Anacronia freire tomazi

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Anacronia freire tomazi

  1. 1. 11 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. Vencendo as Barreiras para Formar Pesquisadores Viviane Maria Morais Léo Faculdade Campo Limpo Paulista Rua Guatemala, 167, Jd. América 13231-230 Campo Limpo Paulista, SP, Brasil (11) 4812 9400 Jucimara Rodrigues de Moraes Faculdade Campo Limpo Paulista Rua Guatemala, 167, Jd. América 13231-230 Campo Limpo Paulista, SP, Brasil (11) 4812 9400 RESUMO Neste artigo, descrevemos um nova metodologia para a retomada do conhecimento científico, com o intuito de auxiliar a formação de pesquisadores no curso de Bacharelado em Química da Faculdade de Campo Limpo Paulista. Com embasamento no construtivismo, as práticas didáticas desenvolveram, no aluno, segurança e independência na construção do seu conhecimento, que pode ser evidenciado pela elaboração de artigos científicos com temas diversos escolhidos pelos mesmos. Palavras chave Método científico, aluno, construção do conhecimento. ABSTRACT We describe a new methodology for the resumption of scientific knowledge in order to assist the training of researchers in the course of Bachelor of Chemistry, Faculty of Campo Limpo Paulista. Guided by Constructivism, the teaching practices developed in the student's safety and independence in shaping their own knowledge, which is evidenced by the production of scientific articles on various topics chosen by them. Keywords: Scientific method, students, construction of knowledge. 1. INTRODUÇÃO Segundo a LDB (Leis de Diretrizes e Bases) e os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), a introdução ao método científico inicia-se nos ciclos fundamental I e II, favorecendo ao aluno observações para a construção do desenvolvimento das etapas do método científico. No ciclo fundamental I, esse desenvolvimento tem como foco as observações e transformações que permeiam na dicotomia de informações implícitas / explícitas, pois, o aluno ainda não possui conhecimento prévio dos conceitos envolvidos nas transformações da natureza, ou seja, começa um processo de conhecimento comum que é complementado pela vivencia do aluno. Já no ciclo fundamental II é introduzida na grade curricular a matéria de Ciências Naturais, onde mescla à construção dos conhecimentos partindo de observações e transformações junto com uma base conceitual e cognitiva dos conteúdos de química, biologia e física, para a compreensão, identificação e interpretação das transformações da natureza. No ensino médio, segundo os PCN, o aluno além de observar, compreender e identificar as transformações da natureza, ele começa a contextualizar essas informações e trabalhar a mudança das características das transformações do macroscópico para o microscópico. Nesta etapa do desenvolvimento, quanto a metodologia científica, o aluno desassocia o método científico das informações conceituais que servem de base para interpretar as transformações da natureza. No ensino superior, no curso de Bacharel em Química se espera que o aluno tenha uma visão clara do método científico, pois assim, a absorção de novos conceitos se torna mais fácil. O presente trabalho foi realizado na Faculdade de Campo Limpo Paulista de ensino superior particular, com turmas do primeiro ano do curso de Bacharelado em Química em 2008 e 2009. A matéria de Introdução à Pesquisa é aplicada nas turmas do primeiro ano de Bacharelado em Química, onde busca introduzir o aluno aos métodos científicos e suas linguagens. O objetivo da disciplina é trabalhar as etapas do método científico, os diversos tipos de apresentação de pesquisas e formatos, com um diferencial pedagógico, pois os alunos têm a oportunidade de elaboração e publicação de um artigo com base na metodologia científica no evento da própria faculdade (WEA = Workshop de Ensino e Aprendizagem). 2. CIÊNCIAS NATURAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL São traços gerais das Ciências buscar compreender a natureza, gerar representações do mundo — como se entende o universo, o espaço, o tempo, a matéria, o ser humano, a vida —, descobrir e explicar novos fenômenos naturais, organizar e sintetizar o conhecimento em teorias, trabalhadas e debatidas pela comunidade científica, que também se ocupa da difusão social do conhecimento produzido. Nas subsubseções a seguir serão apresentados os parâmetros curriculares de ensino da área de Ciências Naturais para o ensino fundamental I e II, onde o método científico esta inserido. 3. Ensino fundamental I: Ciências naturais O processo de aprendizagem das crianças, tendo ou não cursado a educação infantil, inicia-se muito antes da
  2. 2. 12 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. escolaridade obrigatória. São freqüentemente curiosas, buscam explicações para o que vêem, ouvem e sentem. O que é isso? Como funciona? Como faz? E os famosos porquês. São perguntas que fazem a si mesmas e às pessoas em muitas situações de sua vida. As fontes para a obtenção de respostas e de conhecimentos sobre o mundo vão desde o ambiente doméstico e a cultura regional, até a mídia e a cultura de massas. Portanto, as crianças chegam à escola tendo um repertório de representações e explicações da realidade. É importante que tais representações encontrem, na sala de aula, um lugar para manifestação, pois, além de constituírem significativo fator no processo de aprendizagem, poderão ser ampliadas, transformadas e sistematizadas com a mediação do professor. É papel da escola e do professor fazer com que os alunos não percam a ação ativa de perguntarem e buscarem respostas sobre a vida humana, sobre os ambientes e recursos tecnológicos que fazem parte do cotidiano ou que estejam distantes no tempo e no espaço. Entretanto, crianças pequenas compreendem e vivem a realidade natural e social de modo diferente dos adultos. Fora ou dentro da escola, as crianças emprestam magia, vontade e vida aos objetos e às coisas da natureza ao elaborar suas explicações sobre o mundo. De modo geral, em torno de oito anos as crianças passam a exibir um modo menos subjetivo e mais racional de explicar os acontecimentos e as coisas do mundo. São capazes de distinguir os objetos das próprias ações e organizar etapas de acontecimentos em intervalos de tempo. No Ensino Fundamental I são inúmeras as possibilidades de trabalho com os conteúdos da área de Ciências Naturais. Nas classes de Ensino Fundamental I é possível a elaboração de algumas explicações objetivas e mais próximas da Ciência, de acordo com a idade e o amadurecimento dos alunos e sob influência do processo de aprendizagem, ainda que explicações mágicas persistam. Também é possível o contato com uma variedade de aspectos do mundo, explorando-os, conhecendo-os, explicando-os e iniciando a aprendizagem de conceitos, procedimentos e valores importantes. Desde o início do processo de escolarização e alfabetização os temas de natureza científica e técnica, por sua presença variada, podem ser de grande ajuda, por permitirem diferentes formas de expressão. Não se trata somente de ensinar a ler e a escrever para que os alunos possam aprender Ciências, mas também de fazer usos das Ciências para que os alunos possam aprender a ler e a escrever. Essa fase é marcada por um grande desenvolvimento da linguagem oral, descritiva e narrativa, das nomeações de objetos e seres vivos, suas partes e propriedades. Esta característica permite que os alunos possam enriquecer relatos sobre observações realizadas e comunicá-las aos seus companheiros. A capacidade de narrar ou descrever um fato, nessa fase, é enriquecida pelo desenho, que progressivamente incorpora detalhes do objeto ou do fenômeno observado. O desenho é uma importante possibilidade de registro de observações compatível com esse momento da escolaridade, além de um instrumento de informação da própria Ciência. Conhecer desenhos informativos elaborados por adultos — em livros, enciclopédias ou o desenho do professor — contribui para a valorização desse instrumento de comunicação das informações. Além do desenho, outras formas de registro se configuram como possibilidades nessa fase: listas, tabelas, pequenos textos, utilizando conhecimentos adquiridos em Língua Portuguesa e Matemática. Muito importante no ensino de ciências é a comparação entre fenômenos ou objetos de mesma classe, por exemplo: diferentes fontes de energia, alimentação dos animais, objetos de mesmo uso. Orientados pelo professor, que lhes oferece informações e propõem investigações, os alunos realizam comparações e estabelecem regularidades que permitem algumas classificações e generalizações. Por exemplo, podem compreender que existem diferentes fontes de calor; que todos os animais se alimentam de plantas ou de outros animais e que objetos são feitos de determinados materiais apropriados ao seu uso. Outra característica, deste momento, da criança é o desenvolvimento da linguagem causal. A criança é capaz de estabelecer seqüências de fatos, identificando causas e conseqüências relacionadas às mesmas, mas ainda não as associa a princípios ou leis gerais das Ciências. Essa característica possibilita o trabalho de identificação e registro de encadeamento de eventos ao longo do tempo, estabelecendo-se a distinção entre causas e conseqüências. Ensino fundamental II: Ciências naturais No Ensino Fundamental II, a escola já não é novidade. O aluno desta fase possui um repertório de imagens e idéias quantitativo e qualitativamente mais elaborado que no primeiro ciclo. Nem todos os alunos iniciam esse ciclo já sabendo ler e escrever efetivamente, o que não pode constituir impedimento à aprendizagem de Ciências Naturais. Pelo contrário, uma vez que a área propicia a prática de várias formas de expressão, a aprendizagem de Ciências não só é possível como pode incentivar o aluno a ler e a escrever. Sob orientação do professor, o aluno pode desenvolver observações e registros mais detalhados, buscar informações através de leitura em fontes diversas, organizá- las através da escrita e de outras formas de representação, de modo mais completo e elaborado que o aluno do Ensino Fundamental I. Ampliam-se, também, as possibilidades de estabelecer relações, o que permite trabalhar com maior variedade de informações, alargando a compreensão do mundo e das interações do homem com esse mundo.
