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Balanço da experiência do Coletivo de Estudantes de Ciências Sociais.

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Balanco Coletivo

  1. 1. A ideia de escrever um balanço crítico referente a mobilização dos estudantesdentro do curso de Ciências Sociais do período relacionado a 2008 ao ano de 2010(que se caracterizou em um formato de coletivo de estudantes) se mostrou necessárioem virtude da formação e referendamento do Estatuto e, o processo eleitoral queculminou na atual gestão eleita (2010-2011). Esse balanço tem como objetivo principal manter o resgistro da experiênciaorganizativa que buscava agregar novas formas de participação dos estudantes -mudando o foco de atuação da democracia representativa via processo eleitoralpara uma democracia participativa - além de tentar quebrar a dicotomia existenteno curso entre “partidões” (estudantes normalmente vinculados ou simpatizantes dealgum partido político, no entanto, muitas vezes, essa delimitação extrapola a simplesvinculação com os partidos políticos) e “anarcos” (estudantes que possuem afinidadecom várias tendências de anarquismo e possuem em comum a oposição as instituiçõese qualquer forma de hierarquia); acreditamos que mesmo sendo uma experiência deum curto período de tempo ocorreram processos políticos importantes que questionama prática usual da política estudantil dentro da Ciências Sociais da UFRGS. Queremosfrisar que esse não é um texto acadêmico, por mais que se utilize de conceitos daciência política, esse texto é acima de tudo um relato e uma busca por compreendero contexto em que estamos inseridos, tentando se utilizar de alguns conhecimentosadquiridos no curso, embora muitas vezes pouco consolidados. O Coletivo se propôs a articular uma parte burocrática/institucional (maiscentralizada) a partir de uma nominata simbólica que colocava os estudantesarticulados com departamentos, instituto e universidade; e outra parte de atuação,mobilização e construção de pautas/projetos/lutas (mais descentralizada) através dacriação de comissões autônomas, sendo que a instância máxima de decisão entre osestudantes eram as assembleias. Com o formato de coletivo foi possível uma estrutura de organização queinexistia há dois anos no curso devido à não continuidade da gestão de 2006,última gestão “eleita”, na época, do CECS. Nesse formato ocorria a livre adesãode estudantes interessados, não havendo nenhum tipo de exclusão de ideias,agregando a diversidade de pensamentos e posições existentes no curso, gerandouma horizontalidade na organização e deliberação de propostas de ação. Esta forma descentralizada presou, primeiramente, as decisões consensuadasdas demandas, pois este formato permitia igualdade entre todos os estudantes namedida do possível, caso contrario se utilizava a condição da maioria. O critério damaioria foi inserido na prática do coletivo, a partir das discussões do grupo, para evitara recorrência de abstenções no posicionamento do CECS, em questões institucionaisou de importância política (pautas de relevância aos estudantes e/ou movimentoestudantil). A estrutura organizativa do CECS se dava a partir dos seguintes eixos:
  2. 2. ● E-mails ● Grupo de e-mails e-cecs - comunicação oficial ● Nominata simbólica ● Comissões ● Mateada ● Seminário de planejamento ● Assembleia A lista do emails e-cecs fora criada com a iniciativa de agregar um maiornúmero de estudantes nas discussões e deliberações, pois as listas manuais nãosuportavam mais a quantidade de endereços e, também para facilitar e agilizar acomunicação entre o coletivo que estava em formação. Prezou-se a utilização de umgrupo de e-mails, pois outras ferramentas virtuais, como a comunidade do curso noorkut, mostravam-se pouco efetivas no sentido de aglutinar pessoas interessadas emdiscutir e agir mais focadamente o movimento estudantil específico, fato que o e-cecsconseguiu desenvolver muito bem, durante o período que era a forma prioritária decomunicação. Para que o coletivo fosse reconhecido perante as instâncias universiátariasera