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DESAFIOS ACTUAIS E
APRENDIZAGEM AO LONGO DA
                      VIDA

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO
      ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA
            UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
               isabel.andrade@ensp.unl.pt
SUMÁRIO

1. Nota introdutória
2. Os conceitos
3. Desafios actuais
4. A aprendizagem ao longo da vida no espaço europeu
   4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação
   4.2. Memorando sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida
5. A aprendizagem ao longo da vida ao nível internacional
5.1. A IFLA e o Projecto “The role of Public Libraries in lifelong
     learning”
5.2. A EBLIDA e o Projecto “PuLLS - Public Libraries in the Learning
     Society”
6. Considerações finais
1. Nota introdutória



       Ao longo dos últimos anos a abordagem dos problemas da
       formação, do emprego e do desemprego, tem ocupado um
       lugar de destaque na agenda internacional, em particular
       na União Europeia.

       A sociedade do conhecimento, bem como as tendências
       económicas e da sociedade em geral - como a
       globalização, a evolução das estruturas familiares, a
       evolução demográfica e o impacto da tecnologia digital -
       oferecem vantagens e colocam vários desafios potenciais
       para a União Europeia e os seus cidadãos.



25 de Março de 2008          IX JORNADAS APDIS                    3
1. Nota introdutória




   Estes podem beneficiar de um conjunto de
   novas oportunidades de comunicação e
   emprego.

   A aquisição contínua de conhecimentos e
   competências, é essencial para poder tirar
   partido dessas oportunidades e participar
   activamente na sociedade.



25 de Março de 2008         IX JORNADAS APDIS   4
1. Nota introdutória

 Paralelamente, a vantagem concorrencial
 depende cada vez mais dos investimentos em
 termos de capital humano.

 Por conseguinte, os conhecimentos e as
 competências, constituem um importante
 catalisador para o crescimento económico.

 Por outro lado, a sociedade do conhecimento
 acarreta riscos e incertezas consideráveis, na
 medida em que é passível de reforçar
 desigualdades e a exclusão social.



25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS      5
1. Nota introdutória



       De facto, existe um enorme nível de responsabilidade
       que decorre do papel que as políticas educativas
       desempenham na prevenção e atenuação da exclusão
       social.

       A promoção e o alargamento do acesso às
       oportunidades educativas - tanto ao nível da formação
       inicial como da educação e formação ao longo da vida
       - é um factor essencial (na perspectiva do
       desenvolvimento económico e como garantia da
       coesão social).



25 de Março de 2008         IX JORNADAS APDIS                  6
2. Os conceitos

   A ideia da formação ao longo da vida, num
   processo permanente de aprendizagem,
   “significa que a formação nunca está
   terminada, que a aprendizagem é co-
   extensiva da vida das pessoas, e da
   actividade dos grupos e das sociedades.”

   O conceito de Lifelong Learning foi
   generalizado nos anos 70, tendo como
   significado “as estruturas e estratégias
   organizacionais e didácticas que permitem
   que a aprendizagem ocorra desde a infância
   até à idade adulta”. (Silva, 1997).
                                                SILVA, A. Santos – Comunicação.
                                                In Seminário, 20 de Novembro de
                                                1996 - Educar e Formar ao Longo
                                                da Vida – Actas. Lisboa: Conselho
                                                Nacional da Educação, 1997.



25 de Março de 2008       IX JORNADAS APDIS                                7
2. Os conceitos


 De acordo com a IFLA, o conceito de lifelong
 learning reflecte uma visão mais holística da
 educação e formação e reconhece a
 aprendizagem como tendo origem em e
 partindo de ambientes muito diversos:

       Lifelong learning can be defined as all purposeful
       learning activity undertaken on an ongoing basis
       with the aim of improving knowledge, skills and
       competence. It contains various forms of
       education and training, formal, non-formal and
       informal, e.g. the traditional school system from
       primary to tertiary level, free adult education,
       informal search and training, individually, in a     Häggström, B. M., ed. lit. -
       group setting or within the framework of social      The role of libraries in
       movements.                                           lifelong learning : final
                                                            report of the IFLA project
                                                            under the Section for
                                                            Public Libraries, 2004.


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2. Os conceitos


          Nesta comunicação optou-se por utilizar o conceito
          português de “Educação e Formação ao longo da Vida”,
          que na língua francesa se traduz por “Education et
          Formation tout au long de la vie”, e que na língua inglesa
          se encontra mais próxima do conceito de Lifelong
          Learning…
          …ao abordarmos a forma como este conceito é
          entendido no Livro Branco sobre a Educação e a
          Formação “Ensinar e aprender - rumo à Sociedade
          Cognitiva” (“Enseigner et Apprendre, vers la Societé
          Cognitive”; “Teaching and Learning, towards the Learning
          Society”) e no Memorando sobre a Aprendizagem ao
          Longo da Vida.



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2. Os conceitos


   Neste contexto, a dimensão da aprendizagem que
   é valorizada é a cognitiva, mas em inglês o seu
   significado é muito mais abrangente, possuindo
   uma representação mais alargada.
   Na semântica portuguesa e francesa,
   aprendizagem tem uma representação mais
   redutora do que na inglesa.




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2. Os conceitos

   A aprendizagem ao longo da vida significa que, se uma pessoa
   tem o desejo de aprender, ela terá condições de fazê-lo,
   independentemente de onde e quando isso ocorre.

   Para tanto, é necessária a confluência de três factores:

         que a pessoa tenha a predisposição para a aprendizagem,
         que existam ambientes de aprendizagem (centros, escolas,
         empresas) adequadamente organizados e que haja pessoas
         que a possam auxiliar no processo de aprender (agentes de
         aprendizagem),
         que esta aprendizagem vá ao encontro das necessidades
         do mercado de trabalho, se se quiser fazer face ao
         desemprego.


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2. Os conceitos


   Infelizmente, em geral, a aprendizagem ao longo da vida tem
   sido usada para designar a “educação de adultos”, o que se
   tem traduzido na criação das universidades da terceira idade.

   É uma tentativa de proporcionar meios para as pessoas darem
   continuidade a sua educação e obterem mais certificados.

   O resultado final aponta para a “certificação ao longo da
   vida” (lifelong certification), em vez de se criarem
   oportunidades para as pessoas se tornarem autónomas e
   estarem dotadas de competências transversais, e até
   específicas, necessárias de modo a responderem as
   necessidades do mercado.


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2. Os conceitos


   A proposta a ser enfatizada é a de que a aprendizagem que
   acontece na escola e durante a vida profissional deve ser
   uma extensão da aprendizagem que se dá na infância.
   As pessoas devem ter meios para continuar a aprender,
   interagindo com o mundo e recebendo ajuda dos agentes de
   aprendizagem.
                            A questão é:
     Como criar essas oportunidades de aprendizagem para que
    as pessoas possam adquirir conhecimento como parte do seu
         dia-a-dia, desde o nascimento e ao longo da vida?




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3. Desafios actuais

    Encontramo-nos na era da globalização, em que a
    nossa forma de viver em sociedade está a ser
    afectada por uma profunda restruturação.

    De entre as principais mudanças com que
    actualmente nos confrontamos, salientam-se as
    seguintes:

          rápida evolução científica e tecnológica, com impacto em
          todos os domínios da vida humana;

          transição da sociedade industrial para a sociedade da
          informação e do conhecimento;

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3. Desafios actuais


        grande impacto da tecnologia nos processos de
        comunicação e aquisição do conhecimento;

        mudança nos processos de produção e formas de
        organização do trabalho;

        alterações profundas nas fontes e formas de aprender;

        deslocação do papel das instituições tradicionais de
        educação e formação para outras estruturas, organizações
        e contextos de aprendizagem;




25 de Março de 2008           IX JORNADAS APDIS                 15
3. Desafios actuais


 A inovação nas organizações implica a
 capacidade de recolher informação, criar
 novos conhecimentos, disseminá-los e aplicá-
 los.

