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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃODEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SOCIEDADE ALINE BARCELOS PETERLI HAMANDA MARQUES DE ANTÔNIO RAYANA RONCETTI RIBEIRO TÚLIO GAVA MONTEIROO BLOG COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DA GEOGRAFIA VITÓRIA 2010
  2. 2. ALINE BARCELOS PETERLI HAMANDA MARQUES DE ANTÔNIO RAYANA RONCETTI RIBEIRO TÚLIO GAVA MONTEIROO BLOG COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DA GEOGRAFIA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Educação, Política e Sociedade do Centro de Educação da Universidade Federal do espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura em Geografia. Orientador: Professora Doutora Marisa Terezinha Rosa Valladares VITÓRIA 2010
  3. 3. ALINE BARCELOS PETERLI HAMANDA MARQUES DE ANTÔNIO RAYANA RONCETTI RIBEIRO TÚLIO GAVA MONTEIROO BLOG COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DA GEOGRAFIATrabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Educação,Política e Sociedade do Centro de Educação da Universidade Federal do EspíritoSanto, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura em Geografia. Aprovado em 24 de junho de 2010. COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________________ Profª. Drª. Marisa Terezinha Rosa Valladares – Orientadora Universidade Federal do Espírito Santo ______________________________________________ Manuela de Souza Aguiar Supervisora Pedagógica da Escola Luterana ______________________________________________ Profº. Me. Carlos Alberto Nascimento Universidade Federal do Espírito Santo
  4. 4. A todos os professores que “trabalham” suasaulas, e que se dedicam em inovar paramelhorar o ensino de Geografia.
  5. 5. AGRADECIMENTOSA Deus, por nos ter dado força durante o semestre.À nossa orientadora, pela amizade e paciência durante o trabalho.Ao Fernando, que nos incentivou desde o começo.À Escola Luterana, em especial pela Manuela, que nos recebeu de braços abertos.Aos alunos da 9ª série do Ensino Fundamental de 2010, que foram receptivos naimplantação de um novo recurso didático.A todos os nossos parentes e amigos que nos motivaram.A Andressa, Luís, Marcela e Bárbara, por nos socorrerem nos momentos difíceis.
  6. 6. “Alguns homens vêem as coisas como são, edizem Por quê?. Eu sonho com as coisas quenunca foram e digo Por que não?.”George Bernard Shaw
  7. 7. LISTA DE ILUSTRAÇÃOFigura 1 – Página Inicial do Blog LEAGEO UFES – Página Principal.......................14Figura 2 – Esquema de Blog Educacional – Rodrigues, 2008...................................31Figura 3 – Vazamento de Petróleo no Golfo do México – Reportagem do JornalATribuna.....................................................................................................................37Figura 4 – Comentários de um post do Blog Geo AHRT...........................................44Figura 5 – Lugar de Lixo é na Lixeira – Página do Blog Geo AHRT.........................46Figura 6 – Reciclagem – Página do Blog Geo AHRT................................................46 LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 – Alunos que têm acesso à Internet...........................................................43Gráfico 2 – Acesso a Blog..........................................................................................45 LISTA DE TABELATabela 1 – Aumento do número de blogs com caráter pedagógico...........................15 LISTA DE ABREVIAÇÃOHTML – HyperText Markup LanguageTEI – Tecnologias Educacionis Informatizadas
  8. 8. RESUMOA relação estabelecida entre novas tecnologias, seu uso nas sociedades e suainserção na escola, nem sempre propicia à escola uma posição confortável: nasredes públicas, a tecnologia avançada demora a ser instalada. Uma dessastecnologias defasada na escola é a Internet, que revoluciona a forma daaprendizagem, tanto quanto pela metodologia de ensino, quanto pelo tipo deprovocação de raciocínios, de atitudes ou de possibilidades de pesquisa quepropicia, dentre a profusão de ferramentas disponibilizadas (e pouco usadas) para otrabalho docente em sala de aula. Nesta pesquisa, utilizamo-nos da metodologia depesquisa-ação para investigar a utilização do blog como recurso didático maiscontextualizado e significativo em Geografia. O objetivo é analisar como o blog podecontribuir com o processo de ensino-aprendizagem, desenvolvendo e estimulandoraciocínios e procedimentos geográficos. Para tanto, criou-se um blog direcionadoaos alunos da 8ª série/9º ano do ensino fundamental da Escola Luterana de VilaVelha. Nele foram postados vídeos, fotos e textos que, a partir da análise de doisquestionários aplicados com os alunos e a entrevista com o professor, incentivaramos alunos a pensarem, criticarem e discutirem na sala de aula, da mesma forma quedinamizou o processo de ensino-aprendizagem, também ocorreu a criação de umawebquest, proposta na pesquisa (2008) de Rosely Sampaio Archela e Maria DelCarmen M. H. Calvente. Os resultados da pesquisa também mostraram que o blogaumenta a quantidade de alunos que pesquisam assuntos geográficos na Internet.Além delas, Cláudia Rodrigues, em sua dissertação de mestrado (2008), conseguiuprovar a eficiência do blog como instrumento didático nas aulas de línguaportuguesa. E, com esta pesquisa, constatamos a praticidade deste recurso didáticono estudo da Geografia escolar. Contudo, uma pesquisa prolongada pode trazerresultados mais satisfatórios.Palavras-chave: 1. Ensino-aprendizagem. 2. Geografia e novas tecnologias. 3.Aprendizagens geográficas. 4. Blog
  9. 9. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ........................................................................................................................................ 9CAPÍTULO 1 – Blogs, blogosfera: uma questão de espaço... ........................................................ 11 1.1 Blog ....................................................................................................................................... 11 1.2 Blogsfera ................................................................................................................................... 16CAPÍTULO 2 – Para além do quadro-negro ...................................................................................... 17 2.1 As novas tecnologias de comunicação e informação ........................................................ 17 2.2 As contribuições das tecnologias de informação e comunicação para o processo de ensino aprendizagem da Geografia ............................................................................................ 19CAPÍTULO 3 – Blogando com Geografia .......................................................................................... 24 3.1 “Geoespaço” ........................................................................................................................ 24 3.2 “Cantinho Geográfico”........................................................................................................ 29CAPÍTULO 4 – Blogar é o máximo! .................................................................................................... 34CAPÍTULO 5 – “Blogar ou não blogar. Eis a questão.” ............................................................... 39 5.1 “Erros na página” ................................................................................................................ 39 5.2 Editando postagem... .............................................................................................................. 42CAPÍTULO 6 – “Sua postagem foi publicada” .............................................................................. 48REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................................... 50GLOSSÁRIO ......................................................................................................................................... 52ANEXOS ............................................................................................................................................... 53
  10. 10. 9INTRODUÇÃO1O presente trabalho é resultado de pesquisas e reflexões sobre o blog com oobjetivo de estudar a viabilidade de seu uso no processo de ensino-aprendizagemde Geografia.A escolha deste tema se deu por queremos encontrar uma forma nova de ensinar eaprender Geografia, e como a Internet está cada vez mais presente na vida daspessoas, pareceu-nos pertinente utilizar um de seus recursos.Como o uso do blog na Geografia escolar tem caráter inovador, baseamo-nos emautores como Rodrigues (2008), Amorim (2008) e Assmann (2005), que contribuírampara entendermos o uso das novas tecnologias – do blog principalmente – no meioeducacional e as contribuições destas para o ensino. Esses pontos chaves foramessenciais para podermos entender como o blog pode contribuir para o ensino-aprendizagem de Geografia. E foi a partir disso que surgiu o nosso objetivo central:como potencializar o ensino de Geografia Escolar valendo-se dos blogs darede Internet, estimulando o estudo autônomo e interdisciplinar?A partir dessa problemática buscamos retratar no primeiro capítulo a ferramentablog; no segundo capítulo, as novas tecnologias de informação e comunicação esuas utilidades para a Geografia escolar; no terceiro capítulo, a metodologia donosso trabalho; no quarto capítulo, o ensino da Geografia e como este pode serpotencializado pelo blog; e, por último, os resultados, onde também abordamos osproblemas que tivemos com a utilização do blog. A pesquisa durou cerca de doismeses e meio, em que um mês deste tempo foi utilizado para o campo. Aplicamos oblog “Geo AHRT” na turma da 9ª série do Ensino Fundamental da Escola Luterana,com o auxílio do professor Fernando Sartório.Utilizamo-nos da metodologia de pesquisa-ação, por acreditar que os pesquisadorese participantes da pesquisa investigam conjuntamente os dados, e levantamquestões que ajudam a resolver um problema vivido pelos participantes. Maisespecificamente, durante a pesquisa buscamos:1 Correção ortográfica e normatização feita pela Profª Maria Augusta H. Denzin. Formada em Pedagogia eLetras Português/Inglês pela UFES.
  11. 11. 10 a) Avaliar o funcionamento do blog como recurso didático no ensino da geografia; b) Estimular o uso do blog como estratégia para estudo interdisciplinar e autônomo; c) Problematizar aprendizagens de Geografia com a interatividade do blog; e d) Investigar alternativas de potencialização de aprendizagens pelos blogs.Com esses objetivos em mente, usamos o blog para retratar assuntos do cotidiano esua relação com a Geografia, colocando conceitos e incentivando discussões.Abordamos os conteúdos trabalhados em sala, também auxiliando o professor narevisão de provas.Trabalhamos com o blog, então, partindo do pressuposto que o mesmo poderiadinamizar o conteúdo de Geografia e se tornar um espaço em que o professor e osalunos pudessem comentar livremente. Assim, o blog intensificaria o ensino daGeografia crítica, não o ensino calcado na memorização que as escolas de hojeainda persistem em transmitir.
