AULA FREINET

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AULA FREINET

  1. 1. TENDÊNCIA ROMÂNTICA NA EDUCACÃO INFANTIL <ul><li>Surgimento: Século XVIII – </li></ul><ul><li>Liberalismo, mudanças na organização social, pesquisas sobre o desenvolvimento infantil. </li></ul>
  2. 2. Escolanovismo (séc. XIX-XX): <ul><li>valorização das necessidades e interesses da criança; caráter lúdico e natural na aprendizagem, mais importante que a transmissão dos conteúdos. O Currículo passa a ser centrado nas Atividades , essencialmente lúdicas. </li></ul>
  3. 3. Principais representantes da tendência romântica na Educação Infantil : <ul><li>Friedrich Fröebel (1782-1852): evolução natural da criança; importância do simbolismo; atividades espontâneas e construtivas; currículo por atividades lúdicas. </li></ul><ul><li>Ovide Decroly (1871-1932): caráter Global da atividade infantil e a globalização do ensino. Necessidade e interesse – impulsos para o conhecimento. Organização do ensino a partir de Centros de Interesse. A sala de aula não se resume à escola e o tempo das atividades deve ser flexível, de acordo com o centro de interesse. </li></ul>
  4. 4. Maria Montessori (1870-1952): <ul><li>Pedagogia fundamentada na psicologia experimental e na filosofia oriental. Diretrizes centrais: </li></ul><ul><li>Importância da escola ativa. A criança “absorve” o meio; </li></ul><ul><li>Noção de silêncio e autocontrole; </li></ul><ul><li>Progressão: controle de si, das coisas e respeito ao outro; </li></ul><ul><li>Adaptação do mobiliário e material didático à aprendizagem nas diferentes áreas (sensorial, linguagem, matemática, vida prática etc.). O material escolar deve ser autocorretivo, graduado, separado por tarefas e explorado em três etapas: informação, reconhecimento e fixação do vocabulário. </li></ul>
  5. 5. TENDÊNCIA COGNITIVA . A educação deve favorecer o desenvolvimento cognitivo <ul><li>Principal representante: Jean Piaget (1896-1980) </li></ul><ul><li>A Epistemologia Genética parte dos seguintes pressupostos: </li></ul><ul><li>O interacionismo organismo/meio, dado através da organização (assimilação) e da adaptação ao meio (acomodação). </li></ul><ul><li>O Construtuvismo Seqüêncial: ocorrência dos estágios evolutivos – sensório motor; simbólico ou pré-operacional; operatório concreto e operatório abstrato (lógico formal). Este processo é influenciado pelos fatores de maturação; exercitação; aprendizagem social e equilibração. </li></ul>
  6. 6. PRESSUPOSTOS DA TENDÊNCIA COGNITIVA <ul><li>Compete à educação possibilitar o desen-volvimento pleno, amplo e dinâmico da criança, desde seu período sensório-motor. A escola deverá considerar seus esquemas de assimilação, propondo conflitos cognitivos e reequilibrações sucessivas, assim favorecendo a contrução do conhecimento Quanto aos conteúdos trabalhados no currículo, não devem ser fragmentados mas sim interdisciplinares. </li></ul>
  7. 7. PRINCÍPIOS DA TEORIA PSICOGENÉTICA <ul><li>1 – Ação, início de tudo, observando os esquemas da criança; </li></ul><ul><li>2 – Representação das atividades pela criança (semiótica); </li></ul><ul><li>3 – Interação. Atividades em grupo; </li></ul><ul><li>4 – Organização, resultante das atividades </li></ul><ul><li>5 – Dificuldades e problemas, forma de instigar a criança; </li></ul><ul><li>6 – Expectativas positivas sobre a criança </li></ul><ul><li>7 – Integração das diferentes áreas do conhecimento </li></ul>