necessário a composição de uma nominata que representasse o CECSburocraticamente. Para não restringir o processo deliberativo apenas entre as pessoasdescritas na nominata (já que o coletivo tinha o objetivo de agregar a maior quantidadede estudantes possível na participação), a mesma se dominou simbólica, pois todostinham comprometimento de discutir e deliberar sobre as pautas do curso. As comissões eram compostas em assembleia por livre associação dosestudantes, divididas por demandas definidas na mesma assembleia, colocando aresponsabilidade de organização a um pequeno grupo de pessoas. Esse grupo tinhabastante autonomia nas suas ações, devendo repassar suas discussões e atividadespara a coletividade. As mateadas eram reuniões abertas, realizadas semanalmente para discutir eorganizar as pautas pensando em formas de ação relativas a isso. O seminário de gestão era a reunião de planejamento para o semestre seguinte,onde era definido um calendário prévio de atividades. A Assembleia era instância máxima de organização e decisão entre osestudantes de Ciências Sociais. Convocadas por qualquer estudante a partir de algumponto polêmico ou que necessita-se de amplo debate. Para a construção de uma entidade estudantil dentro do curso de CiênciasSociais, o grupo que retomou essas discussões tinha consciência de algunsdesenhos organizacionais poderiam ser utilizados para que não se gerassegrandes conflitos. Optou-se pelo formato de coletivo para, efetivamente, se colocarem pratica a reconstrução do CECS, pois uma gestão eleita era considerada
  3. 3. centralizadora (demandas, discussões e decisões cabiam unicamente a gestão)e, os períodos de autogestão eram considerados momentos de apatia; gerandoinsatisfação ou em “anarcos” ou em “partidões” e consequentemente um imobilismono prosseguimento da atividade estudantil do curso. Então se escolheu um formatoalternativo que tentou contemplar a todos e que conseguisse articular o CECS aosinteresses estudantis. A tentativa de construção deste modelo alternativo, que de certa formarompesse com a tradição da política estudantil, acarretou alguns problemasoriginários do próprio arranjo de coletivo que se escolheu. O formato coletivo tentavacontemplar “um pouco” de representação (legitimidade institucional e autorização doconjunto de estudantes de Ciências Sociais) “um pouco” de autogestão (autonomia eflexibilidade de atuação), mesmo que no início o grupo disposto a reconstruir o CECSnão soubesse o que isso implicaria. Esse era o foco: uma busca por conciliação que possibilitasse “desengessar”a participação no movimento estudantil a nível micro. Porém, ao agradar “um pouco”a todos, o resultado da atuação desse modelo proposto, que a princípio diminuiria osconflitos entre esses dois grandes pólos em busca de consenso para as deliberações,demonstrou que o mesmo não era adequado a nenhum desses, portanto nãoconquistou a mobilização de uma parcela significativa dos estudantes. De maneira geral as duas gestões de coletivo foram coordenadas porestudantes que ainda buscavam espaço e entendimento dentro do movimentoestudantil, ou seja, eram pessoas com pouca experiência política que estavamtentando descobrir o que era atuar coletivamente em um formato “diferente”. Apesar do esforço que os estudantes tiveram (o grupo que geriu o Coletivo eraem torno de 5 pessoas, sendo auxiliados por cerca de outros 15 colegas) nos anosde 2009 e de 2010, o CECS enquanto coletivo reproduziu na prática a centralizaçãoque não desejava ter. Por mais que o debate e a organização se mostrassemabertos, as “gestões” foram construídas entre esse grupo (apesar de o mesmo ir sereconfigurando ao longo dos semestres). Essa centralização se tornou inevitável pelafalta de participação mais ampla entre os diversos grupos que se interessaram emreconstruir da entidade de Ciências Sociais, e pela vontade de alguns estudantesde “fazer acontecer” o CECS. Outro fator que colaborou para que as atribuições de todos recaíssem em umpequeno grupo de pessoas decorreu da inoperância das comissões propostas. Para ofuncionamento efetivo dessas instâncias, faltou alguém que se responsabilizasse pelasatividades do grupo e pudesse repassar os planejamentos/atividades realizadas aoCECS e demais estudantes. A única comissão que funcionou minimamente era a deFestas e Eventos que conseguia corresponder algumas dessas características. A faltade organização das demais acarretou na assimilação de diversas funções por aquelesque respondiam enquanto Coletivo. Quem respondia e atuava enquanto CECS não era
