Para reler a câmara clara.

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Resumo do artigo de Ronaldo Entler: "Para reler a Câmara Clara", trabalho feito sobre o livro de Barthes, disciplina de Fotografia.

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Para reler a câmara clara.

  1. 1. ENTLER, Ronaldo. Para reler a câmara clara. Rev. Facom. Disponível em: <http://www.faap.br/revista_faap/revista_facom/facom_16/ronaldo.pdf>. Acesso em: out. 2008. Em primeiro lugar é sempre melhor ler a obra original (no caso o livro A Câmara Clara , de Roland Barthes), do que os seus comentários. O livro A Câmara Clara , pode parecer difícil, pois é uma obra da maturidade de Roland Barthes, mas mesmo assim vale o esforço. Como: “um debate sobre o estatuto do signo fotográfico”, Como um romance sobre um personagem-narrador que comenta algumas fotos que possui.
  2. 2. <ul><li>Sobre os papéis da teoria da fotografia na obra de Barthes: </li></ul><ul><li>A fotografia como expressão simbólica cultural </li></ul><ul><li>Em relação ao afeto, os sentimentos daquele que olha a fotografia. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>no livro analisado o autor não trata da “fotografia”, mas das fotografias, as experiências vividas diante de algumas imagens, e de como o afeto seria o ponto irredutível desta análise. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Em seu livro espalhado, aqui e ali, ele cria os conceitos: </li></ul><ul><li>- operador – o produtor da foto; </li></ul><ul><li>- spectrum – aquele que é representado </li></ul><ul><li>- spectador – o observador </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Barthes fala do ponto de vista do observador (spectador). Não o observador idealizado, mas o real (aquele que tem suas próprias memórias, vivências, fragilidades). Assim, no livro A Câmara Clara , o autor trata as fotografias do ponto de vista do observador e não a fotografia de forma geral. </li></ul><ul><li>Sobre o fotógrafo, Barthes diz que o órgão do fotógrafo não é o olho, mas o dedo, que está ligado ao disparador. </li></ul><ul><li>Sobre a foto, ele diz que ela em si não diz nada, não significa nada, apenas indica. A foto liga (relaciona de modo tátil)aquele que foi fotografado com o observador. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>A foto não chega a ser portadora de uma mensagem, apenas apresenta, registra. O observador não interpreta, mas é confrontado. Barthes evita dizer que a fotografia é simbólica, pois considera que ela indica o real. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Este livro apresenta o conceito de punctum x studium, dois conceitos fundamentais nesta obra. </li></ul><ul><li>Studium – está relacionado à leitura da imagem com critérios e objetivos definidos, com uso de metodologia para avaliar a imagem. É mais abrangente, mais ameno, mais intelectual. </li></ul><ul><li>Punctum – algo intrínseco a imagem, ligado ao afeto, algo que atinge o observador independente de seu desejo. Está na própria imagem e opera por conta própria, um detalhe, uma força que se concentra em si e atinge o observador e lhe mobiliza involuntariamente o afeto. Pontual, intenso. Demonstra a própria realidade que a gerou. Promove a sobreposição da representação e do referente. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>O livro de Barthes tem o título de câmara clara, não só como oposição a câmara obscura, mas para falar de um aparelho criado no início do século 19 e que através de um prisma, permite que se veja simultaneamente o objeto observado e uma folha de desenho com efeito de sobreposição, objeto e contornos, que ele compara ao efeito de sobreposição proporcionado pelo punctum na fotografia. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Se studium funciona com códigos, o punctum seria mais uma reação do que uma leitura, uma experiência que permite reconstruir a imagem como objeto cultural. O punctum na fotografia seria uma marca do referente que afeta com certo atraso, o olhar de quem observa a foto. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>A fotografia seria um elo que conecta de modo concreto elementos distantes, transportando o gesto através do tempo. Não diz nada além de mostrar o que foi, de modo silencioso, mas intensamente. </li></ul><ul><li>Uma nova característica do punctum apontada no final do livro, é que ele não seria apenas um detalhe na imagem, mas também algo dinâmico, um movimento de atualização, um canal de reconexão entre o spectrum, e o spectador. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Este livro fala do exercício do olhar, é uma teoria sentida, pois Barthes estava lidando com as imagens de sua mãe, que havia morrido e foi isto que motivou que ele o escrevesse. Foi feito em 48 dias, como anotações de um diário, em 1979. </li></ul>

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