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  1. 1. .n. N» 13v' . .,* rwiagx. É? ? O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum; vitae: no currículo se forjàüiossa identidadeàã , A ~ - a. O currículo é texto, discurso, documentoçãf" ¡ ' -- . a ÍÍ" O currículo é documento de identidade. A* ' x 15m' xñxssxírurs 'xxsxb saiu: u r i pixtnnwamrosa ãbmâzgTadeu da ? Silva a. . aiDENTiDADÉ uma ¡ntroduçãogàs teorias do currículo n senna: ep nei». ê' É N E' a m c a m 97 É n:
  2. 2. Coprnzht ° ¡999 by Tomaz Tadeu d: Silva CAPA julio Alvarenga Fonseca, compasiçãn sobre as pinturas "The teacher (sub 0)" e 'issus - Serena", de Mariane Dumas, reproduzidas com autorização da an¡ z do livra Marlene Dumas, de autoria de Dominic van den Baagerd Barbara BIS a, . . . . ' m"" e Manuccia Casadia. publicada pela editora Phaidan. EDITORAÇÃO ELETRÔNlCA WKJÍden/ a Alvarenga Santos Araide REVISÃO Roberto Arreguy Maia 3586:! Silva, Tomaz Tadeu d¡ - Documentos de identidade : uma introdução às teorias do currículo / Tomaz Tadeu da Silva _ Belo Horizonte: Auténticn, 1999.' l56p. ISBN 8586583441 l. Educlcão 1 Curriculos escolares, |. Título CDU 37 37|,2|4.l 10.01 'maus (b «mem» rvseivzltlr» pm Atua-mw l, (lll()l. l Nclilllllllid-pJrlt' lCSLl puhlicuçzlr) piatleill . 'l' rupunllly¡ , .,_, , p”, “mm mu n-I . ~.-›. ;~. . ,, . e . nuno q. u¡ (ópll xeríighlllnul sun . i . Iuioll/ .lg u prum ru utliiuizi Al TFÊNTÍCA EDITORA “um Jun 57 - Iilurcxlzi smwuuo _ iii-ln Ilunzonle - . m, _ VÀHX Hs _m 512-; M22 www : lulenillnuliltllzl ("um b¡ «mma : iulennczlwnutvnticzietlllnr. : . .um i». mm Os Estudos Culturais e o currículo O campo de teorização e investigação conhecido como Estudos Culturais tem sua origem na fundação, em I964, do Cen- tro de Estudos Culturais Contemporâ- neos, na Universidade de Birmingham, inglaterra. O impulso inicial do Centro partia de um questionamento da com- preensão de cultura dominante na crítica literária britânica. Nessa tradição, exem› plificada pela obra de F. R. Leavis. a cultura era identificada, exclusiva e estreitamente, com as chamadas “grandes obras" da Ii- teratura e das artes em geral. Nessa vi- são burguesa e elitista, a cultura era intrinsecamente privilégio de um grupo restrito de pessoas: havia uma incompa- tibilidade fundamental entre cultura e democracia. A reação do Centro a essa concepção de cultura baseava-se, sobretudo. em duas obras que viriam a se tornar centrais no campo dos Estudos Culturais: Culture and society, de Raymond Williams, publicada em I9SS, e Uses oflireracy, de Richard Hoggart. publicada em l957. Este último seria o primeiro diretor do Centro. Além 13| desses dois livros, seria importante tam- bém a influência teórica do livro de E. P. Thompson, The making of the English working class, publicado em |963. Seria a concepção de cultura desen- volvida por Raymond Williams em Cultu- re and society e em livros posteriores que daria ao Centro as bases de sua teoriza- ção e de sua metodologia, Para Williams. em contraste com a tradição literária bri- tânica, a cultura deveria ser entendida como o modo de vida global de uma so- ciedade, como a experiência vivida de qualquer agrupamento humano. Nessa visão, não há nenhuma diferença qualita- tiva entre. de um lado, as "grandes obras" da literatura e. de outro, as variadas for- mas pelas quais qualquer grupo humano resolve suas necessidades de sobrevivên- cia Inicialmente restrita às manifestações culturais 'autênticas' de grupos sociais su- bordinados, como a classe operária ingle- sa analisada no livro de Richard Hoggart. The uses af Iiteracy. essa definição inclusiva de cultura iria posteriormente ser amplia- da para abmnger também aquilo que na