  12. 12. 11CAPÍTULO 1 – Blogs, blogosfera: uma questão de espaço...1.1 BlogO termo blog é a abreviação da palavra weblog, que é resultado da união daspalavras inglesas web, que significa rede, e log, que significa diário de bordo ondeos navegadores registravam os casos das viagens (AMORIM, 2008).O primeiro weblog surgiu no mês de abril de 1994, sendo uma página eletrônicacriada pelo americano Dave Winer. Todavia, o termo só foi concebido em 1997,após a criação do blog Robotwisdom, por Jorn Barger. Em 1999, o webdesignerPeter Merholz converteu a palavra weblog para blog. Nesse mesmo ano, EvanWilliam criou o site Blogger, um dos diversos sites que serve para autoria de blogs.O site se tornou famoso, o que o levou a ser comprado pelo Google, em 2003, setransformando, então, em um campeão de postagens na Internet (AMORIM, 2008).A popularização do blog se iniciou no ano de 2001, após o ataque às TorresGêmeas. Este fato acarretou a ascendência de blogs como uma ferramenta para ojornalismo, porque facilitava a interação leitor/autor e, principalmente, possibilitavaaos jornalistas escreverem suas opiniões, que eram impedidas de estar nos jornais.Em 2002, o blog se popularizou em outras áreas. A popularização do blog no Brasilfoi e é tão grande, que, mesmo com as dificuldades que a população encontra paraacessar a Internet, o Brasil, de acordo com o site MundoTecno, encontra-se em 5ªposição entre as nações com o maior número de leitores de blogs, e em 3ª entre asque possuem mais blogueiros.De acordo com o site de pesquisa Technorati, em 2007, o número de blogs criadosmundialmente era de setenta milhões, sendo que cento e vinte mil blogs eramcriados a cada dia. O mesmo site mostra, também, que em 2008, no Brasil, existiamtrês milhões de blogs, sendo que os primeiros a surgirem foram o “BliG do US” e o“O Último Segundo”.Blog é uma página de Internet que é atualizada regularmente e, como explicitamosanteriormente, funciona como um diário onde se registra assuntos de qualquer tipo,desde política até ao cotidiano do autor. Rodrigues (2008) afirma que, no glossáriotecnológico do portal Digitro, o blog é entendido como “um serviço diário oferecido
  13. 13. 12pela Internet para o público em geral”, onde o internauta cria uma página com textos,fotos e vídeos, o que a diferencia de fotologs e videologs. Essas são páginaspessoais, iguais a um blog, só se diferenciando dele na forma que o autor seexpressa. O fotolog consiste numa página onde as postagens são fotos e o videologdá destaque a vídeos.Além disso, as mensagens, também chamadas de posts, são organizadas na ordemcronológica inversa, e podem ser comentadas pelos leitores. A construção de umblog tem como uma grande vantagem não precisar de programa para a sua criação,assim como não é necessário que o autor do blog tenha conhecimento de códigos,porque existem sites capacitados para hospedá-lo e publicá-lo.Esses diários digitais consistem em uma página onde o autor coloca informaçõespessoais e escreve a respeito de seus interesses. Ele também oferece recursoscomo arquivamento, indicações, comentários, recuperação de texto perdido, entreoutros. Essas funções fazem com que o autor se equipe de fotos e vídeos paraenriquecer as suas postagens. Por meio da comunicação via post-comentário, oautor entra em contato direto com o leitor num espaço onde o autor que faz umacrítica a algo pode ser criticado, da mesma forma que ele pode criticar os leitores.Pode-se entender, portanto, os blogs como “[...] páginas pessoais que têmmecanismos de interação e permitem manter conversas entre grupos.”(RODRIGUES, 2008)Os blogs, então, apresentam características que servem de suporte para ointernauta criar uma página com características únicas, e são delas que falaremosadiante.O “blog é um recurso informal” (RODRIGUES, 2008) presente na Internet que servecomo um espaço para se expressar criatividade e opinião de uma ou mais pessoas.Para se criar essa página, os sites que hospedam blogs disponibilizam ferramentas,chamadas de gadgets, e cada uma tem uma finalidade.Dentro da infinidade de temas que podem ser abordados, o autor se beneficiadestes gadgets para organizar e ilustrar seu blog. Há diversos gadgets, dentre osquais existe um, de vídeo, que é um recurso de postagem de vídeos presentes nocomputador do autor, e um de slideshow, onde o autor põe fotos e imagens que
  14. 14. 13desejar. Encontra-se, também, um gadget de armazenagem de links de outros sitese blogs relacionados aos interesses do autor, e ainda outro, no qual se encontram ostítulos dos posts, para assim facilitar o acesso dos posts antigos. Como os postspodem ser organizados em categorias, há, portanto, outro gadget com o objetivo dearmazenar essas categorias, para que assim os leitores tenham acesso imediatoaos assuntos que lhe interessam.Além desses recursos interativos, o autor pode formatar a estrutura do blog, desde otítulo até a base do blog, também chamada de template. O template é o esqueletodo blog e consiste na posição dos posts e dos gadgets e o tamanho e cor das letras.Os próprios sites de hospedagem de blogs oferecem aos internautas uma grandequantidade de templates, mas com um pouco de conhecimento de HTML pode-secriar uma forma ainda mais pessoal. Por causa dessas características o internautatem liberdade de criação, além da liberdade de expressão.A estrutura de texto do blog é hipertextual, porque os leitores podem acessarpáginas, sites, fotos, vídeos e downloads por meio de links encontrados nos posts.Os posts são geralmente pequenos e devido ao acesso público e gratuito do blog, épor meio deles que o autor se comunica com todo o mundo. Contudo, o autor tem apossibilidade de controlar os comentários, para evitar discursos indevidos. Aindaassim, o blog é uma forma de suprimir a privatização de informação e o controle deopinião.Tomaremos como exemplo, o blog Laboratório de ensino e Aprendizagem deGeografia, da Universidade federal do Espírito Santo (LEAGEO - UFES) ao qualnosso trabalho estará intensamente relacionado, para demonstrar como é e comopode ser acessado um blog. Pode ser observado, na imagem deste blog (Figura 1),no topo, o título, e logo abaixo o subtítulo. No canto esquerdo estão os comentários,enquanto que no canto direito se tem o gadget com as informações sobre o autor oudo que o blog representa. No caso, como dissemos, a organização desseselementos depende do template.
  15. 15. 14Figura 1 – Página Inicial do Blog LEAGEO UFES – Página Principal – http://leageo-ufes.blogspot.comA organização do conteúdo do blog é feita de diversas formas. Pode-se criarcategorias que armazenam os posts de acordo com o tipo de conteúdo. Pode-secriar um gadget que registra os posts em ordem cronológica inversa. Os comentáriostambém podem ser organizados por meio de um gadget que apresenta o título dosúltimos comentários. Além dessas formas de organização do blog, pode-se criarpáginas, sendo que estas páginas se encontram entre o título e os posts e elasrepresentam um conteúdo específico, exceto a página principal. A primeira página éa principal, onde se encontram os posts e comentários. Ela é criadainstantaneamente com a ativação do blog. Portanto, se houver necessidade decriação de outras páginas, dependerá somente do autor. As outras páginas podemconter só vídeos, imagens, comentários interessantes ou podem ser de ajuda, decontato, entre outras possibilidades. Geralmente os blogs têm uma página decontato, para que os leitores possam se comunicar com o autor sem precisarcomentar algum post.O blog, com essas ferramentas interativas, é usado de diversas formas, umas mais,outras menos. Ele é utilizado como um recurso de uso pessoal, onde o autor tem a“[...] oportunidade de se expressar, divulgar projetos, manter contato com a família eamigos, etc.” (RODRIGUES, 2008). O mercado corporativo também utiliza esse
  16. 16. 15recurso, mas como uma ferramenta de relacionamento, e a tendência é que sejaainda mais utilizada. Além dessas formas, o blog é utilizado cada vez mais pelaeducação, como afirma Amorim: Atualmente um grande número de educadores vem inserindo blogs como apoio às aulas presenciais. Os blogs pedagógicos podem ser usados como: a) espaço de reflexão e discussão ente educadores; b) páginas pessoais de professores, alunos, classes ou escolas; c) páginas temáticas sobre os assuntos específicos estudados ou pesquisados; d) diários de registro de pesquisa; e) diários de aprendizagem; f) portfólio digital. (2008, p.25)Ainda essa autora mostrou o crescimento de links sobre blogs com caráterpedagógico (AMORIM, 2008). Esse resultado, na metodologia usada pela autora, foiobtido a partir do uso do portal Google como fonte de pesquisa, no dia 07 de abril de2007 e no dia 28 de maio de 2008, ao colocar as frases: “blog como ferramentapedagógica”, “blog pedagógico”, “blog na escola”, “pedagogical blogging” e“pedagogical blog”. Apesar de ser um resultado de dois anos atrás (Tabela 1),continua significativa como referência para nossa análise2. 7 ABRIL 28 MAIO CRESCIMENTO 2007 2008“blog como ferramenta 94 1.160 1.234%pedagógica”“blog pedagógico” 581 2.250 387%“blog na escola” 613 15.800 2.577%“pedagogical blogging” 36 96 266%“pedagogical blog” 8 123 1.537%Tabela 1 – Aumento do número de blogs com caráter pedagógico – Rodrigues, Cláudia. 2008,p. 25Não são somente os blogs com caráter pedagógico que crescem, mas os blogs emgeral. E toda essa comunidade de blogs é chamada de blogosphere ou, emportuguês, blogsfera.2 Não demos continuidade à pesquisa por dúvida quanto à metodologia empregada na criação de categorias.
  17. 17. 161.2 BlogsferaA blogosfera é o nome dado a rede social formada por blogs interconectados, ondeos blogueiros lêem os blogs uns dos outros, conversam sobre eles na sua própriaescrita e comentam tudo o que querem nos blogs uns dos outros. Esses fatoresresultaram na criação de uma cultura própria dos blogs, envolvendo termos comoBlogtopia, Bloguespaço, Bloguiverso e outros. Enquanto que o blog, essencialmente,é um amontoado de textos criados por um autor, a blogosfera é um fenômeno social,com participação de muitas pessoas.O fenômeno social, contudo, só se tornou possível quando houve a democratizaçãoda publicação e ela só foi possível quando hackers criaram programas decomentários aplicáveis aos sistemas de publicação dos blogs, fazendo com queleitores se tornassem escritores.A blogosfera foi a responsável pelo surgimento de diversos sites e serviços daInternet com o objetivo de fornecer ferramentas para a criação e manutenção deblogs. Como já dissemos antes, surgiram sites como Technorati, Blogdex, bloglines,blogrunner, etc.Quanto ao crescimento da blogosfera, Rodrigues (2008) afirma: Com o tempo, a blogosfera cresceu espantosamente. Em 1999, o número de blogs era menos de cinqüenta; no final de 2000, a estimativa era de poucos milhares; menos de três anos depois, os números chegaram a 2,5 a 4 milhões30. Segundo o estudo State of Blogosphere 31, atualmente existem cerca de 70 milhões de blogs e cerca de 120 mil são criados diariamente. O mesmo estudo revela que a blogosfera aumentou 100 vezes nos últimos três anos e tende a dobrar a cada seis meses. (p. 52)Esse crescimento se dá em todas as áreas, desde blogs que falam do cotidiano doautor a blogs direcionados à educação. E para a educação em Geografia não édiferente.
