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Como fazer resumos

  1. 1. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010 GÊNERO RESUMO ACADÊMICO: CONFIGURAÇÃO E FUNCIONAMENTO Andréa Lourdes Ribeiro – Doutoranda UFMGResumo O resumo é uma das atividades mais pedidas pelos professores universitários. No entanto, hámuitas dúvidas quanto a sua produção tanto por parte dos docentes quanto dos discentes. Isso porque,conforme RIBEIRO (2003), esse gênero encontra-se em construção no imaginário de sua comunidadediscursiva. Assim o objetivo desse trabalho é descrever a configuração e o funcionamento do resumo comoatividade acadêmica, o resumo acadêmico. Para tal será preciso traçar primeiro um panorama dos diferentesresumos que circulam no contexto acadêmico para em seguida aprofundar o conhecimento sobre a produçãodesse gênero. Para realizar esse estudo contarei com as contribuições da teoria dos gêneros do discurso deBAKHTIN (1992), retomada por BRONCKART (1999); da heterogeneidade enunciativa proposta porAUTHIER-REVUZ (1982), da Teoria da Enunciação revista por CHARAUDEAU (1983) e dos estudossobre as atividades de retextualização de MARCUSCHI (2001),.IntroduçãoMuitos professores universitários solicitam a seus alunos atividades de resumo com o propósito não só deintegrá-lo nas práticas discursivas do meio acadêmico mas também de oferecer-lhe a apropriação deconceitos necessários à sua formação. Apesar disso, o gênero resumo não possui uma uniformidadeconceitual e terminológica por parte dos professores e também dos alunos.Situando o gênero numa perspectiva sócio-interacionista, é possível compreender que a sua produçãoenvolve duas ações de linguagem distintas e complementares: uma atividade de leitura e compreensão dotexto-fonte (doravante TF) seguida de uma atividade de escrita. A produção de um resumo acadêmico é um tipo específico de retextualização que deve considerar ascondições de produção, recepção e circulação do TF assim como os da própria retextualização, tal comoafirma MATÊNCIO (2003, p.9) “a ação de resumir pressupõe selecionar macroproposições, relacioná-lasem função dos propósitos atribuídos ao autor do texto-base ou dos propósitos de uma nova proposição.”Também para produzir um resumo acadêmico é preciso conhecer a configuração e o funcionamento dessegênero, objetivo dessa pesquisa. Para realizar esse objetivo serão analisados cento e vinte resumos acadêmicos coletados em situação realde uso1. A investigação fará um levantamento das estratégias usadas para configurar o resumo acadêmicoatravés da observação da macroestrutura do corpus essa análise permitirá também traçar um panorama geraldo funcionamento discursivo desse gênero na prática acadêmica. 1 Os resumos em referência foram produzidos como atividade avaliativa da disciplina Introdução aos Estudos Lingüísticos ministrada pela professora Costa Val, no 2o. semestre de 2002, na FALE/UFMG.