  3. 3. literatura anglo-saxônica é conhecido como "cultura popular", isto é, as mani- festações da cultura de massa: livros po- pulares, tablóides, radio. televisão, a mídia em geral. Tematicamente, os esforços iniciais do Centro concentraram-se no estudo de formas culturais urbanas, sobretudo das chamadas "subculturas". Dois dos livros mais importantes saídos dessa fase inicial do Centro são Resistance through rituais: youth subcultures in post-war Britain. uma coleção de ensaios e pesquisas, de vários autores. sobre as culturas juvenis britâ- nicas, e Subculture: the meaning of style. o relato de uma pesquisa sobre grupos cul- turais juvenis realizada por Dick Hebdige. Como resultado de sua preocupação com questões de ideologia, as pesquisas e as teorizações iniciais do Centro também se preocupavam com o papel da mídia. so- bretudo da televisão. na formação do con- senso e do conformismo politico. Em termos teóricos, o Centro gradu- almente adotará quadros de referência claramente marxistas. Depois de um ini- cio relativamente pouco marxista, a teorização do Centro se apoiará em inter- pretações contemporâneas de Marx, como a de Althusser e. mais tarde. também a de Gramsci, visíveis na importância que os conceitos de ideologia e de hegemonia iriam adquirir nos estudos realizados sob a égide do Centro. Nos anos 80, esse predomínio do marxismo nos Estudos Culturais tais como delineados pelo Cen- tro de Birmingham iria ceder lugar ao pós-estruturalismo de autores como Foucault e Derrida. Metodologicamente. o Centro irá se dividir entre duas tendências que ainda se encontram sob tensão nos Estudos Culturais contemporâneos: de um lado. as pesquisas de terreno, sobretudo et- nográlicas e. de outro, as interpretações textuais. Essas duas tendências refletem. de certa forma. as origens disciplinares dos Estudos Culturais: a Sociologia, de um lado. e os Estudos Literários, de outro. Vários dos estudos iniciais do grupo utili- zam a etnografia como metodologia prefe- rida, mas outros preferem a interpretação de "textos", entendidos aqui de forma ampla. A etnografia é utilizada sobretudo nos estudos das chamadas “subculturas urbanas", enquanto a interpretação tex- tual é reservada para a análise dos pro- gramas de televisão e dos textos propriamente ditos de certas obras lite- rárias consideradas "populares". l32 A partir de um modesto anexo de um departamento de Lingua Inglesa, contan- do sempre com um número reduzido de pessoas, o campo dos Estudos Culturais ampliou-se para ganhar uma força e uma influência enormes na teorização social contemporânea, Os Estudos Culturais diversiñcaram-se tanto em sua difusão por vários paises que se pode dizer que sua variante britânica é apenas uma entre um número variado de versões nacionais. Mesmo no interior das várias versões nacionais, os Estudos Culturais se sub- dividem de acordo com um série variada de perspectivas teóricas e de influências disciplinares. Enquanto algumas perspec- tivas continuam marcadamente marxistas. outras claramente abandonaram o marxis- mo em favor de alguma das versões do pós-estruturalísmo, Há, de forma similar. uma visível heterogeneidade na perspecti- va social adotada: há uma versão centrada nas questões de gênero. outra nas ques- tões de raça, ainda outra em questões de sexualidade, embora existam, evidente- mente. intersecções entre elas. Podem-se vislumbrar nessa heteroge- neidade. entretanto, alguns traços co- muns. Dada essa heterogeneidade. tem havido. inclusive. vários esforços de cleñ- nição dos Estudos Culturais, buscando. HI essencialmente, responder _ frente a um determinado estudo - à questão “isto é Estudos Culturaisl". O que distin- gue, pois, os Estudos Culturais? Em primeiro lugar. os Estudos Cultu- rais concentram-se na análise da cultura, compreendida, tal como na conceptual¡- zação original de Raymond Williams, como forma global de vida ou como ex- periência vivida de um grupo social. Além disso, a cultura é vista como um campo relativamente autônomo da vida social, como um campo que tem uma dinamica que é. em cena medida, independente de outras esferas que poderiam ser consi- deradas determinantes. Nessa perspec- tiva. os Estudos Culturais opõem-se as implicações deterministas da famosa rne- táfora marxista da divisão entre infra-es- trutura e super-estrutura. Essa ênfase na cultura tem levado certas vertentes dos Estudos Culturais a reduzir, em direção contraria ao marxismo. toda a dinâmica so- cial a dinâmica cultural. De forma talvez mais importante, os Estudos Culturais concebem a cultura como campo de luta em tomo da significa- ção social. A cultura é um campo de produção de significados no qual os dife- rentes grupos sociais, situados em posições