  18. 18. 17CAPÍTULO 2 – Para além do quadro-negro2.1 As novas tecnologias de comunicação e informaçãoAtualmente vivemos numa sociedade em transformação, em que os principaisagentes são as tecnologias de informação e comunicação, destacando ocomputador e a Internet. Elas provocam mudanças na vida do ser humano de umaforma mais rápida (FORBECK, sem data). As mudanças provocadas pela evoluçãodas tecnologias criam uma “sociedade de informação”, que, como afirma Assmann:é “[...] a sociedade que está atualmente a constituir-se, na qual são amplamenteutilizadas tecnologias de armazenamento e transmissão de dados e informação debaixo custo.” (ASSMANN, 2005, p.43).Vale ressaltar que o termo tecnologia é definido por Moreira como "o conjunto dosprincípios que orientam a criação das técnicas de uma civilização" (1998 p.34).Etimologicamente, significa “modo de fazer”, mas que na nossa sociedade está maisligada ao desenvolvimento econômico, submetido às diferentes ideologias com asquais a sociedade está impregnada, com a permanente sensação de que apraticidade e o conforto que nos oferecem não são feitos por nós, por nossos modosde produzir, trabalhar e viver, mas sim, como se a tecnologia nos oferecesse umaentidade sobrenatural, transvertida no “outro”.Ressalta-se que as novas tecnologias estão atreladas aos processos deglobalização, em suas diferentes fases, influenciando os modos de viver em escalaglobal e local. Existem divergências em relação ao início dos processos deglobalização, mas vamos situar o período que nos interessa, pela aceleração daprodução e da universalização do uso das novas tecnologias de informação ecomunicação. Na segunda metade do século XX, a partir do ano 1970, passamos avivenciar o que foi intitulado por Santos (1996) de “período técnico–cientifico–informacional”, quando a constituição do espaço passa a ter como base para o seucrescimento doses significativas e expansionistas de ciência, técnicas e informação.Estas estão no mesmo patamar, no que concerne aos trâmites do espaço, e assimpassam a dar forma aos processos essenciais do sistema vigente.
  19. 19. 18Com as inovações científicas universalizadas no processo produtivo, passamos aconviver com rápidas mudanças na área de telecomunicação, com a transmissãocada vez melhor de rádio e televisão, com o acesso generalizado à Internet e atelefonia fixa e móvel, destacando-se esta pela intensa evolução, assim como com ainternacionalização das indústrias que fabricam satélites artificiais.Em 1840 surgiu o rádio, que se popularizou rapidamente, porque os ouvintes nãoprecisavam ser alfabetizados. Esse meio de comunicação, além de atualmente ser omais popular, também se ressignificou a partir de sua integração com a Internet naforma de WebRádio. Desta forma, o rádio propicia comodidade do ouvinte por nãoprecisar sintonizar no momento em que o programa vai ao ar (SUANNO, 2003).Diferente do rádio, a televisão apresenta uma visualização maior dos fatos, portransmitir imagens e sons. Portanto, as transformações na sociedade e na culturaproporcionadas por essa tecnologia atingiram um patamar ainda maior que o rádio.A televisão se caracteriza por ser um meio de controle de massas, e para fugir disso,as pessoas que apresentam uma maior condição de vida pagam por acesso atelevisão por assinatura, a cabo ou via satélite, o que lhes possibilita sintonizar umaabrangência maior de canais (SUANNO, 2003).Continuando a respeito das inovações tecnológicas, vale ressaltar a invenção dovídeo-cassete e, mais tarde, do aparelho de DVD, que proporcionaram maiorliberdade na visualização dos conteúdos, a partir da gravação e da locação. Assim,“[...] trouxe para muitos lares uma nova opção de entretenimento [...]” (SUANNO,2003).Apesar de essas tecnologias terem proporcionado mudanças significativas na vidapessoal e no trabalho, o computador e a Internet foram as inovações tecnológicasque mais acentuaram essas transformações.O computador, que surgiu em 1980, difundiu-se rapidamente pelo mundo. Nasdécadas seguintes ele evoluiu ganhando agilidade e versatilidade, e com a Internetintegrada, passou a disponibilizar uma gama de informações e um novo espaço decomunicação (SUANNO, 2003).Uma peculiaridade da Internet, segundo Suanno (2003, apud PALÁCIOS, 2003) é ofato de que ela atinge um número grande de pessoas, e associado a isso,
  20. 20. 19proporciona interatividade, porém, de maneira diferente do jornal impresso e datelevisão que, apesar de serem massivos, não são interativos.A interação proporcionada pela Internet se dá pela estruturação em hipertexto daspáginas da Internet, que se constroem a partir da conexão de um texto por meio deoutro.O que se percebe, portanto, é que: Não há dúvidas de que a informática e, sobretudo, a Internet têm provocado inúmeras mudanças em nossa sociedade. Já não precisamos mais esperar tempos para uma carta chegar ao destinatário, sair de casa para ir ao banco, ler enciclopédias na estante, fazer supermercado, ir à escola. Podemos conversar com desconhecidos sem que eles nos vejam e sem que saibamos quem são; programar as músicas que a rádio vai tocar; enviar para o destinatário cartões que cantam e dançam; criar histórias animadas sem saber desenhar; entre outras coisas que soariam estranhas há pouco tempo. (RODRIGUES, 2008, apud COSCARELLI, 2002:65, p. 23)As tecnologias de informação e comunicação, portanto, estão cada vez maispresentes na vida das pessoas, e no meio educacional não é diferente. Essastecnologias são e oferecem recursos que podem dinamizar as aulas de Geografia,por isso é pertinente entender o que elas oferecem para a Geografia escolar.2.2 As contribuições das tecnologias de informação e comunicação para o processode ensino aprendizagem da GeografiaTodas as questões referentes aos usos das tecnologias, desde a sua criação, o seupapel no cotidiano das pessoas, os espaços e interações que elas criam, sãoquestões importantes e urgentes para a humanidade. A disponibilidade deste viverem rede, pelos desdobramentos múltiplos e profundos que possui, requer que nosaprimoremos neste conhecimento para podermos participar de forma consciente,crítica e eficiente da construção das relações que emergem nestes espaços.As tecnologias, em especial as de informação e comunicação, têm se desenvolvidoe propagado pelo mundo, criando novos e melhores métodos de lidar com a vida. Osrumos que esse desenvolvimento tecnológico vem tomando de forma geral e,
  21. 21. 20também na educação, não podem ficar de fora das mãos dos educadores, da suareflexão crítica, e da sua possibilidade de intervenção. Para isso torna-se vital ainvestigação, a ampliação e a troca de conhecimentos nesta área por parte doseducadores e das instituições educacionais. Sobretudo, investigações que serelacionem com a inserção das novas tecnologias na educação, as quais Gutierrezintitula de TEI (Tecnologias Educacionais Informatizadas). Para esse autor,[...] as tecnologias educacionais informatizadas (TEI) podem ser as tecnologias daeducação, no sentido em que são frutos de um projeto de sociedade e de educaçãodirigido pela e para a participação coerente e crítica de todos. (GUTIERREZ, 2008,P.2)Essas novas tecnologias permitem uma profunda mudança no processo de ensinoaprendizagem. Mas, em muitas escolas ou sistemas de ensino ainda se mantém opadrão bancário, explicitado por Freire (1997), que “deposita” o conhecimento para oaluno, sem provocá-lo na busca e elaboração de conceitos que construam suacompreensão de mundo. Gutierrez é sensível a essa percepção, ao registrar quenão é possível superá-la com uma simples inserção de novas tecnologias na escola,uma vez que “[...] a própria inserção das TEI não modifica este quadro e,dependendo do modo como acontece este processo, pode torná-lo pior [...]” (2008,p.6). Por isso é preciso não subutilizar as tecnologias, e sim usá-las para criar novasformas de ensinar e aprender.As novas tecnologias dão ao professor a oportunidade de entrelaçar o estudo com adiversão, tornando o processo educativo mais dinâmico e interessante. Sabemosque para que haja uma verdadeira aprendizagem, os conteúdos apresentados peloprofessor têm que interessar aos alunos, então, é essencial que a educaçãoaprenda e capture o potencial das TEI, que se torne uma forma de entretenimento,mas também desperte raciocínios, buscas e interação com outros sujeitos, além deampliar a autonomia, a capacidade crítica e uma enorme quantidade deinformações. As TEI, principalmente a Internet, passam a proporcionar essainteratividade e criatividade necessárias, fazendo com que o educando seja inseridonuma educação que visa desenvolvê-lo completamente.Para que esse objetivo seja alcançado, o professor deve “indicar caminhos, facilitara construção e a aquisição dos conhecimentos de uma forma simples e clara”
  22. 22. 21(ASSMANN, p.41). Ele deve ajudar o aluno a organizar as informações, desenvolveranálise crítica e reflexão criativa (ASSMMANN, 2005). O que dificulta a inserçãodessas tecnologias na escola é o falso receio dos professores de estarem sendosuperados no âmbito do conhecimento.É importante ressaltar, também, que a inserção dessas tecnologias no processoeducacional não exclui o uso de métodos e recursos didáticos “antigos”, como o doquadro-negro e do livro didático.O quadro-negro sempre esteve à disposição do professor, seja para registrar algo,para apresentar um exercício ou para dar visibilidade a um dado conceito, por meiode palavras, esquemas ou fórmulas. As novas tecnologias não eliminam essaspossibilidades. O que se percebe é que o uso do quadro-negro exige muito tempopara escrever, e se a aula for trabalhada somente com o discurso do professor e ouso do quadro-negro, ela pode se tornar muito exaustiva, ruim.Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, MEC/SEF, 2001) éatravés desses meios audiovisuais, que se encontram novos recursos para ummaior aproveitamento do ensino-aprendizado da Geografia, servindo como fonte deinformação para o aluno e possibilitando a problematização dos fatos.O retroprojetor, criado em 1930 nos Estados Unidos, é um recurso utilizado peloseducadores e é um dos mais utilizados para ajudar nas exposições orais.Juntamente com o projetor multimídia, popularmente conhecido como datashow,foram desenvolvidos com a função de ampliar e projetar imagens. O retroprojetorprojeta imagens que estão impressas na transparência e o datashow projetaimagens do computador ou da TV, permitindo a inclusão do movimento e do somjunto à imagem (ARCHELA & CALVENTE, p. 40).A televisão, que atualmente é o maior meio de comunicação em massa, écomumente utilizada em sala de aula, sendo associada com freqüência a aparelhosde reprodução de vídeos. Ela é um meio de comunicação que informa sobre osacontecimentos, distrai e ensina. É um recurso que possui uma variedade deinformações, só superada pela Internet, utilizando-se de imagens e sons, o que a faznão depender da leitura. Tornou-se “socializadora de informações, formas