  4. 4. necessariamente aqueles que compunham a nominata “simbólica”, portanto, dificultavaa criação de uma referência a quem recorrer, tanto estudantes que não se envolviamcom a entidade quanto as próprias comissões. Os descompassos entre o que se queria com o Coletivo e o que se conseguiufazer e não correspondeu aos ideais iniciais é fruto da dificuldade de conciliar duaslógicas opostas de atuação. Constituir uma entidade estudantil é em si uma buscapor representação, por pessoas que digam quais são os interesses, demandas,dificuldades, vontades e proposições de um grupo, nesse caso, estudantes de CiênciasSociais. Mas, a necessidade de os indivíduos se sentirem representados é reflexo deum modelo de democracia representativa, que se dá na transferência de autorizaçãoentre eleitor – candidato, por meio de um processo eleitoral. É com essa experiência representativa que os estudantes ingressantes nocurso, em grande parte, estão familiarizados e reconhecem como prática política, damesma forma que encontram dentro da universidade e/ou no movimento estudantil, osmesmos formatos, portanto, a tendência de quem quer participar é se adequar a essadinâmica. Assim qualquer movimento no sentido de participar politicamente no cursoé impelido a responder essas exigências, que mesmo subjetivas, existem, dificultandoqualquer iniciativa que tente fugir das eleições. Caso não haja eleições, como foi ocaso do Coletivo, o reconhecimento e a legitimidade perante os estudantes é bastantequestionado mesmo que se tentasse buscar ambas as características no engajamentode todos e na abertura do processo. A nominata simbólica era uma forma do CECSser considerado pela Universidade como entidade representativa (o que ocorreuefetivamente) mas ao mesmo tempo não limitasse a gestão; independentemente doreconhecimento institucional, a cultura política dos estudantes demonstrava o oposto. Esse contexto demonstrou que o CECS como coletivo, fora construído comoalternativa ao processo tradicional de eleições para centro acadêmico, e tambémuma alternativa na busca de um conceito mais amplo de representação, utilizando-sede um processo extra-eleitoral na tentativa de aumentar a incidência de mobilizaçãoe capacidade de deliberação entre os estudantes. Porém, a tradição da políticaestudantil se apresentou como uma força que impediu um desenvolvimento maisefetivo dessa experiência de coletivo porque suas formas “estáveis” eram umcontraponto a “experiência” gerando assim desconfiança nos estudantes a “novidade”,independentemente de sua capacidade integradora na conjuntura da Ciências Sociaisda UFRGS. Acreditamos que, prioritariamente, o formato Coletivo não se desenvolveudevido a proposta de sua estrutura que não correspondia as práticas usuais dapolítica e portanto não gerava legitimidade e credibilidade perante aos estudantesna sua organização, implicando na falta de participação que por sua vez estimulou acentralização das ações. Em conjunto a isso, muitos dos estudantes já envolvidos emalguma prática política, não visualizavam o Coletivo (ou o Centro Acadêmico) como
