SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 20
Baixar para ler offline
MANEJO DE PASTAGENS CULTIVADAS EM REGIÕES SEMI-ÁRIDAS

            José Neuman Miranda Neiva1 Mercia Virgínia Ferreira Santos2




                  INTRODUÇÃO

   A zona semi-árida perfaz de 60 a 65% da área total do Nordeste (LIRA et al.,


1990) e é caracterizada por áreas de solos rasos e pedregosos, baixa capacidade de

retenção de água, elevada evaporação, potencialidade para erosão, altas temperaturas e

irregularidade de distribuição das chuvas (DUQUE, 1980). Essas características,

associadas a um manejo inadequado, contribuem para os baixos índices zootécnicos

observados na região.




   Manejar corretamente pastagens é uma das tarefas mais árduas que os técnicos ou

os produtores encontram numa fazenda de pecuária. De uma maneira geral alguns

objetivos pretendidos pelos produtores são difíceis de serem atingidos simultaneamente.

Os objetivos principais do manejo de pastagens são: a) manter elevada a densidade

populacional das espécies mais palatáveis e aceitáveis pelos animais ao longo do tempo;

b) equilibrar o fator produção e qualidade do pasto dentro de uma faixa razoável para

ambos, uma vez que estes não podem ser maximizados simultaneamente; c) fornecer

nutrientes em quantidade suficiente para os animais desempenharem suas funções

produtivas como crescimento e produção de carne, lã e leite; d) tornar a produção das

pastagens sustentável ao longo dos anos e acima de tudo mantendo o equilíbrio do

ecossistema; e) manter relação harmônica entre solo, planta, animal e meio ambiente.

  Na região semi-árida nordestina, com raras exceções, não se tem dado atenção ao

manejo das pastagens sejam elas cultivadas ou nativas. Normalmente são usadas taxas de

lotação elevadas, que provocam baixo desempenho animal e acelerada degradação do

solo. A cultura extrativista que caracterizou a exploração pecuária no nordeste, desde o
degradado as áreas pastorís e consequentemente empobrecido o produtor de tal maneira

que nas últimas décadas tem havido constante abandono de áreas que outrora foram

produtivas.

  É sabido pela maioria dos técnicos que o simples ajuste na pressão de pastejo das

pastagens poderia resolver boa parte dos problemas da pecuária nordestina. O simples

fato de educarmos o produtor para uma exploração sustentável, aumentará

consideravelmente a oferta de produtos animais na região.

   O manejo efetivo das pastagens possibilita a maximização da produção animal por

meio do equilíbrio dos fatores produção de forragem e conversão animal. A produção de

forragem é função das características da espécie vegetal e do manejo, bem como das


condições edafo-climáticas. Por outro lado, a conversão animal é função das

características inerentes ao animal, da composição química e digestibilidade da forragem

e do nível de consumo da mesma.

  O objetivo desta palestra será discutir os princípios básicos de manejo de pastagens

que possam contribuir para a elevação da produção animal no semi-árido nordestino.



       2- TERMINOLOGIA SOBRE SISTEMAS DE PASTEJO

  -Manejo do pastejo - É a manipulação do animal em pastejo em busca de um

objetivo definido em termos do animal, da planta, solo ou mesmo respostas econômicas.

  - Método de pastejo - São os procedimentos definidos ou técnicas de manejo de

pastejo estabelecidas para que se consiga atingir objetivos específicos.

  - Sistema de pastejo - É a maneira a qual os períodos de utilização e de descanso

das pastagens são arranjados dentro da estação de crescimento, tanto dentro como entre

os anos. Na verdade um sistema de pastejo é uma combinação definida e integrada do
-Intensidade de corte ou pastejo - É determinada pela altura de corte ou pastejo da

planta. Quanto mais alto o corte ou pastejo, menor é a quantidade de forragem removida

por unidade de planta, e consequentemente menor é a intensidade.

  -Freqüência de corte ou pastejo - Refere-se ao intervalo de tempo entre cortes ou

pastejos sucessivos.

  -Persistência - É a habilidade de uma planta - É a quantidade de forragem

sobreviver numa pastagem

  -Disponibilidade de forragem ou forragem disponível presente numa pastagem e

que está disponível para os animais.

  Período de ocupação- É o período de tempo que uma área específica é ocupada

por um grupo de animais ou por dois ou mais grupos de animais em sucessão.

  Período de descanso - É o período de tempo em que não se permite a utilização de

uma área de pastagem, ou seja, permite-se o descanso da área.

  Taxa de lotação - É a relação entre o número de animais e a unidade de área

utilizada durante um período especificado de tempo.

  Densidade de lotação ou animal - É a relação entre o número de animais e a

unidade de área específica que está sendo pastejada em qualquer momento.

  Pressão de pastejo - É a relação entre o número ou peso vivo dos animais em

pastejo e a quantidade de forragem disponível na pastagem.

  Capacidade de suporte - É a taxa de lotação máxima que irá permitir determinado

nível de desempenho animal em um método de pastejo especificado, o qual poderá ser

aplicado durante um período de tempo definido sem causar deterioração do sistema.

   Super-pastejo - Caracteriza-se pelo pastejo intensivo e freqüente das pastagens,

acarretando danos à vegetação, com possíveis perdas de espécies forrageiras valiosas.

  Sub-pastejo - O pastejo se realiza a uma baixa pressão, o que permite a seleção da

dieta pelo animal e o acúmulo de forragem.
Sistema de pastejo - É a combinação definida e integrada do animal, da planta, do

solo e de outros componentes do ambiente e o(s) método (s) de pastejo pelo (s) qual (is) o

sistema é manejado para atingir resultados ou objetivos específicos.

  A literatura mundial tem apresentado muitas discrepâncias na terminologia usada

para a área de manejo de pastagens. Visando padronizar a terminologia a American

Forage and Grassland Council reuniu pesquisadores de várias regiões do mundo e

publicou em 1992 a _TERMINOLOGY FOR GRAZING LANDS AND GRAZING

ANIMALS_ .

  As várias definições dadas nesta palestra foram baseadas nesta publicação.

        3- CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE PASTEJO

  Embora existam classificações bastante complexas para os sistemas de pastejo

(LACEY e VAN POOLEN, 1979; VALLENTINE, 1990), para as condições brasileiras e

mais especificamente para o nordeste, onde as técnicas de manejo do pastejo são simples,

a classificação proposta por LEWIS (1983) parece mais adequada. Segundo este autor os

sistemas simples de pastejo devem ser agrupados em:

  a) Sistema contínuo

  b) Sistemas diferidos

  c) Sistemas _com descanso_

  d) Sistemas rotacionados

  e) Sistemas combinados

  A escolha do método de pastejo a ser adotado pode ser apenas em função da

preferencia pessoal do produtor, entretanto, as escolhas mais acertadas sempre são

aquelas baseadas no conhecimento da fisiologia das plantas utilizadas acopladas com o

tipo de animal e nível de produção que se deseja obter. Normalmente vários fatores

podem interferir na adoção do método de pastejo como disponibilidade e localização da

água, topografia do solo, disponibilidade de recursos financeiros para fazer cercas,
3. MÉTODOS DE PASTEJO

  3.1. LOTAÇÃO CONTÍNUA OU ROTACIONAL

   O manejo do pastejo implica um grau de controle tanto sobre o animal como do

pasto. O pastejo contínuo e o rotacional representam os dois extremos no manejo do

pastejo.

  O pastejo contínuo é caracterizado pela presença contínua e irrestrita de animais em

uma área específica durante o ano ou estação de pastejo. O pastejo contínuo normalmente

é utilizado em pastagens nativas ou naturais onde se obtém menores taxas de produção,

destacando-se entretanto que o mesmo pode ser em muitos casos intensificado assim

como o é o pastejo rotacionado. Outro aspecto que deve ser destacado é que mesmo num

sistema de pastejo contínuo não se admite a ausência total das cercas divisórias pois os

animais devem ser separados em categorias (idade, sexo, espécies e etc).

  Por outro lado, o pastejo rotacionado é caracterizado pela subdivisão das pastagens

e utilização por períodos de tempo limitado, seguido de um período de descanso.

  Existem grandes divergências sobre qual método de pastejo utilizar. Embora a

literatura seja rica em informações, os resultados são contraditórios (MANNETJE et al

1976; MORLEY, 1981; BLASER, 1982; THOMAS e ROCHA,1985; MARASCHIN,

1994; RODRIGUES e REIS,1997).

  Segundo GARDNER e ALVIM (1985), essa divergência não deveria existir, uma

vez que o pastejo a ser adotado está condicionado a alguns fatores como tipo de planta a

ser utilizada, clima da região, espécie a ser utilizada e tipo de solo dentre outros.

  RODRIGUES e REIS (1997) comentaram que qualquer sistema de pastejo poderá

resultar em ótimo desempenho animal, dependendo do consumo de energia, o qual está

relacionado com a disponibilidade de forragem, proporção de folhas na pastagem,

digestibilidade e consumo. Já BLASER (1982) afirma que a produção animal por hectare
experimentos de pastejo nos trópicos e verificaram que em 8 experimentos o pastejo

contínuo foi superior, enquanto nos demais experimentos os resultados se assemelharam.

  Segundo GARDNER e ALVIM (1985) para que o pastejo rotacionado resulte em

aumento da produção animal, e consequentemente se obtenha maior lucro, é necessário

que haja aumentos na produção ou na qualidade das pastagens, aumento no consumo

animal, maior Persistência das espécies forrageiras ou melhor controle de parasitas no

animal. Os referidos pesquisadores afirmam que com baixas taxas de lotação,

provavelmente, não haverá aumentos de produção em função do pastejo rotacionado.

Também MORLEY (1981) afirma que a pesquisa mundial tem encontrado pequenas

vantagens em favor do pastejo rotacionado apenas em altas lotações.

  Este fato foi observado por RIEWE (1985), que detectou uma interação entre a taxa

de lotação e o método de pastejo. Com taxa de lotação leve ou moderada o desempenho

animal sob pastejo contínuo pode ser igual ou superior ao obtido em pastejo rotacionado.

Por outro lado, conforme pode ser visto na figura , o pastejo rotacionado favoreceria o

desempenho animal em pastagens onde se utilizam taxas de lotação mais altas.

  Nas condições do semi-árido nordestino, onde o período de produção das pastagens

é curto e as espécies utilizadas apresentam potencial de produção relativamente baixo, a

utilização do método de pastejo rotacionado intensivo deve ser utilizado com reservas. O

elevado custo para construção e manutenção de cercas divisórias certamente contribuirão

para elevação do custo de produção, principalmente se se utilizar as espécies caprina e

ovina, que exigem cercas mais elaboradas.