  3. 3. 13 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. O aluno deste ciclo já pode compreender com maior e crescente desenvoltura explicações e descrições nos textos informativos que lê, ou naqueles lidos pelo professor, o que representa um ganho significativo em relação ao ciclo anterior. O desenho como forma de registro já é mais claro e detalhado, aproximando-se do desenho informativo, característico das Ciências. Os registros de atividades práticas de observação e experimentação podem ser sistematizados em relatórios que contenham a descrição das etapas básicas: materiais utilizados, procedimentos e dados obtidos. O estabelecimento de regularidades nas relações de causa e efeito, forma e função, dependência e sincronicidade ou seqüência é possível ser realizado pela comparação de eventos, objetos e fenômenos, sob orientação do professor, que oferece informações e propõe investigações aos alunos. A busca de informações em livros, jornais e revistas são agora possíveis de se realizar com crescente autonomia. É este o instrumental do aluno para interpretar dados e informações, e através do qual será capaz de realizar algumas generalizações. A partir do Ensino Fundamental II os alunos são capazes de trabalhar com uma variedade de informações progressivamente maiores, generalizações mais abrangentes, aproximando-se dos modelos oferecidos pelas Ciências. 4. ENSINO MÉDIO E A CIÊNCIA A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.394/1996 – define o ensino médio como última etapa da educação básica, não apenas porque acontece no final de um longo caminho de formação, mas porque, para os estudantes, em ritmo de escolarização regular, aqueles que seguem seus estudos sem interrupções e/ou reprovações, os três anos desse grau de ensino coincidem com a maturidade sexual dos adolescentes, compreendida também como uma importante etapa da vida para a maturidade intelectual. Vigotski (1997) defende que é nesse período que se constitui a capacidade do pensamento conceitual, isto é, a plena capacidade para o pensamento abstrato ou a consciência do próprio conhecimento. [...] mais amplamente integrado à vida comunitária, o estudante da escola de nível médio já tem condições de compreender e desenvolver consciência mais plena de suas responsabilidades e direitos, juntamente com o aprendizado disciplinar. (BRASIL, 1999, p. 207). A grande importância da área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias no desenvolvimento intelectual do estudante do ensino médio estão na qualidade e na quantidade de conceitos, aos quais se busca dar significado nos quatro componentes curriculares: Física, Química, Biologia e Matemática. A própria denominação da área, Ciências da Natureza e Matemática, aponta para as múltiplas dimensões nas quais um conteúdo escolar precisa ser estudado. Isso pode levar à superação da fragmentação e da seqüência linear com que são abordados os conteúdos escolares. Cada componente curricular tem sua razão de ser, seu objeto de estudo, seu sistema de conceitos e seus procedimentos metodológicos, associados a atitudes e valores, mas, no conjunto, a área corresponde às produções Humanas na busca da compreensão da natureza e de sua transformação, do próprio ser humano e de suas ações, mediante a produção de instrumentos culturais de ação alargada na natureza e nas interações sociais (artefatos tecnológicos, tecnologia em geral). Assim como a especificidade de cada uma das disciplinas da área deve ser preservada, também o diálogo interdisciplinar, transdis- ciplinar e intercomplementar devem ser assegurados no espaço e no tempo escolar por meio da nova organização curricular. O diálogo entre as disciplinas é favorecido quando os professores dos diferentes componentes curriculares focam, como objeto de estudo, o contexto real – as situações de vivência dos alunos, os fenômenos naturais e artificiais, e as aplicações tecnológicas. A complexidade desses objetos exige análises multidimensionais, com a significação de conceitos de diferentes sistemas conceituais, traduzidas nas disciplinas escolares. Contudo, toda a escola e sua comunidade, não só o professor e o sistema escolar, precisam se mobilizar e se envolver para produzir as novas condições de trabalho, de modo a promover a transformação educacional pretendida. (BRASIL,1999, p. 208). As condições de trabalho envolvem espaços e tempos de estudo dos professores, expectativas refletidas de pais quanto à educação básica necessária para seus filhos e o projeto político-pedagógico de escola, que sinaliza e expressa a educação básica mais adequada para o contexto em que a escola se insere. Com isso, fica referendada a visão expressa nos PCN+ (Orientações Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais) de que as ciências que compõem a área têm em comum a investigação sobre a natureza e o desenvolvimento tecnológico, e que é com elas que a escola, compartilhando e articulando linguagens e modelos que compõem cada cultura científica, estabelece mediações capazes de produzir o conhecimento escolar, na inter-relação dinâmica de conceitos cotidianos e científicos diversificados, que incluem o universo cultural da ciência Química. Características comuns às ciências que compõem a área permitem organizar e estruturar, de forma articulada, os temas sociais, os conceitos e os conteúdos associados à formação humano-social, na abordagem de situações reais facilitadoras de novas ações conjuntas. Com essa organização, espera-se que ocorra a apropriação de necessários conhecimentos disciplinares, intercomple- mentares e transdisciplinares, ou seja, é com os demais componentes disciplinares da área que a Química pode participar no desenvolvimento das novas capacidades humanas.
  4. 4. 14 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. As concepções de ensino escolar são construções históricas que adquirem sentidos e significados próprios de acordo com o contexto. Na escola, criam-se intencionalmente e de forma planejada os contextos a serem estudados. Ao se tratar o conjunto dos componentes curriculares das Ciências da Natureza como área de estudos e com atenção para suas tecnologias, esses conhecimentos passam a ser intercomplementares, ou seja, qualquer avanço no significado de algum conceito em um campo científico, em uma disciplina, pode ter repercussão em outros campos ou disciplinas. Presume-se, então, que isso torna a significação do contexto muito mais rica e aprendizagem mais consistente, contribuindo para o maior desenvolvimento dos estudantes. 5. PAPEL DO ALUNO NO NÍVEL SUPERIOR Qualquer instituição de ensino superior se compõe como local adequado para a construção de conhecimento para a formação da competência humana. Em contrapartida, o aluno se apresenta com um perfil agente passivo do processo ensino/aprendizagem, como alguém que não sabe encontrar soluções para os novos problemas que surgem diariamente, não manifestando pensamento crítico, não usando a criatividade, não articulando logicamente o raciocínio e apresentando dificuldades em seguir o caminho do conhecimento científico. O ensino baseado em pressupostos construtivistas exige novas práticas docentes e discentes não usuais na nossa cultura escolar, por isso, inúmeros trabalhos têm sido realizados a fim de levantar concepções dos estudantes acerca de determinados conteúdos e analisar o papel que elas desempenham na aquisição dos conceitos científicos. O conhecimento não é simplesmente transmitido ou revelado, mas construído pelo próprio sujeito a partir de impressões ou vagas noções que evoluem de acordo com as possibilidades e oportunidades desse sujeito. Segundo Drive (1989), “a aprendizagem se dá através de um envolvimento ativo do aprendiz na construção do conhecimento. Dentro desta perspectiva construtivista, os aprendizes vão construindo representações mentais do mundo ao seu redor, que são usadas para interpretar novas situações e guiar sua ação nestas situações”. Esse conhecimento, que consideramos ser necessário ao homem contemporâneo, não está somente na apropriação do conteúdo do conceito, mas também no domínio de formas de interação com o conhecimento presentes nos conceitos científicos que, quando apropriados teoricamente, são transformados em instrumentos cognitivos. Não basta descrever, nomear, definir objetos e fenômenos, é preciso ir além do que foi fornecido. 6. PAPEL DO PROFESSOR NESTE CONTEXTO Como alicerce deste tipo de pesquisa, há necessidade de se conhecer bem o Projeto Pedagógico da Instituição de Ensino, pois ele contém as diretrizes básicas. Isto possibilita uma integração das metas definidas neste projeto com as práticas de ensino aplicadas em sala de aula. Tornar os alunos ativos no processo de aprendizagem faz parte das idéias e dos experimentos de psicólogos educacionais como Carl Rogers e Jean Piaget. Os métodos usados por estes pesquisadores são conhecidos como métodos de ensino centrados no aluno. A idéia do método centrado no aluno é de que os estudantes deverão tornar-se “pensadores-críticos” e, assim, o processo de aprendizagem se tornará mais dinâmico. Eles deverão desenvolver a capacidade de autoiniciativa de descobrimento que permita um processo de aprendizagem contínuo e de crescimento em sua vida profissional. Enfatiza muito mais os métodos e as habilidades que permitem ao aluno questionar, analisar, julgar e tomar decisões. A metodologia para se transmitir aos alunos os conhecimentos descobertos ou não, novos ou antigos, deve estar constantemente em avaliação pelo professor. Percebemos que não existe uma metodologia boa para qualquer tipo de público, sendo necessário investigar métodos de ensino para cada tipo específico. 7. MÉTODOS Esta pesquisa é de natureza quantitativa com amostragem aleatória simples e aleatória estratificada. Dada a intenção de investigar a compreensão do método científico em alunos ingressantes no ensino superior e apresentar uma didática diferenciada de abordagem do método científico. A coleta de dados foi realizada pela compilação da aplicação de questionários com questões fechadas e semi- abertas, no início e término do primeiro período do curso na Faculdade de Campo Limpo Paulista, no qual é ministrada a disciplina de Introdução à Pesquisa. Buscando identificar as concepções que o aluno tem sobre a metodologia científica. O primeiro questionário foi aplicado no início do período letivo, onde a primeira questão, fechada, teve como objetivo investigar se o aluno lembra-se do contato com o método científico. A segunda pergunta, também fechada, buscou-se identificar a que ponto o discente conhece o método científico. A terceira pergunta está relacionada com a proposta de elaboração do artigo científico, quanto à escolha do tema. A questão de número quatro, semi-aberta, apresentava cinco alternativas de resposta e a quinta questão, fechada, relaciona a escolha do tema com o trabalho. Na sexta e última questão o discente também tem cinco alternativas de resposta. O segundo questionário aplicado ao término do período letivo é composto de cinco perguntas fechadas e duas abertas. 8. RESULTADOS E DISCUSSÃO A primeira questão investigou se o aluno teve contato com o método científico antes de ingressar na faculdade. Os resultados obtidos estão demonstrados na figura 01, abaixo:
  5. 5. 15 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. Figura 01: Gráfico do conhecimento prévios dos alunos sobre o método científico no início da faculdade. Nota-se que os alunos recém ingressados na graduação não demonstram conhecimento do método científico, apesar da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) estabelecer a inserção de metodologia científica no ensino fundamental e médio. Mesmo 71% dos alunos afirmarem não conhecer o método científico opinaram sobre uma etapa do método. Isto demonstra a naturalidade do ser humano em discorrer sobre um tema sem conhecer a definição ou conceito do mesmo. Os alunos que compõe os 29% restantes, que afirmaram conhecer o método científico; 62,5 %, porém, não demonstraram tal conhecimento quando inquiridos. Ao serem questionados a respeito da escolha do tema de pesquisa, 50% afirmou ser por curiosidade e 50% por ter conhecimento prévio do mesmo. Independentemente do conhecimento do método científico, pelo aluno, eles demonstram o interesse em pesquisar sobre determinado assunto, principalmente de sua escolha. Já na definição do tema a ser trabalhado, questionou-se as possíveis dificuldades enfrentadas por eles. Uma parcela de 32% afirmou não ter dificuldades. Os demais apresentaram uma ou mais dificuldades, tais como falta de conhecimento prévio no assunto (18%); muita informação sobre o tema (21%); falta de habilidade com a informática (15%) e os demais se enquadram em mais de uma dificuldade. Aqui percebemos a falta de prática da maioria dos alunos em se posicionar como agente ativo frente a uma proposição de trabalho. Na investigação da possível associação feita, pelo aluno, sobre a relação do tema escolhido com o seu campo de trabalho atual (contexto) vemos o resultado na figura 02, abaixo: Figura 02: Gráfico do relacionamento do tema escolhido com o campo de trabalho em que atuam. Fica evidenciado como o aluno não aproveita a oportunidade oferecida, através da escolha do tema, para contextualizar a metodologia científica na sua área de atuação profissional. Talvez isto ocorra ou pela falta de prática em contextualização, ou pelo fato do aluno não conseguir visualizar a aplicação do método científico no seu dia a dia. A figura 03, a seguir, representa a obtenção de informação sobre a opinião, dos alunos, em relação a um bom trabalho com base científica deve ser. A alternativa a corresponde a este trabalho ser objetivo e experimental; a b corresponde ele ser objetivo e ter referências bibliográficas atualizadas; a c corresponde a ele ser objetivo; a d corresponde este trabalho ter referências bibliográficas atualizadas e ser experimental e a e , ser objetivo, referências bibliográficas atualizadas e ser experimental. Figura 03: Gráfico representativo da opinião dos alunos quanto a realização de um bom trabalho científico. Tendo em vista as dificuldades apontadas pela maioria dos alunos, os mesmos apesar de conhecerem sobre o assunto, devido a vivencia do mesmo durante sua educação escolar, sentem grande dificuldade em sua aplicação prática. 9. CONCLUSÃO O currículo escolar brasileiro visa desenvolver nos discentes a metodologia científica desde suas séries iniciais, mas pode-se dizer que a maneira de como esta habilidade vem sendo trabalhada, não apresenta grande eficácia, pois nos é possível observar que os discentes chegam ao terceiro grau com dificuldades que estão relacionadas diretamente com a base conceitual do método científico. Por esta razão houve a necessidade de desenvolver com os mesmos, uma metodologia diferenciada, onde o aluno alem de retomar estes conceitos ele próprio busca as ferramentas para o seu desenvolvimento na pesquisa. Por isso que se trata não somente de uma metodologia diferenciada, mas uma forma de levar o aluno a vencer as barreiras encontradas, e desta forma seguir em frete com seus objetos de pesquisa, ou seja sendo autônomo de seu conhecimento. O trabalho em grupo também faz com que a socialização entre eles seja melhor, colaborando com a união e cidadania.