 A “criação de ambientes de aprendizagem”
 é o factor de sucessodas organizações, o que
 implica uma avaliação crítica de instrumentos
 de diversa natureza, com vista ao
 desenvolvimento da “produtividade do            KESSELS, J. - Learning
 conhecimento” e das competências a ele          organizations: a corporate
 associadas. (Kessels, 2000)                     curriculum for the
                                                 knowledge economy. In “Towards
                                                 a Learning Society: innovation
                                                 and competence building with
                                                 social cohesion for Europe” : a
                                                 Seminar on socio-economic
                                                 research and European policy.
                                                 Quinta da Marinha, Portugal, 28-
                                                 30 May 2000.
25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS                                16
3. Desafios actuais



 A “produtividade do conhecimento” exige a sinalização, a
 absorção e o processamento de informação relevante, a
 criação de novo conhecimento e a sua transposição para a
 inovação e melhoria de processos, produtos e serviços.

 Existe actualmente um consenso relativamente alargado sobre
 a importância do conhecimento no desenvolvimento
 económico, designando-se a nova economia por knowledge-
 based economy – a economia baseada no conhecimento.




25 de Março de 2008       IX JORNADAS APDIS                    17
3. Desafios actuais



  Este conceito de knowledge-based
  economy enfatiza o impacto
  combinado da globalização e das
  novas tecnologias da informação,
  com um padrão de crescimento
  baseado em aspectos intangíveis -
  como o comércio electrónico e a
  criação das auto-estradas da
  informação.



25 de Março de 2008      IX JORNADAS APDIS   18
3. Desafios actuais



  Por outro lado, constata-se a
  emergência de um novo conceito,
  relacionado com o anterior, que é o
  de learning economy – “a economia
  da aprendizagem”, que se baseia na
  hipótese da aceleração tanto da
                                             LUNDVALL, B.- Europe and the
  produção como da destruição do             learning economy: on the need for
                                             reintegrating the strategies of firms,
  conhecimento, nas últimas décadas          social partners, and policy-makers. In
                                             “Towards a Learning Society:
  (Lundvall, 2000).                          innovation and competence building
                                             with social cohesion for
                                             Europe : a Seminar on socio-
                                             economic research and European
                                             policy. Quinta da Marinha, Portugal,
                                             28-30 May 2000.


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3. Desafios actuais


  A designação de knowledge-driven
  economy – a economia guiada
  pelo conhecimento – que vem
  alargar o debate com a inclusão
  de aspectos da esfera social,
  associados com a economia
  baseada no conhecimento e com
  as novas tecnologias da
  informação e da comunicação, já            SOETE, L. - Europe and national
                                             technology policies: new
  é considerada, por muitos, a mais          challenges in search for a
                                             “European” Knowledge Society”. In
  adequada (Soete, 2000) para                Colóquio Sociedade, Tecnologia e
                                             Inovação Empresarial. Lisboa:
  designar a sociedade em que nos            Fundação Calouste Gulbenkian,
                                             2000.
  encontramos.

25 de Março de 2008      IX JORNADAS APDIS                              20
4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço
europeu

   No espaço europeu, a
   Aprendizagem ao Longo da Vida
   (ALV) tem sido objecto de discussões
   e de desenvolvimentos políticos,
   evoluindo no enquadramento
   estabelecido pela Estratégia
   Europeia para o Emprego (EEE) e
   procurando concretizar respostas
   para as especificidades do mercado
   de trabalho.
                                            SITOE, R. M. - Aprendizagem ao
                                            Longo da Vida: um conceito
                                            utópico? Comportamento
                                            Organizacional e Gestão. 12 : 2
                                            (2006) 283-290.


 25 de Março de 2008    IX JORNADAS APDIS                               21
4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço
europeu


   A aprendizagem ao longo da vida é uma proposta
   fascinante, tal como foi apresentada pelo Livro
   Branco tendo o ano de 1996 sido designado pelo
   Conselho dos Ministros e pelo Parlamento Europeu
   como “Ano Europeu da Educação e da Formação
   ao Longo da Vida”.
   Este foi coordenado a nível europeu pela Direcção-
   Geral XXII da Comissão Europeia, responsável pela
   Educação, a Formação e a Juventude.



 25 de Março de 2008    IX JORNADAS APDIS               22
4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço
europeu


   O objectivo fundamental era a
   procura de uma solução positiva
   no debate sobre o desemprego
   na Europa e de uma situação em
   que a actualização dos
   conhecimentos profissionais se
   tornasse um imperativo para
   todos os cidadãos.


 25 de Março de 2008   IX JORNADAS APDIS   23
4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço
europeu


   Havia que “sensibilizar os europeus
   para os choques fundamentais
   suscitados pela sociedade da
   informação, a mundialização, os
   progressos da civilização científica e
   técnica e a resposta que a
   educação e a formação podiam
   dar para responder a este desafio.”



 25 de Março de 2008     IX JORNADAS APDIS   24
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


                       Livro Branco sobre a Educação e a
                       Formação: “Ensinar e Aprender -
                       rumo à sociedade cognitiva”

                       O Livro Branco procurava sintetizar
                       as principais questões que se
                       colocavam aos sistemas de
                       educação e formação,
                       apresentando algumas propostas
                       respeitantes a iniciativas a
                       desenvolver no contexto
                       comunitário.
 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS                25
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


                       Procurava, por um lado, identificar os
                       desafios emergentes no domínio da
                       educação e formação, no contexto
                       europeu, e, por outro, delinear
                       orientações e linhas de acção que
                       contribuissem para o desenvolvimento da
                       qualidade destes sistemas.

                       Destacava a importância que a
                       educação e formação detinham no
                       plano económico, no acesso ao emprego
                       e na manutenção da empregabilidade,
                       no combate ao desemprego e à exclusão
                       social e na promoção da igualdade de
                       oportunidades.

 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS              26
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


   Realçava, ainda, o papel que a
   educação e a formação
   desempenham na:

   “identificação, integração,
   promoção social e realização
   pessoal” dos cidadãos europeus,
   procurando conciliar a perspectiva
   da inserção social, da
   empregabilidade e da realização
   pessoal.



 25 de Março de 2008    IX JORNADAS APDIS    27
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


                       Os principais desafios com que a
                       sociedade europeia se confronta
                       são identificados face a três
                       “choques-motores”:

                       1) o advento da sociedade da
                       informação, que é entendida como
                       uma nova revolução industrial, tão
                       ou mais importante como as que a
                       precederam, e cujas incidência se
                       faz sentir tanto na esfera produtiva
                       como na educativa, tanto a nível
                       económico como social;
 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS             28
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


                       2) a mundialização da economia e o
                       aumento da competitividade a nível
                       mundial (bem como os riscos de fractura
                       social que lhe estão associados);

                       3) a rápida evolução científica e
                       tecnológica e a cultura da inovação daí
                       decorrente, que vem reforçar a necessidade
                       da educação/formação promoverem o
                       desenvolvimento de uma cultura científica e
                       técnica, e de uma postura ética
                       fundamentada na responsabilidade.




 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS                    29
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


   Ao nível europeu, o Livro Branco,
   formula várias recomendações e faz
   propostas em torno de cinco
   objectivos prioritários:
   Fomentar a aquisição de novos conhecimentos

         Os indivíduos devem poder ter acesso a meios
         de aprendizagem adaptados às suas
         necessidades.

         Os métodos e os meios diversificam-se, os
         locais de formação multiplicam-se e a
         experiência do trabalho pode fornecer
         possibilidades de aprendizagem que é preciso
         explorar.

 25 de Março de 2008             IX JORNADAS APDIS      30
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação

         O Livro Branco propõe, entre outros, a criação
         de um instrumento europeu de acreditação das
         competências técnicas e profissionais,
         apoiando-se em redes europeias de centros de
         investigação e de centros de formação
         profissional, de empresas, de ramos profissionais.

         Tendo em vista favorecer a mobilidade dos
         estudantes, a Comissão pretende igualmente
         generalizar o reconhecimento mútuo das
         “unidades de valor” de ensino, que compõem
         um diploma.

         Finalmente, propõe eliminar os obstáculos
         administrativos e jurídicos que correm o risco de
         travar os intercâmbios de estudantes, de
         pessoas em formação, de professores e de
         investigadores.

