBLIOGRAFIAfase do projeto, ou seja, apreciação ergonômica, osmovimentos incessantes de apertar botões, esticar o CHAPANIS, Alphonse. Research techniques in humanpescoço, ficar de pé, levantar da cadeira, sentar na engineering. 2 ed. Baltimore: The Johns Hopkins Press,cadeira novamente e olhar ao redor (com rotação do 1962. 316 p.tronco) são apontados como causadores dos principais INFRAERO. Aeroportos Brasileiros.problemas ergonômicos encontrados nos postos de (http://www.infraero.gov.br) ITANI, Alice et al. Condições de saúde e trabalho dostrabalho dos controladores de tráfego aéreo. O excesso controladores de tráfego aéreo.de ruídos entre rádios e telefones também deve receber (http://www.rc.unesp.br/ib/educacao/alice/control.html)uma atenção especial, uma vez que a comunicação dos MORAES, Anamaria de, MONT`ALVÃO, Cláudia.controladores com as aeronaves, além da comunicação Ergonomia: conceitos e aplicações. 3 ed. Rio de Janeiro:entre os próprios C.T.A., está sendo prejudicada. iUsEr, 2003. 140 p.

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