  23. 23. 22lingüísticas, modos de vida, opiniões, valores, crenças” (BRASIL, MEC/SEF, 2001,p.143) que não pode ser desprezada pela escola.Outro interessante recurso, porém pouco utilizado na escola, é o rádio. Tido tambémcomo um grande meio de comunicação, ele pode ser implantando no ambienteescolar acentuando a interação entre os alunos e a interdisciplinaridade. Possibilita odesenvolvimento de atividades que façam os alunos “identificar, selecionar,relacionar, imaginar a partir da audição” (BRASIL, MEC/SEF, 2001, p.145). Alémdisso, pode desenvolver a oralidade e a escrita dos alunos.Os recursos audiovisuais possibilitam a obtenção de “informações sobre o campo, acidade, questões ambientais, povos, nações, construção de território, etc.” (BRASIL,MEC/SEF, 2001, p.142) elementos essenciais para entender as relações queconstituem o espaço geográfico e suas transformações. Ademais, proporcionam umolhar mais crítico dos alunos sobre o mundo, sociedade e fatos vivenciados. Mascabe ao professor selecionar o conteúdo a ser discutido em sala, levando os alunosa se tornarem mais que telespectadores: cidadãos críticos.Dentre essas tecnologias de informação e comunicação, destaca-se a Internet comouma que mais aumenta o potencial cognitivo do ser humano. Assmann (2005)acredita que a Internet nos acompanha na estruturação dos nossos modos deorganizar e configurar linguagens, além de impregnar as formas do conhecimento.Assim, ela se tornou um elemento constituinte das nossas formas de ver e organizaro mundo.A Internet possui um emaranhado de recursos para dinamizar o processo de ensino-aprendizagem, o blog, por exemplo, é um deles. A grande quantidade deinformações que ela fornece é apresentada de forma interativa, por abranger mapas,imagens, tabelas, textos, etc. Seus recursos são de fácil acesso e armazenamento,e, além disso, ela favorece a colaboração entre os alunos no processo deconstrução de conhecimentos. Vale salientar que esse processo de construção deconhecimento já não está mais fundado principalmente na razão, mas os sentidos,sentimentos e emoções estão muito mais presentes (ASSMANN, 2005).As estruturas cognitivas interativas que a Internet apresenta são devido à presençada hipertextualidade e da possível interferência de uma ou mais pessoas na
  24. 24. 23construção de um conhecimento. Essa hipertextualidade favorece a criatividade,liberdade, curiosidade, colaboração e construção de conhecimento (ASSMANN,2005).Conclui-se, então, que “O uso adequado das novas tecnologias possibilita odesenvolvimento do pensamento reflexivo” (VALENTE, 1999, p. 37). SegundoNevado (1999) estimula o desenvolvimento da consciência crítica e a descoberta desoluções criativas para as situações-problema que surgem no trato com ainformação.Essas percepções justificam o estudo sobre o uso de uma dessas ferramentas que aInternet possui – o blog, razão pela qual investimos nessa pesquisa.
  25. 25. 24CAPÍTULO 3 – Blogando com Geografia3.1 “Geoespaço”Sabemos que antes das tecnologias chegarem às escolas, outras formas de ensinarse baseavam no discurso do professor ou no livro didático. No entanto, éinteressante abordar a evolução do ensino de Geografia para que o leitorcompreenda o contexto em que esta foi implantada nas escolas do Brasil, a fim deentender suas fases, seus sucessos e fracassos, até chegar aos dias atuais, comsuas tecnologias, que disponibilizam no mercado muitas novidades que fornecem aoprofessor outras possibilidades para trabalhar sua aula.O pensamento geográfico teve início com os gregos, contudo foi no século XVIII quea Geografia se afirmou como disciplina e assim ganhou importância no meioacadêmico. No final do século XIX e início do século XX obteve contribuiçõesimportantes dos precursores da geografia moderna, os alemães Karl Ritter (1779-1859), Alexander Von Humboldt (1769-1859) e Friedrich Ratzel e os franceses, LaBlache e Eliseé Reclus. A escola alemã era atrelada a corrente filosóficadeterminista, a qual postula que o homem estava submetido às interferências domeio, enquanto a escola francesa seguia o possibilismo e era contrária aos ideaisalemães. O francês La Blache negava o determinismo natural, dizia que o meio eratransformado pelo homem. Escreveu suas obras no final do século XlX e início doséculo XX, criou um conceito fundante da Geografia Humana, o conceito de gênerode vida (SAUER, 2003). La Blache era simplista em que o básico da sua concepçãoera a relação do homem com o meio, caracterizando sua obra com a discussãosobre o homem modificando a natureza, transformando-a e assim, o homem cria apaisagem; La Blache discute a ação modeladora do meio. É importante salientarque ele não fez discurso de relações sociais, do trabalho, como já foi dito, ele citavaas atividades que transformavam o meio, assim sua preocupação era saber como apaisagem era constituída, como as técnicas a transformavam (LA BLACHE,1946).A Geografia como ciência nas escolas, iniciou em 1934, quando foi criada, em SãoPaulo, a faculdade de Filosofia, que possibilitou a formação do profissional emGeografia e História. É importante salientar que a disciplina de Geografia surgiu
  26. 26. 25como auxiliar no curso de História. Apenas em 1957 é que o curso foi dividido efinalmente surgiu a faculdade de Geografia. Isso implicou em uma ausência deprofissionais de Geografia, nas escolas, até as primeiras décadas do século XX.Sendo assim, engenheiros, advogados, seminaristas entre outros, tiveram a tarefade trabalhar as aulas dessa disciplina, o que demonstra similaridade com a atualforma que redes e instituições de ensino que complementam carga horária deprofessores de outras áreas com aulas de Geografia. Devido à falta de professoresde Geografia, no decorrer da primeira metade do século passado, o país teve aGeografia somente em nível secundário (ARCHELA & CALVENTE, 2008).Aproximadamente até a década de sessenta, a Geografia que era ensinada em salade aula, era uma disciplina influenciada, fortemente, pela Escola Francesa de LaBlache: sempre começava com os chamados aspectos físicos e depois tratava dosaspectos humanos, era bastante descritiva (BRASIL, MEC/SEF, 1998). Sendoassim, os livros didáticos não eram satisfatórios para a realidade do Brasil, elespossuíam estrutura francesa, faziam uso da memorização como garantia deaprendizagem escolar, era ainda a Geografia Tradicional, segundo os PCN’s,podemos descrever no ensino essa Geografia pelo “descritivo das paisagensnaturais e humanizadas de forma dissociada dos sentimentos dos homens peloespaço” (BRASIL, MEC/SEF, 1998 P.21).Não havia preocupação com o desenvolvimento da capacidade do aluno refletirsobre diferentes aspectos da sociedade na qual ele se encontrava inserido, assimcomo não havia problematização ou criticidade sobre o que se ensinava. Os livroseram descritivos, atendiam propósitos nacionalistas, apresentando conteúdos deacordo com os anseios políticos e a ordem manifesta do poder no/do Estado.Promover reflexões não interessava à classe dominante.Esse período foi entre as guerras mundiais, a nação precisava de patriotasfervorosos para não deixar que ocorresse a fragmentação do Estado. Essaperspectiva perdurou até a década de setenta. Com a implantação do regime militar,o quadro intensificou-se nas escolas e os livros ficaram mais distantes da realidade,não promoviam reflexões.Em 1971, houve a introdução da disciplina de Estudos Sociais, que juntava osestudos de Geografia e História, sendo lecionada pelo mesmo professor para o
  27. 27. 26antigo primeiro grau, e dificultava muito o processo de ensino e aprendizagem dasduas disciplinas, pois não havia o necessário aprofundamento. (ARCHELA &CALVENTE, 2008).Posicionando-se de outra forma, atacando e desvelando esses problemas, Delgadode Carvalho contribuiu com suas críticas à prática de ensino aplicada na Geografiaescolar desde o início do século XX.Podemos, então, inferir que a crítica à maneira como se aplica a Geografia, naescola, é muito antiga. Considerando que ainda é possível encontrar na GeografiaEscolar práticas descritivas, pretensamente neutras e propositalmente acríticas,podemos compreender melhor como isso influencia a maneira de viver do povobrasileiro, no que tange às leituras de nosso país sob o foco da Geografia.Sabemos que o mundo, naturalmente, passa por mudanças nos âmbitos político,social, econômico entre outros. Isso inclui a educação e a Geografia. Em relação aessas dimensões, além dos problemas causados pelas manipulações políticas, emuito por causa delas, as mudanças que agem velozmente quanto à informação ecomunicação não podem ser comparadas à lentidão das mudanças na Educação ena Geografia Escolar, mas podem explicar a eficácia do mau ensino e dacristalização do senso comum na Geografia.O mundo passou por grandes mudanças, o pós guerra abalou o mundo econômica eideologicamente, incluindo as mudanças na Geografia, a este respeito Seabra(1997) afirma “A Geografia precisava mudar e atualizar-se para atender asnecessidades do novo modismo científico” (SEABRA, 1997, p.64). Assim, a grandeexpansão do capitalismo e o embate entre o mundo socialista e o mundo capitalistafizeram com que a geografia Tradicional ficasse insuficiente para entender acomplexidade do espaço (BRASIL, MEC/SEF, 1998, p.21).Na década de setenta, houve uma ruptura com o pensamento clássico da Geografia.Solidificou uma corrente crítica marxista, em que dá ênfase aos estudos que revelama lógica capitalista, buscam uma Geografia mais justa (BRASIL, MEC/SEF, 1998).Era necessária a produção de estudos voltados na área da política, social eeconômica, a Geografia puramente descritiva havia perdido o seu lugar. Assim, o
  28. 28. 27PCN afirma que “Geografia ganhou conteúdos políticos que passaram a sersignificativos na formação do cidadão” (BRASIL, MEC/SEF, 1998, p.22).Nas academias brasileiras falava-se sobre a importância de uma visão crítica ecolaboradora para o processo de ensino aprendizagem. Criticavam o ensino deGeografia baseado na memorização de nomenclaturas e enalteciam a importânciada reflexão teórica. Mesmo com o grande desejo de mudanças no ensino dageografia, não verificamos progressos significativos que as academias esperavamdo ensino de Geografia. Já na década de oitenta os livros demonstraram umamelhora significativa. Nesse período houve uma grande preocupação com aprodução geográfica desenvolvida para o ensino, foram lançados muitos livrosparadidáticos, aconteciam muito debates entre professores e estudantes, e assim eensino de Geografia deu bons passos em direção ao sucesso, mas não o alcançoucom plenitude (ARCHELA & CALVENTE, 2008).Apesar da sua importante contribuição para o ensino de Geografia, a GeografiaMarxista não conseguiu esclarecer a complexidade pela qual o mundo passava, enão obteve êxito nas propostas curriculares. Esta corrente era atrelada somente aexplicações econômicas e à relação de trabalho, e é notável que esse quadro nãocondiga com certas etapas de escolaridade, como o ensino fundamental.Nas escolas, professores e materiais didáticos ainda seguiam a linha tradicional,com um material despolitizado e descritivista. Nascia, assim, uma contradição entreo discurso do professor e os recursos didáticos aplicados em sala (BRASIL,MEC/SEF, 1998).As constantes mudanças em torno da Geografia refletiram no ensino fundamental,afinal novas idéias servem para estimular a produção de novos recursos didáticos,mas nem sempre as mudanças que são produzidas no meio acadêmico, são sólidase sobrevivem a inovações conceituais, e muito menos atingem os professores deséries iniciais, uma vez que para eles, os livros didáticos e as orientações emformações pedagógicas, ainda se estruturam sob o foco da Geografia tradicional(BRASIL, MEC/SEF, 1998).Atualmente não temos ainda no Brasil uma Geografia com compreensão plena ecrítica da sociedade, como já foi dito anteriormente, é de suma importância que o