 25 de Março de 2008               IX JORNADAS APDIS          31
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação

   Aproximar a escola e a empresa

         O reforço dos laços entre a escola e a empresa
         continua a ser um objectivo incontornável na
         maior parte dos países da União Europeia.

         As possibilidades de prossecução dos estudos
         que uma validação da experiência profissional
         adquirida pode abrir, é um dos aspectos da
         aproximação entre a escola e a empresa.

         O Livro Branco propõe, além disso, a
         constituição de redes de centros de
         aprendizagem entre diferentes países europeus
         e a promoção da mobilidade dos aprendizes
         no âmbito de um programa do tipo “Erasmus”.


 25 de Março de 2008             IX JORNADAS APDIS        32
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação

   Lutar contra a exclusão
         O número de jovens sem qualificação continua a
         ser importante e esta realidade constitui um factor
         pesado para o desemprego e a exclusão social.

         O Livro Branco recomenda que sejam
         desenvolvidos dispositivos de inserção para a
         formação baseados, nomeadamente, em
         discriminações positivas, beneficiando em especial
         os jovens dos bairros desfavorecidos.

         Será prestado apoio a projectos piloto de iniciativa
         local e com o objectivo de reinserir num circuito de
         formação jovens que tenham abandonado a
         escola sem diploma ou qualificação.



 25 de Março de 2008              IX JORNADAS APDIS             33
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


   Dominar três línguas comunitárias

         O domínio de três línguas comunitárias é
         um factor de comunicação, de
         intercâmbio e de mobilidade na Europa.

         O Livro Branco propõe apoiar o
         desenvolvimento de materiais e de
         métodos inovadores de aprendizagem
         para os diferentes grupos em termos de
         idade e níveis de educação e encorajar a
         aprendizagem das línguas estrangeiras
         desde os primeiros anos de educação.

 25 de Março de 2008           IX JORNADAS APDIS    34
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação

   Assegurar a igualdade de tratamento entre o
   investimento físico e o investimento em
   formação

   O Livro Branco propõe que seja efectuada
   uma concertação sobre o tratamento fiscal e
   contabilístico das despesas destinadas à
   formação.

   Poderiam ser tomadas medidas a favor das
   empresas que consagram meios financeiros à
   formação e desenvolvidas, paralelamente,
   fórmulas de “planos de poupança-formação”
   a favor de pessoas interessadas em renovar
   os respectivos conhecimentos.

 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS    35
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


   O Ano Europeu 1996 colocou a
   tónica sobre certas questões chave
   do desenvolvimento da educação e
   da formação ao longo da vida:
   Conceber de outra forma a aprendizagem, o ensino e
   a formação

   A imagem de uma educação e formação iniciais
   como utensílios suficientes de uma empregabilidade
   vitalícia está ultrapassada.

   A educação permanente e a formação contínua
   tornaram-se indispensáveis para apoiar os percursos
   profissionais que se constróem de forma mais complexa
   do que no passado, com um desenvolvimento da
   mobilidade e as mudanças nos locais de trabalho,
   devidas à inovação tecnológica ou às alterações na
   organização do trabalho.
 25 de Março de 2008              IX JORNADAS APDIS        36
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação

   Introduzir os princípios de uma aprendizagem
   ao longo da vida na educação e na formação
   inicial

   Estimular a curiosidade intelectual dos estudantes,
   motivá-los para aprender e levá-los a aprender a
   aprender, são desafios essenciais numa perspectiva
   da educação e da formação ao longo da vida, aos
   quais os professores e os formadores devem poder
   responder.

   A aquisição de competências chave, o
   desenvolvimento das capacidades de discernimento
   e de análise de tomada de decisão e de resolução
   de problemas, ou de trabalho em equipa, são os
   princípios de base da formação permanente.


 25 de Março de 2008           IX JORNADAS APDIS         37
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação

   Desenvolver pontes entre a educação, a
   formação e o trabalho

   A oferta de formação deve poder adaptar-se
   às necessidades da procura social e de públicos
   cada vez mais diversificados.

   Uma flexibilização da oferta, prevendo
   passagens entre os ramos, níveis e modos de
   aquisição, assim como a criação de
   instrumentos de validação adaptados a estas
   trajectórias, torna-se indispensável.




 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS        38
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


   Apoiar a aprendizagem das
   organizações

   Uma aprendizagem centrada nos
   indivíduos não garante
   necessariamente a aprendizagem das
   organizações.
   Uma abordagem particular das
   organizações é essencial, sobretudo no
   momento em que ocorrem mudanças
   organizacionais importantes.

 25 de Março de 2008    IX JORNADAS APDIS    39
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


                       Face a estes desafios, as respostas
                       preconizadas pelo Livro Branco em
                       matéria de educação/formação
                       dizem respeito à promoção do
                       “acesso à cultura geral” e ao
                       “desenvolvimento da aptidão para
                       o emprego e para a actividade”;
                       a finalidade da formação é
                       entendida de forma a “desenvolver
                       a autonomia da pessoa e a sua
                       capacidade profissional”,
                       procurando conciliar as vertentes
                       do desenvolvimento pessoal e
                       profissional.
 25 de Março de 2008       IX JORNADAS APDIS             40
4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação


                       Este documento visa, assim:

                       quot;contribuir, com as políticas de
                       educação e formação dos Estados-
                       Membros, para colocar a Europa na
                       via da sociedade cognitiva,
                       baseada na aquisição de
                       conhecimentos, onde ensinar e
                       aprender são um processo contínuo
                       ao longo da vida”.



 25 de Março de 2008       IX JORNADAS APDIS          41
4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO
LONGO DA VIDA

                       O Memorando sobre a
                       Aprendizagem ao Longo da Vida
                       (2000) - em conformidade com as
                       conclusões do Conselho Europeu de
                       Lisboa - reforça a necessidade de se
                       adoptar uma acção concertada
                       face às actuais mudanças
                       económicas e sociais, através de
                       uma nova abordagem da
                       educação e da formação.
                                               COMISSÃO DAS
                                               COMUNIDADES EUROPEIAS -
                                               Memorando sobre
                                               Aprendizagem ao Longo da
                                               Vida. Bruxelas: Comissão das
                                               Comunidades Europeias, 2000.


 25 de Março de 2008       IX JORNADAS APDIS                              42
4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO
LONGO DA VIDA

                       A aprendizagem ao longo da vida
                       é:

                       entendida como “toda e qualquer
                       actividade de aprendizagem, com
                       um objectivo, empreendida numa
                       base contínua e visando melhorar
                       conhecimentos, aptidões e
                       competências”
                       e os seus principais objectivos são a
                       promoção da cidadania e o
                       fomento da empregabilidade.

 25 de Março de 2008       IX JORNADAS APDIS              43
4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO
LONGO DA VIDA
                       A aprendizagem ao longo da vida é:
                       entendida como uma prioridade
                       política europeia, sendo expressa a
                       preocupação de “alcançar um
                       crescimento económico dinâmico,
                       reforçando, simultaneamente,a
                       coesão social”.
                       perspectivada como um processo
                       “contínuo ininterrupto”, que considera,
                       por um lado, a dimensão temporal da
                       aprendizagem (lifelong) e, por outro, a
                       multiplicidade de espaços e contextos
                       de aprendizagem (lifewide).
 25 de Março de 2008          IX JORNADAS APDIS              44
4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM
AO LONGO DA VIDA

  O Memorando sobre Aprendizagem ao
  Longo da Vida contém uma definição do
  conceito, estabelecido no contexto da
  Estratégia Europeia para o Emprego, ponto
  de partida para o debate durante o
  processo de consulta (Neves, 2005).

  Segundo esta definição a aprendizagem
  ao longo da vida é “toda a actividade de
  aprendizagem em qualquer momento da
  vida, com o objectivo de melhorar os
  conhecimentos, as aptidões e
  competências, no quadro de uma
  perspectiva pessoal, cívica, social e/ou
  relacionada com o emprego”.                 Neves, A., org. - Estudo de
                                              avaliação das políticas de
                                              aprendizagem ao longo da
                                              vida. Lisboa: DGEEP, 2005

25 de Março de 2008       IX JORNADAS APDIS                                 45
4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM
AO LONGO DA VIDA
   A amplitude desta definição chama a atenção para o leque das
   categorias básicas de actividades de aprendizagem, nomeadamente:

   a aprendizagem formal,
   a aprendizagem não formal,
   a aprendizagem informal,
   para além da inclusão de todas as fases da aprendizagem, desde a
   infância à reforma.




