Papel do professor
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Rosa Iavelberg10
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Para gostar de aprender arte 11
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Sala de aula
Reflexão sobre o papel do professor na organização do espaço da sala de arte....
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  1. 1. Papel do professor Nesta pintura, eu tentei explicar que numa obra de artes plásticas você pode usar qualquer material, desde materiais naturais até os industriais. Também tentei explicar que tem arte de todos os tipos, desde a acadêmica até a abstrata. Confesso que gosto mais da arte abstrata. Nesta obra, você olha e imagina o que quer e com que se parece. (Texto sobre minha obra: aluna de 11 anos da 5a série do ensino fundamental) A arte é uma disciplina obrigatória nas escolas, conforme determinação da LDB 9394/96. Cabe às equipes de educadores das escolas e redes de ensino realizar um trabalho de qualidade, a fim de que crianças, jovens e adultos gostem de aprender arte. Compete aos centros de formação de professores investir em projetos de pesquisa e de formação contínua para que os professores sejam os protagonistas de práticas atualizadas em sala de aula. A arte promove o desenvolvimento de competências, habilidades e conhecimentos necessários a diversas áreas de estudos; entretanto, não é isso que justifica sua inserção no currículo escolar, mas seu valor intrínseco como construção humana, como patri- mônio comum a ser apropriado por todos. A arte constitui uma forma ancestral de manifestação, e sua apreciação pode ser cultivada por intermédio de oportunidades educativas. Quem conhece arte amplia sua participação como cidadão, pois pode compartilhar de um modo de interação único no meio cultural. Privar o aluno em formação desse conhecimento é negar-lhe o que lhe é de direito. A participação na vida cultural depende da capacidade de desfrutar 1
  2. 2. Rosa Iavelberg10 das criações artísticas e estéticas, cabendo à escola garantir a educação em arte para que seu estudo não fique reduzido apenas à experiência cotidiana. Aprender arte envolve a ação em distintos eixos de aprendizagem: fazer, apreciar e refletir sobre a produção social e histórica da arte, contextualizando os objetos artísticos e seus conteúdos. Contextualizar é situar as criações no tempo e no espaço, considerando o campo de forças políticas, históricas, sociais, geográficas, culturais, presentes na época da realização das obras. O temperamento do artista e sua trajetória pessoal também são fatores indispensáveis para poder conhecer estilos e poéticas.1 O papel dos professores é importante para que os alunos aprendam a fazer arte e a gostar dela ao longo da vida. Tal gosto por aprender nasce também da qualidade da mediação que os professores realizam entre os aprendizes e a arte. Tal ação envolve aspectos cognitivos e afetivos que passam pela relação professor/aluno e aluno/aluno, estendendo-se a todos os tipos de relações que se articulam no ambiente escolar. Requer-se do professor sensibilidade e aguda observação sobre a qualidade do vínculo de cada um de seus alunos nos atos de aprendizagem em arte. Os alunos devem aprender por interesse e curiosidade, e não por pressão externa. Isso não implica a não-diretividade, mas a proposta de conteúdos de ensino e o incentivo a cada aluno para navegar pelas relações que estabelece entre os conteúdos da aprendi- zagem, a própria cultura e a vida pessoal. Um professor que entra em sintonia com as formas de vinculação de cada estudante com o saber está mais apto a instigar o aluno a atribuir significado à arte, resolver problemasnofazerartísticoeproporquestõescomsuaspoéticaspessoais,desenvolvendo critérios de gosto e valor em relação às suas atividades artísticas – e de seus pares – e aos objetos de arte. A consciência de si como alguém capaz de aprender é uma representação que pode ser construída ou destruída na sala de aula. Daí a enorme responsabilidade das escolas e dos professores no ato de ensinar a gostar de aprender arte. Quando o aluno fala, escreve sobre arte ou faz seus trabalhos artísticos, realiza atos de autoria, com marca pessoal. Geralmente, é o professor quem valida as produções atribuindo-lhes qualidades na orientação das discussões coletivas ou na recepção das 1 Se fosse possível traduzir em palavras as formas e as cores, todos compreenderiam que a linguagem de Picasso pertence a uma família lingüística diferente da de Braque. A importância do cubismo é, por- tanto, relativa na expressão dos dois temperamentos de um francês e de um espanhol que reagem perante a vida de maneiras tão diversas (Venturi, 1972).