  4. 4. diferenciais de poder, lutam pela imposi- ção de seus significados ã sociedade mais ampla. A cultura é. nessa concepção. um campo contestado de significação. O que está centralmente envolvido nesse jogo é a definição da identidade cultural e social dos diferentes grupos. A cultura é um campo onde se define não apenas a for- ma que o mundo deve ter, mas também a forma como as pessoas e os grupos devem ser. A cultura é um jogo de po- der. Os Estudos Culturais são particu- larmente sensíveis às relações de poder que definem o campo cultural. Numa de- finição sintética. poder-se-ia dizer que os Estudos Culturais estão preocupados com questões que se situam na cone- xão entre cultura, significação, identida- de e poder. De alguma forma, a idéia de "cons- trução social" tem funcionado como um conceito uníficador dos Estudos Cul- turais. Em muims das análises feitas nos Estudos Culturais, busca-se, fundamen- talmente, caracterizar o objeto sob análi- se como um artefato cultural. isto é. como o resultado de um processo de construção social. A análise cultural par- te da concepção de que o mundo Cullu- ral e social torna-se, na interacã° “Chl- naturalizado: sua origem social é esqueci- da. A tarefa da análise cultural consiste em desconstruir. em expor esse proces- so de naturalização. Uma proposição fre- qüentemente encontrada nas análises feitas nos Estudos Culturais pode ser sin- tetizada na fórmula "x é uma invenção". na qual "x" pode ser uma instituição. uma prática, um objeto, um conceito. .. A ana- lise consiste, então, em mostrar as or¡- gens dessa invenção e os processos pelos quais ela se tornou "naturalizada". O que distingue os Estudos Culturais de disciplinas acadêmicas tradicionais é seu envolvimento explicitamente pollti- co. As análises feitas nos Estudos Cultu- rais não pretendem nunca ser neutras ou imparciais. Na critica que fazem das rela- ções de poder numa situação cultural ou social determinada, os Btudos Culturais tomam claramente o partido dos grupos em desvantagem nessas relações. Os Es- tudos Culturais pretendem que suas aná- lises funcionem como uma intervenção na vida politica e social. Quais são as implicações dos Estudos Culturais para a análise do curriculo e para o curriculo? Em primeiro lugar, os Estudos Culturais permitem-nos conte. ber o curriculo como um campo de luta !34 em torno da signifiação e da identidade. A partir dos Estudos Culturais, podemos ver o conhecimento e o curriculo como campos culturais, como campos sujeitos à disputa e a interpretação. nos quais os di- ferentes grupos tentam estabelecer sua hegemonia. Nessa perspectiva. o currícu- lo é um artefato cultural em pelo menos dois sentidos: l) a "instituição" do turn'- culo é uma invenção social como qualquer outn; 2) o "conteúdo" do currículo é uma construção social. Como toda construção social, o curriculo não pode ser compre- endido sem uma análise das relações de poder que fizeram e fazem com que te- nhamos esta deñnição determinada de curriculo e não outra, que ñzeram e fazem com que o curriculo inclua um tipo de- terminado de conhecimento e não outro. No primeiro sentido, uma análise da instituição "currículo" inspirada nos Es- tudos Culturais descreveria o currículo, de modo geral, como o resultado de um processo de construção social. Não es- tamos muito longe aqui da idéia que era central à "Nova Sociologia da Educação". de que o currículo é um artefato social como qualquer outro. Com os Estudos Culturais, essa compreensão é. entretan- to. modificada e, ao mesmo tempo. radi- IIS calizada. Sob a influência do pós-estrutu- ralismo, uma análise do carater construi- do do currículo baseada nos Estudos Culturais enhtizaria o papel da linguagem e do discurso nesse processo de cons- trução. Além disso, essa análise provavel- mente adotaria uma concepção menos