  8. 8. A TENDÊNCIA CRÍTICA NA EDUCACÃO INFANTIL E A PEDAGOGIA FREINET <ul><li>Célestin Freinet (França, 1896-1966) foi um professor primário que realizou importantes avanços e conquistas no espaço da educação destinada às crianças, nela destacando princípios, técnicas, instrumentos, a sua função social e política. </li></ul>
  9. 9. Os Princípios Freinetianos <ul><li>A Livre Expressão </li></ul><ul><li>O Tateamento Experimental </li></ul><ul><li>A Cooperação </li></ul><ul><li>A Educação do Trabalho </li></ul><ul><li>O Ambiente Natural </li></ul>
  10. 10. O tateamento experimental <ul><li>É a caminhar que a criança aprende a andar; é a falar que aprende a falar; é a desenhar que aprende a desenhar. </li></ul><ul><li>C. Freinet. O Método Natural I – A aprendizagem da língua. </li></ul>
  11. 11. As etapas do tateamento infantil <ul><li>Freinet assinala, em Ensaio de Psicologia Sensível, três períodos aos quais atribuir-se-ão diferentes atividades dirigidas às crianças, acompanhadas necessariamente de seus tateamentos: </li></ul><ul><li>Período de exploração tateada. Ocorre no primeiro ano de vida, caracterizando-se melhor enquanto a primeira fase de contatos e de experimentação sensorial com o mundo em volta dela; </li></ul>
  12. 12. As etapas do tateamento infantil <ul><li>Período de arrumação. Do primeiro até os quatro/cinco anos. Nele a criança já se tornou capaz de aprofundar seus tateamentos, em torno de suas necessidades mais imediatas, dos mistérios do mundo que a cerca, podendo inclusive realizar pequenos trabalhos, que não exijam maior concentração ou desgaste de energias; </li></ul><ul><li>Período do trabalho. Após os cinco/seis anos. A criança sai do ninho, em busca de espaço. Começa então a realizar atividades que não satisfazem apenas suas necessidades funcionais como levam-na a dominar o meio e a aumentar a sua potência. </li></ul>
  13. 13. A Livre Expressão e o Texto Livre <ul><li>As condições materiais da liberdade </li></ul><ul><li>A tradição escolástica não confia na criança. Entende que é necessário orientá-la nos assuntos que deve exprimir ou desenvolver, razão porque requer que ela escreva redação com assunto livre, que muitas vezes é mesmo sugerido. A liberdade do texto tem de ser concreta, definida de modo materialista, sob vários aspectos : </li></ul><ul><li>Topicamente – a criança escreverá onde quiser. </li></ul><ul><li>Temporalmente - quando e quantas vezes quiser. </li></ul><ul><li>Quanto a seu suporte e seus instrumentos – não tem que ser feito num determinado veículo ou utensílio obrigatório de escrita. Contribui assim para desescolarizar a prática da escrita. </li></ul><ul><li>Graficamente – o texto não deve ter limite de tamanho, do tipo de letra, ficando assim livre tanto no plano epistêmico como no psicológico. </li></ul>
  14. 14. O Texto Livre O texto livre não é um apêndice do trabalho escolar mas parte de um conjunto de práticas. Ele integra a categoria da expressão livre, a qual inclui desenho, dança, teatro, música etc. Todas estas práticas estão interligadas, sendo o texto livre a faísca, o motor de arranque. “O texto livre não subsiste sozinho”. É um elemento central de uma práxis totalizante. Contempla não apenas o social como também o individual. “Na pedagogia Freinet é o mais social que garante o mais pessoal.” A liberdade do texto reside no modo de socialização a que é facultada a sua prática.