25 de Março de 2008          IX JORNADAS APDIS                        46
4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM
AO LONGO DA VIDA

      Os conceitos de aprendizagem formal, não-formal e
      informal aparecem caracterizados:
      aprendizagem formal, que se desenvolve em instituições
      de ensino e formação, conduzindo à aquisição dos
      diplomas e das qualificações;
      aprendizagem não-formal, que decorre de acções
      desenvolvidas no exterior dos sistemas formais, tais como
      no trabalho, na comunidade, na vida associativa, etc., e
      que não conduzem necessariamente à certificação;
      aprendizagem informal, resultante das situações mais
      amplas de vida, e que frequentemente não é
      reconhecida (individual e socialmente).

 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS                47
5. A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA AO
NÍVEL INTERNACIONAL
  Ao nível international level, podemos verificar a
  importância atribuída à formação/aprendizagem ao
  longo da vida, por exemplo, no Manifesto da IFLA e
  UNESCO sobre as Bibliotecas Públicas (IFLA UNESCO
  Public Library Manifesto).

  O Manifesto inclui 12 missões-chave relacionadas com
  a informação, a literacia, a educação e a cultura e
  incluem: dar apoio à formação e auto-aprendizagem
  formal e informal individual a todos os níveis e
  favorecer o desenvolvimento da informação e das        Häggström, B. M., ed. lit. - The
                                                         role of libraries in lifelong
  competências para as TIC (computer literacy            learning : final report of the IFLA
                                                         project under the Section for
  skills)(IFLA, 1994).                                   Public Libraries, 2004.




 25 de Março de 2008          IX JORNADAS APDIS                                      48
5. A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA AO
NÍVEL INTERNACIONAL

  A Declaração de Hamburgo tornou-se o ponto
  de partida para o Projecto sobre O Papel das
  Bibliotecas Públicas na Aprendizagem ao
  Longo da Vida (“The Role of Public Libraries in
  lifelong learning”, iniciado em 2000 e concluído
  na Conferência da IFLA em Berlim em 2003).
  A Declaração de Hamburgo preconizava:
  ”UNESCO should strengthen libraries, museums
  heritage and cultural institutions as learning places
  and partners in the lifelong learning process and
  modern citizenship.”
  A versão definitiva do documento foi
  adoptada pela Secção da IFLA para as
  Bibliotecas Públicas em 2004.

25 de Março de 2008             IX JORNADAS APDIS         49
5. A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA AO
NÍVEL INTERNACIONAL


  A Declaração da EBLIDA sobre o papel das
  bibliotecas na aprendizagem ao longo da
  vida (EBLIDA, 2001), apoia as conclusões da
  Cimeira de Lisboa e afirma que as bibliotecas
  têm um papel fundamental a desempenhar
  no desenvolvimento e implementação do
  ensino e aprendizagem, no seu sentido mais
  lacto, como actividade formal, nas instituições
  e como actividade informal, na comunidade.




25 de Março de 2008         IX JORNADAS APDIS       50
5.1. A IFLA E O PROJECTO “THE ROLE OF PUBLIC
LIBRARIES IN LIFELONG LEARNING”


Descrição do Projecto
   O objectivo do Projecto da IFLA: “The role of
   Public Libraries in lifelong learning” é explorar as
   possibilidades de as bibliotecas públicas
   poderem desempenhar um papel mais activo
   na aprendizagem ao longo da vida (lifelong
   learning) e de estabelecer instrumentos que
   permitam às bibliotecas e aos profissionais de
   informação tornar-se parceiros activos nos
   sistemas educativos (Häggström, 2004).

 25 de Março de 2008           IX JORNADAS APDIS          51
5.1. A IFLA E O PROJECTO “THE ROLE OF PUBLIC
LIBRARIES IN LIFELONG LEARNING”
      Apesar de o Projecto não estar centrado no Memorandum,
      este tornou-se a razão pela qual a comunidade de
      bibliotecários europeus tomou parte activa na sua
      discussão e esse facto foi positivo para o Projecto.

      O Projecto propunha-se analisar e dar exemplos de boas
      práticas em actividades como:

             A utilização das bibliotecas publicas em áreas
             relacionadas com a formação e a formação contínua.

             A cooperação e comunicação das bibliotecas
             públicas com a sociedade local, e.g. diferentes
             instituições educativas, comércio local e indústria, assim
             como autoridades de saúde e ambiente.


 25 de Março de 2008                    IX JORNADAS APDIS                 52
5.1. A IFLA E O PROJECTO “THE ROLE OF PUBLIC
LIBRARIES IN LIFELONG LEARNING”
             O papel desempenhado pelas bibliotecas
             públicas na defesa e promoção da participação
             democrática, livre acesso à informação e
             liberdade de expressão.

             Métodos e estratégias pedagógicas
             desenvolvidos e adaptados para a formação de
             adultos e para pessoas com necessidades
             especiais, e.g. pessoas com deficiência.

             O perfil profissional do bibliotecário, aferindo, por
             exemplo, as suas competências em áreas como
             a da pesquisa de informação, competências
             pedagógicas, didácticas e em TIC.

             A função das bibliotecas públicas na
             preservação da herança cultural, e.g. tradição
             oral e línguas nativas.

 25 de Março de 2008                  IX JORNADAS APDIS              53
5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC
LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY

     A EBLIDA – European Bureau of Library, Information and
     Documentation Associations – adoptou uma
     Declaração sobre o Papel das Bibliotecas na
     Aprendizagem ao Longo da Vida no seu Council, do
     dia 11 de Maio de 2001. Esta declaração foi enviada à
     Comissão (Committee of the Regions).

     A declaração acentua o facto de a noção de “lifelong
     learning” pressupor a capacidade de procurar
     informação e conhecimento de modo independente e
     activo (“the ability to search for information and
     knowledge actively and independently”).



 25 de Março de 2008         IX JORNADAS APDIS                54
5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC
LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY
Realça o papel:
           das bibliotecas - quanto à sua missão de dar
           acesso à informação;

           dos bibliotecários - no que diz respeito a
           fornecer auxílio especializado na
           identificação e na avaliação da qualidade
           dos recursos, possibilitando aos seus
           utilizadores o melhor uso possível das fontes
           de informação, nas “new global networks
           where the information often lacks the
           traditional benchmarks of quality, authenticity
           or permanence”.
 25 de Março de 2008          IX JORNADAS APDIS              55
5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC
LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY

      O Projecto PuLLS (Public Libraries in the Learning
      society) foi parte do Grundtvig Programme da União
      Europeia (sob a “cobertura” do Programa Socrates),
      cujo objectivo era potenciar a dimensão europeia
      da aprendizagem ao longo da vida e melhorar a
      disponibilidade e acessibilidade das oportunidades
      de aprendizgem para adultos.

                                        EVE, J. ; DE GROOT, M.; SCHMIDT, A-M. - Supporting
                                                                               A-
                                        lifelong learning in public libraries across Europe.
                                        Library Review. 56 : 5 (2007) 393-406.
                                                 Review.               393-



 25 de Março de 2008     IX JORNADAS APDIS                                                     56
5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC
LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY

    Os objectivos do Projecto PuLLS foram:

    Partilhar competências, conhecimento e saberes entre as instituições
    da parceria;
    Desenvolver um modelo à escala europeia de apoio à
    aprendizagem ao longo da vida ;
    Fornecer oportunidades de aprendizagem a adultos,
    particularmente àqueles em risco de exclusão da ‘‘sociedade da
    informação’’;
    Desenvolver um conjunto de material de formação a ser distribuído
    em centros de formação livres e que podem ser partilhados por
    outras bibliotecas que desejem desenvolver actividades em “open
    learning”.