  6. 6. 16 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. O próximo passo desta pesquisa é avaliar o grau de satisfação dos discentes com relação a metodologia apresentada e investigar se o método colaborou ou não no desenvolvimento das outras disciplinas. REFERÊNCIAS CARVALHO, A.M.P.; GIL-PÉREZ, D. Formação de professores de ciências. São Paulo: Cortez, 1993. GEDDIS, A.N. Improving the quality of science classroom discourse on controversial issues. Science Education, New York, v.75, n.2, p.169-183, 1991. GLASSON, G.E.; LALIK, R.V. Reinterpreting the learning cycle from a social constructivist perspective: a qualitative study of teachers’ beliefs and practices. Journal of Research in Science Teaching, New York, v.30, n.2, p.187- 207, 1993. LURIA, A. R. at al.. Psicologia e Pedagogia I: bases psicológicas da aprendizagem e do desenvolvimento. Tradução: Rubens Eduardo Frias. São Paulo: Editora Moraes. 1991. TRIVELATO, S.L.F. Ciência, tecnologia e sociedade: mudanças curriculares e formação de professores. 1993. Tese (Doutorado). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993.
  7. 7. 17 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. Análise Comparativa de Emissões dos Combustíveis Diesel X Biodiesel Viviane Maria Morais Léo Andréa Ferrazin Aline Amadi Domingos Diogo Silveira Faculdade Campo Limpo Paulista Rua Guatemala, 167, Jd. América 13231-230 Campo Limpo Paulista, SP, Brasil (11) 4812 9400 RESUMO Neste artigo apresentamos uma análise comparativa da emissão dos combustíveis Diesel e Biodiesel, correlacionando assim, aspectos positivos e negativos do uso de cada um. O dióxido de Carbono (CO2) é um importante gás do agravamento do efeito estufa. Hoje sabe- se que a causa principal da poluição urbana são as emissões veiculares, devido ao crescimento constante da frota. Serão mostrados estudos feitos em Florianópolis e Campo Grande/MS, onde muitas vezes, conforme os resultados obtidos muda a opinião das pessoas sobre o biodiesel ser usado em substituição ao Diesel ou não. Este artigo tem por objetivo aspectos ambientais do benefício do uso do biodiesel em face ao uso do diesel. Palavras Chave Emissão de Poluentes, Diesel e Biodiesel, Comparação. ABSTRACT This article presents a comparative analysis of the issue of Diesel Fuel and Biodiesel, correlating well, positive and negative aspects of using each one. Carbon dioxide (CO2) is an important gas greenhouse effect. Today it is known that the main cause of urban pollution are vehicular emissions, due to the constant growth of the fleet. Studies are shown in Florianopolis and Campo Grande / MS, which often, as the results change people's views on biodiesel be used to replace diesel or not. This article aims to benefit environmental aspects of the use of biodiesel in relation to use of diesel. Keywords Emissions, Diesel and Biodiesel, Comparison. 1. INTRODUÇÃO Devido à crise do Petróleo na década de 70, tivemos o despertar do mundo na corrida para novas formas de energias. No Brasil, na década de 80 criamos o Proálcool. O Diesel é um combustível fóssil, poluente derivado do Petróleo. O Biodiesel é um combustível renovável que por sua vez, contribui para melhorar as condições ambientais através da redução de emissão de gases poluentes. O Biodiesel é derivado de óleos vegetais, como óleos de soja, algodão, girassol, mamona etc. Nesse contexto podemos analisar vários itens, como desempenho dos motores, tempo de degradação dos motores, economia de divisas quanto à diminuição da importação do Diesel, questões ambientais, produção de oleaginosas, questões de saúde, entre outros No entanto vamos nos atentar a questão ambiental, os poluente. Sabe-se que o dióxido de carbono (CO2) é um importante gás do agravamento do efeito estufa. No entanto mesmo com o benefício do biodiesel na redução de emissão desses poluentes, temos que atentar para o fato de que dependendo do tipo de biodiesel utilizado e do tipo de motor pode ocorrer o aumento do óxido de nitrogênio (NOx), redução da potência do motor e aumento do consumo de combustível. Questões que ao serem ponderadas no âmbito do que se faz relevante, como por exemplo, se tiramos fora da discussão o aumento do consumo de combustível no uso do biodiesel, conseguimos enxergar que ele faz uma redução excelente na emissão de poluentes, uma vez que a relevância é dada a questão ambiental e a saúde das pessoas. 2. HISTÓRICO Segundo dados da CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) (apud Freitas, 2005), no ano de 2003 somente os veículos movidos a diesel na cidade de São Paulo emitiam 444,4 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 72,4 mil toneladas de hidrocarbonetos (HC), 324,5 toneladas de dióxidos de nitrogênio (NOx), 11,2 mil toneladas de dióxidos de enxofre (SOx) e 20,2 mil toneladas de materiais particulados (MP). E como todos sabem, não precisamos evidenciar dados relativos à saúde da população ao respirar esses gases. O uso do óleo Diesel, como todo o derivado de petróleo, é como já citamos, um dos intensificadores do efeito estufa global. Hoje é feita a queima das reservas de carbono fossilizadas na forma de petróleo. Assim, este carbono liberado à atmosfera pela queima de combustíveis fósseis leva milhões de anos para retornar à sua forma original. Por
  8. 8. 18 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. isso busca-se utilizar as reservas de carbono da biomassa (com o uso de biocombustíveis). Esta forma de carbono está dentro de um ciclo muito mais curto, que se repete dia a dia, com a foto-assimilação do carbono pelas plantas no seu crescimento. O Histórico do Biodiesel no Brasil é definido em Lei Nº 11.097 de 13 de janeiro de 2005 como um biocombustível derivado de biomassa, renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme o regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustível fóssil. É obtido através de processos, tais como o craqueamento, esterificação, ou pela transesterificação, podendo ser produzido a partir dos insumos como, gorduras de animais ou óleos vegetais extraídos: do girassol, amendoim, dendê, algodão, soja, mamona, entre outras. Segundo o Artigo 2º desta Lei, foi introduzido o biodiesel na matriz energética brasileira, sendo fixado em 5%, em volume, o percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao óleo diesel que chega ao consumidor final, de qualquer parte do território nacional. Esta lei estabelece um prazo de 8 anos para a sua aplicação, sendo que após 3 anos da sua publicação (janeiro de 2008), já é obrigatória a utilização de 2% , em volume, de Biodiesel no óleo Diesel. 3. DISCUSSÃO Processo de Fabricação do Biodiesel Para esta discussão, obtivemos os dados do site governamental para fabricar o biodiesel, sobre um dos processos de obtenção do biodiesel mais utilizado que é o da transesterificação. Este processo ao qual mostramos através da figura 1 consiste numa reação química dos óleos vegetais ou gorduras animais com álcool etanol ou o metanol1 , estimulada por um catalisador (como soda cáustica ou hidróxido de potássio), porém resultando, juntamente com a obtenção do biodiesel, em subprodutos como a glicerina. Este subproduto, que embora seja utilizado em diversas indústrias químicas, vem gerando muitos debates no que tange ao enorme volume produzido pelo aumento da produção de biodiesel, que poderá vir a ter o seu excedente descartado de forma incorreta no meio ambiente, o que tiraria o mérito do biodiesel como um combustível ecologicamente correto. A figura 2 mostra um fluxograma teórico quanto à produção do Biodiesel. Por se tratar de um processo poluidor engenheiros desenvolveram uma máquina capaz de: 1 Metanol é uma substância tóxica obtida a partir do petróleo. Já o etanol é obtido através da cana-de-açúcar e lípase (enzima encontrada no sistema digestivo humano, mas que também pode ser produzida por fungos, leveduras e bactérias em laboratório) (BIODIESELBR, 2008). Processo contínuo, separação da glicerina por decanter (centrifugação forçada), aquecimento sem vapor de caldeira, recuperação total do metanol, sem lavagem do óleo com água (sem efluentes poluidores), automatização de 100% do processo e não precisa de equipamentos periféricos, como : tratamento de água para caldeira, caldeira para produção de vapor, custo para recuperação do metanol arrastado pela glicerina no processo de decantação, tratamento da água de lavagem do óleo e instalação de filtros especiais nos motores a explosão. Figura 1 – Processo de Transesterificação Figura 2 – Processo detalhado para produção do Biodiesel O biodiesel, embora apresente alguns impasses, como o preço elevado em comparação ao óleo diesel tem conquistado um espaço cada vez maior em alguns setores como um grande aliado para mitigar impactos ambientais causados pela emissão do CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera e na diminuição, a longo-prazo, de custos relacionados ao consumo de óleo diesel. Em relação ao seu custo, tende a diminuir, lentamente devido a fatores, como: os avanços na estruturação da cadeia, a ampliação das plantas industriais de produção, a diversificação de insumos para sua fabricação, e o desenvolvimento de um ambiente mais competitivo. Tornando-se, desse modo, um produto mais competitivo em relação a outras fontes de energia de origem fóssil. A figura
  9. 9. 19 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. 3 é um equipamento desenvolvido para o Processo de Transesterificação. Figura 3 – Equipamento para transesterificação O Biodiesel é um composto utilizado para misturar ao Diesel em 2, 5, 20 ou 100% respectivamente denominados B2, B5, B20 e B100. 4. DISCUSSÃO COMPARATIVA Sobre o Biodiesel a partir da Soja Para atender o percentual obrigatório mínimo do biodiesel (B2), a partir de todo biodiesel sendo produzido a partir da soja, é estimada uma área plantada aproximadamente de dois milhões de hectares equivalentes a quase 10% de toda área usada no cultivo da soja, de acordo com a figura 4, onde é apresentada a evolução da produção de grãos de soja, nas suas respectivas áreas de plantio e rendimentos médios (IBGE, 2008). Caso o biodiesel B2 seja produzido a partir da soja será necessário um percentual aproximado de 8% de toda produção nacional da soja. Fazendo-se projeções para o B5, B20 e B100, considerando um consumo anual de 40 milhões de metros cúbicos de óleo diesel, e no caso do B100 sendo a substituição completa do óleo diesel fóssil, pode se observar por meio da Figura 5, que no caso do B20 se consumiria mais da metade da produção de soja nacional. E para o caso do B100 seria necessário mais que a produção atual para atender a demanda. Se formos pensar na questão de área, ou seja, o País já desmatou trilhões de hectares ao longo do desenvolvimento agrícola e pecuário e sem falar da soja transgênica, o solo depois de certo tempo torna-se cansado e improdutivo e esperam-se anos, até poder cultivar novamente na mesma área. Enquanto isso outras áreas são desmatadas para não parar a produção Só este fato já torna inviável o uso de Biodiesel de soja na esperança da substituição em 100% do óleo diesel para a redução de emissão de poluentes. Figura 4 - Evolução da produção de soja, com as respectivas áreas plantadas e rendimentos médios. Figura 5 – Projeção para produção de Biodiesel Um veículo que tenha um consumo de 100 litros por dia (equivalente a mais ou menos 1000 km rodados) gera aproximadamente 260kg de CO2. Com base nesses parâmetros veremos alguns estudos realizados Estudo realizado em Florianópolis – SC Um estudo realizado em Florianópolis pela SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, em 2008 pesquisou o volume de gases emitidos pelo Diesel e Biodiesel da frota de ônibus da Ilha. Nesse estudo, observou-se que o consumo de energia do biodiesel é superior ao do diesel, ou seja, gasta-se mais combustível no biodiesel. Para o cálculo da quantidade de poluentes emitidos mensalmente por veículos a diesel, baseou-se no estabelecidos pela Lei 8.723/93 (Brasil, 1993), conforme apresentado na figura 6. Figura 6 - Fatores de emissão para o diesel e biodiesel B20