  Deve ser destacado entretanto, que as espécies forrageiras utilizadas, como

mencionado anteriormente poderá influenciar sobre o sistema de pastejo utilizado. No

caso específico do nordeste, devemos salientar por exemplo que a utilização de pastagens

consorciadas, principalmente com leucena, tem se mostrado problemática em sistema de

pastejo contínuo. Nesse caso são necessários artifícios como o uso de legumineiras que
e a conservação da forragem e ainda permitir a revigoração e ressemeio natural dos

campos.

  Esta prática deve ser aplicada de forma alternada nas áreas de pastagens, com

intervalos de alguns anos.

  Esse manejo, evidentemente, pode resultar em perdas da quantidade e qualidade da

forragem reservada, assim como ocorre também com outras formas convencionais de

conservação como a fenação e a ensilagem. GARDNER e ALVIM (1985) consideram

entretanto que este fato pode ser desprezado, se for considerado que a maioria das

propriedades possui categorias de animais que em determinadas épocas do ano, precisam

ser mantidas a baixo custo.

  RODRIGUES e REIS (1997) cita como vantagem do pastejo diferido o fato de

dispensar investimento em máquinas utilizadas na conservação de forragem. Já CORSI

(1976) e MARASCHIN (1986) salientam que a eficiência do pastejo diferido esta

estreitamente associada com a qualidade que a planta forrageira, na área diferida, teria na

ocasião de ser consumida.

  Fica evidente que o aspecto bio-econômico do método de pastejo diferido não é

muito claro. Segundo GARDNER e ALVIM (1985) o êxito do método de pastejo diferido

depende muito da lotação animal, do clima e duração do período de restrição alimentar.

  Atualmente, a utilização de suplementos múltiplos na alimentação dos animais

durante a seca tem tornado o diferimento bastante popular entre os criadores, uma vez que

o uso desses suplementos está condicionado à disponibilidade de forragem em nível

elevado.



   EFEITOS DA DISPONIBILIDADE DA QUALIDADE DO PASTO SOBRE

            O CONSUMO PELOS ANIMAIS
adotado, para que se possa proporcionar condições para níveis de consumo que

satisfaçam as exigências de cada categoria animal.

   Inicialmente a maior parte dos trabalhos existentes na literatura que tratavam dos

fatores que afetam consumo voluntário foram com espécies temperadas. Na década de

setenta, Stobbs e colaboradores iniciaram um maior número de estudos desses fatores em

espécies tropicais. Entretanto, em condições brasileiras, ainda são poucos os trabalhos


que tratam deste assunto, principalmente com forrageiras de zona semi-árida.

   O consumo de forragem de animais a pasto, para FORBES (1988), é controlado

pela estrutura da pastagem e pelos efeitos da forragem ingerida no sistema digestivo,

sendo então controlado pelo complexo fome-saciedade.

   A qualidade, principalmente proporção de folhas e conteúdo de parede celular,

quantidade de biomassa presente, espécie forrageira e palatabilidade, são fatores inerentes

à pastagem que podem afetar o consumo voluntário de forragem. As características


estruturais do pasto, como altura, relação folha/caule e densidade afetam o consumo por

infuenciarem o tamanho do bocado, taxa de bocado e tempo de pastejo.

   Segundo MINSON (1981), em pastagens novas, com mais de 1000 kg de matéria

seca/ha, os animais, geralmente, não têm dificuldade de satisfazer suas necessidades, uma

vez que estes levam grande quantidade de forragem em cada bocado. Quando a produção

de forragem está abaixo de 1000 kg (STOBBS, 1973), o tamanho de bocado diminui

abaixo do crítico de 300 mg de matéria orgânica.


   Entretanto, em pastagens de clima tropical, o consumo de forragem não é uma

proporção fixa da forragem presente ou disponível (HUMPHREYS, 1991). Tratando-se

dessas pastagens, onde há acúmulo sazonal de material morto, o consumo é
assintoticamente relacionado com a disponibilidade de matéria seca verde (EUCLIDES,

1989).

   Esse aspecto é muito importante nas pastagens cultivadas na região semi-árida

considerando que as grandes variações climáticas e seus efeitos afetam a taxa de

aparecimento e senescência de folhas comprometendo a oferta de matéria seca verde. De

uma maneira geral,, pode se admitir que as espécies adaptadas à seca apresentam ciclos de


produção mais curtos e isto afeta diretamente a porcentagem de matéria seca verde das

pastagens, uma vez que completado o ciclo de crescimento é acelerado o processo de

senescência.

   Segundo STOBBS (1975), a natureza heterogênea das pastagens tropicais, que

normalmente apresentam baixa densidade de folhas nas camadas superiores do pasto,

dificulta o pastejo seletivo dos animais. Essa dificuldade de pastejo seletivo é

compensada pelo aumento do tempo de pastejo (STOBBS, 1970) e pelo aumento do


número de bocados por minuto (STOBBS, 1974). Para STOBBS (1973), a densidade do

relvado, incorporando baixo conteúdo de caule e alta relação produção de folhas/altura, é

o fator principal afetando o tamanho do bocado de bovinos em pastejo

   CHACON e STOBBS (1976) observaram que a folha é o mais importante

componente do pasto e, portanto, que a produção de folha, porcentagem de folha e a

relação folha/caule são as principais características estruturais que influenciam o

consumo por animais em pastejo.


   Nesse aspecto, vale ressaltar que o capim-buffel que é uma das espécies mais

utilizadas no Nordeste do Brasil, apresenta baixa relação folha/caule e que essa relação
torna-se menor durante o período seco. Esse fato certamente pode comprometer o

consumo de forragem dos animais.

  Como pode ser visto a quantidade e a qualidade da forragem ingerida são sem

dúvida alguma os principais fatores afetando o desempenho dos animais. Conforme pode

ser visto na figura 2, a pressão de pastejo influência o ganho de peso por animal.

  A produção por animal decresce à medida que a pressão de pastejo passa de uma

condição de subpastejo para uma condição de pressão de pastejo ótima, que apresenta

uma amplitude de variação em função das espécies, das condições edafo-climáticas e do

grau de pastejo seletivo.

  A produção por hectare mostra um aumento muito rápido na medida em que a

pressão de pastejo aumenta de uma condição de subpastejo até uma faixa ótima.

  É importante salientar que havendo disponibilidade de forragem, mesmo que esta

não apresente a qualidade ideal, o pastejo seletivo feito pelos animais, permite que os

mesmos consumam uma forragem de qualidade razoável. Imaginando um caso extremo

de ausência de forragem, não haverá consumo, não havendo consequentemente a

produção animal. Este fato é melhor entendido observando se a figura 3, onde fica

demonstrado claramente que só haverá produção animal a partir do ponto onde o

consumo de forragem supera as exigências de mantença.

  Um dos principais aspectos que o produtor deve entender é o quanto de forragem

consumida pelo animal que é direcionada para suprir as exigências de mantença e aquela

que é dirigida para produção (leite, carne e lã). Para a exigência de mantença vai maior

parte do alimento consumido pelos animais e portanto devemos procurar otimizar a

produção pois quanto menor for a quantidade de forragem oferecida, acima do

atendimento de mantença, maior será o consumo de alimento para cada quilograma de

leite, carne ou lã produzidos.

  No quadro 1, pode-se observar mais claramente este fato. Nota-se que para um
Analisando este fato, alguns pontos devem ser destacados:

  a- Se considerarmos o teor de matéria seca do capim como 20%, podemos concluir

que um animal ganhando 1,10Kg/dia precisa ingerir 31,7 Kg de forragem para ganhar

1,00 Kg de peso vivo, enquanto se o mesmo animal ganhando 0,25 Kg/dia precisa ingerir

122 Kg de forragem para ganhar 1,00 Kg de peso vivo. Como pode ser visto no exemplo

acima, ao contrário do que pensam alguns produtores, o que onera o produto animal, não

é manter animais em pastagens com alta disponibilidade de pasto e sim mantê-los com

taxas de ganho diário reduzidas e por período de tempo longo.

  b- Se observarmos, o tempo gasto para o animal com ganho de 0,25 Kg/dia atingir

450Kg de peso vivo (1200 dias) e o tempo necessário para o animal ganhando 1,10

Kg/dia (273 dias) atingir o mesmo peso, notamos que numa condição prática, poderíamos

recriar 4,4 animais (1200 dias/273 dias=4,4) com taxa de ganho de 1,10 Kg enquanto se

engorda um único animal com taxa de ganho diário de 0,25 Kg/dia.

  c- Devemos entender que a medida que se eleva o fornecimento de nutrientes

acima da exigência de mantença, a eficiência de conversão alimentar também aumenta.

Fica claro que sempre que se mantiver os animais em condições de baixa disponibilidade

de pasto a eficiência de conversão alimentar será diminuída.

  d- Mantendo-se animais com maiores taxas de ganho de peso diário, a idade de

abate será diminuída, atendendo ao mercado consumidor, que exige total de animais
                           Tempo necessário         Requerimento carne
                            (dias)
mais jovens e obviamente de melhor qualidade.Matéria seca (Kg)                 Proteína (Kg)
           0,25        1200         7320          652
QUADRO0,50  1- Requerimentos de matéria seca e proteina por um novilho para recria, dos
                       600         4460          434
           0,75        400         3052          310
      150 1,10450 Kg de peso vivo.
           aos         273         1903          224
  Adaptado de BLASER e NOVAES (1990)
    GPD
   (dias)
  Embora todas essas colocações feitas acima sejam procedentes, o manejo correto

das pastagens envolve outros fatores que não podem ser esquecidos. Infelizmente, numa
sempre são viáveis economicamente pois seria necessário suplementar os animais durante

boa parte do ano. Não podemos esquecer ainda que sistemas de pastejo intensivo nessa

região, se mal executado, levam invariavelmente à degradação do ecossistema, que é

bastante frágil.

  5. AJUSTE DA PRESSÃO DE PASTEJO

   Um dos maiores problemas para o manejo das pastagens é o ajuste da pressão de

passtejo exercida ao longo dos anos de utilização. Na região nordeste este fato torna-se

mais grave pois normalmente se utiliza mais de uma espécie animal nas pastagens, o que

dificulta o ajuste da pressão de pastejo.

   O uso da equivalência de unidade animal (EUA) para ajustar a pressão de pastejo

numa determinada área é uma das ferramentas mais utilizadas no mundo e vem sendo

desenvolvida de forma que se possa considerar as categorias e espécies animais em

pastejo de forma mais comum e uniforme.