 25 de Março de 2008               IX JORNADAS APDIS                       57
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS


      Vivemos hoje numa nova sociedade onde
      organizações e mercados profissionais são
      cada vez menos espaços onde imperam as
      especializações que, tal como as próprias
      tecnologias, se tornam rapidamente
      obsoletas,

      e onde se requer e exige não tanto
      especialistas mas profissionais portadores de
      aptidões e competências flexiveis, com
      capacidade permanente de ajuste e
      adaptabilidade a mudança e a ritmos de          Castells, M. – A era da
      mudança acelerados.                             informação: economia,
                                                      sociedade e cultura : o
                                                      poder da identidade.
                                                      Vol. II. Lisboa:
                                                      Fundação Calouste
                                                      Gulbenkian, 2003.




 25 de Março de 2008           IX JORNADAS APDIS                        58
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

   Conceitos como a motivação, as
   expectativas e a satisfação são
   indispensáveis para a aprendizagem
   ao longo da vida, enquanto que o
   investimento pessoal em tempo e em
   dinheiro constitui uma questão fulcral
   deste debate.

   O papel e o empenho dos diferentes
   agentes do mercado da
   aprendizagem (sociedades
   comerciais, ONG, organismos
   profissionais, autoridades locais,
   Estado e, naturalmente, os
   particulares) devem ser devidamente
   clarificados.

 25 de Março de 2008         IX JORNADAS APDIS   59
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS


   Com o advento do mercado da
   educação e da formação, é necessário
   recolher informações sobre os
   fornecedores e os aspectos económicos
   do ensino/da formação, sobre os custos e
   sobre a disponibilidade de oferta.

   Os sistemas de ensino registaram um longo
   período de estabilidade, mas estão agora
   a conhecer mutações radicais. As
   políticas, para serem eficazes, têm de
   acompanhar, e mesmo antecipar, tais
   mudanças.


 25 de Março de 2008        IX JORNADAS APDIS   60
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS


     Com as inúmeras e diversas possibilidades
     propiciadas pelas novas tecnologias e a sua
     capacidade de disseminação da informação
     e do conhecimento, desenha-se um novo
     mundo:

     onde limites territoriais e temporais e distâncias
     se diluem, onde o saber e os saberes, a
     interacção e o conhecimento adquirem
     novos significados e novas aplicações, onde
     aprender e ensinar se traduzem e associam
     em novos processos, modalidades e parcerias
     cognitivas.


 25 de Março de 2008              IX JORNADAS APDIS       61
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

  A evolução para a sociedade do
  conhecimento, com a consequente
  inovação cientifica e tecnológica, e com
  as novas relações entre a informação, o
  conhecimento e o saber, conduziram à
  criação de novas oportunidades e
  paradigmas de ensino e de
  aprendizagem.

  Aos profissionais de informação só resta
  saber tirar partido dessas novas iniciativas
  para reconhecimento e validação de
  aprendizagens e de competências, por
  um lado, e fazendo cumprir a sua missão
  formativa, por outro.


 25 de Março de 2008             IX JORNADAS APDIS   62
Não esquecendo que:




                          Knowledge, once acquired, gradually loses its worth,
            while technical innovations, released in an ever-quicker succession,
                                    impose a constant need for further training.

                           Working paper : Lifelong learning in public administration. Brussels: USSP/CESI, 2004



25 de Março de 2008                       IX JORNADAS APDIS                                                        63

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Desafios da aprendizagem ao longo da vida

