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Com isso, propomos uma educação enquanto ferramenta de transformação social com o objetivo deconstruir o poder popular, te...
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Disparador comissão educação elaopa 2013

  1. 1. Proposta de texto-disparador para a Comissão de Educação X ELAOPAOlá companheirada de luta, estudantes e trabalhadores da educação. Estamos nos aproximando demais um Encontro Latino Americano de Organizações Populares e Autônomas (ELAOPA), em quenos reuniremos para dar continuidade as tarefas que nos tocam em nossa organização e coordenaçãolatino-americana. Já discutimos muito sobre as experiências de luta e de construção de alternativasno campo educacional em cada país, sobre a conjuntura que nos impõe questões a seremenfrentadas e também tentamos buscar, desde o último ELAOPA em São Paulo, avançar empropostas concretas que possam nos unir enquanto lutadores latino-americanos da educação.Necessitamos, portanto, fazer avaliação daquilo que deliberamos como necessário ser posto emprática para ver o que nos foi possível concretizar. Pela dimensão do desafio colocado desde o 1ºElaopa, ou seja, nos articularmos e coordenarmos para acumularmos força social para construirmosPoder Popular, sabemos que muitas dificuldades serão enfrentadas e por isso precisamos ter o pé nochão. Não iremos fazer novamente um retrospecto nesse disparador, que se pretende mais objetivo esintético, mas apenas recomendar a releitura de alguns documentos dos Elaopas anteriores: - Relatoria da Comissão de Educação do VI Elaopa de Porto Alegre em 2008 (Anexo 1) - Relatoria da Comissão Estudantil do VII Elaopa da Argentina em 2009 (Anexo 2) - Relatoria da Comissão Estudantil do IX Elaopa de São Paulo em 2011 (Anexo 3) - Relatoria da Comissão de Educação do IX Elaopa de São Paulo em 2011 (Anexo 4)Sugerimos a releitura desses documentos porque ao mesmo tempo em que trazem um pouco do quejá foi debatido, podem nos ajudar a dar continuidade à nossa construção, seja para discutirmos sobrecomo vamos forjando em nossas práticas cotidianas um estilo e uma concepção de militância nessecampo, seja para buscarmos campanhas, bandeiras e/ou lutas que permitam nossa atuação emconjunto. A partir das relatorias anteriores, queremos propor os seguintes tópicos para tratamentono X ELAOPA: - nossa organicidade latino-americana; - nossa inserção no debate e luta contra o IIRSA; - bandeiras e/ou lutas que nos unificam.Para finalizar, relembramos que desde o último Elaopa, foi estabelecido 2 grandes eixos para adiscussão da Comissão de Educação, o de Educação Formal e Educação Popular, assim como ummomento em que esta Comissão se divide entre os trabalhadores da educação e os estudantes paradebate organizativo próprio.Todos(as) ao X ELAOPA Porto Alegre!Lutar, Criar! Poder Popular!Porto Alegre, novembro de 2012 ANEXO 1- Relatoria da Comissão de Educação do VI Elaopa de Porto Alegre em 2008EDUCAÇÃO – VI ELAOPA 2008 – Porto AlegreDe acordo com o neoliberalismo, a educação deve ser uma mercadoria. O objetivo desse modelo écolocar a educação a serviço das grandes corporações capitalistas. Segundo essas, a educação básicae superior deveria formar sujeitos condicionados a obedecer ou a pensar somente aquilo que sirvapara reproduzir o sistema ganancioso em que vivemos. Para cumprir esse plano, a América Latina,em maior ou menor intensidade, atravessa um contexto em que os investimentos na educação são
  2. 2. limitados pelas políticas de ajuste fiscal, ao pagamento da dívida externa e à geração de superávitprimário, conforme as orientações do Banco Mundial. Ao longo das últimas décadas as condiçõesde trabalho e de vida dos profissionais da educação tem piorado, com a queda acentuada dos níveissalariais, a retirada de direitos, os processos de contratação com base na terceirização, aprecarização dos ambientes escolares e a fragmentação das políticas de formação inicial econtinuada. Todos esses fatores têm contribuído com a baixa qualidade da educação na AméricaLatina. Diante desse cenário, cabe a nós pensarmos em formas de organização e luta que unifiquemos distintos sujeitos envolvidos com a educação, sejam professores, estudantes, trabalhadores daeducação, os diferentes espaços de educação popular e as comunidades. É necessário romper com ocorporativismo e ir além de lutas que pensem somente um ou outro tema. A educação que tem comohorizonte o Poder Popular deve preocupar-se desde agora com os métodos que utiliza para alcançaresse objetivo. A experiência de luta em Oaxaca certamente serve de modelo para aquilo quepretendemos.EIXO 5 – EDUCAÇÃOFormas de DominaçãoA Educação Formal tem sido desde sempre utilizada para diversos avanços da opressão emdiferentes sociedades históricas. No século XIX, a educação é utilizada para ocidentalizarculturalmente na