   Vários fatores tem sido propostos como base para a equvalência de unidade

animal: peso vivo (PV), peso metabólico (PV0,75), exigência de energia, ingestão de

energia, exigência de matéria seca e ingestão de matéria seca. Destacamos entretanto que

qualquer um dos fatores utilizados podem apresentar falhas e as particularidades de cada

região, fazenda, tipo de pastagens e etc, podem tornar os fatores mais ou menos

eficientes.

   O primeiro fator a ser utilizado para a equivalência de unidade animal foi o PV,

onde segundo STODART e SMITH (1955), uma vaca pesando 1000 libras (450 Kg)

corresponderia a 1 (uma) unidade animal (UA). Os referidos autores não levavam em

consideração o estado fisiológico e a categoria animal. A partir daí passou a se fazer

transformações diretas do peso vivo para UA, como por exemplo: 10 ovelhas de 45 Kg de

PV = 1 UA ou 1 garrote de 225 Kg = 0,5 UA. Essa transformação não leva em conta se o

animal está em lactação ou não, ganhando peso ou apenas se mantendo e o que é mais
poderão ser um importante fator de degradação de pastagens e mesmo da baixa

produtividade dos rebanhos.

   Considerando as falhas supra citadas LEWIS et al (1956), propôs que a EUA

fosse feita a partir do peso metabólico, sugerindo a seguinte fórmula para transformação:



  EUA= PV0,75 /4500,75

   Se considerarmos esta fórmula para se fazer a EUA de uma ovelha Santa Inês com

45 Kg de PV, teríamos o seguinte resultados:

  EUA= 450,75 /4500,75

  EUA= 17,37/97,70

  EUA= 0,18 UA

   Como pode ser visto, se se comparar o resultado obtido na transformação via peso

metabólico, com aquele obtido pela transformação direta do PV, onde 1 UA= 10 ovelhas

de 45 Kg ou 0,1 UA, nota se que a transformação direta do PV, subestima o valor de

EUA. Desta forma, fica claro que se utilizar a equivalência de unidade animal calculada

apenas com o PV animal, pode se exercer uma pressão de pastejo 80% maior do que se

deseja, pois onde se deveria colocar 0,1 UA, será colocado 0,18 UA que é o que

representaria uma ovelha de 45 Kg de PV.

   Já a SOCIETY FOR RANGE MANAGEMENT (1974) definiu UA como sendo

uma vaca adulta de 450 Kg de PV ou seu equivalente consumindo aproximadamente 12

Kg de matéria seca por dia. Scarnecchia (1985) citado por VALLENTINE (1990)

reconhece esta definição como baseada tanto no PV como no peso metabólico, pois foi

essencialmente baseado no potencial de ingestão diário ou demanda animal. Este autor

concluiu que unicamente a exigência animal por forragem, isto é, o potencial de ingestão,

permite comparações dentre as categorias de animais de uma mesma espécie ou de
produção e etc. Fica evidente que se excluiu nesta definição as interações pastagem

animal e ambiente animal que poderiam afetar o consumo em situações específicas.

   O que se deve assumir é que o ajuste da pressão de pastejo nas condições do

nordeste brasileiro é uma tarefa complexa para técnicos e produtores.

   Baseado nas dificuldades de se ajustar a pressão de passtejo, principalmente nas

condições nordestinas, sugere-se que pelo menos algumas medidas sejam tomadas de

imediato:

  1- Eliminar o uso de transformações diretas baseadas em peso vivo (Ex: 10 ovelhas

(45 Kg de PV) = 1 vaca de 450 Kg de PV), principalmente nas agencias financiadoras de

projetos agrícolas.

  2- Utilizar o peso metabólico como fator de transformação de equivalência de

unidade animal, pelo menos em projetos mais amplos onde maiores detalhamentos são

inviáveis.

  3- Em propriedades mais organizadas e com melhor nível de gerenciamento,

utilizar o peso metabólico e a ingestão de alimento para ajuste mais preciso e seguro.

     6. CONSERVAÇÃO DE FORRAGEM COMO FERRAMENTA DE

              MANEJO DE PASTAGENS

   Em regiões onde a produção das plantas forrageiras apresentam forte

estacionalidade, devido a fatores climáticos, a conservação de forragem para suplementar

animais durante o período de escassez torna-se de extrema importancia.

   Em revisão sobre o assunto, GARDNER e ALVIM (1985) comentam que a

lotação animal interage fortemente com a conservação de forragem. Quando a lotação é

baixa a forragem disponível está em excesso, podendo ser conservada, porém nem

sempre há necessidade. Pela figura 4, pode-se observar que, aumentando se a lotação

animal, a quantidade de forragem deixa de ser excessiva, enquanto a necessidade de

conservação torna-se cada vez maior (Hutchinson (1971) citado por GARDNER e
superados. É de se esperar que em anos de seca não haverá excesso de forragem para ser

conservada, a menos que o alimento conservado seja oriundo de áreas irrigadas e não das

pastagens.

   7. USO DE SUPLEMENTAÇÀO ALIMENTAR COMO FERRAMENTA DE

               MANEJO DE PASTAGENS

   Nos últimos anos a suplementação alimentar de animais em pastejo tem sido

bastante difundido entre os criadores.

   Normalmente, são usados suplementos que podem equilibrar nutricionalmente a

dieta dos animais, uma vez que as mesmas são compostas por gramíneas tropicais que são

caracterizadas por apresentarem baixos conteúdos de energia e proteína.

   Nas condições do Nordeste brasileiro deve-se admitir que se os animais passarem

o período seco em pastagens sem suplementação, não se deve esperar produção, uma vez

que o pasto disponível dificilmente fornece nutrientes suficientes para mantença e

produção.

   Segundo CARDOSO (1997), do ponto de vista técnico, a suplementação para

animais em pastejo é empregada quando a pastagem apresenta deficiências que impeçam

o animal de produzir ou se reproduzir. Há casos extremos onde é necessário que toda a

alimentação seja fornecida aos animais para sobrevivência, extrapolando o conceito de

suplementação. Uma das condições básicas para se utilizar a suplementação é haver

elevada disponibilidade de massa forrageira na pastagem, que normalmente no período da

seca é de baixa qualidade. Sendo assim a suplementação atuará aditivamente à dieta, as

vezes modificando a condição metabólica ruminal ou do próprio animal e assim

melhorando o desempenho dos mesmos.

   Os suplementos fornecidos aos animais em pastejo podem ser classificados em

três grupos:

   n Suplementos energéticos
Sendo assim a decisão sobre que tipo de suplemento deve ser usado depende

segundo Lusby e Armbruster (1976) citado por CARDOSO (1997) dos seguintes fatores:

conhecer as exigências dos animais, estimar o que está disponível como forragem e

fornecer somente os nutrientes necessários para preencher a diferença entre o disponível

pela forragem e a exigência nutricional dos aniamis.

     O principal fator para a decisão da suplementação porém é a relação custo-

 benefício, que torna a viabilidade da mesma variável de acordo com a região onde se

localiza a propriedade. No Nordeste brasileiro, opções como farelo de castanha cajú, sub-

produtos da indústria de sucos, dentre várias outras, também viáveis podem ser utilizadas.



   8. ESTRATÉGIAS DE MANEJO A SEREM ADOTADAS EM ANOS DE

                   SÊCA

   Em regiões semi-áridas a ocorrencia de anos secos é uma realidade. Todas as

técnicas de manejo de passtagens podem ser comprometidas nesses anos e tal fato

dificulta um planejamento de uso das pastagens a longo prazo. SAVILLE (1981) comenta

vários procedimentos que poderiam ser adotados para se prevenir dos efeitos deletérios da

seca. Baseado nas informações dadas pelo referido autor será feita uma síntese de

algumas medidas preventivas e outras emergênciais.

  8.1. PREPARO PARA A SECA

   Muitos fazendeiros, baseado nas suas experiências pessoais ou informações de

Instituições de meteorologia, tomam conhecimento de uma provável seca antes da sua

caracterização efetiva.

   Algumas medidas preventivas podem ser tomadas e incluem oss seguintes passos:

   a) Ajuste da taxa de lotação - Vários aspectos justificam um ajuste na taxa de

 lotação das pastagens. Se não se fizer um ajuste, o processo de degradação das
produtor relutar em descartar animais e no final de uma seca perdê-los, pois a

 deficiência alimentar é de tal ordem, que culmina na morte de animais.

   b) Distribuição de pontos d agua - Em muitos casos, onde as opções de aguadas

 são limitadas, a melhor distribuição das mesmas é um fator que ajuda a contornar

 alguns problemas, pois o fato dos animais percorrerem longas distancias a procura de

 água, aumenta o seu gasto energético, que quando em condições de baixo nível

 alimentar acelera perda de peso dos mesmos. Uma sugestão simples, mas muito

 funcional é utilizar no início da seca, pastagens mais afastadas dos grandes

 reservatórios de água. Apenas depois de exauridas todas as outras fontes de água é que

 se deve iniciar a utilização das pastagens mais próximas destes reservatórios.

   c) Armazenamento de alimentos - Embora já comentado anteriormente, vale

 ressaltar que havendo alguma probabilidade de ocorrência de sêca, deve se agilizar o

 processo de produção e conservação de forragem e armazenamento de outros

 alimentos. O produtor sempre que possível deve procurar adquirir alimentos no início

 do período seco quando os preços são mais baixos. Também o uso de subprodutos da

 agroindústria, é uma boa alternativa, principalmente naquelas fazendas próximas a

 regiões produtoras.

   Há que se destacar que como se sugeriu anteriormente, o descarte de animais,

antes do início, gera recursos que poderão ser destinados à compra de alimentos que

seriam utilizados no período de maior escassez.

   Outro ponto importante a ser levantado é que a organização de grupos de

produtores para se fazer compras de alimentos em conjunto, é uma boa alternativa, até

porque, produtores mais organizados forçam o governo a criar políticas mais justas para

se combater os efeitos da seca.
extrema importancia, uma vez que a ocorrência da seca torna a pastagem mais

   susceptível à degradação.

  b) Um mellhor ajuste da pressão de pastejo nas regiões semi-áridas é a técnica mais

   apropriada para que se obtenha bons índices produtivos de maneira sustentável.

