Crônica de uma morte anunciada

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Crônica de uma morte anunciada

  1. 1. CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA GABRIEL GARCIA MARQUEZ No dia de seu assassinato, Santiago Nasar acordou cedo, colocou sua roupa de linho branco, e saiu apressado para ver o bispo, que chegaria ao povoado de navio e de lá daria as bênçãos à população. Era uma segunda-feira e muitos moradores ainda se recuperavam da festança de casamento ocorrida na véspera. Da morte anunciada muitos sabiam e havia sinais por toda parte, mas ninguém pôde impedir a tragédia.
  2. 2. A história é narrada por um primo de Santiago, que, mais de 20 anos após o ocorrido, resolve fazer uma investigação por conta própria para esclarecer algumas dúvidas. Assim, começa a entrevistar os envolvidos, os parentes, vizinhos, amigos e qualquer pessoa da região que pudesse colaborar com informações. O resultado é uma história fragmentada, na qual vamos encaixando as peças aos poucos e, sendo contada a partir da memória de várias pessoas, os relatos muitas vezes se
  3. 3. contradizem. Por exemplo, alguns entrevistados diziam que era uma manhã de sol; outros que o dia estava chuvoso. O fato é que muita gente sabia que Santiago corria perigo, mas ninguém fez nada para evitar o pior. Alguns duvidavam que as ameaças dos matadores se concretizassem, outros acreditavam que Santiago saberia se virar muito bem com suas habilidades de caçador e havia ainda os que achavam que ele seria avisado por outras pessoas, já que muitas estavam
  4. 4. cientes do plano dos assassinos. Nem mesmo a mãe de Santiago, conhecida por seus talentos de interpretar sonhos alheios, foi capaz de antever nos constantes sonhos com árvores narrados pelo filho a desgraça que o aguardava. Como em outros trabalhos de Gabriel Garcia Marquez, aqui também está presente o toque do fantástico. Não só nos sonhos premonitórios, mas também nos sinais que muitos ignoraram, como a mudança de rotina de Santiago (que nunca usava a porta principal da casa, mas
  5. 5. que naquele dia fatídico resolveu passar por ali – e foi onde morreu). Em comum com outros livros do autor, “Crônica de uma Morte Anunciada” traz personagens melancólicos e infelizes, que parecem ter sido amaldiçoados. A tragédia de Santiago foi apenas o desfecho de um outro evento desgraçado ocorrido na madrugada de domingo para segunda: a devolução da noiva que acabara de se casar. Resumindo, a história é uma série de desventuras de personagens fadados à tristeza
  6. 6. e à solidão (por falar nisso, o livro menciona o coronel Aureliano Buendía, de “Cem Anos de Solidão”). Embora a história seja trágica, é contada de forma tão singela e evoca imagens tão bonitas que, ao terminar a leitura, fica uma sensação de leveza e uma vontade de ler tudo de novo. Um trecho do livro “Na janela de uma casa em frente ao mar, bordando à máquina na hora mais quente, havia uma mulher de meio-luto com óculos de arame e cãs amarelas, e sobre sua cabeça estava pendurada
  7. 7. uma gaiola com um canário que não parava de cantar. Vendo-a assim, dentro do marco idílico da janela, não quis acreditar que aquela mulher fosse quem eu pensava, porque me recusava a admitir que a vida acabasse por parecer tanto à má literatura. Mas era ela: Ângela Vicário 23 anos depois do drama. ” Resenha original de Michelle em http://resumodopera.blogspot.com.br/2014/12/resenha- cronica-de-uma-morte-anunciada.html

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