América Latina e criar os técnicos que estas sociedades precisavam como colôniaslocais dos diferentes impérios nesta etapa histórica. Com a suposta finalidade de modernidade,sanar a alfabetização, etc, se domesticam sociedades que não haviam se deixado dominar pela força.Se no século XIX foi econômica e politicamente vantajoso utilizar a Educação como forma dedominação, que funcionava como filtro entre as classes sociais separando-as, ordenando-as para aprodução dos técnicos de que o sistema precisava, os quais pertenciam às classes altas(identificavam-se com sua cultura e valores), chegamos ao século XX com um refinamento dessasformas de dominação. A Educação na América Latina passou a funcionar como produtora desentidos, culturas, valores, etc, que contribuem muito especificamente para a domesticação denossos irmãos e irmãs de classe em todo o mundo. Nisto estão também os meios de comunicaçãomassivos que, mesmo não sendo instituições de educação formais, educam e formam opiniões. Osdominadores gostam de dizer que, em muitos países, a educação pública é de fácil acesso para asclasses mais baixas. Porém, em sua grande maioria, os pobres conseguem ter acesso apenas ao nívelmais básico da Educação, e da pior qualidade. As formas de classificar os indivíduos segundo a suaformação também são aprimoradas no século XX. O disciplinamento dos corpos dos sujeitosoprimidos também é refinado, pois nossas crianças entram cada vez mais cedo nas instituições deEducação Formal. Se nos séculos XVIII e XIX se idealizavam cursos de ciências sociais e humanas,hoje em dia estes cursos estão sendo retirados dos currículos, e substituídos por cursosmercadológicos, técnicos, de marketing e de formação empresarial. Fica mais claro tudo isso com opapel que tem hoje a OMC e o Banco Mundial, que ditam as regras para a Educação na AméricaLatina como por exemplo as políticas de Fast Track (“via rápida”, exemplos: REUNI, PROUNI,PROJOVEM, projetos de classes de aceleração, etc) que buscam aumentar as estatísticaseducacionais nos países pobres tentando passar uma imagem confortável de “desenvolvimento” dosmesmos. Dos anos 90 para cá, temos sofrido com as concepções e projetos para a Educação vindosdo neoliberalismo, que traz a certeza de que educação deve ser uma mercadoria. O objetivo dessemodelo é colocar a educação a serviço das grandes corporações capitalistas. Segundo essas, aeducação básica e superior deveria formar sujeitos condicionados a obedecer ou a pensar somenteaquilo que sirva para reproduzir o sistema ganancioso em que vivemos. A privatização das escolasformais tem se dado através da entrada de empresas nas escolas, de diversas formas (exemplos: noRS, o banco Itaú entrou com um projeto em 25 escolas. A Brasil Telecom está entrando em mais 5escolas com projeto de informática. Recentemente, foi aprovado que uma Organização Social-OSCIP poderá administrar uma escola ou uma universidade). Essa entrada passa a interferir políticae pedagogicamente na escola, substituindo os conteúdos e atitudes humanistas e de resistência porconteúdos e atitudes favoráveis ao mercado. Para cumprir esse plano, a América Latina, em maior
  3. 3. ou menor intensidade, atravessa um contexto em que os investimentos na educação são limitadospelas políticas de ajuste fiscal, ao pagamento da dívida externa e à geração de superávit primário,conforme as orientações do Banco Mundial. Ao longo das últimas décadas as condições de trabalhoe de vida dos profissionais da educação têm piorado, com a queda acentuada dos níveis salariais, aretirada de direitos, os processos de contratação com base na terceirização, a precarização dosambientes escolares e a fragmentação das políticas de formação inicial e continuada. Todos essesfatores têm contribuído com a baixa qualidade da educação na América Latina. O que vemos é aprodução de políticas para a Educação e planos político-pedagógicos que vêm dos de cima, desde aelite política e tecnocracia, e jamais emana dos verdadeiros sujeitos da educação: pais,trabalhadores e alunos. Com relação à formação de professoras (no feminino, porque de 80 a 90%das profissionais são mulheres na América Latina), são vagas e confusas as formações que sãodadas às estudantes. Há muitas incertezas em como trabalhar. Estes cursos resultam em umaformação mínima necessária para exercer a profissão e acabam tirando do horizonte da futuraprofessora a expectativa de realizar algo social com sua profissão. Terminam concluindo o cursosomente para trabalhar, nadando em incertezas e desorientadas em como realizar um bem socialcom o seu trabalho. Acabam assumindo outras funções dentro das instituições escolares que não sãosomente a de formar os alunos, como por exemplo fazer muitas vezes o papel de enfermeira,cozinheira, psicóloga, e até de mãe. Este acúmulo de trabalho acaba gerando doenças como asíndrome de