  10. 10. 20 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. Os poluentes emitidos ao mês pelos ônibus de Florianópolis, quando o combustível é o diesel e para a utilização do biodiesel 20%, são apresentadas na figura 7. Figura 7 - Massas de poluentes emitidos. A estimativa dos gases poluentes emitidos mostrou a alta redução da poluição do ar causada pelos ônibus quando substituiu-se o diesel pelo biodiesel B20. A redução da emissão de hidrocarbonetos foi a mais elevada, atingindo 90%. Outra redução relevante observada foi a de emissões de monóxido de carbono no mês, capazes de reduzir 63,5%, bem como a redução de material particulado (MP), por volta de 34%. A redução do NOx não foi tão significante quanto a dos outros gases, ficando em torno de 7%, pois sabe-se que a queima do biodiesel insere maior quantidade de oxigênio na câmara de combustão, propiciando a síntese de óxidos de nitrogênio (MIRANDA, 2007). Estudo realizado em Campo Grande - MS Figura 8 – Resultados dos cálculos do total de poluentes emitidos por ônibus do transporte coletivo urbano de Campo Grande/MS No estudo de Campo Grande, observamos que houve uma redução de 41% na redução do CO2, 40% nos hidrocarbonetos, 66% de dióxido de nitrogênio e houve um aumento de 63% nas emissões dos materiais particulados. Resultados obtidos Em suma, comparando o estudo de Campo Grande e o estudo de Santa Catarina, observamos que houve redução nas emissões de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e dióxido de nitrogênio. Em Campo Grande houve um aumento considerável nas emissões dos materiais particulados na mistura B20. Redução das emissões Estudo Empresarial A Empresa Cummins Ltda. fez em 2008 um biocombustivél de maior qualidade, capaz de emitir muito menos gás tóxico, corroer menos as peças e motores. A seguir na figura 9, vemos o resultado de seu esforço com o aprimoramento do B20 e B100 de mamona, girassol e gordura animal. Figura 9 - Comparação das emissões entre vários combustíveis Na figura 9 verificamos a redução das emissões de gás efeito estufa em %. Vemos que o etanol de celulose reduz em até 90,90% o nível de emissões. O biodiesel fica em segundo lugar com 67,70% de redução e o metanol reduz até 8,50%. Curiosidade O óleo diesel é um composto formado principalmente por átomos de carbono, hidrogênio e em baixas concentrações por enxofre, nitrogênio e oxigênio e selecionados de acordo com as características de ignição CH3OH. A tabela abaixo mostra a Fórmula molecular média e massa molar média do diesel e biodiesel. Figura 10 – Formula molecular e massa molar Diesel e Biodiesel Figura 11 – Molécula do Biodiesel 5. CONCLUSÃO Pelos resultados alcançados com o biodiesel de soja, pode- se dizer que a melhor opção para o cenário atual e futuros seria usar a mistura de 20% de biodiesel ao óleo
  11. 11. 21 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. diesel fóssil, pois não seria necessário uma grande evolução tecnológica nos motores movidos a ciclo diesel. Em alguns países Europeus como, por exemplo, a Alemanha utiliza o B20. No pior caso para o B20, que seria por volta de 2050, onde ainda se teria emissões de CO2, comparando pode-se observar que as emissões cairiam em uma ordem de grandeza. Já no caso do B100, seria necessário um grande investimento tecnológico nos motores à diesel, para que estes passem a usar o biodiesel puro. A metodologia utilizada para avaliar a quantidade de poluentes emitidos apresentou-se como uma forma simples e rápida de se ter uma noção dos impactos que uma mudança na matriz energética poderá causar ao ambiente. Os poluentes emitidos numa estimativa no caso o óleo Diesel e ao substituí-lo por uma mistura de 20% de biodiesel mostrou que a utilização do B20 é capaz de reduzir expressivamente a quantidade de poluentes emitidos mensalmente pelos ônibus de Florianópolis. Entretanto, ressalta-se que nesta estimativa teórica procura se aproximar da emissão real dos gases poluentes, mas sabe-se que a emissão real de poluentes depende de diversos outros fatores que não foram levados em consideração, como: as características da frota, idade, regulagem e manutenção, modo de operação e sistema de tráfego local, entre outros. Ressaltamos ainda que estudos mais aprofundados em relação à utilização dos biocombustíveis desenvolvidos com soja ou grãos comestíveis devem ser realizados para que a utilização de tais materiais (grãos) não ocasione uma escassez de alimentos. A utilização de somente 20% de biodiesel ao diesel já seria capaz de reduzir impactos sobre o ambiente sem causar maiores preocupações com a disponibilidade de alimentos. Outra estratégia interessante seria o uso do biodiesel produzido a partir de outro elemento como o óleo de fritura, que daria um destino sustentável e rentável a um resíduo de difícil descarte. A principal desvantagem do uso desta matéria-prima é a quantidade pequena frente ao consumo em massa do combustível e a fonte difusa (é de todos), que requer uma estratégia de coleta e transporte até o local de produção desse biodiesel. E se realizarem mais estudos, isso permitirá deduzir que ao substituir diesel pelo biodiesel resultará em diminuição das emissões de poluentes, geração de novos postos de trabalho a partir de atividades agroindustriais, e a diminuição na importação de petróleo, já que o Brasil importa petróleo, para suprir a demanda de diesel. Intuímos ainda que cabe aos diversos profissionais envolvidos como os químicos pesquisarem e comporem fórmulas pensadas no para suprir a sustentabilidade/rentabilidade para o biodiesel de forma que seu resíduo não seja danoso ao ambiente, não estrague tanto as peças dos motores, não interfira no rendimento do veículo e fazendo assim seu custo benefício mais atraente para enfim podermos descartar de vez o uso de diesel no nosso País. REFERÊNCIAS ABIOVE. Biodiesel no Brasil: a visão da indústria de óleos vegetais. 1º Fórum Brasil-Alemanha sobre biocombustíveis. São Paulo, 4 nov. 2004. www.anp.gov.br. Acesso em abr. 2009. XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. VI-055 – estimativa e comparação da emissão de poluentes pelos ônibus urbanos da cidade de Florianópolis (SC) com a utilização de diesel e biodiesel como combustível. CUMMINS BRASIL LTDA. Motores Diesel e uso do Biodiesel. Luis Chain Faraj. 29 de Outubro de 2008. BIODIESEL, O NOVO COMBUSTÍVEL. Carlos Covalski. 2008
  12. 12. 22 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. A Reciclagem dos Resíduos Sólidos Urbanos e o Uso das Cooperativas de Reciclagem – Uma Alternativa aos Problemas do Meio Ambiente Márcio Magera Conceição Faculdade Campo Limpo Paulista Rua Guatemala, 167, Jd. América 13231-230 Campo Limpo Paulista, SP, Brasil (11) 4812 9400 magera@uol.com.br RESUMO: O presente trabalho é resultado de pesquisas realizadas na área de concentração em Sociologia, na linha de pesquisa em energia e meio ambiente. Trata-se de uma pesquisa sobre a formação das cooperativas de trabalhadores que se encontram no setor de reciclagem de lixo. Diante do exposto, procurou-se estudar os atores envolvidos com visão interdisciplinar, analisando-se a participação de cada um nesta visão espacial do problema do lixo, que é um material “mal-amado” e do qual muitos querem se livrar, mas que é, sem dúvida, o grande problema do planeta. Espera-se com este trabalho contribuir para uma compreensão mais interdisciplinar das questões referentes ao lixo no Brasil, evidenciando-se a sua viabilidade econômica, bem como sua gestão profissional e estratégica. Palavra chave: Meio Ambiente – Cooperativismo – Reciclagem ABSTRACT: This current piece of work is a result of researches done in the Sociology field, in the energy research line and the environment. This research is about workers from cooperatives foundations who are in the waist recycling sector. From what is exposed, It was studied the agents involved within an interdisciplinary vision, analyzing each one’s role in this spacial vision of the waist problem, in which is considered to be an “unlovely” material, and many of us want to get rid of, but it is, undoubtly, the greatest problem of the planet. The aim of this work is to somehow contribute to a more interdisciplinary comprehension of the questions concerning the waist in Brazil, highlighting if its economical viability, as well as its professional mana- gement and strategy. Key words: The Environment – Cooperativism – Recycling 1. O ENTENDIMENTO DAS QUESTÕES DO MEIO AMBIENTE Meio Ambiente saudável é a nossa garantia de sobre- vivência, e essa condição se dá através das relações externas nas quais um organismo, uma comunidade ou objeto existe; portanto, devemos levar em conta o respeito pela Natureza. Como gestionar essa convivência de forma harmoniosa é o nosso grande desafio e o das futuras gerações. Os fatores que provocam agressões à Natureza precisam ser conhecidos e gerenciados, e a geração de resíduos sólidos urbanos nesse contexto é um desses fatores que vem provocando uma alteração das políticas públicas em escala planetária. Entretanto, a intensificação dos impactos ambientais causados pelas atividades humanas em nosso planeta nas últimas décadas vem criando uma nova consciência ambientalista, provocando uma nova postura socioambiental. A globalização da degradação socioambiental reputou às disciplinas científicas o papel principal de internalizar valores e princípios ecológicos que asseguram a sustentabilidade do processo de desenvolvimento econômico e social das futuras gerações. Como afirma Leff, “o ambiente emerge impulsionado pelas diferentes ordens do real que foram externalizadas e dos saberes subjugados pelo desenvolvimento das ciências modernas. O ambiente está integrado por processos, tanto de ordem física como social, dominados e excluídos pela racionalidade econômica dominante: a natureza superexplorada e a degradação socioambiental, a perda de diversidade biológica e cultural, a pobreza associada à destruição do patrimônio de recursos dos povos e a dissolução de suas identidades étnicas a distribuição desigual dos custos ecológicos do crescimento e a deterioração da qualidade de vida” (2000, p.159). Neste contexto universalista, temos o sistema produzindo cada vez mais e gerando novas necessidades para a sociedade, que, por sua vez, responde consumindo cada vez mais produtos e serviços de forma imprudente e inconseqüente. Quando estamos consumindo qualquer produto ou serviço, quase sempre geramos lixo, ou pela sobra ou pelas embalagens que revestem as mercadorias e parte dos serviços que compramos. Mas poucas pessoas ainda se