  15. 15. A Cooperação – elemento integrativo e formativo na Pedagogia Freinet <ul><li>A criança deve inserir-se e participar ativamente no seu meio social; </li></ul><ul><li>Freinet compreendeu o valor de formar hábitos de convivência social que rompam com o individualismo e a competição capitalista; </li></ul><ul><li>A cooperação é construída não através de discursos mas da vivência de práticas materializadas no trabalho desenvolvido dentro do espaço educacional e social. </li></ul><ul><li>A constituição de valores, de uma ética junto aos educandos, será produto dessa vivência cooperativa partilhada no trabalho. </li></ul>
  16. 16. O trabalho enquanto princípio educativo na Pedagogia Freinet <ul><li>Há trabalho todas as vezes que a atividade - física ou intelectual - suposta por esse trabalho atende a uma necessidade natural do indivíduo e proporciona por isso uma satisfação que por si só é uma razão de ser. Caso contrário, não há trabalho mas serviço, tarefa que se cumpre apenas por obrigação - o que é totalmente diferente. </li></ul><ul><li>Vocês costumam afirmar : instruir-se para poder trabalhar com eficácia. Invertemos o problema, e digo-lhes por quê : trabalhar eficazmente para se instruir, se enriquecer, se aperfeiçoar, se elevar e crescer. </li></ul><ul><li>(FREINET,C. A educação do trabalho. p. 316;381) </li></ul>
  17. 17. A função do trabalho e sua organização <ul><li>Elevar o trabalho ao lugar de honra que lhe reconhecemos na educação, será esse o complemento de nossa grande revolução pedagógica. E ai está, junto com a reorganização técnica que se deve empreender, toda uma reputação para se refazer. (A educação do trabalho. p. 303) </li></ul><ul><li>Desejamos a educação pelo trabalho, uma cultura que resulte da atividade laborativa das próprias crianças, uma ciência filha da experiência, um pensamento constantemente determinado pela própria matéria e pela ação. (Para uma escola do povo. p. 74). </li></ul><ul><li>Trabalho e “Centros de interesse” - A nossa escola do trabalho está no centro da própria vida e condicionada pelas múltiplas e diversas motivações desta vida. Caberá às crianças escolherem aquilo que lhes convenham. (idem. p. 108) </li></ul>
  18. 18. Trabalho e materialismo pedagógico <ul><li>A nossa preocupação fundamental, sem a qual os nossos complexos só existiriam no papel, reside no nosso esforço prévio por tornar possível o trabalho efetivo da criança. É sobre esta base material e técnica que assenta todo o nosso sistema educativo. </li></ul><ul><li>Trata-se de um retorno à base materialista de todo o nosso sistema educativo (...) A eficiência intelectual, moral e social da vossa educação não é condicionada exclusivamente, como nos quiseram fazer crer durante muito tempo, pela personalidade do educador ou pelo valor mágico de um método. É função do material utilizado, da perfeição desse material e da organização técnica do trabalho. (A educação do trabalho. p.117; 118-119) </li></ul>
  19. 19. Uma pedagogia político-social <ul><li>Objetivos da educação. Segundo o modelo da realização capitalista, pais e sociedade não se preocupam com a formação dos filhos mas apenas com a instrução que os prepare para o mercado competitivo – concepção demasiado utilitária da cultura. Outra preocupação existente na sociedade está ligada à conservação do modelo político, requisitando que a escola prepare as crianças para um futuro mais imediato e não menos oportunista do que faz a indústria. Ante estas duas concepções interesseiras, que não respeitam a criança, definimos o verdadeiro objeto da educação : a criança deverá desenvolver ao máximo a sua personalidade no seio de uma comunidade racional que ela serve e que a serve. Dessa forma ela cumprirá o seu destino e se elevará a dignidade do homem, que assim se prepara para trabalhar eficazmente quando adulto. Isto é apenas um ideal, porém não supérfluo, bem como necessário para os educadores serem sempre por ele iluminados. (FREINET, C. Para uma escola do povo.). </li></ul>