   É preciso que seja trabalhado a nível de produtor, novas idéias a cerca de

   produção por unidade de área e se elimine conceitos já arraigados como número

   total de animais. O produtor precisa de conceber a idéia de que um pequeno

   número de animais bem alimentados, pode dar mais lucro do que um grande

   número em estado de subnutrição.

  c) Embora os produtores esperem que possa surgir um capim milagroso, que se

   adapte à região semi-árida e dispense técnicas de manejo de pastagens, sabe-se

   que tal fato jamais ocorrerá. No momento, o melhor caminho que se tem a seguir

   é manejar bem as gramíneas já existentes, pois apenas com a utilização de

   técnicas de manejo adequadas pode-se alcançar índices produtivos bastante

   superiores ao obtidos no momento.




          10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



ARAÚJO FILHO, J.A. Manejo de pastagens em regiões semi-áridas. In: SIMPÓSIO
 SOBRE MANEJO DE PASTAGENS, 4, 1977, Piracicaba, SP. Anais ... Piracicaba,
 SP: ESALQ, 1977. p.164-176.
BLASER, R.E.; NOVAES, L.P. Manejo do complexo pastagem-animal para a avaliação
  de plantas e desenvolvimento de sistemas de produção de forragens. In: REUNIÃO
  ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 27, Campinas, 1990.
  Anais ....Piracicaba, FEALQ, 1990. P. 157-205.
BLASER, R.E. Integrated pasture and animal management. Tropical Grassland. 16: 9-
  16, 1982.
CARDOSO, E.G. Suplementação de bovinos de corte em pastejo (semiconfinamento). In:
  SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO ANIMAL, 9, Piracicaba, 1997. Anais...
CORSI, M. Espécies forrageiras para pastagens. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA
 PASTAGEM, 3, Piracicaba, 1976. Anais.. Fealq, Piracicaba,1976. P. 5-36.

DUQUE, J. G. O nordeste e as lavouras xerófilas. Mossoró: Escola Superior de
 Agricultura de Mossoró - Fundação Guimarães Duque, 1980. 316p.

EUCLIDES, V.P.B., ZIMMER, A.H., VIEIRA, J.M. Equilíbrio na utilização de forragem
 sob pastejo. In: SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMAS DE PASTAGENS, 1989,
 Jaboticabal, SP. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p. 271-313.

FORBES, T.D.A. Researching the plant-animal interface: the investigation of ingestive
 behavior in grazing animals. J. Anim. Sci., 66:2369-2379, 1988.

GARDNER, A.L.; ALVIM, M.J. Manejo de pastagem. Documento 19, EMBRAPA,
  Coronel Pacheco, 1995. 54 p.
HUMPHREYS, L.R. Tropical pasture utilisation. New York: Cambridge University,
 1991. 206p.
LACEY, J.R.; VAN POOLEN, H.W. Grazing system identification. Journal of Range
  Management. 32: 38-39. 1979.
LEWIS, J.K. Tentative classification of grazing systems. Society for Range Management.
  Abstracts Papers. 36:231, 1983.
LEWIS, J.K.; VAN DYNE, G.M.; LESLIE, R. A.; WHETZEL, F.W. Intensity of
  grazing: Its effects on livestock and forage production. South Dakota Agricultural
  Experimental Sta. Bulletin. 459. 44p.
LIRA, M. de A.; FARIAS, I.; SANTOS, M.V.F. dos Alimentação de bovinos no Nordeste -
 Experimentação com forrageiras e pastagens. In: SIMPÓSIO NORDESTINO DE
 ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES, João Pessoa, 1990. Anais... João Pessoa:
 SNPA/UFPB, 1990. p.108-133.
MANNETJE, L., JONES, R.J., STOBBS, T.H. Pasture evaluation by grazing
 experiments. In:. Tropical pasture research: principles and methods. Hurley: CAB,
 1976. p.194-234.
MANNETJE, L.; JONES, R.J.; STOBBS, T.H. In: Tropical pasture research: Principles
  and methods, Farnham Royal, CAB, 1976. p. 194-250. (CAB. Bulletin, 51).
MARASCHIN, G.E. Avaliação de forrageiras e rendimento de pastagens com o animal
  em pastejo. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FORRAGICULTURA,
  Maringá, 1994. Anais.. SBZ-UEM, 1994. P. 65-98.
MARASCHIN, G.E. Sistemas de pastejo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
  PASTAGENS, Piracicaba, 1986. Anais... Fealq, Piracicaba, 1986. P.261-290.

MERTENS, D.R. Regulation of forage intake. In: Forage quality, evaluation, and
 utilization. Madison: American Society of Agronomy, 1994. p. 450-493.

MINSON, D.J. Forage quality: assessing the plant-animal complex. In:
 INTERNATIONAL GRASSLAND CONGRESS, 15, 1981, Kentucky. Proceedings ...
 Kentucky: [s.n.], 1981a. p. 23-29.
MORLEY, F.H.W. Grazing animals. Elsevier, New York, 1981, p.335-348.
RIEWE, M.E. Manejo del pastoreo fijo o variable en la evaluación de pasturas. In:
  Evaluation de pasturas com animales. CIAT, P.61-84. 1985.
RODRIGUES, L.R.A.; REIS, R.A. Conceituação e modalidades de sistemas intensivos
  de pastejo rotacionado. IN: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM:
  Fundamentos do Pastejo Rotacionado, 14, Piracicaba,1997. Anais... Piracicaba,
  1997. P. 1-24.
SAVILLE, D.G. Management and feeding of grazing animals during drought. In: Grazing
  animals. Elsevier, New York, 1981, p.335-348.
SOCIETY FOR RANGE MANAGEMENT. A glossary of terms used in range
  management. 2° ed. Society for Range Management, Denver, Colorado. 36p.
STOBBS, T. H. The effect of plant structure on the intake of tropical pastures. II.
 differences in sward structure, nutritive value, and bite size of animals grazing Setaria
 anceps and Chloris gayana at various stages of growth. Aust. J. Agric. Res., 24:821-
 829, 1973.

STOBBS, T.H. Automatic measurement of the grazing time by dary cows on tropical
 grass and legume pastures. Trop. Grassl., 4:237-244, 1970.

STOBBS, T.H. Rate of biting by Jersey cows as influenced by yield and maturity of
 pasture swards. Trop. Grassl., 8: 81-86, 1974.
STOBBS, T.H. The effect of plant structure on the intake of tropical pastures. III.
 influence of fertilizer nitrogen of the size of bite harvested by jersey cows grazing
 Setaria anceps cv. kazungula swards. Aust. J. Agric. Res., 26:997-1007, 1975.
STODART, L.A.; SMITH, A. D. Range management. McGraw-Hill, New York, 1955.
  532p.
THOMAS, D.; ROCHA, C.M.C. Manejo de pasturas y evaluación de la produccion
  animal. In: Evaluation de pasturas com animales. CIAT. 1985. p. 43-59.
VALLENTINE, J.F. Grazing management. Academic Press, 1990. 533 p.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno
Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno
Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno
Rural Pecuária
 
Manejo e conservação do solo - Terraceamento
Manejo e conservação do solo - Terraceamento Manejo e conservação do solo - Terraceamento
Manejo e conservação do solo - Terraceamento
Ediney Dias
 
Sistema agroflorestal andré rocha
Sistema agroflorestal andré rochaSistema agroflorestal andré rocha
Sistema agroflorestal andré rocha
MESTRADOAMBIENTAL
 

Mais procurados (20)

Formação de pastagens
Formação de pastagensFormação de pastagens
Formação de pastagens
 
Estrutura e florística de quintais agroflorestais
Estrutura e florística de quintais agroflorestaisEstrutura e florística de quintais agroflorestais
Estrutura e florística de quintais agroflorestais
 
Apostila agroflorestas
Apostila agroflorestasApostila agroflorestas
Apostila agroflorestas
 
Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno
Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno
Conservação de alimentos para bovinos- Produção de Feno
 
Producao de-feno
Producao de-fenoProducao de-feno
Producao de-feno
 
Características de crescimento capim braquiarao
Características de crescimento capim braquiaraoCaracterísticas de crescimento capim braquiarao
Características de crescimento capim braquiarao
 
Manejo e conservação do solo - Terraceamento
Manejo e conservação do solo - Terraceamento Manejo e conservação do solo - Terraceamento
Manejo e conservação do solo - Terraceamento
 
Cartilha final
Cartilha finalCartilha final
Cartilha final
 
Apostila Do Educador Agroflorestal Arboreto
Apostila Do Educador Agroflorestal ArboretoApostila Do Educador Agroflorestal Arboreto
Apostila Do Educador Agroflorestal Arboreto
 
Aula sobre "Classificação da capacidade de uso dos solos", preparada para a d...
Aula sobre "Classificação da capacidade de uso dos solos", preparada para a d...Aula sobre "Classificação da capacidade de uso dos solos", preparada para a d...
Aula sobre "Classificação da capacidade de uso dos solos", preparada para a d...
 
Sistema agroflorestal andré rocha
Sistema agroflorestal andré rochaSistema agroflorestal andré rocha
Sistema agroflorestal andré rocha
 
Sistemas agroflorestais em espaços protegidos
Sistemas agroflorestais em espaços protegidosSistemas agroflorestais em espaços protegidos
Sistemas agroflorestais em espaços protegidos
 
Levantamento do potencial de uso agrícola do solo
Levantamento do potencial de uso agrícola do soloLevantamento do potencial de uso agrícola do solo
Levantamento do potencial de uso agrícola do solo
 
Sistemas Agroflorestais - SAFS
Sistemas Agroflorestais - SAFSSistemas Agroflorestais - SAFS
Sistemas Agroflorestais - SAFS
 
Sistemas Agroflorestais
Sistemas AgroflorestaisSistemas Agroflorestais
Sistemas Agroflorestais
 
Gestão microbacias apresentação_ubá_manejoconservaçãosoloágua
Gestão microbacias apresentação_ubá_manejoconservaçãosoloáguaGestão microbacias apresentação_ubá_manejoconservaçãosoloágua
Gestão microbacias apresentação_ubá_manejoconservaçãosoloágua
 
Manual de Formação de Pastagem
Manual de Formação de PastagemManual de Formação de Pastagem
Manual de Formação de Pastagem
 
Avaliação e seleção de cultivares de Capim Elefante (Pennisetum purpureun sch...
Avaliação e seleção de cultivares de Capim Elefante (Pennisetum purpureun sch...Avaliação e seleção de cultivares de Capim Elefante (Pennisetum purpureun sch...
Avaliação e seleção de cultivares de Capim Elefante (Pennisetum purpureun sch...
 