Burnot, doenças nas cordas vocais, e sobretudo, stress e depressão. A Educação é umsetor ambíguo e de disputa constante: de um lado, temos a Educação que os ricos querem destinaraos pobres (de baixa qualidade, com conteúdos mercadológicos e valores capitalistas) e de outro, aEducação que os movimentos sociais querem (transformadora, crítica, de qualidade e pública).Formas de ResistênciaDiante desse cenário, pensamos em formas de organização e luta que unifiquem os distintos sujeitosenvolvidos com a educação, sejam professores, estudantes, trabalhadores da educação, os diferentesespaços de educação formal, popular e nas comunidades:- Construir um método e uma concepção pedagógica que gere aleitura crítica do mundo;- Disputar o espaço da Educação Formal e construir a resistência por dentro desses espaços;- A educação não-formal que se dá nos movimentos populares é fundamental para gerar novoslutadores do povo. Nosso maior exemplo no Brasil é o setor de Educação do MST, que conseguiudesenvolver seu próprio método e sua concepção pedagógica, garantindo-os na base da ação direta;- Construir espaços de participação de pais, alunos e trabalhadores em educação que discutam otema e que façam valer na luta as decisões da comunidade escolar;- O movimento popular deve aproximar-se das instituições formais na intenção de influenciá-las,tanto politicamente quanto pedagogicamente. Porém, essa aproximação deve ser construída comrespeito ao que já estava sendo feito, e também deve buscar diálogo com as necessidades concretasda escola;- É fundamental que o movimento estudantil volte a ter identidade de classe com os trabalhadores.Para isso, projetos como alfabetização de adultos, cursos preparatórios, etc, podem reaproximarestes sujeitos. Além disso, é importante para a classe oprimida apropriar-se do conhecimentoacadêmico e usá-lo como ferramenta;- Saudamos e tomamos como exemplo a luta do povo de Oaxaca, no México, que começou seulevante com professoras e professores reivindicando livros e sapatos para as crianças oaxaquenhas,
  4. 4. conseguiu articular-se com outros movimentos e formaram a APPO, que ampliou a pauta e segue depé, mesmo com militantes desaparecidos e assassinados;- Valorizar a cultura popular de resistência e dar luta, a todo momento, para que ela se desenvolvanos espaços de educação do povo;- Não esperar que a conjuntura se agrave para agir. A militância deve ser permanente, poisdisputamos uma concepção de Educação que é atacada a todo momento: uma educação para atransformação radical da sociedade, onde um novo homem e uma nova mulher precisam serformados desde agora. ANEXO 2 - Relatoria da Comissão Estudantil do VII Elaopa da Argentina em 2009Documento Estudiantil - Reflexiones de la Comisión en el VII ELAOPAReunidos en el VII ELAOPA compartimos las diferentes experiencias y cosas en común quetenemos en América Latina. Los compañeros en sus presentaciones de cómo llevan adelante sumilitancia han planteado organizaciones más volcadas hacia “adentro” de la institución educativa, yotros hacia “afuera”. Concluimos que esto depende de las coyunturas locales como de los grados deformación política.Creemos que las organizaciones estudiantiles no consolidadas o con poca participación deberíanvolcarse a una militancia activa en la institución educativa, para luego sí proyectarse una mirada ypráctica militante que contemple las reivindicaciones de “afuera”, esto según la coyunturalocal.rganizaciones estudiantiles muy volcadas hacia el “adentro” de su institución pueden quedarcomo islas en la sociedad, y los propios militantes sin entender la educación como una parte delproceso de dominación. También vemos que una militancia volcada hacia “afuera” puede dejar almovimiento estudiantil con poca base. Ya que, oEsto puede generar una separación con la vida del estudiantado en general. Entendemos que elCentro de Estudiantes es de todos estos y promoverlos genera otra cultura, la militancia debieraestar empapada de los problemas puntuales o específicos de la institución donde se estudia, comotambién de cómo se construye la educación de su país, en qué coyuntura y, si es posible, pensandoen Latinoamérica y el mundo.Por lo antes dicho sólo hablamos de “adentro” o de “afuera” para hacernos entender, pero enrealidad no existe la institución educativa, como la educación o el gremio por fuera de la sociedad,y la consecuente lucha de clases.La implementación del Plan Cóndor en América Latina y las diferentes dictaduras militares que sesucedieron a lo largo y ancho del continente dieron como resultado la imposición delneoliberalismo, cuyas políticas alcanzaron también al sistema educativo, los presupuestos, losplantes de estudio, etc.Para el Estado, la educación ha dejado de ser una obligación para transformarla en un servicio, y aligual que una mercancía, capaz de ser comprada y vendida.