  13. 13. 23 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. preocupam em saber para onde irá todo esse lixo ou quais as conseqüências provocadas no meio ambiente, para tornar possível a geração dos produtos e serviços que servem à humanidade diariamente! Tais reflexos da modernidade já estão se confirmando, quando temos mudanças radicais no meio ambiente. O aquecimento global já é um consenso entre os cientistas, e até os mais cépticos acreditam que, no ritmo em que a temperatura média do planeta Terra vem subindo (nos últimos cem anos 0,8°C), teremos nos próximos 50 anos uma elevação de mais de 3°C, tornando o planeta mais quente e com vários problemas ambientais. O derretimento do gelo da Groenlândia, do Ártico e da Antárctica, provocado por esse aquecimento, irá provocar uma elevação de seis metros ou mais no nível dos oceanos, gerando catástrofes universais, e as conseqüências serão imediatamente sentidas pelos países baixos e outras grandes cidades em todo o planeta. O maior responsável pelo aquecimento global é o acúmulo de gases na atmosfera, que provocam o efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso, que mantêm em excesso o calor necessário para a vida no planeta, provocando um superaquecimento. Isto é possível, porque a camada da atmosfera de proteção da Terra é tão fina que conseguimos alterar sua composição. Nesse contexto, o grande vilão é o sistema capitalista (modo de produzir) que não cessa sua fome de desenvolvimento a qualquer custo e continua a liberar os gases danosos na atmosfera. Os países e regiões que mais contribuem para o aquecimento global são: E.U.A com 30.3%; Europa 27.7%; China 12.2%; Rússia 13.7%; Japão 3.7%; América Central e do Sul 3,8%; África do Sul 2.5%. Portanto, as pressões por matéria-prima, energia e alimentos aumentam de forma geométrica, e a natureza não consegue repor o que lhe é tirado de forma irracional. Alguns recursos naturais são renováveis, mas temos os não- renováveis, como o petróleo e o carvão mineral, que levaram milhões de anos para serem produzidos e as condições climáticas que os produziram não se repetirão mais. Não estamos dando tempo necessário a ela (natureza) para se reproduzir. Neste contexto, outro problema de ordem mundial, provocado pelo crescimento descontrolado da população e do setor econômico, será a falta de água que o mundo enfrentará e que já está sendo motivo de mudanças de hábitos dos consumidores. A ilusão de disponibilidade infinita da água doce, vem sendo derrubada nas últimas décadas. Nos próximos vinte anos, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 50 países deverão enfrentar escassez ou falta extrema de água, fenômeno que atingira cerca de três bilhões de pessoas. Países como Espanha, Holanda, Etiópia, Índia, Quênia, Nigéria e Peru já têm registros de escassez em várias regiões, devido principalmente ao consumo elevado, associado a problemas ambientais provocado pelo aquecimento global. E, segundo a ONU é provável que cerca de dois terços da população mundial estejam expostos a algum grau de escassez da água nos próximos trinta anos. Estamos participando como atores de um enfrentamento da civilização moderna com o planeta Terra, e os fatores que vêm provocando essa colisão são sem dúvida, o aumento da população, a revolução científica e tecnológica e a maneira de como pensar sobre o meio ambiente. Sem um aproveitamento/reciclagem e uma gestão responsável, esse lixo continuará sendo irracionalmente jogado na biosfera e as conseqüências serão sentidas pelas futuras gerações. Somando-se a isso a emissão diária de milhões de toneladas de gases nocivos na atmosfera, forma- se um quadro endêmico da Terra, que já começa a responder às agressões da modernidade. Tais crises ecológicas têm-se configurado em problemas ambientais novos, e o homem ainda não sabe direito como lidar com seus efeitos nem tem certeza das causas (origens) destas anomalias climáticas: efeito estufa, degelo das camadas polares, aquecimento global, desertificação, chuvas ácidas, devastação das matas, contaminação da água, costas e mares, erosão do solo, destruição da camada de ozônio, perda da diversidade agrícola, aumento do número de tufões e furacões, inclusive em regiões onde nunca houvera seus registros, como na América do Sul (ano 2005) etc., e a esses indicadores de ordem natural acrescentam-se também alguns de ordem econômica, resultado do modelo capitalista de produção: a superpopulação e a pobreza. Hoje, há mais de um bilhão e meio de pessoas subnutridas, ou seja, 20% da população mundial e, para piorar a situação, dois terços delas fora do mercado formal de trabalho (Foladori, 2001, p.209). O homem, sendo o agente ativo deste processo de destruição do planeta, fica impedido de realizar qualquer alteração na ordem secular de exploração capitalista, visto que a sociedade torna-se, a cada ano, mais urbana e consome, cada vez com mais “fome”, os recursos naturais, como se fossem infinitos. Ele acaba respondendo a essa necessidade de produção e consumo com a intensificação do processo produtivo e a adoção de mais tecnologia, gerando, assim, mais lixo que será jogado na biosfera. Eis o grande desafio para as futuras gerações: provocar um desenvolvimento sustentável – aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades...é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas” (ONU, Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, 1991, p.49), que leve, ao mesmo tempo, a uma qualidade de vida mais igualitária, diminuindo, com isso, o grande fosso social existente entre os países ricos e pobres e, ao mesmo tempo, mantendo o equilíbrio ecológico dos
  14. 14. 24 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. ecossistemas – conjunto dos relacionamentos mútuos entre determinado meio ambiente e a flora, a fauna e os microrganismos que nele habitam, e que incluem os fatores de equilíbrio geológico, atmosférico, meteorológico e biológico (Aurélio, 2001), gerando menos resíduos, sem deixar de gerar emprego e renda à população. Nesta composição entram as cooperativas de reciclagem de lixo e as empresas que estão trabalhando neste segmento, visto serem importantes na recuperação/reciclagem de resíduos sólidos que tinham como destino certo os lixões e que, através de um trabalho associativo (com incentivos institucionais), acabam voltando para o mercado como matéria-prima na confecção de novos produtos, economizando os recursos naturais finitos do planeta, sem contar que são fonte de produtos, serviços e mão-de-obra barata para o setor moderno da economia. Não cabe, analisar as relações de trabalho entre os associados para atingir tais objetivos, mas tão somente a importância do seu trabalho como agentes ecológicos, promovendo com sua atividade um desenvolvimento sustentável, gerando renda a pessoas que foram excluídas do mercado de trabalho, por força do desemprego ou por se encontrarem fora dos padrões de consumo da força de trabalho (sem qualificação técnica). 2. EPISTEMOLOGIA AMBIENTAL – A SISTEMA- TIZAÇÃO DOS FATORES O grande desafio deste trabalho consiste em dar um entendimento interdisciplinar das relações integralizadas do processo de reciclagem de lixo, focalizando as suas perspectivas socioeconômicas no sistema de associação cooperativista e microempresas ligadas nesse segmento. Entretanto, a problemática ambiental é muito complexa e precisa ser estudada também sob a articulação da ciência e de uma gestão ambiental que conduzam à compreensão da inter-relação entre os processos históricos: econômicos, ecológicos e culturais, no entorno do desenvolvimento das forças produtivas da sociedade. Edgar Morin é mais contundente em relação a interdisciplinaridade do saber “Os conhecimentos fragmentados só servem para usos técnicos. Não conseguem conjugar-se para alimentar um pensamento capaz de considerar a condição humana no âmago da vida, na terra, no mundo, e de enfrentar os grandes desafios de nosso época” (2000). Na asserção de Leff, a articulação da questão ambiental, como a poluição e degradação do meio, a crise de recursos naturais, energéticos e de alimentos, a má distribuição de renda, está ligada a uma “crise de civilização”, que coloca em xeque ao mesmo tempo a racionalidade econômica e a tecnológica dominantes, visto que o modelo atual não atende a todos homogeneamente, trazendo exclusão social e política e essa concepção é melhor entendida sob uma orientação interdisciplinar. O uso dos recursos naturais de uma determinada região e seus ecossistemas depende muito mais do processo produtivo e das relações socioeconômicas adotadas por sua comunidade do que propriamente uma utilização racional e integralizada, evidenciando a falta de uma articulação científica a respeito da problemática ambiental. O que se nota com esta postura secular é uma degradação destrutiva do meio ambiente, quando seria necessária uma nova concepção teórica e conceitual a respeito das formas como fazer as coisas (produtos) e relacionar-se com elas. Possivelmente a forma Moral, como descreve Al Gore no seu filme “A verdade inconveniente”, E.U.A, 2006. A mudança de comportamento no processo da produção implica também repensar sobre uma nova economia política que procure analisar, por exemplo, a produção sob os aspectos da distribuição de riqueza e equilíbrio da sustentabilidade ecológica, fato até hoje negligenciado pelas principais nações capitalistas que orquestram todo o sistema: EUA, Japão, Inglaterra, Itália, Alemanha, França e Canadá, que, com arrogância acumulativa, excluíram a contribuição da ecologia e da cultura do processo produtivo, impondo um modelo excludente, intensamente individualista e neoliberal. A adoção de uma nova relação produtiva com responsabilidade socioambiental, contrapondo-se a este modelo vigente, poderia trazer novamente uma esperança aos povos mais oprimidos, crescimento acompanhado de justiça social e desenvolvimento sustentado. Portanto, cria-se uma expectativa de análise sociológica de desenvolvimento do conhecimento, como uma problematização dos paradigmas teóricos e metodológicos, evidenciados a partir de um complexo processo transdisciplinar, que vem induzindo ao saber ambiental como conhecimento para a construção de uma racionalidade produtiva alternativa ao modelo atual. Leff assim explica: “A questão ambiental aparece como sintoma da crise da razão da civilização moderna, como uma crítica da racionalidade social e do estilo de desenvolvimento dominante, e como uma proposta para fundamentar um desenvolvimento alternativo. Este questionamento problematiza o conhecimento científico e tecnológico que foi produzido, aplicado e legitimado pela referida racionalidade e se abre para novos métodos capazes de integrar as contribuições de diferentes disciplinas para gerar análises abrangentes e integradas de uma realidade global e complexa, na qual se articulam processos sociais e naturais de diversas ordens de materialidade e de racionalidades” (IPT 2000, p.138). O que fica claro na concepção da epistemologia ambiental de Leff é que a crise ambiental é uma crise da razão e os problemas ambientais são relativos ao conhecimento sobre o meio e, se o homem não for capaz de mudar seus paradigmas em relação ao modo de produzir e não reconceitualizar sua relação socioambiental, procurando racionalizar e apresentar alternativas ao modelo atual capitalista de produção e consumo, o planeta não se sustentará enquanto viveiro deste inquilino mais predador. O relato de Ianni é mais contundente: “O mundo começou sem o homem e acabará sem ele...” (IPT 2000, p.21). Segundo Foladori, a crise é social: “Sustentamos que o