Consorciação e Conservação de Plantas Forrageiras
Consorciação e Conservação de Plantas ForrageirasConsorciação e Conservação de Plantas Forrageiras
Consorciação e Conservação de Plantas Forrageiras
 
Desenvolvimento da caça em Mondim de Basto
Desenvolvimento da caça em Mondim de BastoDesenvolvimento da caça em Mondim de Basto
Desenvolvimento da caça em Mondim de Basto
 

Semelhante a Pastos egas 11

Definição de agrossistemas
Definição de agrossistemasDefinição de agrossistemas
Definição de agrossistemas
Ingrid Queiroz
 
Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...
Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...
Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...
cbsaf
 
Sistemas agroflorestais em espaços protegidos
Sistemas agroflorestais em espaços protegidosSistemas agroflorestais em espaços protegidos
Sistemas agroflorestais em espaços protegidos
Geraldo Henrique
 

Semelhante a Pastos egas 11 (20)

Forragicultura aula1
Forragicultura aula1Forragicultura aula1
Forragicultura aula1
 
Trabalhoafonso
TrabalhoafonsoTrabalhoafonso
Trabalhoafonso
 
03 bencke
03 bencke03 bencke
03 bencke
 
Sist agroflorest areas degradadas
Sist agroflorest areas degradadasSist agroflorest areas degradadas
Sist agroflorest areas degradadas
 
apostila Sistemas agroflorestais no semiarido brasileiro
apostila Sistemas agroflorestais no semiarido brasileiroapostila Sistemas agroflorestais no semiarido brasileiro
apostila Sistemas agroflorestais no semiarido brasileiro
 
Degradacao pastagens
Degradacao pastagensDegradacao pastagens
Degradacao pastagens
 
manejo de gramaines de clima temperado.pdf
manejo de gramaines de clima temperado.pdfmanejo de gramaines de clima temperado.pdf
manejo de gramaines de clima temperado.pdf
 
Definição de agrossistemas
Definição de agrossistemasDefinição de agrossistemas
Definição de agrossistemas
 
E book triplicar-produtividade_pasto
E book triplicar-produtividade_pastoE book triplicar-produtividade_pasto
E book triplicar-produtividade_pasto
 
Formação e Manejo de Pastagens Tropicais
Formação e Manejo de Pastagens TropicaisFormação e Manejo de Pastagens Tropicais
Formação e Manejo de Pastagens Tropicais
 
Palestra Manuel Macedo.pdf
Palestra Manuel Macedo.pdfPalestra Manuel Macedo.pdf
Palestra Manuel Macedo.pdf
 
Cot002
Cot002Cot002
Cot002
 
1234 5109-1-pb (1)
1234 5109-1-pb (1)1234 5109-1-pb (1)
1234 5109-1-pb (1)
 
INTRODUÇÃO A RECOMPOSIÇÃO COM ÊNFASE NAS FLORESTAS
INTRODUÇÃO A RECOMPOSIÇÃO COM ÊNFASE NAS FLORESTASINTRODUÇÃO A RECOMPOSIÇÃO COM ÊNFASE NAS FLORESTAS
INTRODUÇÃO A RECOMPOSIÇÃO COM ÊNFASE NAS FLORESTAS
 
Agricultura Orgânica e Certificação - Canal com o Produtor
Agricultura Orgânica e Certificação - Canal com o ProdutorAgricultura Orgânica e Certificação - Canal com o Produtor
Agricultura Orgânica e Certificação - Canal com o Produtor
 
Agricultura de precisao modulo 2
Agricultura de precisao modulo 2Agricultura de precisao modulo 2
Agricultura de precisao modulo 2
 
Estacao-de-monta-em-rebanhos.pdf
Estacao-de-monta-em-rebanhos.pdfEstacao-de-monta-em-rebanhos.pdf
Estacao-de-monta-em-rebanhos.pdf
 
Agrocurso apostila
Agrocurso apostilaAgrocurso apostila
Agrocurso apostila
 
Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...
Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...
Dia 3 Apresentações Orais - Sistemas agroflorestais silvipastoris e diversifi...
 
Sistemas agroflorestais em espaços protegidos
Sistemas agroflorestais em espaços protegidosSistemas agroflorestais em espaços protegidos
Sistemas agroflorestais em espaços protegidos
 

Mais de Egas Armando (11)

Rocket salt sources
Rocket salt sourcesRocket salt sources
Rocket salt sources
 
Vrr compact rev_granja
Vrr compact rev_granjaVrr compact rev_granja
Vrr compact rev_granja
 
Artigo fni sagito
Artigo  fni sagitoArtigo  fni sagito
Artigo fni sagito
 
1026 apostila didática nº 3 tratores agrículas
1026 apostila didática nº 3   tratores agrículas1026 apostila didática nº 3   tratores agrículas
1026 apostila didática nº 3 tratores agrículas
 
Elsa projecto de pesquisa
Elsa projecto de pesquisaElsa projecto de pesquisa
Elsa projecto de pesquisa
 
Excedente de consumidor e produtor ( dicas de economia)
Excedente de consumidor e produtor ( dicas de economia)Excedente de consumidor e produtor ( dicas de economia)
Excedente de consumidor e produtor ( dicas de economia)
 
Egas 2013 Tese de Licenciatura-UEM-ESUDER
Egas 2013 Tese de Licenciatura-UEM-ESUDEREgas 2013 Tese de Licenciatura-UEM-ESUDER
Egas 2013 Tese de Licenciatura-UEM-ESUDER
 
3
33
3
 
000351683
000351683000351683
000351683
 
Exercícios resolvidos
Exercícios resolvidosExercícios resolvidos
Exercícios resolvidos
 
Carlos alberto muianga
Carlos alberto muiangaCarlos alberto muianga
Carlos alberto muianga
 