  5. 5. espaço válido de ação coletiva. Secundariamente, mas não menos importante, a própria denominação domovimento de reconstrução do CECS em “coletivo” pode ter sido um erro, já queexpressava no nome a perspectiva que se pretendia desenvolver, e não era tão beminserida no curso essa crença quanto se esperava (situação que não tinha comoprever na época), e nem uma ideia tão bem consolidada por parte dos participantesenvolvidos. Talvez se tivéssemos mantido o CECS enquanto “centro”, mas um centrode estudantes autogestionário, o impacto fosse diferente nos estudantes. Em conjuntocom esse fator, também há a falta de espaço físico de encontro e de trocas queproporcionassem condições de construção de um coletivo. Porém, apesar de todas as dificuldades e tentativas, muitas vezes frustradasde organização/atuação, pode-se afirmar que o Coletivo também teve muitas vitóriase conquistas. Da mesma forma que o formato “coletivo” pode ser apontado comoum “problema”, num processo de ressurgimento de uma organização estudantil, nãopodemos exclui-lo como um “acerto”. Ser um coletivo trouxe para o movimento estudantil da ciências sociais, queapesar de um discurso já recorrente, a possibilidade de romper com a reprodução dalógica da democracia representativa, a chance de se fazer movimento na CiênciasSociais sem que as crenças, trajetórias e visões de mundo se sobrepusessem, masque agissem de forma construtiva e não destrutiva; agregou ainda a necessidade dese pensar no estudante, no curso, na carreira, e pensar na conjuntura política geralconectada a isso. Além disso, abriu precedente para se questionar a dificuldade de atuaçãopolítica enquanto Centro Acadêmico tendo em vista a diversidade de concepçõespolíticas existentes nos diversos grupos que se constituem na Ciências Sociais;o desgaste de energia dos participantes com discussões que só visavam oengrandecimento pessoal e/ou de grupos; e o quebra-cabeça de linhas políticas parase poder conviver sobre o rótulo de “gestão” que também engessava a organizaçãodevido as discordâncias e oposições internas; para participar de outra forma, énecessário mudar a própria convivência no grupo que pretende atuar em conjunto. Com essa diversas atividades e/ou tentativas de ação, manteve a certeza deque a ideia e a experiência envolvidas nesse processo foram muito válidas, e porconsequência a necessidade de registrá-la. A falta de consciência daqueles quetocaram o coletivo sobre todas as relações que estavam envolvidos, pode ter geradouma falta de “organicidade”, e também a constante crítica de que só se é centroacadêmico se houver eleição. Assim, podemos pontuar que: o CECS voltou a ser reconhecido comoinstância deliberativa dos estudantes por parte dos departamentos, do instituto e daUniversidade; fatos que podem ser “comprovados”, minimamente, com a participaçãona Reforma Curricular de 2009, na inserção em reuniões da unidade e envio de
  6. 6. ofício a SAE sobre a extensão dos benefício das passagens a moradores da regiãometropolitana (conquistado em 2009). Voltou a se ter, fraca ou não, a noção de existência de um “CECS” entre osdiscentes e a possibilidade de contato/interação/envolvimento com o grupo do coletivo;o que é um ponto bastante importante. Com uma melhora na comunicação, em virtudedo e-cecs, do blog, e do envio de e-mails pela COMGRAD, os estudantes sabem oque está acontecendo, assim como podem participar/opinar/criticar, oportunizandotransparência nos processos que o coletivo se envolveu, além de accountability dasações desenvolvidas. O foco na construção coletiva fez com que muito fosse feito, mesmo queesse ideal tenha se restringido ao pequeno grupo, porém esse pequeno grupo podeexperenciar e por em prática durante o período do coletivo diversas atividades como:acompanhamento dos candidatos ao curso no vestibular (apoio a vestibulandos efamiliares, venda de café, adesivos, camisetas), atividades de integração na matrícula(junto com auxílio a cadeiras e dúvidas do curso) e nos primeiros dias de aula (trote);atividades de confraternização com os alunos e arrecadação de fundos para futurasações com as festas (cecs, orégano e rock’n’roll I à V, cecs volta ao mundo, cecs nodce...); com a mediação da confecção dos cartões do TRI e de materiais do curso(mochilas, adesivos e camisetas). Além da política de prestação de contas, rotinização das mateadas, arquivode relatorias (blog e e-cecs), realização de seminários de gestão, participação emERECS (possibilidade de ida ao ENECS 2009 e 2010 passaram por discussão masforam descartadas); presença nos atos “Fora Yeda”, no envolvimento na questãodo parque