  2. 2. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010 1. Noção teórica de gênero textual A comunicação humana é realizada através de formas textuais concretas presentes empiricamenteno cotidiano tais como receita culinária, telefonema, carta, romance, manuais de instrução, bula deremédio, lista telefônica, outdoor, etc. Essas formas são denominadas de gêneros. De acordo comBAKHTIN (1979) “os gêneros são padrões comunicativos socialmente utilizados, que funcionamcomo uma espécie de modelo comunicativo global que representa um conhecimento social localizadoem situações concretas” Embora os gêneros sejam definidos como “formas mais ou menos estáveis de enunciados” (cf.BAKHTIN, 1992, p.279), os textos pertencentes a eles podem apresentar-se bastante heterogêneoscom relação aos tipos textuais2 que comportam. Assim para definir um gênero é preciso considerar ospapéis de seus enunciadores e receptores, as funções e objetivos do evento comunicativo e o modeloestrutural através do qual o gênero se realiza lingüicamente. Por serem os gêneros meios sócio-historicamente construídos para realizar objetivos comunicativos, aapropriação dos gêneros torna-se um mecanismo fundamental de socialização, de inserção prática nasatividades comunicativas humanas (cf. BRONCKART, 1999, p.103). 2. Gênero resumo – algumas definições Prática acadêmica cada vez mais difundida no ensino superior, o gênero resumo, no entantoenfrenta na universidade uma confusão conceitual e terminológica tanto por parte dos docentes comodos discentes. Essa pesquisa procurou primeiro identificar a perspectiva de resumo encontrada em livros demetodologia científica que têm como função orientar os universitários quanto ao uso de algumasnormas na elaboração de trabalhos acadêmicos. Um dos autores pesquisados, SALVADOR(1978:17-19), ao discutir métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica, define o gênero como umaapresentação concisa e freqüentemente seletiva do texto de um artigo, obra ou outro documento,pondo em relevo os elementos de maior interesse e importância. Com relação aos objetivos, o autorclassifica o resumo em três categorias, relacionadas ao tipo de informação que divulgam: (i) resumoinformativo, que contém todas as informações apresentadas no DF, dispensando assim a leitura desse; 2 Essa pesquisa entende tipos textuais como constructos teóricos historica e lingüisticamente definidos
  3. 3. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010(ii) resumo indicativo, que não dispensa a leitura do texto, uma vez que apenas descreve a natureza, aforma e o propósito do escrito; (iii) resumo crítico, também chamado de resenha crítica, que formulajulgamento sobre o trabalho que é resumido. Já MEDEIROS (1991:61) em consonância com a norma NBR 60283 também define o resumo comouma apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto. Diferentemente do autor citado,Medeiros avança ao esclarecer para seu leitor não só a finalidade do resumo - apresentar comfidelidade as idéias do texto (...), visando fornecer elementos que dispensem a consulta do textooriginal (p.61) - mas também comentários sobre o estilo - assegurar ao leitor que o texto foientendido e convertido a uma linguagem própria (p.64) - e sobre as técnicas para elaborar o resumoque são de ordem estrutural, tais como: o uso da referência bibliográfica, a progressão das idéiasapresentadas, a correlação entre as partes (grifos meus). Pelo que se pode ver, Essas definições de cunho estruturalista ocupam-se apenas em definir ogênero sem contudo orientar seus leitores para o processo de produção. Dessa maneira rever o conceitodo resumo no interior da Teoria da Enunciação torna-se fundamental para compreender esse gênerocomo uma ação de linguagem.. 3. Revendo o conceito de resumo Ao pesquisar sobre as práticas de linguagem nos gêneros escolares, SCHNEUWLY e DOLZ (1999)4 revelam que a cultura do sistema escolar define o resumo como uma representação reduzida do texto que será resumido, sendo o problema de escrita reduzido a um simples ato de transcodificação da compreensão do texto (p.14). Pensando o gênero resumo como resultante de uma ação comunicativa, esses autores enfatizam que a escola não considera o gênero resumo como uma “transmissão” de um discurso existente em função de um novo receptor e outro objetivo. A escola também não percebe essa prática como um exercício de retextualização 5 que deixa traços lingüísticos específicos no texto (p.14). Enfocando o gênero resumo a partir do seu contexto de produção, MACHADO (2002), adotando as categorias do interacionismo sócio-discursivo de BRONCKART (1999), acredita que a análise do contexto de produção de um texto é um auxiliar poderoso na classificação desse como pertencente ou não a um determinado gênero. Da mesma maneira que BRONCKART (1999), a 3 De acordo com as normas da ABNT 4 Esses autores concentram seus estudos no nível fundamental de ensino do sistema escolar francês. 5 o termo retextualização é adotado nessa pesquisa como