Pastos egas 11

  • 1. MANEJO DE PASTAGENS CULTIVADAS EM REGIÕES SEMI-ÁRIDAS José Neuman Miranda Neiva1 Mercia Virgínia Ferreira Santos2 INTRODUÇÃO A zona semi-árida perfaz de 60 a 65% da área total do Nordeste (LIRA et al., 1990) e é caracterizada por áreas de solos rasos e pedregosos, baixa capacidade de retenção de água, elevada evaporação, potencialidade para erosão, altas temperaturas e irregularidade de distribuição das chuvas (DUQUE, 1980). Essas características, associadas a um manejo inadequado, contribuem para os baixos índices zootécnicos observados na região. Manejar corretamente pastagens é uma das tarefas mais árduas que os técnicos ou os produtores encontram numa fazenda de pecuária. De uma maneira geral alguns objetivos pretendidos pelos produtores são difíceis de serem atingidos simultaneamente. Os objetivos principais do manejo de pastagens são: a) manter elevada a densidade populacional das espécies mais palatáveis e aceitáveis pelos animais ao longo do tempo; b) equilibrar o fator produção e qualidade do pasto dentro de uma faixa razoável para ambos, uma vez que estes não podem ser maximizados simultaneamente; c) fornecer nutrientes em quantidade suficiente para os animais desempenharem suas funções produtivas como crescimento e produção de carne, lã e leite; d) tornar a produção das pastagens sustentável ao longo dos anos e acima de tudo mantendo o equilíbrio do ecossistema; e) manter relação harmônica entre solo, planta, animal e meio ambiente. Na região semi-árida nordestina, com raras exceções, não se tem dado atenção ao manejo das pastagens sejam elas cultivadas ou nativas. Normalmente são usadas taxas de lotação elevadas, que provocam baixo desempenho animal e acelerada degradação do solo. A cultura extrativista que caracterizou a exploração pecuária no nordeste, desde o
  • 2. degradado as áreas pastorís e consequentemente empobrecido o produtor de tal maneira que nas últimas décadas tem havido constante abandono de áreas que outrora foram produtivas. É sabido pela maioria dos técnicos que o simples ajuste na pressão de pastejo das pastagens poderia resolver boa parte dos problemas da pecuária nordestina. O simples fato de educarmos o produtor para uma exploração sustentável, aumentará consideravelmente a oferta de produtos animais na região. O manejo efetivo das pastagens possibilita a maximização da produção animal por meio do equilíbrio dos fatores produção de forragem e conversão animal. A produção de forragem é função das características da espécie vegetal e do manejo, bem como das condições edafo-climáticas. Por outro lado, a conversão animal é função das características inerentes ao animal, da composição química e digestibilidade da forragem e do nível de consumo da mesma. O objetivo desta palestra será discutir os princípios básicos de manejo de pastagens que possam contribuir para a elevação da produção animal no semi-árido nordestino. 2- TERMINOLOGIA SOBRE SISTEMAS DE PASTEJO -Manejo do pastejo - É a manipulação do animal em pastejo em busca de um objetivo definido em termos do animal, da planta, solo ou mesmo respostas econômicas. - Método de pastejo - São os procedimentos definidos ou técnicas de manejo de pastejo estabelecidas para que se consiga atingir objetivos específicos. - Sistema de pastejo - É a maneira a qual os períodos de utilização e de descanso das pastagens são arranjados dentro da estação de crescimento, tanto dentro como entre os anos. Na verdade um sistema de pastejo é uma combinação definida e integrada do
  • 3. -Intensidade de corte ou pastejo - É determinada pela altura de corte ou pastejo da planta. Quanto mais alto o corte ou pastejo, menor é a quantidade de forragem removida por unidade de planta, e consequentemente menor é a intensidade. -Freqüência de corte ou pastejo - Refere-se ao intervalo de tempo entre cortes ou pastejos sucessivos. -Persistência - É a habilidade de uma planta - É a quantidade de forragem sobreviver numa pastagem -Disponibilidade de forragem ou forragem disponível presente numa pastagem e que está disponível para os animais. Período de ocupação- É o período de tempo que uma área específica é ocupada por um grupo de animais ou por dois ou mais grupos de animais em sucessão. Período de descanso - É o período de tempo em que não se permite a utilização de uma área de pastagem, ou seja, permite-se o descanso da área. Taxa de lotação - É a relação entre o número de animais e a unidade de área utilizada durante um período especificado de tempo. Densidade de lotação ou animal - É a relação entre o número de animais e a unidade de área específica que está sendo pastejada em qualquer momento. Pressão de pastejo - É a relação entre o número ou peso vivo dos animais em pastejo e a quantidade de forragem disponível na pastagem. Capacidade de suporte - É a taxa de lotação máxima que irá permitir determinado nível de desempenho animal em um método de pastejo especificado, o qual poderá ser aplicado durante um período de tempo definido sem causar deterioração do sistema. Super-pastejo - Caracteriza-se pelo pastejo intensivo e freqüente das pastagens, acarretando danos à vegetação, com possíveis perdas de espécies forrageiras valiosas. Sub-pastejo - O pastejo se realiza a uma baixa pressão, o que permite a seleção da dieta pelo animal e o acúmulo de forragem.
  • 4. Sistema de pastejo - É a combinação definida e integrada do animal, da planta, do solo e de outros componentes do ambiente e o(s) método (s) de pastejo pelo (s) qual (is) o sistema é manejado para atingir resultados ou objetivos específicos. A literatura mundial tem apresentado muitas discrepâncias na terminologia usada para a área de manejo de pastagens. Visando padronizar a terminologia a American Forage and Grassland Council reuniu pesquisadores de várias regiões do mundo e publicou em 1992 a _TERMINOLOGY FOR GRAZING LANDS AND GRAZING ANIMALS_ . As várias definições dadas nesta palestra foram baseadas nesta publicação. 3- CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE PASTEJO Embora existam classificações bastante complexas para os sistemas de pastejo (LACEY e VAN POOLEN, 1979; VALLENTINE, 1990), para as condições brasileiras e mais especificamente para o nordeste, onde as técnicas de manejo do pastejo são simples, a classificação proposta por LEWIS (1983) parece mais adequada. Segundo este autor os sistemas simples de pastejo devem ser agrupados em: a) Sistema contínuo b) Sistemas diferidos c) Sistemas _com descanso_ d) Sistemas rotacionados e) Sistemas combinados A escolha do método de pastejo a ser adotado pode ser apenas em função da preferencia pessoal do produtor, entretanto, as escolhas mais acertadas sempre são aquelas baseadas no conhecimento da fisiologia das plantas utilizadas acopladas com o tipo de animal e nível de produção que se deseja obter. Normalmente vários fatores podem interferir na adoção do método de pastejo como disponibilidade e localização da água, topografia do solo, disponibilidade de recursos financeiros para fazer cercas,
  • 5. 3. MÉTODOS DE PASTEJO 3.1. LOTAÇÃO CONTÍNUA OU ROTACIONAL O manejo do pastejo implica um grau de controle tanto sobre o animal como do pasto. O pastejo contínuo e o rotacional representam os dois extremos no manejo do pastejo. O pastejo contínuo é caracterizado pela presença contínua e irrestrita de animais em uma área específica durante o ano ou estação de pastejo. O pastejo contínuo normalmente é utilizado em pastagens nativas ou naturais onde se obtém menores taxas de produção, destacando-se entretanto que o mesmo pode ser em muitos casos intensificado assim como o é o pastejo rotacionado. Outro aspecto que deve ser destacado é que mesmo num sistema de pastejo contínuo não se admite a ausência total das cercas divisórias pois os animais devem ser separados em categorias (idade, sexo, espécies e etc). Por outro lado, o pastejo rotacionado é caracterizado pela subdivisão das pastagens e utilização por períodos de tempo limitado, seguido de um período de descanso. Existem grandes divergências sobre qual método de pastejo utilizar. Embora a literatura seja rica em informações, os resultados são contraditórios (MANNETJE et al 1976; MORLEY, 1981; BLASER, 1982; THOMAS e ROCHA,1985; MARASCHIN, 1994; RODRIGUES e REIS,1997). Segundo GARDNER e ALVIM (1985), essa divergência não deveria existir, uma vez que o pastejo a ser adotado está condicionado a alguns fatores como tipo de planta a ser utilizada, clima da região, espécie a ser utilizada e tipo de solo dentre outros. RODRIGUES e REIS (1997) comentaram que qualquer sistema de pastejo poderá resultar em ótimo desempenho animal, dependendo do consumo de energia, o qual está relacionado com a disponibilidade de forragem, proporção de folhas na pastagem, digestibilidade e consumo. Já BLASER (1982) afirma que a produção animal por hectare
  • 6. experimentos de pastejo nos trópicos e verificaram que em 8 experimentos o pastejo contínuo foi superior, enquanto nos demais experimentos os resultados se assemelharam. Segundo GARDNER e ALVIM (1985) para que o pastejo rotacionado resulte em aumento da produção animal, e consequentemente se obtenha maior lucro, é necessário que haja aumentos na produção ou na qualidade das pastagens, aumento no consumo animal, maior Persistência das espécies forrageiras ou melhor controle de parasitas no animal. Os referidos pesquisadores afirmam que com baixas taxas de lotação, provavelmente, não haverá aumentos de produção em função do pastejo rotacionado. Também MORLEY (1981) afirma que a pesquisa mundial tem encontrado pequenas vantagens em favor do pastejo rotacionado apenas em altas lotações. Este fato foi observado por RIEWE (1985), que detectou uma interação entre a taxa de lotação e o método de pastejo. Com taxa de lotação leve ou moderada o desempenho animal sob pastejo contínuo pode ser igual ou superior ao obtido em pastejo rotacionado. Por outro lado, conforme pode ser visto na figura , o pastejo rotacionado favoreceria o desempenho animal em pastagens onde se utilizam taxas de lotação mais altas. Nas condições do semi-árido nordestino, onde o período de produção das pastagens é curto e as espécies utilizadas apresentam potencial de produção relativamente baixo, a utilização do método de pastejo rotacionado intensivo deve ser utilizado com reservas. O elevado custo para construção e manutenção de cercas divisórias certamente contribuirão para elevação do custo de produção, principalmente se se utilizar as espécies caprina e ovina, que exigem cercas mais elaboradas. Deve ser destacado entretanto, que as espécies forrageiras utilizadas, como mencionado anteriormente poderá influenciar sobre o sistema de pastejo utilizado. No caso específico do nordeste, devemos salientar por exemplo que a utilização de pastagens consorciadas, principalmente com leucena, tem se mostrado problemática em sistema de pastejo contínuo. Nesse caso são necessários artifícios como o uso de legumineiras que
  • 7. e a conservação da forragem e ainda permitir a revigoração e ressemeio natural dos campos. Esta prática deve ser aplicada de forma alternada nas áreas de pastagens, com intervalos de alguns anos. Esse manejo, evidentemente, pode resultar em perdas da quantidade e qualidade da forragem reservada, assim como ocorre também com outras formas convencionais de conservação como a fenação e a ensilagem. GARDNER e ALVIM (1985) consideram entretanto que este fato pode ser desprezado, se for considerado que a maioria das propriedades possui categorias de animais que em determinadas épocas do ano, precisam ser mantidas a baixo custo. RODRIGUES e REIS (1997) cita como vantagem do pastejo diferido o fato de dispensar investimento em máquinas utilizadas na conservação de forragem. Já CORSI (1976) e MARASCHIN (1986) salientam que a eficiência do pastejo diferido esta estreitamente associada com a qualidade que a planta forrageira, na área diferida, teria na ocasião de ser consumida. Fica evidente que o aspecto bio-econômico do método de pastejo diferido não é muito claro. Segundo GARDNER e ALVIM (1985) o êxito do método de pastejo diferido depende muito da lotação animal, do clima e duração do período de restrição alimentar. Atualmente, a utilização de suplementos múltiplos na alimentação dos animais durante a seca tem tornado o diferimento bastante popular entre os criadores, uma vez que o uso desses suplementos está condicionado à disponibilidade de forragem em nível elevado. EFEITOS DA DISPONIBILIDADE DA QUALIDADE DO PASTO SOBRE O CONSUMO PELOS ANIMAIS