  • 1. DESAFIOS ACTUAIS E APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA isabel.andrade@ensp.unl.pt
  • 2. SUMÁRIO 1. Nota introdutória 2. Os conceitos 3. Desafios actuais 4. A aprendizagem ao longo da vida no espaço europeu 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação 4.2. Memorando sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida 5. A aprendizagem ao longo da vida ao nível internacional 5.1. A IFLA e o Projecto “The role of Public Libraries in lifelong learning” 5.2. A EBLIDA e o Projecto “PuLLS - Public Libraries in the Learning Society” 6. Considerações finais
  • 3. 1. Nota introdutória Ao longo dos últimos anos a abordagem dos problemas da formação, do emprego e do desemprego, tem ocupado um lugar de destaque na agenda internacional, em particular na União Europeia. A sociedade do conhecimento, bem como as tendências económicas e da sociedade em geral - como a globalização, a evolução das estruturas familiares, a evolução demográfica e o impacto da tecnologia digital - oferecem vantagens e colocam vários desafios potenciais para a União Europeia e os seus cidadãos. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 3
  • 4. 1. Nota introdutória Estes podem beneficiar de um conjunto de novas oportunidades de comunicação e emprego. A aquisição contínua de conhecimentos e competências, é essencial para poder tirar partido dessas oportunidades e participar activamente na sociedade. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 4
  • 5. 1. Nota introdutória Paralelamente, a vantagem concorrencial depende cada vez mais dos investimentos em termos de capital humano. Por conseguinte, os conhecimentos e as competências, constituem um importante catalisador para o crescimento económico. Por outro lado, a sociedade do conhecimento acarreta riscos e incertezas consideráveis, na medida em que é passível de reforçar desigualdades e a exclusão social. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 5
  • 6. 1. Nota introdutória De facto, existe um enorme nível de responsabilidade que decorre do papel que as políticas educativas desempenham na prevenção e atenuação da exclusão social. A promoção e o alargamento do acesso às oportunidades educativas - tanto ao nível da formação inicial como da educação e formação ao longo da vida - é um factor essencial (na perspectiva do desenvolvimento económico e como garantia da coesão social). 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 6
  • 7. 2. Os conceitos A ideia da formação ao longo da vida, num processo permanente de aprendizagem, “significa que a formação nunca está terminada, que a aprendizagem é co- extensiva da vida das pessoas, e da actividade dos grupos e das sociedades.” O conceito de Lifelong Learning foi generalizado nos anos 70, tendo como significado “as estruturas e estratégias organizacionais e didácticas que permitem que a aprendizagem ocorra desde a infância até à idade adulta”. (Silva, 1997). SILVA, A. Santos – Comunicação. In Seminário, 20 de Novembro de 1996 - Educar e Formar ao Longo da Vida – Actas. Lisboa: Conselho Nacional da Educação, 1997. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 7
  • 8. 2. Os conceitos De acordo com a IFLA, o conceito de lifelong learning reflecte uma visão mais holística da educação e formação e reconhece a aprendizagem como tendo origem em e partindo de ambientes muito diversos: Lifelong learning can be defined as all purposeful learning activity undertaken on an ongoing basis with the aim of improving knowledge, skills and competence. It contains various forms of education and training, formal, non-formal and informal, e.g. the traditional school system from primary to tertiary level, free adult education, informal search and training, individually, in a Häggström, B. M., ed. lit. - group setting or within the framework of social The role of libraries in movements. lifelong learning : final report of the IFLA project under the Section for Public Libraries, 2004. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 8
  • 9. 2. Os conceitos Nesta comunicação optou-se por utilizar o conceito português de “Educação e Formação ao longo da Vida”, que na língua francesa se traduz por “Education et Formation tout au long de la vie”, e que na língua inglesa se encontra mais próxima do conceito de Lifelong Learning… …ao abordarmos a forma como este conceito é entendido no Livro Branco sobre a Educação e a Formação “Ensinar e aprender - rumo à Sociedade Cognitiva” (“Enseigner et Apprendre, vers la Societé Cognitive”; “Teaching and Learning, towards the Learning Society”) e no Memorando sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 9
  • 10. 2. Os conceitos Neste contexto, a dimensão da aprendizagem que é valorizada é a cognitiva, mas em inglês o seu significado é muito mais abrangente, possuindo uma representação mais alargada. Na semântica portuguesa e francesa, aprendizagem tem uma representação mais redutora do que na inglesa. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 10
  • 11. 2. Os conceitos A aprendizagem ao longo da vida significa que, se uma pessoa tem o desejo de aprender, ela terá condições de fazê-lo, independentemente de onde e quando isso ocorre. Para tanto, é necessária a confluência de três factores: que a pessoa tenha a predisposição para a aprendizagem, que existam ambientes de aprendizagem (centros, escolas, empresas) adequadamente organizados e que haja pessoas que a possam auxiliar no processo de aprender (agentes de aprendizagem), que esta aprendizagem vá ao encontro das necessidades do mercado de trabalho, se se quiser fazer face ao desemprego. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 11
  • 12. 2. Os conceitos Infelizmente, em geral, a aprendizagem ao longo da vida tem sido usada para designar a “educação de adultos”, o que se tem traduzido na criação das universidades da terceira idade. É uma tentativa de proporcionar meios para as pessoas darem continuidade a sua educação e obterem mais certificados. O resultado final aponta para a “certificação ao longo da vida” (lifelong certification), em vez de se criarem oportunidades para as pessoas se tornarem autónomas e estarem dotadas de competências transversais, e até específicas, necessárias de modo a responderem as necessidades do mercado. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 12
  • 13. 2. Os conceitos A proposta a ser enfatizada é a de que a aprendizagem que acontece na escola e durante a vida profissional deve ser uma extensão da aprendizagem que se dá na infância. As pessoas devem ter meios para continuar a aprender, interagindo com o mundo e recebendo ajuda dos agentes de aprendizagem. A questão é: Como criar essas oportunidades de aprendizagem para que as pessoas possam adquirir conhecimento como parte do seu dia-a-dia, desde o nascimento e ao longo da vida? 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 13
  • 14. 3. Desafios actuais Encontramo-nos na era da globalização, em que a nossa forma de viver em sociedade está a ser afectada por uma profunda restruturação. De entre as principais mudanças com que actualmente nos confrontamos, salientam-se as seguintes: rápida evolução científica e tecnológica, com impacto em todos os domínios da vida humana; transição da sociedade industrial para a sociedade da informação e do conhecimento; 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 14
  • 15. 3. Desafios actuais grande impacto da tecnologia nos processos de comunicação e aquisição do conhecimento; mudança nos processos de produção e formas de organização do trabalho; alterações profundas nas fontes e formas de aprender; deslocação do papel das instituições tradicionais de educação e formação para outras estruturas, organizações e contextos de aprendizagem; 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 15
  • 16. 3. Desafios actuais A inovação nas organizações implica a capacidade de recolher informação, criar novos conhecimentos, disseminá-los e aplicá- los. A “criação de ambientes de aprendizagem” é o factor de sucessodas organizações, o que implica uma avaliação crítica de instrumentos de diversa natureza, com vista ao desenvolvimento da “produtividade do KESSELS, J. - Learning conhecimento” e das competências a ele organizations: a corporate associadas. (Kessels, 2000) curriculum for the knowledge economy. In “Towards a Learning Society: innovation and competence building with social cohesion for Europe” : a Seminar on socio-economic research and European policy. Quinta da Marinha, Portugal, 28- 30 May 2000. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 16
  • 17. 3. Desafios actuais A “produtividade do conhecimento” exige a sinalização, a absorção e o processamento de informação relevante, a criação de novo conhecimento e a sua transposição para a inovação e melhoria de processos, produtos e serviços. Existe actualmente um consenso relativamente alargado sobre a importância do conhecimento no desenvolvimento económico, designando-se a nova economia por knowledge- based economy – a economia baseada no conhecimento. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 17
  • 18. 3. Desafios actuais Este conceito de knowledge-based economy enfatiza o impacto combinado da globalização e das novas tecnologias da informação, com um padrão de crescimento baseado em aspectos intangíveis - como o comércio electrónico e a criação das auto-estradas da informação. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 18
  • 19. 3. Desafios actuais Por outro lado, constata-se a emergência de um novo conceito, relacionado com o anterior, que é o de learning economy – “a economia da aprendizagem”, que se baseia na hipótese da aceleração tanto da LUNDVALL, B.- Europe and the produção como da destruição do learning economy: on the need for reintegrating the strategies of firms, conhecimento, nas últimas décadas social partners, and policy-makers. In “Towards a Learning Society: (Lundvall, 2000). innovation and competence building with social cohesion for Europe : a Seminar on socio- economic research and European policy. Quinta da Marinha, Portugal, 28-30 May 2000. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 19
  • 20. 3. Desafios actuais A designação de knowledge-driven economy – a economia guiada pelo conhecimento – que vem alargar o debate com a inclusão de aspectos da esfera social, associados com a economia baseada no conhecimento e com as novas tecnologias da informação e da comunicação, já SOETE, L. - Europe and national technology policies: new é considerada, por muitos, a mais challenges in search for a “European” Knowledge Society”. In adequada (Soete, 2000) para Colóquio Sociedade, Tecnologia e Inovação Empresarial. Lisboa: designar a sociedade em que nos Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. encontramos. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 20
  • 21. 4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço europeu No espaço europeu, a Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV) tem sido objecto de discussões e de desenvolvimentos políticos, evoluindo no enquadramento estabelecido pela Estratégia Europeia para o Emprego (EEE) e procurando concretizar respostas para as especificidades do mercado de trabalho. SITOE, R. M. - Aprendizagem ao Longo da Vida: um conceito utópico? Comportamento Organizacional e Gestão. 12 : 2 (2006) 283-290. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 21
  • 22. 4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço europeu A aprendizagem ao longo da vida é uma proposta fascinante, tal como foi apresentada pelo Livro Branco tendo o ano de 1996 sido designado pelo Conselho dos Ministros e pelo Parlamento Europeu como “Ano Europeu da Educação e da Formação ao Longo da Vida”. Este foi coordenado a nível europeu pela Direcção- Geral XXII da Comissão Europeia, responsável pela Educação, a Formação e a Juventude. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 22