  15. 15. 25 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. problema da crise ambiental não deve ser colocado em termos se a sociedade humana se defronta com limites físicos. Porque não existe tal sociedade humana abstrata. O que existem são classes e grupos em aliança e oposição, que se relacionam entre si e com o entorno de maneira totalmente diferente. O problema não é somente técnico, tampouco é prioritariamente técnico. O problema é social. Além das relações técnicas aparentes, existem relações sociais de produção que geram, segundo o tipo, tendências de utilização do entorno, dos materiais e/ou da natureza em geral de forma particular” (2001, p.209). Nas condições acima apresentadas, surge o estudo do desenvolvimento sustentado e sua conceitualização, propícios ao entendimento das relações dos agentes envolvidos no processo de reciclagem de lixo nas cooperativas e empresas ligadas a este segmento, sendo o catador, situado na base desta cadeia produtiva, o mais importante e ao mesmo tempo o mais excluído. O catador de lixo da rua faz parte da solução desta problematização ambiental e, dentro da sua concepção limitada do que venha a ser ecologia ou desenvolvimento sustentado, acaba, muitas vezes, racionalizando questões ambientais de que o próprio Sistema (Governo e Instituições) ainda não se deu conta. O catador é o agente capaz de capturar para o processo produtivo o que foi jogado fora e tornar este recurso “morto” novamente em valor de uso e valor de troca, criando produtos derivados de ricas reservas naturais sem possuir nenhuma; eis a fantástica “mágica” do processo de triagem/ reciclagem de lixo: gerar riqueza de coisas que já tinham seu destino traçado pela irracionalidade humana. O trabalho desempenhado pelos catadores reflete as cidades como verdadeiras florestas urbanas, produtoras de matérias-primas que elas mesmas consomem (Legaspe, 1996, p.12). Apesar de o aparecimento do catador de resíduos sólidos ter ocorrido por questões socioeconômicas, isso não diminui sua importância neste processo qualitativo de se relacionar com o meio ambiente de forma sustentável. O desenvolvimento sustentável é um desafio à mudança secular e universal da relação do homem com a natureza. É preciso incentivar a criatividade ecológica tanto dos setores públicos quanto privados na gestão ambiental e tratar estes campos, identificados por Sachs, com seriedade e comprometimento, fazendo, assim, do desenvolvimento sustentável uma realidade nessa “ilha” de destruição ambiental. Meio inconsciente A conscientização quanto aos problemas ambientais começou a se internacionalizar com contornos mais definidos a partir da fundação da Comissão Consultiva para a Proteção Internacional da Natureza, em 1913, quando já se definiam os interesses para controlar os recursos do planeta em duas correntes de pensamentos: Preservacio- nistas e Conservacionistas. A partir da década de 60, nota-se uma intensificação na formação de movimentos ambientalistas que começam a se institucionalizar globalmente com a criação de ONGs e organizações governamentais de proteção ao meio ambiente, como exemplo: Greenpeace, GIFE, Vitae Civilis, Cedesus etc. e uma das mais importantes organizações mundiais a WWF – World Wide Fund for Nature – que foi fundada em 1961, na Suíça, chegando ao Brasil em 1971, por meio de alguns projetos de preservação, entre eles o do Mico Leão Dourado, que estava próximo à extinção. Antes desta internacionalização, os problemas ambientais eram tratados regionalmente, e as questões, por serem simples, facilitavam suas próprias resoluções. Mas, isto mudou com muita rapidez entre os anos de 1945 a 1970, e um dos fatores que provocou tal mudança pode ter sido a prática de testes com bombas atômicas que alguns países (EUA, França, Inglaterra) resolveram desenvolver. Com isso, houve centenas de detonações nucleares, que provocaram sérios danos ao meio ambiente, tais como: chuva de granizo radioativo, na Austrália, decorrente de testes nucleares realizados pela Grã-Bretanha, a 2.800 km; chuva radioativa em Nova Iorque, causada por testes em Nevada (Dorini, 1999, p.42). Fatos como esses convenceram, em 1970, o engenheiro químico britânico e ex-funcionário da NASA (USA), James Lovelock, a criar a Teoria Gaia – o reconhecimento da Terra como um imenso ser vivo deveu-se ao desequilíbrio químico de sua atmosfera, diferenciada das de Vênus e Marte –, que, na mitologia grega significa “deusa Terra”. A hipótese desta teoria pressupõe que a Terra é um ser vivo e auto-regulador. Outros cientistas também já haviam trabalhado tema semelhante, como Claude Bernard (1813- 1878) e Walter Cannon (1871-1945). Diante de tudo isso, houve uma forte pressão popular e dos meios de comunicação global para pôr fim aos testes nucleares e dar uma melhor atenção a problemas de ordem ambiental da Terra. A mídia entrou nesta “guerra” a favor do planeta e da sociedade e iniciou uma verdadeira seqüência de denúncias de problemas ambientais causados por muitas organizações capitalistas internacionais que, por força de geração de emprego e renda, passam a destruir o meio ambiente. O consumidor tem um grande papel neste contexto, visto ser ele o consumidor/comprador dos produtos gerados por estas companhias destruidoras dos recursos do planeta. Acredita-se que as mudanças ocorridas nas últimas décadas, quando muitas empresas passaram a respeitar mais o meio ambiente e a alterar seu modo de produzir e distribuir mercadorias, devem-se à forte pressão popular do consumidor “ecológico”, que vem recusando produtos de indústrias que poluem o meio ambiente, fazendo com que elas procurem outras tecnologias e maneiras de fazer mercadorias/serviços, se quiserem permanecer no mercado. O consumidor, se unido e com determinação, possui força para alterar o rumo das coisas, como fica bem evidenciado na afirmação da antropóloga norte-americana Margaret
  16. 16. 26 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. Mead (1901-1978): “Não duvide de que um pequeno grupo de cidadãos inteligentes e comprometidos possa mudar o mundo. Na verdade, é a única coisa capaz de fazer isso” (in, Burnie, 2001, p.187). Convenções internacionais A crise ambiental contemporânea tem obrigado os governos/instituições a reconsiderar a relação secular e universal do homem com a natureza. Tais crises, apesar de terem suas repercussões locais/regionais, são tratadas globalmente com países comprometidos com o meio ambiente. O caráter da crise agora é planetário e isso implica parcerias para tentar resolvê-la ou minimizar seus impactos de agressão ao meio. Nas últimas décadas, foi grande o número de conferências, encontros e simpósios internacionais, nos quais o tema era o homem e o meio ambiente. Entretanto, serão citados apenas os mais relevantes: Copenhague – Conferência realizada na Dinamarca, no ano de 1945. A Carta de São Francisco, contendo os dez compromissos assumidos pelos Chefes de Estados, chamava a atenção de todos sobre a necessidade de serem retomadas as questões sobre o meio ambiente, a erradicação da pobreza, o pleno emprego e a integração social. A carta permeava o espírito humanista e a busca por valores éticos e democráticos, e priorizava o homem no centro das decisões político-governamentais. O planeta estava saindo de uma grande guerra mundial, que dizimara milhões de seres humanos e deixara outros milhões de enfermos espalhados por toda a Europa e a Ásia. Estocolmo – Realizada em 1972, na Suécia, foi a primeira Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Homem. O resultado foi uma declaração com os principais problemas relacionados ao meio ambiente: a industrialização, a exploração demográfica, o crescimento urbano e os direitos humanos a um ambiente saudável. Foladori sintetiza bem o resultado da conferência: “O espírito geral da declaração partia da idéia de que, com tecnologia limpa nos países desenvolvidos e transferência de recursos financeiros e técnicos para o Terceiro Mundo, junto com políticas de controle da população, poderiam ser solucionados os problemas. De qualquer forma, vislumbraram-se contradições entre os países ricos que pretendiam controlar a produção e a exploração demográfica, e os pobres, que viam a necessidade de desenvolvimento” (2001, p.116). Rio 92 – A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como Rio-92, foi realizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, em junho de 1992, com a participação de mais de 30 mil pessoas e 170 países (Chefes de Estado e principais representantes). Teve como principais objetivos discutir as conclusões e propostas do Relatório da Comissão Brundtland e comemorar os 20 anos da Conferência de Estocolmo. Tais propostas foram evidenciadas em discussões em plenário pelas principais nações do mundo, cujo relatório final foi a “Carta da Terra” e um programa de ação denominado “Agenda 21”, ambos com estratégias e medidas com finalidades de deter e reverter a degradação ambiental global e promover o desenvolvimento sustentável. Foladori conclui: “No fim das contas, nas duas conferências de países em âmbito mundial e no informe encomendado, fica claro que a preocupação manifestada se dá em torno de como reduzir os níveis de poluição, de depredação e de pobreza e superpopulação, sem tocar na forma social de produção, ou seja, no capitalismo. Em que medida essas melhorias que vão aparentemente, contra a lógica da própria dinâmica capitalista, conseguem ser suficientemente eficazes é algo que somente dentro de algumas décadas poderemos saber” (2001, p.119). Embora não tenha força legal, as resoluções tomadas na Rio-92 contêm um caminho mais ecológico a ser adotado pelos governos, instituições, agências de desenvolvimento e setores independentes, propondo um novo rumo em direção a um melhor padrão de vida para todos os povos do planeta, com um desenvolvimento sustentável e a proteção dos ecossistemas. Kyoto – Conferência realizada em dezembro de 1997, no Japão, com 160 países, cujo objetivo foi reunir nações industrializadas e estudar a possibilidade de redução de gases poluidores na atmosfera, os quais provocam alterações no clima do planeta. Justo o país mais poluidor, os EUA, que emitem 24% do dióxido e monóxido de carbono, não quis ratificar o tratado de Kyoto, alegando que estaria prejudicando suas indústrias e todo o mercado americano. Por outro lado, os países em desenvolvimento também alegaram dificuldades para cumprir as metas impostas, de redução de gases na atmosfera, como fica claro em Dorini: “Os representantes dos países desenvolvidos e maiores poluidores temem a aprovação de qualquer medida que possa comprometer o seu progresso e o bem-estar das respectivas populações. Os representantes dos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos não querem a aprovação de qualquer medida que possa impedi- los de alcançar o progresso e o bem-estar das respectivas populações. Como se percebe, em Kyoto todos quiseram vender a imagem de bem-intencionados, mas ninguém se dispôs a sacrificar nada em benefício do Planeta Terra” (1999, p.57). Em Kyoto, o encontro das nações teve um resultado moderado; não houve um compromisso assumido que definitivamente ordenasse um política de diminuição gradual da emissão dos gases que provocam o “efeito estufa”, por parte dos Chefes de Estado presentes; as nações ricas conseguiram bloquear a inclusão no acordo de compromissos legais, de limitação de suas emissões, ou seja, eles continuam a poluir o planeta e todos pagam acon- ta. A problemática ambiental se deve à procura de um conceito de racionalidade pelas nações. Mas, para entender a metodologia e a aplicabilidade deste conceito, os países