  • 8. adotado, para que se possa proporcionar condições para níveis de consumo que satisfaçam as exigências de cada categoria animal. Inicialmente a maior parte dos trabalhos existentes na literatura que tratavam dos fatores que afetam consumo voluntário foram com espécies temperadas. Na década de setenta, Stobbs e colaboradores iniciaram um maior número de estudos desses fatores em espécies tropicais. Entretanto, em condições brasileiras, ainda são poucos os trabalhos que tratam deste assunto, principalmente com forrageiras de zona semi-árida. O consumo de forragem de animais a pasto, para FORBES (1988), é controlado pela estrutura da pastagem e pelos efeitos da forragem ingerida no sistema digestivo, sendo então controlado pelo complexo fome-saciedade. A qualidade, principalmente proporção de folhas e conteúdo de parede celular, quantidade de biomassa presente, espécie forrageira e palatabilidade, são fatores inerentes à pastagem que podem afetar o consumo voluntário de forragem. As características estruturais do pasto, como altura, relação folha/caule e densidade afetam o consumo por infuenciarem o tamanho do bocado, taxa de bocado e tempo de pastejo. Segundo MINSON (1981), em pastagens novas, com mais de 1000 kg de matéria seca/ha, os animais, geralmente, não têm dificuldade de satisfazer suas necessidades, uma vez que estes levam grande quantidade de forragem em cada bocado. Quando a produção de forragem está abaixo de 1000 kg (STOBBS, 1973), o tamanho de bocado diminui abaixo do crítico de 300 mg de matéria orgânica. Entretanto, em pastagens de clima tropical, o consumo de forragem não é uma proporção fixa da forragem presente ou disponível (HUMPHREYS, 1991). Tratando-se dessas pastagens, onde há acúmulo sazonal de material morto, o consumo é
  • 9. assintoticamente relacionado com a disponibilidade de matéria seca verde (EUCLIDES, 1989). Esse aspecto é muito importante nas pastagens cultivadas na região semi-árida considerando que as grandes variações climáticas e seus efeitos afetam a taxa de aparecimento e senescência de folhas comprometendo a oferta de matéria seca verde. De uma maneira geral,, pode se admitir que as espécies adaptadas à seca apresentam ciclos de produção mais curtos e isto afeta diretamente a porcentagem de matéria seca verde das pastagens, uma vez que completado o ciclo de crescimento é acelerado o processo de senescência. Segundo STOBBS (1975), a natureza heterogênea das pastagens tropicais, que normalmente apresentam baixa densidade de folhas nas camadas superiores do pasto, dificulta o pastejo seletivo dos animais. Essa dificuldade de pastejo seletivo é compensada pelo aumento do tempo de pastejo (STOBBS, 1970) e pelo aumento do número de bocados por minuto (STOBBS, 1974). Para STOBBS (1973), a densidade do relvado, incorporando baixo conteúdo de caule e alta relação produção de folhas/altura, é o fator principal afetando o tamanho do bocado de bovinos em pastejo CHACON e STOBBS (1976) observaram que a folha é o mais importante componente do pasto e, portanto, que a produção de folha, porcentagem de folha e a relação folha/caule são as principais características estruturais que influenciam o consumo por animais em pastejo. Nesse aspecto, vale ressaltar que o capim-buffel que é uma das espécies mais utilizadas no Nordeste do Brasil, apresenta baixa relação folha/caule e que essa relação
  • 10. torna-se menor durante o período seco. Esse fato certamente pode comprometer o consumo de forragem dos animais. Como pode ser visto a quantidade e a qualidade da forragem ingerida são sem dúvida alguma os principais fatores afetando o desempenho dos animais. Conforme pode ser visto na figura 2, a pressão de pastejo influência o ganho de peso por animal. A produção por animal decresce à medida que a pressão de pastejo passa de uma condição de subpastejo para uma condição de pressão de pastejo ótima, que apresenta uma amplitude de variação em função das espécies, das condições edafo-climáticas e do grau de pastejo seletivo. A produção por hectare mostra um aumento muito rápido na medida em que a pressão de pastejo aumenta de uma condição de subpastejo até uma faixa ótima. É importante salientar que havendo disponibilidade de forragem, mesmo que esta não apresente a qualidade ideal, o pastejo seletivo feito pelos animais, permite que os mesmos consumam uma forragem de qualidade razoável. Imaginando um caso extremo de ausência de forragem, não haverá consumo, não havendo consequentemente a produção animal. Este fato é melhor entendido observando se a figura 3, onde fica demonstrado claramente que só haverá produção animal a partir do ponto onde o consumo de forragem supera as exigências de mantença. Um dos principais aspectos que o produtor deve entender é o quanto de forragem consumida pelo animal que é direcionada para suprir as exigências de mantença e aquela que é dirigida para produção (leite, carne e lã). Para a exigência de mantença vai maior parte do alimento consumido pelos animais e portanto devemos procurar otimizar a produção pois quanto menor for a quantidade de forragem oferecida, acima do atendimento de mantença, maior será o consumo de alimento para cada quilograma de leite, carne ou lã produzidos. No quadro 1, pode-se observar mais claramente este fato. Nota-se que para um
  • 11. Analisando este fato, alguns pontos devem ser destacados: a- Se considerarmos o teor de matéria seca do capim como 20%, podemos concluir que um animal ganhando 1,10Kg/dia precisa ingerir 31,7 Kg de forragem para ganhar 1,00 Kg de peso vivo, enquanto se o mesmo animal ganhando 0,25 Kg/dia precisa ingerir 122 Kg de forragem para ganhar 1,00 Kg de peso vivo. Como pode ser visto no exemplo acima, ao contrário do que pensam alguns produtores, o que onera o produto animal, não é manter animais em pastagens com alta disponibilidade de pasto e sim mantê-los com taxas de ganho diário reduzidas e por período de tempo longo. b- Se observarmos, o tempo gasto para o animal com ganho de 0,25 Kg/dia atingir 450Kg de peso vivo (1200 dias) e o tempo necessário para o animal ganhando 1,10 Kg/dia (273 dias) atingir o mesmo peso, notamos que numa condição prática, poderíamos recriar 4,4 animais (1200 dias/273 dias=4,4) com taxa de ganho de 1,10 Kg enquanto se engorda um único animal com taxa de ganho diário de 0,25 Kg/dia. c- Devemos entender que a medida que se eleva o fornecimento de nutrientes acima da exigência de mantença, a eficiência de conversão alimentar também aumenta. Fica claro que sempre que se mantiver os animais em condições de baixa disponibilidade de pasto a eficiência de conversão alimentar será diminuída. d- Mantendo-se animais com maiores taxas de ganho de peso diário, a idade de abate será diminuída, atendendo ao mercado consumidor, que exige total de animais Tempo necessário Requerimento carne (dias) mais jovens e obviamente de melhor qualidade.Matéria seca (Kg) Proteína (Kg) 0,25 1200 7320 652 QUADRO0,50 1- Requerimentos de matéria seca e proteina por um novilho para recria, dos 600 4460 434 0,75 400 3052 310 150 1,10450 Kg de peso vivo. aos 273 1903 224 Adaptado de BLASER e NOVAES (1990) GPD (dias) Embora todas essas colocações feitas acima sejam procedentes, o manejo correto das pastagens envolve outros fatores que não podem ser esquecidos. Infelizmente, numa
  • 12. sempre são viáveis economicamente pois seria necessário suplementar os animais durante boa parte do ano. Não podemos esquecer ainda que sistemas de pastejo intensivo nessa região, se mal executado, levam invariavelmente à degradação do ecossistema, que é bastante frágil. 5. AJUSTE DA PRESSÃO DE PASTEJO Um dos maiores problemas para o manejo das pastagens é o ajuste da pressão de passtejo exercida ao longo dos anos de utilização. Na região nordeste este fato torna-se mais grave pois normalmente se utiliza mais de uma espécie animal nas pastagens, o que dificulta o ajuste da pressão de pastejo. O uso da equivalência de unidade animal (EUA) para ajustar a pressão de pastejo numa determinada área é uma das ferramentas mais utilizadas no mundo e vem sendo desenvolvida de forma que se possa considerar as categorias e espécies animais em pastejo de forma mais comum e uniforme. Vários fatores tem sido propostos como base para a equvalência de unidade animal: peso vivo (PV), peso metabólico (PV0,75), exigência de energia, ingestão de energia, exigência de matéria seca e ingestão de matéria seca. Destacamos entretanto que qualquer um dos fatores utilizados podem apresentar falhas e as particularidades de cada região, fazenda, tipo de pastagens e etc, podem tornar os fatores mais ou menos eficientes. O primeiro fator a ser utilizado para a equivalência de unidade animal foi o PV, onde segundo STODART e SMITH (1955), uma vaca pesando 1000 libras (450 Kg) corresponderia a 1 (uma) unidade animal (UA). Os referidos autores não levavam em consideração o estado fisiológico e a categoria animal. A partir daí passou a se fazer transformações diretas do peso vivo para UA, como por exemplo: 10 ovelhas de 45 Kg de PV = 1 UA ou 1 garrote de 225 Kg = 0,5 UA. Essa transformação não leva em conta se o animal está em lactação ou não, ganhando peso ou apenas se mantendo e o que é mais
  • 13. poderão ser um importante fator de degradação de pastagens e mesmo da baixa produtividade dos rebanhos. Considerando as falhas supra citadas LEWIS et al (1956), propôs que a EUA fosse feita a partir do peso metabólico, sugerindo a seguinte fórmula para transformação: EUA= PV0,75 /4500,75 Se considerarmos esta fórmula para se fazer a EUA de uma ovelha Santa Inês com 45 Kg de PV, teríamos o seguinte resultados: EUA= 450,75 /4500,75 EUA= 17,37/97,70 EUA= 0,18 UA Como pode ser visto, se se comparar o resultado obtido na transformação via peso metabólico, com aquele obtido pela transformação direta do PV, onde 1 UA= 10 ovelhas de 45 Kg ou 0,1 UA, nota se que a transformação direta do PV, subestima o valor de EUA. Desta forma, fica claro que se utilizar a equivalência de unidade animal calculada apenas com o PV animal, pode se exercer uma pressão de pastejo 80% maior do que se deseja, pois onde se deveria colocar 0,1 UA, será colocado 0,18 UA que é o que representaria uma ovelha de 45 Kg de PV. Já a SOCIETY FOR RANGE MANAGEMENT (1974) definiu UA como sendo uma vaca adulta de 450 Kg de PV ou seu equivalente consumindo aproximadamente 12 Kg de matéria seca por dia. Scarnecchia (1985) citado por VALLENTINE (1990) reconhece esta definição como baseada tanto no PV como no peso metabólico, pois foi essencialmente baseado no potencial de ingestão diário ou demanda animal. Este autor concluiu que unicamente a exigência animal por forragem, isto é, o potencial de ingestão, permite comparações dentre as categorias de animais de uma mesma espécie ou de
  • 14. produção e etc. Fica evidente que se excluiu nesta definição as interações pastagem animal e ambiente animal que poderiam afetar o consumo em situações específicas. O que se deve assumir é que o ajuste da pressão de pastejo nas condições do nordeste brasileiro é uma tarefa complexa para técnicos e produtores. Baseado nas dificuldades de se ajustar a pressão de passtejo, principalmente nas condições nordestinas, sugere-se que pelo menos algumas medidas sejam tomadas de imediato: 1- Eliminar o uso de transformações diretas baseadas em peso vivo (Ex: 10 ovelhas (45 Kg de PV) = 1 vaca de 450 Kg de PV), principalmente nas agencias financiadoras de projetos agrícolas. 2- Utilizar o peso metabólico como fator de transformação de equivalência de unidade animal, pelo menos em projetos mais amplos onde maiores detalhamentos são inviáveis. 3- Em propriedades mais organizadas e com melhor nível de gerenciamento, utilizar o peso metabólico e a ingestão de alimento para ajuste mais preciso e seguro. 6. CONSERVAÇÃO DE FORRAGEM COMO FERRAMENTA DE MANEJO DE PASTAGENS Em regiões onde a produção das plantas forrageiras apresentam forte estacionalidade, devido a fatores climáticos, a conservação de forragem para suplementar animais durante o período de escassez torna-se de extrema importancia. Em revisão sobre o assunto, GARDNER e ALVIM (1985) comentam que a lotação animal interage fortemente com a conservação de forragem. Quando a lotação é baixa a forragem disponível está em excesso, podendo ser conservada, porém nem sempre há necessidade. Pela figura 4, pode-se observar que, aumentando se a lotação animal, a quantidade de forragem deixa de ser excessiva, enquanto a necessidade de conservação torna-se cada vez maior (Hutchinson (1971) citado por GARDNER e