  4. 4. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010autora define o contexto de produção como constituído pelas representações interiorizadas pelosagentes sobre o local e o momento da produção, sobre o emissor e o receptor considerados do pontode vista físico e de seu papel social, sobre a instituição social onde se dá a interação e sobre oobjetivo ou efeito que o produtor quer atingir em relação ao seu destinatário. Essas são algumas das pesquisas que tentam (re)definir o gênero resumo considerando-otanto como exercício de leitura como de produção de escrita, atividades para as quais estãoimplícitas duas situações de ação de linguagem distintas. 4. Diferentes resumos nas práticas acadêmicas Na prática acadêmica a ação de resumir recobre diferentes realidades, apresentando por isso diferentes macroestruturas. MATÊNCIO (2003, p.8) ao empreender um estudo do resumo como atividade de retextualização nas práticas acadêmicas descreve algumas das formas do resumo definidas de acordo com a função que exercem: (i) resumos envolvidos no processo de elaboração de pesquisa que têm a função de mapear um campo de estudo integrando a discussão do estado da arte; (ii) resumos colocados geralmente antes de um texto científico (artigos, dissertações, teses) que têm a função de apresentar e descrever o modo de realização do trabalho ao qual se refere, os résumés ou abstracts. Ainda de acordo com a autora, o primeiro tipo de resumo “implica num alto grau de subordinação” ao TF já que permite ao leitor recuperar as macroproposições desse. Já os résumés ou abstracts não se preocupam em descrever a estrutura do TF, mas o modo de realização do trabalho científico. Para ela (p.9) esses diferentes resumos poderiam ser entendidos como estando num continuum que vai dos que se aproximam mais do TF até aqueles que apenas se referem brevemente a ele. Embora não considerados por MATÊNCIO (2003), há os resumos que encerram capítulos ou seqüências de informação em livros de divulgação científica6. Esses resumos têm a função de finalizar a reflexão de um determinado tema, além de agrupar e ressaltar as macroproposições da parte resumida. Esses resumos também implicam num alto grau de subordinação com o TF. É nesse contexto que se insere um outro tipo de resumo: o resumo acadêmico. Esse subtipo têm a função de integrar o aluno nas práticas discursivas do meio acadêmico (cf. MATÊNCIO, 2003), além de oferecer-lhe a apropriação dos conceitos necessários à sua formação, quanto ao professor, esse gênero serve como instrumento de avaliação que lhe permite garantir a leitura, verificar e avaliar a compreensão do aluno sobre o TF. 6 Ver se KATO, M. No mundo da escrita (p.30, 40) e CHIAVENATO, I. Teoria geral da Administração (p.47,84) são textos científicos ou de divulgação científica?
  5. 5. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010 A produção de um resumo acadêmico compreende igualmente uma atividade de leitura eoutra posterior de escrita. Para produzir o resumo acadêmico primeiro é necessário que o alunocompreenda o TF, uma vez que resumir “pressupõe selecionar macroproposições, relacioná-lasem função dos propósitos atribuídos ao autor do texto-base ou dos propósitos de uma novaproposição.” (MATÊNCIO:2003, p.9). A atividade de escrita de um RA envolve a elaboração deum novo texto, isto é, uma retextualização. Por isso não basta apenas compreender e selecionaras macroproposições do TF, para produzir um resumo acadêmico é preciso também conhecer aconfiguração e o funcionamento discursivo desse gênero.5. Configuração do gênero resumo acadêmico A elaboração de resumo é uma das propostas didáticas mais freqüentes do meio acadêmico.Ao transformar um texto em um outro, o resumo acadêmico, o aluno realiza uma retextualização(cf. MARCUSCHI 2001), ou seja, empreende uma série de operações textuais-discursivas natransformação de um texto em outro. Para o autor (p.46), a retextualização não é um apenasprocesso mecânico, ela “envolve operações complexas que interferem tanto no código como nosentido”. Assim retextualizar envolve tanto as relações entre os gêneros e textos –intertextualidade – quanto relações entre discursos – a interdiscursividade. Para realizarem a atividade de resumir com sucesso, os alunos precisam considerar os papéisde seus enunciadores e receptores, as funções e objetivos do evento comunicativo e o modeloestrutural através do qual o gênero se realiza lingüisticamente, produzindo assim resumoscoerentes, coesos, que mantenham o princípio de equivalência semântico-pragmática com o TF eque estejam de acordo com as especificidades desse gênero. Mas quais são as particularidades do resumo acadêmico? O primeiro aspecto observado no corpus são as estratégias empregadas na produção dogênero resumo acadêmico:Gráfico 1: Estratégias de produção do resumo acadêmico copiaram 25% 35% parafrasearam copiaram e 18% parafrasearam 22% resumiram