estrutural, menos centralizada, menos polarizada de poder. Finalmente. uma aná- lise cultural não deixaria de destacar as estreitas conexões entre a natureza cons- truida do curriculo e a produção de iden- tidades culturais e sociais. No segundo sentido, uma perspecti- va culturalista sobre curriculo também procuraria descrever as diversas formas de conhecimento corporificadas no cur- riculo como o resultado de um processo de construção social. Essa perspectiva procuraria incorporar ao currículo as di- versas pesquisas e teorizações feitas no âmbito mais amplo dos Estudos Cultu- rais - pesquisas que buscam focalizar as diversas formas de conhecimento como "epistemologias sociais". Nessa visão, o conhecimento não é uma revelação ou um reflexo da natureza ou da realidade, mas o resultado de um processo de criação e interpretação social. Não se se- para o conhecimento supostamente mais
  5. 5. objetivo das Ciências Naturais e o conhe- cimento supostamente mais interpreta- tivo das Ciências Sociais ou das Artes. Todas as formas de conhecimento são vistas como o resultado dos aparatos _ discursos, práticas, instituições, instru- mentos, paradigmas - que fizeram com que fossem construídas como tais. As im- plicações dessa perspectiva não devem ñ- car restritas à análise. É possivel pensar num currículo que enfatizasse precisa- mente o caráter construído e interpreta- tivo do conhecimento. Uma vantagem de uma concepção de currículo inspirada nos Estudos Culturais é que as diversas formas de conhecimen- to são, de certa forma. equiparadas. As- sim como não há uma separação estrita entre, de um lado, Ciências Naturais e. de outro. Ciências So s e Artes, tam- bém não há uma separação rígida entre o conhecimento tradicionalmente conside- rado como escolar e o conhecimento cotidiano das pessoas envolvidas no cur- riculo. Ao ver todo conhecimento como um objeto cultural, uma concepção de curriculo inspirada nos Estudos Culturais equipararia, de certa forma, o conheci- mento propriamente escolar com, por exemplo, o conhecimento explicita ou ¡mplicitamente transmitido através de anúncio publicitário. Do ponto de vista dos Estudos Culturais, ambos expressam significados social e culturalmente cons- truídos, ambos buscam influenciar e mo- dificar as pessoas, estão ambos envolvidos em complexas/ relações de poder_ Em outras palavras, ambos os tipos de conhe- cimento estão envolvidos numa econo- mia do afeto que busca produzir certo tipo de subjetividade e identidade social. Assim como ocorre com o pós-mo. dernismo, o pós-estruturalismo e o pós- colonialismo. a influência dos Estudos Culturais na elaboração de politicas de curriculo e no curriculo do cotidiano das salas de aula é mínima. A concepção de currículo implicada na idéia dos Estudos Culturais choca-se tanto com a compre- ensão de senso comum quanto com as concepções filosóficas sobre conheci- mento dominantes no campo educacio- nal. A epistemologia dominante é fundamentalmente realista: o conheci- mento é algo dado, natural. O conheci- mento é um objeto pré-existente: ele já está lá; a tarefa da pedagogia e do currícu- lo consiste em simplesmente revela-lo. Num mundo social e cultural cada vez mais complexo. no qual a caracteristica U6 mais saliente é a incertem e a inslabi 'dade; num mundo atravessado pelo conflito e pelo confronto; num mundo em que as questões da diferença e da identidade se tornam tão centrais. é de se esperar que a idéia central dos Estudos Culturais possa encontrar um espaço importante no cam- po das perspectivas sobre currículo. Leituras GIROUX, Henry. "Praticando Btudos Culturais nas faculdades de educação". ln Tomaz Tadeu da Silva (orgJAIienlgcnus no sala de nula. Uma um» dução aos estudos culturais em educação. Rio: Vozes, |995: p.85›l03. HALL. Stuart "A centralidade da cultura: nolas so- bre as revoluções de nosso tempo". Educação e realidade. Í2(Z). l997: p. |5-46. SILVA, Tomaz T. da, (org). Alienígenas na sala dc aula. Uma introdução aos estuda: culturais em edu- cação. Rio: Vozes, l995. l37

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