  20. 20. Proposta política freinetiana <ul><li>Rejeitamos a ilusão de uma educação que se satisfaça a si mesma à margem das grandes correntes sociais e políticas que a condicionam. </li></ul><ul><li>A educação é um elemento, mas nada mais que um elemento de uma revolução social necessária. O contexto social e político, as condições de trabalho e de vida tanto dos pais quanto das crianças influenciam, de uma forma decisiva, a formação das jovens gerações. Precisamos mostrar aos educadores, aos pais e a todos os amigos da escola a necessidade de lutar social e politicamente ao lado dos trabalhadores, para que o ensino laico possa cumprir sua função educativa insubstituível. Nesta perspectiva, os que partilham dos ideais da escola moderna procurem agir em conformidade com suas preferências ideológicas, filosóficas e políticas para que as exigências da educação se integrem na grande corrente do esforço dos homens à procura da felicidade, da cultura e da paz. (A Carta da Escola Moderna). </li></ul>
  21. 21. AS INVARIANTES PEDAGÓGICAS <ul><li>1. A criança é da mesma natureza que o adulto. 2. Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros. 3. O comportamento escolar de uma criança depende do seu estado fisiológico, orgânico e constitucional. 4. A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias. 5. A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando isto significa obedecer passivamente uma ordem externa. 6. Ninguém gosta de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que, em particular, ele não o desagrade. Toda atitude imposta é paralisante. </li></ul>
  22. 22. AS INVARIANTES PEDAGÓGICAS <ul><li>7. Todos gostam de escolher o seu trabalho mesmo que essa escolha não seja a mais vantajosa. 8. Ninguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa. 9. É fundamental a motivação para o trabalho. 10. É preciso abolir a escolástica. 10- a. Todos querem ser bem-sucedidos. O fracasso inibe, destroi o ânimo e o entusiasmo. 10- b. Não é o jogo que é natural na criança, mas sim o trabalho. 11. Não são a observação, a explicação e a demonstração - processos essenciais da escola - as únicas vias normais de aquisição de conhecimento, mas a experiência tateante, que é uma conduta natural e universal. 12. A memória, tão preconizada pela escola, não é válida, nem preciosa, a não ser quando está integrada no tateamento experimental, onde se encontra verdadeiramente a serviço da vida. </li></ul>
  23. 23. AS INVARIANTES PEDAGÓGICAS <ul><li>13. As aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, como às vezes se crê, mas sim pela experiência. Estudar primeiro regras e leis é colocar o carro na frente dos bois. 14. A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um circuito fechado, independente dos demais elementos vitais do indivíduo, como ensina a escolástica. 15. A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência, que atua fora da realidade fica fixada na memória por meio de palavras e idéias. 16. A criança não gosta de receber lições autoritárias. 17. A criança não se cansa de um trabalho funcional, ou seja, que atende aos rumos de sua vida. 18. A criança e o adulto não gostam de ser controlados e receber sanções. Isso caracteriza uma ofensa à dignidade humana, sobretudo se exercida publicamente. </li></ul>
  24. 24. AS INVARIANTES PEDAGÓGICAS <ul><li>19. As notas e classificações constituem sempre um erro. 20. Fale o menos possível. 21. A criança não gosta de sujeitar-se a um trabalho em rebanho. Ela prefere o trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa. 22. A ordem e a disciplina são necessárias na aula. 23. Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao fim desejado e não passam de paliativo. 24. A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é, a gestão da vida pelo trabalho escolar pelos que a praticam, incluindo o educador. </li></ul>
  25. 25. AS INVARIANTES PEDAGÓGICAS <ul><li>25. A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico. 26. A concepção atual das grandes escolas conduz professores e alunos ao anonimato, o que é sempre um erro e cria barreiras. 27. A democracia de amanhã prepara-se pela democracia na escola. Um regime autoritário na escola não seria capaz de formar cidadãos democratas. 28. Uma das primeiras condições da renovação da escola é o respeito à criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é possível educar dentro da dignidade. 29. A reação social e política, que manifesta uma reação pedagógica, é uma oposição com o qual temos que contar, sem que se possa evitá-la ou modificá-la. 30. É preciso ter esperança otimista na vida. </li></ul>
  26. 26. Freinet – quem ama aos seus...

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