  3. 3. Para gostar de aprender arte 11 produções individuais, valorizando e incentivando os esforços dos aprendizes nos pro- cessos de construção de saberes cognitivos, procedimentais ou atitudinais e nas combi- nações desses tipos de saberes. O papel do professor deveria ser como o de um regente de orquestra, para o qual os alunos (instrumentistas) têm participação única e significativa na construção coletiva e individual dos processos e produtos da aprendizagem. Apesar de que o gosto por aprender tenha raízes no universo do aluno, na maioria dos casos é a situação de aprendizagem que gera disposição ou indisposição. Professores que realizam comparações que não valorizam os avanços do aprendiz em relação a níveis alcançados e que não consideram o enfrentamento dos obstáculos inerentes ao aprender arte podem gerar sentimentos de baixa auto-estima e humilhação ou de poder e orgulho por corresponderem ou não às expectativas. A variedade de estilos individuais deve constituir estímulo à participação diferencia- da, ao enriquecimento dos repertórios individuais, a valorização da cooperação e o incentivo a ela, e não à classificação dos aprendizes e à competição improdutiva. A ética na didática da arte é imprescindível para consolidar no aluno o gosto por aprender como sujeito autônomo, com uma postura solidária na relação com seus pares e com o patrimônio cultural. Aprender em arte implica desafios, pois a cultura e a subjetividade de cada aprendiz alimentam as produções, e a marca individual é aspecto constitutivo dos trabalhos. O aluno precisa sentir que as expectativas e as representações dos professores a seu respeito são positivas, ou seja, seu desenvolvimento em arte requer confiança e repre- sentações favoráveis sobre o contexto de aprendizagem. As tarefas podem ser entediantes ou carregadas de sentido para os aprendizes. A organização das tarefas, das propostas e dos conteúdos pelos professores ocupa um papel importante. É necessário que o aluno participe das atividades com consciência de suas finalidades, cabendo ao professor explicitar o para quê e o porquê das tarefas. A autonomia e a participação dos alunos são reais quando eles têm consciência da necessidade das propostas que executam ou do interesse por elas. Trabalhar em tarefas escolares por solicitação do outro, sem perceber o sentido ou sem gosto por fazê-lo, é
  4. 4. Rosa Iavelberg12 desenvolver uma postura de submissão, o que, cedo ou tarde, levará o aluno a não querer continuar aprendendo, seja por rebeldia, seja falta de motivação própria. O interesse por arte pode ser criado nas aulas, não sendo necessário que o professor sempre parta do interesse dos alunos, mas que considere suas motivações internas e culturais, suas espectativas prévias das situações de aprendizagem, manifestadas pelo diálogo com os alunos sobre os conteúdos escolares. Trazer conteúdos de arte do ambiente de origem e do cotidiano dos estudantes para a sala de aula é uma boa e motivadora escolha curricular. Essa prática valoriza o universo cultural do grupo, dos subgrupos e dos indivíduos, incentiva a preservação das culturas e cria em cada um o sentimento de orgulho da própria cultura de origem e de respeito à dos outros, o que constitui condição fundamental para a construção de uma relação não-preconceituosa com a diversidade das culturas. Porém, estudar tais conteúdos não deve excluir outros recortes ricos e estimulantes da aprendizagem. Ensina-se a gostar de aprender arte com a própria arte, em uma orientação que visa à melhoria das condições de vida humana, em uma perspectiva de promoção de direitos na esfera das culturas (criação e preservação), sem barreiras de classe social, sexo, raça, religião e origem geográfica. A consciência de ser parte de um todo, pelo qual se é responsável, contrói-se ao longo da vida do estudante; entretanto, tal postura diante da realidade, de si e do outro aprende-se cedo nas escolas. É necessário que o professor seja um “estudante” fascinado por arte, pois só assim terá entusiasmo para ensinar e transmitir a seus alunos a vontade de aprender. Nesse sentido, um professor mobilizado para a aprendizagem contínua, em sua vida pessoal e profissional, saberá ensinar essa postura a seus estudantes. O professor deve conhecer a natureza dos processos de criação dos artistas, propi- ciando aos estudantes oportunidades de edificar idéias próprias sobre arte, enriquecidas de informações mediadas pelo professor, conforme o fazem os pensadores que refletem sobre a produção social e histórica da arte como críticos, historiadores ou apreciadores. Cabe à escola reconstituir o espaço social de produção, apreciação e reflexão sobre arte, sem deformá-lo ou reduzi-lo a moldes escolares.
  5. 5. Para gostar de aprender arte 13 Sala de aula Reflexão sobre o papel do professor na organização do espaço da sala de arte. Trecho de relatório do meu trabalho como professora do 2o ciclo do ensino fundamental2 (4a série) ... Imagino que a curadoria de uma exposição de arte lida com problemas tão complexos como o professor de arte e seus alunos para dispor os trabalhos na oficina. O espaço da oficina é o lugar de produção e exposição permanentes. Procuro garantir a maior autonomia possível para a criança e para o jovem por intermédio de uma estrutura – de classifi- cação, ordenação e seriação dos materiais – que seja de fácil leitura. As tintas ficam à mostra em escala cromática com gradação e são aproximadamente 16 potes. A argila que já foi aberta precisa ser utilizada primeiro; portanto, é guardada separadamente. O material de desenho e o instrumental ficam juntos: réguas, compassos, borrachas, esfuminhos, lápis, canetas hidrocor, giz de cera, etc. Freqüentemente, faço uma leitura do espaço da oficina com os alunos, o que os estimula nos cuidados para organizar o espaço de trabalho – o próprio e o coletivo – e favorece a autonomia na utilização de materiais. Pensando na importância de o aluno participar de toda extensão do processo de criação, enfatizo o cuidado e a organização com os materiais como parte do trabalho das aulas de arte. Lavar bem um pincel, cuidar bem de uma tesoura é tê-los em bom estado por mais tempo. Cuidar de nossos instrumentos de trabalho e não desperdiçar material é cuidar de nós mesmos e de nossos colegas, pois garantimos a possibilidade de fazer arte nessa oficina de uso coletivo. A funcionalidade do espaço é ordenada visualmente em cores e formas no caso do painel de ferramentas; em escalas cromáticas, no caso das tintas; em tipos, no caso das canetas e de outros materiais de desenho; em pilhas, no caso das cores; especificidade e tamanho, no caso dos papéis, e assim por diante. Os alunos podem realizar a leitura de tal organização com facilidade e colaborar na manutenção e criação de novas ordens. 2 A Escola da Vila (1980) é uma escola particular de São Paulo da qual fui sócia-fundadora. Em 1995 encerrei minhas atividades nessa institui- ção. Os relatórios foram concretizados a partir da reflexão sobre minha prática de professora de artes visuais e são fruto de um trabalho de equipe.

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