  29. 29. 28aluno relacione o seu cotidiano com os conteúdos de Geografia. É fundamental queo professor considere a vivência do aluno ao planejar as aulas; quando o professornão coloca o aluno no centro das atividades escolares, temos um ensinofragmentado, descontextualizado do ambiente vivido e isso passa a não ter sentidopara aluno, mesmo que ele não perceba. O professor de Geografia precisa seinformar sobre as variadas mudanças que ocorrem diariamente na vida moderna.Mudanças que refletem no conhecimento Geográfico, aos alunos e à própria visão econcepção de mundo (OLIVEIRA, 2003).Constatamos que é essencial que o professor crie situações em que o aluno possaadquirir e manusear o conteúdo, que ele consiga distinguir e analisar as maneiras deagir no espaço geográfico, assim como identificar e cuidar das variadas paisagens eterritórios. Com isto concorda Straforini, A geografia necessariamente deve proporcionar a construção de conceitos que possibilitem ao aluno compreender o seu presente e pensar o futuro através do inconformismo com o presente. Mas esse presente não pode ser visto como algo parado, estático, mas sim em constante movimento. (Straforini, 2005, p. 50).Apesar das constantes lutas da academia a fim de transformar a Geografia e acabarcom a sua imagem de memorização, a Geografia ainda se encontra dessa maneiraem muitos locais do país (ARCHELA & CALVENTE, 2008). Sabemos que ageografia além de sistêmica, é dinâmica, está sempre se inovando com osacontecimentos locais diários e com os processos globais complexos. Com isso,notamos que não há possibilidades dela voltar a ser como era: notoriamentedecorada e rígida, exaustiva.O PCN define essa dinâmica na geografia como: [...] O espaço na Geografia deve ser considerado uma totalidade dinâmica em que interagem fatores naturais, sociais, econômicos e políticos. Por ser dinâmica ela se transforma ao longo dos tempos históricos e as pessoas redefinem suas formas de viver e de percebê-la. (BRASIL, MEC/SEF, 1998, P.27)A sua imagem se modifica e nos traz um ar de novidade, de criticidade e de certezaque conhecimento nenhum é ampliado por memorizações. Sendo assim, Não basta o professor dominar o conteúdo geográfico; é preciso, outrossim, dispor de um conhecimento didático; apesar de todos os autores afirmarem que a base do processo educativo reside no binômio professor-aluno, é de
  30. 30. 29 conhecimento geral que o conteúdo e o método, isto é, o quê e o como, são inseparáveis. (OLIVEIRA, 2003, p.63)E assim o blog está situado dentro dessas considerações como um recurso queestimula a criticidade e criatividade dos alunos, a fim de dar contribuições para umamelhoria na Geografia Escolar.3.2 “Cantinho Geográfico”Após abordarmos a lenta e ainda incompleta, embora inexorável transformação, emprocesso, de uma Geografia calcada na memorização dos fatos para uma Geografiaque se preocupa com a criticidade do educando, é necessário falar como aferramenta blog pode contribuir para a Geografia.Um das grandes críticas feitas à escola e aos métodos de ensino é a sua ênfase nasinformações e na memória. Uma crítica antiga, mas que, apesar do muito que seandou, ainda permanece. Memorizar algo está relacionado a guardar por umdeterminado tempo um dado que não veio da elaboração do sujeito e que mobilizousua cognição na interpretação dos contextos e relações pertinentes a este assunto.Portanto não é aprendizagem (GUTIERREZ, 2008).Aprender importa em descobrir uma informação verificando suas relações, contextoe significados, comparando, testando e produzindo sentido. O ensino como pesquisaé aquele onde o educador, ao mesmo tempo em que ensina, aprende e questiona arealidade de sua prática, da escola e da comunidade escolar e, onde o educando, aomesmo tempo em que aprende, busca respostas as suas indagações e, portanto,ensina (FREIRE, 1997). Deste modo, o ensino-pesquisa é da ordem da formação doeducador.É nesse contexto que se investiga mudanças nos paradigmas educacionais. ParaPeters (2007) é preciso redesenhar a educação, planejar e implementar novasformas educacionais, reorganizando a estrutura de ensino e aprendizagem.As novas tecnologias, que estão cada vez mais presente na vida dos alunos, podemcontribuir na reorganização do processo ensino-aprendizagem. Elas são, de formageral, uma fonte de informação e comunicação para educadores e aprendizes. As
  31. 31. 30mudanças constantes no ensino e aprendizagem são, em sua grande parte,conseqüência do impacto do grande número de avanços tecnológicos,especificamente os das tecnologias de comunicação e informação que emergiramna última década.Informação é o que não falta nas dezenas de ferramentas da web, sem falar queoutras vão sendo criadas a todo o momento. E muitas delas vêm sendo usadas comfins pedagógicos. O blog é uma das diversas ferramentas da web.Os blogs tornaram-se páginas muito populares entre jovens que transformaram ociberespaço em diários pessoais. Atualmente, existem mais de 75 milhões de blogsno mundo todo, e outros 175 mil são criados a cada dia (RODRIGUES, 2008).O público adolescente faz do meio um canal para expressão, utilizando comoferramenta a escrita digital associada a sons, ícones e imagens. O que chama aatenção deles para esse gênero, o blog, pode ser a liberdade de expressão queesse espaço oferece, além de ser um espaço interativo, tendo em vista que permiteaos leitores enviar comentários, acrescentar idéias e poder interagir com o autor doblog em diversos assuntos. São essas características que promovem a autonomiado aluno. A aprendizagem que resulta dessa autonomia não é exclusivamentesingular, ela também é cooperativa, porque é construída a partir de discussões entreos alunos, e destes com o professor. Mas o maior desafio da utilização dessesespaços digitais no ambiente educacional é despertar a curiosidade do professor emotivar os alunos a continuarem a aprender fora da sala de aula.
  32. 32. 31Rodrigues (2008) demonstra em seu trabalho, como o blog pode contribuir para aeducação: Figura 2 – Esquema de Blog Educacional – RODRIGUES, 2008, p.106No contexto educacional, como pode ser visto, os blogs podem contribuir com otrabalho docente de diferentes formas. O professor pode utilizá-los para apresentarinformações e imagens. Para citar alguns exemplos práticos, um blog pode serexplorado para apresentar aos pais como foi desenvolvida a feira de ciências daescola, como foi o passeio ao Zoológico, a excursão, ou ainda, relatar uma reuniãoou evento, agregando imagens a notícias. Além disso, o professor pode utilizá-locomo um diário da turma ou da escola, falando a respeito das atividades do anoletivo. Em outra situação, pode ser útil para destacar alguma atividade específica e
  33. 33. 32única, detalhando melhor determinada ação pedagógica desenvolvida (como umapesquisa numa turma). O professor pode utilizá-lo, também, para compartilharidéias, propostas pedagógicas, pesquisas realizadas e, assim, trocar blogs entrealunos, professores, escolas.No processo ensino-aprendizagem o blog é uma ferramenta que proporcionadiscussões, estimulando a criticidade dos alunos e proporcionando o maior interessepelos conteúdos trabalhados na disciplina de Geografia. O blog é um recurso queoportuniza espaço para fotos e vídeos, que o professor e os alunos podem utilizarpara mostrar a realidade vivida.Valendo-se deste potencial, por exemplo, os alunos sujeitos desta pesquisa fizeramum trabalho envolvendo fotos do seu bairro, onde mostravam os problemas domesmo.A construção e o desenvolvimento dos blogs pedagógicos permitem que osconteúdos neles contidos façam parte de uma grande teia de saberes e deconhecimento que a Internet representa.Segundo Richardson “[...] o uso de blogs tem a função de expandir as paredes dasala de aula, pois seu uso contribui para que o pensamento seja amplamentedesenvolvido [...]” (2006, p.28).O blog é, portanto, um antídoto poderoso contra idéias fixas. Embora não precisesubstituir a sala de aula, complementa-a bem, à medida que pode inserir textos einformações adicionais, permitir que os alunos comentem textos e produções,favorece a formação de comunidades de prática em tornos de tema de interessecoletivo.Por ser conduzido apenas por um autor, sem interferência do público, a não sercomentar, também fomenta a produção individual. Segundo Richardson “[...] aferramenta blog mudou o conceito de web, pois se abriu a possibilidade de autoria[...]”. (2006, p. 19)Isso significa que o blog, por ser uma ferramenta [...] de expressão unicamente individual tornou-se uma forma de publicação em co-autoria. O contínuo fluxo de informação entre blogueiros deu origem a verdadeiros webrings. Estas comunidades de weblogs interligados
  34. 34. 33 confirmam a polifonia e a intertextualidade já constatadas em ambientes virtuais. Por todas estas razões, os weblogs vêm se consolidando como ambientes de construção cooperativa do conhecimento. Neles, o processo de construção ocorre de forma livre e aberta, promovendo o uso social da informação e do conhecimento, colocando estes como direito de todos. (GUTIERREZ, 2008, p. 7)Os blogs registram de forma dinâmica todo o processo de construção doconhecimento e abrem espaço para a pesquisa. Na produção de um projeto, porexemplo, pode detalhar todo o processo da pesquisa, desde sua criação,desenvolvimento até a finalização. Facilitam também a implementação de projetosinter e transdisciplinares, dando visibilidade, alternativas interativas e suportes aprojetos que envolvam a escola como um todo e, até, as famílias e a comunidade.Dessa forma, o blog contribui para a consolidação de novos papéis para alunos eprofessores no processo educativo com a participação coletiva, onde todos ensiname aprendem.Durante a nossa pesquisa tentamos mostrar se as características do blog podemrealmente auxiliar a Geografia. Mas para que pudéssemos chegar a resultadospassamos por diversas experiências.