  5. 5. Las profundas desigualdades económicas, sumadas a las leyes vigentes, hacen del sistema educativoun aparato de reproducción de las condiciones de dominación, dificultando el acceso a la educaciónpública.Por lo tanto, coincidimos en que las organizaciones estudiantiles necesitamos luchar por mejorarconstantemente las condiciones de ingreso y permanencia en la educación, por la construcción deconocimiento con y para las condiciones populares.Desde la comisión vemos al movimiento estudiantil como uno de los actores del cambio social.Constituye, junto a los trabajadores (ocupados y desocupados), campesinos y el conjunto del campopopular, el sujeto de ese cambio social.Dentro de la militancia estudiantil creemos que debemos tender a la construcción de poder popular,organizándonos para promover espacios de participación en función de los intereses de las clasespopulares.Algunos lineamientos surgidos del debate: - tener comprensión de las luchas, coyuntura y demandas regionales para proponer alternativas de acción dentro y fuera de la institución educativa (dentro, para fortalecer al movimiento estudiantil; fuera, para articular con otros sectores en barrios, comunidades, sindicatos, etc.). - construir espacios de participación para organizar el potencial militante que se encuentra desarticulado (hacer acciones o campañas en las cuales se incorporen docentes, estudiantes, desocupados, etc.). - tener una militancia permanente de informar, hacer diagnósticos, propuestas, acciones, etc. - Autonomía del movimiento estudiantil: sin partidos, sin gobierno, con participación directa.Propuestas para el ELAOPA 2010 • Más tiempo para la discusión en comisiones. • Realizar pre – ELAOPA regionales. • Definir claramente los ejes del debate. • Tomamos como tarea de esta comisión estudiar a lo largo de este año las reformas estudiantiles en América Latina. • Realizar acciones conjuntas en determinadas fechas para fortalecer la integración y unidad latinoamericana. ANEXO 3 - Relatoria da Comissão Estudantil do IX Elaopa de São Paulo em 2011IX ELAOPA, 24 de janeiro de 2011.
  6. 6. Resoluções da Comissão Estudantil 1. Articular-se nacionalmente através de grupo de e-mails para troca de experiências e construção política. (Reativar a lista ELAOPA Estudantil) 2. Construir nas bases seminários e ações que ampliem os debates iniciados no IX ELAOPA. 3. Criação e fortalecimento de coletivos estudantis autônomos. (Sem esquecer d@s secundaristas) 4. Utilizar criticamente os recursos da universidade para construção do movimento estudantil autônomo. 5. Discutir na base a construção de encontros do movimento estudantil autônomo a nível local regional nacional. 6. Distribuição da CARTA ABERTA À SOCIEDADE escrita pela Comissão Estudantil do IX ELAOPA. ANEXO 4 - - Relatoria da Comissão de Educação do IX Elaopa de São Paulo em 2011 Por uma Educação Transformadora na construção do Poder Popular No IX ELAOPA a Comissão de Educação, composta somente por brasileir@s, após a leitura dotexto disparador e as resoluções do encontro anterior, adotou a seguinte estrutura de trabalho:iniciamos os trabalhos definindo 3 eixos temáticos que encaminharam as nossas discussões eproposições. Inicialmente foram eles: educação formal, educação popular e cursinhos pré-universitários. Com a dinâmica do trabalho, a partir dos relatos e depoimentos acerca das diferentespráticas e sujeitos, percebemos que houve consensos e dissensos sobre esta divisão temática.Estabeleceu-se, então, dois grandes eixos estruturadores desta discussão: educação formal eeducação popular.A partir das resoluções do VIII ELAOPA, a saber, “1. Se reconhece a educação institucionalizadacomo mercadoria e uma preparação para o mercado; 2. Se colocou a precarização da educação e ofechamento de escolas de movimentos sociais.”, levantou-se questões sobre a conjuntura, arealidade vivida nas escolas brasileiras e pelos educadores em suas experiências concretas, taiscomo: a privatização e precarização disfarçadas do serviço público através das terceirizações e asparcerias público-privadas no sistema de educação. Constatou-se a dificuldade em enfrentar aspolíticas educacionais de um governo dito de esquerda, que age a partir da cooptação dosmovimentos sociais