  • 23. 4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço europeu O objectivo fundamental era a procura de uma solução positiva no debate sobre o desemprego na Europa e de uma situação em que a actualização dos conhecimentos profissionais se tornasse um imperativo para todos os cidadãos. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 23
  • 24. 4. A aprendizagem ao Longo da Vida no espaço europeu Havia que “sensibilizar os europeus para os choques fundamentais suscitados pela sociedade da informação, a mundialização, os progressos da civilização científica e técnica e a resposta que a educação e a formação podiam dar para responder a este desafio.” 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 24
  • 25. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Livro Branco sobre a Educação e a Formação: “Ensinar e Aprender - rumo à sociedade cognitiva” O Livro Branco procurava sintetizar as principais questões que se colocavam aos sistemas de educação e formação, apresentando algumas propostas respeitantes a iniciativas a desenvolver no contexto comunitário. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 25
  • 26. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Procurava, por um lado, identificar os desafios emergentes no domínio da educação e formação, no contexto europeu, e, por outro, delinear orientações e linhas de acção que contribuissem para o desenvolvimento da qualidade destes sistemas. Destacava a importância que a educação e formação detinham no plano económico, no acesso ao emprego e na manutenção da empregabilidade, no combate ao desemprego e à exclusão social e na promoção da igualdade de oportunidades. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 26
  • 27. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Realçava, ainda, o papel que a educação e a formação desempenham na: “identificação, integração, promoção social e realização pessoal” dos cidadãos europeus, procurando conciliar a perspectiva da inserção social, da empregabilidade e da realização pessoal. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 27
  • 28. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Os principais desafios com que a sociedade europeia se confronta são identificados face a três “choques-motores”: 1) o advento da sociedade da informação, que é entendida como uma nova revolução industrial, tão ou mais importante como as que a precederam, e cujas incidência se faz sentir tanto na esfera produtiva como na educativa, tanto a nível económico como social; 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 28
  • 29. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação 2) a mundialização da economia e o aumento da competitividade a nível mundial (bem como os riscos de fractura social que lhe estão associados); 3) a rápida evolução científica e tecnológica e a cultura da inovação daí decorrente, que vem reforçar a necessidade da educação/formação promoverem o desenvolvimento de uma cultura científica e técnica, e de uma postura ética fundamentada na responsabilidade. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 29
  • 30. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Ao nível europeu, o Livro Branco, formula várias recomendações e faz propostas em torno de cinco objectivos prioritários: Fomentar a aquisição de novos conhecimentos Os indivíduos devem poder ter acesso a meios de aprendizagem adaptados às suas necessidades. Os métodos e os meios diversificam-se, os locais de formação multiplicam-se e a experiência do trabalho pode fornecer possibilidades de aprendizagem que é preciso explorar. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 30
  • 31. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação O Livro Branco propõe, entre outros, a criação de um instrumento europeu de acreditação das competências técnicas e profissionais, apoiando-se em redes europeias de centros de investigação e de centros de formação profissional, de empresas, de ramos profissionais. Tendo em vista favorecer a mobilidade dos estudantes, a Comissão pretende igualmente generalizar o reconhecimento mútuo das “unidades de valor” de ensino, que compõem um diploma. Finalmente, propõe eliminar os obstáculos administrativos e jurídicos que correm o risco de travar os intercâmbios de estudantes, de pessoas em formação, de professores e de investigadores. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 31
  • 32. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Aproximar a escola e a empresa O reforço dos laços entre a escola e a empresa continua a ser um objectivo incontornável na maior parte dos países da União Europeia. As possibilidades de prossecução dos estudos que uma validação da experiência profissional adquirida pode abrir, é um dos aspectos da aproximação entre a escola e a empresa. O Livro Branco propõe, além disso, a constituição de redes de centros de aprendizagem entre diferentes países europeus e a promoção da mobilidade dos aprendizes no âmbito de um programa do tipo “Erasmus”. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 32
  • 33. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Lutar contra a exclusão O número de jovens sem qualificação continua a ser importante e esta realidade constitui um factor pesado para o desemprego e a exclusão social. O Livro Branco recomenda que sejam desenvolvidos dispositivos de inserção para a formação baseados, nomeadamente, em discriminações positivas, beneficiando em especial os jovens dos bairros desfavorecidos. Será prestado apoio a projectos piloto de iniciativa local e com o objectivo de reinserir num circuito de formação jovens que tenham abandonado a escola sem diploma ou qualificação. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 33
  • 34. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Dominar três línguas comunitárias O domínio de três línguas comunitárias é um factor de comunicação, de intercâmbio e de mobilidade na Europa. O Livro Branco propõe apoiar o desenvolvimento de materiais e de métodos inovadores de aprendizagem para os diferentes grupos em termos de idade e níveis de educação e encorajar a aprendizagem das línguas estrangeiras desde os primeiros anos de educação. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 34
  • 35. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Assegurar a igualdade de tratamento entre o investimento físico e o investimento em formação O Livro Branco propõe que seja efectuada uma concertação sobre o tratamento fiscal e contabilístico das despesas destinadas à formação. Poderiam ser tomadas medidas a favor das empresas que consagram meios financeiros à formação e desenvolvidas, paralelamente, fórmulas de “planos de poupança-formação” a favor de pessoas interessadas em renovar os respectivos conhecimentos. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 35
  • 36. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação O Ano Europeu 1996 colocou a tónica sobre certas questões chave do desenvolvimento da educação e da formação ao longo da vida: Conceber de outra forma a aprendizagem, o ensino e a formação A imagem de uma educação e formação iniciais como utensílios suficientes de uma empregabilidade vitalícia está ultrapassada. A educação permanente e a formação contínua tornaram-se indispensáveis para apoiar os percursos profissionais que se constróem de forma mais complexa do que no passado, com um desenvolvimento da mobilidade e as mudanças nos locais de trabalho, devidas à inovação tecnológica ou às alterações na organização do trabalho. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 36
  • 37. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Introduzir os princípios de uma aprendizagem ao longo da vida na educação e na formação inicial Estimular a curiosidade intelectual dos estudantes, motivá-los para aprender e levá-los a aprender a aprender, são desafios essenciais numa perspectiva da educação e da formação ao longo da vida, aos quais os professores e os formadores devem poder responder. A aquisição de competências chave, o desenvolvimento das capacidades de discernimento e de análise de tomada de decisão e de resolução de problemas, ou de trabalho em equipa, são os princípios de base da formação permanente. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 37
  • 38. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Desenvolver pontes entre a educação, a formação e o trabalho A oferta de formação deve poder adaptar-se às necessidades da procura social e de públicos cada vez mais diversificados. Uma flexibilização da oferta, prevendo passagens entre os ramos, níveis e modos de aquisição, assim como a criação de instrumentos de validação adaptados a estas trajectórias, torna-se indispensável. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 38
  • 39. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Apoiar a aprendizagem das organizações Uma aprendizagem centrada nos indivíduos não garante necessariamente a aprendizagem das organizações. Uma abordagem particular das organizações é essencial, sobretudo no momento em que ocorrem mudanças organizacionais importantes. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 39
  • 40. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Face a estes desafios, as respostas preconizadas pelo Livro Branco em matéria de educação/formação dizem respeito à promoção do “acesso à cultura geral” e ao “desenvolvimento da aptidão para o emprego e para a actividade”; a finalidade da formação é entendida de forma a “desenvolver a autonomia da pessoa e a sua capacidade profissional”, procurando conciliar as vertentes do desenvolvimento pessoal e profissional. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 40
  • 41. 4.1. Livro Branco sobre a Educação e a Formação Este documento visa, assim: quot;contribuir, com as políticas de educação e formação dos Estados- Membros, para colocar a Europa na via da sociedade cognitiva, baseada na aquisição de conhecimentos, onde ensinar e aprender são um processo contínuo ao longo da vida”. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 41
  • 42. 4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA O Memorando sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida (2000) - em conformidade com as conclusões do Conselho Europeu de Lisboa - reforça a necessidade de se adoptar uma acção concertada face às actuais mudanças económicas e sociais, através de uma nova abordagem da educação e da formação. COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS - Memorando sobre Aprendizagem ao Longo da Vida. Bruxelas: Comissão das Comunidades Europeias, 2000. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 42
  • 43. 4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA A aprendizagem ao longo da vida é: entendida como “toda e qualquer actividade de aprendizagem, com um objectivo, empreendida numa base contínua e visando melhorar conhecimentos, aptidões e competências” e os seus principais objectivos são a promoção da cidadania e o fomento da empregabilidade. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 43
  • 44. 4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA A aprendizagem ao longo da vida é: entendida como uma prioridade política europeia, sendo expressa a preocupação de “alcançar um crescimento económico dinâmico, reforçando, simultaneamente,a coesão social”. perspectivada como um processo “contínuo ininterrupto”, que considera, por um lado, a dimensão temporal da aprendizagem (lifelong) e, por outro, a multiplicidade de espaços e contextos de aprendizagem (lifewide). 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 44