  35. 35. 34CAPÍTULO 4 – Blogar é o máximo!A elaboração do nosso projeto de pesquisa e o desenvolvimento da mesmanecessitou, para que seus resultados fossem satisfatórios, estar baseados em umplanejamento cuidadoso. Esse planejamento foi elaborado com a orientação detécnicas metodológicas que nos auxiliaram em todas as etapas da pesquisa.Segundo Thiollent: [...] a metodologia lida com a avaliação de técnicas de pesquisa e com a geração ou a experimentação de novos métodos que remetem aos modos efetivos de captar e processar informações e resolver diversas categorias de problemas teóricos e práticas da investigação [...] (THIOLLENT, 2004, p.25).O primeiro passo para elaboração do nosso Projeto de Conclusão de Curso (TCC),foi a escolha do tema. Sentimo-nos provocados a pesquisar sobre o blog porque elepossui ferramentas que facilitam sua utilização como recurso didático.Os blogs começaram como um diário online, e hoje, são ferramentas indispensáveiscomo fonte de informação e entretenimento. Somando-se tudo isso, decidimospesquisar “O Blog como Recurso Didático para o Ensino da Geografia”. Nossa baseteórica se constituiu na primeira leitura da dissertação de mestrado “O uso de blogscomo estratégia motivadora para o ensino de escrita na escola”, da Professora Me.Cláudia Rodrigues, em que ela buscou incentivar seus alunos através do blog aescrita correta da Língua Portuguesa. Assim, ao percebermos o resultado positivoque o blog teve na juventude, nos sentimos mais motivados em obtermos umresultado, também positivo, no ensino-aprendizagem de Geografia.As reuniões em grupo sob a orientação da Professora Marisa, foram múltiplas. Eauxiliados por elas estabelecemos o nosso segundo passo que foi a realização dopré-projeto, onde estabelecemos a problemática, os objetivos e a metodologia, bemcomo o passo a passo da nossa pesquisa.A metodologia escolhida foi a Pesquisa-Ação, considerando que ela, [...] é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. (THIOLLENT, 2004, p.14)
  36. 36. 35Consideramos que o problema que nos inquietou e nos uniu nessa pesquisa podeser sintetizado nos seguintes termos: “Como potencializar o ensino da GeografiaEscolar valendo-se dos blogs da rede Internet, estimulando o estudo autônomo einterdisciplinar?”.Os sujeitos envolvidos nesse problema são professores e alunos. No caso,assumimos a perspectiva dos professores e selecionamos um grupo de alunos paraviverem essa experiência investigativa conosco.Simultaneamente ao desenvolvimento dessa metodologia, onde o caráter empíricoparece ser a prioridade, nossa abordagem não deixa de lado as referências teóricas,sem os quais a pesquisa empírica não faria nenhum sentido. Por isso as leiturasbibliográficas foram de extrema importância na realização do trabalho.No entanto, os primeiros objetivos traçados no pré-projeto foram mudando emdecorrência da situação encontrada em campo, bem como as conversas com aprofessora, que nos abriu os olhos para questões que o grupo anteriormente nãohavia analisado. A idéia inicial era a construção de um blog voltado para umainstituição da rede pública e particular, em que iríamos não só analisar comotambém comparar os resultados.Por isso, fomos a duas escolas buscar parcerias. A primeira escola visitada foi a darede pública de ensino Escola João Calmon, localizada no município de Vila Velha.Conversamos com professora Heliany Regina Albert que ficou de analisar aproposta e passá-la para a direção da escola. Contudo, nessa escola encontramosdificuldades quanto ao acesso dos alunos à rede Internet, e isso nos fez buscaroutra escola.Construímos o blog, no site Wordpress e mudamos nosso enfoque de pesquisa e,conseqüentemente, nossos objetivos. Ao invés de analisar e comparar resultadosnós decidimos que a pesquisa seria realizada apenas na rede pública, ambiente naqual a maioria das crianças se encontra. Por isso agradecemos a disponibilidade doColégio Marista no município de Vila Velha, quando nos deram uma respostapositiva, mas por indisponibilidade de tempo não foi nosso ambiente de pesquisa.Por isso voltamos nossa atenção para uma escola que reunia condições muitointeressantes para nossa pesquisa: possui uma estrutura de organização aberta à
  37. 37. 36pesquisa e o alunado pertence em sua maioria à classe média, com acesso à redeInternet. Novamente, agradecemos à abertura da escola anteriormente visitada elançamo-nos ao trabalho – o tempo era inexorável. Criamos então um novo blog, nosite Blogger com o nome de “Geo AHRT”, voltado para a rede particular de ensino.A Escola Luterana de Vila Velha foi o campo de nossa pesquisa. Foi a escolhidaporque uma das integrantes do grupo a conhecia. Obtivemos a autorização para apesquisa e a pedagoga da escola gostou da idéia que era divulgar o blog para osalunos. Fizemos, então, parceria com o professor de Geografia, professor FernandoSartório3, e divulgamos o blog para o 9° ano do Ensino Fundamental.Conseguimos redimensionar nossa pesquisa, definindo novos objetivos. Estávamosinteressados em verificar se, e como, os blogs da rede Internet podem potencializaro ensino da Geografia Escolar estimulando o estudo autônomo e interdisciplinar dejovens, para isso desejamos: 1. Avaliar o potencial de aprendizagem de Geografia escolar proporcionada pela utilização da ferramenta blog; 2. analisar a relação professor e aluno por meio dos blogs; e 3. verificar a validade da elaboração e manutenção do blog na formação continuada do professor de Geografia.Para alcançarmos os objetivos aplicamos dois questionários. O primeiro foirespondido pelos alunos e aplicado pela pedagoga Manuela Aguiar. Ele buscouverificar questões como a maneira pelo qual os alunos acessam a internet, bemcomo saber se eles têm ou acessam blogs. O segundo questionário foi aplicado aofinal do trabalho com o objetivo de avaliar a potencialidade do blog como ferramentade ensino-aprendizagem da Geografia. .Também aplicamos uma entrevista com o professor de Geografia buscando saber avisão dele a respeito da potencialidade do blog como recurso didático e como foi aexperiência do uso do blog “Geo AHRT” com a sua turma. Concomitantemente,registramos nossas experiências de aprendizagens com essa ferramenta e nocontato com os alunos, numa perspectiva de nossa própria formação docente.3 O nome do professor é real e está sendo usado com a autorização do mesmo e da escola onde trabalha.
  38. 38. 37A partir daí, buscamos “postar” no blog textos, vídeos e demais conteúdos, com ointuito de satisfazer curiosidades e de relacionar à matéria dada pelo professor,acompanhando a evolução do blog para analisar e avaliar os resultados finais.Após a divulgação para os alunos, postamos no blog matérias relacionadas àGeografia. Assuntos abordando questões como reciclagem, lixo, vulcanismo, entreoutros foram os selecionados e trabalhados.Além disso, procuramos aliar a explicação com exemplos do dia-a-dia. Quandofalamos de petróleo, por exemplo, buscamos não só explicar a importância dessafonte de energia, como destacar o fato ocorrido no Golfo do México, que nareportagem do Jornal A TRIBUNA (Figura 3) esclarece algumas situações. Aexplosão ocorrida na plataforma de petróleo mostrou o potencial que essevazamento teve para danificar praias e manguezais na costa da região. Assim,esclarecemos para os alunos os prejuízos que um vazamento de petróleo podecausar ao meio-ambiente.Figura 3 – Vazamento de Petróleo no Golfo do México – Reportagem do Jornal A Tribuna, 06de Junho de 2010
  39. 39. 38Postamos também conteúdos ligados à Globalização, conteúdo que o professorFernando estava aplicando na 9ª série do Ensino Fundamental. O conteúdo serviuentão de revisão para os alunos.A seguir, lançamos um Projeto no blog, que se intitulava “Por uma Geografia maisliterária”, no qual a professora de Português da escola também participou. Os alunosescreveram um poema, uma crônica ou uma música usando o tema Globalização,que era o assunto trabalhado na sala de aula. Aquele que foi escolhido pelosprofessores de Português e de Geografia como o mais bem elaborado, ganhouuma caixa de bombom e teve seu trabalho postado no blog (Anexo 4).Após um mês de pesquisa, analisamos os resultados que obtivemos com os doisquestionários, a entrevista e as informações contidas no blog, tais como oscomentários e o acesso dos alunos.