  17. 17. 27 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. ricos e pobres precisam compreender primeiro que o modo como vinham se relacionando com a biosfera e com os recursos naturais induz a um amplo e complexo processo de reorientação e transformação do conhecimento e do saber sobre as questões socioambientais, sem o que será impossível esperar que o planeta seja um supridor de recursos para a manutenção do modo de produção e relação social vigentes. A singularidade notada em todos os encontros, conferências e protocolos assinados pelos Chefes de Estados mostra a preocupação com a pobreza, com a má distribuição de renda, com a superpopulação, com o desenvolvimento sustentável e com os ecossistemas; mas, uma das soluções possíveis para estes problemas socioambientais estaria em uma mudança de conceito, que implica a transformação dos métodos no campo do saber, dos sistemas de valores e das crenças. A própria sustentabilidade tem limites físicos e para se tornar infinita necessitaria de uma nova tecnologia em que os recursos naturais não fossem fator quantitativo, e sim qualitativo, para origem dos novos produtos/serviços. Entretanto, a articulação global da problemática ambiental tem apontado para a geração de novos conhecimentos teóricos, uma racionalidade ambiental e uma alternativa produtiva para o futuro das nações capitalistas. Os encontros internacionais têm servido para isto: levar alternativas ao desenvolvimento econômico das nações em desenvolvimento e normas e controles a países ricos, os grande emissores de poluição na atmosfera e criadores de crises ambientais globais. O fato de que muitas resoluções tenham ficado apenas no papel não desmerece o brilho dessas conferências internacionais, visto que, há poucas décadas, nem tratados e muito menos intenções em relação à preservação do meio ambiente se realizavam. Portanto, parece certo que estamos caminhando para uma minimização da problemática ambiental criada pelo homem contemporâneo ou, como disserta Zaneti, “Onde vamos colocar as sobras da modernidade?” (2006). Urbanização: o problema das cidades O processo de urbanização é um dos responsáveis pela problemática ambiental. Tem seu início nas regiões mais industrializadas e atinge as demais regiões do interior do país, proporcionado pela interiorização das empresas à procura de incentivos fiscais e à fuga de sindicatos fortes. Os problemas socioambientais ocorridos nas últimas décadas nas grandes cidades são frutos desse “descontrolado” processo de urbanização pelo qual passa O Brasil. O problema da urbanização, somado à concentração de renda, desenha um quadro morfológico de uma sociedade urbano-industrial caracterizada pela concentração da população, criando grandes áreas metropolitanas. O fato gerador desta concentração popular nas grandes cidades foi, sem dúvida, a expansão das atividades industriais das grandes metrópoles, e os trabalhadores das áreas rurais acabaram sendo atraídos por verem nelas (nas cidades) a possibilidade de obter um rendimento maior, facilidade de emprego e recursos nas áreas de saúde e educação melhor distribuídos do que no campo. Mas, nem todos foram absorvidos pelas indústrias/comércio. Esses migrantes de várias regiões do país acabaram por aumentar o número de desempregados das grandes metrópoles e, sem ter o que fazer, muitos acharam no lixo sua última e única saída, “...sem destino, que ficam vagueando pelos centros urbanos, são expulsos para sua periferia que, por sua vez, já abriga os lixões...só lhes sobrando sua força de trabalho que também não está sendo mais aceita. Assim, uma matilha de meio homem, meio vira-latas, caminha para os lixões como a última esperança de vida, para lá leva sua família e do lixo passam a viver” (Legaspe, p.120). Apesar de todas as Leis, Decretos, Regulamentos, o meio ambiente no mundo vem sofrendo sérias ameaças com o modelo capitalista adotado nas últimas décadas (Neoliberal). Com o crescimento econômico e populacional no século passado, houve um aumento na procura por madeira e carvão, o que transformou regiões de florestas em áreas de cultivo agrícola, e o que é pior: financiado com dinheiro público. Tais acontecimentos incentivaram o desmatamento por meio de incêndios florestais responsáveis por 30% do CO² libertado todos os anos na atmosfera. A Floresta Amazônica (Brasil) já perdeu 14% da sua mata original, o equivalente a todo o território da França, e outros estados vêm sofrendo com a exploração de madeiras e recursos naturais, no norte do país: Pará, Rondônia e Mato Grosso, sendo estes os campeões do desmatamento nos últimos anos. Os governos dos países em desenvolvimento fingem que não vêem o que se passa em seus estados. Eis a triste situação em que se encontra a maior riqueza dos países. Precisa haver uma mudança de postura da população, tornando-se ela mais consciente/ecologicamente em relação às reservas naturais, e a criação de um sistema fiscalizador atuante e sério, mas que não prenda um cidadão pelo simples fato de ele ter tirado um pedaço da casca de uma árvore para fazer chá, enquanto madeireiras internacionais e nacionais retiram/cortam ilegalmente, por dia, milhões de quilômetros quadrados das florestas para enviar à Europa e E.U.A, isso fruto da falta de fiscalização do poder público e da omissão da sociedade que permanece no “berço esplêndido” em sua ignorância ambiental. 3. RECICLAGEM VERSUS DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: UMA QUESTÃO MORAL A reciclagem vem se apresentando como uma alternativa social e econômica à geração e à concentração de milhões de toneladas de lixo produzido diariamente pelos grandes centros urbanos espalhados pelo mundo; entretanto, sua maior importância se dá no campo do desenvolvimento sustentável, visto que proporciona uma economia de recursos naturais do planeta. Mas, nem todos pensam assim, o modelo adotado pelo governo e a sociedade privada de Do Brasil é a mais pura construção capitalista travestida de ecologista, e falando na defesa do meio ambiente as ações ecológicas se apresentam como uma reciclagem voltada a
  18. 18. 28 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. alimentar as formas mais predatórias do capitalismo (Legaspe, 1996). Já Calderoni trata a reciclagem com uma visão mais interdisciplinar, quando afirma que: “a reciclagem do lixo apresenta relevância ambiental, econômica e social, com implicações que se desdobram em esferas como as seguintes: organização espacial; preservação; conservação; geração de empregos; geração de renda...” (1996, p.9). O trabalho de reciclagem de resíduos inorgânicos vem sendo realizado, realmente, de forma amadora e informal por catadores de lixo de rua. A presença das cooperativas de reciclagem de lixo neste processo e as associações são ainda modestas, fruto da sua própria gestão e infra-estrutura precarizadas, deixando, assim, para os catadores de rua os méritos pelo reaproveitamento de resíduos. É graças aos 200 mil catadores de ruas e trabalhadores que estão neste segmento no Brasil, hoje, (estimativa) que se reciclam quase 96% das latas de alumínio, 44% de vidro, 50% de papel, 35% de aço e 19% dos plásticos, resíduos que são jogados diariamente nas ruas, depositados nos aterros sanitários, lixões, ou levados nas cooperativas de reciclagem de lixo, que, através da implantação de um instrumento como da Coleta Seletiva, que propiciada por políticas públicas e também com a contribuição da sociedade, vem recebendo parte desse material que seria depositado em aterros. As cooperativas, associações e microempresas que vêm recebendo parte dos resíduos secos estão se formando por todo o país, mas ainda não representam uma alternativa socioeconômica à geração das 124 mil toneladas de lixo doméstico urbano produzido diariamente; a capacidade de coleta e reciclagem de lixo está muito aquém das reais necessidades de oferta do mercado. A falta de infra- estrutura e de uma política ambiental tem sido fator determinante dessa ineficiência. Em um encontro regional realizado na cidade de Votorantin, interior do Estado de São Paulo, no mês de outubro de 2001, apontaram-se oito principais problemas/soluções a uma melhor gestão das cooperativas. As indicações deste congresso também podem ser utilizadas pelos investidores, governos e entidades civis da Do Brasil, visto que, guardadas as devidas proporções dos dois países, a problemática dos resíduos sólidos urbanos é muito parecida: A necessidade do reconhecimento e da legalização da profissão do catador – A sociedade precisa reconhecer no catador de materiais recicláveis um trabalhador que executa um papel importante, do ponto de vista social, econômico e ambiental. A criação da Coordenação Regional dos Catadores – A Coordenação Regional dos Catadores seria formada por um representante de cada município, e teria como objetivo, dentre outras atividades, fortalecer a organização e contribuir para a construção da Federação dos Catadores. O aperfeiçoamento da Rede Regional de Comercialização – As Cooperativas de Reciclagem da Região têm realizado a comercialização de seus produtos diretamente com sucateiros e indústrias ligadas ao ramo de reciclagem de resíduos sólidos. Por este motivo, o encontro procura formas de aperfeiçoamento e ampliação da Rede de Comercialização. A criação de um Fundo de Reservas Regional – A comercialização integrada ainda não tem sido suficiente para obter o volume necessário à venda de determinados materiais, prejudicando as retiradas mensais dos cooperados. Acesso a linhas de financiamento – As Cooperativas, Associações e Entidades devem fazer uma campanha de sensibilização junto aos órgãos públicos e suas instituições financeiras para viabilizar o financiamento de máquinas, equipamentos e transporte para os materiais recicláveis, bem como a formação e capacitação dos Catadores. Os Catadores e as Políticas Públicas de Coleta Seletiva – A Coordenação eleita no I Encontro Regional de Catadores de Materiais Recicláveis agendará uma reunião com os Poderes Públicos locais, para discutir o fim dos "lixões", programas que visem à erradicação do trabalho infantil na catação e separação dos materiais, bem como a inclusão dos Catadores nas Políticas Públicas de Coleta Seletiva. Os Catadores individuais – As Cooperativas e Associações devem buscar aproximação com os catadores individuais e trazê-los para as organizações, visando ao fortalecimento da categoria. As dificuldades encontradas pelos catadores de lixo de rua para se organizarem em associações ou cooperativas fazem parte de um processo histórico e secular; as camadas menos favorecidas não têm acesso ao crédito/financiamento e ficam nas mãos de instituições sociais, normalmente religiosas ou assistenciais que, com boa intenção, tentam ajudar, mas, na falta de uma visão mais profissional do trato com o lixo ou até com a própria gestão da associação/cooperativas, fracassam por não atender às expectativas econômicas, sociais ou ambientais da reciclagem do lixo. O sucateiro aparece como o “parceiro ideal” das cooperativas, o qual por meio do seu poder de barganha, impõe o preço de compra dos produtos reciclados e vende estes resíduos por um valor maior às indústrias, muitas vezes chegando a 100% de diferença do valor pago às cooperativas. A reciclagem está intimamente ligada ao modelo capitalista vigente, quando, como instrumento econômico, cria condições de os resíduos selecionados/separados voltarem ao processo produtivo, para novamente formarem novos produtos. Neste caso a exploração é globalizada. O capitalista aceita a reciclagem como forma de suprir a falta de matéria-prima, visto que o preço pago é bem menor do que se tivesse de comprar a matéria-prima virgem, e com a aplicação do material reciclado tem uma redução no consumo de energia e, consecutivamente, nos custos de