e organizações de classe por intemédio de programas como o PROUNI,REUNI, Orçamento Participativo, Conselhos de Educação, etc. A ideologia do “melhorismo”mascara a precarização do trabalho de todos os envolvidos na educação, piora a qualidade do ensinoofertada a população trabalhadora e continua a sucatear os serviços públicos no Brasil.Neste sentido, é preciso denunciar a falta de democracia na escola, a perda de autonomia didáticados docentes, a informatização da educação como forma de controle, a lógica de fábrica aplicada atoda estrutura educacional e a perseguição por sistemáticos assédios morais. É preciso denunciartambém a burocratização dos sindicatos e das organizações estudantis, bem como repensar o seupapel.Sabe-se que o IIRSA, o PAC e os grandes eventos esportivos que acontecerão nesses próximos anosaprofundarão os problemas apontados acima.
  7. 7. Com isso, propomos uma educação enquanto ferramenta de transformação social com o objetivo deconstruir o poder popular, tendo por base os seguintes princípios: autogestão educacional epedagógica; ação direta; democracia direta; autonomia; classismo e solidariedade de classe; eformação integral dos sujeitos.Por cada um desses princípios, entende-se: 1. autogestão educacional e pedagógica: entender o processo educativo como uma prática coletiva e horizontal, desde a gestão do espaço aos atos educativos e seus conteúdos propriamente ditos, envolvendo todos os sujeitos do processo, entre educadores, educadoras, educandos, educandas, trabalhadores e trabalhadoras das escolas, os movimentos sociais, além dos demais membros da comunidade escolar, entre pais, mães e demais responsáveis, com responsabilidades e poderes compartilhados. 2. ação direta: reconhecer a educação como uma ferramenta de emancipação, diálogo e intervenção direta na realidade daqueles que devem ser @s protagonistas de sua própria emancipação e formação intelectual, @s trabalhadores e trabalhadoras, @s sem terra, @s sem teto, quilombolas, indígenas, desempregados, enfim os próprios educandos e educandas, com o apoio de tod@s educadores e educadoras que compartilham a mesma perspectiva para educação. 3. democracia direta: queremos um processo pedagógico e espaços educacionais que auxiliem uma construção política desde abaixo, sem falsas representações, que se constituam como espaços de participação política d@s explorad@s, onde se formem indivíduos capazes de entender e intervir em suas realidades, que se organizam e se articulam politicamente para dar conta de suas demandas por instrução, cultura e conhecimento através de um federalismo que prevê a participação ampla no local de estudo e trabalho, além do mandato por delegação, para discussão e implementação de políticas que integrem regiões mais amplas. 4. autonomia: respeitar e desenvolver a capacidade de auto-determinação dos diversos sujeitos sociais da nossa classe envolvidos no processo educacional, sejam eles indivíduos, grupos ou movimentos organizados, educadores, educadoras, educandos ou educandas, que juntos lutam contra o capitalismo em nome de um novo projeto de sociedade, construindo práticas de educação e cultura que não dependem do estado, que não são atrelados as propostas partidárias, que independem da iniciativa privada, estando tão somente condicionadas pela nossa capacidade de trabalho e de estudo. 5. classismo e solidariedade de classe: somos e nos identificamos com a classe oprimida, a classe trabalhadora. Essa opção comprometida com a construção do poder popular ultrapassa as fronteiras dos estados nacionais, buscando articular a força dos trabalhadores de diferentes países e dos diversos setores de classe, no contexto local e internacional, tendo como objetivo a integração, cooperação e fortalecimento das lutas dos setores oprimidos da sociedade. 6. formação integral dos sujeitos: superar a massificação e a mutilação da subjetividade e sensibilidade dos sujeitos, bem como a separação entre trabalho intelectual e braçal, respeitando os distintos saberes já construídos pelos diferentes atores de um processo educativo.A partir desse projeto de educação, propomos os seguintes encaminhamentos para diferentespráticas educativas no contexto debatido no IX ELAOPA :