tecnológico. Ainda com a construção de informativos aos bixos (2009 e2010), realização de uma semana acadêmica e um ciclo de debates; organização erealização de duas “Copa de Futebol Três Porquinhos”. Por fim, o planejamento deuma “formação de RDs” (Representantes Discentes junto ao Instituto de Filosofia eCiências Humanas), discussão do Estatuto e do “caso clê”. Tantos resultados frutos deum pequeno grupo, com certeza pode se multiplicar com o engajamento de um númerocada vez maior de estudantes. Portanto, esse balanço fora escrito como tentativa de rever a experiênciapassada, considerando o Coletivo, como o registro mais atual de uma forma alternativae mais horizontal de ação, documentá-lo de forma virtual e impressa pode auxiliarpara que não se cometa os mesmos erros na atual e nas próximas gestões do CECS(seja ele coletivo, centro de estudantes ou centro acadêmico) e afim de estimulara discussão sobre novas/outras formas de participação política e engajamento nomovimento estudantil dentro do curso de ciências sociais. A análise feita nesse balanço, nos auxiliou a pensar o que o formatode “coletivo” representa/ou e quais seus limites. Desta forma, conseguimos perceberque muitos dos obstáculos enfrentados pelo Coletivo, também ocorrem/podem ocorrer
  7. 7. em gestões eleitas, tais como: centralização de funções em um pequeno grupoocasionada pela falta de participação, falta de objetivos mínimos comuns (“programamínimo”) o que consequentemente levava ao fraco comprometimento na militânciada entidade, além da dificuldade na comunicação interna e na divisão de tarefas.Mas também, ajudou a delinear caracteristicas que poderão ser fundamentais parauma futura tentativa mais consistente de quebra nos paradigmas da democraciarepresentativa no contexto do movimento estudantil de ciências sociais. No entanto, as similaridades não constituem um mesmo formato político, já queno coletivo o “empoderamento” ocorre através das assembléias e as gestões do centrode estudantes por meio das eleições, dessa forma, no primeiro arranjo, quem faz partedo grupo de atuação são todos os que participam, ao contrário do segundo, no qual fazparte apenas quem é eleito e concorda em seguir determinados eixos. No coletivo, nãoexiste “programa” pré-estabelecido, as focos de trabalho e participação serãodeterminados por aqueles que estiverem envolvidos no processo decisório, enquantona gestão eleita, o programa se faz extremamente necessário antes do pleito, parapoder congregar os iguais sob determinadas linhas políticas, e posteriormente o guiapara as ações e pautas a serem desenvolvidas. O objetivo do CECS para esses dois modelos também diverge, o Coletivo visavasanar as necessidades dos estudantes de Ciências Socias a partir de sua realidade, oCentro de Estudantes busca/va sanar as necessidades dos estudantes de CiênciasSociais a partir da conjuntura geral do movimento estudantil nacional. Na organização,um tinha as instâncias de horizontalidade a base da sua existência (na época,comissões) o outro possui a mesma estrutura (atualmente, GTDs) mas, como auxiliarda gestão. O princípio orientador na deliberação para o CECS coletivo era o diálogo,portanto, a busca pela formação do consenso era determinante, assim como a decisãoocorria a partir da adesão de qualquer estudante; para o CECS centro de estudantes oeixo que orienta a escolha é a maioria, expressa pelas posições disputadas dentro dogrupo que possuiu a legitimidade de representação. Entender a conjuntura, relações e processos pelos quais passou o coletivo,associada com uma breve comparação com o modelo gestionário, auxilia a pensar oque não repetir de erro enquanto coletivo, e no atual momento, como essa experiênciapode contribuir para a constituição de um centro de estudantes de ciências sociaismenos tradicional. Isto é, não reproduzindo mecanismos e situações inerentes ademocracia representativa, como o baixo envolvimento dos representados nadeliberação referente as demandas exigidas pelo curso/pelos estudantes, aconcentração do poder nas mãos de poucos - que devido ao processo de legitimação,teoricamente estão autorizados a tomar as decisões se não por todos, ao menos poraqueles que participaram do processo eleitoral - e a seletividade de demandas e ações- o foco no programa de chapa que torna-se o programa da gestão, mesmo havendodentro da gestão, espaços alternativos de engajamento, causando um estreitamento
