Natal historiacertanoitenumestabuloppt

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Natal historiacertanoitenumestabuloppt

  1. 1. Certa noite, num estábulo… Certa noite, num estábulo… .
  2. 2. Certa noite, um vento muito forte levantou-se sobre as colinas de Belém As ovelhas que ali pastavam e os pássaros que ali viviam procuraram rapidamente refúgio sob as oliveiras ou entre os ramos.
  3. 3. Mas uma pomba branca procurou abrigo debaixo do telhado de um estábulo.
  4. 4. A sua chegada encheu de alegria o coração da velha vaquinha que ali vivia. - Sabes, já estou velha, não tenho forças para puxar o arado explicou a vaquinha. Mas aborreço-me aqui sozinha. Só o meu dono é que me vem visitar, de vez em quando. - Diz-me, pomba, por acaso não o vês a caminho?
  5. 5. - Infelizmente não respondeu a pomba. - Só vejo as oliveiras que dançam com o vento e uma lebre enregelada à procura da entrada da sua toca. - E se fosses dizer-lhe para vir para o meu estábulo? -disse a vaquinha. - Aqui dentro estará abrigada.
  6. 6. E quando a lebre se refugiou entre os seus cascos, a vaquinha aqueceu-a com o seu bafo.
  7. 7. No entanto, como esperava ver o seu dono, voltou a pedir: - Diz-me pomba; não vês mesmo ninguém a aproximar-se? -Infelizmente não - respondeu a pomba. - Apenas vejo as oliveiras a lutar contra o vento, nuvens espessas a cobrir o céu e dois cabritinhos à procura do seu pastor. - Aqui há tanto espaço. Diz-lhes para entrarem - disse a vaquinha
  8. 8. E quando os cabritinhos se refugiaram entre os seus cascos, a vaquinha aqueceuos com o seu bafo
  9. 9. No entanto, como ainda esperava ver o seu dono, voltou a pedir: - Diz-me pomba, não vês mesmo ninguém a aproximar-se?
  10. 10. -Infelizmente não - respondeu a pomba. - Apenas vejo, entre os ramos das oliveiras fustigados pelo vento, os pássaros que tentam proteger-se dos flocos de neve que começam a cair. - Voa até lá e diz-lhes para se refugiarem aqui, antes que a neve os sepulte debaixo do seu manto.
  11. 11. Quando sentiram o calor do estábulo espalhar-se pelas suas asas, os pássaros começaram a voar de uma viga para outra. Ao ouvir os seus trinados, a vaquinha ficou feliz
  12. 12. Mas como continuava sem saber do seu dono, voltou a perguntar: - Diz-me pomba, de certeza que não vês ninguém a aproximar-se? -Infelizmente não - respondeu a pomba. - Vejo somente as ovelhas que tentam sacudir das suas costas a neve que agora cai com força. -Voa até lá e diz-lhes que ainda temos algum espaço - disse a vaquinha. - É certo que ficaremos um pouco apertados, mas ninguém deve ficar ao relento numa noite fria como esta.
  13. 13. Quando a última ovelha entrou no estábulo, a noite envolvia já as colinas à volta de Belém. Mas como a velha vaquinha mantinha uma réstea de esperança, de novo perguntou pelo seu dono: - Diz-me pomba, não vês a luz trémula da candeia do meu dono a aproximar-se, na escuridão?
  14. 14. - Sim ! Vejo um a l a pom uz qu ba, en e se a e deix tusias proxim a a tr á mada a! - re s de s , - ma spond i um r s vem eu asto b lá alta rilhan , no c te. éu,
  15. 15. - Será o meu dono a descer a colina com uma grande tocha? Pomba branca, peço-te: vai dizer-lhe que estou à espera dele exultou a vaquinha. - Eu não vejo o teu dono - retorquiu a pomba, apenas esta luz resplandecente que agora paira sobre o estábulo.
  16. 16. De súbito, o vento parou de soprar. Então a voz de um anjo ecoou: “Neste estábulo vive uma vaquinha de bafo forte e quente. À espera do seu dono, a todos oferece abrigo. Até o burro carregado e cansado que neste instante avança pelo caminho virá a pedir-lhe hospedagem.”
  17. 17. No estábulo fez-se silêncio. E foi no silêncio que se ouviu o suspiro da velha vaquinha. -O estábulo já está cheio… Não há lugar para mais nenhum animal – disse, desolada.
  18. 18. Mas como tinha um coração bom, não era capaz de negar abrigo ao pobre burro carregado e cansado.
  19. 19. Por isso, disse à pomba: Voa até ele e diz-lhe que lhe cedo o meu lugar. Vou rebentar a corda que me prende e dormirei lá fora, à porta.
  20. 20. Só que a vaquinha já era velhinha e as forças não eram muitas. Em vão tentava libertar-se do forte laço que a prendia quando a porta se abriu, empurrada por mão humana. Por uma segundo a vaquinha alegrou-se pensando que se tratava do seu dono. Mas não era a voz do seu dono que perguntava se havia espaço para mais três…
  21. 21. - Para quatro - arrulhou, feliz, a pomba. - Montada no burro vem uma jovem que está prestes a dar à luz. No estábulo todos se alegraram. Todos menos a vaquinha. Não, ela já não era o animal possante de outrora, capaz de rebentar com a corda mais forte. Agora estava fechada num estábulo, incapaz de oferecer guarida até a um bebé.
  22. 22. Ao verem a sua tristeza, os outros animais disseram-lhe: - Não te preocupes. Nos damos-lhes o nosso lugar - e a lebre, os cabritinhos e as ovelhas abandonaram o estábulo, um a um. - Se ao menos o meu dono chegasse, ele podia libertar-me de laço. Pomba branca, tens a certeza que não o vês? perguntou mais uma vez a velha vaquinha.
  23. 23. Desta vez a pomba não respondeu. Só muito mais tarde, quando um choro de bebé ecoou no estábulo, ela, arrulhou, docemente: - Vejo uma criança deitada nas palhinhas. Está despida e precisa de ti. A velha vaquinha baixou os olhos e o seu coração encheu-se de felicidade. Aproximou-se do bebé e aqueceu-o com o seu bafo.
  24. 24. Foi então que escutou a voz do seu dono que, comovido, lhe dizia: - A partir desta noite nunca mais estarás só. De todas as colinas à volta de Belém virão pastores e camponeses. Virão adorar a este menino, que será para sempre o teu, o nosso, verdadeiro mestre.
  25. 25. Título: Certa noite, num estábulo Autor: Guido Visconti Ilustração: Alessandra Climatoribus Editora: Livros Horizonte

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