  • 15. superados. É de se esperar que em anos de seca não haverá excesso de forragem para ser conservada, a menos que o alimento conservado seja oriundo de áreas irrigadas e não das pastagens. 7. USO DE SUPLEMENTAÇÀO ALIMENTAR COMO FERRAMENTA DE MANEJO DE PASTAGENS Nos últimos anos a suplementação alimentar de animais em pastejo tem sido bastante difundido entre os criadores. Normalmente, são usados suplementos que podem equilibrar nutricionalmente a dieta dos animais, uma vez que as mesmas são compostas por gramíneas tropicais que são caracterizadas por apresentarem baixos conteúdos de energia e proteína. Nas condições do Nordeste brasileiro deve-se admitir que se os animais passarem o período seco em pastagens sem suplementação, não se deve esperar produção, uma vez que o pasto disponível dificilmente fornece nutrientes suficientes para mantença e produção. Segundo CARDOSO (1997), do ponto de vista técnico, a suplementação para animais em pastejo é empregada quando a pastagem apresenta deficiências que impeçam o animal de produzir ou se reproduzir. Há casos extremos onde é necessário que toda a alimentação seja fornecida aos animais para sobrevivência, extrapolando o conceito de suplementação. Uma das condições básicas para se utilizar a suplementação é haver elevada disponibilidade de massa forrageira na pastagem, que normalmente no período da seca é de baixa qualidade. Sendo assim a suplementação atuará aditivamente à dieta, as vezes modificando a condição metabólica ruminal ou do próprio animal e assim melhorando o desempenho dos mesmos. Os suplementos fornecidos aos animais em pastejo podem ser classificados em três grupos: n Suplementos energéticos
  • 16. Sendo assim a decisão sobre que tipo de suplemento deve ser usado depende segundo Lusby e Armbruster (1976) citado por CARDOSO (1997) dos seguintes fatores: conhecer as exigências dos animais, estimar o que está disponível como forragem e fornecer somente os nutrientes necessários para preencher a diferença entre o disponível pela forragem e a exigência nutricional dos aniamis. O principal fator para a decisão da suplementação porém é a relação custo- benefício, que torna a viabilidade da mesma variável de acordo com a região onde se localiza a propriedade. No Nordeste brasileiro, opções como farelo de castanha cajú, sub- produtos da indústria de sucos, dentre várias outras, também viáveis podem ser utilizadas. 8. ESTRATÉGIAS DE MANEJO A SEREM ADOTADAS EM ANOS DE SÊCA Em regiões semi-áridas a ocorrencia de anos secos é uma realidade. Todas as técnicas de manejo de passtagens podem ser comprometidas nesses anos e tal fato dificulta um planejamento de uso das pastagens a longo prazo. SAVILLE (1981) comenta vários procedimentos que poderiam ser adotados para se prevenir dos efeitos deletérios da seca. Baseado nas informações dadas pelo referido autor será feita uma síntese de algumas medidas preventivas e outras emergênciais. 8.1. PREPARO PARA A SECA Muitos fazendeiros, baseado nas suas experiências pessoais ou informações de Instituições de meteorologia, tomam conhecimento de uma provável seca antes da sua caracterização efetiva. Algumas medidas preventivas podem ser tomadas e incluem oss seguintes passos: a) Ajuste da taxa de lotação - Vários aspectos justificam um ajuste na taxa de lotação das pastagens. Se não se fizer um ajuste, o processo de degradação das
  • 17. produtor relutar em descartar animais e no final de uma seca perdê-los, pois a deficiência alimentar é de tal ordem, que culmina na morte de animais. b) Distribuição de pontos d agua - Em muitos casos, onde as opções de aguadas são limitadas, a melhor distribuição das mesmas é um fator que ajuda a contornar alguns problemas, pois o fato dos animais percorrerem longas distancias a procura de água, aumenta o seu gasto energético, que quando em condições de baixo nível alimentar acelera perda de peso dos mesmos. Uma sugestão simples, mas muito funcional é utilizar no início da seca, pastagens mais afastadas dos grandes reservatórios de água. Apenas depois de exauridas todas as outras fontes de água é que se deve iniciar a utilização das pastagens mais próximas destes reservatórios. c) Armazenamento de alimentos - Embora já comentado anteriormente, vale ressaltar que havendo alguma probabilidade de ocorrência de sêca, deve se agilizar o processo de produção e conservação de forragem e armazenamento de outros alimentos. O produtor sempre que possível deve procurar adquirir alimentos no início do período seco quando os preços são mais baixos. Também o uso de subprodutos da agroindústria, é uma boa alternativa, principalmente naquelas fazendas próximas a regiões produtoras. Há que se destacar que como se sugeriu anteriormente, o descarte de animais, antes do início, gera recursos que poderão ser destinados à compra de alimentos que seriam utilizados no período de maior escassez. Outro ponto importante a ser levantado é que a organização de grupos de produtores para se fazer compras de alimentos em conjunto, é uma boa alternativa, até porque, produtores mais organizados forçam o governo a criar políticas mais justas para se combater os efeitos da seca.
  • 18. extrema importancia, uma vez que a ocorrência da seca torna a pastagem mais susceptível à degradação. b) Um mellhor ajuste da pressão de pastejo nas regiões semi-áridas é a técnica mais apropriada para que se obtenha bons índices produtivos de maneira sustentável. É preciso que seja trabalhado a nível de produtor, novas idéias a cerca de produção por unidade de área e se elimine conceitos já arraigados como número total de animais. O produtor precisa de conceber a idéia de que um pequeno número de animais bem alimentados, pode dar mais lucro do que um grande número em estado de subnutrição. c) Embora os produtores esperem que possa surgir um capim milagroso, que se adapte à região semi-árida e dispense técnicas de manejo de pastagens, sabe-se que tal fato jamais ocorrerá. No momento, o melhor caminho que se tem a seguir é manejar bem as gramíneas já existentes, pois apenas com a utilização de técnicas de manejo adequadas pode-se alcançar índices produtivos bastante superiores ao obtidos no momento. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO FILHO, J.A. Manejo de pastagens em regiões semi-áridas. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGENS, 4, 1977, Piracicaba, SP. Anais ... Piracicaba, SP: ESALQ, 1977. p.164-176. BLASER, R.E.; NOVAES, L.P. Manejo do complexo pastagem-animal para a avaliação de plantas e desenvolvimento de sistemas de produção de forragens. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 27, Campinas, 1990. Anais ....Piracicaba, FEALQ, 1990. P. 157-205. BLASER, R.E. Integrated pasture and animal management. Tropical Grassland. 16: 9- 16, 1982. CARDOSO, E.G. Suplementação de bovinos de corte em pastejo (semiconfinamento). In: SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO ANIMAL, 9, Piracicaba, 1997. Anais...
  • 19. CORSI, M. Espécies forrageiras para pastagens. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM, 3, Piracicaba, 1976. Anais.. Fealq, Piracicaba,1976. P. 5-36. DUQUE, J. G. O nordeste e as lavouras xerófilas. Mossoró: Escola Superior de Agricultura de Mossoró - Fundação Guimarães Duque, 1980. 316p. EUCLIDES, V.P.B., ZIMMER, A.H., VIEIRA, J.M. Equilíbrio na utilização de forragem sob pastejo. In: SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMAS DE PASTAGENS, 1989, Jaboticabal, SP. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p. 271-313. FORBES, T.D.A. Researching the plant-animal interface: the investigation of ingestive behavior in grazing animals. J. Anim. Sci., 66:2369-2379, 1988. GARDNER, A.L.; ALVIM, M.J. Manejo de pastagem. Documento 19, EMBRAPA, Coronel Pacheco, 1995. 54 p. HUMPHREYS, L.R. Tropical pasture utilisation. New York: Cambridge University, 1991. 206p. LACEY, J.R.; VAN POOLEN, H.W. Grazing system identification. Journal of Range Management. 32: 38-39. 1979. LEWIS, J.K. Tentative classification of grazing systems. Society for Range Management. Abstracts Papers. 36:231, 1983. LEWIS, J.K.; VAN DYNE, G.M.; LESLIE, R. A.; WHETZEL, F.W. Intensity of grazing: Its effects on livestock and forage production. South Dakota Agricultural Experimental Sta. Bulletin. 459. 44p. LIRA, M. de A.; FARIAS, I.; SANTOS, M.V.F. dos Alimentação de bovinos no Nordeste - Experimentação com forrageiras e pastagens. In: SIMPÓSIO NORDESTINO DE ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES, João Pessoa, 1990. Anais... João Pessoa: SNPA/UFPB, 1990. p.108-133. MANNETJE, L., JONES, R.J., STOBBS, T.H. Pasture evaluation by grazing experiments. In:. Tropical pasture research: principles and methods. Hurley: CAB, 1976. p.194-234. MANNETJE, L.; JONES, R.J.; STOBBS, T.H. In: Tropical pasture research: Principles and methods, Farnham Royal, CAB, 1976. p. 194-250. (CAB. Bulletin, 51). MARASCHIN, G.E. Avaliação de forrageiras e rendimento de pastagens com o animal em pastejo. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FORRAGICULTURA, Maringá, 1994. Anais.. SBZ-UEM, 1994. P. 65-98. MARASCHIN, G.E. Sistemas de pastejo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS, Piracicaba, 1986. Anais... Fealq, Piracicaba, 1986. P.261-290. MERTENS, D.R. Regulation of forage intake. In: Forage quality, evaluation, and utilization. Madison: American Society of Agronomy, 1994. p. 450-493. MINSON, D.J. Forage quality: assessing the plant-animal complex. In: INTERNATIONAL GRASSLAND CONGRESS, 15, 1981, Kentucky. Proceedings ... Kentucky: [s.n.], 1981a. p. 23-29.
  • 20. MORLEY, F.H.W. Grazing animals. Elsevier, New York, 1981, p.335-348. RIEWE, M.E. Manejo del pastoreo fijo o variable en la evaluación de pasturas. In: Evaluation de pasturas com animales. CIAT, P.61-84. 1985. RODRIGUES, L.R.A.; REIS, R.A. Conceituação e modalidades de sistemas intensivos de pastejo rotacionado. IN: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM: Fundamentos do Pastejo Rotacionado, 14, Piracicaba,1997. Anais... Piracicaba, 1997. P. 1-24. SAVILLE, D.G. Management and feeding of grazing animals during drought. In: Grazing animals. Elsevier, New York, 1981, p.335-348. SOCIETY FOR RANGE MANAGEMENT. A glossary of terms used in range management. 2° ed. Society for Range Management, Denver, Colorado. 36p. STOBBS, T. H. The effect of plant structure on the intake of tropical pastures. II. differences in sward structure, nutritive value, and bite size of animals grazing Setaria anceps and Chloris gayana at various stages of growth. Aust. J. Agric. Res., 24:821- 829, 1973. STOBBS, T.H. Automatic measurement of the grazing time by dary cows on tropical grass and legume pastures. Trop. Grassl., 4:237-244, 1970. STOBBS, T.H. Rate of biting by Jersey cows as influenced by yield and maturity of pasture swards. Trop. Grassl., 8: 81-86, 1974. STOBBS, T.H. The effect of plant structure on the intake of tropical pastures. III. influence of fertilizer nitrogen of the size of bite harvested by jersey cows grazing Setaria anceps cv. kazungula swards. Aust. J. Agric. Res., 26:997-1007, 1975. STODART, L.A.; SMITH, A. D. Range management. McGraw-Hill, New York, 1955. 532p. THOMAS, D.; ROCHA, C.M.C. Manejo de pasturas y evaluación de la produccion animal. In: Evaluation de pasturas com animales. CIAT. 1985. p. 43-59. VALLENTINE, J.F. Grazing management. Academic Press, 1990. 533 p.