  8. 8. das possibilidades de agenda política. Entretanto, pensar em um movimento estudantil que consiga agregar maisdiscentes, ser mais amplo em seus horizontes de atuação e possuir uma estruturaorganizativa que possibilite a concretização de projetos, esbarra não só em umproblema prático como um problema teórico. O movimento estudantil que se focana eleição e na representação de todos os estudantes possuiu a legitimidade e orespaldo de grande parte da comunidade universitária, mesmo esbarrando em limites jáexpostos, ainda é uma forma reconhecida de fazer política. Porém, ao mesmo tempo,o movimento estudantil que conhecemos, excluiu muitas questões pertinentes porserem consideradas “menores”, por serem consideradas pouco efetiva para a “luta”,ainda mais quando falamos em Ciências Sociais. Em um curso extremamente teóricoe que muitos ingressantes buscam por vislumbrar a possibilidade de “entender asociedade e transformá-la”, há um descompasso entre o teórico e o prático, pontode discussão que por si só é excluído dos debates do movimento estudantil por serconsiderado “acadêmico”. A questão prática em nossa área recai, em grande parte,nas formas de fazer política e as formas de atuar como cientista social no mercadode trabalho. Tais pontos são bastante limitados nas preocupações do movimentoestudantil, pois não há espaço para se discutir novas formas de fazer política ouatualização/revisões teóricas dos modelos já usados, além de ser praticamenteimpossível falar em formas economicamente viáveis de sustento com Ciências Sociaissem ser taxado de “conservador”. Contudo, quando se busca fazer pequenas mudanças nos modelos usuais de seatuar no movimento estudantil , que possa gerar o espaço que muitas vezes falta parae que haja mais contribuições e divergências, as pessoas se sentem inseguras em seengajar em em um formato que não estão habituadas, da mesma forma que tem asensação de fracasso, já que é uma experiência. Os problemas expressos não fazem parte desse balanço responder, tendo emvista que muito desses dilemas ainda precisam ser debatidos, articulados econsolidados na teoria política. Com a experiência realizada podemos traçar algumas possibilidades deatuação. Faz necessário testar novas formas de fazer política, novas formas dese organizar, buscar ultrapassar as limitações que encontramos no fazer políticaestudantil; não existem respostas prontas para isso, dessa forma se torna de grandeimportância pesquisar, discutir e experenciar tentativas e, posteriormente refletir sobreelas, para se pontuar o que se deve repetir e melhorar ou o que definitivamente não sedeve fazer, assim facilitando a organização em uma fase posterior. Da mesma formatêm igual importância demonstrar para os estudantes ingressantes outras perspectivasde se participar, estimulando a inserção nessa construção de possibilidades, etentando interessar discentes que já vêm desacreditados do processo político. Outra questão extremamente pertinente é pensar em um projeto de Centro
  9. 9. Acadêmico. Mais que um programa, mais que amigos juntos, para que um CA possaborrar um pouco os limites entre os modelos de democracia e isso seja efetivo, devehaver comprometimento, organicidade, pertencimento. Esses elementos só existirão eimpulsionarão a concretização de planos se houver um projeto sério para a entidade,uma delimitação teórica-política compartilhada por todos que se sentirem a vontade,com objetivos comuns possibilitando, uma estrutura mínima de troca de idéias,construção e efetivação de tarefas, além de formas que estimulem a ação coletiva.Assinam esse balanço:Eduarda Bonora Kern (2007)Priscila Alves Rodrigues (2008)Michele Lima Leão (2009)Pedro Bittar (2010)

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