  • 45. 4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA O Memorando sobre Aprendizagem ao Longo da Vida contém uma definição do conceito, estabelecido no contexto da Estratégia Europeia para o Emprego, ponto de partida para o debate durante o processo de consulta (Neves, 2005). Segundo esta definição a aprendizagem ao longo da vida é “toda a actividade de aprendizagem em qualquer momento da vida, com o objectivo de melhorar os conhecimentos, as aptidões e competências, no quadro de uma perspectiva pessoal, cívica, social e/ou relacionada com o emprego”. Neves, A., org. - Estudo de avaliação das políticas de aprendizagem ao longo da vida. Lisboa: DGEEP, 2005 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 45
  • 46. 4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA A amplitude desta definição chama a atenção para o leque das categorias básicas de actividades de aprendizagem, nomeadamente: a aprendizagem formal, a aprendizagem não formal, a aprendizagem informal, para além da inclusão de todas as fases da aprendizagem, desde a infância à reforma. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 46
  • 47. 4.2. MEMORANDO SOBRE A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA Os conceitos de aprendizagem formal, não-formal e informal aparecem caracterizados: aprendizagem formal, que se desenvolve em instituições de ensino e formação, conduzindo à aquisição dos diplomas e das qualificações; aprendizagem não-formal, que decorre de acções desenvolvidas no exterior dos sistemas formais, tais como no trabalho, na comunidade, na vida associativa, etc., e que não conduzem necessariamente à certificação; aprendizagem informal, resultante das situações mais amplas de vida, e que frequentemente não é reconhecida (individual e socialmente). 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 47
  • 48. 5. A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA AO NÍVEL INTERNACIONAL Ao nível international level, podemos verificar a importância atribuída à formação/aprendizagem ao longo da vida, por exemplo, no Manifesto da IFLA e UNESCO sobre as Bibliotecas Públicas (IFLA UNESCO Public Library Manifesto). O Manifesto inclui 12 missões-chave relacionadas com a informação, a literacia, a educação e a cultura e incluem: dar apoio à formação e auto-aprendizagem formal e informal individual a todos os níveis e favorecer o desenvolvimento da informação e das Häggström, B. M., ed. lit. - The role of libraries in lifelong competências para as TIC (computer literacy learning : final report of the IFLA project under the Section for skills)(IFLA, 1994). Public Libraries, 2004. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 48
  • 49. 5. A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA AO NÍVEL INTERNACIONAL A Declaração de Hamburgo tornou-se o ponto de partida para o Projecto sobre O Papel das Bibliotecas Públicas na Aprendizagem ao Longo da Vida (“The Role of Public Libraries in lifelong learning”, iniciado em 2000 e concluído na Conferência da IFLA em Berlim em 2003). A Declaração de Hamburgo preconizava: ”UNESCO should strengthen libraries, museums heritage and cultural institutions as learning places and partners in the lifelong learning process and modern citizenship.” A versão definitiva do documento foi adoptada pela Secção da IFLA para as Bibliotecas Públicas em 2004. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 49
  • 50. 5. A APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA AO NÍVEL INTERNACIONAL A Declaração da EBLIDA sobre o papel das bibliotecas na aprendizagem ao longo da vida (EBLIDA, 2001), apoia as conclusões da Cimeira de Lisboa e afirma que as bibliotecas têm um papel fundamental a desempenhar no desenvolvimento e implementação do ensino e aprendizagem, no seu sentido mais lacto, como actividade formal, nas instituições e como actividade informal, na comunidade. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 50
  • 51. 5.1. A IFLA E O PROJECTO “THE ROLE OF PUBLIC LIBRARIES IN LIFELONG LEARNING” Descrição do Projecto O objectivo do Projecto da IFLA: “The role of Public Libraries in lifelong learning” é explorar as possibilidades de as bibliotecas públicas poderem desempenhar um papel mais activo na aprendizagem ao longo da vida (lifelong learning) e de estabelecer instrumentos que permitam às bibliotecas e aos profissionais de informação tornar-se parceiros activos nos sistemas educativos (Häggström, 2004). 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 51
  • 52. 5.1. A IFLA E O PROJECTO “THE ROLE OF PUBLIC LIBRARIES IN LIFELONG LEARNING” Apesar de o Projecto não estar centrado no Memorandum, este tornou-se a razão pela qual a comunidade de bibliotecários europeus tomou parte activa na sua discussão e esse facto foi positivo para o Projecto. O Projecto propunha-se analisar e dar exemplos de boas práticas em actividades como: A utilização das bibliotecas publicas em áreas relacionadas com a formação e a formação contínua. A cooperação e comunicação das bibliotecas públicas com a sociedade local, e.g. diferentes instituições educativas, comércio local e indústria, assim como autoridades de saúde e ambiente. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 52
  • 53. 5.1. A IFLA E O PROJECTO “THE ROLE OF PUBLIC LIBRARIES IN LIFELONG LEARNING” O papel desempenhado pelas bibliotecas públicas na defesa e promoção da participação democrática, livre acesso à informação e liberdade de expressão. Métodos e estratégias pedagógicas desenvolvidos e adaptados para a formação de adultos e para pessoas com necessidades especiais, e.g. pessoas com deficiência. O perfil profissional do bibliotecário, aferindo, por exemplo, as suas competências em áreas como a da pesquisa de informação, competências pedagógicas, didácticas e em TIC. A função das bibliotecas públicas na preservação da herança cultural, e.g. tradição oral e línguas nativas. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 53
  • 54. 5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY A EBLIDA – European Bureau of Library, Information and Documentation Associations – adoptou uma Declaração sobre o Papel das Bibliotecas na Aprendizagem ao Longo da Vida no seu Council, do dia 11 de Maio de 2001. Esta declaração foi enviada à Comissão (Committee of the Regions). A declaração acentua o facto de a noção de “lifelong learning” pressupor a capacidade de procurar informação e conhecimento de modo independente e activo (“the ability to search for information and knowledge actively and independently”). 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 54
  • 55. 5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY Realça o papel: das bibliotecas - quanto à sua missão de dar acesso à informação; dos bibliotecários - no que diz respeito a fornecer auxílio especializado na identificação e na avaliação da qualidade dos recursos, possibilitando aos seus utilizadores o melhor uso possível das fontes de informação, nas “new global networks where the information often lacks the traditional benchmarks of quality, authenticity or permanence”. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 55
  • 56. 5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY O Projecto PuLLS (Public Libraries in the Learning society) foi parte do Grundtvig Programme da União Europeia (sob a “cobertura” do Programa Socrates), cujo objectivo era potenciar a dimensão europeia da aprendizagem ao longo da vida e melhorar a disponibilidade e acessibilidade das oportunidades de aprendizgem para adultos. EVE, J. ; DE GROOT, M.; SCHMIDT, A-M. - Supporting A- lifelong learning in public libraries across Europe. Library Review. 56 : 5 (2007) 393-406. Review. 393- 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 56
  • 57. 5.2. A EBLIDA E O PROJECTO PuLLS - PUBLIC LIBRARIES IN THE LEARNING SOCIETY Os objectivos do Projecto PuLLS foram: Partilhar competências, conhecimento e saberes entre as instituições da parceria; Desenvolver um modelo à escala europeia de apoio à aprendizagem ao longo da vida ; Fornecer oportunidades de aprendizagem a adultos, particularmente àqueles em risco de exclusão da ‘‘sociedade da informação’’; Desenvolver um conjunto de material de formação a ser distribuído em centros de formação livres e que podem ser partilhados por outras bibliotecas que desejem desenvolver actividades em “open learning”. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 57
  • 58. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Vivemos hoje numa nova sociedade onde organizações e mercados profissionais são cada vez menos espaços onde imperam as especializações que, tal como as próprias tecnologias, se tornam rapidamente obsoletas, e onde se requer e exige não tanto especialistas mas profissionais portadores de aptidões e competências flexiveis, com capacidade permanente de ajuste e adaptabilidade a mudança e a ritmos de Castells, M. – A era da mudança acelerados. informação: economia, sociedade e cultura : o poder da identidade. Vol. II. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 58
  • 59. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conceitos como a motivação, as expectativas e a satisfação são indispensáveis para a aprendizagem ao longo da vida, enquanto que o investimento pessoal em tempo e em dinheiro constitui uma questão fulcral deste debate. O papel e o empenho dos diferentes agentes do mercado da aprendizagem (sociedades comerciais, ONG, organismos profissionais, autoridades locais, Estado e, naturalmente, os particulares) devem ser devidamente clarificados. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 59
  • 60. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o advento do mercado da educação e da formação, é necessário recolher informações sobre os fornecedores e os aspectos económicos do ensino/da formação, sobre os custos e sobre a disponibilidade de oferta. Os sistemas de ensino registaram um longo período de estabilidade, mas estão agora a conhecer mutações radicais. As políticas, para serem eficazes, têm de acompanhar, e mesmo antecipar, tais mudanças. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 60
  • 61. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com as inúmeras e diversas possibilidades propiciadas pelas novas tecnologias e a sua capacidade de disseminação da informação e do conhecimento, desenha-se um novo mundo: onde limites territoriais e temporais e distâncias se diluem, onde o saber e os saberes, a interacção e o conhecimento adquirem novos significados e novas aplicações, onde aprender e ensinar se traduzem e associam em novos processos, modalidades e parcerias cognitivas. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 61
  • 62. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A evolução para a sociedade do conhecimento, com a consequente inovação cientifica e tecnológica, e com as novas relações entre a informação, o conhecimento e o saber, conduziram à criação de novas oportunidades e paradigmas de ensino e de aprendizagem. Aos profissionais de informação só resta saber tirar partido dessas novas iniciativas para reconhecimento e validação de aprendizagens e de competências, por um lado, e fazendo cumprir a sua missão formativa, por outro. 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 62
  • 63. Não esquecendo que: Knowledge, once acquired, gradually loses its worth, while technical innovations, released in an ever-quicker succession, impose a constant need for further training. Working paper : Lifelong learning in public administration. Brussels: USSP/CESI, 2004 25 de Março de 2008 IX JORNADAS APDIS 63