  8. 8. • Repensar o papel dos sindicatos e organizações estudantis como espaços de luta autogestinados e educativos, que proporcionem, entre outras coisas, a instrumentalização de todos os segmentos envolvidos nos processos educativos e culturais, na utilização de meios legais que protejam a sua autonomia e os direitos sociais conquistados ante a burocracia sindical, estudantil e estatal.• Valorizar os projetos de extensão universitária que trabalham com educação popular. AMPLIAR PARA ALÉM DA EXTENSÃO• Criar um fórum de educador@s e educand@ que se proponha a aprofundar os debates e as articulações iniciados no IX ELAOPA, possibilitando, em médio prazo, que esta proposta de educação ganhe força e auxilie, nesse sentido, a um amplo processo de mudança social em nosso país e na América Latina.• Estimular a criação, manutenção e articulação dos espaços autônomos de educação dos movimentos sociais.• Trabalhar pela qualificação da educação pública formal, intervindo e rediscutindo conteúdos, formas de trabalho, as relações sociais e a infra-estrutura disponibilizada para a ampla massa da classe trabalhadora, que ainda hoje utiliza esse espaço para sua escolarização formal.• Lutar e denunciar o assédio moral entre todos e quaisquer segmentos da comunidade escolar, e também, os preconceitos sociais que tendem a fragmentar nossa identidade de classe e que, por conseqüência, instituem e legitimam as mais diferentes formas de dominação intra e entre classes.• Construir cartilhas, textos e materiais diversos que proporcionem o conhecimento da estrutura da educação formal, possibilitando assim, que enquanto trabalhadores, trabalhadoras ou educand@s, saibamos como atuar nesse espaço específico, fazendo avançar as lutas que tenham por objetivo a conquista e a consolidação dos direitos dos trabalhadores da educação e de toda comunidade escolar.• Construir e trocar materiais pedagógicos sobre os projetos e propostas burguesas que causam grandes impactos na vida d@s trabalhadores, tais como a ALCA, MERCOSUL, IIRSA, PAC, etc.• Lutar contra todas as formas de precarização das relações de trabalho, para que não existam distinções entre os trabalhadores da educação, acabando com as diferenças salariais entre professor@s, pedagogos e funcionários, sejam eles estatutários, contratados ou profissionais com carteira assinada.• Se posicionar contra as contratações nos serviços de educação pública, priorizando a realização de concursos que visem proporcionar a esta rede um número devido de servidores capazes de melhorar o máximo possível a qualidade da educação oferecida à ampla massa de trabalhadores, e contra a privatização do serviço de educação, hoje implementada através do estado e de seus programas sociais como o PROUNI.• Resgatar o conceito e as práticas de Educação Popular enquanto instrumento de transformação, presentes na história de luta d@s explorad@s, a despeito da existência também, de projetos e programas burgueses que se auto-denominam por Educação Popular, mas que, na realidade, mascaram e aprofundam os problemas sociais acarretados pela sociedade e educação capitalista.
  9. 9. • Priorizar as metodologias de Educação Popular como práticas que afrontam a educação burguesa formal, nunca se colocando como mera forma de apontar as fragilidades dessa modalidade de educação, mas sim, buscando construir a partir das demandas populares um processo de educação emancipatório.• Entender o processo educativo como ação direta voltada a potencializar as iniciativas de luta dos diferentes sujeitos sociais implicados na resistência ao capitalismo, sejam eles sem teto, sem terra, quilombolas, trabalhadores, desempregados, indígenas, etc, respeitando suas identidades específicas e incorporando-as as práticas e conteúdos dos espaços culturais e educacionais.OBSERVAÇÃO para @s compas da comissão: essa sistematização está sujeita a adendos,questionamentos e correções por parte de tod@s que participaram e contribuíram na Comissãode Educação do IX ELAOPA. Estou reenviando para tod@s hoje, 4 de fevereiro de 2011, afimde validarmos o texto após todas as observações necessárias.Saúde, Wili – associado do Núcleo de Alimentação e Saúde Germinal e professor de Sociologia

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