  6. 6. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010 A estratégia mais utilizada foi a de “copiar e colar” trechos considerados relevantes doTF. A estratégia de resumir foi a segunda mais usada, embora a maioria desses textos ofereçamproblemas de coerência, coesão e fidelidade às proposições do TF. Outro aspecto observado na configuração macroestrutural do corpus é a ancoraragemtextual-discursiva do resumo acadêmico ao TF. Essa ancoragem é responsável por indicar noresumo acadêmico a “dependência” que esse tem com o TF que o origina:Gráfico 2: Estratégias de referência ao TF sem referência 2% título 2% 31% título alterado 5% 60% título e referência bibliográfica expressões disc. Relatado Como se viu, para a maioria dos produtores é suficiente sinalizar com o título a referênciaao TF. Tal decisão encontra respaldo na situação de produção do resumo acadêmico queacreditam por estar compartilhada com a professora dispensa a referência ao TF. Já uma pequenapercentagem dos alunos demonstra a inserção nas práticas acadêmicas ao marcar a relação com oTF através da referência bibliográfica. A falta de identificação do TF gera como conseqüência para o gênero resumo acadêmicouma descaracterização de seu funcionamento discursivo como veremos a seguir.6. Funcionamento discursivo do gênero resumo acadêmico Preocupada em enfatizar a dimensão enunciativa da produção textual, AUTHIER-REVUZ (1982) entende que todo discurso é constituído de outros, fenômeno que a autoradenomina heterogeneidade. Ainda segundo a autora, há dois tipos de heterogeneidade: aconstitutiva e a mostrada. A constitutiva remete aos processos reais de formação de um discurso,que constitui-se pela apropriação de outros. A heterogeneidade mostrada tem a função deevidenciar esses outros discursos, de forma marcada, através do uso de recursos lingüísticos tais
  7. 7. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010como aspas, travessões, parênteses e outros que indiquem citação, metadiscursos, etc., ou deforma não-marcada, a qual pode ser inferida de figuras tais como a metáfora, a ironia, doemprego de estratégias discursivas como perguntas retóricas, pastiches, paródias, ou depressupostos. Em estudo posterior, AUTHIER-REVUZ (1998) caracteriza o funcionamento discursivode alguns textos do gênero de divulgação científica, inscritos num conjunto que compreende oresumo. Para a autora, a ação comunicativa desses gêneros apoia-se num trabalho que envolveuma ação comunicativa anterior de leitura e interpretação do TF, e outra na qual se segue umprocesso de produção de um novo texto, a retextualização, que emprega as estratégias própriasdo discurso relatado. Tal processo de produção caracteriza o gênero resumo como umamodalidade muito particular, que estabelece no texto produzido a menção da enunciação do TF ea da sua própria enunciação, colocando-o face a face com o TF, no entanto, ressalta AUTHIER-REVUZ (1998:110), em uma posição distanciada que é incompatível com a idéia de cópia. Essesdois atos comunicativos caracterizam a dupla estrutura enunciativa inerente ao resumo. Para entendermos essa dupla estrutura enunciativa recorro aos estudos deCHARAUDEAU (1983). O autor considera todo ato de linguagem como resultante dacombinação de dois componentes: o verbal7 e o situacional8. Esse processo de troca linguageira éregido por um Contrato de Comunicação que se realiza em dois níveis: o nível situacional ouespaço externo e o nível comunicacional ou espaço interno das trocas linguageiras. No espaçoexterno se encontram: (i) o sujeito comunicante EUc, parceiro que tem a iniciativa do processode produção, dotado de uma identidade e de um estatuto, e (ii) o sujeito interpretante TUi,igualmente dotado de identidade e estatuto é o responsável pelo processo de interpretação. Noespaço interno se encontram os seres de fala da enunciação do dizer: (i) o sujeito enunciadorEUe que se dirige a um (ii) sujeito destinatário TUd. Esses últimos, seres de fala, assumemdiferentes papéis, que lhes são atribuídos por EUc e TUi parceiros do ato de linguagem emfunção de sua relação contratual. O quadro 01 representa a superposição dos dois Contratos de comunicação envolvidos naprodução do resumo acadêmico: o Contrato1 retrata o TF e o Contrato2, o produto daretextualização.Quadro 01 Contrato de comunicação27 O verbal é entendido na teoria de CHARAUDEAU como a língua8 O situacional na mesma teoria refere-se ao material psicossocial que determina e define o comportamento dos seres enunciadores considerados então como atores sociais e sujeitos-comunicativos interpretantes.