  19. 19. 29 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. produção. O catador, por sua vez, também não questiona, pois vê na reciclagem do lixo sua única forma de sobrevivência, apesar de saber que está sendo “tapeado”, “...eles acabam entregando esse material para o sucateiro, e quem acaba ganhando são os sucateiros e as grandes indústrias”. A reciclagem é apresentada à sociedade como uma panacéia aos problemas ambientais e sociais, quando, como vimos, a problemática ambiental precisa ser racionalmente analisada num entorno mais amplo, numa visão interdisciplinar dos agentes envolvidos neste processo complexo e de difícil entendimento. Assim, as cooperativas de reciclagem de lixo apresentam- se como fonte de produtos, serviços e mão-de-obra barata aos setores modernos da economia (Rodrigues, in Santos, 2002), facilitando a exploração dos catadores de lixo pelo modelo de produção e reprodução capitalista. Essas cooperativas e associações vêm ganhando espaço, regionalmente, em setores que o capitalismo rejeitou (temporariamente), até descobrir que tinha como conseguir a mais valia também dos agentes que trabalham com o lixo. Tais associações não têm condições de concorrer com o capital transnacional e dificilmente montariam uma gestão capitalista de produção (não de trabalho) para tornar-se viável economicamente. Acabam, assim, permanecendo à margem da economia, continuando a ser usadas como meio de sobrevivência dos seus membros e reafirmação da subordinação ao modelo vigente (Singer E Souza, 2000). Em todo o mundo, apesar da exploração e da precarização deste modelo, o número de pessoas que trabalham com a reciclagem do lixo vem aumentando; só na Colômbia, por exemplo, isso representa 1% da sua população (300 mil), no México e Egito este índice chega a 2% da população, em Manila e Filipinas cerca de 12 mil pessoas, na Argentina 60 mil (Rodriguez, in Santos, 2002, p.339). No Brasil estima-se que esse número chegue a 200 mil em contato direto e 1 milhão em contado indireto com a reciclagem e o reaproveitamento do lixo. A estrutura e o funcionamento do mercado de reciclagem detectados na pesquisa de campo estão baseados em três componentes (ou agentes): o catador autônomo, que participa ou não de associações, realiza a primeira etapa do processo, recolhendo e separando os resíduos em um cenário bastante competitivo (quem chega primeiro leva o lixo); os sucateiros, que, informal ou formalmente, compram os produtos reciclados pelos catadores ou cooperativas e os revendem às indústrias, ou aos compradores internacionais que são o terceiro componente desta cadeia de reutilização dos resíduos. As grandes beneficiadas de todo o processo de reciclagem de lixo no Brasil e no mundo são as indústrias, justamente por estarem altamente concentradas, representando um modelo oligopsônio, quando um reduzido número de empresas consome os materiais recicláveis e impõe as condições e os preços aos catadores e cooperativas, tornando-os reféns da exploração da economia formal sobre a informal. Esta é a triste situação em que se encontram os agentes que trabalham com lixo em nosso país. Sejam cooperativados/associados ou sejam catadores autônomos, a exploração se dá em todos os níveis da cadeia produtiva ou reprodutiva da reciclagem. Nestas condições, a reciclagem, em si, não representa uma alternativa econômica e muito menos ambiental; somente ameniza momentaneamente as pressões sociais sobre o desemprego dos excluídos e propicia um ganho pelas indústrias, por meio da redução dos seus custos; e estas, utilizando-se dos sucateiros, os grandes “senhores do lixo”, controlam o mercado de produtos reciclados. Este é o desenvolvimento sustentável “pró-capitalista” . Notas: 1 Entre eles podem ser citados: a bomba atômica detonada pelos norte-americanos em Hiroshima e Nagasaki, na Segunda Guerra Mundial, em 1945, que foi um novo marco ao se constituir na demonstração prática e imediata mais nítida das possibilidades de o ser humano modificar a biosfera de maneira radical; catástrofe ambiental ocorrida em Londres, em 1952, quando o ar densamente poluído matou 1.600 pessoas; em Windscale, Grã-Bretanha, em 1957, o primeiro acidente com um reator nuclear registrado na história contemporânea; no mês de abril de 1986, o maior desastre nuclear: a explosão de um reator, em Chernobyl, Ucrânia, matando centenas de pessoas e contaminando outros milhares; desastre ecológico em Bhopal, na Índia, provocado pela empresa Union Carbaid deixando milhares de mortos e enfermos no ano de 1985; vazamento de petróleo do navio Exxon Valdez no Alasca, causando um desastre ecológico no mar do norte em 1989; em julho de 2000, o rio Iguaçu, recebe 4 milhões de litros de óleo que vazam da refinaria da Petrobrás (Cdrom Abril, 2002). 2 Como age o consumidor ecológico: busca a qualidade, evitando o consumo de produtos com impactos ambientais negativos; recusa os produtos derivados de espécies em extinção; observa os certificados de origem e os selos verdes; leva em conta a biodegrabilidade do produto; escolhe produtos isentos de alvejantes e corantes; admite sobrepreço relativo à qualidade ambiental do produto; não compra produtos com empacotamento excessivo; prefere produtos com embalagem reciclável e retornável; evita produtos com embalagem não biodegradável (DORINI, 1999, p.111). 3 Documento elaborado pelas ONGs, reunidas na Rio-92, com Preâmbulos, Princípios e Plano de Ação “Somos Terra, os povos, as plantas, os animais, as chuvas e o oceano, o respiro das florestas, o fruir dos mares. Honramos a Terra como abrigo de todos os seres vivos. Acalentamos a beleza e a diversidade da vida na Terra. Saudamos a capacidade de renovação como fundamento de toda a vida na Terra. Reconhecemos o espaço dos Povos Indígenas na
  20. 20. 30 VI Workshop Multidisciplinar sobre Ensino e Aprendizagem na Faculdade Campo Limpo Paulista. WEA’ 2009, 1 de fevereiro de 2010, Campo Limpo Paulista, SP, Brasil. Terra, seus territórios, costumes e sua singular relação com a Terra. Ficamos estarrecidos perante o sofrimento humano, a pobreza e os desatinos que os desequilíbrios do poder causam à Terra...Nosso lar comum está sempre mais ameaçado. Portanto, selamos um compromisso com os seguintes princípios, ressalvando a todo instante as necessidades peculiares às mulheres, aos povos indígenas, aos povos do Sul, aos deficientes e a todos os desprivilegiados. Princípios: Nós concordamos em respeitar, fomentar, proteger e reabilitar os ecossistemas da Terra, para assegurar a diversidade biológica e cultural; Nós saudamos nossa diversidade e nossa aliança comum. Respeitamos todas as culturas e declaramos que todos os povos têm direito à necessidades ambientais básicas...” (site; agenda21.com.br). 4 É um programa de ação com a finalidade de dar efeito prático aos princípios aprovados na Declaração do Rio e determinar as estratégias de sobrevivência e visa à sustentabilidade da vida na Terra, promovendo a harmonia entre os povos e um desenvolvimento econômico mais homogêneo com distribuição da riqueza e um desenvolvimento sustentável, preservando os recursos naturais dos países do Terceiro Mundo. 5 O efeito estufa é provocado pelo lançamento na atmosfera de alguns gases: dióxido de carbono, CFCs, óxidos de nitrogênio e metano. Eles deixam passar a luz, mas bloqueiam o calor, retendo-o na Terra, como uma estufa. O físico britânico John Tyndall (1820-1893) já havia estudado este comportamento do dióxido de carbono, no século XIX. 6 Coleta Seletiva significa separar os resíduos orgânicos dos inorgânicos, colocando-os em recipientes diferentes, realizando esta atividade em casa, facilitando, assim, a coleta pela prefeitura ou pelas cooperativas. Em um entendimento mais educacional temos que “a concepção do sistema de Coleta Seletiva baseia-se no princípio de minimizar a quantidade de resíduos, restos da atividade de consumo da população, que são enviados aos Aterros Sanitários, às Usinas de Compostagem, ou aos Incineradores, que são as formas de tratamento e destinação final dos resíduos sólidos recolhidos nas cidades...A Coleta Seletiva de lixo contribui com a sociedade no sentido de se repensar o consumismo e o desperdício de materiais que podem ser reciclados” (LEGASPE, 1996, p.136). REFERÊNCIA Burnie, David. (2001).Fique por dentro da ecologia. SP: Cosac & Naify. Calderoni, Sabetai. (1997). Os bilhões perdidos no lixo. SP: Humanistas. Cempre. (1999). Guia da coleta seletiva de lixo. SP, Cempre. Duston, Thomas, E. (1993). Recycling Solid Waste – The First Choice for Private and Public Sector Management. London, Quorum Books.. Foladori, Guilhermo. (2001). Limites do desenvolvimento sustentável. SP: Unicamp. Hawken, Paul et alii. (1999). Capitalismo natural, criando a próxima revolução industrial. SP: Cultrix. IPT. Instituto de Pesquisas Tecnológicas. (2000). Manual de gerenciamento integrado (do lixo). 2ª edição. SP: IPT. Leff, Enrique. (2001). Epistemologia ambiental. SP: Cortez. Legaspe, R. Luciano. (1996). Reciclagem: a fantasia do Eco-capitalismo – um estudo sobre a reciclagem promovida no centro da cidade de São Paulo observando a economia informal e os catadores. Dissertação de Mestrado apresentada ao departamento de pós-graduação da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo USP. Magera, Marcio. (2005). Os empresários do lixo: um paradoxo da modernidade. Editora Átomo, SP, 2º edição. Marx, Karl. (2002). O capital. SP: Nova Cultura, 1996, cap. VII, pag.327. Novaes, Washington. A década do impasse, da Rio-92 à Rio+10. SP: Estação Liberdade. Santos, S. Boaventura, et alii. (2002). Produzir para viver – os caminhos da produção não capitalista. RJ: Civilização Brasileira. Souza, V. F. Fátima. (1995). Sobrevivendo das sobras: as novas formas de miséria humana. RJ: Centro de filosofia e ciências humanas, dissertação de mestrado

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