  40. 40. 39CAPÍTULO 5 – “Blogar ou não blogar. Eis a questão.”5.1 “Erros na página”Criamos um blog intitulado “Geo AHRT” (geoedu-blog.blogspot.com), com o objetivoespecífico de criar um espaço onde os alunos pudessem ter acesso a conteúdosmais próximos de sua realidade, que o professor pudesse sugerir leituras e filmes,que possuísse elementos mais interativos, aumentasse as discussões em sala deaula, prolongasse a relação do professor e do aluno fora da instituição, e, por fim,criasse um espaço de socialização de conhecimentos.A proposta foi apresentada a uma turma da 9º série do Ensino Fundamental, issoporque na Escola Luterana há somente uma turma da referida série. Apresentamosà turma um espaço digital onde os alunos podiam interagir e discutir a respeito deassuntos geográficos, trabalhados ou não na sala de aula. Os posts, portanto, eramcriados para que os alunos refletissem e comentassem, e assim o blog se tornariaum espaço de discussão extraclasse.O que aconteceu foi que durante o mês de pesquisa o blog teve apenas cincocomentários, que ocorreram nos dois primeiros posts, apesar do blog estar sendoacessado – de acordo com o gerenciador eletrônico de acesso. Tomando comobase o fato de que os alunos estavam acessando o blog, poderíamos ter um de doispossíveis resultados: ou a turma comentaria ou ela não comentaria. De início, então,tivemos um resultado positivo, porque logo obtivemos comentários, mas com otempo os alunos pararam de comentar. O motivo dos comentários terem sido feitosno início é o caráter inovador dessa proposta pedagógica, que causou umaexcitação inicial, resultando em uma interação imediata.Como queríamos que os alunos comentassem, utilizassem esse espaço digital paraexpressar seus pensamentos, criassem conhecimentos a partir da colaboração dosalunos e do professor, surgiram perguntas durante e no fim da pesquisa, tais como:Por que os alunos não comentam os posts? Por que o número de acessos diminuiucom o tempo, se a quantidade de posts aumentou? Perguntas assim se mantiveram
  41. 41. 40durante a pesquisa, e os questionários (Anexo 1, Anexo 2) e a entrevista (Anexo 3)com o professor nos fizeram enxergar alguns motivos, mas provavelmente nãotodos.Os problemas não significaram nem significam que o blog não pode ser um recursodidático, mas que a proposta foi mal iniciada e que faltou incentivo nosso e doprofessor durante a pesquisa. E, além disso, por lidarmos com adolescentes, o blogdeve conter elementos que chamem a atenção do aluno, que satisfaçam seusinteresses, apesar de termos colocado muitos, ainda assim desejavam mais.Ademais, a adolescência é uma fase de grande resistência às imposições, comodeveres de casa de quaisquer tipos, assim como de perda e/ou mudança deinteresse diante de propostas monitoradas. Isso nos provoca reflexões sobre osobjetivos e a metodologia de nosso trabalho. Para que pudéssemos chegar a esseresultado, buscamos entender os problemas a partir de hipóteses do professor e dasopiniões dadas pelos alunos ao responderem o segundo questionário. Quais, então,foram essas falhas?1º. A proposta foi mal iniciada e pouco incentivada. O acesso ao blog eraevidente, mas os comentários se tornaram mais escassos com o tempo, ao invés deaumentarem. Além disso, os alunos tinham dificuldade em operar algumasferramentas, como o site responsável por downloads. Neste caso, os alunos nãoconseguiram baixar a apresentação de revisão no PowerPoint, nem o textocomplementar. É importante ressaltar, também, que o professor afirma que buscouincentivar os alunos a acessarem o blog, contudo, por não os estimular a comentar,o blog perdeu parte do seu objetivo. O professor deveria ter incentivado os alunos acomentarem, focando a crítica, e para isso seria imprescindível discutir com osalunos a importância desta. Para que não tivéssemos problemas como esses, eranecessário ter discutido mais profundamente a proposta. Poderíamos ter feito umaaula na sala de informática com o intuito de apresentar o blog e de ensinar os alunosa operar seus recursos. O blog é um recurso de fácil operação, mas para que setenha sucesso é necessário tempo, mesmo que este seja curto. Portanto, numaturma onde somente três alunos tinham um conhecimento técnico básico sobre blog,por possuírem um, era fundamental uma aula “técnica”. E, então, depois dessa
  42. 42. 41apresentação mais profunda, o professor se encarregaria de incitar os alunos acriticar, opinar, sugerir, complementar.2º. Os alunos sentiram necessidade de mais elementos interativos. Apesar de oblog estar repleto de vídeos e fotos, 35,5% dos alunos desejava mais vídeos, 32,5%mais fotos, 17% mais sites complementares, 7,5% desejava outros elementos, comojogos e músicas, e 7,5% não desejava nada. A falha, portanto, foi colocar os links devídeos e não os próprios vídeos. Isso não significa que os alunos não aproveitaramos elementos oferecidos, mas que deviam estar mais presentes no blog. A frase“não é legal!” de alguns alunos mostra que os assuntos e a forma de como eleseram apresentados não conseguia satisfazer todo o grupo. Mas a utilização do blogcomo recurso didático não significa que o professor deve desistir de utilizar outrosmeios, porque da mesma forma que os interesses são diversos, os recursos àdisposição do professor também o são. Conclui-se, então, que os alunosconsiderariam o blog mais interessante a partir do momento que ele possuísse maiselementos interativos.3º. O professor se tornou um intermediário na criação do conteúdo do blog. Oblog possui, à direita, informações do nosso grupo de pesquisa, mas também estãoinclusas fotos da escola e da turma com o professor. Tentamos criar um blog ondehaveria uma parceria com o professor na construção dos conteúdos, mas ao tentarpresenciar ao máximo as atividades expostas no blog, não demos liberdade aoprofessor de utilizá-lo individualmente, nem coletivamente, apesar de haver troca deideias sobre o que poderia ser postado. Isso diminuiu a presença do professor naatividade, o que explica o baixo nível de incentivo aos alunos para quecomentassem. É importante entender que a não presença efetiva do professor naconstrução do blog e de seus conteúdos não significa que a pesquisa perdeu seusentido, porque, a despeito disso, o blog era utilizado como um instrumento didático,que estimulava o estudo autônomo e interdisciplinar.Os problemas encontrados durante a pesquisa foram poucos, e resume-se na faltade tempo para planejar uma proposta mais completa e efetiva em curto prazo. O
  43. 43. 42professor foi excluído em parte do processo de criação e elaboração do blog, o queocasionou na criação de uma distância entre os alunos e o nosso grupo. Por sermos“desconhecidos”, a forma de lidar com os assuntos diferenciava. Se o professortivesse participado efetivamente do processo, os alunos se sentiriam mais a vontadeem escrever e criticar os assuntos. Contudo, esses problemas poderiam serfacilmente resolvidos, o que traria resultados muito mais satisfatórios.5.2 Editando postagem...Apesar das falhas encontradas na tentativa de utilizar o blog como recurso didático,obtivemos resultados parciais, que nos levam a acreditar que o blog pode serutilizado para potencializar o processo de ensino-aprendizagem da Geografia.Segundo Assmmann “[...] os recursos do blog são de fácil acesso e armazenamento,além disso, ele favorece a colaboração entre os alunos no processo de construçãode conhecimentos [...]” (2005, p.54). E pudemos constar que, apesar dasdificuldades que os alunos tiveram, o blog proporciona um fácil manuseio de seusrecursos. Além disso, apresenta grande interatividade por possibilitar a postagem devídeos, fotos e comentários dos alunos, tornando-o extremamente importante noprocesso de construção de conhecimentos de forma colaborativa.De maneira geral, as Tecnologias Educacionais Informatizadas (TEI) possuemgrandes recursos potencializadores do ensino-aprendizagem dos alunos. Noentanto, o papel do professor é de extrema importância, visto que cabe a eleapresentar conteúdos no blog que estimule os alunos à busca pela aprendizagem.Como destaca Assmmann, “[...] o professor deve indicar caminhos, facilitar aconstrução e a aquisição dos conhecimentos de uma forma simples e clara [...]”(2005, p.41), diferente do professor tradicional, que é um mero transmissor deinformação e detentor do conhecimento.Com a criação do blog “GEO AHRT”, iniciamos a pesquisa buscando traçar o perfildos alunos. Analisamos primeiramente o acesso à Internet, visto que na ausênciadessa ferramenta, a nossa pesquisa não atingiria os objetivos propostos. Como oprofessor Fernando acredita,
  44. 44. 43 [...] o cotidiano do aluno é marcado por um intenso acesso às informações através da internet, portanto, esta é uma realidade para o aluno. Utilizar este tipo de mecanismo vem a calhar nas aulas de geografia e só tem a contribuir com aquilo que o professor trabalha. (FERNANDO SARTÓRIO)A turma do 9º ano do Ensino Fundamental era composta por vinte e nove alunos,dos quais doze eram mulheres e dezessete homens. Levando em consideração quedois alunos não participaram da aplicação do primeiro questionário, verificamos quevinte e cinco alunos possuíam acesso à Internet (Gráfico 1), e o local de acesso de96% dos alunos se dava principalmente em casa. Alunos que têm acesso à Internet Homens 30% Total 50% Mulheres 20% Gráfico 1 – Alunos que têm acesso à InternetOutra questão analisada foi saber se os alunos tinham conhecimento a respeitodessa ferramenta digital. Apesar de somente três alunos possuírem blog, a turma seinteressou em participar da nossa pesquisa. Segundo o professor, A turma se sentiu muito orgulhosa de ter um espaço só para ela em que fossem divulgados os conteúdos trabalhados pelo professor, além de projetos desenvolvidos em sala de aula. Percebi que os alunos sentiram-se valorizados tendo um espaço para eles. Inclusive, após a criação do blog, vários alunos criaram blogs pessoais, para divulgar suas experiências, e tratar de assuntos de seus interesses. (FERNANDO SARTÓRIO)
  45. 45. 44Isso mostra que os alunos sentem necessidade de um espaço para se expressarfora da sala de aula e que se mostram abertos a novas experiências. O blog, então,proporciona esse espaço onde alunos e professores se interagem também fora dasala de aula. Segundo Richardson (2006), o uso de blogs tem a função de expandiras paredes da sala de aula, pois seu uso contribui para que o pensamento sejaamplamente desenvolvido. Foi o que aconteceu quando eles comentaram os posts,elogiando e tirando dúvidas, como pode ser visto nestes comentários: Figura 4 – Comentários de um post do Blog Geo AHRTComo o blog tem sido mais divulgado nos últimos anos, pudemos verificar quenessa turma, dos vinte e sete alunos, apenas quinze alunos acessavam blogs. Noquestionário analisamos os motivos do acesso, que são: por curiosidade, pesquisaescolar, indicação de alguém e outros (Gráfico 2). Vários alunos acessaram por maisde um motivo. Dentre os alunos que acessavam, treze o faziam por curiosidade, doispor pesquisa escolar, seis por indicação de alguém e dois por outro motivo.