  8. 8. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010 Nível situacional2 → Espaço externo Nível discursivo2 → Espaço interno Contrato de comunicação1 Nível situacional1 → Espaço externo Nível discursivo → Esp. interno EUc2 EUe2 EUc1 EUe2 EUe1 ←→ TUd1 TUd2 TUi1 TUd2 EUc2 Através dele é possível vislumbrar a dupla encenação discursiva inerente ao resumo, ouseja, a presença de mais de um sujeito enunciador o que evidencia a pluralidade enunciativa daqual o gênero resumo acadêmico é produto. Essa pluralidade pode encontrar-se marcada ou não lingüisticamente nos resumosacadêmicos, o que será investigado em outra oportunidade.7. Conclusões A análise do corpus analisados permitiu-me verificar que a maioria dos alunos construiuresumos que são uma minituarização do TF utilizando para tal a estratégia de cópia/colagem deproposições que consideraram “significativas”. O uso predominante dessa estratégia no fazaventar duas hipóteses: a primeira é que esses produtores repetem ipsis verbis o TF poratribuírem ao discurso científico um caráter de verdade absoluta e a segunda por desconheceremcomo abordar as informações lidas. Apenas uma percentagem pequena utilizou a referência bibliográfica, muitas vezesincompleta, para marcar a ancoragem discursiva. A marcação da referência ao TF através doemprego do título foi a estratégia mais empregada no corpus.. Esse “apagamento” geraconseqüências pragmáticas para o resumo acadêmico que perde a “dependência” que esse temcom o TF que o origina, eleva o leitor a tomar o aluno-produtor como responsável pelasproposições enunciadas. O emprego de estratégias variadas e em proporções diferentes, a não marcação daancoragem discursiva na produção do resumo acadêmico demonstra que os seus produtores não
  9. 9. “Oficinas de Produção de Textos II” - 2010dominam o saber fazer dessa prática discursiva inserida no domínio científico, sendo por issonecessário aprofundar essa pesquisa na busca de mais elementos que permitam traçar um quadromais completo da configuração e do funcionamento discursivo do gênero resumo acadêmico.8. BibliografiaAUTHIER-REVUZ, Jacqueline.1982. Hétérogénéité montrée et hétérogénéité constitutive:élements pour une approche de l’autre dans le discours. DRLAV 26, p.__________. Palavras incertas: as não- coincidências do dizer. Campinas: Unicamp.BAKHTIN, Mikhail. 1929. Marxismo e filosofia da linguagem. Sp:Hucitec Annablume. 1992.BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismosócio-discursivo. Trad. Anna Rachel Machado, Pericles Cunha. SP:EDUC, 1999CHARAUDEAU, Patrick.1983.Langage et discours: élements de sémiolinguistique. Paris:Hachette.MACHADO, Anna Rachel.2002. Revisitando o conceito de resumos. In: Dionisio, Angela Paivaorg. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, p.138-150.MARCUSCHI, Luiz Antônio. 2001. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.SP:Cortez.MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos,resenhas.SP:Atlas, 1991.MATÊNCIO, Ma. de Lourdes Meirelles. Atividades de (re)textualização em práticasacadêmicas: um estudo do resumo. 2003 (no prelo)RIBEIRO, Andréa Lourdes. Resumo acadêmico: um gênero constituído ou em construção?.2003 (no prelo)SALVADOR, Ângelo Domingos. 1978. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. PortoAlegre: Sulina.SCHNEUWLY, Bernard & DOLZ, Joaquim. 1999. Os gêneros escolares: das práticas delinguagem aos objetos de ensino. In: Revista Brasileira de Educação, nº 11, p.5-16.SEVERINO, Antônio Joaquim. 1986. Metodologia do trabalho científico. SP: Cortez, 14ºedição.

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