  46. 46. 45 Acesso a blog 14 12 10 8 6 4 2 0 Curiosidade Pesquisa escolar Indicação de alguém Outro HOMEM MULHER TOTAL Gráfico 2 – Acesso a BlogPerguntamos aos alunos também, se ao acessarem um blog onde é descrita umaviagem se lembram da Geografia escolar. O que constatamos foi que vinte e quatronão se lembram da Geografia nessa situação. Isso mostra a dificuldade dos alunosde enxergar a Geografia nos assuntos do cotidiano.A experiência que eles tiveram com o blog mudou esse quadro. Anteriormente, trezealunos pesquisavam sobre conteúdos de Geografia na Internet. No entanto, o blognão só auxiliou os alunos nas pesquisas escolares, como garantiu um crescimentode 14% de alunos que passaram a pesquisar assuntos relacionados à ciênciageográfica. Os alunos, então, passaram a refletir e a querer aprender mais sobreGeografia fora da sala de aula, atingindo uma margem de 69% dos alunos quepassaram a enxergá-la no seu cotidiano. Essa funcionalidade que o blog tem comoferramenta educativa é destacada por Rodrigues. Segundo a autora, o blog pode serutilizado pelo professor como estratégia de fornecer caminhos para o aprendizado eampliar a pesquisa em sala de aula (2008, p. 106).
  47. 47. 46Notou-se, também, uma mudança no comportamento dos alunos referente àsdiscussões. Apesar de já haver muitas delas, o blog proporcionou novos debates.Um deles foi relacionado a um dos primeiros posts, que discutia a questão do lixo(Figura 5, Figura 6). Neste post abordamos assuntos referentes ao conceito de lixo,coleta seletiva, reciclagem, entre outros, relacionando-os com o local de vivênciados alunos. Como muitos deles vivem em locais com problemas de coleta de lixodiária, a repercussão em sala de aula foi grande.Figura 5 – Lugar de Lixo é na Lixeira – Página do Blog Geo AHRT – http://geoedu-blog.blogspot.com/2010/04/sejam-bem-vindos.htmlFigura 6 – Reciclagem – Página do Blog Geo AHRT – http://geoedu-blog.blogspot.com/2010/05/reciclagem.html
  48. 48. 47Constatamos, portanto, que o blog deixa a aula mais dinâmica e com mais conteúdo.Conforme o professor, “[...] os alunos ficam exaltados em sempre comentar aquiloque está escrito no blog. Durante as aulas, os alunos faziam questão de falar sobreo blog, qual seria a próxima matéria a ser publicada, e quando seria atualizado [...]”.A partir da problematização dos assuntos, o professor se ocupava em ajudar osalunos a organizar as informações, desenvolver análise crítica e reflexão criativa,objetivos que Assmann (2005) propõe ao professor. Por conseguinte, o blog nãoserviu apenas para instigar críticas e debates, mas propiciou a interdisciplinaridade ecriatividade dos alunos. A professora de Língua Portuguesa se interessou logo noinício da pesquisa, e com o tempo, surgiu a oportunidade de unir as disciplinas numprojeto que visava a publicação no blog. O projeto foi intitulado “Por uma Geografiamais literária”, em que os alunos deveriam escrever um poema, música ou crônicaabordando o conteúdo de Geografia da época: globalização. Contudo, no final, atemática acabou se diversificando, e o grupo ganhador escreveu um rap (Anexo 4).Durante o projeto o professor ficou impressionado com o entusiasmo que os alunosdemonstraram. O fato dos trabalhos poderem ser publicados no blog contribuiu paraque houvesse grande dedicação na elaboração do texto. O blog é, portanto, “[...] umrecurso informal presente na internet que serve como um espaço para se expressarcriatividade e opinião de uma ou mais pessoas [...]” (RODRIGUES, 2008).Para o professor e os alunos a experiência de possuírem um blog, apesar dasfalhas, foi positiva. A inserção do blog não causou medo ao professor nem aosalunos, mas favoreceu a construção de conhecimentos de forma colaborativa, apartir de discussões em classe. Dessa forma, o blog se constituiu como fonte deinformação e comunicação para educadores e educandos. Uma pesquisa foi entãorealizada para saber a opinião dos alunos a respeito do blog. Dos vinte e novealunos, doze consideraram “bons”, nove “ótimos”, sete “regulares” e um “ruim”.Finalizamos, então, com a palavra do professor, para sabermos se essa experiênciafoi realmente positiva e se ela poderia ter continuidade: “Tenho certeza que sim.Todas as turmas deveriam ter um blog. Potencializa o trabalho do professor econtribui imensamente para o processo de ensino-aprendizagem.”
  49. 49. 48CAPÍTULO 6 – “Sua postagem foi publicada”A Internet está cada vez mais presente no cotidiano dos alunos, e eles a utilizamcomo um meio de comunicação, entretenimento e pesquisa, por isso é visível anecessidade de transformar a Internet num recurso didático. Partindo desse objetivo,utilizamo-nos do blog por seu uso estar em constante crescimento.Como leitores, observamos que o blog estimula a liberdade de expressão, desdecomentários “sem fundamento” a críticas fundamentadas e construtivas, criando umespaço de discussão sobre os temas propostos pelo criador do blog. Além de ser umespaço de debate, ele apresenta recursos de multimídia que tornam os assuntosmais interativos e interessantes. Por essas características notamos que o blog seenquadra no ensino-aprendizagem de uma Geografia crítica.A nossa pesquisa mostra a dificuldade de implantação do blog como recursodidático, mas, da mesma forma, traz resultados de potencialização do ensino daGeografia como foi constatado em nossa pesquisa, pois o blog proporcionou amuitos alunos a visão de uma Geografia presente em seu cotidiano.Ao avaliar o funcionamento do blog no período de um mês, notamos grandeinteresse dos alunos em “descobrir” o blog como ferramenta didática. Mesmo compoucos comentários feitos em relação aos posts, os alunos nunca deixaram deacessá-lo. De fato, eles não utilizaram este espaço para expressar seuspensamentos, mas debatiam os assuntos postados no blog com o professor em salade aula. Assim o blog também estimulou a criticidade dos alunos e a criaçãocolaborativa de conhecimentos.A partir da elaboração do projeto “Por uma Geografia mais literária” averiguamos,também, que o blog não só beneficiou a Geografia escolar, mas possibilitou ainterdisciplinaridade. Os alunos tiveram de usar a criatividade e o conhecimento paraelaborar uma crônica, música ou poema usando o tema Globalização, e isso osmotivou a estudarem o tema.O blog proporcionou a aprendizagem autônoma a partir da verificação de que umamaior quantidade de alunos passou a pesquisar assuntos referentes à Geografiafora do âmbito escolar.
  50. 50. 49Com a pesquisa constatamos que o trabalho com o blog oferece aos alunos umaintensificação de discussões além dos conteúdos programados pelo professor emsala de aula. O blog torna o ensino mais dinâmico, participativo e autônomo. Alémdisso, o blog oferece a participação coletiva, mas para que isso ocorra é necessáriodar aos alunos maior liberdade de expressão. No entanto, o uso do blog, demandamudanças no perfil do professor a partir do momento em que ele passa a ser maisum orientador.
  51. 51. 50REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAMORIM, Cláudia Colla de. Compartilhando e construindo conhecimento: açãomediada entre crianças e adolescentes no desenvolvimento de blog pedagógico-literário em uma biblioteca pública da cidade de São Paulo. 2008.178 f. Dissertação(Estudos Lingüísticos e Literários em Inglês) - Faculdade de Filosofia, Letras eCiências Humanas (FFLCH). São Paulo.ARCHELA, Rosely S; CALVENTE, Maria del Carmen (Org.). Ensino de geografia:tecnologias digitais e outras técnicas passo a passo. Londrina, PR: EDUEL, 2008. xi,163 p.ASSMANN, Hugo; LOPES, Rosana Pereira (Coord.). Redes digitais emetamorfose do aprender. Petrópolis: Vozes, 2005. 124 p.BRIGNOL, Sandra Mara S. Novas Tecnologias de informação e comunicaçãonas relações de aprendizagem da estatística do ensino médio. Textodisponibilizado em 2004. Disponível em: <http://redeabe.org.br/Monografia.pdf>.Acesso em: 3 de maio 2010.DEMO, Pedro. Educação hoje: "novas" tecnologias, pressões e oportunidades. SãoPaulo, SP: Atlas, 2009. viii, 137 p.FORBECK, Vera Lúcia A. Novas Tecnologias de informação e comunicação esua apropriação por parte dos alunos e professores. Disponível em:>http://www.fmccaieiras.com.br/ProducaoADM/Docente/artigo_mestrado_em_educacao.pdf > Acesso em: 23 de abril 2010.FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática daautonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997.GONÇALVES, Carlos Walter Porto. A globalização da natureza e a natureza daglobalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. 461 p.GUTIERREZ, Suzana. Projeto Zaptlogs: as tecnologias educacionaisinformatizadas no trabalho de educadores. Revista Novas Tecnologias naEducação - Renote Porto Alegre: CINTED-UFRGS, v. 1, n. 2, set. 2003.LA BLACHE, Vidal de. Princípios de Geografia Humana. 2 ed. Lisboa: Cosmos,1946.
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  53. 53. 52GLOSSÁRIOBLOG – Página de internet com características de diário, atualizada regularmente.Em português: blogue.BLOGOSFERA – A blogosfera é o nome dado a rede social formada por blogsinterconectados. Termos alternativos de utilização menos corrente: “blogoespaço”,“bloguiverso”.BLOGUEIRO – O mesmo que bloguista. Nome dado aos autores de blog.BLOGTOPIA – O uso dos blogs como fonte de publicação de utopias.FOTOLOG – Um blog onde os posts são fotos.GADGET – Um pequeno software que apresenta uma função específica.HACKERS – Pessoas que elaboram e modificam software e hardware decomputadores.HIPERTEXTO – É um texto digital que apresenta palavras, fotos, vídeos, sons, osquais são acessados por meio de links.LINK – É uma palavra, texto, imagem ou expressão que permite acesso imediato aum conteúdo.POST – É um registro de qualquer tipo informação.TEMPLATE – É a apresentação visual de uma página na Internet ou, simplesmente,um modelo de documento.VIDEOLOG – Um blog onde os posts são vídeos.WEBLOG – Nome anterior de blog.

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